Notas iniciais
Boa leitura.

Eu gosto de:

- Sorvete de fruta

- Chuva

- Avó

Dia chuvoso junto da vó tomando sorvete de fruta – PERFEITO

Não gosto de:

- Gente chata

- Palestra na escola

- Dentista

Dentista chato dando palestra na escola – SEM COMENTÁRIOS

Achei essa lista em uma das minhas gavetas esses dias, não me lembro de tê-la escrito muito menos como foi parar ali, mas eu ri assim que a li, eu não deveria ter muito mais de 8 anos na época. É engraçado ver como as prioridades mudam com o passar do tempo foi ai que eu resolvi tentar refazer a lista. E saiu algo mais ou menos assim:

Gosto de:

- Mitologia grega

- Filme

- Amigos

Filme de mitologia Grega em casa com os amigos. – PERFEITO

Não gosto de:

- Leite pra ferver

- Calor

- Coisas que me atrapalham escrever

Esperar o leite ferver em um dia quente enquanto eu tento escrever. – Seria sem comentários mas é o que está acontecendo nesse exato momento. – É SEM COMENTÁRIOS

Pronto, depois desse pequeno contratempo, acho que posso continuar. Prioridades diferentes não é? A não ser pelas coisas que eu não gosto que ainda continuam sendo infantis (não era pra ser tanto assim, mas o leite me tira do sério. Você olha pra ele durante horas e quando desvia o olhar por um segundo, já era.). A questão é que a minha lista nova teve um bônus. Vou mostrar para vocês.

Quero sempre gostar de:

- Artes

- Musica

- Literatura

- Feminismo

- Roupas largas

- Suspense

- Histórias de terror

Não quero gostar de:

- Comidas gordurosas

- Noites curtas

- Inseticidas

- “Dele”

Com essa lista descobri duas coisas importantes, a primeira é que as coisas da primeira lista eu sempre vou gostar, nem precisava tê-las listado. E bem, as da segunda... essas eu também não precisava ter listado. Pelo mesmo motivo da primeira. Okay eu me justifico, adoro comidas gordurosas.

“ Eu estou precisando emagrecer. – Pensa

Mãe: — Sophie, vai querer lanche?

- Claro mãe, um x-calabresa com tudo que tem direito.”

Noites curtas:

“- Nem pensar a noite é longa e deveria ser muito melhor aproveitada, tantas coisas pra ver, tantos livros pra ler, tantas pessoas pra conversar, as pessoas perdem muito tempo dormindo.

Chegando em casa algumas horas depois:

- Ah cama sua linda, me possua para sempre.”

Inseticidas:

“- Não é certo usar essas coisas, são toxicas, poluem o ar, isso sem falar que os insetos tem todo o direito de viver, tanto quanto nos.

Aparece uma barata.

- AHHHHHHHHHHHHHHHH que bicho nojento. SOCORRO, PISA, MATA MATA MATA, PISA MATAAAAAA.”

Bom acho que isso explica bem o que eu quis dizer quanto a lista do que eu não quero gostar não é?!

Tah bom eu sei, o ultimo item, o ultimo e turbulento item que vem me deixando maluca e com o peito apertado quase todas as noites a algum tempo. Mas eu não quero falar dele, porque ele não sai da minha mente, porque toda a vez que eu sento pra escrever uma frase salta a minha mente gritando “FALE DELE” com letras maiúsculas escritas em arial black, sublinhado e levemente itálico em um letreiro luminoso no alto do lóbulo frontal do meu cérebro. Então eu fecho os olhos, respiro fundo, balanço a cabeça e... Meu Deus, eu to falando dele.

Não, não, não e não.

Se tem uma coisa que me irrita é ver garotas com dois terços da minha idade passando na rua enquanto eu estou calmamente tentando relaxar na frente da minha casa e notar que não importa quantas vezes elas passem por aquele caminho o assunto é sempre o mesmo: HOMENS

Eu sei que eu estou sendo meio irracional, feminista e masoquista nessa situação. Entendo que chega a uma fase da adolescência que é normal as meninas pensarem nos meninos, os hormônios agindo e tudo mais... Acho que elas são “normais”, a anormal da história sou eu. Eu fui dar meu primeiro beijo muito tempo depois da maior parte das meninas da minha época, não queisso me incomodasse, ou que eu não tivesse tido a chance. Quando eu tinha acabado de entrar na quinta serie, uma amiga minha de duas escolas antes veio falar comigo.

“- Sophie... Sophie... Tenho que te falar uma coisa.

- Fala Camilla.

- Tem um garoto que quer ficar com você. O que me diz? ”

Ficar... Que termo mais chulo. Foi a primeira vez que ouvi dirigido a mim, fala sério eu nem tinha completado 11 anos ainda, já sabia o que significava, mas queria fingir que não, e nem se eu quisesse não teria coragem de faze-lo, eu não passava de uma criança que ainda brincava com os restos das bonecas que eu não tinha arrancado as cabeças. Como eu disse nunca fui muito menininha. Mas voltando minha resposta foi rápida.

“- Ahn... Não.”

Eu acho que foi a primeira vez que fiquei vermelha, senti meu rosto queimar e entrei na biblioteca. Foi nesse dia que eu fiz amizade com a Monica, a bibliotecária da escola, ela me indicou bons livros e foi ai que eu comecei a gostar de ler, foi ela também que me ajudou no meu primeiro contato com um computador, que também foi tardio, eu passava todos os intervalos lá. Isso porque quando fui pro ensino médio passei de dois amigos pra nenhum pelo menos por um tempo. Ao fim daquele ano eu já tinha lido alguns livros, principalmente os de poesia, e catalogado as Barcas por ordem de lançamento mais de uma vez. No ano seguinte a Monica não voltou pra escola e eu não sabia porque, até que uma das professoras falou na sala que ela havia ficado gravida e perdido o bebe, depois disso nunca mais ouvi falar dela e ela nunca mais voltou para o cargo. Nunca mais houve alguém como ela naquela biblioteca. E isso é mais que triste, eu gostava de lá por causa dela.

Por sorte fiz uma amiga nova, agente não passava tanto tempo juntas, mas eu me enturmava nas conversas vez ou outra, acho que até mesmo elas me achavam estranha. Depois de muito tempo nos tornamos amigas, melhores amigas até terminarmos o colégio, temos muita coisa pra contar juntas, mas isso é outra história.

Em resumo, eu acabei me tornando bastante receosa quanto aos assuntos do coração. Porque sempre que eu me interessava por alguém nada dava certo. E foi a partir dai que eu fiquei sabendo que eu daria uma ótima romancista. Por mais que eu odiasse a ideia.

...

Notas finais
Continua...