Notas iniciais
Me inspirei em Carl Sagan para escrever. Existe uma parte em que Ezreal fala sobre os contos do tio, essa fala pertence a Senhor dos Aneis: Duas Torres

OST

Em algum lugar de Freljord...

Garen sentiu o pavor crescer dentro de si, havia marcas por todos os lados. Vestígios da passagem de um exercito. Ele umedeceu os lábios ao concluir que, pelas pistas deixadas, estavam quase a um dia de diferença do exercito.

— Onde está a pessoa? — Perguntou Katarina. Como que em resposta a sua pergunta um poderoso rugido ecoou bem acima de suas cabeças.

— Ela acabou de chegar.

Um dragão vermelho flutuava acima deles, brilhante e cintilante sob o raio de sol como se estivesse coberto por brasas. As membranas de sua asa tinham a cor do vinho. Suas garras e dentes e espinhos, eram brancos como neve. Seus olhos vermelho-alaranjados projetavam uma fúria assustadora. O dragão encolheu as asas e mergulhou em direção ao solo.

O dragão diminuiu a velocidade da queda com as asas abertas e socou o ar a poucos metros do chão. A neve subiu à medida que as asas golpeavam o ar, por fim, encolhe-as e aterrissou cravando as garras as garras no chão. O peso do dragão fez com que os dentes de Katarina se batessem.

Uma nuvem de ar quente e úmido roçou Garen enquanto o dragão se curvava para examiná-lo.

— Você é uma surpresa agradável nestes tempos tenebrosos. — Disse Garen. Ele bateu com o punho bem no coração. — É bom vela novamente Shyvana.

— Soube o que fez em Demacia, não irei trair minha cidade nem ao meu rei. — Disse o dragão — Mas... — uma áurea mágica envolveu-a. Seu tamanho diminuiu e suas asas sumiram entrando pelas costas. A criatura reptiliana deu lugar a uma mulher. — Ainda estou em debito com os Crowguards. Como prometido, aqui estou.

— O que viu lá de cima?

— Vi dois exércitos, fileiras e fileiras de soldados marchando pela estrada. Havia fileiras, no comando de uma delas vinha uma mulher de ombros largos, montado num javali de guerra. No outro uma mulher, um pouco menor, trazia consigo um arco, que mesmo da altura que estava, cintilava como prata contra a luz. Ambos iam para o mesmo lugar Howling Abyss, a grande ponte.

Shyavana virou-se para Katarina com um olhar feroz, a noxiana sustentou o olhar de Shyavana. Garen hesitou, mas não estava surpreso com a tensão entre as duas. Por fim ela disse:

— Eu lutarei quando for preciso, festejarei quando houver uma ocasião propícia, lamentarei quando houver dor e morrerei quando chegar a minha hora... Mas não deixarei que ninguém me use contra a minha vontade. — Shyvana fez uma pausa para deixar as ganharem peso. — Por isso preciso saber a verdade.

Então, Garen falou. As palavras saíram lenta e nitidamente. Ele começou a contar, narrando com ênfase cada fato importante. Shyavana não disse nada, apenas escutava atentamente com a testa ligeiramente franzida.

Duas horas se passaram quando já havia terminado.

— Isso é tudo? — Perguntou Shyavana

Garen assentiu

— Muito bem, eu o farei!

Shyavana voltou a sua forma de dragão. Abriu as enormes asas e socou o ar. O movimento gerou uma rajada de vento quase silenciosa que se espalhou como ondas num lago. Katarina viu a teia de veias na asa avermelhadas, cada vez que o fluxo de sangue abrandava, entre as batidas do seu poderoso coração. Ela alçou voou em direção as nuvens.

Com um aceno de cabeça Garen e Katarina prosseguiram a viagem. Ambos correram sempre adiante. Deixando o local para trás. Escalaram longas encostas, subiram e desceram morros. Por vezes ambos paravam para procurar vestígios que indicassem o caminho correto sempre em direção a Howling Abyss, a gerra.

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OST

Nas ruinas do antigo templo. Acampamento do Doutor Lyte...

Dois dias depois...

Ezreal trabalhou a respiração e deixou que a tensão diminuísse. Empurrou a porta e entrou na sala de seu tio.

No final havia um cômodo simples, com uma mesa de madeira e uma biblioteca. Os restos de uma vela derretida sobre a mesa, ao redor da poça de cera. Prateleiras simples de madeira forravam as quatro paredes, a maioria cheia de livros, alguns dos quais pareciam familiares e outros que ele jamais vira antes. A coleção era notável. Sobre a mesa havia um livro aberto e artefatos antigos.

Com uma rápida olhada viu um mapa de Freljord e de Runeterra cravada em uma das paredes. Mas algo chamou a sua atenção. Arregalou os olhos e prendeu a respiração. Havia marcas de sangue. Ezreal pegou alguns livros, paginas foram arrancadas e alguns deles estavam estragados. Vários dos materiais, escritos e analises do seu tio estavam revirados.

Pegou um livro e se acomodou sobre a cadeira, perdido em um emaranhado de pensamentos.

Quando voltou para si não estava mais na sala. Havia uma densa neblina que o envolvia. Sentiu algo estranho virou-se para ver Gregor o fantasma que havia dado a noticia sobre o seu tio. Desde daquele momento estava sumido.

—Haverá tempo para lamentar — disse ele

Ezreal cerrou os punhos

— O que você quer?

— Apenas falar

— FALAR? — Zombou Ezreal — ONDE ESTÁ ANIVIA? ELA SABIA! — Gritou — ELA SABIA O TEMPO TODO, E NÃO ME CONTOU!

— Não era a hora. — Respondeu Gregor aproximando-se de Ezreal

— NÃO ERA A HORA? ERA O MEU TIO!

— Criança, homens e mulheres de valores morrem todos os dias lutando por alguma causa. Tudo o que podemos fazer é seguir em frente.

— Seguir em frente? ELE ERA MEU TIO, DROGA! — Ezreal cedeu e suas pernas dobraram — Ele era minha única família.

— Chorar e se lamentar é um processo natural. Mas ficar falando dos mortos não honra as memorias deles. Não foi sua culpa.

— O que quer que eu diga? — Esbravejou Ezreal — Que eu preferiria que ele nunca tivesse me conhecido? Que ele não tivesse um sobrinho como eu? Então o que eu devo fazer? Esquece-lo?

— Não, você tem que seguir em frente e é isso que ele desejaria. Não é como eles morreram e sim como eles viveram que deve ser marcado.

Os joelhos de Ezreal foram de encontro ao chão

— Eu... eu não sei como.

— É por isso que estou aqui.

Ezreal suspirou

— Eu não pedi por isso. Não pedi por essa guerra. Eu sou apenas um garoto e já tenho problemas demais.

OST

Ezreal soltou um gemido e saltou de pé quando o solo lhe escapou dos pés. Cambaleou no momento em que o chão começou a subir inexoravelmente, levando-os bem acima do templo, das ruinas. Os telhados das casas e torres ficaram para trás. A paisagem estendia-se como um mapa, o rio ao longe parecia uma cobra congelada. Eles subiram em direção às nuvens.

— Meu deus, estamos voando? — Ezreal viu que seus pés não pisavam nada e tentou de acalmar.

— Tem medo de altura? — Riu o fantasma

— Tenho medo de chão! — Respondeu Ezreal olhando para baixo — O que mata é o chão e não a altura.

Gregor apontou para baixo.

— Observe com atenção.

Ezreal desceu o olhar e viu montanhas com os picos rochosos cobertos de neve. Viu o céu vasto e azul. Por fim, viu além do manto azulado, ao reparar que continha mais estrelas do que julgava existir. Estrelas vermelhas, azuis, brancas, douradas cobriam o céu escuro como grãos luminosos.

As constelações que ele conhecia continuavam presentes, mas estavam agora rodeadas de milhares de outras estrelas, que Ezreal via pela primeira vez. Ele contemplou aquele maravilhoso espetáculo durante um tempo, pasmado com a beleza.

Quando virou-se seus olhos arregalaram-se e faltou-lhe ar. Quando Ezreal era criança, Piltover era tudo o que ele conhecia. É claro que tinha ouvido falar de outros lugares, mas nunca lhe pareceu muito real até começar a viajar com o seu tio. Mais tarde, ouviu falar que havia outros mundos e estrelas. Mas agora concluiu que, seu mundo o que julgou ser tão grande, era na verdade uma pequena parte de um todo muito maior.

Diante dele centenas de planetas e estrelas. No meio da galáxia viu Runeterra, seu mundo, como um ponto de luz em vasto cosmo. Dali, não havia sinal de humanos, de suas invenções, de suas guerras. Daquele ponto, os seus problemas pareciam irrelevantes quando comparados com a verdadeira dimensão de tudo aquilo. Pensou também como eram mesquinhas as mágoas e as preocupações que atormentavam as pessoas, quando analisadas de tão alto.

A ilusão se desfez e Ezreal estava de volta diante de Gregor. Sua boca se mexeu para cima e para baixo, mas não ouve palavras.

— Cada coisa no universo é feita de átomos, da maior estrela a menor criatura. — Disse Gregor — Quando se olha para o céu a noite, pode-se sentir que se faz parte desse universo, que você esta dentro desse universo, mas o mais importante desses dois fatos, é que o universo está dentro de nós. Estamos ligados com ele, mesmo a menor das criaturas está ligada com o universo.

Ezreal sorriu. Ele havia percebido, Runeterra. O seu lar, nele todos que amou e que conheceu. Todos de que ele já ouviu falar viveram suas vidas nesse mundo. A totalidade de suas alegrias e sofrimentos.

Uma folha caiu do livro que havia pego, um pequeno bilhete. Ele recolheu e o desdobrou.

“Se estiver lendo isso, já não estou mais aqui.

Sei que os últimos anos tem sido difíceis para você. Mas fui para um lugar melhor. Eu ficarei bem, e eu sempre estarei com você. Você é a luz da minha vida. Não abaixe sua cabeça, siga sempre em frente.

Meu sobrinho precioso. Meu pequeno explorador.

Com amor, seu tio Lyte.”

Ezreal cerrou os punhos e ergueu os olhos marejados. Mas haviam neles uma determinação inabalável. Uma coragem que nunca sentiu antes.

— É como nas grande histórias que meu tio contava. —Disse — Eram cheias de perigo e de escuridão, como o mundo poderia voltar ao que sempre foi com tanta coisa ruim acontecendo. Mas no final essa sombra vai passar, essa escuridão vai passar. Quando o sol nascer, ele brilhará ainda mais forte! Essas eram as histórias que ficavam, mesmo quando era pequeno demais para entender. Mas eu agora entendo. As pessoas daquelas histórias tiveram muitas chances para desistir, mas não desistiram! Elas foram em frente, estavam se agarrando em alguma coisa.

— Ao que você está se agarrando?

— Que há algo de bom nesse mundo e que vale a pena lutar por ele!

— Você deve decidir de que lado ficará nessa guerra. Não há volta depois disso, está pronto?

OST

Ezreal assentiu e dois se deslocaram pelo templo até uma sala circular com um grande espelho no fundo. Junto do espelho a aparição de uma mulher adorável que flutuava alguns centímetros acima do chão. Ela usava uma túnica que se arrastava pelo piso de pedra. Ela gentilmente acenou com a cabeça para Ezreal e atravessou o espelho.

— Quem era? — Perguntou Ezreal sem tirar os olhos do espelho

— Anivia. Parece que ela está esperando por você.

Ezreal observou o espelho com atenção. Era diferente de qualquer outro que ele já tinha visto. Aquilo era vidro – e, contudo, não era. Estendeu a mão devagar para tocar a superfície, mas para sua surpresa seus dedos atravessaram a estrutura. Analisando a superfície, notou uma luz trêmula nas profundezas do vidro. Ele olhou para trás e depois para o espelho, e percebeu que mostrava mais do que simplesmente estava na câmara.

— Isso realmente é seguro? — Perguntou Ezreal sem tirar os olhos do espelho

— Bem, você ainda não está morto, então acho que sim.

— Isso não foi animador — Ezreal se virou para Gregor — eu estive pensando... sabe... eu realmente posso morrer aqui... então, como você é um fantasma... bem... como é a sensação de morrer?

— É impossível explicar.

Ezreal franziu a testa

— Deve haver alguma coisa que contar — Tentou

— Por acaso você consegue descrever a sensação de nascer? O mesmo ocorre com o morrer. Há uma coisa que precisa saber antes.

Quando Gregor terminou, Ezreal tinha os olhos no chão vagos e distantes.

— Isso tudo que você me contou, é verdade? Então, sobre Lissandra sobre essa guerra? O que acontece se eu fizer a escolha errada?

— Quando fazemos uma escolha, qualquer escolha, estamos dizendo sim para um lado e dizendo não para o outro. Então, algum sofrimento sempre vai haver. Somos livres para fazer nossas escolhas, mas somos prisioneiros de nossas consequências.

Juntando o que restava de coragem, Ezreal estendeu a mão para tocar a superfície do vidro polido, sua mão afundou na superfície gelatinosa. Aquele definitivamente não era um espelho comum. Prendendo funda a respiração, o jovem explorador mergulhou para dentro do espelho em direção ao seu destino.

Gregor sentiu, mesmo distante, ele podia ouvir, o choque do aço e os gritos de batalha. O sangue já tingia a velha ponte.

— Começou — disse — finalmente a guerra começou.

Notas finais
Próxima semana, provavelmente já começaremos a guerra! :v