O Véu Negro
4 Cair é Minha Especialidade
P.O.V Noah Belmonte
Ok, esse cheiro… Panquecas! Não há nada nesse mundo melhor do que panquecas. E é incrível acordar, vir para meu primeiro café da manhã em Hogwarts e ser recebido por uma quantidade incrível delas. O cheiro já havia me buscado assim que deixei meu dormitório, o plano era encontrar Ravena na entrada do salão, mas não resisti e aqui estou eu, com meu rosto sujo de xarope de bordo e correndo meus olhos a procura de Ravena.
A conversa na mesa de trás é de um grupo de Lufanos me interessa, sobre como sua sala comunal tem um cheiro tão bom quanto todo esse lugar, é claro que eu quero viver sentindo o cheiro de panquecas e bolinhos! Me pergunto novamente se a Grifinória é realmente meu lugar.
Ao acordar hoje pude observar todos os meus companheiros de casa, algo neles é tão… diferente de mim, dizem que a Grifinória é a casa dos corajosos e aventureiros, então como o chapéu falante pode me colocar em uma casa como essa? A partir do meu primeiro passo para fora da cama meu maior medo é que meu pesadelo de hoje a noite se torne realidade e eu me atrase para a primeira aula e pior, caia na primeira aula, ou algo tão ruim aconteça que o professor me expulse no primeiro dia. É isso. Serei expulso no pri…
Alguém senta ao meu lado, cabelos longos voam em meu rosto enquanto Ravena se aconchega.
— Finalmente! O plano era se encontrar na entrada, por que você não me esperou? Eu estou lá há algum tempo já…
Deixo escapar um sorriso sem graça.
— Eles tem panquecas hoje.
Ela me olha com estranheza.
— Consigo ver isso. Tem panquecas em todo o seu rosto.
—Sim, ele está muito feliz.
Ravena sempre deixou à mostra sua animação para cada novo passo em Hogwarts, desde o trem até ao chapéu seletor, mas hoje ela parece um pouco nervosa, não tão animada, me pergunto o motivo.
As pessoas começam a olhar para Ravena e fazer comentários entre si. A cutuco devagar.
— O que está acontecendo, Rav?
— Bem, eu não sou da Grifinória, é normal que eles não gostem de mim aqui.
Ela aponta para a mesa da Sonserina. Os alunos de lá fazem o mesmo.
— Viu, consegui fazer com que metade dos alunos passem a me odiar.
— Isso é péss…
— Ótimo, eu sei. Agora vamos para nossas aulas, não queremos chegar atrasados.
Ela bate em minha mão quando tento pegar uma panqueca para a viagem. Droga.
...
Andando pelo corredor vejo que o ânimo de Ravena mudou. Seus olhos voltaram a brilhar e de vez em quando ela deixa escapar pequenos gritos de animação. Por mais que estivesse torcendo para termos nossa primeira aula juntos, sua aula é de feitiços enquanto a minha é de história da magia, por que ela ganhou a mais legal? Pelo menos as duas ficam próximas e Ravena não quer chegar atrasada, então minhas chances de me atrasar são pequenas e meu pesadelo foi só um pesadelo.
Alguns alunos parecem mais cansados do que animados, não aconteceu nem uma aula, como eles podem estar tão cansados?
Chegamos na porta da minha sala. Ravena e eu paramos por alguns segundos.
— Você não pretende entrar, Noah?
— Você não quer ir comigo? Essa aula parece incrível, o professor é um fantasma.
Ela ri.
— Eu sei, mas não estou nessa aula, sinto muito. Agora, boa sorte.
Ela me empurra para dentro da sala e mesmo acostumado com isso ultimamente acabo tropeçando e caindo. Ótimo, a pior parte do meu meu pesadelo se tornou realidade.
Os outros alunos começam a rir, muitos alunos decidiram vir para a aula mais cedo, isso é o que chamo de sorte.
— É o garoto que caiu no trem, acho que cair deve ser uma coisa dele.
Droga, as palmas de minhas mãos ardem um pouco. Não demora muito para alguém estender uma mão para mim. Aceito sua ajuda. O garoto é a da Corvinal, seus cabelos são longos, é um pouco mais alto e assim como eu usa óculos.
— Obrigado, não sei o que faria sem você.
Não sei o que faria sem ajuda, talvez ainda estivesse no chão, mas essa deve ser minha especialidade.
Ele se apresenta como Matteo Drake, mas não é como se tivéssemos tempo para uma longa conversa já que o professor surge do nada e temos que correr para nossos lugares. Em meu lugar posso dar minha primeira olhada na sala e nos alunos. Tanto os alunos da Grifinória quanto da Corvinal estão um pouco agitados, parecendo bem felizes.
Me sento ao lado de uma garoto negro, com cabelos crespos e segurando uma pena em sua mão trêmula, parecendo um pouco cansado.
— Você parece inteligente, vou me manter perto de você.
— Boa sorte com isso.
Claramente vou precisar de muita sorte, para muitas coisas enquanto estiver em Hogwarts.
Apesar da aula ter sido um pouco entediante não foi muito difícil o tempo passar rápido. Aron Sheep, o garoto que sentou ao meu lado anotou cada palavra que saia da boca fantasmagórica de nosso professor, com uma habilidade invejável, já eu, apenas li o que ele escrevia.
Minha próxima aula é de feitiços, finalmente alguma ação!
Ao sair da sala escuto os comentários sobre “O garoto que cai demais” ou o “Garoto que não presta atenção”. Espero que eu seja apenas um deles.
Alguém toca meu ombro.
— Ei, garoto que não presta atenção, posso emprestar minhas anotações para você depois, para você não se perder durante as aulas.
Droga, sou os dois. Aron parece querer me ajudar sinceramente. Talvez essa aula não tenha sido perda total, ganhei um amigo e alguns apelidos.
Aron é um nascido trouxa e demonstra algumas inseguranças sobre isso, mas parece ser extremamente mais esforçado do que eu, então acho que vai ficar bem, e claro, o garoto que cai vai receber muito mais atenção que ele.
Conto para ele como foi péssimo cair no primeiro dia e que praticamente vi isso acontecendo através de um sono.
Ele ri.
— Tive alguns sonhos estranhos essa noite também. Na verdade escutei que foi algo comum, algumas pessoas dizem que assim que chegaram se sentiram estranhos e não conseguiram dormir direito.
Esse provavelmente é o motivo de alguns alunos parecerem tão cansados. Isso deve ser efeito da ansiedade e da animação por ter chegado em Hogwarts, mas mesmo assim talvez seja melhor falar disso para Ravena, ela deve saber de alguma coisa a respeito.
Ao me aconchegar na pequena cadeira da aula de feitiços me animo um pouco, bem, dessa vez eu não cai.
...
Me jogo na grama do jardim. Depois de todas as aulas estou acabado. Claro que Hogwarts seria difícil, mas não esperava que fosse assim logo no primeiro dia. Ravena joga algumas flores em meu rosto.
— Não é possível que você esteja tão cansado, nós tivemos as mesmas aulas e eu não estou assim.
— Você claramente estava mais preparada do que eu, você parecia já saber de tudo sobre defesa contra as artes das trevas.
Ela não nega.
Defesa contra as artes das trevas foi minha última aula do dia, e felizmente Ravena estava junto comigo. A diretora da Sonserina que também é nossa professora nessa matéria tem um ar amedrontador, deve ser algo que todos os integrantes dessa casa possuem em comum, Scorpius Malfoy parece um pouco com Ravena, me intriga o fato de eles não serem amigos ainda, acho que por não ligarem para ninguém, acabam não se importam até mesmo um com o outro.
Ravena se joga ao meu lado.
— Desde que te conheci esperei pelo momento em que você ia parar de falar, mas é tão estranho. O que anda te incomodando?
O que foi esse comentário? Não é como se eu falasse demais.
— Tem algo me incomodando. Aron, o garoto de mais cedo, comentou sobre uns sonhos estranhos que ele e outros alunos estão tendo…
Ravena virou o rosto, pensativa.
— Escutei sobre isso também, as garotas do meu quarto, todas tiveram uma noite de sono agitada…
— E você?
— Também, mas não acho que deva ser algo preocupante, todos estão agitados. É o primeiro dia em Hogwarts, nós estamos sonhando com esse lugar há algum tempo já, é mais do que normal querer saber tudo o que está acontecendo e tudo o que está atrás de cada porta. Você é muito paranóico sabia?
Talvez Ravena esteja certa. E bem, sou conhecido por ser um pouco paranóico. Só um pouco.
Encarando o céu brilhante de final de tarde só consigo esperar que Ravena esteja certa e que as aulas de Hogwarts sejam mais leves daqui para frente, porque pensar está doendo demais.
— Tomara que eles sirvam panquecas no jantar também.
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