O Trono de Gelo e Fogo
26 Barganha
Notas iniciais

Sua visão estava completamente embaçada, ao longe ouvia vozes e passos ressoando na sua cabeça como marteladas. Vinho barato da Baixada das Pulgas, Baelish deu por si com a cara enfiada em uma vulva com uma vasta pelagem negra e subindo um pouco a visão pôde contemplar um par de grandes seios...
— Senhor! — Era o timoneiro.
— O que quer homem — era uma pergunta retórica, antes que o homem falasse Petyr fez um sinal para que se calasse. — Eu estava tendo um bom sonho, um sonho... — Se sentou no leito e observou as duas putas que estavam deitadas ali.
O homem com a pele morena sorriu com o canto de seus grossos lábios:
— Sinto muito lorde putaria, mas temos problemas. — Virou as costas e saiu andando por onde veio.
Mindinho apenas calçou as botas e subiu às pressas, caminhou até a proa com dificuldade o vento soprava forte e frio naquela tarde e ele usava apenas uma camisa branca de linho.
— Lothor, o que está acontecendo?
O homem não se virou, apenas falou em alto e bom som:
— Vela negra! — Apontou para uma direção a nordeste.
Greyjoy? o pensamento estava lento e Baelish culpou a ressaca por isso. Brune se adiantou novamente para falar:
— Estão circundando a costa, malditas lulas do mar. Não passaremos despercebidos.
Petyr cruzou os braços e depois acariciou seu cavanhaque.
— Mantenha o curso e se preparem para uma negociação ou...
— Sim, Senhor Baelish. — Vozes falaram em uníssono.
Deu meia volta e começou a cochichar ordens aos homens, Lothor o seguia de perto. Os homens começaram a esconder adagas e espadas em locais estratégicos, alguns começaram a vestir-se com cotas de malha ou coletes de couro cozido.
— Senhor, irá enfrentá-los?
— Eu disse negociar, Sor Lothor. — Baelish já estava de volta a cabine do comandante, aposento que ocupava junto com duas garotas de uma de suas casas em Porto Real.
Brune pegou uma maçã verde da bandeja que estava sobre a mesa limpou na manga do sobretudo e deu uma mordida.
— Não foi o que entendi lá em cima — se sentou colocando os pés sobre a mesa e balançando a ponta do pé.
— Ouvi boatos — as garotas ajudavam Petyr a se vestir com sobretudo de lã e por cima, uma cota de malha negra com anéis muito pequenos. — Se os deuses forem bons terão algo que me interessa. — Estava acabando de vestir um gibão de couro negro todo detalhado com estofo e rebites dourados.
— E acha que lhe entregarão se pedir? — um sorriso zombeteiro brotou no rosto do cavaleiro. — Acredito que as negociações serão hostis.
Petyr calçava uma luva quando devolveu o sorriso sínico ao homem e disse:
— Alguém sempre morre. — Saiu, e parou na coberta principal.
Sor Lothor subiu até o castelo de proa e pelo tubo de Myr viu que os tripulantes do outro navio se agitavam.
— Eles nos viram, estão tramando alguma. — Gritou a plenos pulmões para que Baelish o pudesse ouvir.
Colocando as mãos em formato de concha para conseguir maior ressonância, Petyr gritou:
— Vela Branca! — Em seguida o timoneiro repetiu a ordem por duas vezes. — Temos muitas mercadorias de valor para uma troca, isso, se tiverem o que me interessar.
A embarcação inimiga entrou em velocidade de cruzeiro e em seguida abaixou as velas do mastro principal, sobre o mastro do castelo de popa hastearam uma vela branca. Aceitaram negociar, ou pelo menos é o que querem que acreditemos. Petyr não confiava em ninguém e piratas como os Greyjoy não eram dignos nem da própria sombra. Eles não sabem quem está abordo. O Donzela não possuía insígnia, o propósito era navegar sem ser incomodado por ninguém.
A tensão do momento se estendeu por um bom tempo a aproximação perdeu o tom de ameaça de combate naval. Baelish esperava pacientemente na alta coberta do navio de onde podia ver tudo e todos. Os homens da embarcação Greyjoy lançaram ganchos com grandes varas para aproximar as amuradas e estender tábuas para a passagem, um dos marinheiros de Petyr gritou:
— Apenas uma prancha!
E alguém na outra embarcação respondeu:
— Somos muitos, e pesados!
— Não para negociar!
Algumas tábuas foram retiradas e outras os homens de Baelish jogaram no mar.
— Quem vem lá?
Um homem loiro usando uma couraça que um dia foi marrom com uma lula gigante em relevo que se estendia de seu pescoço até a cintura com um sobretudo todo desbotado e rasgado subiu na única prancha disposta entre os navios, barba hirsuta de pelos amarelos e dentes azulados com ombros que pareciam um julgo de bois.
— Exijo falar com o capitão desta que será minha embarcação.
Lothor deu um passo na prancha.
— E quem deseja nos fazer ir a nado até o Vale de Arryn?
— Bluetooth a serviço do próprio Olho de Corvo.
Olho de Corvo? Euron Greyjoy... Petyr se preocupou um pouco ao ouvir o nome da lenda dos mares, mas das calamidades a menor, seria pior se fosse o próprio Euron aqui e agora.
Brune não esperou por mais palavras.
— O que querem? Estamos a serviço e apenas passaremos se nos deixarem presenteá-los com algumas mercadorias de valor inestimável.
O homem grande e pesado deu dois passos em direção a Brune, que não se mexeu, outros dois marinheiros apareceram atrás dele, homens de baixa estatura comparados com o gigante que parecia medir pelo menos duas cabeças a mais que Lothor.
— Como este barco, por exemplo?
Lothor não demostrou medo apenas sorriu e cruzou os braços.
— Não posso ficar sem transporte nestas águas. Pagaremos um bom preço por escravos que estiverem a bordo, aliviando assim o seu peso extra.
Bluetooth deu uns tapinhas na barriga e abriu um sorriso azulado.
— Carrega tanto ouro nestes tempos de guerra pode ser perigoso, há piratas por aí.
A Prancha era larga, mas o mar balançava e o vento assobiava aos ouvidos.
— Chega de conversa, porque não me mostra o que tem, só queremos escravos. — Lothor estava quase gritando para ter certeza que era ouvido daquela distância.
Os homens do outro lado pareceram conversar entre si até que o grandalhão com a barba loira ensebada e trançada dos dois lados do bigode fez um sinal com a mão e alguns homens vieram trazendo alguns prisioneiros. Lothor olhou para Petyr que estava observando com atenção lá de cima e apesar da escuridão do fim de tarde conseguiu ver o sinal para seguir com as negociações.
— O que quer pelos cinco?
Os piratas ficaram sérios e tensos antes de falarem:
— Cinquenta veados, dois barris de água, vinho e toda a comida defumada que estiver a bordo.
— Dois barris de água, dois de vinho um de frutas secas e um de enguia salgada. Nós também comemos e não trouxemos tantas provisões assim.
— Não se esqueça dos oitenta veados de prata.
— Disse cinquenta!
— Não, não me lembro disso.
A prancha oscilou com a marola.
— Ah, sim, é verdade havia dito trinta pratas.
— Acho melhor não brincar de capitão Foda e as putas da coroa na minha frente rapaz! — A ameaça veio seguida do brandir de machadinhas.
— Vamos com calma aqui — Lothor levantou as duas mãos em sinal pacífico. — Darei as cinquenta pratas e dez barris de vinho.
Esses dez serão todos da Baixada das Pulgas e se não morrerem em batalha morreram de ressaca, malditos. Uma das escravas pareceu muito familiar para Petyr e ele estava disposto a manter apenas o estoque de vinho da Árvore e o doce dornes. Todo o risco vale a pena aqui.
Os dois permaneceram um longo tempo parados ali na frente um do outro até que os homens de Petyr separassem e trouxessem toda a mercadoria para que os Greyjoy as pegassem. Isso foi feito através de uma prancha com calhas que foi colocada do castelo de popa da Donzela para a outra embarcação, ficando inclinada para baixo fazendo os barris deslizarem pela larga calha de madeira enquanto os marinheiros controlavam a velocidade da descida usando cordas, os escravos ficaram em fila única em cima da prancha principal ocupando o espaço entre Lothor e Bluetooth, todos eles estavam acorrentados se caíssem no mar um puxaria o outro para baixo.
Bluetooth estava terminando de contar a bolsa de prata enquanto o ultimo escravo embarcava no Donzela e Petyr já havia dado ordem de subir as velas a todo pano. Esse safado tem um plano, devemos despistá-los na calmaria da madrugada. Enquanto divagava desceu as escadas até o centro do navio onde queria averiguar a mercadoria que acabara de adquirir. Haviam duas mulheres com as características dos habitantes do Vale de Arryn, um homem idoso com os olhos dos Asshai’i e uma cabeça calva.
— Sabe cozinhar? — inquiriu Petyr ao velho que apenas balançou a cabeça positivamente. — Ótimo, vá para as cozinhas descascar batatas. — Pegou as duas mulheres pelo queixo e examinou os dentes delas — dariam boas putas em Porto Real, uma pena que só temos esse navio. — Estralou os dedos e dois homens levaram as mulheres delicadamente para o alojamento dos marujos onde serviriam como distração dia e noite para uns cinquenta marinheiros até chegarem as terras Ândalas.
Petyr se virou para os últimos dois escravos, uma garota de cabelos castanhos desgrenhados e olhos cinzas como o gelo visto a noite usando roupas de homem e um garoto loiro-arruivado com mais ou menos a mesma altura, os dois aparentavam ter entre quinze e dezessete dias de seus nomes.
Sem se virar disse:
— Garoto vá para as latrinas e limpe tudo, quando terminar limpe todo o armazém e mate todos os ratos que encontrar. — O rapaz magricela fez uma reverencia e correu para as escadas.
Petyr Baelish olhou para a jovem a sua frente e sorriu enquanto ela o encarava com fúria.
— Ora, ora, a sorte favorece os audazes. — Colocou as mãos postas na frente do rosto como se fosse fazer uma prece — Lothor, leve-a para minha cabine.
Lothor pegou a garota pelo braço e em meio a protestos, xingamentos e pontapés a levou.
Sejá bem-vinda Arya Stark.
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