O Trono de Gelo e Fogo
17 Amor ou Desejo
Notas iniciais

— Arya? — Já faziam um dia e algumas horas que Sandor não esbarrava com a sua companheira de viagem, isso o preocupou. — Onde aquela magricela se meteu? Perguntas, apenas perguntas e nenhuma resposta.
Sandor estava batendo na porta do quarto da garota Stark, como não houve respostas ele tentou forçar a porta que não cedeu. Parece que está travada por dentro. Deu a volta pelo corredor e após um lance de escada, saiu no jardim a neve caía bem fraca ele rodeou as estatuas e os arbustos olhando para as janelas do quarto de Arya e viu que uma estava aberta e a cortina suja jogada para fora e toda amassada. A desgraçada, fugiu... foda-se! O que Passarinho vai pensar disso? Puxou a cortina com as duas mãos para se certificar que estava presa a alguma coisa e subiu por ela escalando a parede de pedras. Saltou para dentro do quarto e constatou o que já suspeitava; filha-de-uma-cadela, fugiu sem nem me dar adeus. Destrancou a porta e saiu no corredor.
Clegane voltou para seu quarto, foi buscar a Mordedora a sua longa espada de aço valiriano, um presente do merdinha. Pensou no falecido Rei Joffrey. Ele colocou um gibão de couro marrom sem insígnia, se tiver que sair por essas terras não quero ser reconhecido. Na cintura levava sua adaga e a espada média. Armas nunca são demais.
Saiu às pressas para dar a notícia a Sansa, aquelas horas ela deveria estar em seus aposentos. Sandor era um homem muito alto o que lhe facilitava em muito percorrer os corredores e escadas do Ninho da Águia.
O quê!? Parou perto da porta do quarto de Sansa quando ouviu risos animados de mulher. Se recompôs e adentrou no cômodo:
— Minha Senhora — fez uma pequena mensura com a cabeça. — Trago-lhe notícias de vossa irmã.
Sansa estava dentro da banheira de cobre com água e espuma cobrindo os seios Sandor percebeu a pele corada dela e a taça de vidro na mão, está bêbada. Essas garotas brincam com demônios... Quando Sansa o encarrou o Cão fingiu olhar para a parede, Sansa soltou o risinho afetado e suas duas servas riram também.
— Passarinho? — insistiu Cão de Caça.
— A sim, Sor... — balançou a cabeça balbuciando palavras. — O q-que quer que e-eu faça a respeito quanto a l-loba? — Jogou a cabeça para trás enquanto gargalhava. — Vai me beijar como na noite da batalha do Água Negra, não?
Sandor pigarreou.
— Sansa, Arya está desaparecida, é isso que estou tentado te dizer. Ela não está em nenhum lugar, já fiz várias buscas.
— De novo? — Sansa ameaçou se levantar e um seio ficou amostra. — Deixe-a, ela voltar.
Não acredito nessa porra, ele fez sinal com os dois dedos para Iris Redfort se aproximar. Eles se afastaram um pouco da banheira e Sandor aproximou o rosto meio-queimado do rosto sardento da garota ruiva-aloirada.
— Tem notícias de Albar e os homens do portão?
— Albar está muito triste com a morte de seu pai, ele está fazendo uma busca no pé da Lança do Gigante para tentar recuperar o corpo e dar um funeral digno ao pai. — Colocou a ponta da língua entre os lábios.
— Pobre homem, tomara que tenha sucesso. O plano deu certo, Sansa está a salvo até outro imbecil querer saber do falecido meistre.
— Por que a preocupação com Albar? — Iris se aproximou mais.
— Escuta com atenção garota — a segurou pelos ombros. — Terei que sair do castelo e procurar Arya Stark por aí. Ela desconfia de alguma coisa, garota intrometida. — Clegane olhou por cima do ombro e viu Sansa brigando com Myrcalla que tentava cobri-la com uma toalha. — Onde está a outra garota alta? — ele se referia a Mya Stone.
— Nas cozinhas.
— Vou buscá-la, e vocês não saiam deste quarto até que eu volte. — Se virou para sair, mas ao olhar para trás encontrou um sorriso de troça nos lábios da garota de vestido purpura. — O que foi agora?
— Por que não podemos sair até voltares? Tem alguma coisa haver com Albar?
— Você pergunta demais garota o que faço para te calar? — curvou-se para ficar na mesma altura de Iris e deixou bem claro sua intenção quando pousou a mão no cabo da adaga. — Essa aí é uma víbora esperando para dar o bote. — Se endireitou — é melhor obedecer do que sacrificar, então obedeça e quem sabe não ganha um agrado.
A garota Redfort levantou as mãos em sinal de rendição.
Sandor saiu a passos largos para as cozinhas empurrou alguns servos pelo caminho até achar Mya sentada na mesa comendo ou pelo menos era o que lhe parecia.
— Garota das mulas — a levantou puxando-a pela gola do casaco.
— Eiii! Vai com calma grandão.
— Escute-me, terei que descer e procurar por Arya, ela fugiu do Ninho. Vá para o quarto de Sansa e a mantenha lá dentro até meu retorno. Sou responsável pela vida dela.
— Por que esse suspense todo, já fui interrogada por Albar e outros membros do Conselho do Vale e eles acreditaram naquela história pra-boi-dormir que me instruíram a contar.
— Faça o que estou mandando — apertou o braço da garota até ela gruir de dor. — Arya não está no castelo e Sansa está bêbada demais para tomar qualquer decisão.
— Está louco!? Quase quebrou meu braço — Mya se afastou do Cão. — Tem certeza que ela desapareceu?
— Sim, já fiz buscas por todo o castelo e nenhum sinal. Seu quarto está trancado por dentro e a janela estava aberta com a cortina toda suja e amarrotada para o lado de fora da sacada. — Colocou dois dedos na frente dos lábios —, algo me diz que está indo para algum porto do Vale e de lá para as Cidades Livres.
— Eu vou junto, para ajudá-lo a achá-la.
— Não pode.
— Não conhece essas terras como eu as conheço.
— Não, Sansa pode precisar de ajuda — Sandor foi guiando Stone para fora da cozinha. — Vou levar aquele escudeiro com a cara feia...
— Calays!? — apontou o dedo em riste.
— Esse mesmo — disse enquanto piscava um olho. — Pegue seu brinquedo e vá para o quarto da sua senhora e não abram a porta para ninguém até meu retorno.
Mya lembrou-se de sua clava que estava escondida debaixo da cama de Myrcalla.
— Fora Calays e Sor Morton, todos os rapazes estão comprados — Sorriu para uma cozinheira que passava com um cesto de maçãs.
— Eu sei, eu mesmo me certifiquei de ameaçar cada um deles e pagar-lhes o suborno. Mesmo assim não confio nesses canalhas. — Sandor era desconfiado como um cão deve ser.
Eles chegaram ao pátio e Sandor foi conversar com Sor Morton, enquanto Mya se dirigiu aos estábulos para selar as mulas que fariam a descida pela Lança do Gigante. O velho cavaleiro não ofereceu muita resistência a ideia de Clegane de levar seu escudeiro já que a garota bastarda estava enlutada pela morte de Nestor Royce, ele sabia que Lorde Royce havia criado Mya desde criança quando está foi deixada aqui pelo próprio Jon Arryn.
— Senhor — era Calays com o nariz escorrendo e a cara cheia de espinhas. — Sor Morton me pediu que o guiasse pelo Vale, mas não me disse para onde iriamos.
Sandor estava olhando a mula ele sabia que era difícil para um homem de grande estatura seguir montado em um animal tão pequeno.
— Vamos procurar alguém.
— Já que mencionou alguém, o velho Ely que está responsável pelas correntes no Castelo Céu viu uma jovem trajando roupas de couro descendo apressadamente para os Portões da Lua. — Fungou o grande nariz torto.
— O que mais ele disse ter visto? — Clegane se lembrou de ter visto um vestido no chão do quarto de Arya com os sapatos no meio dele. — Ela trocou de roupas antes de sair.
— Ele desconfiou por que a garota escondeu o rosto e não cumprimentou ninguém — coçou o nariz.
Arya demônio do Norte volta à ativa.
— Garoto esperto — Sandor jogou uma estrela de cobre para o escudeiro. — O que mais sabes?
— O cavalo branco que atende por nome de Covarde sumiu ou foi roubado dos estábulos do portão.
Aquela boceta já deve estar a milhas daqui.
— Vamos logo, temos um longo caminho pela frente e pouquíssimo tempo a nosso favor. — Sandor puxou a sua mula pelas rédeas.
No Castelo Céu, Cão de Caça conversou com o velho das correntes e prosseguiu até completar toda a descida o jovem Calays estava reclamando por que Clegane não o deixou parar para comer ou descansar. Arya por que fez isso? Por que deixou a segurança de sua família?
Saíram pelo Portão da Lua a pleno galope, Estranho estava empolgado, o grande corcel saltava e se agitava. Faz tempo que não cavalgamos juntos rumo a uma batalha, Cão de Caça sorriu com as lembranças. Seguiram pela estrada que afluiriam na Vila de Ferrobles, de lá Arya tem cinco escolhas para fazer, Baía dos Caranguejos já descarto; por que ela teria que passar pelo Forte Vermelho e como disse o Cara-de-Espinha os portos mais fáceis de serem alcançados. Sobrava ainda, o porto de Vila Gaivotas e Pedrarruna, longe demais, eu teria escolhido Ancora Velha. Fica mais perto de Os Dedos e de Braavos. Enquanto divagava Sandor atiçou Estranho para correr, ele tinha pressa.
— A quanto tempo a pessoa está desaparecida? — Calays falou alto devido ao ruído do vento.
— Quase dois dias... — Sandor atiçou o seu cavalo. — Tomará que consiga achá-la.
A estrada estava vazia, os dois cavaleiros se apressavam com suas capas chicoteando ao vento. O céu estava no crepúsculo, uma tonalidade arroxeada riscava as nuvens e a neve finalmente havia dado uma trégua. Passando por uma trilha aberta pela mata Sandor viu pegadas de cavalo e desceu de sua montaria para analisar, do tamanha de Covarde. Ele mediu com a palma da mão, pode ser para despistar.
— Garoto! — Sandor andava de volta para Estranho. — Vamos aos portões da vila algum camponês pode ter visto alguma coisa.
Calays estava se aliviando atrás de uma moita.
Ao chegar nos portões de Ferrobles, Cão de Caça foi falar com um homem que estava parado logo na entrada, os portões estavam fechados devido ao cair da noite. Ele trocou meia dúzia de palavras com o homem que lhe mandou a outro.
— Ei, homem? — Clegane se aproximou com cuidado.
O sujeito se virou e retirou o capuz de sobre a cabeça, Sandor o reconheceu da Taverna Falcão Herdeiro, ou era Facão dos Herdeiros!? Foda-se!
— O que queres Sor? — o homem tinha um rosto duro e olhos altivos e vivos. Mostrou o cabo de uma espada longa que trazia a cintura.
— Quero uma informação sobre uma viajante errante — com cuidado, levou a mão até o cabo da adaga que estava nas suas costas na altura da cintura. — Seu amigo da porta disse que sabias de algo para me informar. — Clegane percebeu que o homem era tão alto quanto ele próprio.
— De fato, presenciei a senhorita Suzan Stone vagando pelos ermos a leste. — apontou com os dois dedos da mão esquerda.
Suzan... esse foi o nome falso que Arya usou no dia do festim. Antes que Sandor falasse, o Ranger ergueu o queixo quadrado e disse:
— Ela está se dirigindo ao porto de Ancora Velha, ou ira circundar as montanhas até Os Dedos.
— Me parece que sabes demais —, sorriu enquanto destravava a adaga da bainha. — Para que casa trabalha? O maldito se lembra até dos nomes...
O homem alto que também usava roupas negras com exceção da capa verde-acinzentada encarou Sandor com um olhar digno de um grande rei.
— Não trabalho para ninguém de Westeros, não tenho amigos aqui. — Ele trocou de posição e Sandor percebeu que ele previra o possível ataque de sua lâmina curta.
Clegane sorriu para descontrair o clima de tensão:
— Com essas armas aí que andas carregando, diria que é capacho dos Lannister. — Sandor ficou imóvel, havia algo no homem que o alertava para tomar cuidado com as palavras e os movimentos.
— Não sou daqui amigo...
— Então, pode me levar até onde seguiu o rastro de Lady Suzan? Não, cacete... — Sandor percebeu nos olhos do homem que ele havia acabado de confirmar suas suspeitas sobre quem Clegane procurava.
O Ranger o fitou longamente e respondeu:
— Sim, não posso deixar jovens senhoras perdidas, piratas rondam as águas do Mar Estreito.
— Vamos logo!
— Você primeiro — fez sinal para Clegane ir rumo a seu cavalo.
Cão de Caça se intrigou com aquele cavaleiro que não usa insígnia nem brasão, mas possuía uma altivez notável até mesmo para o mais idiota dos beberrões.
— Como posso chamá-lo? — Se lembrou que na taverna a estalajadeira o chamou de Passolargo.
— Passolargo, é meu nome por essas terras.
Seguiram rumo ao leste e entraram na floresta do vale logo no sopé das montanhas que circundavam abaixo da Lança do Gigante, não seguiram em linha reta por que havia um rio entre eles os portos e Calays e Passolargo pareciam conhecer muito bem o caminho pelas trilhas dentro da mata fechada. Esse sujeito não me parece um assassino, nem em parece ser daqui. Cão de Caça estava alerta com Passolargo.
— Me parece que se perdemos.
— Não, mestre Clegane — o Ranger saltou do seu cavalo para observar a grama que estava amassada junto com a neve naquele trecho da fina trilha no meio da floresta.
Minha cicatriz deve ter me denunciado, Sandor desmontou e foi até onde o homem vestido de negro estava agachado.
— O que foi? O que encontrou aí?
— Um cavalo esteve amarrado aqui nesta árvore, e alguém encobriu uma fogueia naquela pequena clareira ali. — Se levantou e com passadas amplas atravessou o terreno até uma picada aberta recentemente. — A galhos quebrados por aqui — quebrou um galho e enrolou uma estopa na extremidade, em seguida bateu com pedras de fogo para acender uma tocha. — Veja! — Levantou os dedos no rosto de Clegane.
Depois de algumas piscadas para se acostumar com a luz da tocha Sandor viu uns quatro fios de cabelo. Arya esteve aqui, pensou.
— Vamos continuar!
Seguiram pela picada com dificuldade haviam vários galhos no meio da passagem, e como só havia uma tocha, Passolargo seguia na frente e Sandor na retaguarda.
— Senhor a gato-das-sombras escondidos na floresta — o jovem espinhento não parava de olhar nervosamente para os dois lados da trilha.
— Calma filho os felinos não atacaram enquanto estivermos em cima de nossos cavalos. — Passolargo colocou um dedo na frente dos lábios —, agora faça mais silêncio.
— Ehhh... seu maricas, pare de choramingo. Me lembro que Arya matou um desses gatos malhados no início da estrada de altitude. Será que ela conseguiu escapar e chegar sã e salva aos portos? Eu deveria tê-la fodido até abri-la ao meio... ela iria gostar. — Cão de caça soltou um risinho de satisfação com a possibilidade.
— Qual a graça senhor?
— A boceta da tua mãe Cara-de-Espinha, vê se não me amola. — Sandor estava absorto em pensamentos que envolviam Arya, Sansa, Mya e talvez um suculento pedaço de faisão assado.
— Estamos nos aproximando da cabeça do rio — avisou Passolargo. — Eu só vou até aqui.
— O quê? Estamos no meio do nada e não achamos a garota, só o que temos e um chumaço de cabelo e algumas pegadas na neve. — Estranho se agitou.
— Vejam! — O escudeiro de Sor Morton Apontou por entre as árvores.
Lá deslizando nas águas do rio uma dracar sem velas levantadas vinha subindo pela margem leste, Passolargo fez sinal para que eles desmontassem e se abaixassem nos arbustos.
— São da vila!?
— Usando armadura e com a vela abaixada, creio que não — Passolargo avançou para ver mais de perto, mas fez sinal para Sandor e Calays não se mexerem.
O inexperiente escudeiro temeu por sua vida.
— Senhor, será que é uma emboscada? — ele pensou que os homens no barco estavam com Passolargo e eram inimigos.
— Não, garoto. Me parece com o tipo de embarcação que os Greyjoy usam — Sandor coçou a cabeça.
— Piratas!? Pior ainda...
— Cale-se seu imbecil — deu uma tapa na nuca do rapaz. — Acho que vão passar direto até a cabeça do rio. Pode ser um truque, os Lannister ou o Lorde dos bordeis pode estar por trás disso... — É melhor sairmos daqui.
Calays olhou para onde Passolargo havia se escondido.
— E ele?
— Merda! Vou buscá-lo, e você, volte para os cavalos e aguarde — começou a se esgueirar por entre as árvores até chegar onde seu companheiro de trilha estava. — O que estas fazendo? Vamos sumir daqui! — Clegane se deitou na grama cheia de neve.
— Não, eles podem estar com a sua lady — se voltou para poder olhar Sandor nos olhos. — Eu vim para essas terras de navio, encontrei com piratas no Mar de Jade e usavam as mesmas cores no gibão e em suas capas. — Passolargo percebeu que a dracar estava se aproximando mais da margem e um homem saltou para a água. — Eles estão vindo
— Ótimo... foda-se, que azar, os Sete Malditos querem me ferrar. — Sandor se apoiou nos cotovelos para ver melhor. — Lula gigante! — Falou —, Greyjoy...
— Conheces esses homens?
— Piratas e malditos rebelados. Eles ainda não nos viram, vamos sair daqui. — Saíram rastejando por entre os arbustos.
Desceram correndo a pequena encosta até chegarem ao local onde deixaram os cavalos.
— E se a tiverem pego? — Questionou o Cão.
— Me parece possível, piratas sabem identificar um nobre e cobrar altos resgates por eles.
— Vamos embora daqui!
— Cala a boca Cara-de-Espinha —, Sandor montou em seu corcel. — A cavalo temos vantagens sobre eles. E a também o elemento surpresa.
— Vamos esperar que estejam assentados em terra pegamos alguns com o arco e depois partimos para o corpo-a-corpo. — Passolargo pegou um arco recurvo que trazia preso a sela de seu cavalo.
Sandor sacou sua espada de duas mãos, a Mordedora.
— Vou seguir pelo flanco direito e vou cortar pelo meio deles. O garoto me dá cobertura.
Passolargo sorriu com o canto da boca, Clegane fez o mesmo. Ele voltou um pouco na trilha e se embrenhou na mata para sair um pouco acima de onde os piratas haviam desembarcado em terra firme. Passolargo seguiu em linha reta para pegá-los com seu arco quando Sandor desse o sinal de atacar.
Os homens que desceram do barco estavam colocando alguns volumes no chão e outros traziam lenha, Passolargo esperou e visualizou Sandor e Calays a direita entre as árvores.
Sandor Clegane esporeou Estranho para avançar sobre os homens que desavisados tentaram se defender com os braços que eram decepados pela Mordedora que subia e descia com violência e maestria de um grande espadachim. Calays abatia os moribundos de cima de seu garrano com um martelo de ponta afiada que perfurava os meio-elmos no topo da cabeça. Os que conseguiam se armar eram alvejados pelas flechas certeiras de Passolargo, Sandor passou duas vezes galopando a todo vapor fazendo homens cair pela espada ou pelo peso do corpo de Estranho, mas foi cercado por alguns homens usando arpões e ganchos de pescar.
— Garoto vá ao barco e procure pela garota! — Ele combatia ferozmente contra os ganchos que eram lançados em direção de seu pescoço. — Merda! Cadê as flechas de Pass... — Sandor não teve tempo de raciocinar.
— Elëndil! — Passolargo apareceu gritando e brandindo sua espada longa e prateada.
Ele abateu três homens que estavam travando a dianteira de Estranho que empinou e posou com as patas dianteiras no rosto de um homem com uma longa barba castanha cor de areia fazendo a sua cabeça virar uma massa disforme. Sandor tocou o cavalo para fora do círculo de atacantes, mas Passolargo avançou com velocidade contra eles fazendo grandes giros com a espada e alguns caíram agonizando de dor.
— Vá até o barco! — Passolargo lutava sozinho contra sete homens.
Quem é este homem? Sandor já tinha avançado pela esquerda para seguir até o barco. Ele ouviu um baque surdo vindo do barco desceu rapidamente e foi correndo e saltou por sob a proa o movimento brusco o fez escorregar e ele se estatelou no chão molhado, enquanto caía percebeu um vulto saltar da popa para a terra. Minhas costas estão me matando, estou ficando velho para isso. Ficou de pé e segurou a espada com as duas mãos e continuou andando até o outro lado da dracar.
— Levante-se idiota! — Clegane chutou Calays que estava no chão sem se mover. — O maldito bateu as botas — percebeu uma pequena perfuração em sua jugular. — Agulha, Arya estava aqui, foi ela que saltou agora a pouco. — Saltou na água fria e voltou até Estranho, montou e seguiu para onde havia visto o vulto ir. — Passolargo sabe se virar, Calays foi tarde para os Sete Infernos, menos um problema para Lady Sansa. — Enquanto pensava acelerou o galope e seguiu no encalço de sua presa que estava a cavalo.
No meio da estrada que seguia margeando o rio começou a chover, Sandor começou a visualizar uma capa esvoaçando no vento e atiçou ainda mais o seu corcel que respondeu bem ao comando.
— Arya!? — Sandor começou a ficar furioso. — Pare de fugir Arya!
O cavaleiro a sua frente, começou a fazer ziguezagues por entre as árvores para que Sandor o perdesse de vista. O Cão manobrava bem o seu cavalo e não ficou para trás prevendo cada movimento de seu alvo. Por três vezes Sandor esteve próximo de agarrar sua presa, mas ela escapou. Continuaram nesse embate por um bom pedaço da estrada quando o garrano que era do falecido Calays se cansou, mas Estranho bufava como uma caldeira de ferreiro e estava a todo vapor. Sandor se aproximou pela direita, Arya é canhota então não terá anglo para desferir um golpe em mim.
— Desista piralha! — Sandor conseguiu ver o rosto de Arya por completo.
— Não! Irei fugir!
— Não vai a lugar nenhum, loba! — Sandor Se jogou de sua sela e abraçou Arya, os dois rolaram pela neve.
Arya jogou as pernas para cima e em seguida empurrou o corpo para cima com as mãos saltando e ficando de pé com a habilidade de uma gata, sacou Agulha da bainha e a apontou para Clegane que já estava de pé, mas sem espada na mão.
— Por que veio atrás de mim, Cão? — Arya desenhou um arco no ar com a espada e depois investiu com uma estocada em direção ao pescoço de Sandor.
— Ficou louca! — Ele desviou se agachando colocou a mão no quadril dela e a empurrou para longe.
Arya perdeu o equilíbrio, estava nitidamente irada e seus olhos vermelhos como sangue:
— Não era para teres vindo atrás de mim, fugirei deste vale — fingiu um golpe na direção do braço direito do Cão de Caça, mas no meio do movimento fez uma manobra com o pulso e o acertou na coxa direita com a ponta afiada da espada.
Sandor percebeu tarde demais o movimento e foi ferido por seis centímetros de aço que lhe penetraram a carne.
— Sua bastarda! — A ponta da espada de Arya havia ferido a perna de Sandor e do pequeno orifício saiu um fino filete de sangue. — Pare já com isso menina, jurei te proteger, por isso estou aqui.
— Jurou! — Arfou e engoliu o choro — fizeste juras a Sansa e te ajoelhastes perante ela. Desgraçado! Volta e proteja tua senhora contra sombras e mentiras. — Ela balançou a espada rápido em direção ao rosto do homem.
Sandor deu alguns passos para trás e enrolou o braço direito na sua grossa capa, Arya investiu mais uma vez tentando estocá-lo no peito, O coração, acerte o coração... aprendeu bem a lição garota do Norte. Enquanto pensava, Sandor girou sua capa e o tecido se enrolou na espada e no braço esquerdo de Arya desvencilhando seu golpe. Mas eu sou seu mestre e não ensinei todos os meus truques. Arya lutou para se soltar, era tarde demais, Sandor a abraçou e a ergueu acima do chão depois a jogou na neve.
— É melhor ficares no chão — ele montou em cima do quadril da garota e segurou seus braços.
— Me solta, por que não me deixa ir? — gritou e esperneou na tentativa inútil de se ver livre das pernas e mãos do Cão de Caça.
— Não tens de querer — virou o corpo de Arya a deixando com o rosto na neve e amarou suas mãos para trás.
Sandor ergueu a garota esguia nos ombros e a levou em meio a xingamentos e maldições até Estranho onde a amarrou na sela, voltou e pegou a aspada que estava no meio da lama e o cavalo cansado de Arya.
— Me solta Sandor! Me deixes ir! — Arya gritava e chorava de raiva ao mesmo tempo.
— É melhor ficar quietinha ou eu te amordaço. — Montou no cavalo deixando Arya na sua frente. — Pode haver mais desses piratas pela região —, deu meia-volta e seguiu para onde havia deixado o Ranger lutando sozinho contra sete homens da frota Greyjoy. — Essa chuva vai atrapalhar a viagem e eu não sei o caminho de volta pela trilha que Passolargo me conduziu. — Quando chegou na clareira da batalha, Sandor viu alguns corpos no chão, mas o Ranger não estava entre os mortos. — Para onde o desgraçado foi?Ao menos ele venceu a luta. — Soltou seu característico riso fungado.
— Me solte Cão, eu ordeno! Me largue imediatamente.
Clegane estava cheio das gritarias de Arya, ele rasgou uma tira da manga de sua camisa.
— O que vai fazer? Pare com isso San...hmm, haam... — em meio a protestos, Arya foi rudemente amordaçada.
Adoro quando ela se faz de difícil.
— Desculpe-me minha Lady —, Sandor deixou que o sarcasmo transparecesse em sua voz metálica. — Não estou entendendo o que dizes. — Deu um tapa na bunda da garota — me parece que deu uma encorpada.
Ele seguiu pela trilha na escuridão e na chuva, chuva e neve ao mesmo tempo, alguns diriam que é mau presságio. Eles cavalgaram por um longo tempo no meio da floresta até que Sandor percebeu; estamos perdidos. Ele seguiu por uma clareira a procura de um abrigo, a culpa é minha por não prestar atenção na porra do caminho, Sandor se distraiu em uma boa parte da trilha enquanto olhava para o couro da calça de Arya que estava bem apertado em seus glúteos. Conseguiu achar uma estrada demarcada por troncos podres na lateral da floresta e continuou seguindo, chegou até uma ponte rustica que servia para atravessar um pequeno brejo. Desmontou e começou a guiar Estranho pela passagem que parecia chiar com o peso, depois que passou os dois cavalos, Clegane voltou a montar e após algum tempo chegou até uma choupana.
— Não faça nada imprudente — falou para Arya entredentes enquanto a segurava pelos cabelos para que ela o olhasse no rosto meio-queimado.
Arya estava limitada só a fazer sinal com a cabeça.
Sandor se aproximou da habitação com a sua espada média na mão, tocou levemente a porta que se abriu, estava tudo escuro e ele entrou na choupana com cautela. Me parece coisa de bruxaria essa merda toda, tomara que não haja nada envolvendo fogo neste maldito lugar. Tudo parecia estar em ordem, mas a poeira no lugar e a falta de alimentos denunciava que; quem quer que habitasse ali, teria deixado o local a poucos dias. Ou para caçar ou definitivamente, pensou o Cão enquanto voltava até onde havia deixado Arya e os cavalos. Vamos ter de passar a noite aqui de qualquer jeito.
Sandor tirou o seu manto para improvisar uma cabana para Estranho do lado de fora da choupana por que o teto era baixo e não dava para entrar com os cavalos. Colocou Arya sobre o que julgou ser uma cama de palhas e acendeu o fogo que ficava no meio da choupana em um círculo de pedras.
— Temos fogo e um teto sobre nós — ele começou a tirar as roupas e lançá-las sobre uma vara que estava esticada sobre a fogueira para poder secá-las. — Vamos ver o que temos para comer — começou a mexer no alforje que era de Calays. — Hmmm! — Resmungou Cão de Caça — um odre de vinho, queijo e maçãs.
Foi até onde Arya Stark estava deitada, amarrada e amordaçada.
— Não grite ou eu volto a ti amordaçar, entendeu? — ele tirou a mordaça dela. — Aqui beba um pouco.
Arya fez um muxoxo com a boca:
— Estou de mãos atadas, idiota — ela não deixou de olhar para o tórax desnudo do forte homem que fora o calção de couro, não usava mais nada.
— Irei desamarrá-la — começou a desatar o nó. — Não faça nenhuma burrice. ...Ou faça, que será um prazer amarrá-la novamente. — Cão de Caça tinha um sorriso sinistro nos lábios.
Foram para perto da fogueira e Arya começou a comer e a se aquecer, Sandor não falava nada só a olhava por debaixo das grosas madeixas negras de seus cabelos, o silêncio permeou por um longo período entre eles até que Arya questionou:
— Por que veio atrás de mim?
— A tua irmã...
— Por favor, chega dessa mentira — Arya o interrompeu no meio da frase. — Ela não o mandou.
— Não pode fugir dela, pare com essa besteira de dançarina assassina, ou seja lá o que for que tenhas em mente. Prometi que a resgataria.
— Prometeu a quem? A minha maldita e doce irmã. — Arya se agitou e tirou a capa e o casaco molhados e os jogou na vara para secarem no bafo das chamas. — Eu não sei se percebeu, mas ela não faz questão de minha presença, já a sua...
— O que quis dizer com isso? Vocês duas são parentes, acho que está se preci...
— Eu vi você se ajoelhando para ela assim que chegou no Ninho. Vi quando andava com as servas dela em cantos escuros do castelo. — Pegou o odre e bebeu um gole rápido —, vi quando começou a me evitar por que já... — Ela olhou para as chamas e mordeu os próprios lábios tentando achar as palavras certas.
Clegane sorriu friamente. O que foi isso, ciúmes? Ela está louca para foder comigo.
— Besteira de mulher, te protegi na estrada até aqui e te resgatei dos piratas, te salvei duas vezes. Quer mais lealdade que essa? Juro lealdade a sua magnifica bunda! — O vinho estava fazendo sua parte na mente de Clegane.
— Por que veio atrás de mim? Responda! — Arya se exaltou e se levantou para poder olhar Sandor mais de perto.
Sandor ficou de pé na frente de Arya e ele era bem mais alto do que a garota Stark. A verdade é que não quero deixá-la partir, por quê? Pensou, mas disse:
— Eu já te falei, tua irmã me ordenou! — Seus dentes rangeram com a força que havia feito para dizer as palavras —, mas estou pensando o que irei fazer...
— Minha irmã não se importa se estou viva ou não — Arya foi para perto da fogueira. — Os planos dela não me incluem.
O que será que ela está tramando? Sandor suspeitou que Arya usaria o fogo contra ele. E se antecipou para lhe segurar dando-lhe uma chave de braço.
— Aaah! — Ela gritou de dor, mas seu agressor não cedeu. — Me solta —, lutou para se libertar e sentiu ainda mais medo quando percebeu algo de diferente nos olhos do Cão da Caça. — Esses são os olhos daquela vez quando ele me espremeu na pedra na estrada de altitude... ahhh não, estou perdida! — Mesmo sabendo de sua desvantagem Arya lutou contra Sandor, esbofeteando a face com a mão livre, mas ele a virou de costas e a jogou na cama de palha voltando a amarrá-la os pulsos. Arya se debateu e gritou em vão antes de Clegane a amordaçá-la novamente.
Arya chorou de raiva novamente até que sentiu um fungado perto de sua nuca, Sandor estava com o nariz bem perto de sua cabeça e os pelos de seu pescoço se irisaram. A verdade é que eu estava desejando isso. Sandor estava totalmente envolvido com o toque do corpo e o cheiro que Arya tinha. Isso é loucura, se me pegarem serei perseguido e morto. Ele começou a beijá-la no pescoço.
— Hmmm! Hammm! — Arya tentou falar.
Sandor levantou puxou a camisa da garota e apalpou os seus seios apertando com força até que Arya gemeu.
— Hmmm, Nnn.
A respiração de Arya ficou entrecortada e acelerada. Ela chorou e tentou falar, mas a mordaça a impedia. Não aguento mais me segura, Clegane havia se mantido longe de mulheres enquanto esteve no Ninho da Águia, tive várias oportunidades com a gostosa bastarda e as outras servas de Sansa, mas não quis macular sua confiança na minha pessoa. Cão de Caça era acostumado a ter mulheres sempre que desejava, mas desde que veio com Arya pelo caminho até o Ninho, ele havia notado algo de diferente por que em segredo, ele desejava possuir a irmã mais nova de sua senhora, mas temia e amava Sansa mais que tudo em Westeros.
Os desejos da carne turvaram a mente do Sandor Clegane e ele começou a tirar o calção de couro de Arya, ela fechou as pernas inutilmente ele desceu a veste até seus joelhos ela permaneceu com as penas cruzadas uma na outra. Sandor a segurou com força pelos cabelos e levou a outra mão até sua cintura pegando em sua anca com força e a abrindo.
— Hmmm! — Chorou o mais alto que pôde.
— É melhor aceitar loba, vai ser bem mais prazeroso para ambos. — Mordeu levemente a pele do ombro, depois pescoço e orelha de Arya e depois a penetrou com força ficando parado em cima dela por alguns minutos.
Ele continuou a beijá-la e pegou seu rosto com as mãos e o virou para beijar seus lábios amordaçados, Arya permanecia com os olhos fechados e lágrimas escorriam nas maçãs de seu rosto, Sandor as lambeu e depois voltou a apertar os seios da garota até que ela empinasse o quadril para cima, ele enfiou as mãos por debaixo dela para a impedir de abaixar os glúteos novamente e cinco vezes fez um movimento de vai-e-vem com força saindo e entrando de dentro dela e depois parou novamente e recomeçou a acariciá-la. Estou louco de vontade de fode-la, não, não é tarde demais posso parar aqui. Enquanto pensava, sem perceber Clegane estava se movimentando com mais força com mais violência em cima da garota de Winterfell que gemia a cada estocada que ele lhe dava. Como é quente, e quanto mais geme mais eu a quero, ele continuou durante muito tempo em cima dela e quando estava suando devido ao calor dos corpos, o desejo e o esforço ele a puxou para trás pelos cabelos e ela ficou de joelhos e rosto apoiados na palha e ele em pé atrás dela, continuou a puni-la. Quando seu sémen ia jorra ele tirou seu pau para fora dela e ejaculou nas costas da garota, tirou a mordaça que lhe prendia a boca e se deitou com ela em seus braços e ambos descansaram e voltaram a fazer várias vezes naquela noite.
A luz tênue de mais uma manhã de inverno passava pelos buracos na parede e incomodaram os olhos de Sandor Clegane, O quê? Para onde ela... ele logo percebeu que estava sozinho dentro da choupana. Ela fugiu novamente, constatou, quando se levantou percebeu que sua espada longa estava fincada entre suas pernas, sorriu internamente. Entendi o recado Arya, Sandor sabia que não importava o que ele fizesse, Arya iria continuar sendo ela mesma. Ela é livre e não será dominada pela irmã ou por mim. Se vestiu e saiu para fora respirando o ar frio da manhã.
— Estranho! — Chamou e depois assobiou, o grande corcel de batalha relinchou em sinal de resposta. — Vamos voltar para Lady Sansa — sorriu e partiu de volta para o Ninho da Águia, com seu fiel cavalo e a lembrança de uma noite com Arya Stark.
Nunca a esquecerei...
Fale com o autor