O Véu Da Bruxa

7 Enquanto Os Sinos Tocam


Notas iniciais
Olá. Depois de muito tempo ^^'' Sério, mil perdões. Não sei o que dizer pela minha demora. Espero que o capítulo faça vocês me perdoarem. Juro que não vou demorar muito para postar o próximo (que aliás já está escrito) Enjoy

Sábado

Três hora antes do casamento


Quando Ruby estava nervosa, ela tinha a mania de ficar alisando sua roupa. Ela passava as mãos tremendo no tecido de seda, em seu cabelo tão cuidadosamente desarrumado num belíssimo coque, apenas alguns pequenos tufos de cabelo encaracolado caindo.

Ela já estava maquiada. Sua pele branca parecia cremosa, seus lábios finos estavam rosados, suas maçãs do rosto ficaram bem destacados. De tão bonita que ela estava, Ruby se olhava no espelho e não se reconhecia.

Chelsea e Emily se seguravam para não chorar. Sua melhor amiga estava para casar.

—Agora, só falta o véu para você ficar perfeita. — Chelsea disse, pegando o véu branco e encaixando no topo do coque perfeito de Ruby. E, realmente, o véu cubrindo parcialmente seu rosto, naquela transparência branca, num perfeito encaixe perfeito. Uma combinação perfeita.

Ela estava linda e da maneira como ela sempre se visualizou. Bom, exceto pelo laço branco enorme na altura da cintura. Depois de fazer o possível e tentar o impossível, Chelsea e Emily desistiram de tirar a mancha de sangue e resolveram improvisar.

—Bom, você continua linda. — Emily disse, não conseguindo deixar de notar o laço.

—Olha, considerando o estrago que aquilo fez, você está linda. Por falar nisso, como ele apareceu em cima de sua cama? — Chelsea disse, ainda insistindo.

—Chels, não adianta. — Ruby disse, ainda se olhando no espelho, fazendo alguns pequenos ajustes em seu vestido. Arrumando a alça, alisando o tecido. Ela estava nervosa.

—Vou dar um passe livre para você, mas só porque hoje é seu casamento. — Chelsea disse. Então notou o nervosismo de sua amiga, que não cansava de alisar o vestido. Então, abraçou Ruby, seu queixo no ombro nu de sua amiga. — Acalme-se, você está linda. Frank tem muita sorte.

As portas se abriram violentamente e duas crianças correram em direção à noiva, abraçando-a. Ruby sorriu.

Não tinha muitas coisas que deixavam Ruby feliz ou sorrindo, mas suas filhas definitivamente era uma dessas coisas. Ava e Amelia tinham cinco e três anos, respectivamente. Ava era a miniatura de sua mãe, de pele branca e cabelo preto, já Amelia resolveu puxar os cabelos e olhos claros de seu pai. Até mesmo seu sorriso era igualzinho.

Ruby agachou-se e abraçou as duas, enchendo-as de beijos rosados na bochecha.

—Mamãe, senti sua falta. — Amelia disse, sua voz um pouco chorosa. Ela esfregou o olho direito que já estava lacrimejando. Amelia não conseguia passar um dia longe de sua mãe sem chorar. — Vovó é chata.

—É? — Ruby disse, com um sorriso. — O que ela fez pra você dessa vez?

—Ela não nos deixou comer sobremesa. — Ava comentou. — E não nos deixou sair da mesa sem que a gente comesse todas as verduras.

—Me parece horrível. — Ruby disse, ironicamente, ainda com um sorriso. — Talvez eu devesse pegar algumas dicas com sua avó.

—Mamãe, você não vai me "obigar" a comer brócolis, vai? — Amelia perguntou, sua voz fofa ainda um pouco chorosa.

—Não vou te obrigar, anjo. — Ruby disse, trazendo a filha mais para perto e beijando-lhe a testa. Não foi um simples beijo, foi um beijo longo e demorado. Ruby fechou os olhos, e, quando o fez, uma única lágrima desceu do canto direito de seu olho. — Mamãe te ama.

Um sorriso genuíno passou pelo rosto de Ruby. Um sorriso feliz e triste ao mesmo tempo. Chelsea percebeu. Ruby estava muito preocupada com alguma coisa. Ela estava muito perturbada. Talvez fosse realmente hora de deixar a noiva sozinha para se acalmar.

—Okei, quem quer vir com a Tia Chels roubar alguns docinhos da cozinha? — Chelsea disse, com um sorriso enorme em seu rosto. O rosto de Ava se iluminou, enquanto que Amelia apenas parou de chorar. As duas seguraram na mão de Chelsea e saíram puxando-a.

Emily saiu atrás delas, porém, antes de fechar a porta, mandou um sorriso cumplicente para Ruby, dizendo:

—Acalme-se, Ruby. É apenas o dia do seu casamento, não há motivos para ficar nervosa.

Ah! Se ela apenas soubesse com o que Ruby estava nervosa!



Alguns minutos antes do casamento

Ruby estava tremendo.

Depois de sua infância atordoada, Ruby dificilmente ficava com medo. Ou até mesmo nervosa. Uma boa parte de sua personalidade calma é apenas consequência.

Ela voltou a se olhar no espelho, alisando o laço em sua cintura, lembrando-se do porco e do sangue. Então, forçou-se a fechar os olhos e virou-se contra o espelho.

"Acalme-se, Ruby. Respira. É o seu grande dia, nada irá te atrapalhar." Ela disse para si mesma, não conseguindo acreditar nas próprias palavras. Algo estava errado.

Se Ruby casasse, ela seria feliz. Ao subir no altar, seus sonhos se tornariam realidade e ela seria genuinamente feliz, talvez pela primeira vez em sua vida.

Mas Ruby não conseguia acreditar que aquilo ia acontecer. Porque ela não acreditava que merecia ser feliz. Porque ela acreditava que não a deixariam ser feliz como queria ser.

Os sinos da igreja começaram a tocar. Ela teria de subir ao altar em breve.

Ruby puxou a maçaneta do quarto, mas algo empurrou a porta, fechando-a violentamente, fazendo um barulho absurdamente alto. Os sinos continuavam tocando no fundo, enquanto a cabeça de Ruby começava a zunir.

Ao pisar para trás, Ruby sentiu seu salto alto afundar em algo gosmento. Quando ela olhou, não teve dúvidas.

Era barro.

Mas seu sapato estava limpo. Porque a maioria daquilo era apenas ilusões de sua mente. Talvez de tão nervosa que estava, estava muito mais sucetível as enganações daquele espírito de porco.

Sua pele arrepiou-se. Algo congelado encostou-se em seus braços, sua espinha congelou e suas pernas ficaram moles. Se ela não tivesse se segurado, ela teria caído de joelhos no chão. Seus olhos percorreram o quarto inteiro, procurando-a.

Então a achou. Em cima da cama ao seu lado.

Aquela menina lamacenta de pele branca e cabelos grudados de sujeira.

Lá estava ela. Logo na sua frente. Era tarde demais. Não tinha mais escapatória.

—O que você fez comigo? — Ela disse, sua voz longe e fria, seca, quase rasgando sua garganta se ela se importasse com isso.

—Me desculpe. Me perdoe. — Disse, desesperada. Ruby não conseguiu segurar as lágrimas que escorriam feito gotas de chuva, uma atrás da outra, desfazendo sua maquiagem. Delineador e lápis de olho mancharam sua bochecha, seus lábios rosados entre seus dentes, enquanto Ruby tentava, sem sucesso, não chorar de desespero.

Ela queria viver.

Mas ela sabia que não tinha nada a ser perdoado.



Então os sinos pararam de tocar. O noivo esperou pela noiva aparecer no caminho ao altar, os convidados começaram a ficar ansiosos. Mas ela não aparecia.

Até que uma das damas de honra, Chelsea, resolveu ir até o quarto onde tinha deixado sua amiga duas horas atrás.

—Querida? — Ela disse enquanto abria a porta, dando à Ruby um tempo para Ruby responder. Quando ouviu o silêncio em resposta, abriu a porta. — Você está bem?

Então a cena a seguir causou um deja-vu extremo. O vestido de Ruby estava na cama, todo lamacento e com tons vermelhos que ela supôs ser sangue. O laço branco, foi retirado com tanta maestria que parecia ter sido descosturado e as manchas antigas foram repostas com mais sangue deixando tudo ainda mais vermelho.

O véu de Ruby estava jogado no chão, alguns centímetros do espelho, numa poça de sangue.

Completamente manchado de vermelho.

Notas finais
E aí? :x Acho que vocês vão querer me matar xD Mas esperem eu terminar a fic primeiro. Uma pergunta para agitar ainda mais a pulga na orelha. O que vocês acham de flashback? qq