Notas iniciais
Boa leitura

“Fico pensando em você o dia inteiro, e querendo saber coisas, que você me escreva, que você me ligue, que você me diga qualquer coisa para que eu possa estar do seu lado.”

— Caio Fernando de Abreu

Eu vi essa frase hoje e isso me instigou a escrever. Eu a achei muito a minha cara, muito o que eu penso, o que eu digo, o que eu faço. Muito “eu” ali, naquelas complexamente simples frases, de um autor complexamente simples. Essa sou eu, mas a “eu” de agora. A eu de agora, a eu de 21 anos quase não vividos. Eu acho meus pensamentos em textos do Caio Fernando de Abreu, acho meus sentimentos na mente da Clarissa Correa e me identifico com a loucura contida em praticamente todos os textos e citações da Tati Bernardi. Essa ultima já imaginei o que aconteceria se eu a encontrasse:

“— Tati... Bernardi?! É você mesmo....?! – Desmaia”

Tah essa não é uma das minhas melhores teorias. Admito, mas seria algo como uma fã adolescente do Justin Bieber encontrando seu ídolo numa esquina – Só que sem a parte da histeria escandalosa.

Eu vi essa frase hoje e isso me instigou a falar um pouco “dele”. Por fim acabei cedendo aos meus desejos conscientes e inconscientes de colocá-lo nos meus textos e por meio disso... Na minha vida. Ah meu modo claro.

Mas acho que antes de falar dele tenho que dizer uma coisa sobre a minha “vida amorosa” – se é que ela existe – eu definitivamente não tenho nenhuma sorte no amor. Meu primeiro beijo não foi marcante, foi com o primo de uma amiga minha e ele era um galinha e nem era tão bonito. Eu fui apaixonada por um professor meu, apaixonada mesmo, e acho que até hoje ele não sabe disso, não sabe o quanto ele foi importante para mim. Ele era muito do que eu sempre quis, inteligente, esperto, tinha um senso de humor questionável, como o meu. Ele não era bonito, mas era tão especial que eu via uma beleza única nele, ele me mostrou muitas coisas, me ensinou muito mais do que a matéria, e criamos uma grande amizade. Ele só tinha um defeito, um único defeito que tornava tudo impossível. Era casado. Digo ainda é... Mas agente não se fala mais a algum tempo.

Depois disso veio meu primeiro namorado, foi até legal no começo, mas eu sabia que não ia dar certo, porque ele não me transmitia a coisa que eu acho mais importante e que mais me pesa. Segurança. Em todos os aspectos, como já disse o sábio William Shakespeare “Com o tempo você aprende que companhia nem sempre significa segurança.”. Eu odeio terminar as coisas, principalmente porque sou “dramática ao extremo”. Mas não teve jeito. Tudo parecia ter acabado bem, parecia, até eu descobrir que a vad**... A doçura.. Da mãe dele estava falando mal de mim aos quatro ventos, e quem era ela pra falar de alguém? A mulher que usava roupas tão apertadas que não ficariam bem nem em uma garota com a metade do peso dela? Ou a mulher que deu em cima do meu tio casado na frente da mulher dele? Ah, era ela nas duas. Isso sem falar que meu melhor amigo socou um menino na escola que me chamou de vagabunda por causa desse “lindo namoro”. Mas isso já passou.

Depois disso aconteceu a melhor e a pior coisa da minha vida, conheci um garoto pela internet. Poderia ter sido pra vida toda se ele não fosse tão cabeça dura... E se eu não tivesse aprendido a ser. Não quero entrar em detalhes disso porque foram dois anos de brigas e afins, e apesar de tudo foi bom, aprendi muito sobre a vida com ele. Mas ainda hoje acho triste pensar nos detalhes.

E continuando nessa linha de pensamento, depois desse “caso” parei pra pensar sobre a minha vida amorosa de todas as formas possíveis e imagináveis, tentando descobrir o que estava errado ali, porque nada funcionava ou durava. Será que eu era tão ruim assim? Cheguei até a cogitar a possibilidade de não “gostar” de homens. E quase levei isso a fundo. Eu nunca fui uma pessoa com preconceitos. Uma vez me fizeram a seguinte pergunta: “Hetero, Lesbica ou bi?”. Me lembro bem da minha resposta imediata.

“— A favor do amor.”

Simples e direta e eu sabia que era verdade. Acho que um amor verdadeiro pode vir de qualquer lugar. Mas quando coloquei aquele pensamento em mente acho que uma parte de mim queria acreditar que aquilo era verdade, porque isso explicaria o porque dos erros freqüentes.

Mas agora “ele” apareceu. “Ele” que te tomado os meus pensamentos e me arrancado noites de sono imaginando inúmeras situações nas quais “ele” poderia dizer que também sente algo por mim. Não que eu tenha certeza que sinta. Mas... Eu imagino. Imagino, sonho, escrevo... Tudo o que poderia acontecer e o que eu queria que acontecesse. Eu sei que estou velha demais pra ficar só sonhando e que eu deveria tomar uma iniciativa, tempos modernos não é? Pois é, mas eu sou uma garota a moda antiga.

Uma garota que queria que apenas uma vez, quando ela gosta de um homem interessante, ele pudesse retribuir ao seu sentimento. Será que é muito egoísmo?

Notas finais
Continua...