Presídio de Seattle

07h30min AM

Apesar de tão cedo o mal tempo já predominava, as nuvens estavam bem carregadas, um grande temporal estava a caminho.

-Grande dia para levar esses caras. — dizia sarcasticamente um dos guardas da prisão aos outros guardas responsáveis pela transferência dos presos.

Ali estavam vinte condenados que seriam transferidos para o Manicômio Judiciário Wallingford, os prisioneiros eram os mais loucos psicopatas, assassinos considerados insanos, loucos, e que foram condenados ao manicômio.

O ônibus amarelo estava estacionado dentro do presídio, aproximadamente quatro guardas participariam dessa transferência, dentre eles duas mulheres, todos muito sérios e compenetrados com olhos fixos à porta de ferro na frente deles.

Logo a porta de ferro se abriu, seu ranger quebrando o silêncio, o guarda da escolta olhou para alguns pontos do muro do pátio onde estava vendo os policiais com seus rifles apontados para a porta, um movimento errado de qualquer um dos prisioneiros e sua cabeça estouraria como uma grande melancia podre, ele sorriu com esse pensamento.

-Recolha o sorriso. — ele foi alertado pelo companheiro ao seu lado, logo os prisioneiros começaram a sair formando sua fila para entrarem no ônibus de acordo com a lista em mãos de um dos guardas.

A policial se pôs ao lado da porta conferindo cada nome de cada um dos presos.

Cumprimentaram os policiais do presídio e entraram em seus respectivos veículos, dois no ônibus e outros dois na viatura de escolta, seguindo para o seu destino.

-Vão em paz e cuidado com esses caras, com vocês estão os piores psicopatas desse lugar, são espertos e mentirosos, cuidado. — o policial advertiu seu amigo que lhe olhou a princípio sério, mas depois nascendo um sorriso cínico em seus lábios.

-Não se preocupe, garanto que esses caras vão ficar quietinhos. — entrou e deu uma última olhada para o policial que o encarava sentindo um arrepio correr na sua espinha até que a porta se fechou em um rompante o fazendo se assustar, o ônibus deu a partida e saiu juntamente com a viatura a sua frente.

Com algum tempo o ônibus entrou em uma parte de uma estrada deserta cercada pelas grandes árvores, uma densa floresta os cercavam, os prisioneiros olhavam para fora.

Um dos guardas dentro do ônibus começou a caminhar e verificar as algemas de cada preso, se estavam bem fixas, pés e mãos algemados, uma corrente vinha das algemas e se prendia a argola que estava fixa no chão do ônibus.

Um dos presos começou a achar estranho aquele caminho, já havia rodado bastante essas estradas para saber que estavam no caminho errado.

-Ei essa não é a estrada para Wallingford.

A policial o olhou se virando e indo a frente se juntar ao outro que dirigia o ônibus deixando o preso falando sozinho.

-Ei, eu estou falando com você...

Ela nem deu bola.

-Vadia.... Merecia ser estuprada e dada aos cães. — ele murmurou, mas achou estranho que apesar de ter murmurado muito baixo, praticamente consigo mesmo, e que onde estava era a última cadeira do fundo e a policial estava à frente do ônibus, ela o olhou parecendo ter escutado.

A viatura na frente do ônibus parou e o ônibus fez o mesmo, os policiais da viatura saíram, ficaram parecendo esperar alguém.

Dentro do ônibus os prisioneiros começaram a se agitar um pouco, curiosos olhavam para frente.

-Odeio quando atrasam. — disse o policial sentado no banco do motorista.

-Nós é que estamos alguns minutos adiantados.

-EI, QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! — o prisioneiro que havia percebido que tinha algo de errado falou, fazendo a policial vir até ele.

-Cala a boca ou eu vou te retalhar e devorar cada pedacinho seu.

O prisioneiro a olhou assustado, pois via que os olhos da mulher ganhava um novo tom de cor, no mesmo instante que o outro policial dizia:

-Até que enfim... Vamos começar a festa!

Todos olharam para frente vendo os dois policiais vindo juntamente com outras pessoas que não eram policiais, o prisioneiro voltou sua atenção à policial na sua frente.

-Quem são vocês?

-Aqueles que vieram libertar todos vocês.

A voz de um homem ecoou dentro do ônibus... E mesmo fechando as portas e todas as janelas não era possível ocultar os gritos de pavor.

*****

POV Jacob

Ela parecia tão em paz, tão tranqüila, consigo ver o canto dos seus lábios quase se curvarem em um sorriso, e suspiro me encostando na cabeceira da cama.

Só espero que depois do que ela passou ela possa ter bons sonhos, sem pesadelos. Olho mais uma vez para ela deitada em seu travesseiro, eu me apoio, vendo seu rosto machucado, aquele desgraçado, isso só soma mais a dívida que ele tem comigo e que vai me pagar, nem que eu tenha que morrer, mas ele vai me pagar caro, subitamente o pensamento de que ele poderia a ter estuprado vem ao me lembrar de sua blusa rasgada, de como ele percorreu seu corpo.

Fecho meus olhos em fúria só de imaginar ele tocando nela, fazendo aquelas mãos nojentas tocarem seu corpo, imediatamente meus olhos vão para ela, a alça da sua camisola caída docemente, sua pele branca, aspiro seu cheiro e realmente o outro lobo tem razão em ser submisso a esse cheiro, pois é agradável.

Ela não é a minha escolhida, eu não a marquei, nem sequer a provei, tudo sempre foi o lobo bonzinho, minha parte é a de protegê-la, de ser o lado escondido, sombrio que todos tem, mas que não é omisso a Isabella.

Meus olhos vasculham seu rosto, descem pelo seu pescoço, seu ombro, até verem o pecado, a tentação que é o seu busto, e isso mexe comigo, instinto animal, isso é o que eu sou, de mim sai um longo suspiro de desejo e um rosnar leve nada ameaçador e involuntariamente meus dedos sutis começam a caminhar pelo seu corpo tocando sua pele.

-Tão delicada... Tão frágil.

Gosto disso, gosto dela assim indefesa, é isso o que ela é, mas me sinto dividido, ao mesmo tempo em que aprecio sua fragilidade, sua inocência, me sinto atraído pelo seu olhar desafiador, sua petulância e a forma como me desafia.

Não! Eu tenho que me controlar...

Me levanto indo até o banheiro, molho meu rosto me olhando no espelho, eu sei que esse desejo súbito por ela só tem a ver com o motivo de estar puto da vida por aquele desgraçado a ter tocado, apenas isso, não é amor, é pura luxúria.

Me olho no espelho fitando a minha imagem, vendo diante de mim que já não sou totalmente Jacob e sim lobo se corroendo de desejo, eu fecho meus olhos vendo diante de mim as imagens dela.... Isabella, a forma como ela amava Jacob e o outro lobo, a forma como ela se arranha em delícia sentindo todo o prazer, sua expressão doce e selvagem.

Caminho até a porta do banheiro onde vejo a imagem dela deitada, serena, adormecida ainda, lá fora é tarde de primavera, as cortinas estão fechadas para escurecer um pouco o quarto.

Seu corpo mal coberto pelo lençol proporciona uma visão que me enlouquece mais ainda, passo minha língua pelos meus lábios e caminho calmo e em silêncio indo cobri-la, um ato simples, mas à medida que chego perto dela fica impossível me controlar.

Eu sento na beirada da cama, ela se mexe um pouco se descobrindo mais, dando a visão de sua camisola que subiu deixando suas coxas à mostra, eu mordo meu lábio. Quero tocá-la.

Vou para perto de suas pernas ainda querendo ser o bonzinho dessa situação toda e apenas cobri-la melhor, mas novamente acabo me sentando onde posso vê-la adormecida, decidindo se devo ou não matar a minha vontade.

Eu sou um animal, e é lógico que diante de mim não estaria simplesmente Isabella, mas sim uma fêmea.

Minhas mãos vão acariciar sua coxa, levemente, apenas com as almofadas dos meus dedos, que para um lobo é um contato bem forte mesmo que ele seja sutil. Meus dedos começam desde suas pernas subindo e descendo, e ao mesmo tempo em que olho maravilhado sua perna me certifico de que ela ainda dorme.

-Tão macia.


Instintos que ainda podem nos trair,
Uma jornada que leva até o sol,
Desalmado e inclinado à destruição,
Um conflito entre o certo e o errado
.

Sussurro.

Só mais um pouco, digo a mim mesmo dentro de mim onde algo teima em ser racional e me manda parar com aquilo, subo um pouco mais e meus dedos estão no começo de sua coxa, na junção do joelhos e subindo, ela se arrepia.

Meus dedos sobem para suas coxas agora totalmente, e me encho de coragem ultrapassando um limite estipulado pela sua camisola, fazendo minha mão começar a invadir, abrindo caminho por debaixo da camisola indo até acima onde toco mais um limite com a ponta do meu dedo, o elástico de sua calcinha.


Assuma você o meu lugar no confronto final,
Eu observarei com um olhar cheio de pena,
Humildemente invocarei o perdão,
Um pedido muito além de você e de mim

Novamente a língua brinca em meus lábios, engulo em seco e rosno em delícia, e na volta da minha mão para baixo, a levo até a frente de sua coxa.

Bella se mexe um pouco e eu recuo minha mão parecendo um menino que foi pego em flagrante, mas nada acontece, pois a vejo dormindo ainda.

Eu deveria parar, deveria cobri-la e dar o fora desse quarto, eu deveria... Deveria... Mas não faço, pelo contrário, eu continuo, voltando minha mão novamente nela, fazendo a mesma coisa.

-Quero prová-la.


Existência... Bem, o que isto importa?
Eu existo da melhor maneira que consigo.
O passado é, agora, parte do meu futuro,
O presente está totalmente fora de alcance.

Coração e alma, um dos dois há de arder.
Coração e alma, um dos dois há de arder
.

Sussurro, como se fosse eu pedindo a ela, mas na verdade não é um pedido e sim uma ordem que a cumpro.

Me apoio em minhas mãos e então me abaixo ainda a olhando, vendo se ela irá acordar, vigiando sua reação. Sinto meus lábios encostando levemente ainda, lhe dou um último olhar até me abaixar e beijar sua coxa. Um beijo leve, ergo meu olhar e ela ainda está imóvel, volto a lhe beijar a coxa novamente, agora com um pouco mais de pressão e nada, ela se mantém imóvel. Eu deveria me contentar com isso, mas a vendo imóvel sem nenhuma reação me dá um estímulo louco.

Eu preciso fazer essa mulher ter alguma reação... Preciso ouvir ela gemer.

E nesse momento o animal falou mais alto e eu comecei a beijar sua coxa subindo, descendo, e não contente eu subo tudo novamente, mas não com beijos e sim a lambendo.

-Tão deliciosa. — sussurro.

-Jacob eu te amo. — ela fala e eu paraliso a olhando, me dando o que eu precisava para parar. Eu me levanto indo até o banheiro lavando mais uma vez meu rosto.

-Ela não ama você, ela ama o outro lobo, e você não a ama. — digo a mim mesmo, que merda eu estava fazendo? Ela perdeu o filho, está fragilizada, foi atacada e eu estava cogitando a hipótese de possuí-la... Mas não por amor e sim desejo como uma besta, um animal que sou.

Volto para o quarto a cobrindo, agora sim da forma correta e beijo seu rosto delicadamente.

-Me desculpe Isabella.

Me levanto saindo do quarto, me sento no sofá olhando o teto.

Meu dever é protegê-la e fazer com que os sanguessugas paguem pelo que fizeram, vingar a morte do Dean, não posso amá-la, não com a mesma intensidade que ela, meus desejos são puramente animais, não existe amor.

POV Quil

-Que ódio, que ódio!

Ela grita sem parar andando de um lado para outro, estava enfurecida, nunca vi essa mulher nesse estado, enquanto eu como um bobo que sou ando atrás dela com um vidrinho de mercúrio em uma mão e na outra um pedaço de algodão.

-Ang, vem aqui para eu cuidar do seu dodói.

Quase morri quando a vi caída no chão, toda machucada, aquele desgraçado, eu vou arrebentar ele por isso. A trouxe com todo cuidado em meu colo, estava tonta, mas agora já está bem melhor, acho que até demais.

-Quando eu vi aquele monstro em cima da Bella... — ela rosna. -Me deu uma raiva, subiu um ódio tão grande que nem me lembrei que ele era um vampiro, eu só queria arrebentar ele, peguei a primeira coisa que vi e parti pra cima dele.

Ela fala, com suas mãos inquietas gesticulando, seu rosto está vermelhinho de raiva.

-Amor... Senta aqui, deixa eu passar esse remedinho no seu dodói.

Eu insisto a segurando e a colocando sentadinha no sofá, pego o algodão já com o mercúrio e coloco em cima de um raladinho que ela tem no rosto, Ângela solta um ai e faz uma careta de dor, e meu coração dói com isso, solto um ganido sem querer, um choramingo.

-Desculpa, vou assoprar para não arder. — beijo seu rosto delicadamente e volto a cuidar dela.

-Você foi muito corajosa filha. — meu avô diz a ela, sim ela foi muito corajosa, mas poderia ter sido pior. Deus do céu, se tivesse acontecido algo pior a ela eu morreria.

Do nada ela dá um pulo do sofá e volta a andar novamente, eu bufo.

-MERDA! Desculpa vô Ateara. — ela exclama e volta a falar: -Se já soubéssemos o ponto fraco deles teríamos o matado... Preciso voltar imediatamente às minhas pesquisas.

Eu me levanto irritado.

-Ângela esqueça essas malditas pesquisas, você está machucada, aquele desgraçado quase... Não gosto nem de imaginar o que ele poderia ter feito a vocês duas... — eu a olho. -Você não sai mais dessa reserva para nada entendeu? Quando seu pai chegar de viagem vou falar com ele e dizer que nos casamos e que vamos morar juntos e pronto... Você dessa reserva não sai.

-Mas Quil, eu preciso voltar para minha casa, pegar minhas coisas, meu not, meus livros.

-Sem problema, eu mesmo vou lá pegar suas coisas, você me diz o que você quer.

-Você não vai saber, eu vou junto.

Eu a pego novamente a sentando no sofá, vendo seu braço machucado.

-Tudo bem, mas primeiro vamos cuidar desses dodói.

Ela sorri.

-Quil para de falar comigo como se eu fosse uma menininha.

Eu sorrio enquanto minha atenção vai para o que estou fazendo.

-Mas você é minha menininha. E eu gosto de tratar você assim.

Ela me olha sorrindo intensamente.

-Sim. - ela diz e eu a olho sem entender o seu sim... Percebendo a minha expressão ela me beija delicadamente. -Minha resposta para o seu pedido de casamento.

Eu ergo a sobrancelha me fazendo de desentendido.

-Eu estava pensando em apenas dividir meu guarda-roupa com você, te dar uma gaveta...

Ela ri divertida e também entra na brincadeira.

-Tem certeza senhor Ateara? Sabe como é... Dividir um guarda-roupa e ter uma gaveta é um passo muito sério... Eu aceito uma gavetinha pequenininha.

-Claro que eu tenho certeza, pelo menos sei que minhas coisas vão estar sempre arrumadas.

Ela me olha me dando um tapinha.

-Quil...

Eu sorrio para ela. Ângela se joga nos meus braços e eu a beijo, ela solta um ai...

-Oh desculpa, desculpa... Vem, vamos cuidar disso.

Eu fico cuidando dela, mas algo a incomoda, a olho e vejo-a fazendo uma careta.

-Que cheiro horrível é esse? — Ângela pergunta e eu fico vendo se sou eu enquanto ela continua reclamando, meu avô a olha também sem entender.

-Que cheiro? Não estou sentindo nada. — meu avô diz, mas Ângela continua e mais uma vez ela se levanta irritada do sofá.

-É algo podre... É... Parece que alguma coisa morreu há anos. — ela começa a se cheirar levando a blusa ao nariz, depois os punhos, e novamente ela grita. -Ai que nojo, eu estou fedendo.

Ângela corre para o banheiro enquanto eu fico a olhando e depois para o meu avô sem entender que diabos aconteceu.

POV Bella

Eu corria livre pela floresta, estava em paz comigo mesma, não tenho dores em meu coração, eu sorrio, uso apenas um vestido branco simples, os cabelos soltos.

O dia está lindo, os raios de sol passam pelas copas das árvores, borboletas colorem tudo, pássaros cantam, é tudo tão lindo, parecendo um conto de fadas.

Chego em um velho lugar, aonde eu e o outro sempre vínhamos e vejo com alegria a cena em minha frente.

Todas as garotas reunidas com seus lobos, Ângela deitada lendo um livro, apoiada no peito do Quil em sua forma de lobo, ela lê para ele, em outro lugar Kim ri com a gulodice do lobo do Jared, ela coloca bolinhos em sua boca, em outro canto Rachel ri das palhaçadas do Paul que também está na forma do seu lobo com a língua para fora, ele lhe dá uma lambida, Emily está tocando um violão enquanto Sam está deitado ao seu lado tranqüilo, ela lhe olha e afaga seus pêlos. Eu sorrio divertida com os três lobos que estão em outro canto, Leah, Embry e Seth... Leah e Embry estão juntos em suas formas de lobos, seus focinhos se tocam, ele lhe dá uma lambida e depois Leah deita sua cabeça sobre o pescoço dele, Seth vem e se deita ao lado dela e ela o olha soltando um pequeno rosnado, talvez reclamando.

Eu observo a cena emocionada, e quando vejo mais a frente meu coração bate mais rápido dada a minha emoção, vejo Dean engatinhando feliz e Jacob ao seu lado o acompanhando, mas como lobo, não o lobo de antes bonzinho, mas esse novo lobo, posso ver a diferença na pelagem de cor mais forte, sua forma física maior e forte, Dean para e olha para o lobo que vem até ele e Dean ri segurando seu focinho.

-PAPAPA! — ele chama feliz.

Limpo uma lágrima que escorre dos meus olhos, essa é a minha família, minha linda família, com meus amigos, irmãos.

O lobo se abaixa e Dean tenta subir nele, meu filho nunca viu o pai em sua forma de lobo, o lobo nunca pôde ter um contato com sua cria, seu filho.

-Esse é o seu destino Isabella, nunca poderá ter outro, seu lugar é aqui e sempre será.

Olho para trás ao ouvir uma voz forte me dizendo isso, é um senhor, sua roupa toda branca, ele também vê a cena e sorri ao meu lado, eu o olho curiosa.

-Nos conhecemos?

Ele me parece tão familiar, mas não sei de onde o conheço, ele sorri sereno e me diz algo em uma língua que não conheço.

-Não consigo entender o que o senhor diz.

Ele não fala mais nada, segura em minha mão e começamos a caminhar juntos até os lobos, ele acaricia os pêlos do Sam e depois do Embry e vai até o Dean o pegando no colo e sentando com ele no chão e logo ele é cercado por todos os lobos que ficam ao seu lado enquanto ele começa a falar em um outro idioma, parecendo contar uma história.

***

Acordei até que relativamente bem, tirando o corpo meio dolorido estava tudo bem, me sentei olhando tudo ao redor, olhei o relógio digital no criado mudo ao lado da minha cama e ele marcava quatro da tarde.

Nossa, dormi muito, acho que precisava relaxar, o sonho ainda estava bem vivo na minha cabeça, eu estava curiosa sobre aquele homem que parecia nos conhecer, e a forma como ele pegou o Dean em seu colo, parecia real, mas sonhos são somente sonhos, e eu realmente agradeço por ter tido um sonho calmo finalmente, e por ter visto meu Dean.

Pelo menos nos meus sonhos meu filho irá sempre existir e sempre estaremos bem. Acho que está na hora de fazer uma coisa que venho adiando.

Me levanto, troco de roupa, mas um cheiro familiar está em meu corpo, o cheiro enjoativo e cadavérico de Edward não mais existia em mim, ele foi substituído pelo cheiro que não quero nunca mais deixar que saia do meu corpo, o cheiro do Jacob.

Fecho meus olhos, mais cedo ele cuidou tão bem de mim, como antes, adormecer nos seus braços era uma das melhores coisas e acho que era isso que faltava para que eu tivesse um bom sono.

Decidida e forte, saí do meu quarto e caminhei até o quarto do Dean abrindo a porta e verificando cada coisinha. Carinhosamente comecei a recolher suas coisinhas, começando pelos brinquedos, ele não voltaria, ele não mais brincaria ou usaria aquelas roupinhas, então porque manter tudo isso aqui?

-O que está fazendo Isabella?

Me volto para a porta onde vejo o Jacob me olhando.

-Acho que não temos mais porque deixar isso tudo aqui, Dean não vai mais voltar Jacob.

Ele caminha até a mim.

-Eu gostaria de manter tudo como está. — ele para me olhando. -Se for doloroso para você eu entendo, mas eu... Eu sei que ele não vai voltar, mas gostaria de deixar tudo como está até que aqueles desgraçados paguem.

Ele me olha intensamente, sua expressão é tranquila, mas seu olhar é penetrante, parece querer mais de mim.

-Eu entendo Jacob... Tudo bem então.

Ele sorri e, para o meu espanto, me abraça carinhoso, ficamos assim por um tempo até que ele se afasta.

-Ei, está melhor?

Eu sorrio confirmando numa meia careta.

-Sim... Um pouco dolorida, mas estou bem... Tão bem que estou morrendo de fome.

Nós rimos juntos.

-Tudo bem... Que tal uma omelete de queijo do jeitinho que você gosta?

Nós caminhamos para a cozinha, o clima está ótimo, Jacob e eu começamos a cozinhar, ele faz omelete e eu o suco, quando está tudo pronto ele arruma a mesa e afasta uma cadeira para eu sentar.

-Madame... – ele diz e eu me sento rindo.

-É impressão minha ou o senhor está todo galante?

-Não posso tratar você bem? Ok, então vou te maltratar... Mulher, levante daí e vá fazer um sanduíche para mim!

Nós rimos, eu bato nele o chamando de bobo. Começamos a comer e isso realmente é muito bom, a omelete do Jacob é maravilhosa, mérito da Emily que o ensinou.

Batidas na porta ecoam e o Jacob fica sério, só poderia ser os meninos.

-Sam chegou.

Jacob e eu fomos até a porta onde abrimos e ele entrou, estava sério e um pouco ofegante.

-Acharam alguma coisa Sam?

-Nada, o desgraçado sumiu, seguimos o cheiro dele até fora da casa, mas ele sumiu, achamos que ele tenha fugido de carro.

-Que merda! — Jacob diz e eu também lamento por isso, aquele maldito.

-Precisamos nos reunir, você sabe que com a volta deles o jogo começa e precisamos estar alertas. — Sam diz ao Jacob que confirma.

Jacob e ele combinam em reunir todos na casa do Sam. Jacob foi se arrumar e eu fui atrás também, vestindo um jeans e calçando um par de tênis.

-Onde pensa que vai? — ele me pergunta e respondo ainda amarrando os cadarços.

-Na casa da Emily.

Ele vem até a mim, e eu o olho parado em minha frente sem camisa e meus olhos vão para o seu peito forte, descendo pelo seu abdômen definido e eu suspiro.

-Acho que você deveria ficar descansando, hoje foi muito agitado para você. — ele diz preocupado e sem ao menos eu notar Jacob se ajoelha em minha frente e toca delicadamente meu rosto, olhando os machucados e vejo uma expressão de dor nele, seu toque quente parece aliviar mais a minha dor, tem o poder de me curar.

-Estou bem, eu quero estar junto com vocês... Por favor.

Jacob dá um meio sorriso e me surpreende beijando meu rosto e eu fecho os olhos ao contato de seus lábios na minha pele, ele ficou ali um longo tempo, sua barba por fazer me arrepiando, involuntariamente eu o abraço e ele retribui, eu beijo seu pescoço e ele se arrepia, mas logo se afasta de mim.

-Me deixa terminar de me vestir, você já está pronta.

Eu concordo meio desgostosa por nosso contato ter sido quebrado, estava tão bom.

Logo estávamos indo à casa do Sam, Jacob assim que saímos de casa segurou minha mão e eu sorri feito boba, fazia tanto tempo que não andávamos assim de mãos dadas, dedos entrelaçados, me lembrei de Bisa e de seus ensinamentos de que tudo há um porque, depois de algo ruim algo bom pode vir, e eu acredito e rezo para que esse ataque do Edward tenha ajudado a nos aproximar, tenha de alguma forma mexido com esse novo Jacob, com esse lobo, e que finalmente a gente se acerte.

Chegamos e estavam todos reunidos, Emily vem me abraçar carinhosamente, assim como Rachel e Kim. Estavam todos presentes, inclusive Kevin, o senhor Ateara, Billy e o senhor Cameron.

-Acho que o melhor a fazer seria retirar todos da reserva. – Kevin disse e depois se voltou para mim. –Bella, filha que lamentável isso que aconteceu, Deus do céu, você teve muita sorte.

Eu sorrio.

-Não foi apenas sorte, tive uma amiga muito corajosa. — olhei para Ângela que sorriu ficando vermelha e recebendo um beijo do Quil.

-Agiram como duas guerreiras isso sim, enfrentaram o desgraçado sem medo, como duas companheiras de seus alfas. – o senhor Cameron fala sorrindo, Jacob me olha, sua expressão fica pensativa, mas Sam começa a reunião.

-Apesar de achar também muita coragem das meninas, devemos falar do que faremos daqui por diante, com a volta dos Cullens, e esse ataque já mostra que nossa batalha vai começar, é certo que eles vão tentar um contato com a sanguessuga que ficou.

-Rosálie era a companheira de um deles, é certo que ele venha vê-la, provavelmente nem sabe que ela está nos ajudando, isso pode ser um ponto positivo para nós. — Quil disse.

Jacob limpou a garganta...

-Sim, podemos pegar um deles, mas eles estão em algum lugar escondidos, eles estão aqui, mas não virão agora, se eles quisessem já teriam nos atacado, é como um jogo de xadrez, paciência. — Jacob disse olhando para todos.

A reunião prosseguiu, estabelecendo rondas e uma vigia mais intensa na casa da Rosálie, Sam trouxe um mapa de toda a reserva feito por ele mesmo mostrando pontos onde ele encontrou que os Cullens poderiam entrar e sair, o que daria mais trabalho aos meninos, e Jacob se preocupou com isso, a matilha poderia ser pega de surpresa, pois com tantos pontos de entrada ficaria difícil de vigiar todos.

Sam esperava que os Cullens não soubessem desses acessos, pois nenhum dos lobos conheciam, nem ele próprio que já patrulhava essas terras sozinho antes dos meninos se transformarem.

Nós meninas ficamos à parte, Ângela ate fez menção em falar algo sobre as pesquisas, mas Quil dizia a ela que aquilo não significava nada então com um olhar disse a ela para se calar, ela entendeu e assim fez, mas eu já estava pensando em fazer uma reunião somente nossa das meninas, e nos juntarmos para vasculhar tudo sobre essa ordem, a Asetian KA.

Todos foram embora, mas nós continuamos ali, Jacob sentou ao meu lado e eu segurei a sua mão, ele me olhou e deu um leve sorriso.

-Ai não acredito, gastei todo o meu sabonete líquido e esse cheiro não saiu ainda. — Ângela reclamava, fazendo o Sam a olhar seriamente.

-Meu amor, eu nem sinto mais nada... É impressão sua. — Quil lhe dizia, mas o Sam veio até ela a olhando.

-O que você está sentindo?

-Eu sei lá, só sei que é um cheiro horrível, parece enxofre, cheiro de gente morta, nunca senti nada igual, tomei dois banhos e isso não sai de mim. – Ângela suspira.

Eu a olhei estranhando que eu também senti esse mesmo cheiro em mim, e com certeza era do Edward.

-Quando isso começou? — o Sam perguntou e eu comecei a falar.

-Depois do ataque, eu também senti esse mesmo cheiro em mim.

-O cheiro do desgraçado. — Jacob disse com um rosnado e começou há tremer um pouco, Sam começou a ponderar, depois olhou para a Emily, e começou a falar mais consigo mesmo do que conosco.

-Talvez as marcando passamos nossos genes...

-Sam, o que foi? — Emily pergunta, nós todos o olhamos curiosos, Sam muda sua expressão para uma quase divertida.

-Acho que esse ataque do sanguessuga fez os genes de lobo desenvolver nas meninas.

Nós olhamos assustadas.

-Como é que é?

-Não será da mesma forma que o nosso, vocês não vão se transformar em lobas, mas quando as marcamos nós dividimos nossos genes com vocês, está na saliva em contato com o sangue e etc... Assim como mudamos e nos transformamos por causa dos sanguessugas, vocês também tem esse gene ativado em vocês, daí vem à coragem de vocês duas o atacarem e o fato de estarem sentindo o cheiro dele. Não sei o que mais vocês podem desenvolver, agilidade, força, audição, não sei, mas o certo é que se Ângela e Bella sofreram essa ativação do genes todas vocês que foram marcadas também sofrerão.

Olhávamo-nos assustadas, Jacob também me lançou um olhar assustado e eu sorri, assim como as outras, também tínhamos uma ligação com eles definitiva.

-Quer dizer que... Oh meu Deus... Nós não vamos envelhecer... — Rachel disse animada e todas nós rimos, enquanto os meninos faziam caretas e reviravam os olhos. Mas tirando a parte engraçada, eu e Ângela nos olhamos cúmplices, pois isso significava um ponto a mais para nós.

Nós iríamos entrar nessa briga contra os sanguessugas, literalmente.

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Os dias viraram semanas e tudo voltou a ser como antes, a mesma calmaria louca, os lobos se mantinham calmos, graças ao senhor Cameron que passou a ser o tranqüilizador da matilha, acalmando os nervos de todos, sua experiência como combatente de guerra era válida, pois passava à matilha a experiência que tinha com tais jogos de guerra, o inimigo muitas vezes te vence no seu psicológico. Era claro para Cameron que os sanguessugas faziam uma guerra mais psicológica do que física, atacaram uma vez e recuaram como se nada tivesse acontecido, isso desestruturava o inimigo, pois se mantinham sempre alerta por não saber em que momento poderia haver um outro ataque, Cameron conhecia bem isso e procurava passar ao Sam que consequentemente repassava aos líderes Quil e Jacob que entendiam tudo, os deixando tranquilos e consequentemente eles passavam tranquilidade para toda a matilha.

Mesmo assim a matilha intensificava mais os treinos, e as rondas eram longas, pois tinham que patrulhar um perímetro maior, o desgaste físico começou a ser inevitável, as refeições eram mal feitas e o tempo de descanso passou a ser de algumas horas, ou às vezes, como no caso de Jacob nem isso, e por mais que o lobo fosse durão ele começava a ceder.

Apesar de o cansaço ser o fator principal Jacob tinha ainda um outro ponto que era o coadjuvante da história, mas que também ajudava a mantê-lo mais distante de sua casa, e esse coadjuvante tinha a forma de uma mulher de cabelos longos, pretos e um par de olhos chocolate que o perturbavam, com sua afronta, seu olhar penetrante doce e, o que o enlouquecia, a sua petulância... Ah, a petulância junto com aquele olhar de desafio que não o temia, que parecia lhe chamar para uma “queda de braço”, e que contrastava formando um conjunto perfeito com a sua fragilidade e delicadeza, o que lhe rendia um apelido dado a ela secretamente, o lobo a havia apelidado carinhosamente de “minha adorável diabinha”... Pois dentro dele ela fazia um verdadeiro inferno com seus sentimentos.

Mas havia algo nisso a acrescentar, mesmo ele a desejando como um animal a sua fêmea, mesmo ele tendo momentos em que desejava invadir o banheiro e possuí-la loucamente, ele não podia fazer isso, não era ele, o humano, o Jacob, e sim a besta dentro dele, o lobo, não seria amor e sim sexo, desejo e pura luxúria, e essa coisa toda se tornou pior depois das características lupinas que começaram a aparecer nela, além de sua coragem estava outro bem perigoso e que enlouquecia esse lobo, o aroma que ela emanava, um cheiro de fêmea, rústico, forte, como das especiarias indianas, como o doce mel, ela emanava isso e enlouquecia o lobo, que passava de predador para sua presa, e ela nem imaginava que tinha esse poder sobre ele, e ele esperava que ela não descobrisse isso. Mas era pura ilusão, a diabinha sabia que mexia com ele, por isso sempre tomava seus banhos com a porta entreaberta dando a ele a tentação de olhá-la, ela fazia de propósito quando dormia e encostava seu traseiro macio contra a ereção dele.

Mas como fugir não adiantava, ele voltava na maioria das vezes tarde da noite ou pouco antes do amanhecer, e via o pequeno corpo mal coberto deitado tão sereno e indefeso, às vezes ele a tocava suavemente, e a abraçava a envolvendo protetoramente, claro, era isso que ele dizia a si mesmo e tentava se convencer de que o fato de ele abraçá-la por trás, encostando o máximo nela, era apenas uma forma de proteção... Mas todas as vezes que ele não aguentando mais ia até o banheiro e aliviava durante o banho seu tesão, e quando a sensação melhorava, quando o coração acalmava, era sempre a mesma coisa:

“Merda, estou parecendo um moleque virgem.”

Ela fingia não saber de nada, fingia não ver seu olhar devorador sobre ela, fingia não saber o que ele fazia durante o banho, e sempre fingia estar dormindo quando ele chegava e a abraçava encaixando o corpo dela ao dele, e ela queimava ao sentir o desejo, a forma como ele suspirava forte, os movimentos talvez involuntários dele contra ela. Mas ela também o provocava.

Por mais que desejasse se virar e colar suas bocas e acabar logo com aquilo, ela sabia que não era o momento certo, a indiferença era a sua arma, isso o deixava louco e ela sabia, por muitas vezes ria internamente.

O relacionamento entre Bella e Jacob era bem melhor do que antes, parecendo até que o ataque de Edward a ela teve um ponto positivo, aliás dois, um de que ela e Jacob, ou melhor, o lobo tiveram uma trégua, há semanas não brigavam, há semanas estavam relativamente bem, ele só não gostou quando Bella apareceu no treino uma vez, aquilo o deixou bravo, mas nada parecido com as outras explosões de raiva do lobo, era apenas uma pequena bronca, mas por pura proteção, o lobo do Jacob adquiriu um comportamento mais protetor, o acusador de antes há tempos não aparecia e ela se sentia até mesmo feliz com a proteção excessiva dele.

Ela estava gostando desse novo Jacob, não só pela proteção, mas a nova característica que o lobo impôs era extremamente sexy para ela, seu olhar era bem mais penetrante, avassalador e predador, ele passou a deixar a barba por fazer, nada exagerado e sim algo leve que lhe dava um ar cafajeste como dizia Rachel. Jacob ficou mais forte, seu jeito de andar era também diferente, másculo, duro, não que isso não existisse antes, mas nessa fase era algo mais rústico, mais macho alfa.

O outro ponto positivo nisso tudo, e não menos importante, foi as novas características que ela e Ângela adquiriram, o olfato mais apurado, tinham um pensamento mais rápido, não sentiam frio, pois assim como os meninos elas também passaram a ter uma temperatura mais alta, a visão também melhorou, mas a única coisa que persistia em Bella era a sua parte desastrada, parecia que isso era definitivo, os dois pés esquerdos que Jacob tantas vezes dizia que ela tinha continuavam lá, e ela ainda caía quando descia os degraus da escada da casa de Charlie.

-Nem tudo é perfeito. — ela dizia.

Isso fazia Jacob rir de seu comentário e lhe dizer:

-Ainda bem, detestaria que tivesse mudado a minha Bells desastrada.

Ele logo se encolhia percebendo o que tinha falado e mudava de assunto indo para a ronda e ela ficava rindo feliz diante do comentário dele.

As pesquisas continuavam, claro que agora mais difícil, pois estavam enclausuradas na reserva, proibidas de sair, ir a outro lugar que não fosse na companhia de um dos rapazes e francamente nenhum deles tinha a mínima paciência em ficar numa biblioteca, com isso elas continuavam a procurar tudo, mas pela internet.

Emily, Kim e Rachel se juntaram a elas nas buscas, com mais pessoas pesquisando mais coisas elas poderiam encontrar.

Era noite de sábado e Bella estava em casa sentada diante de seu notebook, não era muito tarde, passava um pouco das 19h00min quando a porta se abriu tirando sua atenção, por ela entrou um Jacob que praticamente se arrasta até o sofá e se joga nele fechando seus olhos, ele já estava na ronda a 36 horas direto, pouco havia descansado e se alimentou mal esses dias.

Seu corpo já sentia o cansaço, assim como os demais, aconselhado pelo Cameron, Sam reuniu a todos da matilha dividindo horários e dando algumas folgas, na ronda de hoje ficariam Jared e os caçulas do bando Seth, Brady e Collin, logo Sam também se juntaria a eles, Jacob não gostou muito da ideia, mas seu corpo dolorido e cansado o convenceu bem rápido, e lá estava ele sentado em seu aconchegante sofá.

Bella prontamente se levantou indo até ele acariciando seus cabelos.

-Está péssimo. — ela lhe disse com pesar, mas ele ainda tentava dar uma de forte.

-Estou bem, só preciso ficar aqui um pouco e já melhoro.

Os afagos dela estavam tão bons, tão relaxantes que ele recebeu de bom grado.

-Não está não, está cansado Jake, você está a mais de 24 horas acordado, quando foi a sua última refeição?

Ela estava preocupada com ele, seus olhos vasculhavam o corpo dele a procura de algum machucado, mas foi os olhos vermelhos dele que o denunciou.

-Comi antes de vir na casa da Emily, só preciso ficar quieto um pouco.

Bella ficou um pouco mais aliviada, ela sabe muito bem que Emily não iria deixar Jacob e os demais saírem de sua casa com uma refeição mixuruca, foi quando ela resolve tentar algo mais.

-Que tal relaxar um pouco? Você toma um banho quente, eu pego um filminho pra gente, faço uma pipoca. Uma noite caseira para nós dois.

Jacob manteve os olhos fechados, mas o cérebro processou muito bem as informações recebidas e analisando bem tudo, ele achava que até seria bom.

-Sua proposta é tentadora. — ele disse ainda tentando parecer indiferente, Bella sorriu.

-Podemos ver a trilogia do Senhor dos Anéis e comprei coca-cola, podemos trocar a pipoca por uma pizza gigante.

Era o golpe que faltava, Jacob abriu um olho.

-Você sabe como me convencer e isso é perigoso.

-Yep, um a zero para Isabella Swan. — ela levantou as mãos em alegria e ele riu.

-Pega a coca-cola que eu peço a pizza. — Jacob disse, Bella se levantou feliz indo até a cozinha para preparar tudo, pratos, talheres, copos, cantarolando uma música qualquer, em sua mente começou a arquitetar um planinho, com sorte ela poderia convencer Jacob a junto com esse pacote de noite caseira receber uma boa massagem, e com isso quem sabe algo mais pode acontecer.

Jacob pegou o telefone junto com o controle da tv a ligando com uma mão enquanto com a outra discava o número da pizzaria, do outro lado da linha a voz da atendente soou, ele voltou sua visão para o canal em que a tv estava enquanto fazia o pedido, mas seus olhos foram presos pela notícia escrita na tela da tv o que o fez perder totalmente a ideia do pedido e focalizar na notícia.

“Ainda não foi encontrado o ônibus que transportava 20 prisioneiros da detenção de Seattle...”

A medida que ele leu a notícia a voz da atendente ficou ecoando junto com o telefone no ar até que Jacob o desligou apertando no controle da tv o volume máximo.

“A polícia ainda não tem pistas do ônibus que saiu da detenção de Seattle, o ônibus transportava cerca de 20 presos...”

A mente de Jacob trabalhava rápido, a cada informação que ele ouvia ele montava ligações e mais ligações e então tudo explodiu em sua cabeça, ele ficou pasmo vendo o noticiário, prestando atenção e analisando bem em sua mente, para ter certeza de que não estava tendo um surto paranóico.

-Jake você já pediu a pizza? — Bella voltou para a sala, da cozinha ela começou a ouvir nitidamente o som da tv que era bem potente, estranhou por Jacob aumentar e muito o volume, mas talvez seja para dar um clima melhor para o filme, ela voltou para a sala para dizer a ele que acrescentasse uma garrafa de vinho ao pedido, quando ao falar com ele foi interrompida com um pedido de silêncio, e ficou o olhando imaginando o que de tão interessante tinha naquela notícia.

Ela podia ver as engrenagens na cabeça do Jacob trabalhando e acompanhou o modo que ele estava em transe olhando o noticiário, mas explodiu voltando a realidade pegando o telefone, ele a olhou, sua expressão fechada, onde ela viu o lobo presente.

-Liga para o seu pai, procura saber dessa história.

Bella procurou nem discutir muito, pegou seu celular e discou, um, dois, três, cinco toques e um policial atendeu.

-Delegacia de Forks.

-Oi Thomas, é a Bella, meu pai está?

-Ei Bella, está sim, mas está uma confusão dos diabos aqui, não sei se ele pode te atender, um minuto.

Bella olhou para Jacob que está andando de um lado para outro da sala com o telefone colado ao ouvido falando com Quil.

-Está vendo o noticiário?

-Não, acabei de sair do banho.

-Então veja!

Bella se manteve na linha, seu coração batendo rápido a medida que Jacob lhe deu um olhar preocupado.

-Conseguiu falar com o Charlie? — Jacob lhe pergunta, ela apenas fez um não com a cabeça.

-Nos já vimos isso antes Quil, lembra da sanguessuga ruiva, do exército de recém-criados, pois bem irmão, acho que estamos vendo a mesma peça de novo.

-Bella seu pai pediu para você ligar depois se não for importante... Bella?

O policial falava do outro lado da linha, mas Bella não o respondia, começou a passar um filme em sua mente, e vendo o noticiário na tv que falava do tal desaparecimento dos presos, ela se lembrou das pessoas que desapareceram na época em que sua cabeça estava a prêmio, e logo um calafrio passou por sua espinha, ela só poderia pensar uma coisa, os Cullens tiveram uma professora... Victoria.

Passariam todo aquele inferno de novo, ela e Jacob... Não poderia ser.

-Bella, falou com seu pai?

Jacob falava de um lado, o policial a chamava do outro a fazendo voltar a realidade.

-Thomas diz ao meu pai que eu vou até aí.

-Você que sabe Bella, mas isso aqui está uma loucura, acho melhor você não vir, o Chefe Swan não vai poder te dar atenção.

-Só avise ao meu pai.

Ela desligou ao mesmo tempo em que Jacob marcava com Quil para se encontrarem na delegacia, Jacob foi em direção ao banheiro tomando um banho rápido, o corpo já estava alertado e mesmo ele sentindo cansaço isso não era hora para isso, começou a se vestir quando Bella também invadiu o quarto indo ao seu armário e pegando também uma roupa.

-Onde você pensa que vai? — ele a repreendia e Bella não lhe dava atenção, continuava a se vestir.

-Estou indo com você.

Ele até poderia protestar, mas no fundo Jacob sabia que o lugar mais seguro para Bella era ao seu lado, debaixo de seus olhos.

*********

Tudo que Quil e Ângela sonharam durante meia hora era ter uma noite de sábado tranquila, somente os dois, ele iria levá-la a uma lanchonete perto da praia de La Push, depois iriam para um lugar tranqüilo e isolado, e ficariam no carro namorando e com toda a sorte e poder de sedução que ele tivesse ele usaria para quem sabe fazerem algo mais do que ficar vendo a lua, as estrelas e o mar, ele admitia que tinha suas fantasias sexuais com sua companheira, muitas delas ele deixava para ficarem bem escondidinhas na sua mente safada, mas algumas ele tinha com ela e sua tara mesmo era namorar no carro, aquela pegação realmente o deixava muito excitado, há pessoas que tem taras em ver uma mulher fumando, outras por pés, já ele tinha em um gostoso amasso no carro e hoje não seria diferente.

Ele torcia para que ela resolvesse usar algo com melhor acesso, tipo um vestido... Sim, aquele branquinho de alcinhas, que tem exatamente quatro botões na frente, ele os abriria devagar enquanto ela faria aquela manha de menininha comportada, falando aquele não arrastado e meloso, mas que nas entrelinhas era um sim, que acompanhava com um "para Quil", um beijo bem calmo, bem lento e molhado.

-Ok, pare de pensar nisso ou não vamos sair daqui hoje. – Quil disse a si mesmo, ele entrou em seu quarto vendo que o tal vestido era substituído por uma calça jeans. Certo, ele iria dar seu palpite masculino.

-Angs está uma noite tão quente, porque não veste aquele seu vestido?

Ela o olhou desconfiada, mas com um sorrisinho dançando no rosto, sabendo bem o porquê do pedido dele, sabendo que todas as vezes que ela colocava aquele vestido ele ficava todo aceso.

-Aquele que você me deu de presente com segundas intenções? — ela o conhecia bem, Quil caminhou até ela sorrindo.

-Eu? Angs eu só comprei porque achei que ele ficaria lindo em você.

Mas Ângela o conhecia como a palma da sua mão, até se surpreendia a maneira como o conhecia, não tinham nem um ano juntos e ela já sabia tudo, todos os seus gostos, tudo que o deixava feliz, triste, preocupado, até mesmo seus desejos mais íntimos.

Ela sorriu indo até ele, ficando na ponta dos pés para lhe envolver o pescoço com seus braços e sorriu contra os lábios dele.

-Apenas isso Quil? Achei que era por outro motivo.

É claro que ele não se entregaria tão fácil.

-A verdade é que eu precisava roubar você do seu outro namorado.

Bom, isso não era uma total mentira, ela lhe beijou os lábios sorrindo e depois os mordeu e isso tirou um gemido dele.

-Vou colocar o vestido.

Ele sorriu, hoje eles teriam a noite deles, tudo estava perfeito até o telefone tocar, uma voz dentro dele dizia que a paz tinha acabado, e Ângela sabendo disso se jogou nos braços dele.

-Hum pudinzinho, não atende.

Ela era covarde por chamá-lo dessa maneira, mas ele precisava atender, suspirando ele deu o último selinho nela e se dirigiu até a sala onde atendeu ao telefone, do outro lado da linha um Jacob com uma voz nervosa dizia para ele ligar a tv, Quil ainda mantendo o telefone no ouvido ligou a tv vendo o noticiário.

“Todos os policias das regiões próximas estão trabalhando na recaptura desses prisioneiros...”

Que diabos, ele pensou, Jacob estava louco, mas Quil leu mais uma vez a chamada da matéria no alto da tela, e sentiu sua nuca arrepiar quando Jacob lembrou da época da sanguessuga ruiva, de como ela organizou seu exército.

-Quil me encontra na delegacia.

-To indo.

Quil voltou imediatamente para o quarto indo se vestir rapidamente, Ângela o olhou assustada diante de seu comportamento.

-Quil, o que aconteceu?

-Era o Jacob, mudanças de planos, vamos ter que cancelar nosso passeio. — Quil disse enquanto colocava uma calça jeans e calçava o par de botas.

-O que está acontecendo? — Ângela mais uma vez perguntou.

-Não sei ao certo, mas estou indo na delegacia encontrar o Jacob.

Ele não queria dizer nada a ela, sem saber realmente se o que ele e Jacob imaginaram poderia ser verdade e ele esperava que não fosse.

-Eu vou com você. — Ângela disse, e mesmo que Quil insistisse para ela ficar seria em vão, pois dentro dela ela sabia que o que estava acontecendo era relacionado aos sanguessugas.

*******

-Você está falando merda Brady, como pode comparar o Call of Duthy com o Batllefield, o multiplay do Battle é muito melhor, veja os gráficos.

-Ah Seth, digo a você que o Brady está certo, veja as últimas premiações, o Call foi o mais vendido.

A ronda era animada com uma discussão dos novatos e Seth, tudo envolvendo jogos, eles já haviam falado de uns vinte jogos e Jared já estava ficando maluco com aquele papo de moleque. Não que ele detestasse jogos, mas Brady e Collin o irritavam profundamente, mesmo estando de boca fechada o que jamais acontecia, e ainda se juntaram com o outro tagarela chamado Seth.

Ele só queria que os três calassem a maldita boca deles por cinco minutos, mas a discussão iria longe, eles praticamente divergiam de tudo.

-E você Jared, qual você prefere? — Seth perguntou a ele, irritado Jared falou...

-Resident Evil 5.

-Ah sim! Está aí um jogo muito bom!

E então começaram uma nova discussão sobre o jogo... Droga, e ele tinha dito aquilo para encerrar a conversa.

Eles patrulhavam e tudo parecia bem calmo, a lua cheia ajudava a clarear as coisas, até agora tudo em ordem.

-Ei Jared poderíamos dar um pulo no rio? Estou com sede. — Collin pediu acompanhado dos outros dois, mas antes que ele respondesse Brady gritou:

-O último que chegar é a mulher do padre.

Os três lobos dispararam enquanto Jared ficou para trás resmungando consigo mesmo.

-Filhotes... — ele bufou, mas admitiu que também sentia sede, logo ele chegou à margem com os meninos, mas eles não bebiam água e Jared estranhou, olhavam para um ponto à frente na margem.

-Ei Jared veja aquilo. — Seth mostrou a Jared mais a frente em uma parte do rio em meio a troncos caídos estava algo bem grande, não parecia um barco, Jared olhou melhor com sua visão lupina e pôde constatar que era uma parte de algo um caminhão talvez.

-Mas que merda é aquela? — ele disse tentando ver melhor, ainda em forma de lobo ele começou a andar na direção daquilo. -Se mantenham atentos.

Seu pêlo arrepiou a medida que ele chegava mais perto, mas antes ele parou olhando melhor, e era sim a traseira de um ônibus ou o que parecia ser.

-Caramba, parece um ônibus pequeno. — Seth dizia a ele, Jared olhou tudo em volta estranhando tudo, aquilo não era confiável.

-Vamos vasculhar o local e estando tudo limpo a gente se aproxima mais... Mas se mantenham alertas.

Eles vasculharam tudo, nada suspeito, nenhum cheiro de sanguessuga, então parecia tudo bem, Jared e os outros voltaram agora para mais perto do que parecia ser um ônibus e ficaram olhando, Jared voltou a sua forma humana vestindo sua bermuda, assim como os outros.

-O que faremos?

-Vamos avisar o Quil. — Jared disse, era o mais certo a ser feito, contatar o irmão e ver o que eles poderiam fazer.

******

Em Forks a noite de sábado era bem calma e tranquila, bom para quem apenas queria namorar, como era o caso de Rachel e Paul.

Caminhavam tranquilamente, foram a um restaurante italiano, beberam um bom vinho e decidiram caminhar um pouco, Paul ainda se mantinha em seu luto, sua tristeza era visível a todos, mas procurava seguir em frente, tudo graças a Rachel que sempre estava ao seu lado, e também não podendo deixar de lado Billy, que o recebia de bom grado em sua casa, e até mesmo concordava em algumas vezes Paul dormir lá, e é claro que Paul e Rachel nunca faziam nada para desrespeitar essa confiança dada por Billy e também o respeito de sua casa.

Como Paul sempre diz... "Sou um tranqueira, mas tenho respeito herdado de meus antepassados e também passado de meu pai a mim.”

Caminhavam abraçados falando besteira e sorrindo como nos velhos tempos, até que pararam perto do carro de Paul onde ele se encostou e a trouxe enlaçada pela cintura até ele, colocando as mãos no peito dele enquanto ele tirava mechas de cabelo de seu rosto.

-Fazia tanto tempo que não ficava assim com você. — ele disse a surpreendendo, e tirando dela um lindo sorriso.

-Essa noite está tão perfeita Paul, queria que ela se repetisse mais.

Ele suspirou sabendo que estava em falta com ela, ele já não era mais o mesmo que ela conheceu.

-Já não sou mais o mesmo Rachel, aquele Paul acho que nunca mais vai voltar, mas mesmo que eu não esteja feliz, farei tudo para fazer você feliz. — ele lhe disse sinceramente, a falta do Dean o matava pouco a pouco, mas antes que ele morresse pela falta dele cumpriria sua promessa, ele faria os sanguessugas pagarem caro, cada um deles, é por isso que ele vivia.

-Você sempre será o meu Paul Pateta.

Paul sorriu depositando um beijo em seus lábios, selando com um eu te amo dito por ele, Rachel não alimentava a tristeza dele, pelo contrário, ela fazia de tudo para que ele sorrisse, e para ela era uma vitória cada sorriso dado por ele.

-Nós podemos esticar essa noite. — ele propôs a ela que lhe lançou um olhar feliz.

-Qual seu plano? — ela perguntou.

-Poderíamos ir até um lugarzinho mais reservado. — ele disse a fazendo arrepiar, afinal de contas Paul a vendo sempre tão disposta a vê-lo sorrir novamente, percebeu o quanto estava com saudades da intimidade com sua companheira.
-Eu ia adorar. — ela respondeu feliz com um sorriso lindo e isso mexeu ainda mais com a libido do lobo.
Então Paul resolveu levá-la ao hotel onde eles tiveram sua primeira vez, seria uma forma de fazê-la se sentir especial. Ele a beijou com paixão e depois entraram no carro ligando-o para ir rumo ao lugar escolhido, estavam conversando, Rachel tinha um auto-astral, um bom humor maravilhoso, uma marca dos Black, ela brincava com ele, o fazendo se sentir um menino alegre e seu humor estava leve, o que era uma nova vitória conquistada por sua companheira.
-Vamos onde estou pensando? — perguntou.
-Sim. — ele respondeu com um lindo sorriso.
Ela lhe devolveu o sorriso com a admiração estampada no rosto, Paul sabia que aquele local significava muito para ela, lá eles se amavam, se entregavam sem reservas ao amor e ao desejo que sentiam. Porém, quando estavam de saída Paul olhou adiante vendo algo que lhe chamou a atenção, seu instinto lupino fez o sinal de alerta ficar ao máximo, ele acionou novamente o carro olhando na direção de uma rua que ficava do lado esquerdo de onde ele estava e foi quando ao olhar para a tal rua piscou seus olhos algumas vezes para ter certeza de que não estava tendo uma visão. Com a visão privilegiada de um lobo, viu passando em sua frente, o olhando e lançando um sorriso sínico, um dos sanguessugas assassinos de seu menino, seu pança, como ele carinhosamente chamava Dean.

-Rachel eu quero que fique aqui no carro. — ele lhe disse praticamente rosnando, a expressão mudada.

Rachel ficou assustada, em um momento ele estava bem, rindo e namorando e agora estava cheio de raiva.

-O que está acontecendo? Paul... Paul..

Ela chamava enquanto ele saía do carro correndo em direção a onde o sanguessuga havia entrado.
Ao se aproximar da rua notou que teria que se controlar mais, pois a rua era movimentada e ele não poderia correr o risco de se transformar, ficou ainda mais cauteloso, o sanguessuga havia entrado em uma rua e Paul rapidamente correu também para o mesmo local, o que foi o seu erro, pois assim que chegou lá viu que era na verdade um beco sem saída, ele foi surpreendido por dois frios que o seguraram tão rápido quanto ele pôde notar a presença deles.

-Ora, ora, ora, quem chega até nós! — disse Jasper.

-Desgraçado, eu vou te matar, miserável. — falou entre dentes tentando se livrar dos sanguessugas que o seguravam.

-Calma grandão, não se preocupe, você terá sua chance de tentar nos matar. — respondeu Emmett que saía das sombras indo até ele.

Paul tentava se soltar dos braços dos inimigos, rosnava, fazia de tudo, mas parecia que ele estava preso numa armadilha, tal era o domínio com que os sanguessugas o seguravam.

-Vamos brincar com este também? — um que o segurava perguntou.

Emmett riu rodeando Paul e o olhando, seus olhos vermelhos.

-Não... Esse é meu, nós temos contas antigas para acertar, não é?

Emmett aproveitando que os sanguessugas seguravam Paul pegou uma barra de ferro jogada perto de um tambor de lixo e bateu com força no meio das pernas do lobo que urrou de dor e caiu.

-Arg! Desgraçado.

Emmett riu.

-Não parece tão durão agora, hein... — Emmett segurou forte o cabelo de Paul.

-Você com esse bando de filhos da mãe também não é tão durão... Vem no mano a mano comigo seu bosta e aí você vai ver uma coisa.

Emmett olhou para o irmão e os outros, Jasper e os demais sanguessugas riram.

-Vocês, seus desgraçados, tiraram a minha Rosálie de mim...

Paul riu.

-Acredite, ela está bem feliz do nosso lado, agora ela tem homens de verdade... Se é que você me entende.

Emmett trincou os dentes de raiva e esbofeteou Paul.

-Acha isso engraçado? — Emmett segurou o pescoço de Paul. -Esse seu risinho... Essa sua valentia... Eu vou te torturar tanto que você vai gritar implorando pela sua morte.

Mas o pior ainda estava por vir.

-Olha quem eu achei perdida no carro, não poderíamos deixar ela fora da festa, não é... Rachel. – Edward apareceu com Rachel e Alice e caminhando ao lado deles estava o Carlisle.

Paul ficou vendo Rachel sendo segurada pelo restante da família Cullen, diante dele estavam todos os assassinos de seu menino, e dentro de si ódio e temor por Rachel o inibiam de tomar uma outra atitude.

-Você não ouse fazer mal a ela, seu desgraçado, eu te acho nem que seja no inferno. – gritou Paul.

-Calma cachorro, nós não vamos fazer nada ainda com ela. – respondeu Alice, dando entonação mais forte na palavra ainda.

-Acostume-se cão, pois assim que exterminarmos todos da sua maldita raça e fizermos tapetes com suas peles, nós faremos cada fêmea de vocês nos servirem, elas serão nossas concubinas. As tomaremos como se tomam cadelas no cio. — disse rindo o Edward.

-Vocês mataram minha adorada Esme e acham que não vão pagar por isso? Que as suas fêmeas, sua maldita raça, não vai pagar por tudo? — falava o médico com o olhar de ódio.

Novamente o lobo o olhou, ele se revoltava por não poder se transformar ali, mesmo naquele beco não poderia, por que seria impossível não chamar a atenção e tudo o que ele menos queria era um problema com proporções épicas naquele curto espaço.

-Vocês são covardes o suficiente para não nos encarar individualmente, só são os poderosos com pessoas indefesas, como criança e mulheres, seus malditos. — gritava o Paul.

Quando ele disse isso, Emmett deu um soco na barriga de Paul, que o fez arriar e cuspir sangue, ao mesmo tempo em que começaram a bater nele, ele não conseguiria revidar, já que os outros o mantinham preso.

-Paul! Parem! Parem por favor! – Rachel gritava.

-Shhh... Quietinha... — Edward dizia cheirando o pescoço de Rachel. -Será que o Jacob vai ficar muito bravo se a gente bater no cunhadinho dele e brincar com você, hein Rachel?

As lágrimas desciam pelo rosto de Rachel, ela via impotente os sanguessugas batendo no Paul, ela gritava para eles pararem e chamava o nome dele. Olhava tudo aquilo com angustia, mas logo a angustia deu lugar ao ódio, como ela desejou naquele momento ser uma loba ou qualquer outro ser sobrenatural para poder ajudar Paul a exterminar aqueles monstros que ali estavam, ela lembrou do que eles fizeram com seu sobrinho e como seu Paul ficou entre a vida e a morte e de repente ela foi tomada por um sentimento que não sabia definir.
Rachel começou a sentir o ódio aumentar, seu corpo parecia querer entrar em ebulição, pois um calor começou a subir por sua espinha, a face dela mudou de desespero para uma raivosa.

Rachel rosnou ao mesmo tempo em que se impulsionava rapidamente para trás surpreendendo Edward e Alice, fazendo com que Edward batesse contra a parece, foi o suficiente para que com a surpresa eles a soltassem.

-Ora, vejam só que surpresa! — gritou Carlisle.

Os outros frios olharam com espanto se distraindo o suficiente para Paul mesmo muito machucado se recuperar, se soltando, batendo nos demais vampiros, Emmett veio para cima dele, mas Paul mesmo ferido era ágil e desviando dele também o esmurrou com toda a força que tinha, Alice urrou indo para cima dele, mas Paul a pegou imobilizando seu braço e o quebrou jogando a sanguessuga no fim do beco onde ela bateu com toda força.
Rachel foi para o lado de Paul e os vampiros vieram à frente deles.

-Eu vou enfrentá-los enquanto você tenta escapar Rachel.

-Não vou sair daqui sem você.

Carlisle assistia a tudo rindo, não era sua intenção uma luta naquele momento e sim apenas uma reuniãozinha com velhos amigos, ele chamou seu grupo.

-Já chega, demos nosso recado, vamos embora antes que os humanos venham para cá. — os chamou e eles saíram, talvez surpresos com a atitude da fêmea do lobo, porém antes de irem o líder deu um aviso: -Eu gostei muito de rever vocês amigos, mas temos que ir... Nossa festinha será melhor quando todos os convidados estiverem presentes.

-Estaremos esperando por isso. — Paul respondeu com um tom cortante.
Ao verificarem que os frios sumiram da mesma forma como apareceram, Paul se deixou cair, Rachel foi até ele se debruçando em cima de Paul, que parecia não aguentar ficar de pé.

-Paul... Fala comigo amor. — a adrenalina baixou e Rachel voltou ao normal, agora desesperada com o estado de Paul. -Eu vou buscar o celular, já volto.

Rachel correu até o carro trazendo-o para a frente do beco, não se importando com nada o estacionou em cima da calçada, ela foi até o Paul que já estava sentado.

-Estou melhorando... Bendito seja você fator de cura. — ele disse com um sorriso tentando tranquilizá-la. Rachel se abaixou jogando o braço de Paul por sobre ela para que ele se apoiasse, e caminharam juntos até o carro onde a porta do passageiro estava aberta, Paul a segurou pelo braço e a abraçou e ambos queriam saber como cada um estava.
Paul estava machucado por causa da briga, nada grave, Rachel desvencilhou de seus braços pegando o celular que estava na bolsa no banco de trás do carro e discou o número de Jacob, suas mãos tremiam e no terceiro toque ele atendeu.

-Alô... — respondeu Jacob.

-Jacob, Deus, Jacob. – a voz dela era trêmula e chorosa enquanto Rachel via Paul se encostando no banco, ele fechava os olhos e respirava forte, havia sangue em sua camisa, um corte no supercílio e na boca, ela mal conseguia falar.

-O que houve? Rachel... Rachel... — Jacob tinha um tom alterado, sentindo que algo havia acontecido.

-Eu e o Paul fomos atacados pelos Cullens. — respondeu sua irmã.

-Onde vocês estão?

Rachel olhou em volta para se localizar vendo que estavam próximos da sorveteria.

-Em um beco próximo a sorveteria... Vem depressa Jake.

Ela desligou chorado indo até Paul, beijando seu rosto, aliviada que ele apesar de machucado estava vivo e logo ficaria bem.

Rachel sentou em seu colo se mantendo abraçada a ele, que envolveu sua cintura, seus punhos sangravam dado a força que tinha desferido os socos, mas estava melhorando, o que importava para Paul é que Rachel não tinha sofrido nada.

*****

A delegacia estava uma grande confusão de repórteres, policiais de outras cidades.

Charlie não teria descanso tão cedo, Thomas entrou com a xícara de café para o Chefe Swan, e ele agradeceu por isso, encostou suas costas no apoio da cadeira e fechou seus olhos ao constatar que o café estava quente e fresco. Sua cabeça doía.

Batidas na porta o tiraram de seus segundos de descanso, era bom demais para ser verdade, Thomas entrou dizendo que Charlie tinha visita e o semblante do velho chefe de polícia brilhou ao ver que era sua Bells com uma caixa de rosquinhas nas mãos.

Bella conhecia bem o pai para saber que não poderiam chegar assim como quatro malucos fazendo milhões de perguntas, Charlie não era tolo e contra o faro de um policial para encrencas eles não poderiam lidar.

Seu plano seria passar em uma lanchonete e comprar algo para o pai comer, e enquanto isso iria lhe fazendo perguntas sutis, ela e Ângela explicaram tudo aos dois lobos, que teriam que se controlar.

Charlie recebeu a filha e o genro com um abraço.

-Acho que cheguei em boa hora. — Bella disse balançando a caixa com rosquinha diante do chefe que sorriu com isso, eles sentaram e começaram a conversar, apesar da confusão ele não deixaria sua filhinha sem atenção.

Começaram a conversar coisas banais, e isso fazia Jacob e Quil começarem a ficar inquietos, Ângela olhava os repreendendo, mas pouco adiantava.

Cansado de conversar Jacob resolveu ir logo ao que interessava, perguntando sobre o desaparecimento dos prisioneiros.

Charlie contou a eles o que sabia, não havia motivos para esconder aquilo de seu genro, até porque Jacob e Quil deram a desculpa de que os prisioneiros poderiam acabar indo até a reserva e eles precisavam ficar alertas, isso foi o bastante para convencer Charlie que enquanto atendia os demais policiais e ligações deixou Jacob, Quil, Bella e Ângela em sua sala vendo as fichas de cada detento.

-O ônibus iria para o Manicômio Judiciário. — Bella olhava as fichas e pensava porque eles escolheriam tais pessoas. -Todos são assassinos, psicopatas, seriais killers, olha esse cara Enzo, ele foi condenado por vinte assassinatos, com requintes de crueldade extrema.

Quil e Jacob sabiam a resposta daquilo.

-Seriais killers são conhecidos por sua inteligência em ludibriar as autoridades, vejam os casos, todos cometeram mais de dez assassinatos. -Jacob disse e Quil seguiu sua linha de raciocínio levantando e caminhando.

-Claro, eles não querem correr o risco de transformar pessoas normais, pois podem haver alguma que se revolte contra eles, já esses caras são recheados de maldade e transformados em vampiros essa maldade triplica. — eles se olharam.

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Quil olhou para Ângela e viu estampado no rosto dela medo, ela sabia que os Cullens viriam com tudo para cima dos lobos, eles queriam isso, queriam que os lobos sofressem, e para isso eles escolheram o que há de pior.

Jacob viu as mãos de Bella tremerem segurando as fichas, podia ouvir o coração dela disparado, estava com medo, por ele, pelos lobos, ele não hesitou em ir até ela a abraçando, Bella o abraçou fortemente, sentiu medo, dessa vez não era apenas ela.

-Shhh... Está tudo bem, até parece que não confia no lobo mau, hein... Esses caras são um bando de baratas perto de mim, e eu vou pisar neles.

Jacob dizia tentando tranquilizá-la, mas Bella sabia que agora o tempo estava contra ela e as meninas, precisavam a todo custo saber sobre algo desses vampiros, um ponto fraco para que pudessem ajudar seus lobos.

O silêncio da sala foi interrompido pelo celular do Quil que tocou, ele olhou no visor vendo o nome do Jared.

-Fala Jared.

Jared e os outros conseguiram tirar o ônibus do rio, e verificaram que estava tudo cheio de lama, parecia que tinha sido jogado de uma ponte, pois a sua frente estava com vidros quebrados e amassado, os jovens lobos queriam abrir a porta e verificar o interior, mas Jared lhes disse que não deveriam mexer em nada, apenas limparam a lama da lateral vendo com surpresa a identificação do ônibus.

"Manicômio Judiciário..."

-Mas que diabos! — ele exclamou alto. -Quil nós encontramos algo bem estranho aqui no rio, perto da ponte da entrada da cidade.

Quil nem imaginava o que seria.

-O que é?

-É um ônibus do manicômio judiciário.

-Beleza Jared, espera a gente aí.

Quil desligou o celular olhando para o Jacob, droga, não queria falar aquilo na frente das meninas, aquilo só iria preocupar mais elas, mas Jacob o conhecia bem para saber que algo bom não tinha acontecido.

Mas antes que Jacob perguntasse algo foi o seu celular que tocou.

Era Rachel dizendo que ela e Paul foram atacados, Jacob desligou o celular dizendo a ela que estava a caminho.

-Rachel e Paul foram atacados pelos Cullens.

Bella e Ângela se levantaram preocupadas e Quil esmurrou a mesa.

-Merda! Jake, o Jared achou o ônibus, está na margem do rio perto da ponte da entrada da cidade.

Jacob olhou para Bella e Ângela, depois para o Quil.

-Tudo bem, nada de pânico... Quil vai até o Jared ver isso, eu e Bella vamos pegar minha irmã e Paul e levá-los para a reserva.

*****

Rosálie abriu a porta da mansão com alegria, já sabia quem era a visita, como uma boba correu até seu quarto jogando um pouco de perfume, até parece que isso mudaria seu cheiro para ele, mas pelo menos disfarçaria.

E quando ela abriu a porta foi surpreendida com uma sacola de presentes com um laço de fita vermelho o decorando.

-Papai Noel veio mais cedo esse ano. – disse Embry com um sorriso. Durante uma ronda ele passou na casa dela, educado como sempre, perguntando se estava tudo bem e se ela necessitava caçar, Rosálie respondeu que a única coisa que precisava era de novos romances, pois os dela já tinha lido mais de uma vez.

Então ele lhe disse que conseguiria novos livros, a mãe dele era uma colecionadora de romances, e muitos deles ela nem lia mais, com uma conversa com ela não foi difícil ela reunir alguns para dar a Rosálie e com a promessa que depois separaria mais.

Só existia um pequeno problema chamado Leah, ela não gostava nem um pouco da forma como Rosálie se comportava com os meninos, principalmente com Embry, o que acarretava algumas brigas, na última ela o colocou de castigo, sim ela era muito brava, e como não queria problemas ele disse a Leah que iria descansar e que depois a veria, ela não criou nenhum tipo de problema, por último passou na casa da Emily comendo um pouco e avisando que iria na casa da Rosálie e que Leah não poderia saber, resolveu não se transformar, pois Leah poderia ver na mente de um dos caras que ele foi até a casa de Rosálie.

Rosálie o convidou para entrar e ele mesmo achando que estaria ferrado acabou entrando, sentando no sofá da sanguessuga e vendo-a abrir o presente eufórica.

-Oh, eu nunca li nenhum desses... Obrigada Emb. — ela o chamava assim, um apelido carinhoso que acarretava muitos rugidos vindo de Leah, a verdade é que ela o achava uma gracinha, sua educação, sua forma atenciosa com ela. Isso para ela fazia com que Embry se destacasse dos demais.

Sentou ao lado dele sorrindo.

-Adoro romances e você? — ela começou o assunto, Embry deu de ombros.

-Não sou fã desse tipo de coisa.

Ela chegou mais perto, sorrindo.

-Você tem cara de ser romântico.

Ele ficou um pouco envergonhado e isso a fez pensar em como ele era uma gracinha.

-Depende do que você chama de romântico, não sou do tipo que manda flores, mas gosto de passear de mãos dadas debaixo de chuva, gosto de pular do penhasco e nadar ao lado da Leah, gosto de ser bobo quando estou com ela, pois adoro vê-la sorrir.

Os olhos dele brilhavam quando falava da companheira e ela sentiu uma inveja por isso, nunca tinha visto esse brilho nos olhos de Emmett, nem Alice, Jasper ou qualquer outro de sua raça, o modo carinhoso como ele se referia a Leah... Rosálie percebia que nunca foi amada.

Mas algo mudou o comportamento do lobo, ele havia se enrijecido, seu faro começou a captar um cheiro que ele não conhecia, Embry farejou mais o ar percebendo que havia perto dali uma outra pessoa, ou melhor, um outro sanguessuga.

Embry caminhou até a porta seguido de perto por Rosálie.

-Consegue farejar? — ele perguntava a loira que também sentia o cheiro.

-Sim, me parece o Eleazar.

Embry começou a caminhar para onde vinha o cheiro e isso foi ficando mais forte, na cabeça de Rosálie ela se perguntava o que Eleazar fazia lá, esperava que ele tivesse bom senso em não ter se juntado a Carlisle, mas na verdade era pouco provável, já que os dois eram amigos de longa data.

Embry e Rosálie caminharam até verem uma espécie de corpo deitado, Rosálie não conseguiu saber quem era, mas era humano pelo cheiro.

-Não sei quem é aquele, mas é humano Embry. – ela disse.

-Fica aqui me dando cobertura, eu vou até lá.

Embry caminhou com cautela até o corpo caído, enquanto Rosálie o olhava atentamente, faltavam poucos passos, Embry parou olhando para os lados, não via nada, seu olhar foi para Rosálie que fazia um sinal de que estava tudo bem, a floresta estava bem escura, o olfato e audição prontos para captar o mínimo de cheiro ou ruído possível, Embry então foi mais confiante até o corpo.

Sem esperar pelo que aconteceria, ele não teve tempo, a armadilha para urso se fechou em sua perna o ferindo, e amortecendo seu corpo imediatamente ele começou a ser arrastado numa velocidade sobre humana.

-Embry! — Rosálie gritou correndo atrás dele, mas dois sanguessugas se colocaram diante dela, a impedindo de continuar.

*****

Sam estava em casa quando o telefone tocou, era Jacob que falava com ele, não dizia coisa com coisa.

-Sam, Sam... Eles estão criando novos sanguessugas, estão aqui em Forks, Sam...

-Jacob calma, você não está dizendo coisa com coisa... — Sam disse, tentando entender o que Jacob falava, ao fundo ele ouvia a voz alterada do Paul, o choro da Rachel.

-Jacob o que está acontecendo?

-A Rachel e o Paul foram atacados pelos sanguessugas, nós descobrimos que os prisioneiros que sumiram... Droga Sam, os malditos estão envolvidos nisso.

-Como eles estão?

Sam olhou para Emily, ela estava com um semblante assustado, colocava a mão em seu peito, sentia um aperto no peito, ela sempre foi ligada aos meninos, sempre os tratou como filhos.

-Rachel está assustada, mas tanto ela quanto Paul estão bem.

Sam soltou a respiração em alívio.

-Voltem para a reserva. — ele ordenou olhando para Emily vendo sua aflição.

-Nós vamos deixar as meninas na reserva, você nos encontra lá onde o Jared está, o Quil ia para lá, mas ele veio ver como o Paul estava antes.

-Tudo bem, vocês voltem todos para a reserva e vamos juntos até o Jared.

Jacob encerrou a ligação e Sam olhou para Emily, estava preocupado.

-Jacob descobriu que os sanguessugas estão transformando pessoas para a guerra.

Não adiantava esconder isso dela, Emily foi até ele que estava apoiado com uma mão na parede, ela sentia que algo estava errado, seu pensamento foi para Embry. Emily olhou nos olhos de Sam que a olhava demonstrando um sorriso, tentando tranqüilizá-la.

-Não se preocupe, vamos todos ficar bem, já passamos por eles uma vez, passaremos novamente Em.

Sam a abraçou depositando um beijo carinhoso em sua cicatriz, mas não era somente isso que a preocupava.

-O Embry... Ele foi sozinho na casa da Rosálie.

Sam ficou a olhando, tentou esboçar calma, mas uma voz dentro dele deu o alerta..."Vai atrás dele."

A expressão do Sam foi mudando até assumir a seriedade, decidido a ir atrás do Embry.

-Liga para o Jacob, fala para ele pegar o Jared e os meninos e virem todos para cá... Eu vou atrás do Embry.

Sam saiu como um louco correndo em direção a casa da sanguessuga, só esperava que estivesse tudo bem. Mas não estava.

Embry era arrastado pela floresta, seu corpo batendo contra troncos e pedras e por mais que tentasse se transformar ele não conseguia, ele era puxado muito rápido, até que parou.

Estava muito ferido, sua perna doía muito pelo ferimento que a armadilha fez, até que ele começou a ouvir alguém cantar...

-Um lobinho perdido na floresta... Quando apareceu o caçador....

E uma risada sádica.

Embry virou a cabeça de um lado e do outro vendo sanguessugas vindo de ambas a direção até ele, caminhando tranquilamente como caçadores diante de sua presa indefesa e ferida. Sua respiração acelerou um pouco, estava muito ferido, sua boca tinha um gosto de sangue, ele se virou começando a se arrastar numa tentativa de pelo menos se apoiar em um tronco para ficar de pé e tentar lutar.

“Que meu espírito se una em paz aos dos meus antepassados, meus pecados são muitos, eu sei, mas não me deixe vagando no limbo, não deixe que a minha alma se perca...” Ele orava, enquanto se arrastava um dos vampiros pisou na corrente que estava presa na armadilha e foi usada para puxá-lo, ele podia ouvir no meio do silêncio nitidamente o trincar da corrente o impedindo de continuar. "E abençoem dando o conforto a quem eu deixo... Que assim seja."

Um sanguessuga bem vestido se abaixou em sua frente o olhando, Eleazar o olhava sem pena, ele viu o garoto indefeso em sua frente levantando o rosto para ele o encarando, em nada lembrava o lobo que matou Esme, antes ele poderia até sentir piedade, mas agora, depois da morte de Esme ele concordava com Carlisle.

-Já fez sua oração garoto? – o vampiro o perguntou parando em sua frente colocando o pé sobre seu ombro como se pisasse em uma barata, um rato.

Embry abaixou a cabeça vencido, fechou os olhos vendo as imagens de todos os que ele amava, seus irmãos, sua mãe, seu avô, Sam, sentindo uma lágrima escorrer em lamento por nunca ter dito ao Sam o que queria, nunca disse que queria que eles fossem mais do que irmãos lupinos, queria poder sentar ao lado do irmão que tem o mesmo sangue, e conversar sobre como era o avô, se em alguma pequena coisa um trejeito ele era parecido, queria poder ter sido mais irmão, mais amigo. Agora era tarde.

E por último sua companheira... Leah... Lembrou de quando a viu pela primeira vez e a desejou, de como foi seu primeiro beijo, a primeira vez deles, momentos felizes, e algo o deixou mais triste, ele deveria ter ligado para ela antes de sair, para lhe desejar uma boa noite e lhe dizer um último eu te amo.

Tantas coisas passam em nossas mentes em uma fração de segundos, diante de nossos olhos um filme rápido, mas que contém tantos momentos especiais em nossa vida.

O sanguessuga pega a corrente, ele ouve seu tilintar metálico, e tal qual como antes rapidamente ele é puxado para o centro da roda de sanguessugas que se formou, indo para cima dele e o atacando sem lhe dar defesa, dando a Embry tempo de falar um último nome antes de seus gritos...

-Leaaahh!

*****

Leah estava com sua mãe conversando na cozinha enquanto ela a ajudava a secar as louça, elas riam lembrando dos bons momentos em família, seu sorriso aumentou mais quando escutou seu nome sendo chamado, ela já sabia quem era. Leah foi até a porta abrindo-a feliz, mas logo viu que não tinha ninguém, nenhum sinal de Embry, pensando ser alguma brincadeira dele olhou tudo do lado de fora, mas nada, apenas silêncio. Então ela voltou para a cozinha encontrando Sue que a olha sem entender.

-O que houve? — Sue lhe pergunta, Leah mantém uma expressão intrigada.

-Engraçado... Pensei ter ouvido o Embry me chamar.

Sue sorriu.

O coração de Leah bateu rápido, uma sensação ruim, algo parecia não estar certo, uma vontade de chorar e uma mais enorme vontade de ver o Embry. Ela já tinha terminado sua ajuda na cozinha e foi até o telefone ligando para a casa dele, prontamente a mãe de Embry atendeu com sua voz animada.

-Oi Alisson...

-Olá Leah, como está?

-Bem, obrigada... O Embry já acordou? — ela perguntou, Embry havia lhe dito que iria descansar um pouco.

-Ele não está em casa, foi até a casa da Emily.

Ela agradeceu, achando estranho que ele não tenha ligado para ela até o momento, ele sempre ligava.

Leah foi até a mãe dizendo que iria até a casa da Emily e já voltava, se despediu com um beijo e se foi, resmungando que ele iria receber uma bronca por não ter ligado.

******

Sam estava em forma de lobo e podia sentir o cheiro dos sanguessugas, ele correu rápido encontrando Rosálie em uma luta com um deles que ao perceber a presença de Sam correu, o lobo se aproximou da sanguessuga, ela estava desesperada, pois havia ouvido os gritos de Embry.

-Embry... Eles estão matando-o. — ela gritou e ambos saíram correndo, desesperados, os sanguessugas já haviam sentido o cheiro de Sam e saíram em disparada rindo divertidos, quando Sam e Rosálie chegaram viram a cena.

Sam voltou a sua forma humana vendo o irmão, os sanguessugas haviam o atacado, estava coberto de sangue e ele mal respirava.

Sam sentia o coração arder, caminhou até o irmão sem saber onde tocá-lo, sentia as lágrimas ardendo em seus olhos, ele se ajoelhou.

-Meu irmão... — ele sussurrou. -Meu irmãozinho.

Sam por fim acariciou os cabelos do irmão colando sua testa a dele depositando um beijo em sua testa, não contendo suas lágrimas.

******

Jacob, Quil, Bella e Ângela ligaram para Jared e disseram que ele fosse com os demais para a casa da Emily, deixariam os novatos juntamente com Seth tomando conta das garotas e voltariam até o local onde Jared achou o ônibus para investigá-lo.

Chegaram juntamente com Jared e os novatos.

-Cadê o Sam? — Jacob perguntou e viu nos olhos de Emily apreensão.

-Jacob, por favor, vão atrás do Sam.

-Calma Emily, o que está acontecendo? — Jacob a segurava com carinho.

-O Sam foi até a casa da sanguessuga, Jake, por favor vai atrás dos teus irmãos. — Emily fez um apelo desesperado, Jacob via nos olhos dela todo o temor, mas Leah entrou devagar pela porta olhando todos os irmão reunidos e seu coração apertou mais em não ver Embry ali com eles.

-Cadê o Embry? O que está acontecendo Emily?

Leah viu nos olhos da prima o temor dela, que passou a ser dela também, ela queria ver Embry, queria abraçá-lo e ver que ele estava bem, apenas isso.

Jacob deu um beijo na testa de Emily olhando para Bella.

-Tente acalmá-la, vamos atrás do Sam e logo voltamos.

Leah foi para junto dos irmãos.

-Jacob, cuidado amor. — Bella lhe disse, ele a olhou assentindo em silêncio e foi saindo com os irmãos, mas antes mesmo de saírem eles foram recebidos pela triste visão de um Sam que caminhava urgentemente, coberto de sangue, com o corpo de Embry em seus braços.

Notas finais
Uau... Até eu estou sem fôlego com esse capítulo, foi incrível né?! Esperamos que tenham gostado e que comentem ;)
E, em nome da Joyce e meu tbm, muito obrigada a Carla pela ajuda... *-*
Bjokas... May