O Trono de Gelo
30 Um Novo Inimigo
Notas iniciais

Tryndamare limpou o filete de sangue e recompõe-se. Vozes de homens gritando em desespero irromperam próximo dali. Logo, um dos seus soldados apareceu à vista, sendo jogando a uma grande a distância. Um segundo depois, ele descobriu o que o jogou. Um troll de quase três metros. Mais uma rápida olhada contatou que ele não estava sozinho, dezenas dessas feras avançavam pela ponte vindo de todos os locais possíveis e pegando ambos os exércitos pelos flancos. Era um ataque surpresa.
Ele se virou para cerca de dez criaturas imensas marchando em sua direção de ombros musculosos e dentes à mostra, elas arrastavam porretes cobertos de espigões. Apesar de lentos e burros, eram fortes e não caiam com facilidade. Um das feras surgiu atrás de Tryndamare, ele elevou sobre a cabeça o porrete, golpeou ferozmente na direção de Tryndamare. O bárbaro jogou-se para lado deixando a arma bater contra o piso rochoso em um impacto que estremeceu o chão.
Em um movimento fluido, Olaf ergueu o braço e então arremessou o machado para frente. Tryndamare viu a arma girar em um borrão que cravou-se no crânio do troll. Os restantes se aproximavam, fazendo um semicírculo para cercar ele e Olaf. Mas Tryndamare não podia perder tempo ali, seus homens dependiam disso. Uma rápida olhada para o campo comprovou a gravidade da situação.
Os trolls pressionavam os humanos uns contra os outros, em um cerco cada vez mais fechado. Sejam Avarosianos ou Garra do Inverno, eles eram obrigados a lutarem uns de costas para os outros, circundados por machados, porretes e clavas. Os trolls não atacavam a esmo como esperado, mas de forma ordenada minando todas as defesas dos humanos e obrigando ambos exércitos a se dispersarem em pequenos grupos indefesos. Os trolls nunca tinham demonstrado coordenação nem iniciativa tão precisa, atacavam em grupos grandes e organizados. Seguiam um proposito, alguém parecia comandá-los.
Mesmo sem liderança os homens de ambos os exércitos resistiam como podiam, lutavam lado a lado contra um inimigo em comum. Uma conquista impressionante. Tryndamare e Olaf agora lutavam um de costas para o outro, rasgando e estraçalhando qualquer fera que se colocasse no caminho.
— Precisamos fazer alguma coisa ou seremos liquidados! — Advertiu Tryndamare defendendo o golpe do troll
Olaf sorriu
— Fale por você Avarosiano.
Ainda de costas para Olaf e mantendo os olhos atentos nos trolls, Tryndamare praguejou.
— Não seja tolo! Se os trolls ganharem mais terreno e separarem mais os soldados não poderemos contra-atacar!
Olaf cuspiu e arrancou o machado do peito do troll que caiu pesadamente contra o chão. Tryndamare decepou o braço de uma das feras e com o giro da lâmina separou a cabeça da besta.
— Se continuar assim, você morrerá de qualquer jeito... Se considerar morrer pra trolls uma honra!
Dessa vez foi Olaf que praguejou. Sem alternativa ele concordou.
— Muito bem Avarosiano, mostre o que pretende.
— Primeiro vamos abrir caminho!
Olaf trouxe a lâmina mais perto de si, braços dobrados e prontos. Tryndamare brandiu a espada. Os trolls atacaram. O avarosiano quase dividiu uma das feras ao meio. As criaturas tentaram cercar ele, mas Olaf revidou brandindo uma lança — que arrancou de um corpo — golpeou o troll no instante que este saltou contra Tryndamare. A lâmina fincou no pescoço até o crânio. O troll uivou e agitou-se com tanta força que arrancou a arma da mão de Olaf e caiu contra o chão deixando que a arma adentra-se mais ainda e transpassasse a cabeça. Rosnando baixo Tryndamare pisou sobre o corpo do troll que havia matado e puxou sua espada. Partindo para o próximo. Ele girou a arma contra outra besta. Assim ambos foram abrindo caminho deixando um rastro de sangue e morte.
Os dois alcançaram uma pequena elevação, que depois perceberam se tratar de uma mão quebrada esculpida em pedra que agora jaz como prova de uma antiga estatua, ao qual foi quebrada pela erosão do frio de Freljord. Nem mesmo a pedra pode subjugar o inverno Freljordiano.
Tryndamare ergueu a espada contra o céu e gritou com todo o ar dos pulmões para que o máximo de guerreiros o escutassem.
— EM FORMAÇÃO!
Os homens e mulheres que puderam ouvir a exclamação viraram-se. Dois trolls se aproximaram rugindo, mas foram rechaçados por Olaf. Girando seus machados, ele decepou primeiro uma mão e depois uma perna. O troll cambaleou e caiu. A morte de seu companheiro provocou um instante de hesitação no outro. Contra Olaf, isso significava apenas uma coisa: a morte. O bárbaro girou alto sua arma e o desferiu direto na cabeça da besta.
— REAGRUPAR! – Rosnou Tryndamare ignorando o pequeno massacre de Olaf – REAGRUPEM!
Um grupo de doze homens, alguns soldados, saíram correndo em direção à Tryndamare e Olaf. Eram liderados por Helmgrim. Parando a uns dez passos de distância, o sujeito lançou um olhar de raiva contra Tryndamare e depois virou-se para Olaf.
— O que significa isso, Olaf? São ordens de Sejuani? Não me juntarei a esse ato de traição, jamais me deixarei ser liderado por Avarosianos. Graças a mim Sejuani tem um exercito tão numeroso!
Olaf nada disse, mas bufou e cerrou os punhos. Com toda força socou Helmgrim sobre o rosto que caiu com o nariz ensanguentado.
— Não, são ordens minhas! Você vai segui-las ou se preferir, podemos lutar pela liderança. Mas não serei tão misericordiosa como Sejuani.
Os homens que estavam dispersos, deixavam suas lutas e corriam como podiam livrando-se dos trolls e reagrupando junto a Tryndamare e Olaf. Tryndamare soltou impropérios ao perceber que os homens que conseguiram alcançar a formação eram apenas uma fração do exercito. Muitos dos homens e mulheres ainda lutavam encurralados resistindo como podiam aos trolls.
Olaf não disse nada, mas andou ao longo da fila de soldados enquanto estudava seus olhos.
— EM FORMAÇÃO! – Rosnou Tryndamare – FORMAÇÃO!
Olaf abriu caminho por entre os soldados.
– As espadas! – Berrou
Ouviu-se um som estridente das lâminas sendo desembainhadas. Olaf virou-se e encaminhou apressadamente para a linha de frente. Um dos homens estava fora de posição ele agarrou-o e jogou para junto dos outros homens.
— Vocês ouviram em formação!
– Senhor porque estamos seguindo as ordens dele?
– Em formação soldado! – Rosnou ele – Vá para sua posição! Se quiser sobreviver.
Tryndamare deu suas ordens e esclareceu o que deveriam fazer. Por fim, levantou a espada acima da cabeça e erguendo-a bem alto no ar, para que todos a vissem e rugiu com toda força. A espada irradiou um brilho intenso em contraste absoluto com a parede de nuvens negras que estava se formando. Os guerreiros reunidos na base do amontoado de entulho, em cima do qual se encontravam Tryndamare responderam-lhe em uníssono, gritando a plenos pulmões.
Tryndamare virou de costas para os homens e avançou. Correram em direção ao inimigo mostrando suas presas. Os trolls gritaram mais alto. Abriram largos sorrisos de muitas presas. Estavam em maior número e eram mais fortes.
Mas mesmo assim prosseguiram. As duas forças correram uma contra a outra.
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Ezreal se aproximou. Observava maravilhado a magia fluindo pelas ranhuras do piso. Não tinha percebido antes, mas, o padrão se tornou evidente. Por um breve momento, sua atenção se voltou do chão para o altar e alinhada com o ovo no pedestal.
– Anivia – Ezreal disse. Prendeu a respiração. O padrão então delineado pela magia no chão era o da Fênix de gelo. Mas havia mais. A aparição de Anivia como uma mulher adorável flutuava alguns centímetros acima do chão. Ela gentilmente acenou com a cabeça. Um portal se abriu atrás dela. Logo em seguida, a mulher se esvaneceu.
Ezreal viu um espelho, diferente de qualquer outro que ele já tinha visto. Aquilo era vidro – e, contudo, não era. O jovem foi até o espelho e encarou sua imagem refletida. Estendeu a mão devagar para tocar a superfície, mas para sua surpresa seus dedos atravessaram a estrutura. Analisando a superfície, notou algo profundezas do vidro. Ele olhou para trás e depois para o espelho, e percebeu que mostrava mais do que simplesmente estava na câmara.
Juntando o que restava de coragem, Ezreal estendeu a mão para tocar a superfície do vidro polido, sua mão afundou na superfície gelatinosa. Aquele definitivamente não era um espelho comum. Prendendo fundo a respiração, o jovem explorador mergulhou no espelho.
No outro lado. Uma estatua de uma ave prendeu sua atenção, ela estava como se preparasse para o voou. Apesar de ser uma estrutura imóvel seus olhos brilhavam. Acima dela, as nuvens se afastaram de modo que o sol brilhasse radiante sobre sua estrutura.
Uma rajada de neve brotou do altar. Da tempestade gélida uma ave subiu aos céus, onde ela pairou, batendo as asas. A ave soltou um rugido e depois se virou para ele. Enquanto o olhar penetrante do pássaro caía sobre Ezreal, ele sabia que a criatura não era uma mera aparição, mas um ser consciente determinado e sustentado pela magia. Mais acima, o fantasma-pássaro fazia acrobacias sobre ele, roçando nas paredes com uma asa quase transparente. Acabou parando diante de Ezreal, envolvendo-o num turbilhão infinito de neve. Guiado por algum instinto, Ezreal levantou a mão direita, cujo cristal cintilava uma luz ofuscante.
Em sua mente, ecoava uma voz poderosa: Esse é o seu dever.
A ave dobrou se inclinou e, com seu bico, tocou o centro do cristal. Ezreal sentiu um frio e um calor incandescente que fluía pelo seu corpo, consumindo seu interior. Sua visão falhava e seus olhos ardiam. Era uma sensação curiosa ser congelado e queimado quase que simultaneamente. Ezreal foi jogada de joelhos enquanto a força esmagadora dominava o seu corpo.
Ele gritou, quando sentiu todo o poder navegando pelo seu corpo e por fim, o mundo escureceu e sua consciência sumiu.
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Sejuani fez força para se colocar de pé. Ela passou o antebraço para limpar sangue que irrompeu de sua boca e de seu nariz. Ela ergueu os olhos e viu, de esguelha, seus soldados se reunindo para lutar contra os trolls. Sem um comando eles seriam aniquilados pelas bestas.
Ashe por sua vez cambaleava e quase tropeçou. O sangue escorria de seu nariz. O instinto de sobrevivência a levou adiante, passo a passo. Ela viu os seus homens correndo em sua direção, mas pararam no meio do caminho sob a investida de um grupo de trolls. Os homens revidaram com gritos e armas.
Sejuani praguejou e com sangue nos olhos, preparou-se para investida contra Lissandra. A bruxa riu.
— Você acha que pode me matar?
Os soldados de Ashe e Sejuani, bravamente lutavam e morriam sob o ataque devastador dos Trolls. Sejuani se esforçou para erguer a sua pesada arma. Os músculos latejavam, e seus braços já não estavam tão fortes. Sejuani foi tomada por uma fúria crescente. Se ela tinha de morrer, que morresse com honra.
Lissandra sorriu com ar de superioridade, levantou sua mão e uma lâmina de gelo se materializou. Sejuani não conseguiu reagir, a ponta da lâmina se afundava cada vez mais, não importava o quanto ela lutasse para erguê-la em sua própria defesa. Ela tossiu sangue e cedeu de joelhos, mas percebeu que não foi um ataque letal. Lissandra estava brincando com ela.
— Você! — Ashe tentou entender o que estava acontecendo. — Você foi banida por Anivia!
Lissandra sorriu
— Sim, fui obrigada a lidar com esta situação eu mesma – disse, dando longos passos adiante.
Ashe tentou se recompor ao ver que ela vinha em sua direção deixando Sejuani arfante de joelhos pata trás. Ashe teria de vencer a bruxa do gelo. Ela estava esgotada após sua batalha contra Sejuani.
— Então eu fui selada para que Freljord se tornasse isso. Fragmentada e disputada por clãs patéticos. Avarosa e Anivia se recusaram a me ouvir, posteriormente até Serylda me traiu. Imagine isso, mal sabiam elas que o futuro seria criaturas como você destinadas a serem rainhas.
— A história conta que você nos vendeu!
Os olhos de Lissandra encheram-se de raiva
— Eu fiz o melhor para Freljord! Os observadores iriam nos guiar para o futuro. Mas vocês não compreenderam. Suas mentes diminutas, não puderam ver além.
O rosto dela logo depois se dissipou em uma expressão serena. A bruxa agora andava em torno de Ashe.
— Eu sou benevolente. Estou disposta a esquecer os erros do passado em prol de nossa amada Freljord. Eu serei a nova rainha e serão minhas finalidades as finalidades dos demais lideres dos outros clãs. — Ela agora também olhava para Sejuani e estava fitava-a de esguelha com o rosto suado — Vocês duas devem fazer o juramento de que vão me servir.
Sejuani zombou de Lissandra.
— Prefiro a morte! — Rugiu Sejuani
— Enquanto a você Ashe. Sei que os avarosianos são mais... sensatos.
— NUNCA! — Rugiu em resposta
Ashe reuniu toda força que lhe restava e investiu contra Lissandra com sua espada curta. Lissandra invocou uma lâmina de gelo que a usou como espada. Ela defendeu os debilitados ataques de Ashe com facilidade e investiu contra o rosto dela, a lâmina gelada raspou por seu rosto. Os braços de Ashe já não tinham tanta forças para atacar.
— Submeta-se!
Ela conseguiu bloquear um golpe, mas foi jogada para trás. Lissandra atacou e a lâmina se enterrou no abdômen de Ashe. A dor explodiu dentro dela, que cambaleou para trás com a lâmina de gelo cravada.
— Não precisa terminar assim – Lissandra disse.
— Não!
— Mesmo em seu último suspiro, você continua com essa visão obtusa?
Lissandra se abaixou e sussurrou em seu ouvido:
— Que isso lhe sirva de lição.
Ela se levantou e disse alto e bom som.
— Sejuani e Ashe, prestem atenção o que suas teimosias custaram.
Lissandra virou-se e – usando todo o seu poder – estendeu as mãos e uma ampla circunferência que lançou uma energia azulada, congelando os guerreiros de Sejuani e Ashe que lutavam com os trolls. Os gritos encheram o campo de batalha à medida que apenas os homens foram congelados. Sejuani se deu conta que aqueles eram apenas os primeiros a morrerem pelas mãos da bruxa. Os demais soldados naquele campo, não importava onde estivessem, sofreriam o mesmo destino. Ashe e Sejuani rangeram os dentes enquanto observava impotente o massacre.
— Você vai pagar por isso, bruxa. Esteja certo disso! — Rugiu Sejuani
— Não. — disse se virando para ambas.
Lissandra abriu os braços e a magia sibilou entre os seus dedos. A luz magica se concentrou sobre a palma da mão. Por fim, a magia transformou-se em duas orbes de fogo verde-escuro. As chamas refletiram sobre ela. Lissandra sorria imaginando o destino que ambas sofreriam.
— Os seus dias em Freljord acabam hoje. O circulo de Serylda e Avarossa terminam agora.
A magia foi lançada em direção delas. Indefesas Ashe e Sejuani apenas observaram as orbes mágicas se projetando contra ambas. Era o fim... foi assim que pensaram. Mas os acontecimentos seguintes — que deveriam ser frações de segundos — desenrolaram-se como se fossem minutos. Alguém vindo dos céus, se chocou contra o chão rochoso da ponte se colocando entre ambas e Lissandra. A figura se projetou contra a magia. Com um movimento de mãos ela bloqueou o poder. Choque do impacto levantou uma forte ventania, enquanto uma onda circular se propagou empurrando a neve ao redor.
— Quem ousa? — Rugiu Lissandra
A silhueta se destacou de dentro da névoa elevada pelo choque da magia.
— Você deveria ter permanecido banida, Lissandra!
Com magia Lissandra empurrou a névoa para longe revelando o intruso. Ezreal.
— Você — disse Lissandra
Não era o mesmo garoto que havia encontrado. O seu cabelo estava tão alvo quanto à neve. Ela percebeu um poder, um poder que rivalizava ao seu vindo daqueles olhos.
— Anivia — Disse ela entre os dentes.
Anivia estava no controle. O jovem levantou o olhar
— Darei o fim hoje, ao que já deveria ter acabado há muito tempo.
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