O Unicórnio de Um Coelho

12 Um lobo livre e vivo, em caçada sempre está.


Notas iniciais
Oie leitores e leitoras! Olá para você que lê no modo fantasma. Olá mundo colorido! Eu mergulhei em outros projetos e por pouco estava me fazendo esquecer do Nyah e dessa historia (não sei se isso importa mais)... Esse capítulo estava semi-escrito e finalizei porque, se não fizesse, ia ter capítulo novo só em agosto ou em 2018, ou só se alguém realmente quisesse saber a continuação e me fizesse ter razão para ancorar nessa historia por um momento... Enfim, persisto. Musica do Capitulo: Avicii - Waiting For Love (musica que nunca vai sair da minhah play liste pessoal, kkk) Link: https://www.youtube.com/watch?v=cHHLHGNpCSA Tenham uma entretida leitura!

Não dava para entender. Um dia, Samuel queria bater nele, jogou-o no chão sem nenhuma pena e nunca soube de sua existência; depois, lhe pediu desculpas, quis sua ajuda e agora o tinha resgatado... Quem era Sam, afinal?

Depois de afugentar os rapazes, o de cabelos platinados se recompôs de sua raiva antes de olhar para trás e encarar os olhos de Francis, que ainda estava espantado com seu inesperado salvador. No fundo, Samuel gostou daquela reação do mais novo, pois era o que esperava. Então se aproximou:

— Você está bem? — perguntou, pondo a mão no alto da cabeça do menino e esfregando sutilmente.

— Estou — respondeu Francis, dando um passo para trás.

Samy pendeu a cabeça para o lado, sorrindo torto e achando graça do afastamento. Em seguida assentiu, recolhendo a mão.

— Está pálido, pequeno. Já comeu algo hoje? — ele disse.

— Eu... — Fran notou Sam massagear as juntas dos dedos da mão, apesar de continuar o olhando aparentemente sentindo-se bem —... ainda vou.

O rapaz sorriu assim que recebeu sua resposta, empolgado.

— Então vem comigo! — laçou o braço do unicórnio com o seu e puxou-o para o corredor, ignorando o grupo de alunos que estava assistido a tudo desde que Francis foi pego.

— Espera! As minhas coisas.

O mais novo abaixou-se, pegando a mochila vazia, jogada no chão, e foi juntando os materiais espalhados. O mais velho agachou-se curioso, ajudou-o com algumas coisas e então se pôs de pé, passando a esperar que o garoto terminasse de guardar suas coisas para arrastá-lo para o refeitório em seguida.

***

— Não... Não! Para! — Jack empurrou a garota de cabelos longos e escuros para o gramado onde estavam sentados. Ela sorria e ria, insistentemente, cutucando-o com os dedos e o obrigando a sorrir; o que conseguia. — Pare! David, para ela!

O rapaz chamado, sentado ao lado deles e ao sol durante o intervalo, deixava tudo acontecer, rindo também. Enquanto isso, a amiga da garota apenas observava-os com um sorriso tímido, quieta e vergonhosa demais para juntar-se àquela tortura para tirar sorrisos do garoto de cabelos escuros de sua sala dela que ela gostava secretamente.

— David! David!— o rapaz rosnou o nome e então se levantou, tomando fôlego e rindo sem realmente querer. O amigo não ajudou em nada, mas conseguiu se separar da garota que era desejada pelo outro. Respirou fundo para enfim dizer: —... Eu vou indo. Vou procurar os outros.

— Tá. Mas se eles quiserem me perturbar, nem fale onde estou.

Jack olhou David e deu as costas ao pequeno grupo, logo soltando um riso irônico e murmurando, falando sozinho:

— Como se eles não vivessem sem você. — Depois pegou o celular do bolso, enquanto andava em direção ao prédio da escola, e, quando o olhou, não encontrou nenhuma atualização.

— Está tudo bem com você, David? — a morena arrastou-se para perto dele, apoiando a mão na coxa do rapaz, enquanto ele ainda observava o amigo se afastando sem uma expressão no rosto.

Ele sorriu.

— Eu estou, sim, Bia. Mas... Jack mudou.

— O quê? Por quê? — O rapaz arrumou a franja castanha e deu de ombros. Bianca insistiu: — Acha que ele... — fez uma pausa dramática, olhando para a amiga. — Que ele arrumou uma namorada?

— Hum, pode ser. Quem sabe?

Bia encarou a amiga, que gostava de Jack, mas não tinha inciativa, tanto que ela teve que arrumar aqueles minutos juntos através de David. A amiga da garota deu de ombros em resposta, para ela Jack era a mesma pessoa.

— E tem outra coisa também. — David falou e abraçou a cintura da moça, levando seu rosto para o perfume no pescoço dela. Bianca o afagou, parando de insistir no assunto, pois o interesse de sua amiga ainda era segredo apenas das duas, falar mais seria exagero.

A outra coisa era a conversa que David teve com seu vizinho há alguns dias. Não acreditou muito no que ouviu, porque o rapaz normalmente estava chapado, mas Alex insistia que Jack esteve no bairro há uns dias atrás, quando ele não estava em casa para recebê-lo. Além disso, também tentava entender a briga entre Jack e Samuel. Apesar de Sam não ser agradável para David e seus amigos, Jack sustentava a amizade ignorando qualquer conversa que o mencionasse, convivendo bem com os dois lados. E por isso todos jugavam serem melhores amigos, como irmãos de outros pais, e esperavam que a amizade durasse a vida deles, mas agora estavam separados como completos desconhecidos, e Jack não deu explicação do motivo.

***

Jack parou de súbito assim que pisou no salão do refeitório, esquecendo-se do refrigerante que ia pegar na maquina. Seus olhos se fixaram em mesa no meio do espaço, ocupada por tipos variados de jovens, e onde a menina punk da escola denunciou que grupo era aquele. Entretanto, não foi por isso que o coelho ficou atordoado. Com o braço apoiado sobre o encosto da cadeira do menino do seu lado, Samuel sorria falando empolgado com Francis.

Não fazia sentido nenhum! Nada! Nenhuma razão para Jack não se preocupar imediatamente ou espantar as duvidas que pipocaram em sua mente naquele segundos!

Mas, pelo jeito acanhado de Francis, Jack acreditou que o unicórnio não estava lá por querer, que talvez Samuel tivesse forçando-o e certamente não tinha boas intenções. Entretanto, ferindo sua teoria, viu Fran se virar para Sam, sorrindo de algo que os amigos do platinado também riram, e responder algo rápido tendo atenção do outro. Francis não estava lá forçado! E isso foi decepcionante, porque ele sabia do que houve, do que Jack disse que Samuel era. Porque ele estava lá então?

Os olhos de Jack e Francis se encontraram um momento depois. A expressão do mais novo se desvaiu. Claro que o menino sabia a péssima situação em que se encontravam, e facilmente identificou o semblante aborrecido, sério e frio no companheiro. Não era um bom sinal. Mas a troca de olhares durou apenas um segundo, o mais velho virou o rosto e deu as costas, sumiu pela porta.

Se Fran continuasse ouvindo Samuel falar dos furos nas suas aulas de cálculos para convencê-lo a ajudá-lo, ia perder seu coelho. Então se levantou abrupto, largando o meio almoço, puxando a mochila deixada ao lado da cadeira e dizendo para que tinha que ir, logo, seguindo com passos rápidos, quase correndo, atrás de Jack.

Era intervalo de todas as turmas, havia vários alunos no caminho, mas assim que saiu pela passagem Francis foi indo para a direita, em direção a um corredor largo que daria para qualquer lugar do prédio, sempre atento em enxergar Jack mais a frente.

Contudo, enquanto andava, não encontrou ninguém parecido a uma boa distancia, o que o deixou confuso, pois o outro não podia ter sumido tão rápido de vista. Então seus passos ficaram lentos, quase parando. Olhou por cima de todas as cabeças e começou a pensar em desistir da procura. Até que ouviu próximo:

— Eu só me pergunto... O que passa por essa cabeça.

Francis virou-se para trás, ansioso, e olhou para os lados, através dos alunos que passavam, mas não o viu, ficando confuso consigo mesmo se teve uma alucinação. Mas, em segundos, notou Jack encostado na parede do corredor, imperceptível, sozinho e o olhando sem expressão.

— Jack! E-eu... — caminhou na direção dele, mas trombou em alguém, fazendo uma pausa para pedir desculpas para o desconhecido. — Eu devia ter te falado antes!

— Falado o quê? — o moreno cruzou os braços, observando o menino diante dele, que chegou tocando em seus braços.

O mais novo engoliu saliva, mesmo com a boca seca.

— Ele estava falando comigo há uns dias. — Jack arqueou a sobrancelhas escuras, surpreso. — Desde o começo dessa semana. Ele quer minha ajuda para umas coisas de matema...

— Eu disse para você quem ele é! — cortou-o, perturbado e sério. — Você viu, se não for cego, a nossa briga!

Francis, pasmo, recuou.

— Não... Não fala assim comigo.

Jack e ele se encararam, mal notando que alguns alunos os olhavam. Então o mais velho abaixou o olhar, corando de irritação, e suspirou, forçando mais os braços cruzados contra si.

— Droga, Francis — disse mais sereno.

O menor também se acalmou, deu um passo para perto, encostando a testa no ombro do outro, deixando os braços soltos ao lado do corpo e esquecendo-se de onde estava.

— Eu devia ter falado... Desculpa.

Jack, finalmente, notou alguns olhares e fuxicos. Por mais que quisesse tocar o menino naquele momento, apenas afastou-o ao descruzar os braços.

— Isso não explica porque você estava com ele no almoço. E ainda rindo.

— Aconteceu uma... — Jack o interrompeu com um movimento de mão, depois moveu a cabeça, indicando o corredor, e caminharam. Francis continuou: — Aconteceu uma coisa hoje, Jay.

— Jay? — O menor sorriu tímido para a estranheza de Jack com o apelido. — Tá, é original — Jack deu de ombros.

Fran sorriu e seguiu andando ao lado do mais velho pelo corredor, contou sobre os encontros anteriores com Sam e sobre o momento do armário daquele dia.

— Acho que ele deve ter se machucado, mas não admitiu. Ficou massageando a mão que usou. — E Jack soltou um riso irônico e rápido sobre o que o unicórnio disse, subindo a escadaria para o segundo andar, por onde levava o menor. — O que foi?

— Você é bobo.

— Jack! — Francis lhe deu um empurrão de censura. O irmão mais velho dele sempre dizia isso, não o deixava feliz ouvir de Jack.

— Mas é verdade! Acha mesmo que Samuel, que praticando boxe em sacos de areia e outras lutas, vai ficar sentido essa dorzinha? — o outro parou, refletindo. — Ele estava fazendo você sentir-se culpado ou com algum dó para continuar com ele. E você caiu direitinho.

O unicórnio se distraiu pensando naquilo enquanto subia as escadas, até que aceitou que Jack estava certo, naquela vez, de chama-lo de bobo.

— Para onde estamos indo? — Fran percebeu e olhou para trás, Jack o seguia logo atrás pelos degraus e próximo demais do que seria normal.

— Não sei — ele respondeu e deu um leve sorriso. — Achei que aqui estaria mais vazio, mas foi idiotice. Você me distraiu indo na frente... Você conhece algum lugar para irmos?

Francis olhou em volta, pensando onde estavam, até que se localizou.

— Eu sei um lugar... Deve estar vazio.

Então, eles não precisaram retornar o caminho, seguiram pelo corredor interno daquela ala até uma porta dupla. Apesar de desconfiado, Jack entendeu a que lugar Francis o levava quando o garoto forçou uma porta dupla que tinha uma placa acima, o auditório/teatro. O lugar estava escuro, mas via-se que saíram no alto do salão, onde as diversas fileiras de cadeiras pretas estavam abaixo, caindo para o palco elevado que estava iluminado por alguns holofotes.

— Podíamos ter pensado nesse lugar em outras vezes. — Jack comentou. — Parece confortável.

Francis riu baixo, pegando a mão do rapaz e arrastando-o para o estreito caminho da ultima fileira de cadeiras á direita enquanto seus olhos se adaptavam a penumbra.

— Nos outros dias aqui costuma ficar trancado, por não for ter aulas. — Fran informou, mirando as ultimas cadeiras. Mas, de repente, Jack sentou-se numa das cadeiras no meio da fileira e puxou o garoto para seu colo, abraçando-o pela cintura.

— Fácil — disse com um sorriso. — É só roubar a chave e fazer uma cópia para nós.

— Você é uma má influencia — o unicórnio virou o rosto, enxergando um sorriso no rosto do rapaz. — Eu nunca pensaria nisso.

— Obrigado. — Jack sorriu maroto, observando-o de volta. Com o silêncio entre eles, ele levou uma das mãos ao maxilar de Fran e trouxe-o para um beijo, e quando o mais novo virou-se melhor para aproveitar, ouviram a porta e se separaram. O unicórnio ficou de pé bem a tempo e uma garota, de cabelos presos no alto, entrar no auditório com dois colegas, falando de qualquer coisa.

Seu movimento também a fez nota-lo com uma surpresa breve:

— Ah! Francis! Que susto! — Miriam riu, olhando para ele. O casal de colegas que a acompanhavam, a deixaram para trás ao compreenderem que Francis não lhes importava. — Eita! O que faz aqui, já?

Ela notou Jack em seguida: — Ah, oi também!

A moça levantou a mão, cumprimentando. Jack, sem graça, fez o mesmo; depois se arrumou no assento, tentado continuar fingindo-se decoração de poltrona já que não tinha saída.

Notando os olhares da menina, tentando entender a presença deles, Francis se adiantou, indo até ela:

— Eu... Eu estava... Mostrando... — a frase se formava em partes. — mostrando o... o lugar! É o lugar, para ele — concluiu incerto. Inventar uma mentira não era tão fácil. E Miriam lhe lançou um olhar que dizia que não foi tão convincente. Então Jack deslizou o corpo na poltrona e sentando-se espalhado, chamando a atenção dos dois, e disse com se estivesse cansado:

— É coisa de uma detenção — falou. — Eu devia anotar as cadeiras que tem que arrumar, mas... — o moreno de pôs de pé, logo atrás de Francis e o segurou pelos ombros — o menino aqui vai fazer isso por mim. Não é?

Os dois se olharam, Francis atônito com a atuação e a boa mentira, então concordou com a cabeça.

— Mesmo! — Miriam pareceu mais convencida, e empolgou-se. — Lá, ali e mais naquela ali — ela apontou pela plateia — Estão bem ruins mesmo! Eu quase quis colar um cartaz dizendo: ‘não sente!’, mas a professora não deixou. ‘Só quando tiver alguma coisa’, ela disse para mim, ‘ai é melhor avisar’. Além disso, tem outras coisas...

— Calma. — pediu Francis, interrompendo. — Já sabemos.

— Ah, tá, desculpa — ela sorriu, sem graça. — Sabe que eu me empolgo Franciszinho.

O olhar dela deslizou do rosto menino para as mãos do outro nos ombros de seu amigo, depois encontrou os olhos claros de Jack. O rapaz sustentou o olhar dela por alguns segundos, tentando ser firme, mas acabou desviando da afronta e recolheu as mãos. Mais luzes nas laterais da plateia se acenderam, e os colegas de Miriam já andavam pelo palco com outros que vieram por outras passagens.

— Se quiser, você pode ficar e assistir a aula de teatro. — Miriam ofereceu para Jack, sorrindo. Ele estranhou-a e olhou para Francis.

— Não seria problema para mim... Quero dizer, para nós — incluiu a garota e os demais, para não ficar tão pessoal, e esperou, olhando os olhos azuis do rapaz atrás de si.

— Tá. — Jack aceitou.

— Que bom! Talvez você goste! — Miriam falou e se virou para Francis. — Você ainda têm uns sete minutos de intervalo. Nós vamos arrumar as coisas para a professora Martha lá em baixo. Até!

A menina logo os deixou, descendo para o palco. Os dois garotos se olharam em silencio, o momento deles tinha acabado.

— Francis, você tem que ficar longe de Samuel. — Jack se lembrou do que havia acontecido. — Eu não entendo porque ele escolheu você, mas... Se for para ser mais um dos casos que ele carrega... Não faz isso. — Havia um sinal de aviso no olhar que Jack lhe deu. — Não dê chance de ele te tocar ou de fazer você acreditar que ele não é o que eu te disse.

— Vou tentar resistir.

Resistir? Fran o quê...? — Jack afastou um pouco, confuso, e o menino sorriu, fazendo graça.

— Ele é um dos únicos desse lugar que é diferente de olhar. Eu não sei, Jack, ele tem algo — o mais novo riu da cara que o outro fez.

— Não brinca com isso, Fran. Ele é um lobo em pele de cordeiro. Estou avisando por que eu... eu.

— Eu o quê? — o garoto perguntou intrigado, mas Jack balançou a cabeça, em negativa, desviando o olhar.

— Não se aproxime dele — disse ignorando a curiosidade. — Pode tentar?

— Está bem — concordou. E Jack sorriu para ele aliviado.

Notas finais
Olá, jovem! Venho, por meio deste texto, expressar minhas saudades!! Por mais que minha mente ande pelos vales de outros projetos, memorias com detalhes, momentos, leitores e palavras que já li de incentivo embaçam meus passos e chamam-me como um sussurro para retornar... Queria eu poder ter feito diferente. Agido a passos largos e estar mais próximo de dar-lhes o desfecho de Francis e Jack num prazo rápido e no breve. Mas, me vejo aqui, estendendo o enredo, acrescentado detalhes e narrando no meu ritmo, de acordo com meu ânimo e imaginação. Acho que ás vezes são tantas coisas que talvez não sejam apreciativas á uma leitura de entretenimento. Espero que, apesar das minhas falhas e faltas, não se esqueça de nós; não se esqueçam de que escrevo para pessoas importantes para mim e que também sou uma pessoa de verdade que tenta encontrar alguém para dizer umas palavrinhas, que tenta fazer você deixar a realidade para passearem por esta, a minha. Obrigado por estar lendo e ouvir essas histórias que só você e eu sabemos que existe. Abraços! Até um próximo capitulo (com menos desabafos meu, kkk).