O Traidor
14 - A dália negra
O grupo seguiu as ordens de sua guardiã Veneze, não hesitaram e sentaram-se nas poltronas da sala central na moradia de Cádmo, esta decorada com inúmeros quadros detentores de uma moldura extremamente reluzente e detalhadas,
artefatos de porcelana sobre as estantes madeiradas, transbordando exuberância, possuindo um brilho lúcido e singular, decorações mínimas porém efetivas, paredes revestidas com a mais pura e negra madeira encontradanas regiões mais próximas, o padrão de sua residência não era diferente, construção totalmente feita com uma madeira avermelhada, paredes branquissímas revestidas e a aparência rústica, como todas as outras.Milhares de vezes maior que as outras, a residência do governante do vilarejo era extremamente luxuosa, podendo até parecer sombria.Sentando-se nas poltronas, visualizaram a face serena e decidida de sua guardiã, seus longos e volumosos cabelos esbanjavam vida, porém seu olhar mantinha-se receoso e demonstrava indecisão, suas mãos estavam sobre seus joelhos, contemplaramseus anéis, demasiadamente brilhantes. Trajava um vestido esverdeado, do verde mais escuro ao negro. Agora, possuindo a desmesurada carga de viúva, a jovem senta-se em uma poltrona bem ao lado de sua guardiã, seu corpo e expressão demonstravam os sinais de sua dor, sua perda fora imensurável, seus cabelos estavam descuidados e não possuíam o mesmo brilhocontagiante de sempre, o brilho havia desaparecido, junto com sua Gardênia. Sentia-se desconsolada e desprotegida por não estar usando a flor nos mesmos, seu aspecto mantinha-se esquálido e enfraquecido, ela não era mais a mesma.Porém, sentia-se extremamente curiosa para ouvir as palavras de Veneze, vislumbrou seus companheiros, porém não fixou seu olhar nos mesmos, sentia sua melancolia e incompreensão. Um pálido e nervoso Cádmo sentou-se no outro extremo da sala, empunhava uma taça com uma bebida avermelhada, suas pernas o derrubaram em sua poltrona e lutou para que o copo não caísse.Uma grande mesa de centro dividia o grupo, detalhada com flores e estrelas entalhadas.Veneze os fitou, tristemente, seus olhos se fecharam e seus lábios se abriram.- Eu sinceramente não sei o que acontecerá comigo quando lhes contar isso. – Sibilou, sua expressão mantinha-se receosa e mórbida. — Torço para que uma espada não atravesse minha garganta quando acabar.Ninguém sabia o que ela quis dizer, seus olhares mantinham-se fixados na face da guardiã enquanto suas palavras eram proferidas.- Ela nem sempre foi assim... – Grunhiu, receosamente.- O que você pretende? – Questionou Lass, claramente irritado e angustiado.Amy, sentada ao lado do rapaz, desferiu-lhe um tapa em seu ombro, para que o mesmo a deixasse falar, Lass apenas a entreolhou com seus olhos queimando com seu ódio, explícitamente.A mulher a agradeceu balançando sua cabeça e sorrindo discretamente, por um curto período, pareceu se lamentar amargamente.- A essa hora, eles já devem possuir as duas armas, então vocês merecem saber a verdade sobre ela. – Completou, elevando sua mão até seu ombro esquerdo e jogando seu cabelo para trás.Cádmo parecia já saber o que estaria por vir, seu nervosismo aumentara desgraçadamente. Seu rosto estava empapado com seu súor e seu curto cabelo esbranquiçado ficara ensopado, seus dedos longos e finosse abriram, a taça quebrou-se em milhares de reluzentes pedaços, sua bebida avermelhada estava esparramada por todos os lados.- Senhor Cádmo! – Gritou Elesis, jogando seu olhar no pálido senhor.- Não é nada, prestem atenção! – Exclamou Veneze, estarrecida e insegura. — NÃO DEIXE QUE NADA OS ATRAPALHE!Rápidamente, os jovens novamente se focaram na pessoa à sua frente e deixaram Cádmo de lado, a expressão atônita de Veneze os incomodava, novamente seus lábios vermelhos se abriram.- Há centenas de anos, antes mesmo do nascimento do imortal, o até então denominado reino de Sérafo fora iniciado. – Bradou Veneze, fechando seus olhos e apertando um de seus anéis. — O segundo reino na península de Vermécia.- Sérafo? – Questionou Elesis, alimentando sua expressão estarrecida e duvidosa.- Fique calma... – Sibilou Veneze, respirando fundo. — No reino de Sérafo, uma família de prestígio tornou-se famosa, até então desconhecida por todos os habitantes do reino de Sérafo. Arme engoliu seco, sua mente palpitou sobre a família citada, fechou os olhos como se algo os furasse e tentou imaginar.- Seu nome desapareceu com o tempo, junto de seu legado, era conhecida por ser a detentora do trono, a família real. – Grunhiu, vislumbrando a deplorável situação de Cádmo. — Tal família era totalmente misteriosa, não eram vistos em público e prezavam a beleza mais que tudo, os habitantes do pequenino reino, até então escassos, não ousavam se impor contra a família real.- Você não se lembra do nome da família? – Questionou Ronan, demasiadamente interessado.- Quieto, Ronan! – Disse Amy, empurrando-o levemente.- Não consigo me recordar do nome da família, portanto não me interrompam! – Berrou Veneze, em um estridente grito que rápidamente ecoou por toda a residência. — A família era de extrema nobreza, porém não possuia uma grande participação na política do reino, tal fato obrigou os escassos moradores do reino de Sérafo
à agirem contra a família...- Eles não possuiam participação na política do reino? – Questionou Jin, apertando seu braço. Veneze fitou o rosto pálido do rapaz de cabelos avermelhados, sua expressão exausta e apreensiva, Veneze contraiu seus lábios e respirou fundo, novamente.- Nerasta, a dama real, havia tido uma filha, a única descrição conhecida é a cor de seus cabelos e olhos, negros como as trevas e seu rosto, pálido como a neve, a pequenina seria usada pela família real para destruir seu concorrente, o reino de Canaban. – Disse Veneze, atônita e receosa. — Como Canaban não havia visto o pequenino reino de Sérafo como uma considerável ameaça, decidiram não atacar, fazendo com que a família real se sentisse inferior.As imagens formaram-se na mente de Arme, imaginou um pequenino reino recém-construído e seus moradores, então, a imagem da face da garota fora realizada em sua mente, exatamente como agora.- Essa garota era o motivo da obscura conspiração contra o reino de Canaban, seu nome era Dália... – Bradou Veneze, mordendo seus lábios. - Conspiração?! – Questionou Amy, observando o rosto fatídico de Lire. - Prestem atenção, estas palavras terão de ser usadas por vocês, a última palavra terá de ser sua, Grand Chase. – Disse, observando Cádmo no outro extremo da sala. — Nerasta sabia que, a criança que acabara de dar a luz, seria aquela que faria o sangue despencar dos céus e lâminas brotarem do chão, a criança profana.Elesis apertou fortemente a chave misteriosa dada à ela e contraiu seus lábios, sua face tornou-se fria e raivosa, ela já tinha idéia de quem seria aquela criança.- Ao atingir a maioridade, Dália adquire uma beleza extrema, como sua família prezava a beleza, decidiram que aquela era a hora, eles a mataram, a mataram com a lâmina proibida... – Vociferou Veneze. — Então, o ódio supremo explodira em seu coração, nasce Cazeaje, a rainha de todo o mal." Eles a mataram, nasce Cazeaje, a rainha de todo o mal. " — Tal palavras agiram na mente de Arme, aquela não era sua imaginação, uma projeção havia acontecido em sua mente, o que ela vira era o que realmente aconteceu.Arme se viu em um ambiente escuro, não possuia a menor das iluminações, o clima estava gélido e cortante, seu espírito estava ali, seu corpo não havia sido materializado. Vislumbrou na escuridão uma figura esbranquiçada caída.O corpo de Dália jazia no chão da imponente mansão da família real, suas vestes brancas estavam manchadas com seu sangue escarlate e sua angelical face desvanecida, Nerasta e Áraco, seu pai, assistiam ao agonizar de sua própria filha, Nerasta empunhava a lâmina proibida, responsável pelo ímpeto de sua morte.Arme não estava entendendo, uma visão do passado raramente acontecia em uma pessoa, até mesmo em uma pessoa detentora de poderes mágicos, a mesma sentia-se aterrorizada como se ela própria estivesse caída e morta.Então, o sangue de Dália lentamente voltara ao seu corpo, Arme rápidamente detectou o uso de magia negra, a lâmina usada por Nerasta estava embebida em magia das trevas, a figura esbranquiçada levanta-se, possuindo um brilho incomum em seus olhos, um brilho odioso e cruel.Dália havia se convertido em Cazeaje.- Erga-se, ó rainha das trevas. – Exclamou Nerasta, guardando a lâmina negra em suas vestes reais. — Jogue seu véu profano sobre nossa existência...Cazeaje vislumbrou a face de seus pais, seus lábios se entreabriram, a visão de Arme falhou, uma névoa ofuscou sua visão, uma dor lancinante explodiu em seu peito, como uma bomba e então, os dois corpos estavam caídos no chão, mortos.Cazeaje havia matado seus próprios pais.- Arme! Arme! Sentia sua cabeça latejar e uma dor pungente em todo seu corpo, rápidamente a deitaram na poltrona, estenderam suas pernas para que a mesma não despencasse novamente. A visão que acabara de ter era inexplicável, as palavras de Veneze ainda explodiam em sua cabeça e cortavam sua compreensão, visões do futuro aconteciamcom mais freqüência, apesar de também serem raras e impossíveis de se explicar. Visões de um passado distante não eram comuns e muito menos, boas.Sentia uma mão extremamente macia empurrando seu cabelo para trás, para que seus olhos se abrissem.- O quê aconteceu?! – Questionava Elesis, em um baixo porém efetivo tom. — Por favor, acorde...- Arme! – Gritou Lass, segurando a mão da jovem, apreensivo.- O SENHOR PRETENDE FICAR AÍ PARADO?! – Gritou Jin.Os jovens fitaram Cádmo, seu ridículo nervosismo e má vontade eram perceptíveis e aparentes. Levantou-se de sua cadeira, com as pernas trêmulas e amolecidas, retirou um pequeno veludo alaranjado de seu bolso e limpou o rosto empapado da jovem.Lentamente, visualizou inúmeros borrões a observando, que conforme o tempo, se transformaram nas faces de seus companheiros. - Dália... Dália... Eu a vi... – Grunhiu Arme, sentindo uma dor excruciante em todo o seu corpo. — Eu tive uma visão...- Visão?! Veneze! – Disse Elesis, fitando Veneze.- Visões não são comuns, diga, o que você viu na visão? – Questionou Veneze, aparentemente receosa e apreensiva.Lass a levantou, puxando cuidadosamente seus braços e posicionando suas costas no encosto da poltrona, Arme manteve-se dolorosa, apalpou seu pescoço e sentiu seu sangue fervilhar.- Está se sentindo melhor? – Disse Lass, estarrecido. — Precisa de algo?- Está... tudo bem, Lass... – Vociferou a jovem de cabelos violeta, fitando sua melhor amiga, Lire.- O que você viu? – Veneze questionou, novamente.- " Nasce Cazeaje, a rainha de todo o mal. " – Proferiu Arme, em um tom sibilante. — Eu... eu vi sua morte...- Sua morte?! Explique melhor... – Grunhiu Elesis, aparentando pavor. - Eu tentei imaginar e... acabei sendo transportada até o dia em que Dália fora assassinada e adotara o nome Cazeaje...Veneze então suspirou, tornou-se cabisbaixa e novamente apertou um de seus anéis. Parecia estar se lamentando amargamente.- Visões, geralmente, são um mau agouro... – Vociferou Cádmo, retirando a bebida avermelhada esparramada do chão. — Um sinal...Todos presentes o fitaram, com desdém, amargamente.- O quê o senhor quis dizer com isso? – Questionou Amy, abraçando Arme.- Mau agouro? Sinal? – Perguntou Mari, não se contorcendo para não sentir dor, seus ferimentos ainda doíam desgraçadamente.- Presságio, calamidade... – Concluiu Cádmo, em um baixíssimo e perturbador tom. — Você está correndo perigo...- Calado! Todos nós estamos! – Vozeou Lass, levantando-se violentamente.- Seu pessimismo me importuna, Cádmo. – Disse Veneze, fitando o rosto murcho e acabado do velho homem. — Se me permite, desejo concluir a história.- Não sou pessimista, só estou sendo... realista... – Bradou, limpando o súor de seu velho rosto. - É um ato imensurávelmente incoveniente, eles estão passando por momentos extremamente difíceis e delicados, alias... Todos nós estamos. – Concluiu Veneze, fechando seus olhos.- Presságio? Calamidade? – Questionou Arme, atônita e assustada. — O quê o senhor quis dizer?- Nada importante, apenas ouça a voz da razão... – Bradou Cádmo, fitando a face amedrontada da jovem maga.Cádmo levantou-se novamente, claramente atônito e sem jeito, abriu a porta de sua sala e a neve caíra sobre seus cabelos esbranquiçados e mortos, o ar gélido e cortante assolou suas faces,estava deixando sua residência e antes que completasse seu ato, Veneze o impediu.- Volte aqui, pelo visto, antes de concluir minha história, você terá de contar a sua. – Bradou, severamente.Cádmo deixou-se levar, tentou ignorar Veneze, porém Ronan e Sieg o impediram, agarrando seus braços e guiando-o até sua cadeira.O velho e pálido homem os fitou, por uma eternidade, arquitetou cada uma de suas palavras para não exprimir ansiedade, retirou a neve de seu cabelo e finalmente seus lábios se abriram.- Semanas atrás, Veneze contou à vocês sobre o ancião e sobre as propriedades da essência da recriação, porém... – Arquejou, exprimindo ansiedade. — Eles não conseguirão recriar as duas armas...- Do que está falando? – Questionou Veneze, perplexa. — Andou tomando seus remédios?- A questão é, eles podem possuir a essência, mas eles não possuem o livro... – Bradou, novamente sua face tornou-se avermelhada e murcha.- QUE LIVRO? FALE! – Gritou Sieg, furioso. - Fique calmo, imortal, não interrompa! – Bradou Mari, com suas mãos sobre suas ataduras.
- Antes de ser morto, o ancião, por meio de uma detestável magia, simplesmente " trancou " os poderes da essência...– Vociferou, seus olhos saltavam de sua face murcha e esquálida.- Trancou? – Questionou Amy, curiosa.- Eles poderão criá-las, porém ela desaparecerá... – Concluiu, receosamente. — Ou seja, eles não poderão usá-la para mais nada, vocês possuem uma esperança...- E se, por acaso, houver uma maneira de revertar este processo? – Questionou Arme, estarrecida. — Por favor, diga que não há...Cádmo estudou com seus horríveis olhos, a adorável jovem à sua frente, sua face jovial e seus olhos extremamente brilhantes e vivos, arquejou e sibilou.- Infelizmente há... – Arquejou, sua expressão atônita transformou-se em um incontrolável ranger de dentes.- Diga, por favor, que o senhor está blefando, que o senhor pretende nos matar, qualquer coisa, mas diga que está blefando! – Clamou Amy, em um tom humorístico e tristemente verídico.- Para reverter, é necessário uma descarga de magia das trevas imensurávelmente poderosa, eles não possuem tal coisa, com certeza... – Felicitou Cádmo, estarrecido.- Você ainda não acordou?! A rainha das trevas está com eles, CAZEAJE! – Bradou Jin, sorrindo tristemente.- Até mesmo para a dama negra seria algo impossível, ela morreria pois ainda está fraca... – Impôs Cádmo, passando seus dedos ossudos por sua face.- E tal livro? Por favor nos explique! – Bradou Elesis, extremamente curiosa, sua face apresentava ânimo e seus olhos estavam relutantes.Cádmo passou suas mãos em seu cabelo sem vida, curvando seus braços e novamente ficara cabisbaixo. Seu nervosismo aumentara drásticamente, as próximas palavras proferidas pelo mesmo eram de uma imensurável importância para todos.- Meus pais... – Grunhiu o velho, sua negatividade e medo eram ridiculamente perceptíveis, sua face esbranquiçou-se novamente. — Eram curandeiros, óbviamente, possuíam um vasto conhecimento no ramo de magias curativas, as pessoas ofereciam quantias incríveis de dinheiro por seus serviços, possuíam uma grande honraria...- Sinto muito por isso, senhor Cádmo, mas nós não estamos interessados nos incríveis feitos de seus pais. – Disse Lass, esperando alguém concordar com suas palavras, de jeito atônito.- Também não estou interessado em ouvir palavras frívolas de um jovem tolo, como você, tais palavras serão de uma descomunal importância para todo o mundo, não só para vocês. – Bradou Cádmo, claramente irritado com a discreta ridicularização do rapaz. — Mas parece que vocês não estão interessados, então não serei eu que sujarei minhas mãos por algo que vocês podiam resolver fácilmente, mas não o fizeram por puro capricho.Lass demonstrou um olhar desvanecido, as palavras de Cádmo cravaram em seu peito, como pregos, arquejou e abaixou sua cabeça enquanto todos o observavam com um olhar irônico. Cádmo estava certo, cada uma de suas palavras.- Senhor Cádmo, o senhor poderia continuar? – Pediu Arme, olhando para a face exânime de seu companheiro de cabelos cinzentos. — Por favor, perdoe a atitude fútil de nosso companheiro, ele está incompreensivo...Lass não ousou elevar seu pescoço para poder visualizar sua companheira, sentia seu sangue fervilhar e seu coração batendo frenéticamente, a ponto de explodir, seus membros tornaram-se trêmulos e moles.- Incrível como algumas pessoas não possuem aquilo que chamamos de paciência. – Bradou Cádmo, seu rosto tornou-se avermelhado e não apresentava sinais de fraqueza.Então, o rapaz de cabelos acinzentados fora obrigado a erguer sua cabeça, visualizou seus companheiros o observando com desdém e ódio, como se fosse ser punido por suas últimas palavras, suas palavras queimavam em sua mente.- Senhor Cádmo, me perdoe, eu fui e continuo sendo um total idiota, me dê seu perdão. – Clamou Lass, não desejando parecer arrependido e sim, decidido.Cádmo o fitou por alguns segundos, esboçou um sorriso receoso e arquejou antes de prosseguir.- Aqueles que admitem seus erros são os verdadeiros justos. – Arquejou, vislumbrando a face de Lire, desvanecida e prostrada. — Meus pais não só prezavam a prática da magia " branca ", eles também dominavam magias imorais e incorretas, magia das trevas...Arme contorceu, contraiu seus lábios para não interromper o senhor.- Eles as usavam tanto para se defenderem e para curarem aquilo que podia ser considerado impossível... – Sibilou, com um olhar distante e tétrico. — Porém eles não desejavam que as pessoas soubessem da prática imoral de magia...Uma desconfortável brisa bateu em suas faces, provocando uma sensação gélida e desconcertante.- Eles ensinaram seu filho à usar os dois tipos de magia, embora eu nunca tenha sido um grande praticante de magia... – Disse, sorrindo desconfortávelmente. — Não pretendo tomar seu tempo, eu decidi depositar em um de meus trabalhos, " As crônicas de Remat " uma grande carga de magia negra, capaz de recriar as lâminas...- Espera aí, seus pais eram Bélamo e Rézia, os célebres curandeiros?! – Questionou Arme, não conseguindo mais segurar sua ansiedade. — Por quê o senhor não nos disse antes?- Você os conhece? – Perguntou Elesis, exausta.- É lógico! – Respondeu Arme, ansiosa para contar-lhes. — Durante meu tempo de aprendiz na Escola Violeta de Magia, seus nomes estavam sempre presentes nos livros, se ambos não existissem, a magia não seria igual a que temos hoje! Incrível!Cádmo felicitou-se, abrindo um gigantesco sorriso e ao mesmo tempo sentia como se os jovens estivessem à ponto de assassiná-lo por tal ato.- Por quê o senhor depositou essa quantidade descomunal de magia negra em um de seus livros? Está maluco?! – Questionou Sieg, estarrecido, seguido de uma troca de olhares. — Por acaso o senhor pretendia recriar as lâminas por conta própria?- O senhor está louco?! – Exclamou Elesis, retraindo seus lábios, proporcionando uma expressão de estarrecimento indescritível. — Recriar as duas lâminas por conta própria?!- Usar o livro como recipiente, genial porém insano. – Disse Mari, torcendo para que seus ferimentos não abrissem.Veneze riu desgraçadamente, aparentando decepção, não esperava tal ato do velho amigo, a expressão odiosa de Lass havia retornado enquanto sua falsa expressão de arrependimento súbitamente desapareceu.Novamente, uma gélida e cortante brisa bate em seus olhos, fazendo-os lacrimejar.- O senhor só pode estar brincando conosco, diga que está, velho maluco! – Vozeou Amy, em tom humorístico. - Eu não pretendia recriá-las por conta própria! – Grunhiu, envergonhado e atônito. — Muitas pessoas disseram que me ajudariam no processo, aliás, eu pretendia recriar as três lâminas...- Três? Do que está falando?! Só existem duas! – Exclamou Elesis, levantando-se bruscamente de seu acento.- Não há provas de que exista mais uma, senhor. – Concluiu Arme, explorando a face enigmática do senhor.- Grandark, possuidora de seus próprios desejos e vontades, a detentora de sua vida, a lâmina viva! – Impôs Cádmo, em um tom de admiração. — Acreditem, ela existe, porém é impossível recriar algo que já está materializado, meu dever era convencê-la de que sou alguém digno de empunhá-la!- Não estamos interessados em tal arma, estamos interessados em seu livro! – Exclamou Jin, seus dentes rangiam frenéticamente. — Por quê planejou recriá-las?!- Minhas intenções eram nobres! Eu pretendia tomar o lugar do rei, para assim, conquistar a confiança dos habitantes para finalmente tomar seu lugar! – Exclamou, em tom de superioridade perante o antigo rei. - Confiança?! O senhor apenas aumentaria o pensamento de que é um velho insano e demente! – Gritou Amy, agitada e perplexa. - Os habitantes do reino são fácilmente influenciados, ofereça proteção, mostre força e imponência, eles serão seus! – Gritou Cádmo, em tom cínico.- Calado! Velho idiota! – Exclamou Sieg, levantando-se e colocando-se ao lado de Elesis. — Onde está o livro? Responda!- Vocês não possuem o direito de saber! – Exclamou, novamente aparentando insanidade.Sieg não hesitou, chutou sua poltrona para longe, batendo em um dos pilares de madeira, se aproximou de Cádmo e o segurou por seu pescoço, ameaçando matá-lo, seu olhar perdia-se no olhar tétrico de Cádmo, os dois se encaravam mortalmente.- Diga! – Gritou, sua face manifestava uma expressão insana, ainda mais que a do velho de cabelos esbranquiçados. — Diga logo! Ou você morre aqui mesmo!- Pare com isso, idiota! – Gritou Arme, levantando-se e empurrando Sieg. — Vocês devem saber que a violência não resolve nossos problemas!- Tola, ele planejava contar! – Vozeou Sieg, com a mão sobre sua testa.Cádmo sentia como se seu pescoço tivesse sido triturado, tamanha força do Imortal o surpreendeu, sentia o sangue percorrer, frenético, à ponto de ebulição.- Senhor, por favor, o senhor nos deve contar! – Clamou Arme, sua face expressava exaustão e ódio.O velho, então, fechou seus olhos, seu sangue fervilhava, loucamente percorrendo suas veias e artérias, elevou sua mão até seu pescoço e o apertou levemente.Após isso, visualizou a face inconsolada de Veneze, claramente confusa.- " Crônicas de Remat ", um livro peculiarmente sombrio, abrange um diferente contexto, a insanidade do homem, onde o imoral reina sobre o considerado certo, onde uma pessoa comete atrocidades para obter o almejado poder, o livro perfeito para usar como recipiente. – Vociferou, seu comportamento cínico havia desaparecido e seu conhecido comportamento repreensivo novamente. — O livro se encontra no castelo, no reino... podem me matar, eu não reavaliei meus atos, a magia imoral realmente me dominou...- Prossiga. – Disse Ronan, visualizando seu companheiro, Sieg.- Era meu plano, o rei morreria ao ficar exposto à tamanha agressividade... – Grunhiu, lágrimas caíam de seus olhos desvanecidos e inexpressivos. — Eu, então, tomaria o livro novamente e as recriaria, tomando o lugar do antigo rei...- Eu estava errada, deveria tê-lo deixado estrangular esse seu pescoço repulsivo! – Vozeou Arme, afastando-se do corpo do velho.- Você é realmente um completo demente! – Gritou Elesis, observando a face inexpressiva de Lire, morta.- Compreendo suas palavras, não posso me impôr contra as mesmas... – Vociferou, em um distante olhar receoso. — Por favor, me livrem de meu remorso, me matem...- É exatamente o que pretendo! – Gritou Sieg, novamente se aproximando para estrangulá-lo. - Não! Assim ele não nos contaria, você faria sua vontade! – Impôs Arme, impedindo Sieg com sua pequena mão direita. — Ele deseja a morte para conseguir nos " afastar " de nosso desejo!- Você possui uma excelente dedução, magnífica, me diga, qual seu nome? – Perguntou Cádmo, sorrindo sarcásticamente, como se fosse seu último sorriso.- Arme. – Respondeu, em um tom enigmático, jogando sua visão na esquálida e lúgubre face de Cádmo, empapada com lágrimas e súor. — Por favor, não nos iluda com esse pensamento de morte, você desejava ocultar a verdade para que falhássemos em nossa batalha contra Dália, por favor, nos conte tudo.Cádmo mostrou-se admirado com a atitude da jovem maga, percebeu o olhar admirado e discreto de Lass, contraiu seus lábios esbranquiçados e sorriu fechadamente.- Cuide bem dela, ela possui um dom até então nunca demonstrado, o dom da compreensão. – Disse, fechando sua expressão risonha e curvando seu corpo. - Comece com um argumento que possa bater de frente com esse, o reino está dominado pelo caos, Cazeaje e seus assassinos o dominaram! E o senhor disse que o livro se encontra no castelo, lógicamente eles já teriam a posse do mesmo! – Disse Mari, expressando dor, seus ferimentos ainda doíam desgraçadamente.- Como eu já lhes disse, somente alguém com uma resistência muito forte à magia negra poderia sobreviver à exposição, e Dália já está esgotada, ela pretende recriá-las para que não necessite de seus poderes para poder governar! – Concluiu Cádmo.- Cazeaje sempre nos surpreendeu! Ela já deve estar rindo da morte e destruição das pessoas, enquanto observa o " brilho " das lâminas! – Vozeou Elesis, com uma expressão acabada. - Acredito que agora, ela não nos surpreenderá, eu não creio que alguém com um conhecimento imensurável de magia esteja à seu lado! – Disse Cádmo, visualizando a face de Arme.- Você realmente acredita que, após esses anos, aproximadamente cinco, ela não retornaria com um exército extremamente poderoso?! Acredita que ela retornaria com " soldadinhos " com armas de papel?! – Disse Elesis, em um tom humorístico e ao mesmo tempo, triste.- Acalme-se, ruivinha, ele está certo apesar de tudo, não acho que alguém sobreviva à tamanha magia negra, eles podem estar todos mortos ou podem estar destruindo o reino... – Grunhiu Sieg, sarcásticamente.
- Agora, calem a boca, caso não consiga terminar, mato todos vocês. — Vozeou Veneze, fechando seus olhos enquanto seus lábios se contraíam.Lire retirou seus cabelos de seus olhos, ambos desvanecidos e desesperançosos, focou-os na figura de sua querida guardiã.- Após assassinar seus pais, ela se exilou, ocultando-se durante séculos, detentora de uma magia que proporcionaria sua eterna jovialidade, não me perguntem o local de seu exílio, não faço idéia! – Iniciou Veneze, remorso novamente bateu em seu peito. — Durante seu exílio, um novo governante fora determinado, o primeiro rei de Serdin.Seus olhos brilhavam, ansiavam pela verdade, ansiavam por algo que lhes proporcionaria a vitória contra sua colossal inimiga. - Tal rei alterou o nome do reino, antes Sérafo, agora Serdin, estabeleceu um tratado com o reino de Canaban, ambos tornaram-se aliados, o reino então progrediu, não possuindo a enorme conspiração planejada pelos antigos reis do reino de Sérafo... – Impôs Veneze, súbitamente cessando. — Então, após o despertar de Dália, tudo mudou, assassinou o conselheiro do rei, tomando sua forma e obrigando os reinos à guerrearem...- Nós sabemos o resto, por favor, pare... – Clamou Elesis, lágrimas escorriam de seus olhos avermelhados, lembranças de seu pai vieram à tona em sua memória. — Então, existia toda uma história por trás de sua existência.A atenção de todos fora dirigida à Elesis, seu olhar decidido, a expressão prostrada havia desaparecido, apertava a misteriosa chave firmemente. A imensurável saudade nutrida pela mesma veio à tona, como um tiro, um tiro em seu coração.- Nos empreste o livro. – Vociferou Elesis, estendendo uma de suas mãos para a velha e esquálida face de Cádmo.- Captei sua atitude, cara espadachim, você não é diferente de mim. – Grunhiu Cádmo, compreendendo a nobre atitude de Elesis. — Eu não desisti, assim como você não desistirá de impor o bem e não há nada que a faça desistir, estou certo?- O senhor mesmo disse, " Crônicas de Remat " abrange um contexto diferente, uma cruel realidade, onde o imoral reina sobre o considerado certo, onde uma pessoa é capaz de cometer atrocidades para obter o poder. – Disse Elesis, explorando a face de todos presentes ali. — Eu não desistirei de Dio, assim como não desisti de procurar meu pai, portanto, me dê o livro para que eu possa compreender tal realidade!As bochechas de Cádmo inflaram, explorou, uma última vez, as faces decididas dos jovens à sua frente, ele sabia que aqueles jovens seriam aqueles que decidiriam o futuro, lágrimas caíram de seus olhos.- Lúgharo não desistiu de Remat, até a hora de seus suspiros finais. – Vociferou, retirando as lágrimas de sua face com seu braço direito. — Vão, vocês possuem minha confiança...Cádmo se levanta, dando passos relutantes porém seguros, ele sabia que os jovens não fracassariam em sua tarefa, caminhou até uma de suas estantes e a abriu.Retirou, um embrulho metálico, possuia detalhes prateados e negros ao redor de uma mínima fechadura, jogou sua visão até Veneze, que o fitava receosamente. - Eu estava errado, não seria eu quem usaria tais palavras para um bem maior, são vocês. – Vociferou, retirando uma pequena faca. — Pois o bem sempre triunfa sobre o mal, não é mesmo?Cortou levemente seu polegar e pingou o sangue sobre a fechadura, que mágicamente se abre, o embrulho mágico se quebra no chão, revelando a velha e lúgubre capa.- A primeira de três copias, tome, é seu. – Disse, caminhando até Elesis. — Você será ressarcida por isso.- Obrigada, senhor Cádmo. – Grunhiu, uma última lágrima escorre de seus olhos avermelhados.- Três copias? – Questionou Amy, com um leve tom de desconfiança. — Onde está a última?- A última delas foi queimada por minha esposa, antes dela falecer, por achar o livro um tanto quanto " diferente ". – Explicou Cádmo, fechando a estante.- Nunca pensei em encontrar um livro que nos salvaria! – Disse Arme, sorrindo.- Ele não os salvará, a salvação provém de vocês. – Vozeou Cádmo, visualizando a face de Elesis, empunhando o livro. — O livro os guiará até essa salva...Antes de Cádmo proferir suas últimas palavras, a porta fora violentamente puxada, uma pilha de neve cai sobre o chão extremamente limpo e reluzente, um estampindo e a figura de um homem desesperado fora visualizada.Trajava vestes de batalha, ombreiras e uma grande capa negra. Sua expressão era de extrema ansiedade, sua face empapada com a neve e uma respiração ofegante.- Novidades sobre o reino! – Gritou, adentrando-se na moradia de Cádmo. — Excelência, almejo seu consentimento para prosseguir, senhor!- Permissão concedida, fale! – Disse Cádmo, perturbado com o súbito surgimento do rapaz. - Um grupo rebelde... fora formado nas entranhas do reino! – Arquejou, forçando para que seus olhos não se fechassem. — Sem o conhecimento dos inimigos!- Isso é ótimo, quem lhe contou? – Questionou Veneze, visualizando a névoa que se elevava. - Nosso mensageiro retornou de lá, agora é necessário uma autorização expressa para adentrar-se no reino, a base do reino fora totalmente modificada! – Explicou, com seu braço na porta.- É pior do que eu imaginava... – Sibilou Arme, jogando sua visão no livro. - É necessário dizer seu nome no portão príncipal do reino, terá uma revista completa, procurarão por seu nome na lista de indesejáveis, caso encontrem algum objeto culpado ou seu nome na lista, matarão sem piedade! – Completou o homem, estarrecido.- Onde está nosso mensageiro?! – Questionou Cádmo, preocupado.- Não retornou, senhor! – Disse, tristemente. — Recebemos sua mensagem à pouco, por meio de uma projeção mágica, senhor!- Se descobrirem um intruso no reino, o matarão! – Disse Lass, atônito.
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