O Trono de Gelo e Fogo

28 Uma Relíquia do Passado


Notas iniciais
Até que em fim chegou o inverno, com o apoio mais que bem-vindo da FlaviaSama que gentilmente está cooperando com a fic para revisão do conteúdo. voltarei a antiga métrica de postar 1 capítulo a cada 20 0u 30 dias. A fica já está finalizada e antes de dezembro vocês verão o desfecho desta estória.

Andaram boa parte do caminho escondidos entre árvores e uma densa cerca viva, até que uma bruma cinza caiu sobre eles, impossibilitando ver muito à frente. Algumas estacas estavam erguidas aqui e ali em conjuntos de três cada, formando uma espécie de pirâmide com crânios no topo, onde corpos de animais em decomposição pendiam no meio. Outro lugar, mesmos hábitos. Clegane se lembrou das estacas cheias de cabeças decapitadas na Fortaleza Vermelha. Mas ali haviam estranhos escudos feitos com penas e gravetos em forma de X ou emaranhados demais para Sandor os definir ou comparar com alguma coisa.

— Turin — sussurrou Harry — vamos nos dividir.

O plano era simples: Sandor, Turin, Olaf e Caolho iriam por cima, pegariam um dos vigias enquanto Klaus, Corsar e Harrold desceriam pelo pequeno vale e atravessariam para o outro lado sem serem vistos; depois escalariam até a entrada onde os outros estariam esperando.

— Pegue o maldito com uma de suas facas — Sandor se abaixou atrás de uma grande pedra para não ser visto pelo vigia. — Espere que ele venha até aqui — eles estavam muito perto da entrada da ponte de cordas e madeira.

O homem usando uma cabeça de urso como capacete veio andando vagarosamente na direção deles, Malcon preparou uma pequena adaga que mais parecia com um peixe de rio. Sandor fez um sinal para ele esperar, rápidos seus merdinhas, pensou quando viu Harrold e os outros correndo a alguns metros abaixo dele atravessando para outro lado do desfiladeiro. O selvagem se aproximou mais, com uma lança de madeira endurecida pelo fogo. Quando estava do outro lado da pedra onde Sandor se escondera, o Caolho se levantou e arremessou sua faca no pomo de adão do homem que não conseguiu emitir som, apenas levou as mãos até a própria garganta. Sandor, que estava deitado com as costas na pedra, girou sobre o próprio corpo e com um salto rápido para alguém do seu tamanho, ainda mais usando armadura, se pôs de pé puxando o selvagem para trás da pedra, terminando o serviço. Fez um sinal com a mão para que o Malcon, Turin e Olaf se aproximassem.

— Vista as peles dele — Sandor começou a despir o cadáver que se afogava no próprio sangue. — É só passar para o outro lado e quebrar o pescoço do maldito.

Olaf de Pedrarruna colocou a cabeça de urso e amarrou os cordões no queixo, em seguida colocou as peles sobre o ombro para esconder as partes acobreadas de sua armadura e cota de malha.

— Vá pela ponte e pegue aquele desgraçado — Sandor deu dois tapinhas no ombro do rapaz. — Fique de olho — disse ao Caolho — que seguiu rastejando por detrás das pedras para se posicionar na entrada da ponte e tentar um arremesso caso o outro selvagem desconfiasse de Olaf ao se aproximar.

Olaf seguiu pela ponte com o olhar baixo e segurando a adaga por debaixo das peles. Quando chegou no meio da ponte de cordas, as tábuas começaram a ranger com seu peso, então percebeu que o selvagem do outro lado estava com os olhos fechados e acelerou os passos; quando caiu sobre o homem-urso, o segurou com o braço esquerdo, cortando-lhe a garganta com a lâmina que segurava com a destra. Arrastou o corpo para longe da entrada, fazendo sinal para Sandor e companhia atravessarem enquanto espreitava para dentro da escuridão da caverna. O segundo a atravessar a ponte depois de Olaf Torsën foi o Caolho, em seguida Clegane e por último Turin (Harrold e companhia ainda estavam no vale embaixo da entrada da caverna). Sandor começou a olhar em volta, então viu alguns degraus rústicos esculpidos na rocha, Corsar achou-os no fundo do vale e subiu correndo por eles, seguido por Harry e Klaus.

— O que acha? — o Jovem Falcão estava ofegante.

— Só tem uma entrada, como um covil de desgraçados — Clegane franziu o cenho.

— Tem um fogo fraco lá embaixo — Klaus arriscou entrar na escuridão tateando a rocha nua — também há água, posso ouvir o barulho.

— Merda. Vamos tirar as armaduras — Hardyng o olhou confuso — essas tralhas mais vão atrapalhar que ajudar lá dentro — completou Clegane — apenas cota de malha vai servir contra tacapes, garras e sei lá mais que tipo de armas esses malditos têm aí.

Harrold se olhou e viu que sua armadura lhe dava muita proteção, mas na escuridão da caverna fazia dele um alvo perfeito.

— Turin — se aproximou de seu primo — você fica e cuida das armaduras até voltarmos. Turin fez um sinal positivo com a cabeça para Harrold.

Os homens ajudaram uns aos outros para se despirem das placas, peitorais, grevas e manoplas. Depois as esconderam em uma fenda na rocha à leste da entrada do covil e Turin ficou de guarda em cima de uma protuberância de rocha, onde podia ver tudo o que entrava e saía da caverna.

Na boca da caverna cujo ar vinha quente e úmido, Sandor entrou primeiro, seguido por Hardyng e os outros. O caminho de pedra nua começava a descer suavemente com uma curva para esquerda, quase não havia mais luz natural ali, terei que tatear com as mãos, Clegane pisava com as pontas dos pés e avançando muito devagar, continuaram descendo até ouvirem:

— Acabou — a voz rouca de Sandor saiu como uma espada sendo tirada da bainha.

— O quê? O que se acabou? — Harrold avançou, mas foi bloqueado pelo braço esquerdo do Cão de Caça.

— O maldito chão sumiu, idiota.

— Não pode ser, veja lá embaixo, aquilo — Apontou para onde o bruxulear de uma chama iluminava pobremente a pedra negra.

— Deixe-me tentar — disse Corsar, tomando a frente e com a ponta da espada começou a estocar em busca da continuação do caminho — Aqui! — falou em um tom normal, alto o suficiente para todos ficarem alarmados e pedirem silêncio com sonoros “xiiiu”.

Desta vez Corsar conduzia o grupo pelo que parecia uma escada rústica com degraus irregulares. Pelo menos esse aí enxerga nesse maldito breu. A descida desembocou em um espaço com um teto abobadado dentro da caverna e sob uma saliência mais baixa. Sandor viu a fogueira de onde vinha a luz que havia visto no início da escada, ele fez sinal com a mão para Malcon avançar e ficar no flanco esquerdo, aonde podia atirar suas facas. O Jovem Falcão, Olaf e Corsar pegaram as adagas e as colocaram entre os dentes e se aproximaram rastejando pelo chão para não serem vistos. Quando Cão de Caça conseguiu ter um visual, contou quatro selvagens: dois dormiam com as barrigas para cima como porcos, enquanto um outro fodia uma mulher que gemia por baixo dele. Os homens trocaram olhares, fizeram sinais de confirmação com a cabeça; então caíram de forma rápida e violenta sobre os selvagens que tiveram suas bocas tapadas, barrigas apunhaladas e gargantas cortadas.

— Arrastem os corpos — Sandor jogou o corpo do selvagem que teve o coito interrompido por seu punhal como se fosse um saco de cevada e os outros arrastaram os demais corpos.

Seguindo pela parede de pedras à esquerda, enquanto ouviam barulhos provenientes de conversas e grunhidos, eles desceram rumo ao centro do covil, local em que uma queda d’água estava entre eles e o próximo trecho seco, aonde outra fogueira e selvagens com o que pareciam ser lanças de madeira, àquela distância, faziam guarda.

— Teremos que arriscar tochas — todos concordaram com Malcon que voltou pelo caminho e trouxe nas mãos apenas três tochas.

Harry arriscou a levantar um pouco a sua tocha e sondar o lugar, percebendo rapidamente que estava em um tipo de desova de ossos. Havia ali crânios, costelas, braços, ossos meio roídos ou sequíssimos, algumas espadas enferrujadas, escudos com insígnias conhecidas e outras partes de armaduras espalhadas pelos cantos. Por sorte eles vieram bem pelo meio do que parecia um caminho que os selvagens usavam para atravessar por aquele mar de morte e ossos secos.

— Por aqui — Clegane teve que incitar que continuassem — Pirralhos medrosos, pois percebera que alguns tremeram nas pernas quando viram a coluna de crânios que se erguia mais alto que ele próprio umas cinco vezes mais. Esses malditos selvagens, ainda não foram caçados por um cão.

— Vamos rápido! — disse Clegane.

Entraram por um túnel, que descia até o pé da queda da cachoeira e estavam perigosamente perto aonde os selvagens estavam há alguns metros mais abaixo. O Meereni pegou uma corda e a amarrou numa rocha.

— Eu vou primeiro — ele disse antes de se jogar rodopiando por entre a água que caía escura e abundante.

Corsar puxou a corda de volta até alcançar a ponta novamente, lançando-se em uma tirolesa livre como Malcon havia feito; em seguida, Klaus e Olaf fizeram a travessia, Sandor e Harrold ficaram por último.

Sandor se deitou de costas sobre uma pedra e puxou a corda, mas cometeu o velho erro de olhar para baixo antes do salto. Pelo Guerreiro, as coisas que estou fazendo por causa daquela boceta ruiva, ele pensou enquanto apertava a corda entre as suas enormes mãos.

— O que foi? — O Jovem Falcão tinha um sorriso de filho da puta no rosto.

— Não gosto de altura — disse Cão de Caça fazendo uma careta, então antes de falar, Hardyng colocou as mãos nos ombros de Clegane e disse:

— Cães não sabem voar — e o empurrou de encontro à queda d’água.

Sandor começou a rodopiar no ar, passou pela água batendo com o peito em uma pedra negra e alguém estendeu um braço para segurá-lo, mas a água turvava sua visão. Quando finalmente conseguiu erguer o tronco sobre a pedra, viu que Klaus pedia a ele que fizesse silêncio. Olaf já descia a face direita da cachoeira com uma adaga entre os dentes, Malcon o esperava lá em baixo e Corsar estava um pouco mais adiante. Clegane ouviu um baque surdo atrás de si, quando viu que Harrold tinha feito a travessia e agora pegava o pedaço de corda cortada, a amarrando em outra pedra para que Sandor e ele descessem com mais facilidade.

Perto dali, algumas tochas começaram a ir em direção ao grupo; Harrold e Sandor ficaram parados no meio da descida, e os outros se esconderam atrás de rochas e sombras, enquanto uns seis ou oito selvagens passavam às pressas, indo até os outros que estavam de guarda na frente de um outro túnel. Os homens-urso se distraíram e Clegane e Harry se jogaram na água; Olaf, Caolho e Klaus fizeram o mesmo, enquanto Corsar se manteve nas sombras.

Avançaram pela água até ficarem de frente à entrada protegida, havia ali mais de dez selvagens, mas nenhum usava cota de malha, ou tinha aço nas mãos, apenas lanças de madeira endurecidas no fogo e tacapes com cabeças de pedras afiadas nas pontas. Agora é a hora de menino chorar e a mãe não ver, Clegane sabia que o combate era inevitável, não há mais para onde ir. Sua intuição lhe dizia que havia algo ou alguém de valor dentro daquele covil.

— Prepare suas facas — Sandor falou ao ouvido de Malcon que segurou duas facas em cada mão. — Vamos — ele sussurrou para os outros e começaram a rastejar na margem ocultos pelas sombras de pedras baixas, mas que estavam contra a luz das fogueiras.

Quando estavam em solo seco, Sandor fez um sinal para que Malcon, que ainda estava dentro da água, lançasse suas facas nos selvagens à direita. Usando os dois braços, o Meereni arremessou acertadamente quatro adagas que encontraram seus alvos. Os selvagens com lança na mão se viraram para o rio e deram de cara com Cão de Caça e os outros, que vestidos com couro e cota de malha, avançaram contra eles abrindo pescoços, cortando pedaços de pau, braços e cabeças. Corsar saiu das sombras atrás do bando desorientado e começou a golpeá-los freneticamente pelas costas. O tumulto foi inevitável, logo mais selvagens chegariam ali. Klaus e Olaf resistiam a um grupo de quatro lanceiros que lançavam estocadas, mas que eram habilmente aparadas por movimentos curtos com a espada de Olaf, enquanto Klaus aproveitava a oportunidade para diminuir ainda mais o tamanho das lanças e empurrar os selvagens acuados para perto da água, aonde Malcon vinha atirando suas últimas facas nas costas dos comedores de gente.

— Depressa — Sandor puxou Harrold pela manga da cota de malha — Entre! — Segurou sua espada com as duas mãos e Hardyng fez o mesmo.

Aquele buraco estava bem iluminado com várias pequenas fogueiras ao redor das paredes e no centro, do teto, pendia uma grande raiz de árvore, onde crânios coroados, armas e ossadas de animais pendiam amarrados.

— Cuidado! — Harrold passou à frente de Clegane, aparando um golpe de tacape de uma selvagem que pulou de algum lugar acima deles, e Hardyng a matou com uma estocada na barriga.

— Depressa Harry! — Sandor ouviu Corsar gritar lá fora onde o som de urros e gritos se intensificavam.

Dentro da caverna tudo parecia trevas e um silêncio tomava conta do lugar. Pelos Sete Malditos, que tipo de merda fazem aqui? Sandor segurou sua espada com mais força e avançou circulando com cuidado pela direita, enquanto o Jovem Falcão ia pelo flanco esquerdo. Quando finalmente visualizaram o fundo por trás da imensa raiz, viram uma mulher deitada sobre algumas peles, com enormes seios pendentes manchados com algum tipo de tinta negra e vermelha; na sua testa um diadema de ouro com uma meia-lua apontando para cima e fora isso, não vestia mais nada. Seus cabelos eram grossas tranças escuras e crespas; quando os olhos de Cão de Caça a encararam, viram duas bolas fantasmagóricas e um sorriso de dentes totalmente enegrecidos. Dois homens que estavam detrás de uma pedra pularam na frente de Sandor Clegane, segurando tacapes com dentes de pedra lançando golpes contra seu rosto, mas ele em um movimento ágil como um gato, se abaixou estocando a costela de um e empurrando o outro com a mão livre, enquanto Harry, vindo por trás do selvagem desequilibrado, o agarrou e passou a lâmina de sua espada no pescoço do maldito. A mulher ficou agachada com as mãos em um líquido negro, que estava dentro de uma panela de barro.

— Mate-a — Harrold fez menção em sair e ir ver como os outros estavam se saindo na luta.

— Vá ajudá-los — Clegane disse sem tirar os olhos da bruxa que se levantava lentamente.

Harrold saiu circundando a raiz pela esquerda.

— Só você e eu, sua boqueteira — praguejou enquanto fazia o couro de suas luvas rilhar com um apertão no cabo da espada média.

A mulher se mexeu para a esquerda de Sandor com um sorriso nos lábios escuros e seus olhos pálidos não paravam de dançar nas órbitas, de seu pescoço apareceu uma cabeça de serpente amarela e branca. Cão de Caça soltou um golpe em arco horizontal, mas ela deu um pulo para trás se esquivando e o animal peçonhento caiu no chão, mas eu tinha mais com o que me preocupar, pensou, quando a mulher pegou de um baú cheio de quinquilharias uma lâmina curvada que só tinha fio de um lado. Um facão contra uma espada: não há bruxaria que resista a um bom aço. Sandor avançou novamente, desta vez fez uma finta com um golpe vertical, mas soltou a mão esquerda, dando um longo passo com a perna direita, ficando de lado e fazendo a espada descer de forma que a ponta atingisse a coxa grossa da mulher, que gritou e lançou um golpe no ar, passando bem longe de Clegane.

— Vai morrer sua vadia comedora de cadáveres — Sandor olhava a enorme anca da mulher que estava se apoiando em uma pedra para não cair.

Neste momento de distração a serpente se envolveu em sua perna esquerda; o estrago só não foi maior por causa da longa bota de couro e a cota de malha, mas foi o suficiente para Clegane perder o equilíbrio e a bruxa se lançar em cima dele aos gritos, puxões de cabelo e socos.

— Quer ser fodida antes de morrer, cobra? — ele rosnou quando segurou a mulher pelos pulsos.

Ela rolou para cima dele desferindo dois socos no rosto, mas quando tentou um golpe com o facão, Sandor colocou o braço revestido com couro e cota de malha na frente e a lâmina cega não chegou nem perto de cortar sua pele, mas o peso do golpe foi dolorido o bastante para ele soltar um grunhido. Ele puxou os cabelos grossos da mulher para trás e deu-lhe três cabeçadas na face, fazendo-a cair para o lado. Cão de Caça pegou a espada no chão e cortou a cabeça da cobra que ainda apertava sua perna de forma que ele não sentia mais a circulação do sangue, tendo dificuldade de levantar e se lançar em cima da bruxa.

É assim que se monta numa puta. Ficou sobre ela e lhe deu alguns socos no rosto, mas a expressão ensandecida da mulher não saía da sua frente, então em um rompante ela o arranhou no rosto com as unhas negras e oleosas.

— Cadela — Sandor sentiu seu olho esquerdo arder e esbofeteou a mulher que se arrastou para sair debaixo dele e se virou de costas, estendendo a mão direita perigosamente para um objeto que estava envolto em um pedaço de couro velho em cima de uma pilha de ossos.

Clegane se arrastou e agarrou um pé da bruxa, tateou com a outra mão em busca de sua espada, mas não a encontrou; então ele puxou a mulher para baixo de si novamente, se sentou em cima de seu volumoso quadril, a segurou pelos cabelos e bateu sua cabeça contra a pedra até sentir que os ossos de seu crânio estivessem todos quebrados. Onde caiu minha espada, olhou em volta e nada viu, estava desarmado e isso era ruim. Se levantou dirigindo-se para a saída, quando parou e voltou a olhar para o corpo inerte da bruxa no chão e o embrulho que ela tentou pegar em cima da pilha de ossos. Voltou correndo e pegou o embrulho envolto em couro velho e empoeirado, uma espada... O formato em cruz e o peso não deixavam dúvidas. Usou as tiras de couro que pendiam da grande raiz para atar o pacote às costas, maldita engolidora de porra, deu uma última olhadela para o corpo da mulher e viu sua espada média a uns três metros perto do corpo da serpente que mesmo sem cabeça ainda se contorcia. Pegou sua espada, cortou o que restou do crânio espatifado da mulher e se dirigiu à saída — onde Harrold, Klaus, Olaf e Corsar lutavam em um estreito corredor e com dificuldade matavam os selvagens que não paravam de vir.

— Morte! — Clegane esbravejou enquanto surgia com a cabeça da mulher-urso erguida para que os selvagens vissem a ruína que havia chegado.

Neste momento quando o pavor tomou conta daqueles canibais, o Jovem Falcão investiu com duros golpes e foi acompanhado por seus companheiros aos gritos de “Pelo Herdeiro”, Sandor jogou a cabeça que tinha nas mãos fora e começou a lutar também.

— Onde está o Caolho? — quis saber.

— Não sabemos — a franja ruiva do Jovem Falcão estava colada em sua testa suada.

— Matem todos esses filhos de uma puta! — Clegane estava manquejando, mas seus braços funcionavam muito bem: ele cortou pescoços e abriu cabeças ao meio.

O calor dentro daquela caverna estava se tornando insuportável e o ar cada vez mais difícil de ser inalado. Uma fila de corpos jazia pelo caminho dos bravos guerreiros que revezavam de dois em dois na luta. Sandor pegou um tacape de carvalho em sua mão esquerda e com a espada na direita ele saiu avançando rumo ao rio por onde veio, sua cabeça estava coberta de sangue onde havia levado uma paulada na cabeça e outras tantas nos ombros e nas pernas. Harrold tinha um roxo no olho e a boca sangrava, Olaf e Klaus também estavam muito cansados e feridos, Corsar Redfort fora o menos golpeado, ele havia pego uma lança longa, fazendo estragos nas barrigas e pescoços dos selvagens que via pela sua frente.

— Qual é o plano Harry? — Olaf bufava encostado em uma pedra enquanto Harrold e Sandor lutavam contra os selvagens.

— Não tenho um! — O Herdeiro olhou para os amigos e homens de armas — mas vamos sair daqui de qualquer jeito.

— Vamos por onde eles estão vindo — Sandor falou enquanto estocava freneticamente as barrigas dos selvagens e levava golpes de pau e pedra nos ombros largos.

Quando chegaram perto das fogueiras, viram o corpo de Malcon o Caolho com o crânio esmagado perto da embocadura da subida. Filho da puta, descobriu a saída mas não teve tempo de fugir.

— Por aqui! Por aqui! — Sandor avançou à pauladas e golpes horizontais para abrir passagem ali onde era mais espaçoso e muitos dos selvagens foram empurrados para o rio.

Os Selvagens caíam aos montes e na estreita subida eram alvos fáceis para as lâminas das espadas ferozes. Sandor deixou Corsar e Olaf tomarem o seu lugar, Hardyng também abaixou um pouco a sua arma, Klaus estava ofegante e se agarrava nas paredes para não cair, pois em algum momento ele havia tomado duros golpes no peito e algo não estava bem com os pulmões do jovem de Pedrarruna.

— Não vamos conseguir — Klaus respirava com dificuldade — há muitos deles. — Olhou para a subida abarrotada de selvagens que caíam e se estatelavam no chão de pedra ou davam a sorte de cair na água.

Clegane estava escorado nas pedras, o cansaço e as dores no corpo estavam cobrando seu preço, não posso morrer aqui. Ele olhou com fúria para Klaus e Harrold que estavam com semblantes combalidos, eu preciso voltar para ela. Ele soltou um urro animalesco e se ergueu com fúria em seus olhos, ajudando Harrold a se levantar.

— Vamos logo — ele pegou uma tira de couro da cabeça do primeiro cadáver que chutou — Se não conseguirem segurar suas espadas, amarrem-nas em suas mãos — Sandor passou a tira pela mão da espada e a prendeu com um nó.

Ele deu passos largos, depois começou a correr rumo aonde a luta mais se inflamava, empurrou Corsar, puxou Olaf para trás e saiu golpeado com espada, tacape, chutes e socos. Gritei pela vida, e matei pela vingança, pelo ódio. Matei por amor. Sozinho na subida, Sandor conseguiu avançar uns bons cinco metros até Harrold aparecer gritando, estocando barrigas e com movimentos rápidos e circulares se defendia, cortando para cima e para baixo. Klaus empurrava com a lança os selvagens que se aproximavam demais da borda do caminho.

— Não parem! Não parem até sairmos desse maldito inferno! — O Herdeiro saiu da frente de batalha, Corsar e Olaf continuaram avançando em seu lugar a passos largos.

Gritos ecoavam dentro do covil e os homens temiam sofrer uma surtida pela retaguarda, mas era avançar ou morrer nas mãos dos selvagens ou morrer se espatifando nas pedras lá embaixo. Cão de Caça e companhia aumentaram o ritmo quando começaram a sentir o ar ficar mais leve, estamos perto da maldita saída. Eles começaram quase a correr naquele trecho mais plano e mais familiar, o sangue escorria pelo rosto de Clegane e suas mãos tremiam com o esforço hercúleo. Hardyng não estava em melhores condições: suas roupas estavam sujas e rasgadas nos ombros, sua cara estava inchada e seus golpes já não eram tão velozes. Corsar estava cego de um olho e Olaf havia sido ferido gravemente no braço esquerdo por um machado.

— Ajude-me com aquilo — Sandor deu um solavanco em Harry e o arrastou para a embocadura da gruta, onde duas toras de madeira da largura de um homem sustentavam as rochas do teto — Vamos derrubar isso em cima desses animais.

— É louco? Seremos soterrados — embainhou a espada.

Clegane apoiou o ombro esquerdo na coluna de madeira e começou a empurrar, O Jovem Falcão gritou para que os homens em um último esforço golpeassem os selvagens e ganhassem o máximo de espaço entre eles e Sandor.

— Corram, filhos da puta! — Ele pressionou as grandes mãos juntas na coluna que rangeu, e pedras e poeiras caíram sobre sua cabeça. — Aaaa! — A força de Cão de Caça estava vencendo a resistência da madeira e o teto estava cedendo.

Os homens passaram correndo por ele protegendo as cabeças e pulando pedregulhos que podiam facilmente esmagar o crânio de um homem.

Acabou... é aqui que vou morrer. Clegane sentiu a visão escurecer e os joelhos se baterem, a mão alcançou a espada média em um reflexo, mas antes de cair Harrold o segurou pelo braço e passou um braço pelo tórax, fazendo Sandor se arrastar sem ver para onde estava sendo guiado.

— Vamos! Corra homem, Corra! — Com um urro Hardyng lançou o corpo de Cão de Caça, se lançando em seguida num mergulho no meio da poeira, pedra e pedaços de madeira.

Os gritos vindos de dentro da caverna foram abafados pelo desmoronamento, durante algum tempo tudo ficou escuro, frio e Sandor Clegane achou que estava no Sete Infernos, até que a areia entrou em seu nariz e ele se sufocou tossindo, tentando se levantar. Onde está o maldito Falcão? Cão de Caça ficou de pé e olhou o próprio corpo para ver se não tinha nenhum ferimento grave. Klaus e Corsar vinham com Turin, as armaduras amontoadas em uma haste de madeira que pendia do ombro de cada um e no meio um pedaço de lona amarrado fazia as vezes de uma rede aonde todas as peças de aço descansavam. Olaf estava mais perto do local em que as pedras maiores caíram.

— Me ajudem a achar o Harrold. — Olaf chamava pelo líder do bando. — Harry! Onde está?

— Aqui! — Sandor correu para tirar uma pedra grande de cima da perna de Hardyng.

A pedra era pesada, mas estava apoiada sobre duas outras pedras menores e por alguns centímetros a perna do Jovem Falcão não havia sido esmagada.

— Levante-se — Sandor ergueu um pouco a pedra usando um pedaço de madeira como alavanca.

Turin ajudou Harrold a se levantar, enquanto todos procuraram algumas pedras para se sentar e entornar alguns goles de vinho.

— Quase morreram, seus idiotas — Turin passou o odre para Harrold e limpou a boca com a manga da camisa — Que merda é essa trepada nas suas costas? — ele estendeu a mão para tocar no embrulho que Clegane trazia, mas o olhar carrancudo do cão de Sansa o afastou.

— Isso é meu espólio por ter matado a bruxa — deu um longo gole no vinho e suspirou. — É a droga de uma espada. Vamos voltar para o Passarinho.

Notas finais
Pessoal, as postagens estão mais frequentes no https://www.spiritfanfiction.com/historia/o-trono-de-gelo-e-fogo-3765674/capitulo29 acompanhei a fic por lá, o fanfiction está muito cheio de frescura.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.