O Trono de Gelo e Fogo
4 O Coração
Notas iniciais

Sandor Clegane comia uma coxa de frango frita que estava fria e com cheiro azedo, seu cavalo ia devagar pelo início da estrada de altitude quando avistou uma casa entre algumas árvores ao lado direito do que havia sido um muro de pedras que seguia por todo o caminho. A casa estava destelhada em algumas partes, e fumaça escapava de seu interior.
— Pode ser comida. — Disse Sandor. Estranho, seu cavalo balançou a cabeça para cima e para baixo.
— Ou soldados. — Arya completou, dando uma longa olhada para o terreno a sua frente.
Cão de Caça apertou os calcanhares de leve em Estranho que avançou para as árvores a oeste, a garota Stark o seguiu montada em Covarde. Ao chegarem próximos de uma fileira de pinheiros, desmontaram e amarraram os cavalos longe da vista de quem vinha pela estrada. Clegane sacou a espada de uma mão que trazia na cintura e fez sinal com o dedo indicador para Arya Stark não fazer barulho, ela confirmou com um balançar de cabeça e começaram a se esgueirar pelas árvores. Chegaram perto de um poço onde um carrinho de mão estava jogado ao chão com alguns legumes e hortaliças espalhadas por perto, um homem velho de cabelo completamente branco arfava com dificuldade de respirar. Sandor seguiu pela esquerda e sinalizou para Arya seguir pelo outro lado. O moribundo viu a garota de cabelos castanhos até o ombro e pele banca manchada de terra que se aproximava enquanto o Cão permanecia oculto a seus olhos.
— Não deveria está sentado aqui — Arya já estava colocando Agulha na bainha.
— Onde mais vou me sentar? — o velho tinha as mãos sujas de sangue deitadas sobre as coxas. — Tentei voltar para minha casa, mas doía demais — terminou de falar franzindo o cenho. — Eles a incendiaram...
— Quem a incêndio? — Sandor finalmente apareceu no campo de visão do velho homem.
— Parei de me perguntar isso já há algum tempo.
Clegane se ajoelhou na frente do homem para analisar a situação, havia uma ferida no estomago que já cheirava mal.
— Isso não vai melhorar — ele apontou a ferida que sujava de sangue o camponês.
— Parece que não.
— Forma ruim de morrer — Clegane tinha um ar zombeteiro. — Já teve o bastante? — Sandor perguntou ao velho homem.
— Do que? — o velho olhou o Cão de Caça nos olhos, e meneou a cabeça. — Eu sei... —... Hora de partir — falou por fim —, eu mesmo devo resolver isso.
Arya se aproximou lentamente do velho homem, seus olhos eram um vazio.
— O pensamento me passou pela cabeça — o camponês falou olhando para ela.
— Então, por que continuar? — Arya o indagou.
— Hábito. — Continuou o camponês.
— Nada pode ser pior do que isso —, Arya olhou para Sandor quando falou.
— Talvez nada seja pior do que isso. — O velho camponês cambaleou a cabeça para o lado.
— Nada não é melhor ou pior do que qualquer coisa. — Arya soltou um longo suspiro. — Nada é apenas nada —, concluiu.
— Quem é você? — quis saber o velho.
— Meu nome é Arya, Arya Stark.
O velho camponês olhou para Sandor com olhos que esboçavam medo.
— O senhor é o pai dela?
— Seu captor. — A resposta veio em uma voz seca e rouca pelo lábio meio queimado de Clegane.
— Vou levá-la até sua tia por resgate.
— É uma troca justa, sempre tive a noção de uma troca justa nos meus negócios — o velho homem arfou. — Você me dá... eu te dou... é justo. Um equilíbrio. — Gemeu de dor. — Não há mais um equilíbrio.
A garota Stark olhava com olhos acinzentados e frios a dor do moribundo que estava nas últimas ali naquela tarde fria, o velho camponês virou os olhos.
— Posso beber algo? — ele falou por fim. — Morrer me dá sede. — Estava pálido e com olhos mortos.
O Cão soltou a espada da mão e pegou o pequeno odre que trazia no cinto e o levou até a boca do homem, ele bebeu com dificuldade.
— Gostaria que fosse vinho.
— Eu também. — Sandor retrucou.
Ao mesmo tempo já tinha passado a mão direita no punhal atado à cintura e enterrado no coração do velho camponês acabando com seu sofrimento. Sandor Clegane limpou o punhal na roupa do homem, pegou a bolsa de guarda moedas do morto e a jogou para Arya que sentiu o peso com as mãos.
— É onde fica o coração — disse Sandor. — É assim que se mata um homem.
Enquanto Cão de Caça terminava a frase, alguém pulou nas suas costas gritando palavrões e fechando os braços em volta de seu pescoço, o atacante lhe mordeu a parte desprotegida. Arya se levantou assustada, mas Sandor já havia quebrado o pescoço do homem gordo de cabelos cor de ferrugem que o atacara.
Sandor colocou as mãos onde fora mordido.
— Que porra está fazendo? — Sandor falou se virando para um homem que apareceu no seu flanco direito com uma espada desembainhada na mão direita usando roupas esfarrapadas de camponês e que tinha cabelos sujos de fuligem.
— Há pagamento pela sua cabeça — o homem lhe disse.
— É o que o rei faz quando alguém o manda se foder. — Cão olhou o sangue nos dedos de sua mão esquerda.
— O rei está morto. Bebeu vinho envenenado no próprio casamento —, continuou o camponês esfarrapado.
Clegane olhou para Arya que não se mexeu e depois voltou a olhar para o homem que continuou a falar:
— A recompensa por você é por matar soldados Lannister, cem veados de prata.
— E acha que os receberia? — o Cão de Caça estava furioso. — Não pensou muito, não é?
— Você era prisioneiro de Yoren. — Arya interveio —, ele iria te levar para a Muralha. Você queria me estuprar.
Arya Stark começou a andar para confronta-lo.
— Esse dia não está ficando como você o planejou. — O Cão apontou com dois dedos para Arya. — Ele está na sua listinha? — a voz de Sandor parecia aço aranhando aço.
— Ele não pode estar, não sei o nome dele. — Arya parecia não se importar. Clegane sorriu.
— Qual é o seu nome? — Sando questionou ainda com o sorriso de malícia no rosto.
O ex-prisioneiro olhou para Cão de Caça que estava com as espadas embainhadas e com a mão esquerda sobre o local onde fora mordido.
— Rorge — disse o homem.
— Obrigada — Arya retrucou.
Stark fez um movimento gracioso com todo o corpo, como um passo de dança sacou Agulha da bainha e acertou Rorge direto no coração como havia acabado de ver o Cão de Caça fazer a poucos minutos atrás com o velho camponês moribundo. Rorge não teve tempo de se defender, quando se deu por si a menina já estava com uma fina espada na mão esquerda com a ponta suja de sangue. O ex-prisioneiros caiu de joelhos na lama e depois com o rosto. Sandor pegou o odre de vinho que estava nas costas do cadáver, chacoalhando para certificar-se que ainda estava cheio.
— Você está aprendendo. — Sandor começou a se afastar voltando para onde deixara os cavalos, Stark o seguiu.
Os cavalos trotavam em um balanço suave na estrada que se estreitava cada vez mais, haviam colinas cobertas de capim e ramos de hatelás com pequenas flores amarelas adornando suas copas e ficando mais ralas nas bases. Após algum tempo chegaram a uma clareira, Estranho relinchou baixo e bateu três vezes com a pata no chão. Cão de Caça observou o local com cautela viu um campo muito aberto sem árvores para camuflá-los um rio corria ligeiro a alguns metros dali e a sua frente grandes montanhas erguiam-se demarcando o início da estrada de altitude. Sandor desmontou e tirou a sela do cavalo e Arya o imitou fazendo o mesmo com Covarde, em seguida, amarraram os cavalos às estacas que estavam à beira do caminho. Sandor andou em direção à clareira onde havia pedras em um círculo e alguns troncos deitados que serviriam de acento, ele começou a tirar a armadura.
— Deixe-me ajudá-lo — a garota já estava com as mãos na presilha do ombro direito da armadura cinzenta do alto cavaleiro.
— Não —, o Cão deu-lhe uma tapa firme na mão. Arya se assustou.
— Qual é o seu problema? — ela interpelou olhando no rosto moreno de olhos acinzentados dele.
— Porque você não vai buscar lenha para uma fogueira. — Clegane olhou para Arya através de seus cabelos negros e longos que lhe cobria o lado esquerdo queimado do rosto.
A jovem saiu andando sem falar nada com um nó na garganta, começou a recolher algumas cascas de madeira, grama seca e esterco seco para a fogueira, se afastou até o riacho para pegar gravetos dos pequenos arbustos. Já era final de tarde e ela se apressou com a tarefa voltando para o acampamento, Sandor ainda tentava despir a armadura enquanto resmungava. Arya queria ajudá-lo, mas ao invés disso começou a fazer uma fogueira para se aquecer os gravetos estavam secos e ela tinha pedras de fazer fogo dentro de um alforje em sua sela. Bateu com as pedras uma na outra e a faísca pegou rápido no esterco e no capim seco, ela começou a alimentar o fogo com pequenos gravetos e depois com os gravetos maiores. Sentou ao lado do fogo com a espada nas mãos e começou a afia-la.
— Que porra! — Disse Sandor —, maldita vadia. — Ele tentava costurar a ferida aberta pela mordida que levou há algumas horas atrás.
— Está fazendo errado — Arya parou de afiar Agulha. — Precisa queimar essa ferida ou vai infeccionar e apodrecer. — Seus olhos cinzentos brilharam com esperança.
— Sei que não gosta de fogo, mas se não fizer... — Stark se ergueu e deu um passo em direção à fogueira.
— Sem fogo! — Disse Clegane com rispidez.
— Levará apenas um segundo — Arya já estava com um graveto com a ponta em brasa. — Não doerá muito —, caminhou em direção a Sandor.
— Sem fogo! — Gritou ele, se levantando dando alguns passos desajeitados para trás.
— Calada... — o Cão de Caça irou-se com a garota, aqueles olhos piedosos o irritavam.
Arya se afastou com os olhos marejados, nada que eu faça o agrada a não ser matar. Ela pensou com desgosto voltando para onde estava e se deitando.
Sandor Clegane percebeu a grosseria e começou a olhar para o nada pensativo, mas quando voltou a falar foi de forma rude novamente:
— Não diga mais nada sobre qualquer coisa. — Ele se virou para ela com o rosto vermelho de raiva. — Obrigado por você me fazer ser um saco de prata ambulante... onde quer que os Lannister dominem. O que é todo lugar entre onde estamos agora e onde estamos indo.
Arya Stark evitou olhar Sandor nos olhos e fingiu estar novamente afiando Agulha enquanto lágrimas corriam por suas bochechas.
— Sou tão estúpido quanto aquele idiota que você matou há pouco... — Sandor tinha a voz embargada. — Me deixando ser cortado, esfaqueado e mordido. — Ele se sentou e voltou a mexer com a agulha curva e a linha. — Recompensa nenhuma vale todo esse trabalho — Arya soluçou, mas Clegane continuou a falar: — Queria nunca ter te visto. — Essa frase fez a menina temer por sua segurança, ela experimentava um misto de sentimentos dentro de si.
— Você diz que seu irmão lhe deu essa espada — ele voltou a falar com aquela voz rouca. — Meu irmão me deu isto. — Sandor apontou a metade do rosto destruído por uma hedionda cicatriz. — Me pressionou contra o fogo... como se eu fosse uma boa costela de carneiro. — Um longo silêncio se seguiu, Arya conhecia a história, mas não sabia o que dizer.
— Por quê? — Arya o inquiriu tentando parecer o mais tranquila possível.
— Gregor achou que eu roubei um brinquedo dele, mas não, só estava brincando com ele. A dor fui ruim, o cheiro foi muito pior. — Os lábios de Clegane tremeram ao se moverem. — Mas a pior parte é que foi meu irmão. — Sua voz era carregada de mágoa.
O Cão de Caça olhou para a garota-loba que o ouvia atentamente e percebeu que ela estava chorando.
— Deixe-me cuidar de você. — Havia incerteza na voz da garota Stark, Sandor Clegane não disse nada apenas balançou a cabeça em sinal positivo.
Arya começou lavando a ferida com água que apanhara no riacho e secando com a manga da camisa de algodão que usava por baixo do casaco de couro. Ela rasgou a manga da camisa e a molhou na água e recomeçou a lavar a ferida e esfregar com movimentos circulares e suaves. Às vezes Sandor soltava um gruído baixo, mas a garota continuava a limpar e não parou até a ferida está totalmente livre de sujeiras. Em seguida pegou a agulha com a linha e começou a costurar.
— Será uma travessia perigosa pelas montanhas — Foi Sandor que quebrou o silencio.
— Por causa das montanhas? Estamos a cavalo. — A garota-loba terminava de costurar a ferida. — Podemos seguir tranquilamente —, concluiu.
— O que? As montanhas da estrada de altitude estão infestadas de selvagens que assaltam viajante menina loba.
— Não sou menina — Arya falou alto. — Não há escolta pelo caminho?
— Foda-se ... não tem ninguém pelos arredores, só os defuntos que largamos lá atrás. — Sandor se levantou, estava sem camisa e Arya viu os fortes músculos dorsais e as pequenas cicatrizes espalhadas do ombro a cintura.
— O mais sensato seria esperar alguma caravana que segue até o Ninho da Águia. — Clegane se virou para encarar a garota Stark.
— Quanto tempo isso pode demorar? — Arya andou para onde deixara o alforje.
— Não sei. — Respondeu o Cão coçando o queixo barbudo.
— Pode demorar dias — disse Sandor. — E não temos onde ficar aqui nesse descampado. — Ele concluiu. Arya mexia dentro do alforje para retirar um pedaço grande de pão e queijo.
— Prefiro morrer na mão dos selvagens — a menção pareceu diverti-lo, Sandor começou a rir. — E os malditos terão sua virgindade. — Arya ruborizou.
— Eu os mataria com Agulha. Esses vermes. — Stark mordeu um naco do pão e ofereceu a Clegane.
— Então vamos arriscar? — ele pegou o pão das mãos dela e se serviu. — Você é mesmo uma maldita loba do Norte.
— Sim, vamos arriscar — Arya não queria olhar Sandor nos olhos, mas não podia evitar olhar para o corpo musculoso do homem.
Sandor Clegane se afastou e foi pegar a sua longa capa negra para se cobrir e dormir um pouco forrou uma pele que trazia enrolada atrás da sela de montar acomodou-se e fechou os olhos. A garota se aproximou dele puxando a sua pele de dormir para perto de onde Sandor estava deitado. Arya não tinha medo de nada, mas o fato de as montanhas estarem cheias de selvagens a procura de gargantas para cortar e virgens para violentar há deixou em estado de alerta. Não eram muitas ás vezes que ela pensava em sexo, mas ultimamente começou a reparar nos homens. Desde que reparou em Gendry enquanto estavam sobre a tutela da Irmandade Sem Estandarte, Arya Stark passou muito tempo na companhia do Cão de Caça que era um homem bem maior e bem mais forte que Gendry. O tamanho de seu captor e suas habilidades em combate a tranquilizavam, mas ela sabia que o mundo não era feito de cavaleiros galantes e heroicos que salvavam donzelas e se contentavam com um lenço de seda e um beijo na testa como pagamento pelos seus feitos. Arya começou a encostar-se nas costas de Clegane que não se mexeu, mas de alguma forma sabia que ele tinha percebido seu movimento.
— Que porra você está fazendo? — Sandor perguntou sem se virar para encará-la.
— Me aquecendo — disse Arya ainda se ajeitando.
— Isso é perigoso menina —, Clegane continuava deitado de lado sem se mover. — Você anda perdendo a noção do perigo.
— Por quê? — Arya aumentou um pouco o tom de sua voz. — Vai me violentar?
— Foda-se ... — a voz de Sandor era rouca e calma, — não é violência se você estiver se oferecendo. — Concluiu quase sussurrando.
— O que? ... — a indignação apareceu na voz de Arya acompanhada de um risinho afetado.
Eles ficaram calados e Arya se virou para o outro lado ficando de costas para Sandor que continuou imóvel, mas não saiu de perto dele.
— Mais alguns dias e você estará a salvo com a sua família — Disse-lhe Clegane. — E tudo isso vai acabar —, ouviu Arya suspirar.
— Uma Lady não pode ficar vagando por aí com um Cão.
— Não sou nenhuma Lady... Sor —, Arya sabia que a palavra irritava o Cão.
— Não sou porra de Sor nenhum — ele a retrucou.
Cão de Caça se virou ficando deitado de cúbito dorsal para poder observar o céu nublado, em seguida, olhou para a garota que estava deitada ao lado. Arya parecia se encolher com o frio, Sandor a cobriu com sua capa. Ela se assustou e virou a cabeça para olha-lo sem dizer nada. Clegane a fitou nos olhos em silencio e continuou a cobri-la e depois voltou a se deitar sobre as costas com os braços cruzados atrás da cabeça. Arya apertou a pele da capa com os dedos e bocejou, Sandor a imitou, mas não dormiu afinal alguém tinha que manter a vigia naquela clareira. Ele se levantou duas vezes durante a noite para alimentar o fogo e verificar se o lugar ainda estava seguro, vazio de animais selvagens e potenciais atacantes. Voltou a se deitar com a espada por perto e por fim adormeceu tirando algumas horas de sono. Pela manhã bem cedo se levantou e foi até o rio ver se conseguia pegar algum peixe. Neste meio tempo, Arya acordou lentamente enquanto se espreguiçava, percebeu a ausência de seu captor olhou em volta e viu Estranho pastando, se o garanhão negro estava ali Sandor não estava muito longe dela. Levantou-se e foi até a fogueira que estava se apagando e a alimentou com os últimos gravetos. Alguma coisa se móvel nervosamente na floresta que começava no pé da montanha ao longe do acampamento e um bando de pássaros alçou voo, Stark apertou os olhos para enxergar melhor o que vinha saindo das árvores em uma grande velocidade em sua direção. Ouviu um rugido e viu um animal com uma pelagem negra riscada por branco, grandes orelhas pontudas e dentes muito aguçados. Correu para onde Sandor havia deixado suas coisas tateando com as mãos entre grama, peles e terra encontrou a longa espada de duas mãos que ele sempre carregava nas costas e a desembainhou, a espada era maior do que Arya e bastante pesada, ela a segurou com as duas mãos mantendo a ponta da lâmina no chão a frente de seu corpo. O animal selvagem era enorme e a respiração da garota acelerou de repente, ele saltou com as duas patas dianteiras abertas e a boca escancarada em direção a Arya que reuniu toda a sua força e bravura gritando. Levantou a espada como se fosse uma lança a frente do seu corpo e a ponta penetrou no meio do peito do animal que caiu sobre ela já morto no chão gramado.
— Arya —, Clegane apareceu do nada gritando com sua espada média na destra.
Sandor Clegane agarrou o gato-das-sombras e o jogou para o lado cortando um pouco da garganta do animal para certificar-se da morte. Pegou a garota do chão e a trouxe para perto.
— Você está ferida? — ele a olhava curioso. — Sete infernos diga alguma coisa.
— Não... — ela disse sem pestanejar. — Acho que não —, finalmente ela parecia ter voltado a si.
— Seu braço está sangrando menina. — Sandor soltou um gruído, havia três aranhões no antebraço direito de Arya.
Ele pegou o odre e jogou água sobre as feridas dela e limpou os cortes que não eram profundos.
— O que é esse animal? — Arya já estava recomposta
— Gato-das-sombras, vai ser nosso desjejum. — Disse Sandor enquanto tirava o longo punhal da bainha para esfolar o animal.
Enquanto Sandor Clegane cortava a carne do gato, Arya ficou próxima dele ajudando com o que podia. Sandor arrancou a coxa traseira do animal que tinha bastante carne salgou e colocou em um espeto de madeira improvisado. Ele não permitiu que Arya fosse buscar lenha sozinha no limiar da floresta que subia as montanhas da estrada, ele mesmo foi buscar e trouxe um pesado feixe de lenha que fez a fogueira crepitar com altas chamas. Clegane estava sujo e fedendo a sangue e antes de comer resolveu se lavar no rio, ele deixou a carne assando no acampamento, mas levou os cavalos e Arya para não correr o risco de perdê-los. Chegando ao rio Cão de Caça pediu para a garota cuidar dos cavalos enquanto ele se despia para entrar na água fria, a garota-loba não conseguia tirar os olhos do homem de pele morena. Arya amarrou os cavalos e começou a se despir em seguida entrou na água, Sandor só percebeu quando ela gemeu por causa do toque da água fria em seu corpo. A garota estava com o corpo emergido na água dos seios para baixo, mas Clegane que era mais alto estava exposto da barriga para cima.
— Que porra você está olhando? — Sandor disse enquanto esfregava suas axilas.
— Não estou te olhando — ela respondeu. Em seguida lavou o rosto e começou a se esfregar.
— Por que você não olha para o outro lado — Arya sugestionou. O cão fez um muxoxo com a boca e se virou de costas para ela.
Arya ficou olhando para Sandor que não voltou a olha-la enquanto se banhavam, depois de algum tempo ele saiu do rio e sacudiu o corpo para se secar e voltou a vestir suas roupas. A garota começou a reparar como o homem era grande, e se pegou soltado risinhos dentro da água. Clegane ficou na margem esperando pela garota enquanto se aquecia enrolado na sua capa. Stark saiu da água tremendo atou o cabelo castanho em um coque no alto da nuca vestiu suas roupas sujas e ambos voltaram para o calor da fogueira. Comeram até se fartar da carne de gato-das-sombras assado e vinho que o Cão havia pegado de Roger que fora morto na estrada, começaram a contar piadas sobre como o Cavaleiro das Rosas, Sor Loras Tyrell, parecia uma Lady e o falecido Rei Joffrey tinha lábios de verme e pernas de saracura. Arya Stark gostava quando Sandor Clegane estava de bom humor, mas isso só acontecia quando havia vinho em sua barriga. A tarde já estava avançando e Cão de Caça resolveu se preparar para subir a estrada de altitude, ele afiou os gumes das espadas e emprestou sua espada média a Arya para que ela se defendesse caso necessário, ela achou a espada pesada, mas Clegane a fez dar golpes no ar para se acostumar com o peso da arma. Depois conversaram sobre a irmã de Arya, Sansa Stark e especularam se ela estaria sentada no Trono de Ferro após a morte do rei. Foram se deitar próximos do fogo naquela noite à garota gemia de frio e Sandor a abraçou e a aqueceu com o calor de seu corpo.
Fale com o autor