O Torneio

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Agradecimento especial para Yngwie Malmsteen e sua bela música Perpetual. Se não fosse por ela, eu não estaria acordado postando esse capítulo neste exato momento. XDD http://www.youtube.com/watch?v=yTylY_MJzio

Uma semana havia se passado desde que Ryoga se juntou aos Tendo. Ele não tinha absolutamente nada para reclamar. De fato, essa podia ser considerada uma das semanas mais felizes de sua vida. Uma semana com um teto sobre a sua cabeça, uma semana de boa comida e o melhor de tudo: uma semana na companhia de Akane Tendo.

Ryoga se encontrou aproveitando cada momento passado ao lado de sua amada. Toda tarde os dois treinavam juntos no dojo. A melhor parte é que os dois passavam a maior parte do tempo sozinhos, sem nenhuma interrupção. Entre um intervalo e outro o garoto costumava contar histórias sobre suas inúmeras viagens pelo Japão ou algum outro país do continente asiático. Akane sempre sorria com suas histórias cômicas e isso o deixava completamente derretido. Ela estava sorrindo para ele, única e exclusivamente par ele. O garoto sentia um calor dentro de si toda vez que isso acontecia.

Na noite anterior, Ryoga conseguiu se transformar em P-chan e ir ao encontro de Akane. Quando Ranma o tentou impedir, ele foi presenteado com uma martelada na cabeça que o deixou esparramado no chão.

"Ele mereceu. Ele foi o responsável pela minha maldição."

Novamente Ryoga sentiu um calor dentro de seu corpo quando a garota o envolveu em seus braços e o protegeu de seu rival.

Ele estava feliz. Até ouvir a voz de sua amada no meio da madrugada. Ela nunca foi uma pessoa muita calma durante o sono, é verdade. Socos, chutes e cotoveladas faziam parte de sua noite de sono. Ela também costumava soltar pequenos gemidos ou alguma palavra incoerente, mas nunca nomes. Sim, ela nunca disse nome algum durante o sono. Até agora.

"Por que você está chamando o nome dele ?" P-chan se perguntava.

"Por que, Akane ? o que eu devo fazer para você olhar para mim ?"

Akane chamou mais uma vez.

"Eu estou aqui por você. Eu quero te fazer feliz."

Ryoga engasgou ao ouvir Akane mais uma vez

"É tudo culpa DELE !" Ryoga olhou firmemente para a sua amada. "" Ele não merece alguém como ela. Eu não vou deixar isso acontecer. Eu vou protegê-la e então... você vai descobrir como eu me sinto. Eu vou abrir meu coração e te contar tudo, Akane.

Ranma abriu a porta da clínica, se curvou levemente e se despediu do paciente que acabara de ser atendido. Ele voltou até a recepção para checar a agenda. A próxima consulta seria daqui a trinta minutos. Isso seria tempo suficiente pra ele conversar com seu patrão e acabar com um assunto que o atormenta há dias.

Desde aquele dia, Ranma nunca mais conseguiu ver Kasumi e Tofu da mesmo jeito de antes. Os dois continuavam sendo quem eles sempre foram, porém, a imagem de casal deitado no sofá se beijando não saia da sua cabeça.

— Doutor Tofu, eu preciso falar com o senhor, posso entrar ? — Ranma perguntou enquanto batia na porta.

— Claro, Ranma. — Ele respondeu. — Do que você precisa, um adiantamento ?

— Não é isso. Eu só quero ter uma conversa contigo.

"Sim ter uma conversa e passar toda essa história a limpo."

— Sobre o que você quer conversar ?

— É algo que aconteceu na semana passada. Eu saí mais cedo da escola e vim direto para cá. Como a porta da frente estava trancada, eu entrei usando uma das janelas do segundo andar. Quando eu entrei, eu ouvi um barulho e decidi investigar. Foi então...

— Então...

— EuvivocêeaKasumisebeijando. — Ranma correu com as palavras e abaixou a cabeça.

— Eu não entendi nada. Fale mais devagar.

— VocêeaKasumisebeijando.

— Ranma...

O garoto de rabo de cavalo respirou fundo e falou com mais calma dessa vez:

— Eu vi você... e Kasumi... se beijando.

— Ka-ka-kasumi ? — Os óculos do médico ficaram opacos somente com a menção do nome da mulher.— bei-beijando ? — Ele começou a babar.

— A Kasumi não está aqui. Mantenha o controle, por favor. Escute, naquele dia a Kodachi jogou algum gás em mim. Eu provavelmente estava tendo algum tipo de alucinação.

— Sério ? — Ele ficou desapontado. — É uma pena. O que mais você viu nessas alucinações ?

— Bem, não muito. Você e ela, er, bem , deitados no sofá. Você sabe, beijando. Na boca... pare como isso, doutor. Você está me assustando.

O médico sonhava acordado, de boca aberta e com saliva escorrendo pelos cantos da boca.

— Desculpe, Ranma. Eu estava apenas imaginando umas coisas.

"Pela reação dele parece que tudo não passou de um mal entendido."

— Deixe-me te contar uma pequena história, Ranma. É sobre uma garota que tem duas irmãs mais novas que perdeu a sua mãe quando ele era pequena. O pai da garota ficou tão arrasado que ele não conseguiu fazer mais nada. Chegaram até pensar que ele morreria de tristeza. Um pouco triste, não acha ?

Ranma apenas acenou com a cabeça não entendo o sentido da história.

— Sabe o que aconteceu depois ? a garota teve que crescer mais rápido do que deveria. Ela aprendeu a cozinhar, limpar e tudo mais que sua mãe sabia fazer. Por falta de alguém mais próximo, pouco a pouco, as duas irmão mais novas passaram a vê-la como uma figura materna. Qualquer problema, qualquer assistência que as irmãs precisassem, era a garota que elas procuravam. Quando os corpos das irmãs começaram a passar pelas mudanças da puberdade, foi ela quem teve que explicá-las o que estava acontecendo. Acho que não seria exagero dizer que a ela praticamente desistiu de ser quem ela era para assumir um papel mais maternal para sua família.

— Por que ela fez isso ? — Ranma perguntou já se interessando pela história.

— Não é obvio ? pela família, é claro. A morte de um ente querido pode mudar completamente as pessoas próximas. Voltando, a garota era muito inteligente e tinha o sonho de entrar na faculdade para se tornar uma médica. Com mais ou menos dezesseis anos, ela começou a trabalhar em uma clínica local. Rapidamente, ela e o médico responsável pelos atendimento se tornaram grandes amigos. A garota se sentia confortável na presença dele e lhe contava todas as sua angustias e segredos. Algumas vezes ela chorava em seus ombros quando achava que não seria capaz de ser forte o suficiente para ajudar suas irmãs.

— Segundo ela, se não fosse pela amizade do médico, ela teria enlouquecido completamente. Ela desistiu de cursar medicina para continuar cuidando da sua família. Há quem diga que ela ainda não desistiu de seus sonho de ser médica.

Tofu tomou um pouco de ar e continuou.

— Assim que terminou o colegial e completou dezoito anos, ela conversou com o médico e, bem, podemos dizer que ela queria algo mais que a amizade dele. Nós podemos dizer que o resto é história.

— Não me diga que...

Tofu fez que sim com a cabeça.

Ranma ficou completamente pasmo e sem saber o que dizer sobre o conto que acabara de ouvir. Ele sabia que Kasumi era como uma mãe para suas irmãs, porém ele nunca parou para pensar como isso tudo acontecer. Ele não pode evitar, mas evitar mas se sentir triste pela garota. Ela parece não ter arrependimento algum e está sempre com um sorriso angelical no rosto.

Depois de ouvir tudo isso, Ranma passou a admirar mais ainda a mais velha das irmãs Tendo.

— Como está a relação dos dois atualmente ? — Ele sentiu um pouco de vergonha. Kasumi parece estar sempre ocupada e mesmo assim, ninguém nunca lhe ofereceu alguma ajuda.

— A relação dos dois está ótima, embora eles a mantenham em segredo de todos. Parece que toda vez que ela e o médico se encontram em algum lugar público, ele começa a agir como um louco para ninguém desconfiar que os dois estão juntos. Você acha que isso é um bom plano ?

— Definitivamente sim. — Ranma admitiu. Os dois conseguiram enganar todo mundo. — Por que você está me contando tudo isso, doutor ?

— Como eu disse, a garota ainda não desistiu de ser médica. Acontece que para isso acontecer, ela quer primeiro ter certeza que suas irmãs vão tomar um rumo em suas vidas. A irmã do meio pretende ingressar em uma faculdade assim que terminar o último ano do colégio. A caçula ainda a preocupa um pouco. Apesar de ainda ser nova, ela parece estar em duvida sobre o que ela quer do seu futuro.

— Você não me disse o motivo por estar me contando tudo isso ?

— A caçula é da sua idade. Você tem alguma ideia do que você quer para o seu futuro ? ouvindo você, talvez eu possa conversar com a garota para que ela ajude a sua irmã a decidir seu futuro.

Ranma pareceu pensar por alguns minutos e respondeu:

— Eu vou ser sincero, doutor: eu ainda não tenho certeza total do que eu quero. Existem algumas coisa, mas nada certo.

— Talvez seja hora de você começar a pensar no assunto.

Ryoga e Akane treinavam sozinhos no dojo. Diferente de Ranma, que procurava se esquivar dos ataques, Ryoga gostava mais de defendê-los.

Assim como Ranma havia instruído, Akane lutava usando seu ki. Durante a ultima semana de treino, ela treinou exaustivamente até conseguir controlar seu ki. Era como um gatilho que ficava dentro da sua cabeça que lhe permitia usar sua energia com mais facilidade. Ela já era capaz de usá-lo, quase sem problema algum, em sua pernas para melhorar sua movimentação. É claro que a quantidade de energia usada ainda era baixa, afinal, seu corpo ainda não se adaptara completamente as novidades.

Ela admitiu que estava feliz com todo o progresso. A quantidade de coisas que ela aprendera nas últimas semana, era superior a tudo que ela aprendeu no ano anterior.

Akane trocava socos e chutes com o garoto de bandana. Embora de maneira diferente, ela ainda não conseguia conectar muitos golpes em nenhum de seus professores. De fato, ela conseguia atingir Ryoga mais vezes do que era capaz com seu noivo. Em compensação, os golpes de Ryoga causavam um impacto maior que os de Ranma. Treinar com duas pessoas de estilos de luta diferentes ajudava bastante em sua evolução.

Ryouga anunciou uma pausa para um pequeno descanso. Akane relaxou e começou a enxugar o suor que encharcava sua testa.

— Você está indo muito bem, Akane. Sua velocidade aumentou bastante desde que nós começamos, seus ataques também estão muito mais precisos e parece que você tem um controle maior sobre eles. Sua defesa tem muito menos brechas que antes. Parece que você está pensando mais antes de sair atacando o oponente com tudo o que você tem disponível.

— Obrigado, Ryoga. Eu tenho dois bons professores. Você me ajudou bastante nesses últimos dias. O Ranma me mostrou como usar o ki e corrigiu diversos erros nas minhas posturas de ataque e defesa. Eu não posso me esquecer de agradecê-lo depois.

"Ranma, sempre ele." Ryoga resmungou, furioso. "Eu preciso fazer alguma coisa; Eu preciso dizer a ela tudo o que eu sinto; Eu não vou deixar o Ranma ganhar essa !"

Preparando-se, Ryoga aproximou-se de sua paixão.

— Akane, tem algo que eu gostaria de te contar. É uma coisa muito importante. O problema é que eu não sei como dizer isso.

— É tão importante assim ?

— Você não sabe como. — ele replicou desviando o olhar.

— Então apenas diga. Acho que esse é o jeito mais fácil quando você quer dizer algo importante para alguém.

— Eu tenho algum receio. Não é algo que eu gostaria que as pessoas soubessem. Não nesse momento, é claro.

— Não precisa ficar com medo ou qualquer coisa, Ryoga. Eu sou sua amiga, você pode confiar em mim.

— Você tem certeza ?

— Absoluta. Agora me diga o que é que você quer falar.

O garoto respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos.

"Vamos lá Ryoga, você consegue."

Ele encheu e esvaziou seus pulmões mais algumas vezes e depois abriu ou olhos.

"Lá vai."

— Akane... — Ele pôs suas mãos sobre os ombros da garota. Seu coração parecia que ia pular fora de seu peito tamanha era sua aceleração. Ele começou a tremer e pensou em desistir.

— Akane... Eu...

— Ryoga, eu te disse que você pode confiar em mim. Não precisa ficar nervoso desse jeito. — Akane sorriu de leve. Em uma tentativa de acalmar o garoto, Ela pôs uma de suas mãos por cima das do garoto

Ryoga interpretou o gesto como um sinal de encorajamento e talvez algo mais.

"Talvez ela já saiba de tudo e quer que eu apenas diga as palavras que ela quer ouvir."

Reunindo toda sua coragem e de seus antepassados, ele continuou.

— Akane ! — ele quase gritou.

— Sim.

— Eu... Eu... " É agora ou nunca."

— EU TE AMO ! — Ele gritou finalmente.

— O Q...

Akane foi interrompida quando Ryoga pressionou seus lábios conta os dela.

Notas finais
Hehe ! parece que as coisas esquentaram um pouco no dojo. :P Críticas construtivas serão sempre bem-vindas. Percebeu algum erro de português, concordância, formatação ou qualquer outro tipo? me avise para corrigi-lo. Até a próxima.