O Véu Da Bruxa

6 Mande As Crianças Para Longe


Notas iniciais
Sooo sorry. Eu escrevi esse capítulo há tempos e, na minha cabeça tonta, eu já tinha postado. xD Eae, sentiram minha falta? :3

Sábado

Seis horas antes do casamento

Os jornais não diziam outra coisa. A notícia estava em praticamente todo canto, afinal, para todos, a notícia era quase absurda.

EMPRESÁRIA DE 30 ANOS SE MATA EM SEU ANIVERSÁRIO

"Isabella Parker, gerente principal do estabelecimento, disse ter liberado Olivia Hunter mais cedo por mostrar incapacidade de concentração. Quando questionada, Olivia disse estar com dor de cabeça.

Na manhã seguinte, seu corpo foi encontrado pendurado no candelabro da sala. A suspeita é que ela tenha tirado sua própria vida por volta de meia noite. Olivia Hunter estava em seu primeiro trimestre, seu marido, Daniel, não fazia ideia."

Ruby fechou o jornal abruptamente, jogando-o no lixo, incapaz de continuar a ler. Ela ainda não conseguia acreditar que sua amiga pudesse ter feito tal coisa consigo mesmo. Mas, quando conversara com ela, imaginara que talvez Olivia fizesse algo do tipo. Ela estava, visivelmente, transtornada.

Ruby engoliu em seco, apenas imaginando, pensando consigo mesma, quando ela faria isso consigo mesma. Porque era apenas uma questão de tempo.



Ruby chegou em casa. Os ponteiros do relógio marcavam meio dia e quinze. Sua casa estava muito silenciosa e, se ela não se lembrasse que tinha mandado suas filhas para a casa de sua sogra, estranharia.

"As crianças precisam passar um tempo com a avó" Ruby disse à Felicia, que mostrou um sorriso muito feliz. Ela não poderia desejar uma nora melhor.

Mas, Frank só ficou sabendo disso quando chegou em sua casa silenciosa, tendo que ligar para sua mãe. Imagine o susto que ele teve.

Então, Frank sentou-se em seu sofá, ainda não conseguindo se acostumar com o cheiro de citronela, apenas esperando sua noiva chegar para conversar com ela. Ele precisava trocar uma palavrinha antes do casamento.

Ele percebeu alguns maneirismos estranhos.

Ela estava muito assustada ultimamente. Qualquer coisa a incomodava. Qualquer coisa a fazia pular e seu coração disparar. Parecia que ela estava prestes a ter um ataque cardíaco.

Ruby chegou em sua casa, sorrindo para seu noivo, indo diretamente a seu quarto. Frank levantou-se e foi atrás dela.

—Ruby — Seu marido lhe chamou, e, ela pulou, instantaneamente. Não por ter ouvido seu nome, mas pelo chamado ter sido repentino. Seu coração disparou, mas logo acalmou. — O que anda acontecendo contigo ultimamente?

Ela colocou o sorriso falso, aquele que ela sempre usava, que seu marido nunca se incomodava em reconhecer a diferença.

—O que quer dizer?

—Porque você mandou as crianças pra casa da minha mãe?

—Oras, para passarem um tempo com a avó. — Ela disse, com um sorriso e então voltando a dar as costas para seu marido, voltando aos seus afazeres. — Eu estou muito atolada com as coisas do casamento, não dava para fazer tudo e cuidar das crianças ao mesmo tempo.

—Não é isso o que eu quero dizer.

Ruby parou de fazer o que estava fazendo e parou para olhar para ele, intensamente dentro de seus olhos.

—Você está diferente ultimamente

—É lógico que estou. Eu vou me casar nesse fim de semana. Dá trabalho de organizar um casamento, sabia?

—Não é isso.

—Então o que é?

Ele engoliu em seco, um pouco inseguro das próximas palavras.

—Você parece assustada.

—Com o quê? — Ela tirou sarro, tentando se livrar da pergunta.

—Não sei, você que me responda. — Ruby sorriu para si mesma

— Ruby, nós estamos nos casando hoje. A partir de amanhã, seremos marido e mulher. E eu gostaria que você me tratasse como tal

—Frank, não tem nada acontecendo de errado comigo — Ela disse, pegando a cesta de roupa suja e levando para a máquina, passando pelo banheiro. Seus olhos passaram rapidamente pela porta entreaberta do banheiro, o espelho iluminado. De relance, ela viu um vulto no espelho. Por um segundo, uma imagem passou na frente dos seus olhos, e a reconheceu.

Seu coração disparou mais uma vez. Suas mãos tremeram descontroladamente e, no instante em que soltou o grito, largou a cesta de roupa suja em seus pés. Fechou os olhos de dor e, quando virou para encarar o vulto no espelho, ele não estava mais lá.

Ela estava começando a ficar desesperada. Não sabia porque ela estava a torturando mentalmente, estava ficando mais e mais frequentemente. O passado estava finalmente chegando perto.

Ruby desabou-se a chorar, preocupada, a adrenalina ainda em seu sangue, fazendo-a tremer, ainda. Seu marido para ser a abraçou, acolheu-a em seus braços e olhou para o espelho vazio do banheiro com confusão. Frank gostaria de poder entender o que estava acontecendo com sua mulher.

Se ela pudesse contar a história a ele, como se ele pudesse, algum dia, entender o que ela fez no passado.

E, se Ruby chegasse a contar algum dia, o que era um pouco improvável, quem há de dizer que ele continuaria a olhar da mesma forma?