O Torneio
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— ... Então... — Ranma começou — ... você quer participar de um torneio de artes marciais ? — ele perguntou.
Akane acenou. Os dois estavam no dojo da família Tendo. Ranma praticava um kata enquanto Akane o observava.
— Um torneio feminino de artes marciais ? — Ele perguntou novamente.
— Sim.
— E você quer que eu lhe treine ? — Ele fez mais uma pergunta sem nem ao menos olhar para a sua noiva.
— Isso mesmo. O que você me diz ?
— Não, não estou interessado. — Ele respondeu sem preocupação alguma e sem interromper seu treino.
— Mas por que que não, Ranma ? — Akane quase gritou.
— É simples: Ukyo e Shampoo irão participar também, certo ? Você não tem a mínima chance contra elas. — Ranma disse sem se importar com as consequências.
Akane sabia e não era preciso que ninguém lhe dissesse isso. Desde a chegada de Ranma em Nerima, sua reputação com artista marcial havia despencado. Pelo menos do seu ponto de vista. Antes, o único que talvez pudesse derrotá-la, era o maníaco do Kuno. Mas então veio Ranma que a derrotou como se ela fosse uma criança. Com Shampoo não foi diferente. E mesmo sem ter enfrentado Ukyo, ela sabia que poderia ser derrotada.
Por essa razão, ela precisava treinar. Ela precisava de alguém como companheiro de treino ou alguém mais forte que lhe ajudasse a aprimorar suas habilidades. Ranma era perfeito para essa situação. Ele era mais forte, ágil e conhecia uma variedade de técnicas que poderiam ser usadas para diferentes tipos de situações.
Não há nada que motive mais um lutador que um torneio. Essa é uma oportunidade para por suas habilidades a prova. Não é difícil você encontrar alguém do mesmo nível ou até mais forte nessas competições. Tudo o que ela precisava fazer, era convencer o seu noivo estúpido, egocêntrico e machista.
— É por isso que eu estou lhe pedindo ajuda. Se você me treinar, talvez eu tenha uma chance. Por favor, Ranma. — Akane juntou as palmas das mãos em frente ao rosto, como se estivesse fazendo uma prece ou pedido a alguma divindade cósmica ou a algum deus. Talvez eles conseguissem fazer o seu noivo mudar de ideia.
— Olha Akane... — Ranma se aproximou de sua noiva, colocou suas mãos sob seus ombros e olhou diretamente em seus olhos. Akane deu um passo para trás e ficou um pouco nervosa com a expressão séria do seu noivo. — É mais fácil ensinar balé a um macaco do que te treinar.
— O quê ?! — Akane franziu as sobrancelhas e sua aura de batalha apareceu imediatamente. Não se sabe se ele realmente quis dizer aquilo ou se ele estava apenas atiçando sua noiva. Ou talvez tenha sido uma daqueles não tão raros momentos em que sua boca age mais rápido que o cérebro. Para Akane, isso não teve importância alguma.
— Você é desajeitada, lenta...
DUMP!
Antes que o garoto de rabo de cavalo pudesse terminar de falar, Akane acerto-lhe um golpe na cabeça com seu marreta que sabe-se lá de onde veio.
— Por que fez isso, Akane ?! — ele gritou ainda tonto e vendo estrelas em volta de sua cabeça.
— Preciso mesmo dizer, idiota?! — Ela gritou em resposta mais alto que seu noivo e saiu correndo do dojo.
— Mas que garota chata. — Ranma resmungou. — Eu apenas disse a verdade.
Ainda um pouco tonto por causa do golpe, Ranma fechou os olhos e respirou fundo. Ele sabia o que estava por vir: Akane ficaria brava com ele e também de mau humor. Os dois ficariam sem se falar por uns dias até as coisas se acalmarem ou até que um deles pedisse desculpas. "Talvez eu devesse pedir desculpas". Ele pensou por uns instantes e sacudiu a cabeça. "Nah, eu não fiz nada de errado". E assim ele voltou ao seu treinamento.
–
Nodoka e Kasumi estavam sentadas na sala, saboreando uma xicara de chá enquanto conversavam. Kasumi estava particularmente feliz desde que a matriarca dos Saotomes passou a morar (mesmo que forçadamente) na residência dos Tendos. Não pelo fato de ela ter alguém para lhe ajudas nos serviços domésticos, mas sim por ter alguém relativamente normal para conversar.
Kasumi sempre foi vista como uma mãe por suas irmãs e as vezes até pelo seu cunhado, Ranma. Sempre quando alguém deles tinha algum problema ou quando precisavam de algum conselho, era com ela que eles vinham falar.
O problema é que, diferente de suas irmãs, Kasumi não tinha ninguém a recorrer, ninguém para ouvir suas incertezas, angústias ou mesmo para lhe dizer algumas palavras de conforto em seus dias difíceis. Mas com a chegada de Nodoka, as coisas mudaram um pouco. Kasumi viu nela uma figura maternal e sabia que, por instinto, poderia confiar nela.
A conversa das duas foi interrompida quando Akane passou pelas duas figuras maternas com lágrimas em seus olhos.
— O que aconteceu, Akane ? por que você esta chorando ? — Perguntou Nodoka, preocupada com sua nora.
Akane enxugou as lágrimas
— Não é nada. — Ela mentiu.
— Você e o Ranma brigaram novamente, não foi ? — Kasumi perguntou mesmo sabendo a resposta.
— Não é nada disso. — Ela mentiu novamente. — Eu vou subir para o meu quarto. Me avise quando o jantar estiver pronto, Kasumi.
Por uns instantes, as duas mulheres continuaram a tomar chá, sem qualquer troca de palavras, até que Kasumi decidiu quebrar o silêncio.
— Eu gostaria que esses dois se desse melhor, tia.
— O que você quer dizer com isso, querida ?
— Akane e Ranma.
— Então eles realmente brigaram ? Isso acontece com frequência ? — Nodoka havia se juntado aos Tendo a pouco tempo. Um episódio envolvendo o que parecia ser um anel de noivado, fez com que sua casa fosse totalmente destruída por três artistas marciais em pé de guerra. É claro, as três estão arcando com os custos da reforma.
— Sim tia, isso acontece com frequência. — Kasumi sorriu para Nodoka. — Mas não se preocupe, logo, logo estarão se falando novamente. O único problema... — Kasumi fez uma pausa e ficou com uma expressão triste.
— O que foi, Kasumi ? — Nodoka indagou.
— É que durante esse período, a minha irmã fica tão triste. Eu fico com muita pena e um aperto no coração vendo ela desse jeito. Eu sempre tento conversar com ela, mas sua teimosia é maior.
— Entendo. Acho que é seu instinto materno. A mãe de vocês faleceu quando vocês ainda eram muito jovens e foi você quem cuidou de suas irmãs. Talvez por isso você se sinta desse jeito. Mas o que eu não entendo é por que eles brigam tanto ?
— A relação dos dois é um pouco complicada. Os dois nunca nem tinham se visto e da noite para o dia eles ficarão noivos. Minha irmã tem um temperamento forte e o Ranma... — Kasumi fez uma pausa, pensou por uns instantes e continuou. — Podemos dizer que ele não é muito bom com as palavras. — kasumi soltou uma pequena risada que não passou despercebida por Nodoka.
De fato, Nodoka sabia pouco da relação de seu filho e Akane e muito menos das aventuras que o casal, em especial suas brigas constantes. É claro que ela não esperava os dois fosse um casal perfeito. Como Kasumi disse, os dois nem se conheciam e simplesmente viraram noivos. É praticamente impossível duas pessoas se gostarem em uma situação dessas.
Entretanto... "Será que eles não poderiam pelo menos tentar ser amigáveis um com o outro?" Nodoka se perguntou. Nesse momento ela se levantou:
— Kasumi, eu e meu filho precisamos ter uma pequena conversa. Com licença, querida. — Assim, ela foi caminhando em direção ao Dojo.
logo depois, Kasumi também se levantou "Acho que vou ver se minha irmã precisa de alguma coisa antes de começar a preparar o jantar."
Nodoka entrou no Dojo e fez sua presença ser percebida pelo filho.
— Olá, mãe. — Ranma imediatamente parou seu kata e foi andando em direção a sua mãe. Ele não esperava vê-la ali.
— Eu achei que você fosse ficar na cozinha ajudando a Kasumi com o jantar.
— Sim querido, eu vou ajudá-la, mas eu preciso fazer algo antes.
— Será que eu posso ajudar ?
— É claro que pode. Alias, é justamente por você que eu estou aqui.
Ranma não entendeu bem o que sua mãe quis dizer, mas algo lhe dizia que era melhor ele estar preparado.
— Eu e você... — Com uma expressão bem séria e um tom de voz que é reservado apenas quando uma mãe esta prestes a ensinar alguma lição ao se filho, ela continuou. — ...precisamos ter uma conversa meu filho. Uma conversa bem séria.
Ranma ficou assustado e nervoso com o tom voz de sua mãe. "Lá vem bomba." ele pensou.
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