Notas iniciais
Muito tempo sem postar, quero agradecer a paciência de quem não abandonou a fic, ela já está terminada, mas tenho que fazer uma revisãozinha antes de postar os últimos capítulos.

Sua visão estava completamente embaçada, ao longe ouvia vozes e passos ressoando na sua cabeça como marteladas. Vinho barato da Baixada das Pulgas, Baelish deu por si com a cara enfiada em uma vulva com uma vasta pelagem negra e subindo um pouco a visão pôde contemplar um par de grandes seios...

— Senhor! — Era o timoneiro.

— O que quer homem — era uma pergunta retórica, antes que o homem falasse Petyr fez um sinal para que se calasse. — Eu estava tendo um bom sonho, um sonho... — Se sentou no leito e observou as duas putas que estavam deitadas ali.

O homem com a pele morena sorriu com o canto de seus grossos lábios:

— Sinto muito lorde putaria, mas temos problemas. — Virou as costas e saiu andando por onde veio.

Mindinho apenas calçou as botas e subiu às pressas, caminhou até a proa com dificuldade o vento soprava forte e frio naquela tarde e ele usava apenas uma camisa branca de linho.

— Lothor, o que está acontecendo?

O homem não se virou, apenas falou em alto e bom som:

— Vela negra! — Apontou para uma direção a nordeste.

Greyjoy? o pensamento estava lento e Baelish culpou a ressaca por isso. Brune se adiantou novamente para falar:

— Estão circundando a costa, malditas lulas do mar. Não passaremos despercebidos.

Petyr cruzou os braços e depois acariciou seu cavanhaque.

— Mantenha o curso e se preparem para uma negociação ou...

— Sim, Senhor Baelish. — Vozes falaram em uníssono.

Deu meia volta e começou a cochichar ordens aos homens, Lothor o seguia de perto. Os homens começaram a esconder adagas e espadas em locais estratégicos, alguns começaram a vestir-se com cotas de malha ou coletes de couro cozido.

— Senhor, irá enfrentá-los?

— Eu disse negociar, Sor Lothor. — Baelish já estava de volta a cabine do comandante, aposento que ocupava junto com duas garotas de uma de suas casas em Porto Real.

Brune pegou uma maçã verde da bandeja que estava sobre a mesa limpou na manga do sobretudo e deu uma mordida.

— Não foi o que entendi lá em cima — se sentou colocando os pés sobre a mesa e balançando a ponta do pé.

— Ouvi boatos — as garotas ajudavam Petyr a se vestir com sobretudo de lã e por cima, uma cota de malha negra com anéis muito pequenos. — Se os deuses forem bons terão algo que me interessa. — Estava acabando de vestir um gibão de couro negro todo detalhado com estofo e rebites dourados.

— E acha que lhe entregarão se pedir? — um sorriso zombeteiro brotou no rosto do cavaleiro. — Acredito que as negociações serão hostis.

Petyr calçava uma luva quando devolveu o sorriso sínico ao homem e disse:

— Alguém sempre morre. — Saiu, e parou na coberta principal.

Sor Lothor subiu até o castelo de proa e pelo tubo de Myr viu que os tripulantes do outro navio se agitavam.

— Eles nos viram, estão tramando alguma. — Gritou a plenos pulmões para que Baelish o pudesse ouvir.

Colocando as mãos em formato de concha para conseguir maior ressonância, Petyr gritou:

— Vela Branca! — Em seguida o timoneiro repetiu a ordem por duas vezes. — Temos muitas mercadorias de valor para uma troca, isso, se tiverem o que me interessar.

A embarcação inimiga entrou em velocidade de cruzeiro e em seguida abaixou as velas do mastro principal, sobre o mastro do castelo de popa hastearam uma vela branca. Aceitaram negociar, ou pelo menos é o que querem que acreditemos. Petyr não confiava em ninguém e piratas como os Greyjoy não eram dignos nem da própria sombra. Eles não sabem quem está abordo. O Donzela não possuía insígnia, o propósito era navegar sem ser incomodado por ninguém.

A tensão do momento se estendeu por um bom tempo a aproximação perdeu o tom de ameaça de combate naval. Baelish esperava pacientemente na alta coberta do navio de onde podia ver tudo e todos. Os homens da embarcação Greyjoy lançaram ganchos com grandes varas para aproximar as amuradas e estender tábuas para a passagem, um dos marinheiros de Petyr gritou:

— Apenas uma prancha!

E alguém na outra embarcação respondeu:

— Somos muitos, e pesados!

— Não para negociar!

Algumas tábuas foram retiradas e outras os homens de Baelish jogaram no mar.

— Quem vem lá?

Um homem loiro usando uma couraça que um dia foi marrom com uma lula gigante em relevo que se estendia de seu pescoço até a cintura com um sobretudo todo desbotado e rasgado subiu na única prancha disposta entre os navios, barba hirsuta de pelos amarelos e dentes azulados com ombros que pareciam um julgo de bois.

— Exijo falar com o capitão desta que será minha embarcação.

Lothor deu um passo na prancha.

— E quem deseja nos fazer ir a nado até o Vale de Arryn?

— Bluetooth a serviço do próprio Olho de Corvo.

Olho de Corvo? Euron Greyjoy... Petyr se preocupou um pouco ao ouvir o nome da lenda dos mares, mas das calamidades a menor, seria pior se fosse o próprio Euron aqui e agora.

Brune não esperou por mais palavras.

— O que querem? Estamos a serviço e apenas passaremos se nos deixarem presenteá-los com algumas mercadorias de valor inestimável.

O homem grande e pesado deu dois passos em direção a Brune, que não se mexeu, outros dois marinheiros apareceram atrás dele, homens de baixa estatura comparados com o gigante que parecia medir pelo menos duas cabeças a mais que Lothor.

— Como este barco, por exemplo?

Lothor não demostrou medo apenas sorriu e cruzou os braços.

— Não posso ficar sem transporte nestas águas. Pagaremos um bom preço por escravos que estiverem a bordo, aliviando assim o seu peso extra.

Bluetooth deu uns tapinhas na barriga e abriu um sorriso azulado.

— Carrega tanto ouro nestes tempos de guerra pode ser perigoso, há piratas por aí.

A Prancha era larga, mas o mar balançava e o vento assobiava aos ouvidos.

— Chega de conversa, porque não me mostra o que tem, só queremos escravos. — Lothor estava quase gritando para ter certeza que era ouvido daquela distância.

Os homens do outro lado pareceram conversar entre si até que o grandalhão com a barba loira ensebada e trançada dos dois lados do bigode fez um sinal com a mão e alguns homens vieram trazendo alguns prisioneiros. Lothor olhou para Petyr que estava observando com atenção lá de cima e apesar da escuridão do fim de tarde conseguiu ver o sinal para seguir com as negociações.

— O que quer pelos cinco?

Os piratas ficaram sérios e tensos antes de falarem:

— Cinquenta veados, dois barris de água, vinho e toda a comida defumada que estiver a bordo.

— Dois barris de água, dois de vinho um de frutas secas e um de enguia salgada. Nós também comemos e não trouxemos tantas provisões assim.

— Não se esqueça dos oitenta veados de prata.

— Disse cinquenta!

— Não, não me lembro disso.

A prancha oscilou com a marola.

— Ah, sim, é verdade havia dito trinta pratas.

— Acho melhor não brincar de capitão Foda e as putas da coroa na minha frente rapaz! — A ameaça veio seguida do brandir de machadinhas.

— Vamos com calma aqui — Lothor levantou as duas mãos em sinal pacífico. — Darei as cinquenta pratas e dez barris de vinho.

Esses dez serão todos da Baixada das Pulgas e se não morrerem em batalha morreram de ressaca, malditos. Uma das escravas pareceu muito familiar para Petyr e ele estava disposto a manter apenas o estoque de vinho da Árvore e o doce dornes. Todo o risco vale a pena aqui.

Os dois permaneceram um longo tempo parados ali na frente um do outro até que os homens de Petyr separassem e trouxessem toda a mercadoria para que os Greyjoy as pegassem. Isso foi feito através de uma prancha com calhas que foi colocada do castelo de popa da Donzela para a outra embarcação, ficando inclinada para baixo fazendo os barris deslizarem pela larga calha de madeira enquanto os marinheiros controlavam a velocidade da descida usando cordas, os escravos ficaram em fila única em cima da prancha principal ocupando o espaço entre Lothor e Bluetooth, todos eles estavam acorrentados se caíssem no mar um puxaria o outro para baixo.

Bluetooth estava terminando de contar a bolsa de prata enquanto o ultimo escravo embarcava no Donzela e Petyr já havia dado ordem de subir as velas a todo pano. Esse safado tem um plano, devemos despistá-los na calmaria da madrugada. Enquanto divagava desceu as escadas até o centro do navio onde queria averiguar a mercadoria que acabara de adquirir. Haviam duas mulheres com as características dos habitantes do Vale de Arryn, um homem idoso com os olhos dos Asshai’i e uma cabeça calva.

— Sabe cozinhar? — inquiriu Petyr ao velho que apenas balançou a cabeça positivamente. — Ótimo, vá para as cozinhas descascar batatas. — Pegou as duas mulheres pelo queixo e examinou os dentes delas — dariam boas putas em Porto Real, uma pena que só temos esse navio. — Estralou os dedos e dois homens levaram as mulheres delicadamente para o alojamento dos marujos onde serviriam como distração dia e noite para uns cinquenta marinheiros até chegarem as terras Ândalas.

Petyr se virou para os últimos dois escravos, uma garota de cabelos castanhos desgrenhados e olhos cinzas como o gelo visto a noite usando roupas de homem e um garoto loiro-arruivado com mais ou menos a mesma altura, os dois aparentavam ter entre quinze e dezessete dias de seus nomes.

Sem se virar disse:

— Garoto vá para as latrinas e limpe tudo, quando terminar limpe todo o armazém e mate todos os ratos que encontrar. — O rapaz magricela fez uma reverencia e correu para as escadas.

Petyr Baelish olhou para a jovem a sua frente e sorriu enquanto ela o encarava com fúria.

— Ora, ora, a sorte favorece os audazes. — Colocou as mãos postas na frente do rosto como se fosse fazer uma prece — Lothor, leve-a para minha cabine.

Lothor pegou a garota pelo braço e em meio a protestos, xingamentos e pontapés a levou.

Sejá bem-vinda Arya Stark.

Notas finais
Sansa fugiu do Ninho, Arya foi recapturada e Jon passou as Gêmeas, parece que o encontro vai acontecer no meio de muita neve e perigos escondidos na estrada de altitude.