Notas iniciais
Demorei mas voltei. Fim de ano é só correria. Boa leitura.

Hoje aconteceu uma coisa incrível, algo que fez meu coração acelerar e parar em seguida antes de voltar a um ritmo quase normal. Algo que fez meus olhos brilharem como nunca e um sorriso que achei que havia perdido quando comecei a crescer, estampar novamente a minha face aborrecida pelo tempo. Alguém algum dia disse que a vida não é medida pelos momentos em que você respirou, e sim por aqueles em que você perdeu o fôlego. E eu posso dizer com certeza que esse foi um desses grandes momentos que agente guarda na memória pra contar para os filhos e netos como a parte mais linda da sua vida. Bom eu vou tentar explicar o que aconteceu hoje.

Lá estava eu no meu local de trabalho, não era um dia normal, afinal já é fim de ano. Já estamos com a arvore de natal montada, consegui incrementar a decoração dela com fotos de cachorros, um gato e dois cavalos que consegui com muito custo. Estávamos na ultima semana, já sem atendimentos, apenas pequenos retornos e retiradas de pontos. Nada que nos impedisse que fazer a nossa sempre fiel confraternização de fim de ano. Todos esperavam por esse dia, era um dia que todos podiam relaxar juntos, comer salgadinhos, talvez um pedaço de bolo, refrigerante, ouvir uma musica, jogar uno até não agüentar mais, ou mesmo perder pra filha do chefe no bingo. Nada demais ou fora do comum, mas que nos faz desviar um pouco da rotina maçante de um hospital veterinário. E aquele dia em fim havia chegado, estávamos arrumando tudo. Nunca tivemos muito recurso para essas confraternizações de fim de ano. Mas nada que nos impedia de deixá-la o melhor possível, com direito a bela decoração e transformar a sala de técnica cirúrgica em salão de festa.

Já tínhamos passado a lista de convidados, e também optamos por esse ano fazer o conhecido “amigo da onça”.

— Mas como funciona esse amigo da onça?

— É igual o amigo secreto. Só que você não compra um presente pra dar pra alguém, e sim pra ser roubado por alguém... O que torna tudo muito mais interessante. Hehehe

Eu explicava dessa forma, já que era mais fácil de entender, mas também seria a minha primeira vez no jogo.

Aquele dia tinha tudo para ser divertido. Tudo foi bem planejado e todos pareciam satisfeitos com a maior parte das coisas. Digo, quase todos, afinal qualquer lugar de trabalho tem suas intriguinhas que fazem um ou outro nem participarem no dia. Mas isso não vem ao caso. Acho que vou pular para a parte que realmente interessa.

Eu estava com um violão, e como já disse anteriormente não canto nada, mas entre amigos todo mundo já arriscou algumas notas. Cantamos juntos varias musicas, quando dei por mim estava tocando e cantando sozinha uma musica do roupa nova chamada “Razão de viver”. Sempre gostei muito dessa musica, ela me aspirava a um mundo diferente, eu parecia acreditar até mesmo no impossível ao ouvi-la. Canta-la não era tão difícil assim.

“Sem você eu me sinto só
Incapaz de plantar
a semente do amor
em jardins sem vida...”

A letra era realmente para se sonhar, por assim dizer, e apôs a primeira estrofe, algo inusitado aconteceu, uma voz gostosa, desafinada como a minha e conhecida começou a cantar a segunda parte.

“Com você não preciso mais
Inventar minha paz
Vou ligando teu ser
Ao melhor de mim...”

Era “ele”... Eu não acreditava no que meus olhos estavam vendo, mas era mesmo ele ali, agora na minha frente, ainda distante de mim, mas no meu campo de visão, dizendo de forma melodiosa todas aquelas palavras enquanto todos ali presentes olhavam para nos, mas eu, eu só conseguia ver uma pessoa. Continuei com a letra automaticamente sem prestar muita atenção no que fazia. Ele também continuou, cantamos juntos o refrão enquanto ele vinha em minha direção a passos lentos.

Só sei dizer com certeza que ao fim da musica ele estava ao meu lado olhando em meus olhos e eu nos dele. Tudo mais em volta havia desaparecido nada importava mais. Parecia cena de filme. Um momento perfeito...

... Um momento perfeito, rudemente interrompido pelo soar cruel do despertador.

Notas finais
Continua...