O Trono de Gelo e Fogo

13 Motivos e Recordações


Notas iniciais
A minha esposa (editora chefe) não teve tempo de corrigir este capítulo, se acharem alguns erros, por favor relevem. eu não aguentava mas segura este capítulo.

A travessia pela Praça de Torrhen era impossível já que o local estava abarrotado de homens vindos do Forte do Pavor. Jon havia se aventurado até a margem da floresta para se certificar, ele não queria passar o Rio Acidentado encarar a cadeia de montes e o braço de mar para chegar até Atalaia da Água Cinzenta.

Jeyne estava com uma tosse esquisita e o nariz de Sor Justin estava com uma tonalidade azulada, só Melisandre se mantinha incólume ao frio invernal do Norte. Jon encontrou com dois homens de Bolton e os abateu tomando posse de um gibão de couro fervido, calças de lã e suas luvas de couro de toupeira junto com um longo manto cinza.

— Não temos outra alternativa senão seguirmos pelas montanhas. — Snow fitou a mulher vermelha com uma expressão carrancuda.

— Vamos atravessar o braço, o Senhor da Luz nos levará em segurança — passou a mão na cabeça de Jeyne que se encolhia com o frio

O abrigo fora construído às presas entre algumas árvores, a umidade da neve molhava as roupas, depois de uma noite mal dormida e um fraco desjejum selaram os cavalos e prosseguiram. Jon Snow ia à frente com Fantasma, ele conhecia bem a região e em meio a alguns vales e colinas uma lembrança veio a sua mente. Quando garoto, Jon fugira do senhor seu pai e da irá de Lady Cat que flagrara um momento de afeto entre Jon e sua meia-irmã. Só lhe dei um abraço e... Pensou, ele havia passado duas noites perdido entre aquelas montanhas até ser encontrado por Eddard que o corrigiu e o levou para a segurança do lar.

Prometi nunca mais me aproximar dela, mas como daquela vez estou indo ao seu encontro contra tudo e todos.

— Por que a preocupação Lorde Snow? — Melisandre olhava Jon como se ele fosse feito de vidro.

— Desculpe? — se fez de desentendido.

Justin e Jeyne vinham um pouco mais atrás e Jon olhou rapidamente para checar se estava tudo bem com eles e se estavam distantes o suficiente para não ouvirem nada.

— Só por que vocês não se chamam Targaryen não quer dizer que é errado.

Snow fez cara de paisagem, será que é tão evidente assim para todos?

Eles estavam seguindo o caminho com menos resistência a margem do Rio Acidentado, não haviam encontrado com nenhuma alma viva durante horas de cavalgada.

— Os deuses condenaram os Targaryen — Jon disse em desafio, mas sua voz vacilou no final. — Nunca consegui fingir muito bem.

A mulher vermelha riu-se dele internamente, mas sua expressão era tão nítida que mesmo seu rosto estando imóvel aquilo incomodou Jon Snow.

— Os deuses nos invejam Jon Snow acredite, eu já os vi. Os Sete de Westeros e os antigos do Norte. — Encarou por um longo tempo.

“Deuses, malditos”, o corvo de Mormont quebrou o gelo.

— Conheceu minha família senhora?

— Depende de que família está falando...

O que será que ela quis dizer com isso? Jon pensou, mas teve medo de saber a resposta.

Eles estavam em um trote suave e sem pressa de chegar ao destino, estavam passando agora bem próximos das Terras Acidentadas. Teriam que avançar um pouco mais, Vila Acidentada era muito próxima de Fosso Cailin e deveria estar abarrotada de soldados de Bolton.

— Eu não tenho mais família senhora, saí de Winterfell e agora deixei a Muralha. — Se manteve frio ao falar.

— Eles nunca foram sua família — meneou a cabeça. — Não sabe nada mesmo, ou sabe fingir muito bem. Qual o seu segredo, meu senhor?

Jon se inquietou na sela e colocou a mão em formato de concha ao lado da boca.

— O motivo pelo qual meu pai me enviou para a Muralha...

— Vamos parar aqui? — Sor justin interrompeu.

—Vamos continuar — respondeu Snow, depois de uma troca de olhares com Melisandre. — Devemos avançar o máximo que conseguirmos. A está hora os homens do bastardo Bolton já deram falta dos seus batedores mortos na Mata de Lobos. — Jon se abaixou na sela para passar embaixo de um galho que se projetava na trilha.

O céu começava a ficar escuro e a neve caía mais ligeira. Jon olhou para cima e arfou ruidosamente.

— Se aumentarmos o passo, e seguirmos por ali — apontou com a mão esquerda em riste. — Chegaremos ainda hoje no braço de mar.

— A garota está febril, me parece que não alcançará nosso destino.

Jon olhou para Melisandre e para Jeyne que vinha quase dormindo em cima da sua montaria. A garota estava mesmo com uma aparência horrível, estava tão pálida que seus olhos pareciam dois buracos escuros em seu rosto.

— Ela vai conseguir, vamos prosseguir senhores. — Melisandre tomou a dianteira.

Jon ficou um pouco mais para trás, ele queria ficar de olho em Jeyne Poole, Sansa me mataria se essa garota morresse. O pensamento trouxe uma alegria mórbida a Snow, sempre quando brincava com Robb e Theon, Jeyne acabava morrendo na torre antes de ser resgatada das garras do dragão.

O pequeno grupo apertou o passo, a cavalgada era segura nas margens do pequeno rio, a terra estava ainda batida e escura e o terreno plano facilitou muito a corrida. Quando resolveram parar para acampar novamente, Fantasma se embrenhou na mata das montanhas. Jon já estava acostumados com as andanças do lobo branco que tinha suas horas de caça. O que viria a seguir não era confortável para Jon, mas ele não sabia dizer se gostava ou repudiava. Não tenho mais controle do que é real ou não, pensou. Algumas noites atrás em Castelo Negro havia participado de um ritual de magia ou não, na estrada, vinha tendo alucinações sexuais com Melisandre ou era tudo real? Jon Snow não se sentia menos honrado por isso, afinal homens e mulheres se divertem o tempo todo nos bordeis.

Sor Justin e Jon estavam terminando de montar o abrigo e Melisandre voltava do lago com um odre cheio de água.

Snow resolveu entrar na mata e se isolar um pouco, ele andou uma boa distância para longe do acampamento, não sabia bem por que estava se afastando, só queria um momento a sós. O corvo de Mormont estava voando em círculos em volta de Jon até a maldita ave parecia compreender que ele queria ficar um momento sozinho. Procurou uma árvore frondosa e começou a subi-la, isso o fez lembrar de seu irmão Bran que era hábil escalador. Encontrou um galho frondoso e se sentou segurando Garralonga no colo com as pernas esticadas sobre o comprimento do galho, recostou as costas e a cabeça e fechou os olhos:

O que teria acontecido se... — A voz saiu baixa e sussurrada. E seu pensamento voou para longe.

...

Winterfell sempre fora um lugar frio e escuro, mas cheio de vida, os servos não paravam de passar para cima e para baixo e levar trombadas de Bran, Rickon, Arya e até mesmo Robb que corria perseguindo os irmãos enquanto ria alto. Jon era mais reservado preferia ficar observando as nuvens deitado no bosque sagrado e várias vezes ele observara sua meia-irmã Sansa Stark fazendo suas orações em frente a árvore-coração.

Em um fim de tarde, Jon havia se arrastado pela grama na intenção de se aproximar mais de sua meia-irmã e ouvir suas preces. Ele obteve sucesso até certo ponto, mas quando tentou ficar de pé atrás da grande árvore branca, Sansa se assustou com o estalido de um graveto que fora quebrado por Jon:

Quem está aí? — seus olhos azuis se arregalaram de medo. — Por favor não me machuque —, se levantou.

Jon saiu de detrás da árvore com as mãos erguidas em sinal de rendição.

— Há... é você —, Sansa se recompôs limpando a terra do vestido na altura dos joelhos. — Faz tempo que estás aí?

Ele engoliu em seco, era notável o desprezo na voz dela.

— Eu não vou incomodá-la mais — fez uma reverência.

O céu girou e as estrelas passaram por ele aceleradas como se a eternidade chegasse ao fim, durante muitos dias Jon Snow ficava no bosque em silêncio observando Sansa rezando aos antigos deuses durante anos sem fim.

Você está aí? — ela se levantou e olhou em direção das árvores que rodeavam o bosque sagrado.

Jon hesitou, mas pulou da árvore onde estava e se apresentou a Sansa sem olhá-la no rosto.

Há quanto tempo está me observando? — levantou um pouco o queixo, o que conferiu uma certa altivez a forma como falava. — Tem feito isso a dias, por quê?

— Eu estava aqui antes da senhora. — Finalmente olhou para aqueles profundos olhos azuis.

O clima era de fim de verão a tarde estava agradável e o vento vinha suave nas folhas vermelhas, fazendo um barulho agradável como uma balada romântica de verão.

Sansa se assustou com alguma coisa e desviou os olhos e apertou as mãos contra o peito, Jon se aproximou instintivamente e antes que percebesse havia tocado nas mãos dela. Quando deu por si ele se afastou.

Jon não se lembrava como começou aquilo, mas Sansa e ele começaram a passar tardes intermináveis conversando em baixo das árvores do bosque sagrado. Jon era mais relaxado e se deitava na grama cruzava os braços atrás da cabeça e observava as nuvens correndo ligeiras entre as folhas das árvores. Sansa se ajoelhava pousava as mãos delicadamente sobre suas coxas e ria de tudo que Jon falava. Eles tinham vários segredos e entre eles o mais importante era que; quando estivessem na frente de qualquer pessoa do castelo não deveriam se falar e demostrar nenhum afeto além da já conhecida formalidade esperada dos nobres. Sansa tinha medo que sua mãe descobrisse que ela gostava de conversar com o bastardo do senhor seu pai.

Um dia como já era esperado, Lady Catelyn ficou desconfiada e seguiu Sansa até o bosque, mas Jon foi mais rápido e subiu em uma árvore saindo de seu campo de visão, Jon havia pregado uma peça em sua meia-irmã, ele se cobriu com folhas e a atacou dizendo ser um Caminhante Branco, ele a agarrou pela cintura e a jogou na grama e os dois ficaram rolando e rindo da situação. Quando Sansa foi embora, se apresentou perante a senhora sua mãe e a mulher desconfiada começou a tirar pequenas folhas secas que estavam enganchadas nas madeixas ruivas da garota. Catelyn fitou Jon Snow com ódio nos olhos, mas não tinha provas para acusá-lo de nada.

Jon deu por si no Salão Comum de Winterfell onde todos os servos do senhor seu pai, estavam reunidos. Ned Stark entrou a passos largos fazendo barulho com o salto da bota no chão:

Minha filha mais velha está desaparecida já a seis horas e a noite se aproxima. Me ajudem a encontrá-la e serão recompensados.

Jon parou de ouvir assim que o senhor seu pai mencionou a palavra desaparecida. Saiu do salão a passos apressados e empurrando as pessoas pelo caminho.

Foi por isso que ela não apareceu no bosque hoje.

Jon foi primeiro até as criptas onde ele e Sansa sempre se encontravam perto do túmulo de Lyanna, era ali o segundo lugar favorito deles. Por último, ele foi até a torre quebrada.

— Quem está aí? — Jon perguntou. — Quem está aí em cima?

Jon estava desarmado.

Jon é você? — disse uma voz rouca e feminina. — Jon aqui!

Subiu a escada e olhou em volta no escuro e conseguiu ver um cabelo ruivo perto do chão empoeirado.

— Calma eu te achei. — Ele disse colocando a mão no ombro da garota.

Jon, salve-me. — Sansa olhou diretamente nos olhos de seu meio-irmão.

Ele percebeu que o pé esquerdo de Sansa estava inchado, ele passou os dedos sobre o local e ela gemeu com o toque dele.

— Venha, segure-se em mim. — Jon colocou os braços de Sansa envolta de si e a ergueu em seus braços, ela sorriu e limpou as lágrimas dos olhos azuis. Começaram a descer as escadas devagar.

Estava com tanto medo Jon. — Ela sussurrou perto do pescoço dele.

— Estamos todos te procurando — respondeu ele.

Ainda bem que você me achou querido Jon. — Sansa levantou o rosto para olhá-lo nos olhos.

Isso é errado garota.

— Tudo bem, já acabou —, Jon disse sorrindo. — Algum dia um heroico cavaleiro te levará nos braços para o alto de sua torre. Os deuses nos fazem dizer palavras cruéis a nós mesmos.

Cada vez que descia um degrau parecia que o caminho ficava ainda mais escuro.

— Irei levá-la ao senhor seu pai. Ele está preocupado.

Eu prefiro que você me leve para a escuridão de Winterfell. Para a escuridão das criptas, ou para dentro de você. — Jon olhou para Sansa pensativo com o que ela lhe disse, ficaram parados no meio da escada por um tempo até que ela o beijou.

Eles se afastaram calmamente e ficaram se olhando, o rosto de Jon se contorceu em uma careta e os olhos de Sansa começaram a lacrimejar.

Só quis agradecê-lo —, ela suspirava as palavras com uma doçura irresistível.

— Eu sei... e é isso que vai me convencer a parar por aqui.

Ele continuou o caminho, como é bom estar com ela, mas não devo confundir as coisas. Jon andou o mais devagar possível, quero prolongar este momento para sempre.

Levou sua meia-irmã até seu pai que ainda estava no salão. Quando entrou muitos o aplaudiram menos a carrancuda Lady Catelyn, que teria arrancado a filha dos braços dele se não fosse a intervenção de Robb e do próprio Ned que entrou na frente e tomou Sansa no colo.

Filha, você está bem?

Sim, meu pai — ela mancou quando Ned a colocou de pé no chão. — Apenas torci o pé esquerdo, nada que um pouco de gelo não cure.

Eddard se voltou para Jon.

Obrigado filho.

Jon não disse nada apenas balançou a cabeça em sinal positivo, ele viu que Catelyn estava furiosa ao invés de feliz.

Me prometa seu bastardo que nunca mais tocará nela!

As palavras afiadas de Catelyn Stark cortaram os ouvidos de Jon Snow que contrariado, fez o juramento.

Sansa Stark iria ficar sete dias de cama, eram essas as recomendações de Meistre Luwin. Tudo isso por causa de uma torção no pé. Jon não conseguia entender ou não queria tentar. Ele ia ao bosque sozinho como antes, mas no quarto dia perdeu a paciência e escalou a torre onde ficava o quarto de Sansa e a chamou da janela, ela não ouviu, estava deitada, adormecida pelos efeitos medicinais dos medicamentos que o meistre estava lhe dando. Jon Snow resolveu voltar mais tarde, ele pulou para um telhado e se equilibrou sobre as telhas um pé após o outro depois se lançou no espaço entre o muro e a torre, caiu durante um tempo até se segurar em uma pedra que se projetava do muro, se balançou para pegar impulso e se jogou para a outra torre abraçando o parapeito, entrou pela janela e se recompôs.

Ao voltar mais tarde Jon percebeu que havia alguém dentro do quarto com sua meia-irmã. Então ele esperou pendurado do lado de fora dá janela até ouvir a porta do quarto bater e Sansa se despedindo da tal pessoa:

— Nossa... pensei que iria congelar lá fora antes que parassem de falar. — Arrumou uma mecha de cabelo que caía sobre os olhos.

O que faz aqui Jon? Como conseguiu?

Jon abraço-a e começaram a conversar um pouco sobre várias coisas, se distraíram com assuntos amenos e estranhamente, procuravam sempre manter o contato físico entre si tocando nas mãos um do outro. No oitavo dia Sansa já estava recuperada e já andava com perfeição, ao cair da tarde ela se apressou para ir ao bosque sagrado, fez suas preces a árvore-coração aos deuses antigos. Sansa se levantou e começou a procurar entre as copas das árvores ela tinha esperança de encontrar Jon Snow pendurado em algum galho como um corvo de penas negras, mal sábia ela que Jon a seguia em silêncio rindo-se por dentro de vê-la arfando e dando pulinhos entre as raízes grossas.

— Buuum! — Jon gritou.

A garota ruiva se assustou tanto que seu rosto ficou da cor do seu cabelo, eles riram tanto que os olhos de Sansa começaram a lacrimejar, mas eram lágrimas de alegria. Se abraçaram e começaram a se encarrar, de repente o barulho de riso cessou.

— O quê? — não dava para decifrar o olhar dela.

Posso te pedir algo?

Jon ficou tenso, a largou de seus braços e se afastou. Lembre-se quem ela é.

O sol não brilhava mais em sua plenitude, as árvores deixavam o bosque com uma penumbra bruxuleante com a luz difusa alaranjada do poente.

— Diga-me Senhora, o que ordenares eu farei. — Inclinou um pouco a cabeça.

Sansa o olhava com uma expressão de descrença.

Por que estás agindo assim comigo agora? Me magoas com essas formalidades. — Colocou o polegar e o indicador no queixo dele e levantou-lhe a cabeça.

Em um movimento suave, segurou as duas mãos da linda donzela branca de cabelos acobreados e olhos celestes, no meio das suas e as beijou delicadamente:

— Me perdoe, não quero trazer nenhum infortúnio sobre...

Por que diz isso doce Jon? O que fizemos de errado.

Jon não sabia a resposta para aquela pergunta.

— Lady Cat...

Sansa o interrompeu projetando o rosto para mais próximo do dele, quando os narizes se tocaram ela parou.

Não diga mais nada Jon — saiu só um sussurro que mais parecia o vento soprando. — Venha ter comigo na cripta logo após a ceia. — Saiu às pressas.

Jon Snow ficou parado por alguns minutos e em seguida se recostou a um salgueiro para poder recuperar o folego e pensar sobre a proposta de sua meia-irmã. É fácil para mim que não sou requisitado a mesa de meu pai sair às escondidas, ninguém notará, mas ela corre grande risco por quê? Eram assim os pensamentos de Snow, mais perguntas do que respostas.

A noite havia chegado, Jon vestiu-se com as tradicionais roupas pretas, minha cor favorita. Ele passou pela sala onde os Stark estavam fazendo sua refeição, ninguém o notará, mas ele percebeu seu pai alegre rindo e dando comida a Rickon de seu próprio prato.

Arya surpreendeu Jon acertando-o com um garfo nas costas.

Jon brincou um pouco com ela e a dispensou dizendo que era melhor ela ir para a mesa antes que sua mãe a chamasse aos gritos. Ele se esgueirou pelas colunas do salão até a porta principal e antes de sair olhou para Sansa. O vestido cinza de lã com adornos de estofo de carmesim em formato de rosas e as tranças de seus cabelos a deixavam ainda mais belíssima.

Se apressou para cruzar o pátio interno até os estábulos quando se encontrou com Sor Rodrik Cassel, Jon o comprimento secamente e entrou nos estábulos para despistá-lo. Pelo Dragão de gelo que falta de sorte a minha. Prosseguiu seu caminho pelas sombras até chegar nas escadarias das criptas pegou uma tocha na mão e desceu de dois em dois degraus quando chegou no tumulo de Lyanna colocou a tocha em um apoio na parede e se escondeu atrás da estátua de granito da tia, aí começa a minha vigília até que ela venha, pensou consigo mesmo enquanto se sentava na pedra e cruzava os braços.

Jon?

Quando ouviu seu nome abriu os olhos e colocou-se em pé rapidamente, deu a volta na estátua e sobre a luz da tocha deu de cara com sua meia-irmã. Ela estava tranquila e serena e de repente toda a ansiedade de Jon se acabou, eles se aproximaram mais para o centro da luz emitida pela tocha para poderem enxergar o rosto um do outro com mais clareza.

— Sansa, está tudo bem? Por que tanto segredo? — Quando falou, sentiu um arrepio percorrer a espinha.

Por um instante a garota virou o rosto e escondeu a boca com a mão, Jon franziu o cenho pensativo. O que será que vira agora?

— É... — Ficou olhando para os próprios pés. — O que aconteceu na torre quebrada...

É melhor esquecer, pelo maldito dragão de gelo. Jon não queria ouvir aquilo.

Você se lembra de quando tudo isso começou? O que eu quero dizer Jon é que...

Vem cáa abraçou segurando-a firmemente.

Como era agradável aquele momento Jon fechou os olhos e sentiu o perfume de rosas invernais que Sansa usava.

Um turbilhão escuro tomou conta da mente de Jon e ele se viu caindo rumo a escuridão de um abismo sem fim.

— O que você fez irmão? — Questionou-lhe Robb de dentro da fumaça cinza.

Ouviu o riso fino de Greyjoy.

Bastardo! Bastardo! — Gritou o escuro e o rosto de Lady Catelyn veio a Jon como uma assombração. — Mande-o a Muralha Ned.

— Chega! — Seu pai o olhava com tristeza. — Seu tio Benjen virá te buscar depois que o Rei Robert retornar para Porto Real, até lá, não cometa nenhuma loucura.

Correndo pela Mata de Lobos, fugitivo de seus próprios parentes, “peguem ele” ouviu a suas costas, mas continuou fugindo, por que não fiquei e lutei? Mas a voz rouca de Sansa dizia: “Fuja, Jon!” E ele fugiu rumo a Praça de Torrhen e se perdeu nas montanhas. “Mande-o para a Muralha pai, não lhe faça mal”. O rosto de Robb apareceu novamente como uma nuvem cinzenta e logo desapareceu, Robb Stark sempre considerou Jon Snow como um irmão legítimo. O rosto forte de Eddard Stark apareceu esculpido no gelo dizendo: “ Não tenho outra alternativa Jon”.

Jon acordou, havia adormecido em cima da árvore que escalara para montar guarda. O corvo de Mormont estava empoleirado na ponta de sua bota.

Fantasma”, a ave crocitou lentamente.

Jon abanou os pés e o corvo bateu as asas, desceu da árvore e começou a fazer o caminho de volta para o acampamento, avistou Fantasma vindo entre as árvores pelo flanco esquerdo. Tenho que levá-la de volta ao nosso lar, de volta a Winterfell.