O Trono de Gelo

37 O verdadeiro herói não é medido pela forma que vive, mas pela forma que morre


Notas iniciais
Muito bem, muito bem. Acho que devo algumas explicações. Ora, pela nota anterior sabem o que se passou comigo e por isso atrasei os capítulos Mas que seja, não irei entrar em detalhes... Bem pessoal, hoje o capitulo é diminuto, mas foi escrito com dedicação e amor. Espero que gostem!

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Cambaleando um pouco, com corpo doendo e o som da própria respiração ressoando nos ouvidos, Lissandra atravessou o interminável corredor, apoiando-se na parede, em direção à pedra do nexus onde vira Lux correndo.

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Arya, uma garota de longos cabelos loiros e olhos azuis, corria desesperadamente. Tinha cortes pelo corpo e sangue no rosto. Ela corria o mais rápido que podia deixando para trás a carnificina. A jovem estava em choque, sabia que estava sendo perseguida e não ousou olhar para trás. Tropeçou e quase caiu sobre o chão. Arrependia-se por fugir.

A ausência de sua mãe foi o responsável. Seu pai havia morrido antes mesmo de ter nascido. Ela tinha coisas mais importantes a fazer. Ignorava todos, até sua família, de tão absorto em suas tarefas. Não tinha tempo para mais nada. Sua mãe estava sempre presa as suas obrigações, dando mais atenção a elas do que sua filha ou a qualquer outra pessoa. Ela não esteve presente quando Arya deu seus primeiros passos. Quando quase morreu de febre. Todas as lembranças de sua mãe eram as poucas vezes que a via entre suas reuniões e viagens.

A jovem ignorou as lembranças e as lágrimas. Os perseguidores rapidamente ganharam terreno. Arya pareceu se dar conta de que não haveria escapatória. Então, voltou-se contra eles e lutou com tudo que tinha, com as magias que sua mãe havia lhe ensinado. Mas não era o suficiente, no último instante, caiu de joelhos e olhou para estrada, esperando um milagre, alguém que viesse e os salvasse, mas a estrada continuava vazia.

Arya ajoelhou-se e se encolheu

— Mãe... socorro...

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Lux esticou a mão, tudo que precisava era lançar sua magia para a pedra. Isso seria o bastante para destruir a ponte. Ela tentou se mover, mas não conseguia, estava paralisada. Imobilizada por alguma magia poderosa. Nesse instante ela sentiu uma presença na sala.

— Tão inocente e tão fraca.

Lux virou os olhos e de soslaio viu a responsável por isso, Lissandra, A bruxa gélida.

— Você... — Lux remexeu-se e tentou se mover colocando todas as forças que tinha, mas a magia que a prendia era poderosa — a sua magia... Como?

Lissandra mexeu os dedos observando a magia correr entre eles.

— Aquele garoto, bloqueou minha magia. Perdi toda forma de conjuração, mas, os efeitos são temporários e pude reaver parte de meu poder. Creio que será o bastante.

Lux trincou os dentes e tentou esticar a mão em direção à pedra. Tudo que precisava era toca-la, faltava tão pouco. Praguejou sentindo os músculos rangerem e a magia lhe prender com mais força como correntes invisíveis. Tinha que conseguir, todos dependiam dela.

Lissandra sorriu

— Além de ser tão parecida, ainda teimosa... igual a ela.

Lux ignorou o comentário e concentrou a magia na mão, faltava pouco. Rangeu os dentes e lutou contra a magia.

— Não. Você não vai fazer isso. — Disparou Lissandra. Ela aproximou-se da jovem maga.

Me desculpem, eu falhei — Lamentou Lux dizendo para si mesma. Esteve tão perto.

Lissandra aproximou-se e olhou nos olhos de Lux. Ela sorriu e para a surpresa d ajovem maga, beijou o topo da cabeça de Lux e as lágrimas molharam seu rosto. Lissandra ergueu o olhar e parecia que tivesse vivido mil anos de privações e dor.

— Você têm os mesmos olhos que os dela. — Disse Lissandra sorrindo — Como se eu a olhasse. Se eu tivesse sido mais responsável, se tivesse dado mais atenção. Arya.

As emoções irromperam de súbito, todas ao mesmo tempo, Lissandra chorou quase soluçando. Acariciou gentilmente o rosto de Lux. Passando os dedos entre os cabelos da jovem.

— Está tudo bem — disse, e em sua mente ela falava com sua filha também. — Eu prometo que agora está tudo bem. Você não tem que carregar esse fardo.

Ela ficou ali observando Lux por algum tempo com um pequeno sorriso no rosto. Lissandra pensou em sua filha, seu corpo ensanguentado sob o lençol. Por muitos anos sua incapacidade de levantar os lençol e olhar para Arya uma última vez a assombrou. A ideia de como ela tinham sofrido e tivera um morte dolorosa a seguira como um fantasma, enterrada fundo em sua mente até se tornar um poço escuro sem fundo. Desde então tornou-se mais fria e concentrou-se ao ponto da obsessão em transformar Freljord em uma nação gloriosa.

— Seu caminho não deve acabar aqui. — Disse finalmente e passou as mãos sobre o rosto da jovem — Ainda tem tanto a fazer e a ser. Não vou deixar que morra. Essa terra me pertence e é como tal, dever de uma rainha salvar sua nação.

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— Porque esta fazendo isso?

— Vivi tempo demais. — Respondeu Lissandra com um olhar distante. — Vi coisas que fui condenada a relembrar e suportar. Vi cidades nascendo e sendo destruídas. Pela ganância sem fim da humanidade. O orgulho do homem, matando uns aos outros em nome de suas crenças e ideologias. Depois de séculos eu percebi, a minha imortalidade que julgava uma benção, nada mais é que uma maldição. Eu decidi lutar para conquistar Freljord mais uma vez e guia-la para um caminho digno. Esperando quem sabe, então, um dia no qual todos os nossos fardos acabarão. Quem sabe então conheceremos a verdadeira paz. — Lissandra ergueu a mão contra Lux e jovem maga viu fagulhas mágicas percorrem todo o braço.

Lux fez menção em dizer algo, quando sentiu a magia percorrer seu corpo, seus ouvidos zuniram. Ela foi jogada contra o chão com força sentindo uma eletricidade navegar pelo seu corpo. Ergueu os olhos e viu Lissandra sorrindo gentilmente, ela abaixou-se e sussurrou em seu ouvido. Por fim um clarão foi a ultima coisa que ela viu. Lux havia desaparecido.

Quase todo o seu poder havia sido usado. Restava apenas um pouco de magia. Receava que não fosse o bastante. Lissandra se mexeu e sentiu o corpo reclamar. Seus músculos estavam fracos e se recusavam a obedecê-la. Porém, mesmo assim, empregou uma força de vontade indomável.

Ela levantou-se e caiu de quatro, vomitando sangue. A dor torturava seu corpo. Ergueu o olhar para o cristal. A alguns de metros de distância. Apenas alguns metros. Lissandra fez força para se colocar de pé. Uma súbita tontura a levou de volta ao chão. Mais sangue saiu de sua boca e de seu nariz. Ela ficou de joelhos e sua armadura de gelo verdadeiro caiu de seu corpo. Naquele instante aquilo foi uma alivio, agora não passava de um peso.

— Com força de vontade, uma pedra tem o mesmo tamanho de uma montanha. Nós sabemos de sua força, irmã.

Lissandra abriu os olhos erguendo lentamente o rosto em direção à voz, mal acreditando no que veria.

Duas mulheres vieram ao seu encontro em cada rosto havia o mesmo sorriso que se lembrava. Aquelas mulheres não eram fantasmas nem pessoas vivas que ela via. Era como se suas memórias tivessem ganhado formas, lembranças do tempo que a muito ela tinha esquecido. Pairava sobre ambas uma luz intensa e acolhedora. Suas duas irmãs.

Serylda tinha exatamente a mesma armadura que costumava usar. Os cabelos estavam descuidados e arrepiados, mas ainda sim estava muito mais orgulhosa e feroz que se lembrava. Andava com sua típica firmeza. Parecia feliz de revela. Ao seu lado, Avarosa tinha um sorriso maior e mais caloroso. Seus olhos brilhavam até mais do que recordava. Seus longos cabelos pareciam muito mais lindos do que a vira em vida. As duas examinaram seu rosto com ímpeto, como se nunca tivessem tido tempo de olhá-lo o suficiente.

— Já se faz muito tempo Lissandra — Disse Serylda

Lissandra não conseguiu falar. Mas foi dominada por uma calma acolhedora.

— Esperemos muito. Já está na hora de se juntar a nós e deixar que as gerações futuras cuidem de nossa nação. — Falou Avarosa

— Eu queria que as coisas tivessem sido diferentes. — confessou Lissandra, as palavras saindo quase que sem controle. — Se pudéssemos recomeçar. Se pudessem me perdoar...

Avarosa sorriu

— Todavia não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer os tempos em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos, para que aqueles que viverem depois nós, tenham terra limpa para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar. O que podemos fazer é tornar nosso trabalho o mais perfeito e significativo para que, mesmo depois da nossa morte, ele permaneça.

Lissandra sentiu suas palavras engasgarem. Dizia o que queria dizer a séculos.

— Estive tentando construir um mundo, uma Freljord em que nosso povo pudesse viver uma vida digna. Sei que errei — as palavras escapavam dos lábios dela — gostaria que me perdoassem. Estive cega pelo poder. Durante séculos o ódio me consumiu, planejei e arquitetei o futuro de Freljord. Mas, no fim de tudo, eu não sinto mais nada. Mas... Mais uma ultima vez, lutariam ao meu lado? Emprestariam suas forças pra mim, uma ultima vez?

— Até o fim — respondeu Serylda.

— Nós nunca a deixamos irmã. — Respondeu Avarossa

A presença delas fez sua coragem e a sua força pela qual lutaria.

Nesse momento, Lissandra concentrou a magia, sentindo como se Serylda e Avarossa segurassem sua mão, gritando bem alto, ela golpeou o cristal. Um clarão explodiu do interior do cristal, enquanto os pedaços caiam como chuva. Por fim um lençol de chamas azuis se ergueu. Em resposta a ponte estalou e se quebrou, toda a estrutura ruiu em pedaços gigantescos para dentro do abismo.

Com um rugindo horrendo, o Baron Nashor foi levado para baixo pelas pedras da ponte que caiam sobre sua cabeça. O chão sobre os pés de Lissandra ruiu e esse instante pareceu levar uma eternidade: seu corpo descreveu um arco gracioso para trás e ela mergulhou de costas para o abismo em meio às pedras. Mas ainda sim, sorrindo.

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Está feito — Em seus últimos momentos pode ver o Trono de Gelo, Serylda sorrindo e Avarosa esticando a mão convidativamente para ela. Chamando-a. Logo atrás ela viu Arya tão sorridente e de braços abertos. Lissandra sorriu dominada por uma calma e felicidade profunda. Deixava para trás todos os erros e sofrimentos. Ela sorriu e disse — Engraçado. A morte parece menos terrível quando se está cansada. — Seus olhos fecharam-se para seu tão esperado descanso.

Assim se foi, a ultima das três irmãs.

Notas finais
Se alguém chorou ou ficou nem que seja um pouco ressentido, então alcancei meu objetivo. Próxima semana penúltimo capitulo e preparem os lencinhos, será forte!