O Torneio

21 Capítulo 21


Notas iniciais
"Dark signs of evil Float in the skyline Feels like a storm is getting closer" :D

Ranma passou sem ser notado por nenhuma das pessoas que caminhavam pela rua. Ele conseguiu chegar até o colégio sem ser interrompido, almoçar sem que ninguém o perturbasse e ir até a clínica do doutor Tofu sem problema algum. Tudo isso graças a técnica criada por seu pai chamada Umi–Sem Ken(1). Uma técnica que foi selada, porém, devido as circunstâncias atuais, Ranma teve que ser obrigado a usá-la novamente.

Ukyo e Shampoo montaram guarda em frente a casa do garoto e o esperaram por parte da manhã. Ao perceberem que ele na estava mais em casa, correram para a colégio, onde o encontraram.

Assim que o alarme tocou sinalizando o intervalo para o almoço, Ukyo saltou de sua carteira e Shampoo invadiu a sala quebrando uma das paredes. Todos na sala ficaram com os queixos no chão, inclusive suas duas noivas que viram o jovem artista marcial simplesmente sumir diante de seus olhos. Certamente ele era capaz de fazer muitas coisas, mas simplesmente desaparecer como se ele nunca tivesse estado presente, não era uma delas. Pelo menos é o que eles achavam.

As duas garotas só viriam encontrar seu noivo no seu local de trabalho, onde elas também eram proibidas de entrar. Novamente, as duas montaram guarda. Kodachi se juntou as duas minutos depois.

Ranma usou o Umi–Sem Ken mais uma vez assim que saiu da clínica. Ele se afastou bastante das três perseguidoras e desativou a técnica.

"Se eu soubesse que isso evitaria tantos problemas, eu teria desselado essa técnica mais cedo."

Ele caminhou por mais alguns minutos, rumo ao seu temido destino: a casa da família Tendo.

"No que é que eu fui me meter ?" — Ranma reclamou carregando dois livros nas mãos. —" O doutor Tofu podia ter pedido outra pessoa para fazer isso. Será que ela não sabe o que pode acontecer comigo se entrar aqui ? é melhor eu acabar logo com isso."

O garoto tocou a campainha e aguardou.

"Entregar, dar meia-volta e ir emb... oh, droga!!"

A pessoa que o atendeu, foi justamente a pessoa que ele mais queria evitar. Em vez da doce e gentil Kasumi, a irascível Akane abriu a porta.

Os dois ficaram atônitos, olhando um nos olhos do outro sem dizer uma palavra. O tempo passava e eles continuavam em silêncio. Depois do que pareceram horas, Ranma conseguiu driblar, em parte, o nervosismo e abriu a boca para falar:

— O-olá, Aka... quero dizer Tendo-san. — Ranma preferiu usar o sobrenome por precaução.

Akane franziu as sobrancelhas e se preparou para atacar. Ela havia deixado bem claro que ele não era mais bem vindo na casa. Mesmo assim, depois de tudo o que ela disse, ele ousou voltar. Ela se preparava para entrar em modo de combate, até que se lembrara de que não deveria atacá-lo. Nos últimos dias ela o ignorou completamente, toda vez que ele tentava uma aproximação, ela simplesmente fingia que ele não existia, chegando até o ponto de usar um gato para espantá-lo. Mostrar alguma reação agora, faria tudo isso ir por água abaixo.

Ranma viu quando Akane quase perdeu sua compostura. Ele estava certo de que ela tentaria o atacar como sempre fazia. Entretanto, ela não o fez e voltou a trata-lo com a frieza usual dos últimos dias.

— Olá, Ranma. Eu vejo que você trouxe os livros do doutor Tofu. — se existiu alguma chance de interação entre os dois jovens, ela acabou com a aparição de Kasumi. — Que rude, Akane. Não é nada bonito você atender um convidado na porta. Venha Ranma, o jantar vai ser servido logo, logo.

Kasumi puxou o protestante rapaz para dentro de casa, deixando uma estupefata Akane para trás.

— Aguarde na sala de estar, Ranma. Eu preciso devolver uns livro para doutor Tofu. Akane ! — Ela chamou a irmão que ainda se encontrava parada no entrada. — Você poderia pegar os livros que eu deixei em cima da minha cama ?

Caminhando como uma morta-viva, Akane subiu as escadas em direção ao quarto da irmã mais velha.

— Você vai ficar par o jantar, não vai Ranma ?

— Eu não sei se é uma boa ideia, Kasumi. Minha mãe está me esperando.

— Não se preocupe, eu já telefonei e avisei para a sua mãe que você vai jantar conosco.

— Por favor, Kasumi. Isso pode não acabar bem.

— Não é nada bonito recusar um convite desse. Você vai ficar e ponto final. — Ela ordenou e voltou para a cozinha.

Instantes depois, Akane retornou com dois livros. Ela os levantou como se tivesse os oferecendo para o garoto. Antes que ele pudesse se mover para pegá-los, Akane os largou no chão sem cerimônia.

Ranma ficou frustrado com a ação de Akane. Ele já esperava por esse tratamento frio, no entanto, não nesse nível. Ele esperava pelo menos algumas palavras de bons modos.

O jantar foi extremamente constrangedor e tenso para o garoto de rabo de cavalo. Em determinado momento, ele pediu que para a garota passar-lhe um pote com molho. Akane o atravessou com seu olhar congelante e voltou a comer, ignorando seu pedido.

Soun e Nabiki preferiram ficar em silêncio. O primeiro, seguindo as ordens de sua filha mais velha, evitou qualquer comentário sobre a união das duas escolas temendo que a situação piorasse. Nabiki, calculou que ela seria alvo da fúria da irmã caçula caso ela decidisse agir violentamente, já que Ranma não estava 'disponível' no momento.

Kasumi, ignorando todo o clima de tensão na mesa de jantar, continuava com seu sorriso inabalável no rosto. No fundo, ela rezava para que sua irmã desse o braço a torcer e concedesse um a segunda chance ao rapaz. Ela até mesmo tentou, quando Akane pediu uma porção de comida, fazer o casal interagir. Em vez de passar a comida direto para Akane, Kasumi entregou o recipiente para o garoto, que por sua vez tentou passar para a garota do seu lado. Mais uma vez ignorado, Ranma teve que colocar o recipiente de volta na mesa e esconder sua face envergonhada atrás da tigela de arroz.

A mais velha das irmão acompanhou Ranma até a saída após o jantar. O jovem artista marcial era a face da derrota: ombros caídos, cabeça baixa e passos errôneos.

— Obrigado pelo jantar, Kasumi. — Ele agradeceu tentando colocar um sorriso sincero no rosto.— E eu acho que eu devo agradecer pelo que você tentou fazer por mim.

— Não precisa agradecer, eu também estou fazendo isso pela minha irmã.

— Eu estou tentando arranjar um jeito de pedir desculpas, mas parece que ela não quer me ver nem pintado de ouro. Sabe, eu gostaria que pelo menos ela ficasse com raiva de mim, assim eu teria a atenção dela e poderia tentar conversar, tentar uma aproximação e pedir desculpas. Mas ela mal me olha, é como se eu não existisse mais para ela. Que inferno ! isso é pior que levar uma surra do Ryoga, Mousse e Kuno juntos. Eu só queria que ela voltasse a falar comigo.

— Você sente falta da minha irmã ?

— Bem, é, hum, acho que sim. Todo esse tempo que nó passamos juntos, especialmente esse ultimo mês em que nós quase não brigamos, foi legal. Eu acho que eu sinto falta daquele olhar de ansiedade que ela me dava antes dos treinos matinais e noturnos, ou do jeito que ela sorria assim que conseguia aprender um novo golpe. Ela sempre parecia cansada após o treino, é verdade, mas no geral parecia feliz. Eu acho que eu sinto falta de vê-la feliz. Droga! veja como eu estou ? três dias e eu estou reclamando como se tivessem sido anos.

— Uau ! eu nunca pensei em ouvir você falando desse jeito. Acho que você está passando tempo demais com o Tofu. Não que isso seja algo ruim. — ela replicou.

As bochechas do garoto ficaram levemente coradas com o comentário.

— Que isso pelo menos te sirva de lição. Existe um ditado muito popular que diz que 'nós só sentimos falta depois perdemos'. O fato de você ter mentido todo esse tempo deixou a Akane muito magoada, e o jeito que você sempre a tratou no passado não pesaram a seu favor, mesmo com esse um mês que vocês passaram sem entrar em confusão. Eu não estou te culpando totalmente, Ranma. Eu sei que minha irmã é muito boa em tirar conclusões precipitadas e sempre pensar o pior das pessoas, especialmente você. Sem falar que nem sempre ela foi justa. A questão é, você não acham que é hora de parar com isso, terem uma conversa franca um com o outro ? sentarem juntos e discutir o que você querem ? vocês já não são tão mais crianças, deveriam tentar fazer isso.

Ranma pensou por alguns instante e descobriu que estava disposto a tentar essa alternativa. De fato, desde que ele começou a trabalhar seu patrão insistia para ele fazer algo do tipo. No final das contas, Qualquer opção era válida para tentar fazer as pazes com a sua ex-noiva.

— Eu vou tentar, Kasumi. Assim que ela voltar a reconhecer a minha existência.

— E não se esqueça de ser o mais sincero possível.

— Engraçado, minha mãe disse a mesma coisa.

No caminho de volta para casa, Ranma viu o grande mestre de sua escola saltando pelos céus de Nerima, com sua típica bagagem de pano amarrada em volta pescoço e carregada em sua costas, abarrotada de roupas íntimas femininas.

O jovem artista marcial estalou os dedos e disse:

— Acho que é hora de aliviar um pouco do stress dos últimos dias.

Cerca de uma hora após o jantar, Akane desceu do seu quarto e foi para o dojo praticar. Ela não havia colocado os pés no salão desde a partida de Ranma e Ryoga.

— A vida continua. — Ela disse para si mesma. — Eu sou herdeira do estilo Tendo de Artes Marciais. Chega de ficar amuando pelos cantos da casa. Chega de autocomiseração. Eu não sou a melhor. Ainda. Eu vou continuar treinando e chegar no nível deles. Eu irei superá-los, custe o que custar!

— Belo discurso, senhorita Tendo.

Akane ficou assustada ao ver que não estava sozinha. Por uma das janelas, uma figura misteriosa entrou no dojo. Ela vestia calça e jaqueta de cor preta e sua face se encontrava coberta com uma máscara ninja, deixando exposto apenas seus olhos.

A garota entrou em modo de combate ao conseguir ler a expressão dos olhos do invasor. Certamente ele não procurava por um combate amigável, sua intenções pareciam ser malignas.

— Quem é você ?

— Meu nome é Emiya. Eu sou um dos quatro novos discípulos de Happosai. O grande mestre nos disse que nem Soun Tendo e nem Genma Saotome eram dignos de receberam o Titulo de grande mestre, muito menos seus herdeiros. O garoto Saotome não passa de pirralho rebelde sem disciplina alguma, e Akane Tendo... bem, o mestre não perdeu seu tempo para falar sobre ela.

Akane fez o máximo possível para manter seu temperamento sob controle. Por que ninguém leva a sério suas habilidades como artista marcial ?

— E o que você está fazendo aqui ? — Ela rosnou.

— O grande mestre ordenou que os membros das duas escolas fossem eliminados. Meus outros três companheiros de treino foram atrás do garoto Saotome e eu estou aqui. Parece que meu trabalho vai ser bem fácil.

Sem pensar duas vezes, Akane atacou. Ela lançou um chute frontal com o pé direito, seguido por um chute rodado com a outra perna.

Emiya se esquivou do primeiro golpe, bloqueou o segundo e contra-atacou imediatamente com um soco no ombro da garota. Sem dar tempo algum para que ela se recuperasse, ele conectou mais um golpe da região do diafragma e um chute na lateral do crânio.

Akane sentiu o primeiro golpe, e antes que pudesse reagir, sentiu os pulmões se esvaziarem com o segundo ataque. Instantes depois ela estava no chão resultado de um chute em sua cabeça. Nenhum dos golpes carregava muita força. Ele estava apenas brincando com ela.

— Desgraçado !

Akane se levantou e saltou no ar, chutando duas vezes antes de aterrissar. Quando o fez, aplicou uma rasteira e seguiu com uma sequência de socos inspirada no Kanchu Tenshin Amaguriken(2) de Ranma.

O ninja bloqueou os dois chutes e deu um pequeno salto para escapar da rasteira. Ele teve que fazer um esforço maior para bloquear a chuva de socos desferidos pela garota. Ele continuou se defendendo, esperando o momento certo para contra-atacar. Uma pequena brecha se mostrou suficiente e ele acertou um soco entre os seios de sua oponente.

Akane se encontrou no chã mais uma vez, e quando abriu os olhos, viu Emiya subindo no ar e descendo com o joelho em sua direção. Ela imediatamente rolou para o lado e tentou ficar de pé, mas voltou ao chão, de bruços, com o braço e o punho esquerdo sendo torcidos em sua costas. Para piorar seu oponente sentou-se em cima do seu quadril, imobilizando-a.

— Se renda senhorita Tendo, e eu irei dizer ao mestre Happosai que você desistiu de ser uma artista marcial.

— O quê ?!

— Se renda e evite problemas futuros.

— Eu não vou... — Emiya pressionou o braço e fez Akane urrar de dor. — ... desistir!

— Sim, você vai. — Ele torceu mais um pouco, mas dessa vez Akane fechou os olhos com força e não gritou.

— Desista!

— NÃO ! — Ela gritou enquanto seu braço era torcido.

— Por que, senhorita Tendo ?

— Eu sou uma artista marcial! — Akane ouviu o som de seus ossos sendo estalados e sentiu os músculos de seu braço ardendo. — Eu sou uma lutadora ! — Ela soltou mais um grito de dor. — Eu não vou DESISTIR ! — Outro grito rasgou pela sua garganta.

— Céus ! Teimosa como uma mula ! Bem, que seja.

Akane fechou os olhos com força e se preparou para o pior. Que nunca veio. Não havia mais pressão, nem peso em seus quadris.

— Sabe, antes, essa teimosia me irritava bastante, mas eu passei a gostar dela com o passar do tempo. Ela se adequa bem a sua personalidade. Eu gosto disso em você.

Akane ouviu a voz de Emiya e vagarosamente abriu os olhos. Ela inclinou a cabeça e viu um pedaço de pano no chão. Era a máscara do ninja. Ela levantou os olhos e piscou uma, duas, três vezes até ter certeza do que estava vendo. Ajoelhado ao seu lado a cerca de um metro de distância, ela viu o discípulo de Happosai sem a máscara. Uma pequena correção: não era Emiya quem estava do seu lado, mas sim Ranma Saotome.

Notas finais
(1) Técnica dos Mil-Mares; (2) Castanhas assadas na fogueira. Só mesmo o Ranma para bolar um plano louco como esse :D Será que a Akane vai voltar a falar com ele ? se dependesse de mim, não. MHUWAHAHA ! Sim, eu sou um homem mau, muito mau ¬¬ Acho que até sexta eu consigo terminar o cap 22, visto que ele já está bem adiantado. Até lá então :D Críticas construtivas serão sempre bem-vindas. Percebeu algum erro de português, concordância, formatação ou qualquer outro tipo? me avise para corrigi-lo. Até a próxima.