O Unicórnio de Um Coelho
24 Ter coragem com o medo...
Notas iniciais
Era um momento estranho. No auditório da escola, um lobo andava entre as cadeiras sombrias da plateia enquanto o unicórnio estava no centro do palco, sob um foco de luz, imóvel, apenas observando-o assustado. De repente, surgiu da lateral do palco um burro correndo atrás de um coelho. Francis estranhou a cena, observando o coelhinho chegar até seus pés e depois o burro o deixou, correndo para o outro lado do palco e entrando na escuridão. Quando o menino voltou a olhar o coelho, ele era Jack com sua mascara branca e olhos azuis, imediatamente lembrou-se do lobo e olhou o auditório. Contudo, ouviu o rosnado perto e Jack já era arrastado pelo animal para as sombras atrás das cortinas. O moreno lhe estendia a mão e bastou Francis o segurar para o lobo desaparecer e tudo mudar.
Quando olhou em volta, estavam sozinhos em um carro estacionado numa noite silenciosa. Jack lhe sorriu doce, estavam próximos, depois o beijou. Gradativamente o coração do menino se acelerou, enquanto se beijavam e se deixavam levar no momento deles. E, sabendo que agora era um sonho bom, o unicórnio aproveitou e tomou a iniciativa de toca-lo com vontade, parecendo agradar ao coelho. Num momento em que sentiu seu cós de calça ser abaixada na frente, ouviram um som estridente, que poderia ser de alguma viatura, e em seguida um clarão, tudo se dissolveu subitamente.
O despertador tocava no inicio de um sábado. Francis o procurou automaticamente, completamente sonolento, e só acordou quando não o achou no lugar de sempre. Estranhou e por um instante ficou frustrado por seu sonho ter sido interrompido, mas logo percebeu algo duro o incomodado debaixo da coberta, levou a mão ao local aquecido e encontrou o aparelho celular que insistia em tocar a campainha irritante, também não era a única coisa rígida naquela manhã, contudo teve que ser ignorado para desativar o despertador, e só então Francis percebeu que tinha dormido sem se despedir de Jay.
Na noite anterior, o coelho lhe explicou o que aconteceu entre ele e David dizendo apenas que recebeu um aviso para parar de incluir Francis nas brincadeiras de mau gosto. E, apesar de perguntar duas vezes porque o irmão faria isso, Jack não disse as razões, mudando de assunto.
“Quer passar a tarde em minha casa? Talvez a noite também...” A ultima mensagem chamou a atenção de Francis, de imediato ia escrever um sim, mas ouviu as conversas na casa, a mãe e o padrasto estavam. Como ia explicar que ia sumir por horas? David fazia isso, mas ele não ia conseguir se a mãe quisesse detalhes. Com um suspiro, escreveu por que parou de conversar com ele na madrugada e finalizou com:“Vou ver se consigo ir”.
Minutos depois recebeu uma resposta:“Ver se consegue?! Eu estou pedindo, por favor!Venha... Faça qualquer coisa e venha!”.
Francis riu, achando ser simples carência, mal sabia que Jack havia tido problemas com Samuel, e como não podia mandar uma resposta confirmada, deixou o celular debaixo do travesseiro e foi tomar um banho, enrolou um pouco até voltar ao quarto e olhar o telefone de novo. “Se não vier, eu vou te sequestrar onde quer que esteja”. Motivando, o unicórnio desceu as escadas e chegou à mãe, assistindo algo na televisão enquanto o marido dela estava na cozinha falando com as panquecas.
— Mãe, eu... — a mulher o olhou, Kelly parecia bem interessada, o que o deixou tenso. — Eu posso ir à casa de um amigo hoje a tarde?
— Amigo? — ela falou, parecendo desconhecer a palavra, mas o que era novo era Francis ter um amigo. — Mesmo? — e ela sorriu. — Pode! Claro que pode! Você já tem quase dezessete anos, filho, não precisa pedir. Só fique com o telefone perto e não deixe de me atender. Ah, e não faça nada de ilegal!
Francis corou, mas sorriu, achando-se bobo. Enquanto ele voltava para o local seguro do quarto, a mulher o observava. Ela se preocupava muito com o garoto, mas, segundo sua terapeuta de uns dois ou três anos atrás, ela precisava deixa-lo viver suas experiências, ainda mais que David era completamente livre, ela achava justo que o menino fosse tratado igual.
Após o almoço, Francis se preparou e saiu de casa com o endereço pronto para entregar ao motorista de taxi. Alguns minutos depois, o porteiro do prédio de Jack já o deixava entrar. Quando o elevador se abriu no corredor do apartamento, o unicórnio quase trombou em uma garota ruiva com um cachorro pequeno e alisado no colo. Ela tinha um ar metido e, apesar de sorrir brevemente, Francis notou um traço de desagrado em sua expressão. Tocou a campainha do apartamento e esperou. Um segundo depois, a porta se abriu e foi recebido com um olá e um sorriso largo, o que fez seu coração bater quentinho.
— O que está olhando? Entre logo, Francis! — e Jack o puxou para dentro, fechando a porta. — Você veio mesmo!
— Sim — sorriu. — Como você está?
— Melhor agora.
E ficaram parados, se olhando, não esperavam nada e nem se importavam. Até que, subitamente, o moreno corou de leve e se aproximou, iniciando um beijo intenso, praticamente agarrando o mais novo. Só pararam quando Jack pisou no pé de Francis e o menino riu do afobamento, apesar da dor.
— Desculpe. Ahn... Fique a vontade — o anfitrião disse — a casa é só nossa.
Com essa informação Francis percebeu o que aquilo podia dizer. Ali não teriam ameaças de vizinhos ou de irmãos entrando, Jack era filho único e teriam uma situação que não tiveram.
— Quer um pouco de água? — e Jack já se afastava, era mais ele quem precisava que algo frio.
A cozinha era maravilhosa, limpa, organizada e clara, nem parecia um apartamento. Francis e Jack conversaram sobre qualquer coisa que não os fizessem lembrar que havia um mundo do lado de fora e riram juntos quando o menino observou a paisagem da janela e achou alto. Após isso, vendo o sorriso de Francis, o coelho decidiu que já estavam longe tempo demais, o agarrou novamente, e dessa vez Francis se enroscou nele também. O coelho, empolgado, conseguiu levá-lo pela casa em meio aos beijos e carícias, e o ponto final foi o confortável sofá, onde eles quase escorregaram juntos e esse pequeno susto os fez parar, achando graça. Estavam bobamente felizes juntos.
— Caramba, Francis... — o moreno murmurou por cima do outro e o encarando. O mais novo estava mais corado do que nunca antes, seus cabelos castanhos estavam bagunçados e seu olhar denunciava um leve nervosismo e atenção, era tão sexy.
O unicórnio também registrava algumas impressões: o penteado de Jack continuava quase intacto, refletiu que devia ter aproveitado melhor o caminho, e os olhos azuis o devoravam a todo instante, era possível sentir mais que fisicamente que aquele rapaz o queria intensamente e naquele momento. Se Francis pensasse muito, lembraria que há pouco tempo não conseguiria nem imaginar como seria ter um garoto em cima dele, com uma ereção debaixo das roupas e o desejando. Jack realmente tinha conquistado uma parte dele. Sussurrou de volta:
— Caramba, Jack.
Ganhou um sorriso e um beijo gentil. Depois os lábios alheios deslizaram para seu pescoço, espalhando calor junto com as mãos mais extrovertidas de Jack que criava um caminho de caricias em todo seu corpo, e era um estimulo para viver coisas novas ser pressionando pelo corpo do mais velho de tempos em tempos até conquistar um ritmo que o incitava a querer mais. O coelho estava tentando um compasso que combinasse com Francis, e parecia que estava dando certo para os dois, já que ele mesmo estava ficando com a respiração entrecortada, excitado e contendo-se para manter-se cuidadoso e as coisas devagar, dando um tempo ao mais novo, mas ali estava ficando quente demais, principalmente ao sentir um misterioso toque no botão de sua calça.
— Espera... Vem comigo — levantou-se, surpreendendo Francis, e o puxou, levando-o para seu quarto.
Ao ver a porta ser fechada, Francis entendeu que estava indo para um caminho sem volta, algo tinha que acontecer naquele momento, ele tinha que aproveitar a chance. Mas tinha um problema... que foi logo esquecido quando Jack voltou-se para ele e lhe deu mais um longo e intenso beijo, despertando um unicórnio com mais coragem e desejo por aquele corpo. Deram alguns passos tropeçados e aos beijos quentes, era difícil respirar, mas eles não paravam, queriam mais contato, mais atenção, mais daquilo que até ali não tiveram como aproveitar plenamente. Eles se gostavam e, mesmo que ainda não tivessem falado, se amavam. A prova era ali, na forma que se pertenciam e se aproveitavam quando estavam realmente sozinhos e a vontade. Seus corpos ferviam, não era nada ruim, era excitante poderem se apreciar com liberdade depois de tanto tempo juntos com apenas fagulhas nos intervalos do colégio e breves momentos. Ambos tinham ciência das ereções querendo atenção, mas Jack não pretendia fazer nada sobre aquilo, pois pensava que era Francis quem devia tomar o momento para si e decidir o que queria fazer. O coelho não desejava traumatiza-lo de alguma forma naquela tarde, ao lembra-se que Francis já enfrentara um abuso quando era mais novo e a memoria o feria quando algo mais íntimo surgia.
De repente, Fran sentiu o colchão da cama na panturrilha e caiu sentado, interrompendo os beijos. Enquanto seu corpo queimava de dentro para fora e seu coração batia rápido, ele encarou Jack de pé. O moreno estava corado, tomando fôlego e com um sorriso no rosto, também notou que não tinha ideia de como o coelho havia ficado sem a camisa, parecia mais confortável e fresco. Francis sorriu também, apesar de pensar o quanto estar com um Jack com menos roupa e a fim era preocupante. O unicórnio não sabia até onde poderia ir e só de pensar que poderiam transar naquele momento, quase entrava em pânico, mesmo sabendo que queria e que gostava e conhecia Jack o bastante para isso. Ele tinha um medo que não entendia e nem qual o tamanho que tinha.
— Fran? — a voz de Jack o chamou com charme, o tirando dos pensamentos preocupantes. — O que você quer agora?
O menino ficou o olhando, refletindo como o coelho estava confiante e desinibido, ele certamente tinha mais experiência, e lhe agradava que naquele momento pensasse nele. De repente, seu coração pulsou mais rápido quando Jack apoiou os dedos nos cós da calça e arrastou-a alguns centímetros para baixo, praticamente mostrando a ação bem na altura de seus olhos. Uma falta se ar surgiu no unicórnio, os lábios semiabertos não estavam adiantando para oxigenar-se, e Francis continuou travado, sem conseguir dizer alguma reposta. Notando esses sinais, Jack arcou-se e lhe deu um beijo lento de alguns segundos, depois voltou a sua postura. Foi uma boa ajuda para o mais novo se acalmar e destravar os pensamentos, mas o que falou foi inesperado:
— Eu devia ter tomado meu remédio.
Jack estranhou.
— É anticoncepcional?
— Não, bobo — e Fran riu, o que foi um bom sinal para que ele continuasse a vontade e menos tenso. — É tipo um calmante.
— Ah...
Saber disso fez o coelho perder um pouco de sua disposição para incentivar o garoto. Como ia fazer aquilo, se o menino precisava de calmantes? A situação parecia destinada a ser uma experiência mal sucedida quando as emoções se tonassem realmente intensas. Contudo, em seguida o unicórnio lhe tocou no abdômen, chamando seus pensamentos para a situação.
— Seu corpo é mais firme que o meu — comentou e deu um riso nervoso, mordeu o lábio inferior de leve. Jack acariciou o rosto dele, apreciando aquela súbita expressão de desejo, e seu pensamento de hesitação perdeu força.
— Então aproveite como quiser —excitou e se encararam. — Eu sou seu, Francis. Hoje, amanhã ou quando puder. Acredite ou não, eu vou esperar o seu momento certo.
Francis entendeu que Jack declarou sua entrega, ele devia se sentir completamente seguro e confiante, mas faltava um pouco de coragem para ir descobrir sozinho até que ponto seu medo o deixaria passar naquela relação. Então Francis percebeu que estava perdendo tempo ao se deixar pensar em seus medos naquele momento, tomou um suspiro de coragem e seus dedos foram para o jeans de Jack, desabotoaram-no e deixaram a roupa cair no chão.
O coelho ficou surpreso, mas logo estava ansioso, sorrindo malicioso com ação e quando entendeu o que o olhar do mais novo focava, bem diante do rosto dele. Mas o unicórnio estava nervoso demais, tinha até perdido um pouco da cor ao ver ele seminu tão próximo, e dava para ver que inspirava forte, não por excitação, mas por algum tipo de controle. Fran não parecia apto e nem seria prudente deixar que fizesse o pensava. De repente, as mãos de Francis tomaram ânimo e iam erguer-se novamente.
— Espera — Jack o fez recolher o movimento, arcou-se um pouco na direção do mais novo. — Olha para mim... Você não precisa fazer isso assim, Fran. Se você não entendeu: esse momento é seu, compartilhado comigo. Você é o que importa. Você é o príncipe. O meu pequeno príncipe — falou com gentileza e cuidado. Um sutil sorriso torto surgiu nos lábios do menino, compreendendo. Então o rapaz levou um joelho de cada vez para os lados do unicórnio, sentando-se sobre ele na beira da cama. — Além disso... Você pode ter alguma experiência antes de um boquete em seu namorado — sorriu maroto e, ao beijar Francis, o fez deitar-se, o levando para trás até cair na cama.
Logo o beijo se tornou intenso e quente, cheio de possibilidades, devolvendo ao momento um Francis avermelhado e com vontade, apesar de confuso e preocupado do que ia acontecer. Alguns minutos depois, o moreno já lhe tocava, estimulando mais sua excitação, e arrumava um espaço entre as pernas de Francis com o joelho direito. Jack sorriu quando conseguiu uma posição mais confortável e o beijou uma ultima e rápida vez antes de levantar a camisa do mais novo e partir distribuindo beijos e carícias na nova pele exposta até Fran reagir com sutis afagos em seu cabelo e leves gemidos contidos, dando sinais para que prosseguisse. O coelho observou o rosto do garoto antes de continuar a descer mais, seu parceiro parecia disposto e relaxado o suficiente. Francis não soube o que esperar quando ele o olhou, e foi surpreendido quando o rapaz desceu sua bermuda e o revelou completamente para a luz do dia, gerando uma palpitação mais ansiosa que quase o levou a fugir se Jack tivesse demorado mais um segundo para continuar seu plano.
Se Jack era bom ou não, não foi analisado, pois o ato foi tão envolto de novas emoções que não demorou tanto tempo como se poderia sonhar, Francis não tinha muito controle de si. Porém, enquanto voltava a si, ainda extasiado, viu as possibilidades sobre ter prazer com alguém e que alguns medos podiam se tornar menos temíveis. Riu bobo e sozinho, até que notou que Jack o observava antes de ir ao banheiro anexo do quarto. O moreno voltou com uma toalha e um sorriso no rosto, se jogando na cama ao lado dele e o observando sorrir. Não disseram nada por um tempo.
— Espero que tenha aprendido direito — o coelho avisou e se aconchegou ao lado do rosto do menino, olhando o nada na parede. De alguma forma também estava satisfeito por enquanto.
— Na verdade... acho que vai ter que mostrar mais vezes.
Jack estreitou o olhar e depois riu com Francis da graça.
— Onde estava este Francis safadão no começo?
— Acho que você acabou de criá-lo...
— Ótimo, então ele vai ser só meu!
...
Minutos depois despertou e estava coberto com uma manta, ouviu vozes e conversas, estranhou. Ao olhar em volta, o quarto estava de luzes apagadas e uma fraca luz laranja passava pelas frestas da janela. Ficou confuso de onde estava e o que estava acontecendo. Sentou-se, sonolento, e escutou melhor as conversas no apartamento. Identificou a voz de Jack e de um homem.
—Já pensou em imprimir de novo? —questionava o coelho.
—Faz isso pra mim —era a voz do homem desconhecido, parecia nervoso. —Vou dar uma olhada no escritório de novo...
—Pai! Telefone para você!
O sangue de Francis gelou. O pai de Jack estava em casa, não estava preparado para encontrar homem nenhum, ainda mais depois do que fizeram naquela tarde há pouco tempo.
—Como não precisam mais?! —o pai de Jack gritou perplexo ao telefone e em algum lugar da casa, assustando Francis e fazendo o menino pensar ‘e resolve descontar nele por pega-lo no apartamento com Jack?’.
O unicórnio levantou da cama e foi se recompor no banheiro. Quando saiu, o quarto estava aceso e Jack mexia nas gavetas de uma mesa tipo escrivaninha do quarto, estava com uma roupa completamente nova.
—Ah, oi. —disse o mais velho o olhando por um momento e ainda procurando. —Você estava dormindo bem, espero não ter te acordado.
—Não... Eu acordei sozinho.
—Jack?... Jack? —e o pai surgiu na porta do quarto. —Precisamos do anexo do e-mail do dia 17 impresso.
O rapaz concordou e pegou um conjunto de papel em branco que finalmente achou. Enquanto isso o olhar do senhor foi para Francis, imóvel, parado dentro do quarto.
—Ah. Olá, garoto, tudo bem? —o homem de barba grisalha o cumprimentou e o menino apenas assentiu e acenou com a mão, tímido. O pai de Jack era alto e acima do peso, mas carregava um ar elegante vestido socialmente.
—Aqui as folhas —o coelho levou-o para o corredor —a impressora estava sem... Você disse ‘anexos’, não é?
O mais novo suspirou, tenso, depois refletiu que devia ter falado alguma coisa e não só gesticulado. O homem devia pensar coisas estranha dele agora. De repente, ouviu um celular vibrando e o achou o seu aparelho sobre o criado mudo, atendeu. A mãe ligava, tinha um tom de voz neutro.
—Francis, onde você está? Seu pai apareceu e quer levar você e seu irmão para sair essa noite.
O menino parou mudo, surpreso com a notícia.
—Fran? Querido. Diga alguma coisa...
—Ah, eu já estou indo para casa —respondeu atordoado.
—Está bem. Tenha cuidado.
Após os bipes do fim da ligação ouviu uma voz no quarto:
—Ei, você esta bem? —era o pai de Jack, o encarando perto da porta.
—Sim —disse não muito certo.
—Pai, porque está perturbando ele? —Jack chegou, censurou-o.
—Eu só queria saber o nome dele.
O coelho bufou e então olhou Francis com o celular na mão:
—Aconteceu alguma coisa?
—Eu tenho que ir para casa. —Jack ficou frustrado, mas via que tinha algo importante que afetou Francis.

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