O Trono de Gelo e Fogo
21 Retorno
Notas iniciais
Ele aguardava pacientemente a sua anfitriã, havia sido convidado para aquela conversar, mas devido as circunstâncias resolveu escolher um lugar que conhecia bem. Observa tudo de um fundo falso atrás da parede, o ambiente está totalmente destruído e estrelas de sete pontas pintadas com o que parecia ser sangue decoravam as paredes do antigo bordel.
Saiu de seu esconderijo quando percebeu o véu turquesa de Olenna Tyrell rodopiar ao vento que soprava da Baixada das Pulgas.
— Sinto muito pelo local — Petyr sorriu com o canto da boca no final da frase.
— Não, não sente — olhos meio baços de Olenna o fitaram com desconfiança. Ela voltou a olhar o quadro quebrado a sua frente.
— ... me parecia o lugar mais seguro em Westeros. — Começou a andar em direção a mulher tuda vestida de Turquesa e com rosas de veludo por todo o vestido.
— Não é o que a sua clientela diria Mindinho. — Olenna sempre tinha uma resposta afiada e pronta.
Petyr começou a andar para a direita do quarto, queria olhar na face de Lady Teryll.
— Era um estabelecimento sem igual. Uma enorme variedade de apetites atendidos — olhou para a mobília destruída pelos pardais da fé, em seguida finalmente cruzou olhares com a Dama das Rosas. — Desejos que nem existiam antes de nós os inventarmos. — Petyr se preocupou com a sua segurança ali por isso, deu ordens a Lothor para ficar à espreita na varanda. — Me parece que veio sozinha...
A mulher suspirou ruidosamente.
— Sempre se vangloriando, não é?
— Passado é passado — Baelish deu de ombros e se moveu um pouco mais para perto de Olenna, ele não queria que Sor Lothor ouvisse toda a conversa. — O futuro é o que vale apena discutir. O futuro da sua casa, o futuro do nome Teryll.
— Não precisa fingir que se importa com meus netos ou comigo. Tudo começou a dar errado quando furtivamente o senhor sumiu de Porto Real, curioso não?
— Prometo... — Mindinho foi interrompido abruptamente.
— Promessas Lorde Baelish. Prometo que nossos destinos estão vinculados, juntos matamos o Rei — apontou o dedo em riste para o rosto do homem. — Se os Teryll caírem não terei nada a esconder. Se acontecer algum acidente comigo aqui neste mercado de carne falido, nunca encontraram o que sobrar de ti. Então... — Fez uma pausa e um sorriso sádico brotou em seus lábios arrugados. — Nega seu envolvimento em tudo isso?
Ela só precisa saber o suficiente para acabar de atear fogo ao circo.
— Estava em audiência com Cersei Lannister...
— E o que ela queria?
— Informações, que ela sabia que eu possuía — Petyr acariciou as mãos. — Silêncio ou mentiras não estavam na oportunidade que me foi concedida.
Mindinho e Olenna ficaram se encarando durante alguns segundos em uma espécie de sondagem. Os Lannister estão com os dias contados, não tenho nada a perder aqui, pensou Baelish quando passou os dedos no cabo da adaga que trazia na cintura.
— Mas... tenho outras informações que Cersei desconhece —, ele percebeu um fio de interesse nos olhos castanhos da mulher. — E já que nossos interesses estão alinhados. — Caminhou mais para perto até ficarem bem próximos — Eu tenho um presente para a Lady.
— Que tipo de presente?
— Do mesmo tipo que dei a Rainha Regente — foi a vez de Petyr ter uma resposta afiada na ponta da língua. — ... um lindo e jovem rapaz. — O habitual sorriso sínico e torto brotou por debaixo do bigode devidamente aparado.
A Teryll o fitou com perspicácia, me parece que entendeu sobre o que estamos tratando aqui. Pensou Mindinho, quando devolveu o olhar no mesmo tom. Petyr aproximou os lábios da orelha de Olenna e confidenciou a informação.
— Faça com que essa carta chegue ao Alto Pardal através de um desses lunáticos que o seguem. Isso colocara Cersei no mesmo lugar onde seus netos estão agora — deixou discretamente a carta na mão de Olenna e se afastou. — Faça depressa, ela está no Grande Septo agora, Lancel deve confessar para que o jogo tenha uma virada.
Mindinho não se demorou mais ali, seu antigo bordel era agora uma ruina e os fanáticos da fé pareciam estar em todos os lados. Voltou pela passagem secreta por onde tinha vindo, Lothor já o esperava com cavalos e mais quatro homens para escoltá-lo.
— Vamos ter que subir rumo a Fortaleza Vermelha, a um bando de uns trinta pardais entre nós e o porto.
— Vamos arriscar pela Travessa Fedorenta.
— Isso vai dá merda — passou um pequeno rolo de papel para Mindinho. Ele olhou com desconfiança, desenrolou e leu a mensagem.
— Temos que se apressar, temos um estranho no ninho.
Tocou os calcanhares na sua égua marrom e os homens o seguiram, não acredito que o Cão de Caça chegou até o Vale de Arryn vivo, melhor que isso. Ele me trouxe outra Stark. Pensou Baelish enquanto sua montaria mantinha uma boa velocidade descendo rumo ao porto onde seu navio o esperava.
Próximo do cais onde o Donzela estava ancorado um grupo de pardais apareceu com forcados clavas e porretes, os homens que estavam com Mindinho tomaram a dianteira e fizeram uma carga unindo joelho com joelho para não haver chance de algum daqueles lunáticos passarem por eles. Sincronizaram os cavalos e sacaram as espadas passando de trote para uma corrida violenta, os atacantes estavam todos a pé e correram de forma desordenada contra o muro de aço, couro e músculos dos cavalos e seus cavaleiros, Petyr fez um L para a direita e passou de largo pelo lugar onde os cavalos passaram por cima dos pobres pardais, um deles saiu de detrás de um barril de cevada e com um porrete brandido nas mãos gritou: Herege! Herege! Baelish puxou as rédeas de sua montaria e se esquivou do golpe direcionado ao seu tórax por apenas alguns centímetros, em seguida sacou da bainha que estava presa a sela da égua uma lâmina fina e comprida e perfurou com um golpe único a jugular do seu oponente. Fez um movimento de V com o florete braavosi para limpar o sangue e subiu pela rampa e embarcou no Donzela, os outros homens vieram logo em seguida.
— Lorde Petyr — Lothor vinha em sua direção tirando as luvas de couro. — Temos que circunda a baía e passar por Ponta Afiada, A muitos navios da coroa próximos de Pouso de Gralha.
— Isso vai nos atrasar — Petyr pegou das mãos de um marujo um tubo de visão de Myr e levou ao seu olho direito fechando o esquerdo para focar no que queria ver. — Realmente a muita agitação perto de Pouso da Gralha e eu prefiro o mar de marolas ao invés de tempestades.
Ele fez o tudo de visão de Myr encolher em suas mãos e disse:
— De o comando, irei para a cabine descansar um pouco — se retirou do convés. — Vamos para o Ninho, vamos de volta para Sansa.
Lothor Brune assentiu com um simples meneio de cabeça e em seguida começou a gritar ordens para os homens.
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