O Torneio Polibruxo
1 O torneio Poluibruxo
Notas iniciais
Todos os anos, bruxos de diferentes países se reuniam para disputar o Torneio Polibruxo, competição que premiava, como o melhor bruxo do ano, aquele que vencesse os desafios propostos utilizando seus feitiços e poções. No ano de 1954, o Torneio Polibruxo foi disputado na Floresta Amazônica.
Representando o Brasil, a bruxinha Janaína Tucumã tinha a torcida a seu favor. Ela era uma bruxinha esguia, morena e sorridente, com 16 anos de idade. De origem indígena, conhecia todos os segredos da floresta. Era uma amiga da natureza. Sua varinha era feita de Pau Brasil, com núcleo de plumas de filhotes de arara. Um tipo de varinha muito rara, destinada aos bruxos de coração valente. A coragem era sua principal virtude.
Representando o Paraguai, veio a velha bruxa Perla González, com muitas rugas no rosto e uma grande verruga na ponta de seu nariz. Perla era uma daquelas bruxas tradicionais, com chapéu pontudo e vassoura velha. Sabia muitas poções antigas e conhecia os segredos da noite. Sua mascote era o morcego Juanito, muito gordo e preguiçoso. Era um bom companheiro para a velha bruxa.
O mais forte competidor era o representante da Rússia. E bota forte nisso! Igor Petrov era um gigante de dois metros e vinte centímetros. Pesava duzentos quilos. Ele tinha uma vassoura dupla, pois as comuns não resistiam ao seu peso. Sua força era incrível, mas seus poderes de bruxo não eram muito desenvolvidos. Igor não gostava de estudar. Isso poderia prejudicá-lo no torneio. No entanto, ele tinha muita confiança em sua força.
O Reino Unido também enviou seu representante. John McFry era um jovem bruxo de 19 anos. Oriundo da Escola de Hogwarts, casa Corvinal, John era muito inteligente e estudioso, sendo um forte candidato para o torneio. Devido a tradição de Hogwarts, John desenvolveu vastos conhecimentos em feitiços e poções, mas não trazia muita coragem em seu coração. Especialistas dizem que a coragem pode fazer as pessoas superarem as barreiras mais difíceis. Será que John estaria preparado para o desafio do torneio?
O quinto e último participante era o representante do continente africano. O egípcio
Mohammad Al Kabul trazia os segredos dos faraós para o torneio. Era muito misterioso, de modo que os adversários não sabiam o que esperar daquele magro bruxinho. Até mesmo sua idade era um mistério. Mohammad andava sempre enrolado sob grossas camadas de tecido. Logo ganhou o apelido de múmia.
À meia-noite da sexta-feira, dia 13 de agosto de 1954, começou o Torneio Polibruxo. Isso mesmo. O torneio foi disputado em agosto, mês do desgosto! Numa sexta-feira 13, à meia-noite! Que medo!
A primeira prova a ser realizada foi a prova de iluminação. Uma prova simples. Venceria a prova o bruxo que conseguisse iluminar a noite escura da floresta, com mais intensidade, duração e beleza. O último colocado seria eliminado do torneio.
John apontou sua varinha para o alto e lançou o feitiço “Lumus Solem”. Da ponta de sua varinha foram lançadas centenas de fogos de artifício que iluminaram o céu da floresta. Um imenso clarão acordou toda a bicharada. Mas o clarão durou apenas alguns segundos.
Igor Petrov tirou uma garrafa de sua sacola e encheu sua boca com um líquido de cheiro muito forte. Em seguida juntou duas grandes pedras e bateu uma na outra com muita força. Faíscas gigantes brotavam do choque entre as pedras. Ao perceber uma grande quantidade de faíscas, cuspiu o líquido sobre elas, o que causou uma explosão gigante que iluminou metade do planeta! Que tremendo combustível era aquele! Igor impressionou os jurados, mas sua iluminação também não durou muito tempo.
Perla preparou uma poção mágica em seu caldeirão. Quando a poção estava bem borbulhante, Perla apontou sua varinha para o caldeirão e gritou: — “Chicharitaaaa”! No mesmo instante uma coluna de luz muito intensa subiu aos céus, ligando o seu caldeirão até a lua, iluminando a floresta inteira por cinco minutos.
Janaína apontou sua varinha para a copa das árvores e começou a sussurrar uma linda canção em uma língua indígena. De repente, todos os vagalumes da floresta começaram a se aproximar, iluminando a região inteira com uma linda luz verde, brilhante, intensa e duradoura. Os vagalumes formavam belos desenhos no céu, emocionando a todos os competidores. Faziam formações e coreografias lembrando belas imagens da Amazônia. Se não era a luz mais intensa de todas, com certeza a iluminação de Janaína era a mais bela. Será que a beleza de seu espetáculo seria suficiente para classificá-la para a próxima disputa?
O último competidor a se apresentar foi Mohammad. Debaixo de grossas camadas de tecido de suas roupas, o bruxo puxou uma lâmpada de gênio. Esfregou a lâmpada com bastante determinação. Após alguns segundos, nada acontecera. Ele começou a chamar pelo gênio da lâmpada, que não respondia. Ele começou a gritar muitas palavras em seu próprio idioma. De repente, saiu da lâmpada um gordo gênio, com cara de sono. O gênio da lâmpada começou a discutir com Mohammad. Ele estava muito bravo porque queria ficar dormindo e disse que não iria iluminar coisa nenhuma. Mohammad foi desclassificado do Torneio Polibruxo, por não conseguir realizar a prova da iluminação.
Janaína foi declarada vencedora, alegrando a todos os moradores da floresta.
A segunda prova era o Futfeitiço! Era uma partida de 30 minutos disputada em 2 tempos de 15 minutos. Cada equipe era composta de 2 bruxos em um campo de futebol com obstáculos. Os bruxos deveriam fazer o maior número de gols, podendo imobilizar seus adversários com feitiços, sem, no entanto, machucá-los. Quem perdesse a partida ou machucasse o adversário estaria eliminado do Torneio Polibruxo.
Por ter vencido a primeira prova, Janaína ganhou o direito de escolher o seu companheiro de equipe. Pensando nos conhecimentos ensinados na Escola de Hogwarts, ela escolheu John. As equipes ficaram então definidas: Perla e Ivan formaram a equipe verde. Janaína e John formaram a equipe amarela.
Ivan deu a partida. Passou a bola para Perla e empurrou John, que caiu rolando pelo chão. Ao levantar-se, John apontou a varinha para Ivan e lançou um “Reducio”. Ivan ficou do tamanho de um rato. Enquanto isso, Perla conduzia a bola com destreza até encontrar Janaína pelo caminho. Rapidamente a jovem bruxinha lançou um “Confundus”. Perla ficou completamente confusa, deu a meia-volta e começou a levar a bola contra seu próprio gol. Ivan não conseguiu parar a velha bruxa. Gol contra. 1 x 0 para a equipe amarela.
Com o apito do Juiz, o efeito dos feitiços foi suspenso. Rapidamente Ivan lançou um “Locomotor Mortis” sobre John. Suas pernas grudaram, ele levou um tombo e Janaína foi correndo ajudar o amigo. Perla lançou a bola para Ivan que deu um chute potente para empatar a partida. 1 x 1. Esse placar continuou até o fim do primeiro tempo.
Após um rápido descanso, as equipes voltaram para o segundo tempo. Janaína deu a partida, driblando rapidamente os adversários. Quando estava chegando em frente ao gol, Perla lançou um “Inflatus”. Janaína começou a inchar e ficou redonda e gasosa como um imenso balão de gás. Saiu voando para fora do campo. Enquanto isso, John lançou um “Engorgio” sobre Ivan, que ficou imenso, aumentando de 200 para 800 quilos. Ivan caiu de bunda no chão e começou a afundar, de tão pesado que estava. John começou a rir e não percebeu o “Reducio” que Perla lançou sobre sua cabeça. John ficou do tamanho de uma formiga e Perla facilmente marcou mais um gol para a equipe verde. 2 x 1.
Apito do juiz, feitiços cancelados e John deu a partida para os últimos cinco minutos de jogo. Janaína estava muito chateada com o resultado. Sentiu a coragem em seu coração e rapidamente lançou dois “Inflatus” sobre Perla e Ivan, que flutuaram como lindos balões pela floresta. Aí ficou fácil passar a bola para John marcar o gol de empate.
O jogo acabara em 2 x 2, levando a decisão para a cobrança de pênaltis. Cada equipe deveria escolher o seu goleiro e seu bruxo que cobraria o pênalti.
Na disputa de pênaltis só era permitido o uso de magia. Os bruxos deveriam mover a bola até o gol, sem encostar nela. A equipe verde escolheu Ivan como goleiro e Perla para fazer a cobrança, para bater o pênalti. A equipe amarela escolheu Janaína como goleira e John como cobrador.
Perla foi a primeira a bater o pênalti. A velha bruxa olhou atentamente para os olhos da goleira Janaína, tentando intimidá-la. Mas a grande coragem da bruxinha não permitiu que ela temesse as ameaças da paraguaia.
Perla foi correndo para a bola, apontou sua varinha, mas antes que conseguisse pronunciar o nome do feitiço, sentiu uma dor no ciático, uma fisgada na coluna, tropeçou na bola e caiu de costas no chão, com as pernas abertas, parecendo uma tartaruga de costas! Todos começaram a gargalhar. Perla encostou na bola, descumpriu a regra e sua equipe perdeu a cobrança.
Agora, a vitória da equipe amarela dependia apenas de John. Se Ivan defendesse a cobrança, os goleiros deveriam cobrar novas penalidades para desempatar a disputa.
Será que John conseguiria vencer o goleiro gigante Ivan? Quando Ivan foi para o gol, John percebeu o tamanho do problema. Ivan era tão grande que sobrava pouco espaço para a bola entrar no gol. O gigante abriu os braços e fez uma cara aterrorizante. John tremia feito uma vara de bambu ao vento. Coragem não era o seu forte.
John lançou um “Reducio”, mas Ivan rapidamente defendeu-se com o “Protego”. John apontou a varinha para a bola e lançou um “Wingardium Leviosa” ! A bola começou a flutuar. Ivan deu um pulo para pegar a bola no ar, mas, não conseguiu alcançá-la.
Enquanto Ivan ainda estava no ar, John lançou três feitiços “Engordium” seguidos! Ivan transformou-se em uma montanha de 3 toneladas e meia. Caiu de maduro no chão. A bola, que ainda estava no ar, caiu em suas costas e rolou até entrar no gol! Vitória da equipe amarela! Os bruxinhos John e Janaína foram classificados para a final do torneio Polibruxo.
A prova final era a Caça ao Tesouro. Janaína e John tinham 24 horas para encontrar o tesouro que estava escondido no meio da imensa floresta amazônica. O início da competição era às 6 horas da manhã, junto com o nascer do sol. Cada competidor recebeu um mapa do tesouro que continha a descrição do terreno, uma rosa dos ventos, a localização do ponto de partida e o local onde o tesouro estava escondido. Mas o caminho entre os dois pontos não estava traçado no mapa. Deste modo os bruxinhos deveriam tomar suas próprias decisões sobre o caminho a seguir, por dentro da floresta, como em um imenso labirinto natural.
Ao nascer do sol, John e Janaína iniciaram a busca juntos, caminhando pelas margens de um imenso rio. O rio era tão grande que não era possível enxergar a outra margem. Parecia que eles estavam em frente a um imenso oceano, em um dia de calmaria. De acordo com o mapa, o tesouro estava à nordeste do ponto de partida. John olhou para a posição do sol e deduziu para onde apontava o nordeste. Janaína fechou seus olhos e seguiu o caminho que sua intuição indicara.
De repente, os bruxinhos ouviram um barulho nas águas do rio. Parecia um animal nadando em alta velocidade. Ao olharem com mais atenção, perceberam tratar-se de um casal de botos-rosa amazônicos, muito amistosos. Janaína, que entendia a língua dos botos, começou a emitir uns ruídos, que eram prontamente respondidos pelos animais.
Ela pediu para eles indicarem o nordeste da floresta e eles responderam que poderiam levar os bruxinhos até lá. Bastava subirem em suas garupas. Janaína convidou John para navegar com os botos. John, um tanto medroso, preferiu seguir sua caminhada pela floresta. Janaína insistiu, sem sucesso, e resolveu montar na garupa do boto macho, chamado de Cauã. Despediram-se e seguiram caminhos diferentes.
O passeio de boto estava muito divertido. Janaína estava completamente molhada. De tempos em tempos a boto fêmea, Tainá, lançava um chafariz de águas sobre todos. Outras vezes, Cauã mergulhava, dando muitos sustos em Janaína. Os três riam muito, mas sabiam que a viagem seria longa, como havia dito Cauã.
Enquanto isso, John percebeu que a caminhada estava muito lenta. Resolveu então subir em sua vassoura, ajustou o rumo para o nordeste e avançou em um lindo voo, em alta velocidade.
Durante o voo, John observava as belezas da Floresta. Ao seu lado, voavam araras, tucanos e mais uma variedade de aves amazônicas. Enquanto voava, John percebeu que a velocidade de sua vassoura vinha diminuindo, pouco a pouco. A vassoura foi ficando lenta e preguiçosa. Foi quando sentiu uma mão segurando suas pernas. Lentamente foi conduzido para baixo e percebeu que estava nas garras de uma imensa criatura, totalmente desconhecida para ele. Era uma preguiça gigante, um extinto animal pré-histórico que vivia na Amazônia há mais de vinte mil anos atrás. Como era possível encontrar uma espécie daquelas? Para John, que não conhecia a história desse animal, pensou que a preguiça-gigante era uma imensa criatura monstruosa, malvada e aterrorizante. Assim que pôde, John juntou sua varinha e lançou o feitiço “Rictusempra” no imenso animal. A preguiça sentiu cócegas por todo o corpo e largou a vassoura de John, que aproveitou para fugir, ouvindo as gargalhadas do gigante, que rolava pelo chão. Em alguns segundos o feitiço perderia o efeito e a preguiça-gigante continuaria a sua vida normal na Floresta.
Como saiu rapidamente e ainda assustado por encontrar a preguiça, John não percebeu que estava voando de volta para o ponto de partida. Ao passar ao lado de árvores frutíferas carregadas, decidiu parar para fazer um lanche. Parou ao lado de um guaranazeiro. Ficou impressionado com aquelas frutas bonitas e estranhas, como ele nunca tinha visto em sua vida. Pareciam olhos... Uma planta com centenas de olhos.
John foi logo puxando o maior guaraná que encontrou. Colocou a fruta inteira na boca e, ao dar a primeira mordida, viu que todos os outros guaranás começaram a se mexer. Ele se levantou assustado e percebeu que as frutas acompanhavam seu movimento, como se fossem muitos olhos a lhe observar. De repente ouviu uma voz: – Não coma outro fruto! Concedemos apenas um para você! O segredo do guaraná só é revelado aos habitantes da Amazônia. Vamos abrir essa exceção para você. Seus pensamentos ficarão mais ágeis. Seu raciocínio mais preciso e você terá mais energia e disposição para atingir os seus objetivos. Agora é preciso que você continue o seu caminho. Mas antes, recomendamos que você abra o seu mapa do tesouro. Boa viagem.
Ainda surpreso com as palavras daquela árvore falante, John abriu seu mapa do tesouro e percebeu que todo o caminho que percorrera até então estava traçado em uma linha vermelha no mapa! Aquele mapa era mágico. John percebeu também que estava andando para trás desde que encontrou com a preguiça-gigante. Decidiu então recuperar o tempo perdido, subindo novamente em sua vassoura e corrigindo a rota, rumo ao tesouro do torneio. A força do guaraná fazia com que ele pilotasse sua vassoura de forma mais atenta e veloz, para recuperar o tempo perdido.
Enquanto isso, a viagem de Janaína pelo rio acabara de ser interrompida. Um imenso peixe-boi atravessou o caminho dos botos, obrigando-os a parar a viagem. Ao tentarem desviar do imenso animal, foram impedidos por outro grande peixe-boi. Neste instante, quando decidiram retornar para trás, viram que estavam sendo seguidos por piranhas e jacarés. Janaína percebeu que as forças do mal estavam tentando impedir a sua vitória. Decidiu então abandonar os botos e subiu em sua vassoura, disparando rapidamente após agradecer a Cauã e Tainá pela ajuda e pela companhia. Entre os peixes-boi, piranhas e jacarés, os botos se entenderam rapidamente. Lá do céu, Janaína abriu o mapa e percebeu que sua rota já estava começando a desviar do caminho do tesouro. Corrigiu o rumo e seguiu, voando rápido em sua vassoura PiaçabaTech 400, um modelo top de linha, de tecnologia nacional.
Passadas 20 horas de viagem os bruxos estavam exaustos quando se encontraram novamente, próximos à localização do tesouro. Pousaram suas vassouras e desceram em uma clareira no meio da floresta. Perceberam algumas casas de palha e um grupo de pessoas circulando em volta de uma fogueira, em plena madrugada. A essa hora John tinha muita sede e precisava de água.
Aproximaram-se da fogueira e viram que as pessoas não eram assim, muito normais. John se afastou para buscar água e encontrou um homem de uma perna só, com chapéu vermelho, que fumava um cachimbo e fazia muita fumaça. Pediu um copo de água e recebeu uma baforada de fumaça em sua cara, seguida de uma estridente gargalhada. Estava falando com o Saci-Pererê, lendário habitante da Floresta. A fama do Saci é de atrapalhar os viajantes. E ele certamente iria aprontar com nossos heróis.
Quando John pediu a ele um copo de água, o Saci ofereceu um copo de poção do sono, que fez John prontamente desmaiar. Janaína procurava pelo amigo, quando o viu caído no chão. Achou que não seria justo levar vantagem na competição com o amigo desmaiado e pediu auxílio a alguns indígenas que estavam celebrando na floresta. Janaína percebeu que eles estavam meio embriagados devido à festa na madrugada, e que não seria indicado deixar John naquela aldeia. Tentou reverter o efeito da poção do sono, mas não teve sucesso. Só ouvia as gargalhadas do Saci-Pererê que estava achando graça daquela situação.
Janaína ficou muito brava, apontou sua varinha e lançou o feitiço “Gemino” sobre a perna do Saci. Imediatamente sua perna foi duplicada e ele ficou muito surpreso. Saiu correndo pela floresta, celebrando a alegria de poder andar e correr com sua perna nova! Dizem que ele está correndo até hoje!
Janaína olhou para sua ampulheta e percebeu que o tempo estava acabando e ela precisaria encontrar o tesouro, para não ficar perdida para sempre na Floresta. Decidiu deitar o amigo John sobre uma cama de folhas. Fez um feitiço “Protego” sobre ele para criar uma bolha de proteção ao seu redor e protegê-lo das terríveis formigas amazônicas.
Janaína partiu em uma caminhada triste rumo ao tesouro da floresta. Olhou no mapa o percurso que tinha decorrido até então e deduziu que deveria se dirigir rumo à árvore mais alta da floresta. Era um velho angelim-vermelho de 88 metros de altura.
Os moradores da Floresta diziam que era um lugar muito perigoso, mas tudo indicava que o tesouro estava lá. Janaína sentiu a coragem em seu coração, convocou vagalumes e gnomos da floresta e partiu em uma pequena caravana, caminhando de forma determinada até a imensa árvore.
Enquanto isso, John acordou com o barulho de toques na bolha de proteção que Janaína havia feito. Alguém estava batendo na bolha. John estava sonolento, com muita dor de cabeça Sua visão estava embaçada e, naquela escuridão, ele nada enxergava. Acendeu um “Lumus” na ponta de sua varinha e enxergou um vulto de cabelos vermelhos. Era o Curupira, o guardião da Floresta.
John olhou para os pés do Curupira e ficou muito confuso. Este homem anda para frente ou para trás? Será que ele consegue girar a cabeça completamente? Não estou entendendo nada... será que estou sonhando?
Sem muito tempo para pensar, resolveu conversar com o Curupira. Sentindo confiança, desfez a bolha de “Protego ” e começou a conversar com o homenzinho de cabelos vermelhos e pés virados.
— Olá! Meu nome é John. Estou participando de uma competição aqui na Floresta. Quem é você?
— Eu sou o Curupira, o guardião da floresta. Você está caçando por aqui?
— Não. Não sou um caçador. Estou em busca de um tesouro. Acabei de sonhar que o tesouro está enterrado no pé da árvore mais alta da floresta. Você sabe onde fica?
— Sei, mas não posso levar ninguém até lá. Da floresta, ninguém tira nada! Nós temos muitos tesouros. Nossas aves, nossos peixes, nossas frutas e nossas árvores. Tudo serve para a subsistência da nossa população. Nada deve ser extraído. Aquilo que é consumido, tem que ser consumido com moderação.
John prontamente respondeu. Eu sei! O guaranazeiro me disse. Você já viu árvore falando? Eu vi uma árvore de guaraná que falava e os frutos se moviam, como olhos humanos. Tenho a impressão de que ainda estão olhando para mim. Gostaria de dizer a você e a todos os seres da floresta que não estou aqui para destruir. Estamos em uma competição que serve para testar nossos conhecimentos das ciências naturais e da magia do bem. A cada competição aprendemos muitas coisas novas e essa competição na Amazônia tem sido muito especial para mim. Certamente vou levar essas lições comigo para sempre e difundir tudo o que eu aprendi sobre a floresta. Você pode me ajudar a encontrar o tesouro?
O Curupira percebeu que John era um menino especial. Que sua intenção era de ajudar. O guaranazeiro só se manifesta para as pessoas de bom coração. Então o Curupira segurou na mão de John e começou a falar muitas palavras em um idioma da floresta.
Em segundos os dois foram teletransportados para o pé do angelim-vermelho, onde encontraram Janaina acompanhada de gnomos e vagalumes. Restavam 20 minutos para o fim da competição e eles precisavam encontrar o tesouro rapidamente, ou seriam abandonados na floresta. Decidiram unir os esforços e, em vez de competirem, usaram muitos feitiços tentando encontrar o tesouro.
Faltando 10 segundos para o fim, os gnomos começaram a fazer a contagem regressiva. John e Janaína estavam desesperados... 10, 9, 8... John começou a chorar compulsivamente.... 7, 6, 5.... Janaína gritava alto... 4, 3, 2... os amigos se abraçaram e caíram ao chão, faltando 1 segundo para o fim, fogos de artifício começam a explodir no céu da Floresta! Janaína e John não estavam entendendo nada! Sentados ao chão confusos e desolados viram uma linda fada se aproximando com uma grande chave na mão.
Era Iara, a Rainha da Floresta. Olhando para os bruxos, Iara falou:
— Parabenizo vocês dois por chegarem até aqui. Mas o Torneio Polibruxo só pode ter um vencedor. Vocês chegaram até o angelim-vermelho, a árvore mais alta da Amazônia. Essa árvore tem um portal e a chave está aqui. Eu devo entregar a chave a um de vocês, e apenas um bruxo poderá passar pelo portal. Espero que vocês não se machuquem na disputa. Gostaria que ambos continuassem vivos. O bruxo vencedor ganhará a chave do portal e o perdedor ficará para sempre na Floresta Amazônica. Esse é o tesouro da floresta, a chave do portal que levará o vencedor de volta ao ponto de partida.
Nesse momento John e Janaína olharam para seus mapas, que, de repente, se transformaram em cinzas em suas mãos. Não haveria outra maneira de sair da Floresta. John ficou acuado, nervoso e apontou sua varinha para Janaína, pronto para lançar um feitiço bem cabuloso para vencer a bruxinha, que estava com a mão levantada. John resolveu escutá-la.
— Amigo John, baixe essa varinha, por favor. Tenho algo a lhe dizer. Essa competição me trouxe de volta às minhas origens. Sou uma bruxinha descendente dos índios da Floresta. Estive longe daqui para estudar, mas o Torneio Polibruxo deste ano me trouxe de volta às minhas raízes. Nesse torneio, pude conversar com botos, vagalumes, gnomos da floresta e conhecer a Rainha Iara, o que era meu sonho de infância. O Torneio Polibruxo me mostrou a minha origem e o lugar onde devo voltar a viver.
— Peço à Iara que entregue a chave em suas mãos e lhe declare como o vencedor do torneio, para que eu possa ficar aqui e me tornar uma aliada desta bondosa rainha. Quero ajudar o Curupira e todos os habitantes da floresta a proteger nosso patrimônio contra as queimadas, desmatamentos, pesca ilegal e caça aos animais da nossa Amazônia. Desejo a você um excelente retorno ao Reino Unido. Que você possa se tornar um professor de Hogwarts para ensinar, aos seus futuros alunos, tudo sobre todas as belezas desta floresta. Desejo que você ensine a quantos puder sobre a importância da preservação da natureza. E eu continuarei aqui para ajudar na defesa deste importante patrimônio mundial.
John não se conteve e caiu em lágrimas novamente. Como chora esse menino! Ele agradeceu muito a Janaína e prometeu realizar os desejos da bruxinha e difundir os conhecimentos sobre a natureza no Reino Unido e em todo o mundo. Iara entregou a chave a John, que a encostou no enorme angelim. Subitamente, um grande portal dourado abriu-se no tronco da árvore e John avançou decididamente rumo à vitória.
Do outro lado do Portal estavam os outros competidores derrotados e os professores que compunham o júri do torneio. Eles entregaram o troféu do Polibruxo a John que agradeceu a todos, subiu em sua vassoura e cruzou ligeiro os céus da Amazônia, rumo ao Reino Unido, decidido a cumprir sua promessa.
E assim termina a história do Torneio Polibruxo de 1954. Foi uma edição de muitas emoções e descobertas, como sempre ocorre nesse torneio. No fim das contas, todos saíram vencedores, pois adquiriram muitos aprendizados durante a disputa. A Floresta Amazônica também saiu vencedora, ganhando mais uma importante guardiã e formando um professor para ajudar em sua preservação. E agora, que estamos em 2020, parece adequado que o torneio volte a ser realizado na Amazônia. Em um ano de muitas queimadas e desmatamentos, o poder dos bruxos se faz necessário para combater os malfeitores que estão invadindo a nossa linda Floresta. Que Merlin nos ajude a recuperá-la!
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