O Uivo de um Alfa

6 Lembranças de um Alfa.


Não sei por quanto tempo dormi, mas sentia meu corpo dolorido em todas as partes, sentia o peso de outro corpo sobre o meu e isso me dava a melhor sensação do mundo, sabia que era minha companheira a reconhecia pelo cheiro de cerejas que ela deixava no ar, quando abri os olhos me assustei e tentei me mover, aquele não era o quarto que eu estava e aquela sobre o meu corpo não era a minha companheira, o estranho era que eu não conseguia me mover, até ouvir uma voz no fundo da minha mente.

— “Se acalme Pedro, deixe-me te mostrar algumas coisas...” – assim que a voz sessou eu tentei relaxar, mas a pergunta veio antes de eu conseguir segura-la.

— “Quem é você?” – falei sem pensar enquanto ouvi uma risada grossa em minha mente e novamente ele falou.

— “Preste atenção e saberá quem eu sou.” – Assim que ele falou isso me calei e comecei a prestar atenção no que acontecia.

Talvez eu estivesse sonhando, mas não era o meu corpo ali e sim um homem forte e de pele bronzeada os cabelos longos e negros até o meio das costas a mulher sobre meu corpo tinha os cabelos curtos e aparentava ter sido cortado com uma tesoura cega ou qualquer coisa cortante, ela estava dormindo e eu estava velando o sono dela, aquele homem estava realmente preocupada com a mulher que até então estava tranquila sobre o corpo, mas logo ela se mexeu e eu senti como se fosse a mim mesmo, os olhos dela se abriam e eles eram idênticos aos de Sarah, azuis, mas de um azul único que somente ela tinha, ela ficou me olhando e se aproximou para um delicado beijo que foi retribuído, quando ela separou o beijo e se levantou, ela sentou na beirada da cama que era feita de algum tipo de pele, as costas dela estavam nuas e isso provavelmente indicava que ela estava completamente nua, mas algo nas costas dela chamou minha atenção, aquela marca que tinha em meu corpo e agora no corpo de Sarah, ela havia me falado algo sobre selar nossa união, mas eu estava exausto de mais para lembrar.

— “A marca dos companheiros... Essa é a nossa marca de alfa...” – falou aquela voz em minha mente e suspirei agradecendo a informação.

Ela tossiu fortemente o que fez meu interior tremer e temer por ela, me movimentei até ela e a abracei pelas costas sentia o corpo dela tremer rapidamente e ela ergueu o rosto com um sorriso opaco e tristonho, ela desviou os olhos e isso me deixou angustiado, rocei o rosto no pescoço dela e a barba grande roçava no pescoço dela, ela riu brevemente e se encolheu um pouco, ela parecia com dor e minhas mãos desciam para a barriga dela, quando dava conta sentia um chutar e olhava para baixo a barriga dela de gravida estava grande e parecia estar próxima a nascer, ela riu quando sentiu o movimentar com meu toque e sua voz saiu fraca mas parecia um pouco animada.

— Nosso filhote está por vir meu companheiro. – a voz melodiosa dela encheu meus ouvidos e eu suspirei enquanto acariciava a barriga dela novamente. – Mas não sei se vou viver para cria-lo...

— Não diga isso Ester... Você vai melhorar até lá... – quando falei isso os olhos dela brilharam rapidamente e ela abaixou os olhos. – Se vista minha loba... Vamos andar um pouco.

Quando disse isso ela suspirou e se levantou, ela era magra, mas tinha as curvas bonitas, ela mexia em um baú e pegava um vestido rustico de peles negras e vestia, a barriga ficava saliente mas ela mexia a mão sobre ela de modo protetor e ria brevemente, provavelmente o bebe havia chutado com o toque dela, assim que ela olhou em direção da cama sentia o corpo se levantar e ir até o mesmo baú, pegava uma calça de couro e ficava sem camisa mesmo, estendia a mão para ela e a mesma a segurava, saímos de dentro daquele cômodo, ele olhou para trás me dando oportunidade de ver como era a casa, era uma cabana rustica mas ainda assim bonita, estava confuso com o que estava sendo me mostrado, ainda não conseguia entender o que queria com isso, mas enquanto eles caminhavam lentamente por uma pequena vila que lembrava muito a reserva, muitos paravam e o chamavam de alfas, agora conseguia entender, ele era Kirian o primeiro alfa de nossa espécie.

— “Demorou a notar, criança...” – falou ele em um tom brincalhão em minha mente. – “Mas não é isso que eu quero que veja...” – a voz dele se tornou triste e logo todas as imagens que eu via sumiam me deixando no imenso escuro.

Ao fundo conseguia ouvir o choro de uma criança, estava em desespero e me agitei para saber de onde vinha para que eu pudesse ajudar, logo as imagens foram voltando, via a mulher do Alfa deitada em uma cama, a respiração pesada, mas o sorriso nos lábios era evidente, ela estava segurando uma pequena criança cheia de sangue, quando via a cena toda entendia ela havia acabado de ganhar a criança, meus olhos enchiam-se de lágrimas e via Kirian se aproximar, ela tossia novamente e uma jovem pegava a criança e se afastava para limpa-la, a mulher segurou a mão de Kirian e parecia chorar, ele sabia o porquê, ela estava a beira da morte a feição cansada e o rosto pálido, ela ainda sangrava muito então ele falou e algo no quarto começou a rodear.

— Eu ainda vou te reencontrar Ester... Somos um só, você é parte da minha alma assim como sou parte da sua, por isso somos companheiros, você nasceu para ser minha e eu nasci para ser seu... – ela tossiu novamente enquanto ele falava e ela apertava a mão dele, logo os olhos dela de azuis ficaram lilases como os do alfa e as palavras que ela falava arrepiavam os pelos da nuca.

— Pela magia que corre meu corpo, por toda a nossa raça, minha alma sempre vai ser sua meu companheiro, eu sempre vou estar próxima de você e não importa o que aconteça sempre vamos nos reencontrar, mesmo que não nessa vida, mas sempre estaremos juntos, somos os primeiros de uma raça única... De uma raça nascida para liderar. – ela parava para tossir e tremeu enquanto os olhos iam se fechando. — Você é o primeiro Alfa e o mais forte de todos que ainda virão você nasceu com o sangue puro por uma maldição que se tornou uma dadiva, essa marca que carrega, está carregada de nossa magia... Da minha magia... Eu uma das que não poderiam interagir com o mundo, juro meu eterno amor e juro que vamos nos encontrar em outras vidas, mas sempre que isso acontecer saberá que é por conta de uma grande guerra, nós sempre voltaremos para salvar nosso povo... – ela já falava em um tom baixo e de olhos fechados enquanto a respiração ia parando aos poucos. – Quem diria meu amado Kirian que você se apaixonaria por uma Guardiã dos portões?

— Meu amor... Não relembre o passado... Você agora é minha esposa, minha loba e a mais linda de todas, você é a minha razão e aceito de bom grado, nem que espere toda a eternidade para te reencontrar e nem que isso signifique uma guerra... – falou ele embargado enquanto ela parava de respirar, um grito brotou nos lábios dele e logo ele saiu do lado da mulher.

Ele saiu da cabana e se tornou um grande lobo cinza, os olhos lilases brilhavam e ele corria, sem nenhum destino ele correu quando chegou no alto de uma colina a lua já estava no alto do céu, ele uivou, mas aquele uivo chamava todos para despertar, fazia sua vila toda tremer e os que tinham a magia em suas veias despertaram para sua forma de lobo e uivaram junto do alfa, aquele era um chamado de guerra, era o uivo de um alfa.

Tudo voltou a ficar escuro e senti em meu corpo dessa vez, sentia algo me mexer, aos poucos ouvia uma voz feminina me chamando, ela parecia preocupada, mas estava tão bom aquele sono que me encolhi na cama e suspirei pesadamente, ouvia a pessoa que estava me chamando bufar e falar alto novamente, agora eu reconhecia a voz, era minha companheira.

— Pelo amor... Acorda Pedro! Seu pai já veio aqui em fúria porque precisa que você vá a casa do seu tio! – quando ouvi isso virei subitamente ficando sobre o corpo dela, os olhos abertos e brilhantes, eu rosnei e ela corou e se encolheu.

Não disse nenhuma palavra, ela ficava me olhando, os olhos dela me reconheciam e ela sorria lentamente a mão dela tocava meu rosto e me acariciava como se não me visse há anos e logo suspirei pesadamente com o carinho, falei com ela agora enquanto ia abaixando o corpo a fazendo rir.

— Eu tive um sonho... Ou acho que é um sonho... – quando terminei de falar ela ria e batia em minhas costas, eu estava deitado em cima dela e ria brevemente.

— Vai me esmagar companheiro... Que sonho? Sai de cima de mim! – ela levou as mãos a lateral do meu corpo e me fez cocegas, eu ri e virei na cama a segurando, trazendo o corpo magro dela para cima do meu, as mãos nas costas dela a acariciando, ela deitava a cabeça em meu peito.

— Era como se eu estivesse nas lembranças do Kirian... Como se ele me mostrasse o seu passado... – Falei de modo distante enquanto passava a mão nas costas dela ainda. – Eu o vi, a companheira dele... Ela parecia você, até o cheiro era igual... Ela estava gravida, mas estava muito doente... – ela ergueu o rosto e ficou a me olhando, aqueles olhos azuis que me faziam sorrir, mas eles estavam carregados de tristeza agora.

— Ela ficou bem? Ou... Ou... – ela não terminou a frase.

— Ela faleceu quando o filho deles nasceu... Ela disse que era a guardiã dos portões... Mas que portões eu não sei... – falei enquanto fechava os olhos, era triste pensar naquilo, ele tinha uivado tristemente e acordado uma vila todo para sua vida de lobo, parecia ser doloroso perder sua companheira, estava tão perdido no pensamento que estava apertando Sarah e ela fazia careta.

— Você está me sufocando Pedro... – ela falou e depois riu enquanto revirou os olhos e começava a se desvencilhar dos meus braços e ir para o banheiro, somente agora vi que ela estava nua.

Fui atrás dela lentamente enquanto suspirava, meu corpo estava pesado como se eu tivesse levado uma surra das grandes, meus olhos ardiam e quando entrei no banheiro vi minha companheira entrar no box de vidro fosco e ligar o chuveiro, fiquei olhando por um tempo a silhueta do corpo dela mas logo virei meu rosto para o espelho sobre a pia, me apoiei na pia e fiquei olhando, meus olhos brilhavam lilases e meu rosto demonstrava cansaço, meus cabelos estavam grandes e a barba mal feita, suspirei pesadamente, não parecia mais aquele menino de 17 anos, tinha feições de homem e agora entendia o que meus pais falaram sobre cuidar do meu povo, eu estava destinado a isso, eu gostasse ou não, antes de entrar no box peguei as coisas para fazer a barba e limpei o rosto, dando um ar mais de menino nas minhas feições agora pesadas, lentamente entrei no box e minha companheira estava de costas e abraçada a si mesma, os olhos fechados e a cabeça baixa, parecia lembrar algo que não era muito bom, não sabia se ela estava chorando por conta da agua que caia sobre o rosto dela, mas me aproximei e a abracei, ela tremeu rapidamente e ficou ali parada, aos poucos começou a abrir os olhos e erguer o rosto para me olhar de baixo, ela ficou ali vidrada nos meus olhos lilases e sorriu brevemente.

— É um belo alfa meu companheiro... – a voz dela soou tão diferente da de sempre, mas sorri para ela e a virei nos meus braços para poder abraça-la corretamente, as mãos que estava nas costas dela começavam a subir.

Logo estava segurando o rosto dela entre minhas mãos e os olhos estavam fechados e um beijo eu depositava nos lábios dela, aos poucos fui colocando o corpo dela para trás e a encostando em uma parede, deixando o corpo dela prensado no meu, afastei os lábios e levei eles até o pescoço dela onde mordisquei levemente e afastei o corpo como se fosse a coisa mais difícil do muito de se fazer.

— É tão difícil ficar longe de você... – falei enquanto a olhava, ela tinha uma feição boba e um sorriso calmo nos lábios, ela jogou agua em mim e começava a rir da minha cara, enquanto eu ia para cima dela novamente a deixando encostando-a na parede. – Companheira... Você brinca comigo...

Depois daquelas palavras ela sorriu de um jeito diferente, os olhos dela brilhavam assim como os meus, ela colocou a mão no meu pescoço e me puxou, quando selou o beijo que não sei quanto tempo durou ela separou lentamente, ela terminou de tomar banho e foi embora me deixando ali, fiz a mesma coisa e quando cheguei no quarto via um bilhete com uma letra diferente, fiquei olhando aquilo e ri brevemente.

Companheiro... Brinco sim com você, porque te amo tanto que a distancia me machuca e a proximidade me deixa louca, como devo proceder?! Ficar longe ou ficar colada em ti?! Mas temos afazeres, ande logo e vá para a casa do seu tio, estarei na horta... Quando tiver um tempo, fuja e vá me ver meu amor.

Sarah.

Assim que li aquilo balancei a cabeça e logo suspirei, caminhei em direção a um guarda roupas e peguei as roupas típicas que sempre usavam, uma bermuda e uma regata, sai da casa calmamente depois de me vestir e caminhei cumprimentando quem aparecia na frente, alguns me olhavam confusos por verem meus olhos e se curvavam brevemente e me chamavam de “Alfa” o tempo todo, soltava um suspiro assim que chegava na porta, ao bater via que ela estava aberta e comecei a entrar, quando cheguei a sala onde tinha as câmeras nada vi, mas ouvi ao fundo um som de vozes, suspirei e comecei a seguir em um corredor bem decorado com varias fotos, principalmente do meu tio com varias pessoas, tinha uma comigo quando era criança e outra com a minha mãe, eles estavam abraçados, quando cheguei ao fim do corredor, vi uma porta e a abri, olhei dentro e me deparei com o lobo traidor sentado em uma cadeira e meu pai andando de um lado a outro, ele tinha os olhos cheios de raiva e meu tio estava em silencio parado no canto da sala olhando o chão, assim que entrei bati a porta e todos me olhando, sorri satisfeito com minha entrada e coloquei o rosto de lado enquanto encostava na porta, estava com cara de adolescente novamente, os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e não tinha mais nenhuma barba no meu rosto. O lobo que se chamava Paulo estava me olhando e ele rosnava com convicção na minha direção o que me fez suspirar eu não sabia nem por onde começar um interrogatório, como saberia agora o que fazer, então abaixei a cabeça e fiquei em silencio até que percebi uma movimentação na cadeira que ele estava amarrado, ele se colocou a falar sem precisar fazer nada.

— O que vocês estão fazendo parados e em silencio?! E você criança que se acha alfa pare de tentar me fazer curvar diante da sua energia... – Não sabia do que ele falava e então o olhei os olhos lilases o deixaram assustado, coloquei o rosto de lado e respondi. — Do que está falando seu idiota?! – ele não respondeu.

Fiquei sustentando o olhar dele e no fundo do meu ser algo pedia para que eu subjugasse, desejasse que ele se curvasse diante a mim, eu era a reencarnação do primeiro lobo e ele me devia respeito, então dei dois passos na direção dele, ele se remexeu na cadeira e aos poucos abaixou os olhos como se não fosse possível me olhar, os olhos dele se apertavam e ele resmungou rapidamente enquanto eu continuava com aqueles pensamentos, meu pai respirou pesadamente enquanto abaixava a cabeça também, meu tio a mesma coisa então centralizei a energia somente em Paulo, ouvi um suspiro aliviado dos outros dois e achei isso o máximo, eu era realmente o verdadeiro alfa dali e não sabia como isso podia ser verdade.

— Vamos, fale comigo fortão... Não se acha o mais esperto?! Agora está com medo? – zombei dele e ouvi um ranger de dentes na minha direção. – Vai ficar só rangendo os dentes fortão?! Porque estou ficando cansado aqui...

Falei enquanto coloquei o rosto de lado e me aproximei dele, me abaixei e fiquei na altura dos olhos dela, eles brilhavam e os dele brilhavam também, mas era estampado o medo ali, era uma sensação boa que me preenchia e logo ele tomou ar e fechou os olhos apertados, ele começou a falar enquanto fiquei abaixado mesmo o olhando falar.

— Fui pago para que aquele professor conseguisse entrar aqui... Ele disse que havia uma loba que pertencia a ele e que ele a queria de volta e o motivo não me interessava... – quando ele começou a falar o meu sorriso sumia dos lábios enquanto respirei profundamente, os olhos se fecharam e eu me segurei para não mata-lo ali.

— A loba que ele disse que pertencia a ele é a minha companheira, ela já sofreu de mais... E mesmo assim que ela fosse dele, você entregou nossa reserva, nossa raça toda... – falei enquanto o olhava com os olhos estreitos, ele respirou profundamente.

— Nunca gostei de ser lobo, não me permite viver normalmente porque vivemos mais que os humanos... Não podemos nos relacionar livremente porque se um dia acontecer de encontrar nossa companheira o relacionamento anterior nunca terá existido, porque o sentimento que nutríamos é longe de ser o real... – enquanto ele falava aquilo veio em minha mente Fernanda... Quando foi a ultima vez que falei com ela? Deixei de lado essa questão e ouvia-o continuar. – Se conseguissem o que queriam eles tentariam isolar meus genes de lobo e eu ficaria livre disso.

— Você serviria de cobaia e morreria em prol do que eles queriam... Eles querem nos aniquilar, porque vivemos mais, somos mais fortes que ele e temos a dadiva de nos transformar... Não entendo porque não gosta de ser lobo... – Falei enquanto suspirava pesadamente, no fundo entendia o que ele falava, mas não deixei isso transparecer.

— Você não entende porque você é o Alfa, seja um subordinado que um dia ira entender o que estou falando. – disse ele enquanto balancei a cabeça e dei as costas a ele.

— Traição é uma das coisas que não aceitamos em nosso meio, somos uma família e honramos a nossa forma de lobo... Nossa transformação é uma dadiva e não uma maldição. – enquanto eu falava uma energia circulava o ar meus olhos ardiam enquanto ficava o olhando respirei profundamente e falei o olhando, quando falava ouvia o eco da minha voz como se mandasse um recado para todos da matilha. – A traição é um ato cabível de punição... E a punição para isso é a morte.

Meu pai tremeu com as palavras, virei de costas e senti o rosto se tornar triste, não gostava de fazer aquilo dar punições era um ato pesado e doía em meu intimo, quando fiz isso ouvi ele respirar profundamente o lobo que estava sentado abaixou a cabeça e aceitou seu destino logo virei o corpo lentamente e falei olhando para o meu pai que me fitava com um pesar que eu conhecia.

— Pai, por favor, aplique a punição. – Quando falei isso ele balançou a cabeça e logo suspirou brevemente.

Depois de ver ele balançar a cabeça eu sai lentamente da casa, quando dava por mim meus pés levavam o caminho da horta, assim que chegava ao local dava de encontro com Sarah ela me olhava e eu sabia que ela tinha ouvido a punição, ela me abraçou e logo começamos a andar chegamos até uma clareira, meu rosto estava angustiado e assim que sentia ele tocar meu rosto via os olhos dela brilharem lilases, algo dentro de mim se agitou e ouvi o que ela falava.

— Eu vi uma coisa enquanto estava na horta... Vi uma mulher chamada Ester falar comigo... Ela disse que Kilian é o companheiro dela... E que somos o mesmo corpo... E você é o mesmo que Kilian – quando ela falou minha mente girou e eu respirei pesadamente enquanto respondia.

— É verdade minha companheira, eu... Vi seus olhos ficarem lilases. – ela sorriu e logo abaixou o rosto, segurei a face dela e depositei um beijo enquanto falei contra os lábios dela. – Isso significa que uma grande guerra está por vir.