O Trevo do Dragão

1 A Guerra Dornesa


Notas iniciais
Olá e sejam muito bem vindos à esse conto! Procurei escrever de uma forma que fosse acessível a todos, independente se já tem conhecimento das histórias de George R. R. Martin, então encarem a história como se fosse um novo livro! Eu sou extremamente acessível e gosto muito do retorno dos leitores, então comentários, mensagens e recomendações são de grande valia e crescimento pessoal. Bom, vamos começar!

Desde a luta dos primeiros homens e dos filhos da floresta, Westeros nunca havia se deparado com tamanha grandeza que se apossava de todos os Sete Reinos.

Aegon Targaryen, o Primeiro de Seu Nome, cruzava o Mar Estreito montado em seu enorme dragão Balerion, O Terror Negro, acompanhado de suas irmãs e mulheres Visenya e Rhaenys Targaryen e seus respectivos dragões Vhagar e Meraxes.

Deparando-se com o modo rude com que Aegon apossava-se das terras de Westeros, os respectivos reis perdiam mais e mais batalhas, acabando por concebê-lo como seu Rei e Protetor. Sendo assim, Aegon dava início à construção de uma capital única a qual todos os reinos se curvariam, nomeando-a como Porto Real.

Após muito sangue derramado, era chegada a vez de Dorne render-se ao Conquistador, porém não era do feitio daquele povo uma redenção fácil. E eles não iriam curvar-se até o último homem vivo.

A Casa Martell, até então os governantes de Dorne, não possuía dragões majestosos. Mas possuíam a técnica de luta mais elaborada dos Sete Reinos e uma lealdade inquestionável de seu povo.

Aegon, O Conquistador, enviara Rhaenys Targaryen, sua esposa e irmã mais nova, juntamente com seu dragão Meraxes para Lançassolar anteriormente, porém foi pega de surpresa ao encontra-la evacuada, completamente sem mantimentos e com um aviso da Princesa Meria Martell de que Dorne não se renderia e não se submeteria ao Conquistador.

Quatro anos se passaram desde então e, dos Sete Reinos, faltava apenas Dorne sucumbir ao Rei de Westeros.

Em um ataque surpresa, Aegon decidiu atacar Dorne de todos os lados, dividindo-se com Rhaenys enquanto a Rainha Visenya permanecia em Porto Real governando os Sete. Entretanto, encontrar o povo dornense era incrivelmente complicado, visto que o mesmo não dava batalha aos Targaryen, deixando com que eles apenas queimassem tudo o que vissem pela frente com seus dragões.

A Rainha Rhaenys liderou o ataque, queimando Vila Tabueira com Meraxes em seu caminho para Lançassolar enquanto o Rei Aegon e Lorde Harlen Tyrell conduziam um exército pelo Passo do Príncipe contra os senhores das Montanhas Vermelhas.

Como defesa, o povo dornense revidava bravemente em ataques repentinos e certeiros para depois pudessem voltar a se esconder, o que dificultava o contra ataque Targaryen.

Com a constante evacuação dos Martell e do povo dornense, Aegon teve a falsa sensação de que estava conquistando o território. Porém o que ele não esperava era que os castelos que conquistava estavam completamente abandonados e fracamente guarnecidos.

Na tentativa de sucumbir Dorne, Aegon deixou seu vassalo Lorde Rosby governando Lançasolar e um exército sob Lorde Tyrell para conter revoltas.

Mal os Targaryen e seus dragões haviam pousado em Porto Real, a revolta estourou por toda Dorne com rapidez assustadora, pois esse havia sido o plano dos dorneses o tempo todo. Lorde Tyrell e seu exército inteiro sumiram enquanto Lorde Rosby foi morto por Meria e Nymor Martell na Defenestração da capital Lançasolar.

Os Targaryen tiveram de pagar um resgate para que seus lordes e cavaleiros fossem libertados. Cada um deles teve a mão da espada cortada para que nunca mais pegasse numa arma contra Dorne. Esse ato enfureceu Aegon, pois não contava nos termos que negociara com os Martell.

A fúria havia tomado conta dos Targaryen, que enviaram novamente Rhaenys montada em Meraxis juntamente com grande exército para enfim tomar posse de Dorne.

Dava-se assim o primeiro confronto corpo a corpo com o exército rebelde de Dorne e o exercito real dos Targaryen. A batalha consumia-se nos campos arenosos em Toca do Inferno.

Durante a batalha, percebia-se a destreza dos dornenses em sua luta altamente técnica, demonstrando a paixão e a garra em lutar por seu reino, enquanto o exército real tentava usar apenas da força e das ordens recebidas para estar ali.

Por mais que os dornenses estivessem em vantagem no corpo a corpo, Meraxis ateava fogo por todos os lados, dificultando a batalha gravemente.

Por entre os dorneses, havia um jovem de uma armadura maciça cinza montado em um cavalo marrom que, peculiarmente lutava bravamente contra sua própria família. Seu nome era Hegal Targaryen, nascido de Visenya em Pentos, protegido de Aerion Targaryen. Durante a invasão dos Dothraki às terras valerianas de Essos, Visenya se envolvera com Khal Dhako, rei dos nômades, e assim nascera Hegal. O jovem era dotado de cabelos negros bagunçados e com traços brutos dos Dothraki e os olhos violeta intensos e sedutores, herança dos Targaryen.

Em Essos era considerado Targaryen legítimo já que nasceu em uma cidade livre, porém em Westeros era considerado bastardo já que nasceu fora do casamento atual de Visenya. A mesma deixou Hegal com aproximadamente 11 anos com seu pai Aerion para juntar-se aos seus irmãos na conquista de Westeros. Sete anos mais tarde, Hegal interessava-se por lutas e combates e se interessara pela técnica dornense, fazendo com que fosse até Dorne para aprendê-la.

Devido ao temperamento forte de sua mãe e nunca ter tido contato com seu pai, Hegal crescera independente, pouco se importando com as questões de sua família, focando apenas em seu desenvolvimento pessoal. Porém havia muita honra em seu coração.

A partir do tempo que havia passado com os dornenses e acolhido pelos Martell, Hegal aprendera mais do que simplesmente técnicas de luta, mas aprendera táticas de guerra, interação próxima entre os governantes e seus subordinados e a honrar suas decisões.

Por ser um Targaryen, Hegal foi obrigado a abrir mão de sua família para dedicar-se ao aprendizado e, como era um homem de palavra, a cumpriu bravamente no confronto contra seu tio e padrasto Aegon.

Montado em seu garanhão marrom de nome Berilus, Hegal lutava bravamente, dilacerando todos os seus inimigos enquanto esquivava-se de sua tia Rhaenys e seu dragão.

Durante um duelo, o garanhão de Hegal acabava ferido, fazendo com que Berilus relinchasse sem ao menos o jovem perceber. Com a atitude arisca de seu cavalo, Hegal caía ao chão enquanto podia observar seu cavalo correndo para longe. Muito para além do que os olhos dele poderiam enxergar.

Porém Hegal não se abalava, e logo já estava em pé, lutando bravamente naquele campo de batalha em defesa da liberdade dornesa.

Durante a luta corpo a corpo, arpões eram arremessados aos céus das torres de Toca do Inferno na tentativa de acertar Meraxes e que, por acaso ou sorte, um destes acerta o olho do enorme animal, fazendo-o tontear no céu, perdendo altitude rapidamente.

Ao reparar a queda do enorme dragão, os soldados do Rei Aegon recuavam rapidamente, concedendo a vitória da batalha ao povo de Dorne.

O imenso dragão despencava ao chão, fazendo tremer ao redor com o impacto que seu corpo fazia ao tocar o solo. Sem demora, os cavalheiros dornenses aproximavam-se da fera, capturando sua domadora Rhaenys que se encontrava gravemente ferida com a queda repentina de seu animal, agonizando em dor.

— Insubmissos! Não Curvados! Não Quebrados! – festejava o Príncipe Nymor Martell montado em seu garanhão branco com a vitória da rebelião enquanto apossava-se de Rhaenys, levando-a como sua prisioneira dentro de uma carruagem amarrotada de feno com seus membros amarrados firmemente. Podiam-se ouvir ao longe os gritos de dor da rainha de Aegon.

Nymor Martell, príncipe de Dorne, era um jovem esguio, porém forte, com pele cor de oliva, cabelos pretos e olhos escuros. Possuía um sorriso brilhante, o sangue quente e uma grande libertinagem sexual. Nymor vestia uma armadura brilhante fortemente esmaltada e incrustada com prata e ouro. Por baixo dela, seus panos eram o mais puro cetim de toda Westeros.

O povo dornense esbravejava felicidade com sua coragem ao reparar o tamanho estrago que o dragão havia feito ao redor e que mesmo assim tinham se feito vencedores.

Torres e mais torres devastadas com o fogo do dragão agora eram símbolo de sua bravura e de sua não rendição aos Targaryen.

— Hegal! – chamava o príncipe Nymor por seu amigo e bastardo dos Targaryen – Acho que agora temos a posse de sua querida tia!

— Sem dúvidas, Nymor! – sorria. Hegal nunca foi muito apegado à família além de seu avô que o criara. Em Dorne, o jovem havia apegado-se à família Martell, que o acolheu como filho em sua chegada e o tratou com consideração, o que os Targaryen nunca haviam feito. Uma forte amizade crescera entre os dois rapazes durante os quatro anos até então.

Hegal chegara a Lançassolar com seus dezoito anos e, agora com seus vinte e dois anos, tornara-se um guerreiro nato e habilidoso em interação com o povo dornense e a família Martell.

— Onde está Berilus? – questiona o príncipe em confusão.

— Feriu-se e desapareceu – responde Hegal sucintamente em um tom preocupado. O bastardo valeriano não era muito de falar.

— Não te preocupes, ele voltará – diz Nymor com os olhos sorridentes. O príncipe sabia do tamanho apreço que seu amigo tinha por seu cavalo. Eram tão inseparáveis que julgava que Hegal parecia mais um centauro do que homem – Lhe cederei um cavalo para voltarmos à Lançassolar. Temos assuntos a resolver.

— Certamente – concordava Hegal que, rapidamente apossava-se de um cavalo disponível e partia em cavalgada ao lado de Nymor, acompanhando a carruagem que transportava Rhaenys Targaryen em direção à Lançassolar.

A viagem de volta era um tanto perversa. Podia-se ouvir a agonia de Rhaenys no interior da carruagem. Alguns de seus ossos haviam sido fraturados na queda de seu dragão, provocando-na dores quase insuportáveis.

O cocheiro que guiava a carruagem da prisioneira fazia algumas caretas enquanto ouvia a irmã e rainha de Aegon agonizando em dor sendo antecedido por Hegal e Nymor e atrás seguiam a guarda real de Dorne.

— Parece que sua tia não está muito feliz – debocha Nymor aos sorrisos enquanto cavalga ao lado de seu amigo.

— Tenho que admitir que nunca a vi triste e muito menos a ouvi gritar. Rhaenys sempre foi muito sorridente, minha mãe que sempre manteve mal humor... – confessa Hegal.

— Adoraria conhecer Visenya – diz Nymor com deboche — Mas parece que minha irmã quer ter a honra de falar pessoalmente com seu tio para negociar a liberdade de Dorne enfim.

— Ela é realmente adorável – Hegal ri em resposta com o que acabara de dizer. Sua mãe não era uma pessoa de muitos amigos, e sim um tanto hostil. Hegal acredita que Visenya nunca queria ter sido mãe, e sim uma guerreira. Portanto, nunca havia tido dotes maternos necessários, desgarrando-o como seu filho.

— Hegal? – questionava Rhaenys em surpresa do lado de dentro da carruagem ao reconhecer a voz de seu sobrinho.

— Parece que você não é tão bastardo assim, não é? Ela te reconheceu – dizia Nymor ao seu amigo que, retrocedia o cavalo, aproximando-se da carruagem sem olhar para dentro de sua fenda.

— Hegal querido, é você! – dizia Rhaenys surpreendida em meio a gemidos de dor – O que faz aqui em Dorne? – questionava a mulher de cabelos loiro-platinados os quais mantinha soltos.

Hegal então decide olhar por entre a fenda da carruagem, e então podia ver a imagem de sua tia sentada com os ossos de sua perna completamente tortos, perdendo ali toda a lembrança da graciosidade de sua tia.

— Estou aqui há quatro anos aperfeiçoando minhas habilidades – admite Hegal.

— Nem sua mãe e nem Aegon sabem que estas aqui, como isso é possível? – questiona Rhaenys em confusão.

— Se minha mãe, Aegon e o inferno quisessem saber onde estou, saberiam – debocha Hegal de forma escrachada, mantendo um trotar harmonioso ao lado da carruagem.

— Tens de conhecer teu primo Aenys! Pequeno, porém muito destemido... – dizia Rhaenys antes de ser interrompida pelo sobrinho.

— Teu interesse repentino numa reunião de família não me soa bem – diz Hegal de forma sincera e sem rodeios. O bastardo valeriano era tão incisivo que suas palavras pareciam fagulhas de dragão que eram ouvidas aridamente.

O jovem cansou das ladainhas de sua tia e resolveu apressar o trote do cavalo até alcançar novamente o Príncipe Nymor, acompanhando-o novamente.

Notas finais
E então? O que acharam dessa primeira parte da história? Pretendo liberar mais capítulos frequentemente já que se trata de um conto e haverão em média 5 capítulos. Aguardo ansiosamente o retorno de vocês. Até breve!