O Unicórnio de Um Coelho

19 Entre surpresas, desejos e tensões.


Notas iniciais
Olá! Olá! E Olá. Caras leitoras, peço desculpas pelo desaparecimento de meses e também expresso minha grande gratidão aos que deixaram comentário e incentivaram prosseguir, também um amor por aqueles que se preocuparam com minha pessoa. ;D Passei por adaptações na vida, hj posso dizer q estou me acostumando, por isso me afastei um pouco de tudo. Porém estou meio de volta, isso e bom! Trago, com carinho, este capítulo! Abraços, e aproveitem! (Desculpe :'( , eu não cheguei a escolher uma música para este capítulo. Mas aceito sugestões ;D !)

David encarava fixamente a rua, mordendo o interior do lábio mais que o seu normal de quando está pensando em algo seriamente. Estava apenas parado na calçada, encostado no muro do colégio antes de entrar para aula, e era claro por esta postura que ele estava pensando em algo com muito cuidado e atenção.

Jack notou-o próximo quando era tarde demais: depois que havia estacionado a moto no único espaço que achou próximo da entrada da escola, e só lamentou ao notar o amigo logo do outro lado, parecendo encará-lo sem mudar a expressão. Antes de se aproximar, acalmou-se dando um suspiro longo, retirou o capacete, desmontou e seguiu seu caminho casualmente, mas no fundo temia que David reconhecesse sua moto da noite em que levou Francis para passear e que, naquele momento parado ali, tão imóvel, estivesse apenas juntando as peças. Caminhou até o amigo, afinal, não podia deixa-lo lá sozinho sem ao menos cumprimentá-lo como um dia normal.

— E aí? — Jack falou e David pareceu retornar a realidade com a sua voz, respondendo-o brevemente e tocando em sua mão em um cumprimento simples.

Ele não tinha prestado atenção nele, isso deixou Jack mais tranquilo, o que o fez lembrar-se dos adesivos verde fluorescente que havia colado na moto e no capacete depois de quase ser descoberto por David naquela noite. Aparentemente, a precaução para disfarçar a motocicleta preta tinha dado certo.

— O que há com você? — Jack resolveu perguntar, pois David não estava em seu estado normal, ainda mais depois da pancada na cabeça que teve no dia anterior.

E ainda distraído com seus próprios pensamentos, David demorou um pouco até abrir a boca, hesitando em respondê-lo:

— Eu... — e se calou. Jack estranhou o fato até que o amigo o olhou parecendo abobado: — Eu acho que vou apresentar Bianca à minha mãe.

Jack fez uma pausa, vendo David abrir um sorriso fraco e incerto para sua própria decisão. O moreno o conhecia, David ficava com qualquer garota com quem tivesse um interesse mútuo, já teve outras namoradas que duraram só semanas, mas apresentar para a mãe, para a família? Isso não estava no histórico que conhecia dele.

— E porque você faria isso? — Jack quis averiguar a sanidade de David.

— Eu gosto dela o suficiente para isso! — respondeu, sério. — Não é óbvio?

— Hm... Gosta, mesmo? — Jack provocou-o com um sorriso maroto e uma sobrancelha levantada, agora liberando a implicância que qualquer outro teria ao ver a mudança em David por estar apaixonado.

— Merda, Jack! — E levou um empurrão no ombro. — Eu não vou ficar repetindo isso para você! Cala a boca! — O Audrey disse irritado e Jack riu sozinho, o deixando quieto por alguns minutos. — Vai ficar aí? — David perguntou subitamente incomodado.

— Por que? Não posso?
David mordeu o interior da boca nervosamente, o olhando de soslaio e com um fraco sinal de vergonha avermelhou seu rosto antes de responder:

— Eu não quero você aqui... Estou esperando ela para perguntar se quer ir para minha casa e conhecer minha mãe.

— Ah, entendi — e se afastou risonho. Por mais que achasse David um idiota, Jack não sentiu a necessidade de estragar aquele momento. Ele conhecia Bianca, era uma menina boa, bonita e esperta, então, talvez com ela mais próxima da família, o Audrey mais velho não tratasse Francis tão mal.

...

Foi do nada, assim que Jack chegou em sua classe dois colegas avisaram que precisavam de um livro para consultar naquela aula e partiram juntos para a biblioteca antes do professor chegar. Contudo, este momento o levou a ver um rosto familiar, para qual sorriu sem mudar o passo de seu caminhar. Francis estava apenas parado diante da porta de sua sala e os olhos castanhos, e aparentemente inocentes, seguiram o moreno até ele estar completamente de costas. Havia alguma coisa boa que mexia em si apenas por vê-lo bem e o cumprimentando sem palavras, e ele também sorriu.

Horas se passaram sem contato entre eles até que Jack conseguiu mandar uma mensagem ao seu unicórnio, quando seguia pelos corredores com toda a sua classe para uma aula em um dos laboratórios. Logo recebeu uma resposta e se distraiu numa conversa rápida. De repente, o interior de seu cotovelo foi preenchido por um braço e ao olhar quem era viu uma garota com os cabelos cacheados em uma trança volumosa e caídos sobre um ombro.

— Oie, Jack! — Miriam nem parecia aquela menina que um dia suspeitou dele, pois lhe sorria amigável e com seu ar energético. — Que bom que te achei! Estava quase me mordendo de ansiedade só para lhe dar uma coisa.

— Mesmo? O que é? — Ele desconfiou dela, guardando sorrateiramente o telefone no bolso.

— Isso! Haha! — Ela lhe estendeu um envelope branco de forma empolgada e como se fosse algo surpreendente. Mas Kack não reagiu compatível.

Sem saber o que esperar, ele abriu o envelope e descobriu uma fotografia revelada, onde Miriam estava entre ele e Francis e, ao fundo, estava a roda gigante e algumas barquinhas da feira aonde foram passear. Lembrou-se de quando a menina os parou e pediu para um desconhecido registrar aquele momento. Na foto Francis estava com um sorriso envergonhado e usando o boné escuro que Jack havia lhe emprestado e Miram sorria intensamente, feliz por tudo, e apoiada nos dois garotos para mantê-los ali.

— É para você guardar de lembrança — Miriam comentou, observando atentamente a expressão do mais velho para saber de todas as suas reações. E ela se alegrou ao notar Jack sorrir brevemente ao encarar a foto entre seus dedos, mas ele logo conteve sua felicidade. — Eu gostei mais dessa porque você não estava com o óculos de sol e tem esse sorriso bonito e aberto... Você tem um sorriso encantador, Jack, devia mostrá-lo mais!

O rapaz a olhou com o comentário, não havia nenhum sinal de timidez no rosto dela, mas, mesmo que não fosse um flerte, se limitou em agradecer o presente. Miriam balançou a cabeça, agora sem ter mais nenhum assunto que pudesse tratar com o menino, então se deu conta de que estava indo para próxima aula e se despediu, quase correndo ao se afastar apressada.

Poucos segundos depois, Jack ouviu certo alvoroço a frente e alguns de seus colegas de classe e amigos esportistas de outras turmas vinham na direção dele, num fluxo contrario ao qual seguiam.

— O professor não vai dar aula hoje. — Alguém passou informado antes que ele estranhasse.

Não era comum um professor não aparecer em cima da hora, mas antes que desconfiasse do que ouviu, Jack encontrou David e ele lhe explicou melhor, o fazendo segui-lo para outro caminho:

— O nosso professor teve que ir embora por alguma “urgência” na família — o Audrey contou com tédio e sem nem olha-lo. — Temos o período livre e nós vamos para a quadra jogar contra os novatos do primeiro ano. O senhor Collins é professor de educação física deles também e sugeriu isso — Então deu um riso sarcástico: — Vamos massacrar as crianças na frente de uma boa plateia. Vai ser legal. Conto com você, Jack! — E David deu um bom tapa no ombro do amigo, ao mesmo tempo que notou algo na mão dele e puxou rapidamente a fotografia de Jack, que ainda sentia o ombro ardendo. Contudo, mal conseguiu ver a foto, o moreno a pegou de volta com sua verdadeira expressão séria e igualmente rápido. David riu daquela reação, desconfiado:

— Está pegando uma mais nova agora, é? — perguntou maliciosamente, mas Jack apenas seguiu andando mais rápido.

Tudo que David havia conseguido distinguir da foto foi Jack, Miriam e um terceiro integrante de boné que não identificou, e sabia que a menina era de outro ano por ser a amiguinha do irmão, mas se sobressaiu que ele pouco se importava com os namoros do Robinson e o deixou para lá.

...

O vestiário estava mais cheio que o costume. Samuel adentrou neste lugar, cujo frequentava apenas o necessário, e caminhou observando os rostos (e alguns corpos) dos garotos que estavam trocando o uniforme pela roupa de educação física enquanto outros simplesmente trancavam suas coisas nos armários para ser mais fácil de buscar na saída. Subitamente, reconheceu um menino de cabelos cacheados e macios como lã, aproximou-se e beliscou sua bunda dizendo um olá charmoso, sorrindo torto com o grito de surpresa e dor, mas olhando para todos que notaram a reação.

— Achei que você não participasse das competições da escola — comentou o de cabelos de cacheados, ainda incomodado com o beliscão.

Sam riu descontraído e deu meia volta na frente dele:

— E eu não faço isso, mesmo.

— Então, o que...? Ah — o rapaz logo compreendeu o que Sam podia estar planejando ali: escolhendo alguém se meter em agarros quando o lugar ficasse vazio, mas guardou isso para si com leve desgosto.

— É, isso mesmo — Sam sorriu assentindo. — Estou ‘explorando’ — respondeu casualmente e seu olhar caiu sobre um rapaz ao fundo, de cabelos escuros e que encaixava sua mochila no armário, trancando-o com o cadeado com números rolantes. Sorriu de seu outro conhecido e se afastou sem se despedir.

Com todo o proposito, Samuel parou no lado em que Jack ia se virar e deram-se de cara. O de cabelos platinas encarou o moreno e apenas em pensamentos questionou Jack sobre o envelope que ele tinha ganhado da menina chata de cabelo estranho no corredor há pouco tempo. Vagou seus olhos por aquele azul claro e vivo, gostaria muito de saber o que era sem ter que perguntar, mas o dono daqueles olhos não mais o tratava como antes, já não jogava esse jogo de adivinhação com ele há bastante tempo.

Jack fechou a cara e desviou dele, o ignorando.

Sam acompanhou todos até o jogo na quadra começar, então retornou para o vestiário tranquilamente e pegou o cadeado que o impedia de acessar as coisas do Robinson.

— Qual será o numero? — Murmurou para si, movendo os numerais enquanto varias combinações passavam por sua cabeça de acordo com o que sabia de Jack. — Ah! — Triunfo. Moveu os respectivos números que se iluminaram em sua mente e o cadeado se abriu. Riu da ingenuidade: — Ah, Jack. Será que não imaginou que eu poderia fazer isso se continuar usando as mesmas senhas? — falou sozinho ao abrir o armário, puxar a mochila e explora-la. Logo encontrou o envelope branco que ocasionalmente havia visto Miriam dar a Jack no corredor e eles conversarem.

...

Foi um choque nos olhos. O que Francis viu diante de sua porta naquela tarde, não combinava com o que sabia de Jack. O moletom era largo e laranja intenso, o boné azul estava virado para trás e, para completar tanta extravagancia, Jack ainda usava óculos de grau de alguma coleção mais antiga. O coelho riu ao ver a cara de Francis, surpreso demais para reagir.

— Vai me deixar entrar? — Jack perguntou.

Fran assentiu, sorrindo e saindo do caminho.

— Onde você arrumou tudo isso? — Quis saber depois de fechar a porta.

De costas, Jack sorriu e livrou-se dos óculos, largando-o em um canto qualquer:

— No achado e perdidos, mas é só para chegar aqui mais tranquilo — se virou e puxou a blusa pela gola, livrando-se de tanta cor feliz com um único movimento. — Você está mesmo sozinho hoje?

— Até às seis horas, que é mais ou menos quando minha mãe chega.

O mais velho observou a casa, percebendo como o lugar era silencioso sem ninguém.

— Francis? — Chamou-o e o menino se aproximou curioso, parando logo ao seu lado. Ao olhá-lo tão atento, Jack sorriu torto e beijou seus lábios, aliviado de saber que tinham um bom tempo juntos.

Francis correspondeu ao beijo igualmente, era rara as vezes que se sentia plenamente confortável, sem a pressão do tempo passando e limitando o quanto ficariam juntos, como acontecia nos intervalos que se encontravam. Abraçou o pescoço de Jack e sua cintura foi evolvida, puxada para mais perto e apertada progressivamente pelo coelho. Era um beijo que os envolvia e os afogava sem luta para aquele único momento, para seus desejos de ficaram o mais próximos que podiam e compartilharam o calor, sabores e toques, a cada momento, mais intensos. Fran tinha consciência de seu parceiro, mas não chegou a perceber o efeito da mão que logo explorava seu corpo e até apertava sua pele em certos momentos, gerando novas sensações. Porém, sufocava Jack o desejo de ter algo a mais, de ter mais contato, de alcançar o prazer que o beijo apenas dava uma amostra sutil demais para tudo que já viveu; e Francis ainda estava deixando ser dominado, atiçando-o.

De repente, uma onda de vontade mais forte encobriu Jack e suas mãos alcançaram as costas das coxas de seu unicórnio e o puxou para cima, trazendo o menino para seu colo. Mas Francis logo reagiu, interrompeu o momento.

— O que você está fazendo? — perguntou surpreso com o ato.

Jack inspirou, sua respiração estava rápida, e sorriu torto:

— Só testando seu peso... — riu e pôs o garoto no chão, notava o surgimento de nervosismo e hesitação no olhar dele, não queria assusta-lo. — Fique calmo, Francis. Se não gostar de algo basta me falar.

— Não, não é isso — e o menino desviou o olhar. Francis não estava ‘não gostado’, apenas ficou surpreso demais, era estranho estar no colo de alguém, como ficava quando tinha cinco ou seis anos e as pessoas gostavam dele, e isso foi há muito tempo. Corou com seus próprios pensamentos bobos.

— Que ir para seu quarto? — Jack perguntou, fazendo um rápido carinho no rosto vermelho dele.

— Ah. Eu estava fazendo uma coisa na cozinha — o menino apontou o cômodo. — Tenho que terminar antes.

Jack sorriu afetado, aborrecido internamente por aquele momento bom ter acabado, e indicou que Fran fosse na frente para o cômodo do fundo da casa.

A princípio, o coelho ficou sentado na mesa, assistindo o menino terminar uma massa, seguindo as várias instruções de um livro, e botar no forno, mas Francis era tão cuidadoso e o olhava com tanta frequência o livro que o processo levou mais tempo que o normal, ainda mais quando o mais velho começou a contestar os dotes culinários de um garoto que dezesseis anos.

— Fran, não é normal você saber fazer algo que preste. Ainda mais algo doce e assim, com uma receita tão longa — Jack afirmou, ainda só observando-o mexer nos armários.

— Você está é amaldiçoando minha comida. Fica quieto, Jay. Vai ver quando estiver pronto. — Finalizou, cansado de ouvi-lo dizendo aquilo só para perturbá-lo. — Quer saber, você vai lavar as coisas! — apontou para a pia, onde a pilha de vasilha e colheres se acumulavam.

Para surpresa dele, Jack se pôs de pé e caminhou para o posto com um sorriso convencido e dizendo:

— Isso não é nada se está tentando me fazer ficar quieto para evitar punições. Posso continuar falando de mais coisas estranhas suas enquanto cuido disso. — Jack não amava lavar louça suja, apenas já teve vezes que surpreendeu a mãe ao realizar a tarefa com afinidade enquanto devia ser uma punição pouco divertida, e isso a fazia rir por estar enganada, o que não foi diferente com Francis. — Vejamos, por onde começar? — pegou a esponja e uma vasilha grande. — Uma das suas coisas estranhas é: o que alguém faz numa casa vazia por tanto tempo? Eu nem sei o que imaginar. Espera, eu sei! Você anda pelado por esses cômodos? — Questionou travesso, mas em seguida foi surpreendido por um abraço por trás de Francis que o deixou quieto e constrangido por ser um gesto simples e suave, que apenas garotas que não lhe importaram tentaram, mas ali o aconchegou.

— Jay, eu mal fico sem blusa perto de alguém — havia riso na voz abafada nas costas do coelho. — Imagina ficar andando assim...?

O mais velho sorriu, apensar de sua imaginação ter sido estragada.

— Podemos tentar juntos — sugeriu, e logo sentiu o rosto do menino ser escondido em suas costas, concluiu que finalmente o fez ficar com vergonha. Riu sem perceber, não totalmente pela graça, mas também pela proximidade boa que estava tendo com alguém que nem imaginava, era estranhamente confortável e prazeroso simplesmente estarem ali.

No breve silencio seguinte, Jack trocou o pote por uma colher e o talher escorregou no sabão e caiu no chão. Francis o soltou para pega-la antes, e neste justo momento, ao virar-se um pouco para trás, o mais velho notou a presença de uma mulher sob o batente da passagem da sala de jantar para a cozinha. Ele ficou a encarando sem saber o que fazer ou quem era. O unicórnio seguiu seu olhar ao nota-lo distraído e, por um curto segundo, seu sangue parou de circular e uma explosão de questões poluíram seus pensamentos.

Notas finais
Obrigado por ler. Aliás, todos são bem vindos pelos comentários! A qualquer hora do dia, é so vim! Forneço quase todos os sabores de abraço e obrigado. Vlw. Espero que nos encontramos em breve. ;-}