O Uivo de um Alfa
8 Uma guerra entre raças.
Eu iria vencer aquela guerra nem que isso levasse minha vida embora, mas algo estava muito errado, estava muito silencioso e logo isso me fez ir até os computadores, olhei em todas as câmeras e não via ninguém fora de casa, não conseguia ver se havia pessoas nas guaritas de entrada e logo que ouvi um mínimo som atrás de mim me virei, estava de frente com um homem alto, os olhos dele eram cinzas e os cabelos longos caiam nas costas, ele estava nu o que me fez entender que ele era um lobo, ele estava me olhando e estava muito em silencio, dei um passo para trás e logo ele relaxou o corpo o que me fez relaxar também, mas aquele silencio estava me deixando inquieto então fui o primeiro a abrir a boca.
— Quem é você? – Falei de modo autoritário e ele respirou fundo.
— Ainda não conhece toda a sua matilha? – Eu lembrava da voz dele, ele falou logo que eu me transformei. – Sou Erick, irmão do John...
Depois que ele falou isso eu relaxei um pouco mais e comecei a andar para passar por ele, fiquei o olhando por sobre o ombro e logo ele virou o corpo lentamente, assim que ele fez isso entrou meu pai, tio Walter e John, quando eles entraram vi Erick começar a andar e ir em direção a John, quando ele se aproximava vi o que eu não imaginava, Erick ergueu a mão em punho e acertou em cheio o rosto de John que caiu para trás sem falar nada, quando comecei a dar passos para frente em direção aos dois meu pai me segurou e balançou a cabeça, então comecei a ouvir o que Erick falava.
— Seu desgraçado... Você deixou seu filho morrer por causa de uma fêmea defeituosa? Seu bastardo inútil... É por isso que o Nicolas passava mais tempo comigo do que com o próprio pai! – Aquelas palavras me subiram o sangue e meu corpo ardeu em raiva. – Não vai se defender?!
John não reagia, mas eu comecei a me aproximar de Erick e o puxei pelo ombro, não estava pensando, somente agia, logo dei um soco no rosto dele também, ele caia sentado no chão e minha raiva era enorme, meus olhos brilhavam lilases, meu rosto estava vermelho.
— Seu... Maldito... A “fêmea” defeituosa é minha companheira e sua ALFA, não quero que você desrespeite ela, Nicolas morreu por ABUSAR de uma fêmea e tentar MATA-LA, você acha que isso foi pouco?! – As palavras começavam a sair sem controle. – Porque se achar, vai ser mais um punido...
Depois de despejar as palavras em cima de Erick ele se levantou me olhando com pura raiva, por mais que ele fosse bem maior que eu e ainda por cima mais musculoso ele se conteve em fechar as mãos em punhos e ficar me olhando depois de muito tempo falou novamente.
— Essa matilha não é mais a mesma, preferia quando era o seu avo a liderar... Pelo menos ele não iria aceitar defeitos aqui... Você não tem nada de Kirian em você como todos falam.
Não deixei as palavras dele me abalarem, então somente sorri de lado, ergui a regata e deixei amostra a marca do alfa, os olhos dele fitaram aquilo e eu notei que ele oscilava, então falei em um que nunca tinha usado, era um tom que um verdadeiro alfa usava, algo na minha voz carregava autoridade e obediência, ele teria que se curvar a mim naquele momento.
— Porque você não cala a boca e mede o que vai falar antes Erick?! Acha que minha companheira é defeituosa? Defeituosa é sua mente que não se abre para coisas novas, você gostaria que sua companheira fosse abusada?! Ham?! Então se você não vai ajudar se isole em sua casa. – Assim que terminei de falar notei que a sala toda estava em silencio.
Quando me virei para os outros nenhum deles falou nada, suspirei pesadamente e caminhei até os computadores enquanto olhava as câmeras ouvi uma movimentação no local, mas nada eu disse, somente ficava em silencio olhando cada imagem que aparecia, até que cansei de ficar ali, me virei e dei de cara com John em pé me encarando, ele saiu do meu caminho e curvou levemente o corpo, aquilo fez minhas bochechas ficarem quentes, mas nada disse ainda, somente caminhei pesadamente para fora dali, quando pisei fora do portão meu corpo se transformou em um imenso lobo e eu uivei forte e alto, era possível notar que esse uivo fazia eco ao longe, quando me calei vi meu pai sair para fora da casa e me olhar, estreitei os grandes olhos para o mesmo e logo bufei, comecei a caminhar pela reserva, parava na horta para ver se minha companheira estava bem e me deparei com um olhar triste vindo dela, passei o focinho na perna dela e ela fez uma breve caricia em minha cabeça e suspirou pesadamente, ficava imaginando o porque dela estar daquele modo, mas não queria me transformar ali, então voltei a caminhar e deixei ela na horta, enquanto caminhava via varias outras pessoas curvarem o corpo levemente quando eu passava e isso não era interessante, eu era um lobo normal, não queria que eles fizesse reverencia para mim. Quando me dei conta já estava na praia da reserva, uma areia quente e branca estava abaixo das minhas patas, andava beirando a agua, sentindo ela bater em mim, a agua estava quente e convidativa a se entrar, mas não seria aquele dia que faria isso, o local estava vazio e eu ouvia somente o som das ondas se quebrando, meus olhos se fechavam enquanto eu caminhava, mas algo estava diferente ali, eu sentia uma energia que não vinha de um dos lobos e nem das crianças, algo ruim estava naquela praia, quando abri os olhos fitei tudo ao meu redor e nada vi, mas enquanto eu começava a correr pela praia via algo passar pelo canto dos olhos então parei e comecei a andar lentamente no local como se eu não tivesse notado, começava a mover minhas orelhas e captei o mínimo de uma conversa, talvez fosse ao celular ou não, então comecei a andar bem lentamente.
Enquanto andava, ouvia a voz de Erick e também a daquele professor que tentava atacar a minha matilha, enquanto andava achei uma pequena entrada em uma parte isolada da praia, quando olhei com o canto dos olhos vi que era uma pequena cabana escondida entre a areia, me contive para não rosnar então somente fiquei atrás da cabana, sem fazer o mínimo de barulho o que eu escutava me deixava em frenesi, eu queria matar aqueles dois malditos, naquele momento, mas não seria agora.
— Ele se acha forte professor... Somente se acha forte... – Ouvia a voz de Erick com um tom debochado.
— “Então acabe com ele logo Erick, acabe com ele e eu te darei o que quiser...” – Era o professor falando do outro lado da linha.
— Eu quero a fêmea dele, quero terminar o que meu sobrinho começou.
— “Hahaha! Você é um bom informante Erick...”
Ouvi a ligação se encerrar e isso me fez sair do meu torpor de raiva, sai dali o mais rápido que consegui, minha mente funcionava a mim e então abri ela somente para o meu pai o chamei de modo instintivo e rápido, quando ele respondeu eu parei no meio de varias arvores, minha respiração estava ofegante e meu corpo tremia de raiva.
— “Pai?!” – Falei com urgência para ele.
— “O que aconteceu Pedro?!” – Respondia o mesmo e notei que ele estava preocupado, o que me fez diminuir o tom.
— “Descobri uma coisa sobre Erick, quero vigia nele 24hrs por dia... Será que o Tio Walter consegue grampear o celular dele? Ou... Puxar as ligações dele?” – Perguntei brevemente e voltei a me mover de volta a casa do meu tio.
— “Pedro, não estou entendendo, o que você ouviu?” – Assim que ele falou isso deixei minhas memorias transbordar para ele. – “Estou perguntando para o seu tio se é possível.” – Depois dessas palavras eu fechei minha mente.
Voltava a andar em direção a casa do meu tio, quando cheguei lá entrei em forma de lobo e me sentei no meio da sala, quando eles viraram para me olhar, fitei John que além de estar com o rosto inchado do soco que havia levado, ele carregava um pedido de desculpas pelo irmão e por tudo que estava para acontecer, deixei um suspiro escapar e esperei eles falarem.
— Puxamos todas as ligações do Erick e ouvimos a ultima que... Dizia que ele queria a sua fêmea... Ouvimos algumas também sobre onde eles poderiam atacar sem ser interceptados antes e agora sabemos como e quando eles vão atacar, estou reforçando a segurança... E armando melhor nossos homens, iremos começar a selecionar alguns dos nossos homens, primeiro eles estão passando por uma busca para sabermos quem mais aqui tem ligação com esse professor maldito, precisamos descobrir o que eles querem com a nossa raça e ao mesmo tempo temos que lutar contra nós mesmos... – Falava meu pai com um peso imenso nos ombros para admitir
— Estou tentando entender qual o motivo de Erick para se rebelar dessa maneira, mas acho que é pela morte de Nicolas, estou também juntando informações sobre esse tal professor, em uma das ligações ele informa que a organização dele é uma tal de Fênix a fachada é sobre tratamentos de pele e rejuvenescimento... O que da a entender que eles querem nossos genes para que seja feito um “medicamento” para alguns dos problemas que nós somos imunes, como por exemplo o envelhecimento precoce... – Essa parte eu não sabia, olhei meu pai e ele abaixou a cabeça enquanto John continuava falando. – Sabemos também que eles conseguiram fazer dois dos nossos em laboratório, sendo um deles Sarah e o outro o irmão dela, mas o que não temos nem ideia são como eles geraram esses dois... Será que Sarah consegue nos ajudar? – Perguntou por alto.
— Temos mais um problema, descobri que as nossas câmeras estão sendo acessada de outro local fora da reserva, e o que é mais bizarro ela vem do antigo endereço da casa de vocês, mas pelo que sei... Quando saíram nos fizemos a limpa na casa de vocês e não restou nada. – Falava Tio Walter enquanto ergui as orelhas.
De imediato algo veio a minha cabeça, lembrava de como havia deixado a minha antiga casa sem ao menos querer e como havia deixado Fernanda para trás, isso deu um estalo na minha mente, meu corpo se transformou rapidamente e eu não me importava mais na nudez, meus olhos lilases se voltavam para todos e logo falei com uma ideia que julgava ótima até aquele momento.
— Preciso voltar em casa... Na nossa antiga casa, posso usar Fernanda como desculpa... Assim Erick nunca iria desconfiar... – Falei enquanto já imaginava que teria de conversar com Sarah...
— É uma boa ideia de fato filho... Você poderia levar Sarah com você e dizer que ela é uma prima do nordeste... E que está mostrando a cidade de São Paulo para ela, a casa ainda é nossa só está fechada. – Falou meu pai e essa ideia me agradou, não disse nada.
Assim que meu pai terminou de falar meu corpo se transformou novamente, comecei a correr em direção a horta e quando cheguei fiquei olhando Sarah, ela entendia minha urgência então se transformou também, mas ela nada dizia, começamos a correr para a nossa casa dentro das arvores, assim que chegamos e voltamos a forma humana, não me contive, minhas mãos foram a nuca dele e iniciamos um beijo quente, começava a descer as mãos pelo corpo dela e a direcionando pela cama, quando chegava na mesma a fazia deitar e começava a beijar o pescoço dela, ouvia a respiração acelerada dela e isso me deixava alegre, comecei a descer os beijos pelos seios dela e continuei descendo até o umbigo dela, quando cheguei ao local subi o corpo novamente ficando sobre ela, virei o corpo dela rapidamente a fazendo ficar por cima de mim, fiquei a olhando, logo estávamos fazendo amor, sentia ela toda por cima de mim, meus olhos se fechavam enquanto nos movíamos em um ritmo que somente nos dois tínhamos, minhas mãos tinham necessidade dela, precisava sentir a pele dela na minha, logo a puxei para mim e cheguei ao meu êxtase assim como ela, voltava a beija-la com intensidade, mas aos poucos separávamos o beijo, meus olhos estavam dilatados assim como os dela, ela sorriu de modo bobo e falou pela primeira vez.
— O que deu em você Pedro? – Perguntou de modo ofegante enquanto sorria.
— Precisava de você minha companheira e preciso te contar uma coisa. – Falei baixo fazendo meu rosto roçar no dela.
— Que coisa? – Falou baixo ao pé do meu ouvido.
— Precisamos ir para São Paulo, resolver uma coisa sobre essa guerra toda. – Falei agora a olhando nos olhos.
— São Paulo? – Não falei nada somente fiz um sim com a cabeça para a resposta dela.
Quando fiz isso ela suspirou pesadamente e escondeu o rosto junto ao meu pescoço que me proporcionava um arrepio que descia pela espinha rapidamente me fazendo tremer, ela me abraçou e eu retribui o abraço, ficando colado a minha companheira, ela parecia estar pensando sobre o que falei e isso realmente começou a me deixar impaciente, queria que ela respondesse logo o que eu havia falado, precisávamos sair logo dali para que pudéssemos resolver logo essa brigar, queria ter uma família com ela, imaginava filhos correndo pela casa e gritando de um lado para outro, seria a melhor coisa da minha vida, estava tão preso em pensamentos que mal ouvi ela respondendo minha pergunta.
— Tudo bem então, vamos a São Paulo... Quando saímos? – Quando ela respondeu um sorriso se abriu aos meus lábios e logo comecei a me levantar da cama.
— Tudo indica que agora.
Quando terminei de falar estendi a mão para ela e ela segurou a mesma, os olhos dela se fechavam por uma fração de tempo e logo a puxei para junto do meu peito a beijei novamente e levei o rosto ao pescoço dela onde depositei um delicado beijo sobre a pele dela, assim fiz isso ela me olhou tímida e fui me vestir, minhas roupas estavam na casa dos meus pais e seria aquelas que eu levaria.
— Sarah, você tem roupas na sua casa? Faça uma mala se tiver, caso não iremos comprar roupas novas em São Paulo para você. – assim que falei ela me olhou e sorriu colocando um short jeans e uma blusinha branca.
— Não tenho roupas... Para viajar, então, vamos as compras lá. – Ela parecia uma criança quando falou aquilo o que me fez rir um pouco.
— Certo, certo... Vamos fazer comprar... Va arrumar as suas coisas partimos logo. – Assim que falei ouvi um bater na porta.
Caminhei até a porta e a abri, quando fiz isso dei de cara com a minha mãe, ela sorria de modo misterioso e me entregava duas mochilas, uma era a minha e a outra era rosa o que indicava que era de Sarah, olhei para minha mãe e os olhos dela se encheram de lágrimas, logo a abracei com tanta força que quando notei meus olhos estavam lacrimejando, eu funguei levemente e a olhei enquanto sorria.
— Já está tudo pronto, John vai levar vocês até São Paulo... A viagem é longa e já esta escurecendo, então vocês podem ir dormindo no banco de trás crianças... – Quando ela falou daquele modo deu a entender que eu ainda tinha 7 anos de idade.
— Mãe não somos mais crianças... – Ouvia Sarah rir lá do quarto com isso, mas não me contive e sorri para ela que ergueu os ombros levemente.
— John está esperando vocês na frente da casa do Tio Walter. – Falou ela e logo deu passagem para mim.
Sarah estava atrás de mim, coloquei minha mochila nas costas e a de Sarah eu carregava nas mãos, estava descalço ainda e Sarah também, fomos andando por uma trilha em meio as arvores, estava em completo silencio enquanto andávamos, meus olhos brilhavam com certa ansiedade do que estava por vir, assim que chegamos a frente a casa olhei todos que estavam ali e sorri levemente, não disse nada somente me aproximei do carro e abri a porta de trás entrando lentamente, logo atrás de mim entrava Sarah, ao entrar ela se sentava e encostava a cabeça no meu ombro, coloquei as mochilas do meu lado e suspirei ao ver John entrar e se sentar no banco do motorista. Abri minha mochila e de lá tirei um par de chinelos e coloquei nos pés, fiz o mesmo na mochila de Sarah, peguei os dela e coloquei no chão, ela automaticamente vestiu os mesmos.
Não demorou muito para que John saísse com o carro e assim que ele saiu da frente da casa do tio Walter, não demorou muito para que ele pegasse a estrada, meu corpo estava tão cansado e minha mente funcionando tão rápido que eu não sabia o que fazer então observei minha companheira, ela estava encostada em mim e estava dormindo já, então me deixei levar e fechei meus olhos, não demorou muito e também cai no sono.
Quando abri meus olhos, olhei pela janela e vi que ainda estávamos na estrada, mas aquela parte eu conhecia, estávamos entrando em São Paulo, respirei fundo e vi que Sarah estava acordada e olhando pela janela, ficava imaginando o que se passava na cabeça dela naquele momento então deixei minha cabeça tombar para trás, senti ela se aconchegar novamente ao meu corpo e isso me arrancou um doce sorriso, quando senti o corpo dela me aquecer, a puxei para um abraço e ali ficamos, quando notei estávamos dormindo novamente, quando acordei foi com a voz de John nos chamando.
— Crianças, chegamos... Vamos acordem... – Ele falava com um tom de voz desligado e de quem está muito cansado.
Assim que abri os olhos me estiquei rapidamente e olhei pela janela, estávamos na frente da nossa antiga casa e muitas lembranças me atingiram naquele momento, assim que Sarah acordou saímos do carro, eu estava carregando as mochilas e John abriu a porta, por estar noite, cada um foi para o seu quarto, mas claro, Sarah havia ido para o meu, quando ela entrou soltou um leve riso por olhar meu quarto, estava quase tudo a mesma coisa, somente mudava que agora ele estava arrumado, estendi a mão para ela e a puxei para a cama, nos cobrimos e caímos no sono novamente, estava ansioso para o que poderíamos descobrir em São Paulo, mas para conseguir agir, teríamos de dormir.
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