O Trevo do Dragão
2 A Garota Trevo
Notas iniciais

Por entre as florestas nortenhas e os desfiladeiros de gelo, crescia a Casa Clover, vinda das Campinas para desenvolver métodos de plantio e cultivar alimentos para o Norte de Westeros. A Casa Clover era conhecida devido a estes métodos irreverentes em armazenar e canalizar água e produzir mantimentos protegidos do clima gélido.
Dentre estes métodos desenvolvidos estava o Canal Throat, um túnel quase repleto de água que, além de canalizar as águas das fluviais do Gargalo por entre as montanhas do Norte para abastecer toda a região rochosa, também era a via de acesso principal à Four Leaf, também conhecida como vila das Quatro Folhas. Localiza-se em um trecho estratégico por entre duas fluviais derivadas do Gargalo que seguem rumo à Winterfell e ao Forte do Pavor.
Como o acesso principal dava-se apenas através de barcos, os mesmos estão sempre em constante movimento pelo Canal e que, ao saírem do Throat, desembocam nas fluviais do Gargalo, levando os mantimentos até Porto Branco para que sejam distribuídos por todo Norte.
A vila de Four Leaf também podia ser acessada pelas estradas alternativas por entre os rochedos nórdicos, porém eram estradas rochosas tão perigosas que se optava unanimemente pelo Canal Throat.
Lord Robin Clover não podia estar mais feliz ao escolher desenvolver-se no Norte, pois nunca estivera tão rico e tão importante. Graças ao seu vilarejo, o norte tinha comida fresca e de qualidade sem nenhuma preocupação.
Quatro enormes estufas de alimentos eram concentradas nos arredores da vila, onde os mantimentos cresciam protegidos do clima. Mas só Robin sabia das habilidades que necessitava para dar conta de supervisionar todas as estufas e fazer com que elas funcionassem com maestria: enquanto a primeira estufa era esvaziada para a distribuição destes mantimentos, a segunda já devia estar prestes a amadurecer, a terceira deveria estar florescendo e a quarta cultivada, adubada e plantada.
O trabalho de Four Leaf era de extrema importância para o Norte já que produziam mais da metade dos mantimentos necessários para toda a população e, durante o inverno, era a única vila que os fornecia.
A importância da casa Clover só aumentou após o casamento entre Lord Clover e Lady Lysa Karstark, irmã de Margaret Karstark que casara com Torrhen Stark, antes Rei do Norte e agora Protetor do Norte por ter se curvado à Aegon, O Conquistador.
Muito sangue nortenho foi derramado na resistência em ceder à invasão de Aegon, mas Torrhen Stark com sua tradição protetora decidiu render-se para evitar mais perdas.
Lord e Lady Clover, em consumação do casamento, geraram Alys Clover. A garota trevo tem os cabelos ruivos campestres de seu pai e os olhos selvagens nortenhos de sua mãe. Com sua gentileza ela encanta a todos os residentes do vilarejo, porém sua personalidade forte lhes impõe respeito. Desde pequenina aprendeu a monitorar as estufas de Four Leaf e hoje Lord Clover lhe designa boa parte das tarefas.
É mantida na vila por ser a única herdeira Clover. Tem o desejo de conhecer toda Westeros e todos os povos existentes nele, porém só conhece o Norte. O mais longe que Alys foi de Four Leaf são todos os fins de ano quando sua família dirige-se até Winterfell para celebrações direcionadas aos velhos deuses pelo ano farto e de boa passagem.
Sua única interação é com as pessoas da vila e seus tios e primos residentes em Winterfell.
Alys é sonhadora e sempre é incentivada pela mãe, porém Lord Robin é severo e alega que sua presença é muito importante, pois sem os Clovers, o Norte perde mais da metade da produção de mantimentos para o inverno.
— Mas pai como vou desenvolver mais métodos e ter novas ideias para nossa vila sem interação com outros povos, outras culturas? – questionava a jovem Alys que, em suas dezessete primaveras, sentia-se confiante para desbravar a terra de Westeros.
— Está vendo Lysa?! Tu incentivas a menina a ler e agora ela está me deixando maluco! – esbravejava Lord Robin no grande salão dos Caules, localizado no Castelo Clover, que tinha início no fim do Canal Throat e dava a volta ao redor de Four Leaf, dando acesso a passarelas que ofereciam um panorama maior das estufas, podendo controlar também a distribuição de água.
As paredes externas do Castelo eram repletas de musgos derivados do Canal, e isso fazia com que crescesse lindas flores e plantas ao redor como consequência. Estas cresciam tanto que chegavam a entrelaçar nas janelas e algumas chegavam a adentrar no Castelo.
O Salão dos Caules era exatamente o centro que todas estas plantas escolheram crescer, podendo-se perceber as ramificações no teto do salão e algumas chegavam a florescer para baixo, ficando penduradas ou rodeando os lustres.
Era um lugar encantador e não combinava nada com as discussões da família Clover. Discussões estas que eram motivadas sempre pelos mesmos motivos: Alys e seu desejo de sair daquela vila.
— Papai, você precisa entender que esses métodos que o senhor elaborou têm um prazo de validade! E para que ele continue em funcionamento, precisamos estar aperfeiçoando-o regularmente.
— Os métodos são atuais e não necessitam de nenhum reajuste! Tudo está funcionando perfeitamente! – Robin prosseguia esbravejando, completamente obtuso às sugestões da filha já que não havia nada de errado afinal.
— Robin, sua filha está pensando no bem da vila, não consegues entender? – questionava Lysa, intercedendo por sua filha como uma loba que protege sua ninhada.
— Se ela quiser o bem da vila, ela que fique aqui! Ela é a nossa sucessora! Eu não vim foragido da campina junto com os Manrdely para acabar com a minha casa por tolices de uma criança tola!
Robin Clover e Wylan Manderly foram para o Norte foragidos, expulsos das campinas pela Casa Gardner e acolhidos pela Casa Stark como seus vassalos. Foram de muita valia para o Norte já que a família Manderly tem um conhecimento portuário vasto, o que lhes proporcionou uma posição de destaque no transporte náutico de pessoas e, predominantemente, de mantimentos, que eram fornecidos pelos Clover. A Casa Manderly desenvolve e supervisiona o Porto Branco assim como a Casa Clover é responsável pela produção de alimentos em Four Leaf.
— Tenho dezessete anos! Não sou criança e tola muito menos! – Alys se impunha com presas e garras contra o trevo pai.
— Não erga a voz para o seu pai! Enquanto minhas raízes florescem em Four Leaf, você seguirá minhas ordens! – a voz de Robin ecoava pelo Caule, fazendo-se ser percebida por seus servos que trabalhavam nas estufas abaixo das janelas do castelo.
— Mas o senhor meu pai deveria me escutar! – em um tom firme, Alys tentava se fazer valer na discussão com seu impassível pai.
— Sem mais palavras! Estou farto de tuas tonteiras juvenis! Tu vais permanecer aqui como um bom trevo que és nem que eu tenha que amarrar-te a um tronco! Está claro? – com sua mão indo contra a mesa de madeira maciça, Robin proferia suas palavras finais para encerrar a discussão com o som de sua palma contra o móvel, fazendo as taças de vinho tremerem.
Alys ensaia um argumento, porém ao puxar o ar para falar, se cala. Emudecida, a garota levanta-se da mesa e bate a sola seus calçados contra o chão de pedra, caminhando porta afora do enorme salão.
— Parvo! – resmungava enquanto caminhava pelos corredores do castelo, alcançando a porta de seu quarto, fechando-se ali.
O quarto da garota trevo tinha o teto coberto por caules já que Alys procurava deixar as janelas sempre abertas, ao contrário de sua porta, que era mantida fechada. A vista de seu quarto, contrário da maioria dos salões do castelo, era voltada para as montanhas e, entre elas, havia o túnel do Canal que ia de encontro com a parte inferior do castelo, desembocando no enorme salão de abastecimento de barcos.
— Um ignorante, um estúpido! – ainda resmungava enquanto se debruçava na enorme janela com soleiras de madeira que adornavam as paredes de pedra, observando aquela vista que a despertava todos os dias.
Por ter uma altitude elevada, Four Leaf se encontrava próximo ao sol, que era difícil de ver em todo o norte, porém alí se fazia espetáculo por entre as montanhas frias.
A vila de Quatro Folhas era encantadora, como se fosse um pedaço das campinas por entre os relevos rochosos do Norte. Mas para Alys, era como se as montanhas fizessem as celas de sua prisão.
Seu pai não conseguia compreender que ela precisava de certo amadurecimento pessoal longe dali, e que só conseguiria liderar a vila tendo conhecimento vasto sobre toda Westeros, assim como ele tinha, porém não lhe transmitia informações necessárias.
Então, naquele instante, Alys tomou uma decisão importante: ela iria fugir, e seria naquela noite. Mas por onde? Ela não poderia seguir sozinha por entre as montanhas para chegar até o terreno mais pleno próximo para seguir viagem na Estrada do Rei.
Ela só teria um lugar para fugir, e seria pelo Canal Throat.
— Alys...? – adentrava Lysa no quarto da filha após bater na porta com educação, tirando-a de seus pensamentos fugitivos, fazendo com que a menina virasse de frente para a porta e de costas para a janela a qual debruçava-se – Sente-se comigo – dizia ao andar em direção à cama de sua filha, sentando-se com a graciosidade de uma pena na beirada após fechar a porta.
— Sim, senhora... – respondia Alys enquanto andava em direção à mãe com seu vestido verde de veludo o qual as mangas e a barra eram esvoaçantes e se estreitava na cintura com o auxílio de um cinto de correntes com pedras de esmeralda. Sentava-se na cama ao lado de Lady Clover e a observava atenta.
— Sabes que teu pai não sabe o que fala, filha... – Lysa tentava explicar – Ele é impulsivo e tem raízes muito fortes em Four Leaf. Foi a conquista da vida dele...
— Da vida dele, não da minha! – interrompia a filha com um tom de revolta em sua voz.
— Sim, da vida dele, mas tu és o futuro da Casa Clover. Sabes que não posso mais ter filhos. Tua gravidez foi complicada demais. Você vai ser Lady um dia e precisa estar pronta e viva de preferencia – dizia Lysa com calma enquanto dava uma pausa em seu falar – Teu pai passou por maus bocados fora do Norte e é aqui que ele se sente seguro, entendes?
— Sim mamãe, mas eu temo pela minha casa e pelo futuro dos nossos métodos. Eles não vão durar para sempre e eu preciso estar preparada! – dizia o trevo jovem de forma decidida.
— Em algum momento seu pai cederá, mas você precisa ser paciente e esperar o momento certo – dizia Lady Clover de forma tranquila para sua delicada cria.
— Tudo bem, mamãe... – cedia a garota em falso. Estava decidida que iria fugir naquela noite.
Lady Clover propagava um suspiro de alívio ao perceber que sua filha havia entendido o real motivo das coisas. Lysa estava ciente do que se passava dentro de sua filha. Quando era jovem, era tão selvagem que seus pais não a controlavam e ela não admitia o fato de que teria que se submeter a um marido, porém ao conhecer Robin, Lysa se apaixonou perdidamente pela paciência e inteligência do trevo. A jovem loba aprendeu com o trevo que as coisas têm o seu exato tempo de acontecer, assim como as plantas, os alimentos. Todos tinham o tempo, o clima e a estação corretos para florescer, mas tinha que ser regado e cuidado todos os dias, assim como o amor entre a loba e o trevo: com cuidado e paciência, o amor floresceu.
— Irei pedir para a ama trazer seu jantar – dizia Lady Clover enquanto deslizava seus dedos pelos cabelos ruivos de sua filha em uma carícia materna – Boa noite, querida – beijava a testa da jovem e levantava-se, caminhando em direção a porta, deixando Alys em seus pensamentos, esperando que o que ela tinha dito fizesse algum sentido para sua menina.
Porém, tudo o que Alys estava pensando era em como ela iria fugir e o que ela precisaria levar consigo.
A garota decidiu que iria trocar suas vestes elegantes por vestes comuns e que levaria consigo apenas um saco de moedas e sua capa de pele de lobo para assolar o frio.
~*~
Já era madrugada e a garota trevo aguardou o momento de maior silêncio para fugir. Por volta das quatro horas da manhã, ela apanhou seu saco de moedas, prendeu-o em seu cinto de couro fervido e jogava em suas costas sua capa de veludo verde e por cima desta, sua capa de lobo, cobrindo seu vestido branco simples e levemente surrado.
Caminhava na ponta de suas botas acinzentadas para não fazer nenhum barulho enquanto descia as escadas dos empregados, chegando até a cozinha onde não havia ninguém.
Da cozinha, Alys caminhava com ainda mais cuidado em direção ao salão principal do andar de baixo que dava acesso ao fim do Canal Throat e, ao chegar lá, corria até a casa de botes para conseguir.
— Não acredito! – sussurrava com indignação ao reparar as correntes que entrelaçavam as alças da porta que se fechavam em um cadeado grande coberto por musgos.
Mas aquilo não tirava a vontade de Alys escapar, então ela tomava uma decisão: abandonou suas capas de veludo e de pele de lobo em um canto qualquer do enorme salão de abastecimento, levando consigo apenas as moedas, e pulava na água gélida, decidida a nadar até o outro lado.
Quando Alys percebia o choque de temperaturas entre sua pele e a água, ela sentia como se tivessem várias agulhas pinicando todo o seu corpo, mas ela não podia parar e precisava se acostumar com a água.
Então a menina decide mergulhar na água do Canal, pois assim nadaria mais rápido, não faria tanto barulho, não seria vista e também se acostumaria mais rápido com a temperatura da água.
Assim que Alys mergulha na água, ela percebe o quão escura ela era e que ela não conseguia ver absolutamente nada submersa ali, apenas sentia as algas que flutuavam e que vinham do fundo do Canal. A garota prossegue mergulhando, voltando à superfície para encher seus pulmões de ar e poder prosseguir nadando.
Na medida em que Alys mergulhava, ela não sentia mais as algas e então percebia o quão profundo era o Canal e que quanto mais longe ela ia, mais profundo ficava e mais escura a água se tornava.
Em um momento de cansaço, Alys volta á superfície e tenta boiar para ver onde ela estava, mas ao chegar à superfície, não havia tochas acesas como deveria ter, e tudo era escuro: tanto a água quanto o túnel. Alys não enxergava absolutamente nada, apenas o breu.
— Pelos deuses! – sussurrava para si mesma, assustada com o que não via.
Assolada pelo desespero, Alys volta a mergulhar e bate seus pés com muita velocidade e voltava a superfície novamente, deparando-se mais uma vez com o breu.
Sua respiração se tornava ofegante à medida que nadava desesperada a procura de luz para mais além do túnel e não encontrava nada além da escuridão.
Alys estava em pânico e não sabia o que fazer nem para onde nadar. Estava perdida no breu daquela garganta. A menina deixava-se levar cada vez mais pela aflição até perder o controle de sua respiração, fazendo com que ela afundasse gradativamente enquanto engolia muita água e tentava a todo custo manter-se na superfície.
Os pulmões de Alys não aguentavam mais com a ingestão de água e pouco oxigênio, levando a menina à inconsciência. Agora o breu do canal era o mesmo breu que habitava na garota trevo que afundava naquelas águas escuras.
Do outro lado do túnel, Berilus, com sua cela dornesa, fugia de homens que o queriam domar, porém estava encurralado. Sendo o garanhão selvagem e fiel ao seu dono, a única alternativa foi nadar para dentro do túnel que estava à sua frente.
O garanhão marrom estava ferido, porém não iria render-se, nadando para dentro daquele canal gélido e escuro.
Muito próximo da saída do túnel, o cavalo aproximou-se de algo vermelho que flutuava pelas águas, chamando sua atenção.
Usou de sua boca para puxar o que lhe chamava atenção e percebeu que se tratava dos cabelos de uma moça que estava afogada ali.
Berilus mergulhou, colocando a garota em suas costas e prosseguiu seu nado tranquilo para o fim do túnel.
~*~
— Milorde, eu a vi nadando através do canal! – dizia uma das criadas do Castelo Clover para Lord Clover que havia sido acordado com batidas desesperadas na porta de seus aposentos.
— Maldição, Alys! – vociferava o Lorde Trevo que colocava sua capa de veludo verde, escuro símbolo de sua casa, e corria pelo corredor clamando por Sor Dario, Chefe da Guarda de Four Leaf.
— Sim Milorde – aparecia Sor Dario pelos corredores, ofegante e um tanto nervoso, sentindo que algo não estava certo por deparar-se com seu Lord daquela maneira tão severa.
— Todos para o Throat agora! Vamos encontrar minha filha! – comandava enfurecido, correndo escadas a baixo.
Lady Clover não perdia tempo e corria atrás de seu marido com sua capa de lobo para esconder suas vestes de dormir. Sentia um enorme aperto em seu coração. Sua garotinha não podia fugir dessa maneira depois de tudo que ela havia dito à menina.
Robin não perdia tempo e colocava-se a bordo de seu barco juntamente com alguns de seus soldados, preparando-o para zarpar em busca da Garota Trevo.
Lady Clover e as criadas reais observavam aflitas. Lysa apoiava sua mão direita em seu peito, sentindo-o pesar imensamente com a fuga de sua filha. Mas ao prestar atenção para além do túnel, ela conseguiu ouvir um nado diferente ecoando em direção ao salão.
— Robin! Olha! – avisava seu amado marido, apontando para a direção que o barulho ecoava até que apareceu um cavalo muito forte nadando com um corpo em seu dorso.
— É sua filha, senhor! – dizia um de seus soldados ao observar atentamente os cabelos vermelhos e inconfundíveis de Alys espalhados por todo o pelo marrom do cavalo.
— Ajudem aquele cavalo! – ordenava Lord Clover aos seus soldados que, sem demora, corriam para a plataforma do salão, estendendo uma rampa para ajudar o cavalo a subir.
Berilus entendia a ajuda dos homens e sentia que podia confiar. Afinal, ele tinha que salvar aquela garota afogada.
Após o garanhão subir na rampa, de forma impressionante, o mesmo toma a iniciativa em curvar-se de uma forma que a garota deslizasse de suas costas para o chão sem danos e ficou sentado ao lado dela sem atrapalhar ninguém.
Rapidamente, Robin abaixou-se ao lado da filha, segurou seu nariz e assoprou em sua boca firmemente duas vezes. Após isso, iniciou uma massagem cardíaca desesperada, pressionando suas mãos contra o peito de Alys, que estava gelada com os lábios arroxeados.
— Não está funcionando... – murmurava Robin um tanto preocupado, porém não parava de pressionar o peito de sua filha.
O Lord Trevo segurou as narinas de sua filha novamente e assoprou dentro de sua boca, colocando mais pressão ao empurrar o ar para a boca de Alys e prosseguiu a massagem cardíaca.
Os olhos de Robin estavam aterrorizados com a possibilidade de perder sua filha, porém lutava pela vida dela. Sor Dario e os soldados estavam em choque ao presenciar Alys daquela maneira. Todos petrificados com aquela cena de um pai em desespero dando o melhor de si para salvar sua única filha e futuro de sua casa. Lady Clover jogava-se de joelhos ao lado do marido, colocando suas mãos no rosto de sua filha com seus olhos marejados e seu coração despedaçado. Seu pequeno trevo corria risco de vida na sua frente e ela não podia fazer nada, mas dava suporte ao seu marido que era o único que podia salvá-la.
— Vamos, Alys! Vamos! – gritava o Lord Trevo exasperado, dando tudo de si para salvá-la. Dentro de si, Robin jurava aos velhos deuses que se ele conseguisse salvar seu pequeno trevo, ele iria dar ouvidos a ela e iria dar o melhor de si para confiar nela e no que estava além do Norte.
Então um milagre repousava no salão de abastecimento. Alys começa a tossir e expelir água pela boca, arregalando seus olhos ao abrir e encontrar seu pai, que ofegava em alívio ao ver sua filha respirando.
— Minha filha! – exclamava Lysa, segurando sua filha nos braços, colocando-a de lado para que ela pudesse expelir mais água sem se engasgar, afagando seus cabelos de fogo com carinho.
Alys tossia muito e cuspia muita água, até que conseguiu respirar profundamente e reestabelecer seu pulmão com o mais puro ar.
Berilus observava atentamente cada movimento da menina que salvou enquanto Robin o olhava com gratidão, reconhecendo o emblema da cela do garanhão.
— Sor Dario. Cuide desse cavalo, alimente-o bem e encontre seu dono. A cela é dornesa, pode facilitar nas buscas. Devo a vida de minha filha a esse animal – dizia Robin para seu soldado.
O trevo estava profundamente agradecido e faria o que pudesse ser feito àquele cavalo e ao homem que o monta.
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