O Véu Negro
14 Preso em Trevas.
P.O.V. Ravena Castellyn
Eu não conseguia parar de chorar na frente do arco do véu. Eu havia fracassado, tentava impedir que a bruxa entrasse, mas foi algo impossível, ela me atravessou como se eu não fosse nada. Ela estava com Noah. Ele estava completamente sozinho com aquela maluca insana. Eu nunca deveria ter deixado ele entrar, deveria ter sido eu.
Pareceu demorar para perceberem o que aconteceu, mas quando perceberam Hitomi foi me consolar. Ela sentou-se ao meu lado, me abraçou e sussurrou:
— Vai ficar tudo bem.
Eu não respondi. Não queria ser grossa, mas eu sabia que não iria ficar. Noah estava ali dentro, dentro do véu que havíamos acabado de fechar e nem sabíamos o que era, nem sabíamos o que a bruxa era. Ele estava em um terreno desconhecido com a inimiga e não podia sair, pois eu havia fechado o véu.
Com ele dentro. Como eu pude fazer isso?
Eu peguei o pergaminho que Scorp havia enfeitiçado para que conseguíssemos nós comunicar a distância. Ele só mandava algumas palavras desconexas, Scorp não havia feito um trabalho tão bom (estava bom considerando nosso nível de magia). Eu precisava saber se Noah estava bem e tinha esperanças que ele estava com o pergaminho.
Fiquei ali parada esperando a resposta de Noah. Depois de cinco minutos e de ter encharcado o pergaminho com minhas lágrimas, achei que havia acontecido o pior: a bruxa havia realmente pegado Noah.
"Bem lugar horrível" apareceu no pergaminho, fazendo um leve sorriso vir ao meu rosto, ainda chorando. "Esconder." Mesmo com tão poucas palavras era melhor que nada.
Alvo e Scorp decidiram ajudar Hitomi a me consolar, mas eles não conseguiram fazer isso, então apenas me ajudaram a me levantar e a ir para o castelo. Antes mesmo de todos entrarmos, eu fui direta:
— Para a sala da diretora Minerva. Vamos ver se agora ela acredita em nós — não havíamos falado com Minerva em nenhum momento, eu queria resolver tudo sozinha. A professora não havia acreditado em Hitomi e eu já suspeitava que nenhum deles acreditariam, mas agora era diferente. Agora éramos um número grande demais para sermos ignorados.
Minerva realmente não acreditou de primeira, os garotos tiveram que descrever seus dias no aprisionamento naquele mundo gosmento de trevas. Aron finalmente conseguiu que acreditassem quando mostrou a ela uma coisa que havia trago de lá: era o galho de uma árvore envolto em uma gosma nojenta e viva, negra como nossas vestes.
Voltamos para nossos quartos castigados pela saída noturna. Minerva anunciou a todos naquela noite o feito heróico de Noah, Matt, Hitomi, Alvo, Scorp e eu. Naquele dia, viramos um tipo de heróis, mas aquilo não estava nada bem. Eu não conseguia me sentir feliz sem Noah, a todo momento eu só conseguia pensar nele e como o tiraríamos de lá.
Comecei a passar todo meu tempo livre na biblioteca. Se não estava lendo, estava conversando com Noah pelo pergaminho — não era uma conversa muito boa por conta da simplicidade da magia do mesmo, mas era melhor que nada.
Aron tentava passar o seu tempo comigo na biblioteca, mas com o passar de alguns dias ele não pareceu mais conseguir aguentar a minha companhia: eu não o julgava, estava mais grossa e destruída do que qualquer dia em Hogwarts. Quase não falava e, quando falava, eram coisas ruins. Matt, Hitomi, Alvo, Scorp e Aron também estavam pesquisando o que podiam.
Me afastei de todos, não tinha tempo para eles, a única coisa que me importava era Noah. Desde a noite do incidente Aurores estavam na Floresta Negra, no arco do véu, procurando pela bruxa e por Noah. Haviam tentado abri-lo de novo, mas infelizmente haviamos tido sucesso nessa parte da missão.
Eu comecei até mesmo a estudar Runas Antigas com a intensão de saber mais sobre os símbolos e suas origens, pensando que descobrindo isso poderia abrir outro véu, entrar e tirar Noah de lá. Não me importava se a bruxa saísse também, eu queria apenas o meu melhor amigo, toda consequência disso era pequena.
Os pais de Noah não apareceram em Hogwarts e não obtive sucesso em contatá-los, eles já sabiam sobre Noah, mas eu queria que eles estivessem desesperados o procurando como eu estava. Ver todos seguindo suas vidas, felizes, contentes pelo fim dos pesadelos, animados para as férias me corroía. O ódio crescia em mim a cada sorriso que via, eu não conseguia acreditar que Noah havia se sacrificado para salva-los e agora eles estavam ali, vivos e bem, enquanto Noah se encontrava preso em uma realidade alternativa. Eles deveriam estar procurando ele, deveriam se importar, afinal ele havia se sacrificado por eles. Não deveriam estar felizes.
Os testes foram desnecessários demais. Todos estavam ansiosos para tal, mas para mim era apenas a certeza que eu iria para as férias sem Noah. Os aurores não haviam tido sucesso em nada, eu já havia aceitado que eu teria que fazer algo, que ninguém faria por mim. Eles simplesmente não se importavam com Noah, mesmo dizendo que sim, Noah não era ninguém além de um aluno para eles.
Mesmo sem estudar, havia conseguido boas notas. Matt e Rose haviam ficado em minha frente (ela realmente estava ruim pelos pesadelos da bruxa), mas isso não me importava nenhum pouco. Notas não eram nada e não trariam Noah de volta.
Hitomi, Matt, Scorp, Alvo e Aron eram realmente os únicos que chegavam perto de me compreender e mesmo assim não conseguia falar com eles de forma decente. Passei a viagem para casa sozinha no vagão do trem, minha tia me esperava na Plataforma 9 ¾ e fui para casa o mais rápido possível.
Lá li mais que todas as férias de minha vida. Minha tia tentava me animar como podia, mas era impossível tal coisa, mesmo assim ela me obrigava a sair de casa e eu fazia isso: pegava uma bolsa, colocava a maior quantidade de livros sobre Runas Antigas que conseguia carregar e montava em minha vassoura, depois de voar até cansar, eu me sentava em um dos telhados e começava a ler.
Não demorou para eu ter certeza que apenas Runas Antigas não seriam capazes de trazerem Noah de volta, então fui mais afundo: comecei a estudar Magia Negra, mais uma forma desesperada de conseguir acabar com aquilo: eu tinha certeza que a magia que a bruxa utilizava era a negra, então eu teria que aprender para fazer o que ela faz e abrir o véu. Em alguma página daqueles livros medonhos deveria ter algo sobre o Véu Negro.
Eu iria fazer de tudo para ter Noah de volta e aquela bruxa iria pagar por cada lágrima que cada um de nós (Noah, Aron, Matt, Hitomi, Scorp e Alvo) derramamos e aquilo era uma promessa que eu estava disposta a cumprir a qualquer preço.
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