O Trio de Ouro
1 Capítulo 1 - O Jovem Norman
O rei demônio possuía três filhos conhecidos pela sua tão temível habilidade no campo de batalha, eram eles Meliodas, o mais velho, Zeldris, o do meio e Estarossa, o mais novo. Contudo o rei escondia do mundo exterior o seu jovem prodigio, o orgulho dos três mais velhos. O jovem príncipe Norman, um garoto com um poder semelhante ao de Zeldris, pele pálida, olhos verdes por baixo de sua escuridão demoníaca e cabelos castanho escuros.
Porem a personalidade do príncipe caçula era diferente da dos irmãos, os quais o mesmo admirava com fervor. Norman era calmo, estudioso, paciente, aventureiro e extremamente curioso. Não fazia questão do campo de batalha ou de poder, via seus irmãos com amor e adoração, mas nunca se imaginou fazendo o que os mesmos faziam. Odiava violência, detestava guerra, sentia repulso de sangue, e mesmo que soubesse que era seu destino, evitava ao máximo participar de confrontos mesmo que os irmãos ou pai tentassem convence-lo de tal.
? – príncipe Norman? Por favor, sua alteza, apareça. Esta na hora de seu treino – dizia um demônio robusto com barba e cabelos ruivos enquanto procurava o jovem príncipe pelos corredores do palácio.
O garoto ria ouvindo os chamados do treinador, sabendo que o mesmo estaria em problemas se não o encontrasse, porem o pequeno não percebeu alguem logo atrás dele que o agarrou cobrindo sua boca assustando-o. Pelo canto do olho Norman pode ver uma cabeleira loira, tranquilizando-se logo em seguida. Meliodas o levou para as aforas do palácio próximo de uma densa floresta onde estavam os outros dois mais velhos.
M – Você tem que parar de fugir do seu treinador Norman. Vamos precisar de você na batalha contra o clã das deusas – disse o mais velho soltando o irmãozinho com cuidado.
N – Vocês não precisam de mim. São os melhores guerreiros do clã dos demônios, pra que o irmão caçula fracote seria de utilidade numa batalha? Eu não consigo nem acertar um mosquito, imagine uma deusa que é quase dez vezes o meu tamanho – retrucou cruzando os braços e fechando a cara.
Z – Não é verdade. Você é tão ou mais poderoso que eu – respondeu tocando a cabeça do irmãozinho de forma carinhosa. Norman apenas inflou as bochechas em resposta corando levemente pela ação do irmão, sabendo da brincadeira entre eles por ser o mais baixinho entre os quatro. Isso antes de Estarossa abraça-lo fortemente o erguendo no ar, arrancando risadas dos mais velhos e reclamações do caçula.
N – ESTAROSSA! NÃO – gritava chutando o ar tentando acertar o irmão.
E – Vamos maninho. Não vou te soltar ate ouvir você rir – respondeu começando a rodopiar com o caçula nos braços. Meliodas e Zeldris riam a gargalhadas enquanto Norman segurava-se, ate não aguentar mais e começar a rir junto aos três.
*QUEBRA TEMPO*
N – Eu odeio vocês – disse recuperando o folego ainda rindo um pouco das brincadeiras feitas pelos irmãos, que assim como ele estavam sentados na grama observando o por do sol.
E – É mentira, você nos ama – respondeu dando um soquinho no ombro do caçula, fazendo-o rir.
Z – Seu treinador vai ser devorado vivo por não te encontrar. Sabe disso não sabe? – perguntou antes de ver o irmão apenas dar de ombros, não se importando nem um pouco sobre isso.
M – É melhor nós voltarmos, o pai ainda pode nos castigar – disse abrindo suas asas de matéria escura e começando a voar, os outros dois fizeram o mesmo, mas antes de partirem olharam para o caçula que estava se levantando.
N – Eu vou andando se ele perguntar, digam que eu estava treinando e fiquei cansado demais pra voar – respondeu começando a caminhar pela floresta, vendo os irmãos se afastando rapidamente pelo céu escurecido. Enquanto caminhava pela escuridão da noite, o jovem príncipe pensava na conversa que tivera com os irmãos aquela tarde, na guerra que tanto queriam que o mesmo fizesse parte. Se perguntando se devia ouvi-los e aceitar seu dever como príncipe demônio. Mas antes mesmo de ter a ideia de aceitar ouviu um estrondo e viu algo brilhante na floresta, atraído por aquela luz estranhamente agradável, aproximou-se cautelosamente, transformando-se em sombra utilizando sua habilidade magica.
Assim pode ver um anjo em uma enorme cratera. Um rapaz não muito mais novo que ele, pele clara, cabelos pateados, seis asas e olhos azuis como o céu claro de verão. O anjo parecia desnorteado, tonto e ferido, pois sangrava sobre sua camisa branca, ao vê-lo cair o príncipe notou que uma de suas asas estava quebrada. Uma ideia lhe ocorreu, mas antes que pudesse se aproximar calmamente sentiu duas presenças se aproximando rápido. Não pensou apenas se jogou encima do anjo cobrindo-o com sua matéria obscura arrastando-o para fora do buraco onde estava e escondendo-se com ele nas arvores cobrindo a boca do rapaz para que não gritasse.
Dois demônios azuis de tamanho considerável pousaram próximos a cratera que o anjo deixara, sem rastros do causador e sem sentir nenhum poder nas proximidades ser retiraram rapidamente. Assim que as criaturas se afastaram o suficiente Norman se tele transportou para uma caverna próxima, onde soltou o anjo sem muito cuidado, antes de notar sua camisa suja com o sangue do outro. Olharam-se por alguns segundos antes do prateado dizer algo.
? – Porque você me ajudou? – perguntou estranhado, vendo o jovem demônio prender o braço entre duas pedras.
N – Segura ali pra mim – disse sem responder apontando com a mão livre para uma das pedras que segurava seu braço, o anjo não questionou apenas obedeceu sem entender, mas em uma fração de segundos arrependeu-se amargamente. Com toda a força que tinha Norman se virou rapidamente para o lado contrario de seu braço preso, causando um ruído seco de algo se quebrando seguido de um grito estridente de dor.
? – POR QUE FEZ ISSO? — perguntou apavorado pela tamanha coragem, ou burrice, do demônio.
N – Você vai ficar aqui ate sua asa melhorar, uso essa caverna pra me esconder dos meus irmãos quando quero ficar sozinho. Tem um feitiço que esconde qualquer poder magico. Depois que se recuperar chispa, seu sangue na minha roupa, as penas que você perdeu e o meu braço quebrado vão despistar sua presença. Além de me darem um credito a mais com meu pai e meus irmãos. Te trago um pouco de comida amanhã assim que eu puder – explicou antes de retirar-se da caverna sem dar chance do anjo responder. No caminho de volta para o palácio começou a arrepender-se de quebrar o próprio braço, mas tinha um plano na cabeça e não ia volta atrás agora e isso que no caminho resolvera melhorar sua “maquiagem”.
No palácio, o jovem príncipe foi recebido com um grito de susto de uma das varias demônios que serviam o rei. Imediatamente Meliodas, Zeldris e Estarossa foram para o hall de entrada onde deram de cara com irmão caçula completamente ensanguentado e com um braço quebrado, mas com um sorriso vitorioso.
E/M/Z – NORMAN! – gritaram assustados pelo estado do irmão indo ate o caçula, preocupados.
N – Vocês não vão acreditar no que aconteceu. Eu encontrei um anjo – disse com abrindo um sorriso vendo as expressões de surpresa dos irmãos.
Z – Foi ele que fez isso com você? Onde ele esta? Eu vou mata-lo – dizia sacando a espada disposto a sair, mas foi segurado por Meliodas que olhou para Norman, enquanto o caçula abria sua mão livre deixando penas brancas manchadas de sangue caírem suavemente no chão.
E – Você o matou? – perguntou olhando para as penas no chão.
N – resposta obvia não? Foi só o que restou – respondeu com um sorriso coçando a andar com certa dificuldade, antes de Meliodas o carregar em suas costas e Zeldris os seguia de perto. Estarossa apenas sorriu com satisfação, retirou-se logo em seguida indo em direção à sala do trono, onde o rei demônio estaria esperando explicações.
Z – Você tem que aprender logo a se auto curar com sua matéria escura – disse olhando o irmão com preocupação, Norman apenas acenou com a cabeça queixando-se pela dor.
M – Zeldris sermões depois, o pai já vai ralhar com ele o suficiente.
Z – Eu sei. Mas eu estava com um mau pressentimento antes de deixarmos você sozinho Norman. Me sinto responsável – explicou com uma mão na nuca, angustiado pela situação do irmão enquanto se dirigiam ao quarto do caçula onde o ajudariam a se curar com mais facilidade. No dia seguinte já estaria de pé.
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