O Traficante de palavras
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1
Sentada, na mureta da calçada, o homem de chapéu passa, como sempre passou, e encontra o outro como sempre encontrou.
Mamãe diz que ele é traficante, eu acho que não. Pelo menos não de drogas.
Acho que ele é escritor.
Também quero ser.
– “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.”- ele disse quando passou por mim, como sempre citava alguma coisa.
– William Shakespeare- Respondi como sempre fazia.
Ele sorriu e disse:
– Muito bem- Emaranhou os meus cabelos como sempre fazia, e foi embora.
Suspirei e rezei em silencio para que a minha mãe não tivesse visto.
Sempre foi curiosa a respeito das coisas.
“......nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.”
Isso foi um sinal.
Mamãe não está olhando, é hora de arriscar.
O segundo homem passa por mim e eu o abordo como tenho vontade de fazer a muito tempo.
– Com licença senhor.
– Que houve garotinha quer ajuda para achar a sua mãe- Ele responde.
Decido ignorar e vou direto ao ponto:
–O que aquele homem te dá todos os dias e o que você dá de volta?
– Aquele homem é traficante.
Arregalei os olhos, então mamãe tinha razão!
– Então você é um drogado?
– Não sei se é a forma mais sutil de dizer, mas se você considera livros uma droga...
–Como assim?- Perguntei.
–Já falei demais, tenha um bom dia.
– Espere..- Disse em vão pois ele já havia ido.
Então o homem do chapéu era traficante..... de palavras.
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