O Uivo de um Alfa
3 Justiça.
Assim que meu pai deu a ordem para seguirem para a clareira próxima ao lago, meu corpo agiu antes mesmo de pensar, comecei a correr em direção ao lago o coração aos saltos e assim que cheguei à clareira parei, lá via um lobo marrom parado logo atrás de John, meu rosnar soou alto e eu comecei a avançar, mas logo me segurei, deixei meu pai tomar a frente e começar a caminhar a minha frente, mas momento algum consegui parar de rosnar, meu corpo tremia ainda, enquanto meu pai ficava na frente de John e sentava eu fiz o mesmo sentando ao lado dele enquanto não tirava os olhos de Nicolas, ficava o olhando tenso e com o corpo pronto para atacar.
— “John, espero que esteja pronto para a punição de Nicolas.” – falou meu pai em nossas mentes.
— “Bruno... Não podemos pensar melhor nisso?” – assim que John falou me levantei e rosnei alto e forte meu corpo pronto para ataque enquanto falava.
— “Pensar melhor?! Ele tentou matar minha companheira! Ele a feriu e poderia tê-la matado!” – falei de um modo brusco enquanto me segurava para não ataca-lo naquele momento mesmo, meus olhos faiscavam de raiva.
— “Ela me seduziu... ela... ela queria me matar...!” – quando ouvi isso vindo de Nicolas, somente a voz dele me enojava, meu corpo vibrou e eu rosnei novamente, dei um passo à frente, mas meu pai entrou na minha frente e falou alto e forte na mente dos três o que fez meu corpo curvar brevemente, ele estava falando como alfa agora.
— “Nicolas! Sabemos que isso é mentira, eu tenho acesso a todas as memorias e nem a sua, muito menos a da pobre Sarah mostram ela te seduzindo, mostram somente você a atacando e dizendo que ela não tem lugar em nossa matilha, sua punição será a morte... Quem aplicara será o companheiro de Sarah.” – após essas palavras John se colocou a frente do filho e rosnou. – “John não seja tolo, acredita no seu filho, quer que eu mostre as memorias?” – assim que meu pai falou John relaxou e falou.
— “Sim Alfa, quero ver o que diz que meu filho cometeu.” – falou John, meu pai respirou pesadamente e se sentou ele parecia concentrado.
No mesmo instante que meu pai parou e se sentou meu corpo foi atingido por um turbilhão de sensações e sentimentos, o maior deles era o medo.
“Finalmente conseguia me sentir segura agora, havia sido acolhida por um homem simpático, mas o filho dele estava me olhando de um jeito estranho, talvez seja minha imaginação não é?’ – pensou Sarah enquanto olhava o lugar que a colocaram.
A casa que ela estava era próxima à casa que eles diziam ser do alfa daquela matilha, tinha paredes de vidro em toda a sala deixando a mata mais próxima, e o lugar mais claro mesmo estando noite, a luz da lua brilhava naquela sala bem mobiliada, havia um sofá branco encostado na parede de concreto e uma escada que dava para o segundo andar onde havia os quartos, assim como na sala havia uma parede que dava para a cozinha bem equipada, logo ouvi um barulho na porta e me encolhi, estava somente com a roupa do corpo, sendo essa uma calça e uma blusa brancas, estavam rasgadas e sujas, era assim que eu era mantida no laboratório, mas logo alguém falou do outro lado da porta, era o filho daquele homem simpático.
— Sarah? Está ai dentro? Trouxe umas roupas das minhas irmãs que meu pai pediu, pode, por favor, abrir a porta? – falou o rapaz enquanto eu me mantinha completamente imóvel a alguns passos da porta. – Sarah?
Ele falou novamente e meu corpo se moveu, abria a porta tremendo de cima abaixo, meus olhos azuis o fitavam, ele não era feio, mas aqueles olhos dele me davam pavor, ele tinha os olhos amarelos, os cabelos curtos e castanhos bem claros, seu corpo era bem desenvolvido e ele tinha músculos amostra, estava usando somente uma bermuda, sinal de que veio como lobo, fiquei o olhando e ele estendeu uma sacola a minha direção, peguei a mesma tremendo ainda, mas meu pulso foi interceptado pela mão forte dele que me segurava ali, fiquei olhando a mão dele e ele puxou meu braço o que me fez choramingar, ergui os olhos para vê-lo, ficou o olhando enquanto tremi.
— Não sei o que meu pai viu em você... É frágil... Não serve para ser uma fêmea útil... Sinto o cheiro do seu medo de longe... Lobinha... – senti nojo quando ele falou aquilo e me chamou de lobinha, então tentei puxar o braço e ele o puxou novamente.
— Não vai fugir de mim... Vou falar que você foi embora... Você não merece estar nessa matilha.
Depois daquelas palavras ele me empurrou para dentro e fechou a porta, me segurou na base da nuca e começou a me puxar pelas escadas, assim que me colocou no quarto, minha vista escureceu e eu não conseguia me manter acordada, mas sentia-o abusar do meu corpo, doía... Eu sentia dor e medo, ele me machucava e me chacoalhar, assim que abri meus olhos ele sorriu, ele estava em semi-forma, sobre mim, suas garras em meu pescoço e logo ele começava a passar a unha em meu pescoço o cortando, me sufocando, meu corpo tremeu e eu senti o sangue escapar e escorrer pelos fiapos de roupa que eu tinha no corpo, ele logo saiu de cima de mim e sua voz era distorcida por conta daquela forma.
— Vou te deixar para morrer aqui... Amanhã dou um jeito no seu corpo, Lobinha... – ele riu depois do que falou e eu segurava meu pescoço, assim que ele saiu eu tentei me segurar para não gritar.
No outro dia senti alguém mexer em meu corpo e me debati com a mão no pescoço ainda, apesar de estar curado já o que ninguém esperava, eu ainda segurava o meu pescoço, assim que ergui os olhos era o pai daquele monstro que estava ali, ele me olhava preocupado enquanto falou baixo.
— O que aconteceu com você Sarah?! Meu Deus quanto sangue. – minha vista escureceu novamente.”
Assim que meus olhos se abriam eu notei que estava chorando, meu pai tinha mostrado as lembranças de Sarah e isso doía em mim, eu sentia a dor dela, agora minha vontade de matar era maior, quando olhei para frente via John ajoelhado em sua forma humana e chorando com as mãos no rosto, seu filho estava sentado em sua forma de lobo e imóvel, como se aquela visão não tivesse o machucado, então dei um passo a frente, meu pai nada disse para mim, como se me permitisse se aproximar, assim que ouvi a voz de John meu coração doeu, eu conseguia me colocar no lugar dele eu sentia o arrependimento dele.
— Meu Deus... Desculpe-me Pedro... Desculpe-me Alfa! Eu não sabia disso, eu não sabia... Perdoe-me! – assim que ele terminou de falar ele ergueu o rosto e eu me aproximei, encostei o focinho no rosto dele e o lambi.
Eu aceitava a desculpa dele, aceitava o sentimento dele, mas não aceitava o que o filho dele havia feito então avancei quando ele não esperava então avancei e finquei meus dentes em seu pescoço o imobilizando no chão, caído com as patas para cima enquanto eu estava sobre ele, ouvia o rosnar dele e apertava os dentes envolta de seu pescoço, com isso ouvia o choramingar dele, esperava meu pai falar alguma coisa para continuar o que queria fazer, vez ou outra eu soltava os dentes e ele tentava se mover então apertava novamente, queria manter ele imóvel até receber uma ordem direta, então esperava, até ouvir um bufar e a voz de John soar.
— Siga com o que tem que fazer Pedro... A sentença é justa e precisa ser aplicada. – sentia o pesar dele no que falava.
Assim que ouvi a voz dele olhei de soslaio para meu pai e ele fez um sim com a cabeça, finquei mais os dentes sobre o pescoço dele e balancei a cabeça rapidamente e ouvi um estalo e o corpo do lobo ir voltando a sua forma de humano, me afastei do corpo e abaixei a cabeça próxima a John, ouvi a voz de meu pai soar forte para toda a matilha.
— “Hoje foi aplicada a punição de Nicolas, filho do beta por atacar e violentar uma de nossas fêmeas... A pena aplicada foi à morte, executada pelo companheiro da fêmea em questão... Não haverá questionamentos.” – Após essas palavras tudo ficou em silencio.
Caminhei novamente para a cabana onde meu pai havia levado tanto eu quanto minha mãe e a Sarah, quando cheguei voltei a forma de humano e entrei lentamente dentro da casa, estava nu, meu rosto havia sangue então caminhei lentamente até o banheiro que ficava em um pequeno corredor que dava para dois quartos e um banheiro, entrei no banheiro e liguei o chuveiro, deixei as lágrimas escorrerem enquanto me ajoelhava no chão limpando o rosto, aquelas imagens de Sarah não saiam de minha cabeça, estavam me matando, eu precisava vê-la sorrir, precisava que ela fosse feliz para que aquilo não me atormentasse. Quando terminei meu banho coloquei uma cueca boxer preta e uma bermuda de táctil, me obriguei a sair do quarto, caminhei até a sala e me deparei somente com Sarah, ela estava com a cabeça baixa e logo me aproximei dela, me ajoelhei entre suas pernas e coloquei a mão em seu rosto, seus olhos estavam distantes e somente uma palavra saiu dos meus lábios em um tom embargado enquanto meus olhos enchiam-se de lágrimas.
— Companheira... – quando falei via ela abrir um breve sorriso, mas sem vida.
— Ele te mostrou não é? – disse ela enquanto o corpo se encolhia, parecia envergonhada do que eu poderia ter visto e isso me deixava desarmado, logo ergui um pouco o corpo e a abracei fortemente, meu rosto em seu pescoço, sentindo o seu perfume natural, soava a cerejas para mim.
— Mostrou, mas nada disso importa... Você é minha companheira e nunca deixarei nenhum mal lhe acontecer. – ela retribuiu meu abraço e seu corpo sofreu um espasmo.
Ela chorava nos meus braços e isso me deixou tremulo, comecei a me erguer e a pega-la no colo, ela tremia e chorava, parecia ter guardado aquele choro por tanto tempo, então a deixei no meu colo até que ela caiu no sono, quando isso aconteceu, fiquei tocando os cabelos loiros dela e logo me ergui com ela no colo, levei-a até o quarto e a deitei na cama, a cobri e me deitei com ela, o rosto no pescoço dela beijava cada parte daquela cicatriz que a marcava, ouvi um suspiro por parte dela e isso me fez sorrir, senti ela me abraçar e a olhei ela ainda estava dormindo, me deixei levar e logo estava dormindo também.
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