O Trono de Gelo e Fogo
2 Adeus à inocência
Notas iniciais

Ela despertou com batidas na porta de seu quarto, as noites no Ninho da Águia se tornaram uma tormenta após a morte de sua tia Lysa. Sansa raramente conseguia um descanso tranquilo, constantemente importunada por seu primo Robert Arryn, um menino enfermiço que era acostumado a dormir na mesma cama que sua falecida mãe. Algumas vezes por ter pena do garoto Sansa Stark se permitiu ficar junto dele em seu quarto até que ele viesse a adormecer. Robert tinha ataques de tremores durante o sono e fazia barulhos indistintos com a boca como se estivesse sonhando algo muito perturbador sempre sujava suas roupas de cama como um recém-nascido e às vezes tentava colocar a boca no seio de sua prima, o que fazia com que Sansa despertasse várias vezes durante as madrugadas que passava cuidado de seu pobre primo.
As batidas na pesada porta de peroba voltaram a soar.
— Entre — disse Sansa sem se levantar da cama ainda sonolenta.
Era Mindinho, usando uma capa de lã negra com detalhes bordados de folhas prateadas e pele negra no colarinho e logo abaixo o broche do Tejo prateado. Seu caminhar era suave e ausente de barulhos.
— Desculpe-me, mas não sabia que estava em sua cama ainda — disse Petyr com um sorriso de canto de boca enfeitado por um bigode bem aparado e uma barbicha pontiaguda que começava embaixo do lábio inferior e acabava no meio do queixo.
— O que aconteceu para o senhor vir a minha procura tão cedo? — Sansa virou de lado sem se levantar seus cabelos penderam pela lateral da cama.
— Minha Senhora já passa da segunda hora da tarde —, parou próximo a uma janela e a abriu. — Se esqueceu de que hoje levaremos o jovem Senhor do Ninho da Águia para a casa de seus tutores? — Petyr voltou a olhar para Sansa que permanecia deitada com os olhos fechados e o corpo descoberto do ventre para cima. Ela abriu os olhos e manteve o braço na frente dos seios até Mindinho desviar os olhos, puxou os lençóis para se cobrir e se sentou na cama bocejando. Duas servas entraram no aposento trazendo água quente e toalhas, Sansa soltou um suspiro. Lorde Baelish Fez uma reverência e saiu rapidamente. Sansa se levantou e tirou sua roupa de baixo, as servas ajudaram em sua higiene matinal e a se vestir com um vestido de lã cinza com estofo de carmesim no colarinho, nas mangas e nas orlas com bordados de Tejo por todo o tecido na cintura um cinto de couro com detalhes em ouro ornamentava sua fina cintura. Seu longo cabelo foi escovado e preso para trás com uma trança na parte superior e abaixo da nuca pendiam soltos como um véu.
Uma hora depois ela se encontrou com Mindinho, Robin Arryn e quatro guardas da escolta vestidos com cota de malha e meio elmo com viseiras prateadas e gibão azul celeste com o símbolo da casa Arryn bordado no peito e espadas atadas à cintura. Usavam também capas com lua e estrelas bordadas. Sansa percebeu que um deles era Sor Lothor Brune. Robert usava uma capa de corpo inteiro igual a de Mindinho, mas de cor azul com pelos brancos no colarinho. Apesar de não demonstrar o que sentia Sansa estava aliviada por seu primo ser enviado para viver com a família Royce. Já estava na hora de Robin aprender a montar um cavalo e brandir uma espada, afinal todos no Vale esperam certa coragem e nobreza de seu Senhor. Após terem passado pelo Castelo Céu e o Castelo Neve chegaram ao Castelo Pedra e finalmente ao Portão da Lua, lá era a sede de Lorde Nestor Royce Supremo Intendente do Vale e Sor Albar, seu filho e segundo no comando. Em seguida começaram a longa cavalgada pelo Vale de Arryn, iriam se encontrar na metade do caminho com Lorde Yohn Royce e sua comitiva em um vilarejo.
O cavalo de Mindinho bufou se aproximando da montaria de Sansa:
— A neve cai forte esta tarde não acha? — ele falou sem olhar para ela e mantendo o sorriso brincalhão.
— O inverno está chegando. — Sansa respondeu olhando para as montanhas que ladeavam o início da estrada de altitude e marcavam o ponto de encontro entre a comitiva Arryn e a comitiva Royce que já podia ser vista se aproximando.
Olhando para a paisagem, Sansa começou a reparar nas ervas que murchavam e as flores mortas pela geada. E como se passasse várias horas viu surgir no topo de uma colina cheia de emaranhados galhos secos a figura de um lobo negro com olhos ferozes, era como se aquele animal olhasse dentro de sua alma sentiu sua respiração acelerar. Ouviu águias gritando ao longe e sentiu os pelos da nuca eriçarem. As nuvens pareciam correr mais rápido que cavalos, um barulho estrondoso encheu seus ouvidos. Olhou novamente para cima no topo da colina onde estava o lobo e o que viu foi uma figura de capa cinzenta e manchas vermelhas com cabelos pendendo nos ombros, mas não conseguia ver seu rosto. A imagem apontou-lhe um dedo pálido com uma unha roxa e uma voz ecoava: Vingue-se! Vingue-se!
— Sansa... — ouviu uma voz lhe chamar. — Era Petyr, colocando a mão em seu ombro com um olhar preocupado, pois a respiração entrecortada dela assustou o homem, mas logo em seguida ele voltou com seu sorriso zombeteiro.
— Os Royce estão aqui. — Sansa olhou em volta e todos à olharam com ar curioso esperando uma reação de sua parte, ela sorriu timidamente.
A comitiva Royce era composta de quatro cavaleiros vestidos com armaduras cor de bronze e mantos azuis, na destra seguravam lanças longas. Usavam penas de águias decorando o elmo. O velho e corpulento Yohn Royce já estava conversando e rindo com o jovem Robert. Sansa se perguntou quanto tempo durou aquele sonho que tivera ali naquele lugar, os outros pareciam alheios a sua terrível visão, mas para ela pareceu ser bem real, tão real quanto os sonhos que vinha tendo nos últimos meses.
— Minha Senhora —, Royce cumprimentou Sansa se aproximando e fazendo um aceno com a mão direita enluvada em couro marrom.
— Fique tranquila cuidarei de Robert como um filho —, em seguida Lorde Yohn olhou diretamente para Petyr Baelish.
— O Senhor é Lorde Protetor do Ninho da Águia escolhido pela própria Lysa e o Conselho do Vale de Arryn para cuidar dos interesses de Robert enquanto ele ainda não tem idade para governar. — Yohn Royce deu uma longa olhada para Mindinho com o queixo levantado e olhos carrancudos. Havia alguma coisa no olhar do homem que o incomodava. Royce não conseguia compreender como Lysa, após ter se casado com Mindinho e dar tantas declarações de sua felicidade matrimonial teria aceitado os flertes de um bardo qualquer. E o mais grave, foi à história de Lysa ter ficado sozinha no Alto Salão com o tal cantor. Quando foram interrogados, Petyr e Sansa contaram a mesma versão dos fatos, á que incriminava o cantor Marillion de ter violentado e lançado à morte pela porta da lua a Senhora do Ninho da Águia. Neste instante enquanto Yohn vagueava em seus pensamentos, Mindinho que o olhava com um sorrisinho de troça nos lábios disse:
— Não há dúvida Lorde Royce.... Que os interesses do Senhor do Ninho da Águia e Protetor do Vale são minhas maiores preocupações. — Mindinho olhou para Robert que brincava atacando com um pedaço de madeira um dos soldados da Casa Royce. — Sou apenas um regente — Lorde Petyr fitou Lorde Yohn com olhos tensos em desafio. — É sempre adequado aos homens manterem-se humildes em seus cargos. — Disse Baelish se aproximando de Lorde Royce.
Enquanto Petyr e Lorde Yohn conversavam suas políticas, Sansa desceu de seu cavalo e foi se despedir de seu primo deu-lhe um longo abraço e beijou sua fronte.
— Você virá me visitar? — perguntou o menino de forma irritadiça. — Virá com tio Petyr? — Sansa limitou-se a olhar seu primo nos olhos e lhe fazer um afago no rosto, pobre garoto... ela pensou. Tinha pena de Robert, mas sabia que em Westeros os fracos não têm vez. Aprendera isso há muito tempo atrás enquanto vivia em Porto Real. Ela tinha sido ensinada a ser uma verdadeira Lady, sua Septã a instruirá nas artes e prendas femininas durante muitos anos de sua vida acreditou que bastava ser educada, se vestir bem, cantar para o seu esposo e ser compreensiva, uma mulher de comportamento irrepreensível perante a sociedade, porém observando a Rainha Cersei Lannister percebeu que uma Lady não é feita só de virtudes, mas também de seus vícios.
Sansa já estava voltando para seu cavalo quando olhou para o céu e viu um corvo lutando contra a nevasca.
— Minha Senhora. — Disse alguém atrás dela. Sansa reconheceu Sor Andar Royce. — Vou ajudá-la a montar em seu cavalo. — Sansa o agradeceu com um aceno de cabeça. Ela se lembrava da primeira vez que o vira no Torneio da Mão celebrado em homenagem a seu falecido pai Eddard Stark. Na época, Sor Andar não passava de um rapaz agora era um homem de braços fortes e rosto amigável. O corvo passou bem acima de suas cabeças. “Negro” grasnou “negro”.
— Asas escuras, palavras escuras. — Sansa deixou escapar o velho ditado de seus lábios o cavaleiro a olhou com ansiedade nos olhos.
A neve caia ligeira e resolveram não se demorar mais naquele abrigo na lateral da estrada do vale partiram dali mantendo um galope ligeiro até chegarem ao Portão da Lua. Havia dois rapazes com quatro mulas para levar à Senhora Stark e o Senhor Petyr através da longa e íngreme subida pela Lança do Gigante, Sansa deu por falta de sua amiga Mya Stone que sempre fazia a subida com ela. Petyr Baelish mandou o rapaz levar Sansa Stark e dispensou o seu guia porque ele iria checar a lista de mercadorias que havia chegado de Porto Real, Myr e das Ilhas de Verão. Foi demorada a subida até o Ninho da Águia ao chegar Sansa foi logo para a cozinha procurar algo que comer conseguiu um pedaço de torta de pombo e uma caneca de leite. Depois de comer subiu apressadamente para os antigos aposentos de sua tia Lysa, queria vasculhar a mesa de Petyr antes que ele subisse ao castelo. Sansa subiu rápido pela escada em forma de espiral do lado leste do castelo tomando cuidado para não fazer barulho algum enquanto caminhava. Quando estava quase no corredor ouviu vozes de homens na outra extremidade e ficou parada se espreitando na parede com cuidado para não ser vista, as vozes foram ficando cada vez mais distantes. Continuou andando até chegar à porta olhou para os dois lados para se certificar que não havia mais ninguém no corredor, passou pelas quatros colunas de mármore e se dirigiu para a mesa que estava em um canto próximo a uma janela alta e estreita. O quarto estava bem iluminado por velas archotes e castiçais de óleo de oliveira, as servas sempre iluminavam os ambientes internos do castelo no cair da noite. Ela se sentou na cadeira com forro de peles, passou os dedos embaixo da madeira da mesa à procura de algo, em seguida mexeu na gaveta a sua direita revirando alguns papéis e pequenos pergaminhos. Parou seu olhar sobre um grande livro que estava em uma prateleira na parede ao lado da mesa. Retirou os livros menores que estavam em cima do grande livro com capa de couro marrom e o colocou sobre a mesa, havia centenas de marcadores com datas escritas neles, abriu a página do dia. Sorte! Sansa sorriu internamente, havia ali uma mensagem com um selo ainda intacto da Casa Lannister sobre cera de cor verde escura com o leão a rugir. Quem são essas pessoas que estão se comunicando com Lorde Petyr? Cersei? Tyrion Lannister? Enquanto pensava Sansa Stark se levantou e colocou a carta perto do calor do archote fazendo o selo se soltar sem precisar quebrá-lo e leu a mensagem.
Lorde Baelish.
Graves problemas afligem a Coroa, perturbadores da ordem e da Paz do Rei. A nossa Rainha Margaery Tyrell foi aprisionada por defender o seu irmão Sor Loras Tyrell que também se encontra detido no Septo de Baelor. Ordeno que se apresente imediatamente a corte em Porto Real.
Cersei Lannister apoia os radicas da fé.
Sansa suspirou aliviada por não ser citada na carta de Cersei, já os problemas da família Tyrell não lhe diziam respeito. Colocou a mensagem onde a encontrou e saiu da mesa de Baelish e se sentou no sofá e ficou um bom tempo olhando pela janela, ouviu passos no corredor, em algum tempo Petyr Baelish apareceu na porta, o homem chegou calado e parou no meio do aposento.
— Você tem notícias de Jeyne? — Sansa perguntou.
— Os passos deixados para trás na areia com o tempo são apagados. — Mindinho fez um sinal com a mão como se estivesse jogando algo para trás, Sansa o olhou com frieza. — Robin, Lysa, Jeyne, peões em um tabuleiro. — Ele concluiu.
Petyr se aproximou de Sansa e sentou ao seu lado deu uma longa olhada na sua face com um olhar cálido, Sansa não o retribuiu e continuou olhando para a vista fora da janela.
— Você viu o corvo que passou por nós na estrada do vale? — ela perguntou.
— Sim, na verdade estou indo à procura de Meistre Colemon para saber das novas.
— Será notícias do Norte... de Winterfell?
— Não se preocupe, estou me comunicando com Roose Bolton — Petyr fez uma pausa passando o dedo indicador e o polegar pela barba.
— Mas acredito que não! Estou mais preocupado com a situação das coisas em Porto Real. — Mindinho colocou a mão no ombro de Sansa fazendo um afago. Ela o olhou com uma expressão vazia. — Estamos quase lá minha bela Senhora. — O rosto de Baelish era uma pintura, seus olhos eram vivazes, mas sua boca era cheia de artimanhas Sansa não conseguia saber quem era Mindinho e quem era Petyr Baelish naquele rosto enigmático. Por fim se levantou e andou até a porta do quarto se virando para reparar para onde o olhar do homem se dirigia.
— Você estará viajando em breve para Porto Real? — Sansa esboçou um sorriso de canto de boca. — A mensagem que chegou hoje pela manhã o convocava com certa urgência. — Ela disse por fim.
— Como sabe q ... —, Mindinho ficou boquiaberto, e antes que concluísse, Sansa completou:
— Li a mensagem que Meistre deixou dentro de seu livro de contas — a expressão no rosto dela pareceu escurecer e seus olhos brilharam como olhos de loba.
— Em um mundo dominado por homens a informação dá poderes a quem as detém. — Dizendo isso Sansa fez uma reverência educada. — Meu Lorde.
Saiu do quarto sem mais nada a dizer, foi até seus aposentos, há essa hora as suas aias já estariam lhe preparando um bom banho quente. Enquanto caminhava não pôde deixar de pensar em sua amiga Jeyne Poole vendida aos Bolton no seu lugar. Ela tinha convencido a amiga de que ela deveria ajuda-la se passando pela irmã Arya Stark e se casando com Ramsay o filho de Roose Bolton. Malditos traidores! Pensou. Winterfell agora era domínio da Casa Bolton já se passara muito tempo desde então, mas em nenhum momento Sansa Stark desistiu de retornar para seu lar. Há muito, muito tempo ela deixará de ser aquela menina que acreditava em belas canções e cavaleiros salvadores deixou de ser inocente e esperar que tudo se resolvesse por conta própria. Ela tinha suas próprias estratégias no Jogo dos Tronos, os Bolton pagariam caro por terem assassinado seu irmão Robb e sua mãe Catelyn Stark.
Naquela noite depois de ter jantado um mingau de aveia com morangos se distraiu com as suas aias Iris e Myrcalla conversando amenidades de mulher. Durante muito tempo enquanto Sansa fingia ser Alayne Stone uma falsa identidade inventada por Mindinho para ocultar a verdade das demais pessoas, as criadas eram suas únicas amizades naquela gaiola sem grades que era o Ninho da Águia. Não se tinha muito que fazer por todo o Vale de Arryn, após a morte da Senhora Lysa todos os seus pretendentes deixaram o castelo e voltaram a seus afazeres. Haviam muitos criados indo e vindo ocupados em suas tarefas diárias, na maioria das vezes a garota Stark os ignorava. Sansa adorava quando a noite caia e Mya Stone vinha às escondidas para ficar com ela em seu quarto, mas hoje isso não seria possível porque a garota tinha que ajudar os carregadores a transportar as caixas que chegaram com mantimentos para o Ninho da Águia. Iris começou a tirar as roupas de Sansa para que ela entrasse na banheira já com água quente.
— Você não irá jantar com o Senhor Petyr hoje? — Iris questionou enquanto lhe esfregava os pés.
— Não irei, estou terrivelmente cansada — Sansa riu enquanto falava —, tenho que cuidar para não ser a sobremesa.
— O Lorde parece está faminto. — Disse Iris enquanto levava as mãos ao rosto.
— Eu acabaria com a fome dele. — Myrcalla interveio pegando uma esponja para esfregar as costas de sua Senhora.
— Homens... — Sansa meneou a cabeça —, sempre famintos. — Submergiu na água quente.
Após o banho vestiu um roupão de seda azul atado por uma fina fita na cintura, dispensou suas criadas. Deitou-se para dormir olhando para as velas acesas no móvel ao lado de sua cama, adormeceu rápido. E naquela noite não deixou de sonhar com a figura feminina em volta no manto cinzento com olhos fantasmagóricos e mãos pálidas que seguravam uma coroa de espinhos de ouro. Vingue-se! Vingue-se! O Norte se lembra...
Estava agora em um grande bosque com várias árvores-coração as folhas vermelhas farfalhavam ao vento suave, o chão era branco de neve, havia uma figura no meio do bosque que a olhou diretamente nos olhos. Sansa se aproximou devagar reconhecendo uma mulher de olhos azuis acinzentados e cabelos compridos até a cintura de cor castanha como os de seu pai. Lyanna... de alguma forma ela sabia quem era. A mulher sorriu e abriu os braços para acolhê-la ficaram ali por um tempo.
— Encontre-o Sansa ele te protegerá. — Falou a mulher.
— Quem é ele? — Sansa olhou nos olhos de sua tia —, Lyanna Stark parecia ter uma luz etérea em volta de si ofuscando tudo ao redor.
— O que está dizendo, quem é ele? — a ruiva ficou exasperada.
— Você e eu somos iguais...
— Sangue do meu sangue — Lyanna começou a se afastar como se estivesse flutuando ao vento. — Não esqueça minha querida — Ao se afastar apontou para uma montanha de gelo em forma de retângulo que estava muito distante.
— Porque ele não vem me salvar? — gritou arfando.
— Ele não sabe que está viva! — Lyanna desapareceu repentinamente.
Sansa estava sozinha novamente ajoelhada na neve do bosque, o vento uivava e trazia a neve contra seu rosto em um turbilhão. Um lobo branco de olhos vermelhos passeava por entre as árvores sentinela com a boca entre aberta e soltando fumaça ao respirar. Ela teve medo de ser atacada pelo animal e se levantou rapidamente, mas escorregou e começou a cair para trás, a queda parecia nunca terminar e Sansa gritou: — Socorro!
Sansa Stark acordou erguendo seu dorso bruscamente de sua cama, em seu quarto no Ninho da Águia e não havia nenhum sinal de sua tia Lyanna nem do lobo gigante.
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