O Torneio
22 Capítulo 22
Notas iniciais
A garota de cabelos azuis imitou perfeitamente um peixe fora d'agua , com a boca abrindo e fechando, porém sem produzir som algum. Diversas sentenças se formaram em sua mente, o problema é que eram tantas que ela não conseguiu dizer nenhuma delas. Sem contar, é claro, com a surpresa de que a figura misteriosas que invadiu o dojo era ninguém menos que seu ex-noivo.
Akane ainda tentava organizar seus pensamentos quando o garoto começou :
— Akane Tendo, eu quero te pedir desculpas. Por tudo. Pelas coisas que eu disse no passado, pela maneira como eu me comportei e... — Ele fez uma pequena pausa.— ... você sabe, por ter mentido para você. Eu e o doutor Tofu conversamos bastante nesse ultimo mês, ele me disse que um dia eu teria que fazer isso. Depois do que aconteceu nos últimos dias e uma breve conversa que eu tive com uma certa pessoa no dia de hoje, acho que essa é melhor oportunidade.
Akane continuou observando Ranma cuidadosamente sem dizer uma palavra.
— Durante todo esse tempo eu não fui honesto e nem justo com você. Eu zombei de suas habilidades como artista marcial, mas você provou que eu estive errado todo esse tempo. Você se mostrou bastante talentosa enquanto treinávamos. Eu lamento muito por não ter te levado a sério.
— Erradamente eu insisti em comparar você com as outras garotas no intuito de te provocar. Isso foi, podemos dizer, bastante infantil. Para falar a verdade, eu acho você bem, bo–bo–bonita.
Akane teve que virar o rosto para esconder o leve tom de vermelho que apareceu em suas bochechas. Isso fez com que ela não percebesse que Ranma estava na mesma situação.
— E no topo disso tudo, eu menti. Eu escondi algo que você tinha total direito de saber. Eu não fui nada além de um idiota egoísta preocupado apenas com a própria honra, esquecendo completamente de você. Vendo as coisas de um ponto de vista diferente, eu me sinto horrível por ter feito algo assim. Eu sabia quem o p-chan era e mesmo assim deixei que ele continuasse a dormir em sua cama, além de outra coisas. Eu sinto muito mesmo, Akane. Por isso eu peço humildemente o seu perdão.
Ranma se curvou encostando a testa no chão de madeira do dojo. Ele respirou aliviado e agradeceu mentalmente o seu patrão que o ajudou a decorar esse discurso.
Akane fechou os olhos e tentou organizar a espiral que eram seus pensamentos. Ela foi pega de surpresa pela pedido de desculpas do garoto. É claro que ela sabia que ele procuraria uma oportunidade para fazer o tal, ela só não esperava que fosse desse jeito, com tantas palavras, já que esse nunca foi o forte do rapaz. Ele pediu desculpas não só por ter mentido, como também pelas coisas do passado. Isso foi bem incaracterístico, sem contar o fato que disse que ela era bonita.
"Por quê ? por que fazer isso agora, depois de tanto tempo ? provavelmente é apenas o seu ego falando. Talvez ele não consiga suportar a ideia de uma garota não quer mais nada com ele. Eu não vou falar com ele."
— Akane ?
"Eu não vou falar comele."
— Vamos lá , Akane. Eu estou pedindo desculpas, eu sei que o que eufiz foi muito errado.
"Você não sabe quanto."
— Pelo menos olha para mim.
"Vá embora idiota !"
— Por favor, Akane. Me bata, me xingue, qualquer coisa. Apenas fale comigo.
"Não."
— Fale comigo, por favor. — Akane pode ouvir o tom de suplica na voz do garoto.
"Não!"
— Akane...
"Não!"
— AKANE !!
"NÃO!!"
Ranma gritou tentando pelo menos fazer Akane olhar em sua direção. A cada frase dita e a falta de reação da garota, Ranma sentia o coração se apertar. Ele fez o que lhe aconselharam, foi sincero e pediu desculpas sem dizer nada de errado no processo. Ele não esperava que ela o perdoasse imediatamente, apenas por um fio de esperança, que não veio no final das contas.
O que ele deveria fazer agora ? ele colocou tudo o que tinha no discurso de instantes atrás. Se isso não foi o suficiente, o que seria ?
A única que vez que em que se sentiu tão perdido foi em Ryugenzawa (1), quando ele pensou que Akane o havia trocado por outra pessoa. Aquela vez foi também quando ele entendeu o verdadeiro significado de coração partido. Ver Akane defendendo seu adversário e depois o esbofeteando, foi simplesmente horrível, uma sensação que ele jamais esqueceu.
"Talvez eu tenha vindo cedo demais. Talvez ela ainda não esteja pronta para me perdoar, se que ela vai estar um dia. Ou talvez eu tenha passado dos limites dessa vez e chegado a um ponto sem retorno. Talvez... eu deva fazer o que ela disse... sumir de vez, quem sabe ? eu acho que eu não fui nada além de um incômodo, mas..."
— Por favor, Akane. Fale comigo. "Pelo menos eu preciso tentar mais um vez."
Nada. Silêncio total.
— Eu entendi.
Ranma se sentiu completamente esmagado vendo a última esperança ir embora. Ele nunca imaginou que doeria tanto ser ignorado. E pensar que depois de todos os tipos de treino que passou, todos os inimigos que teve que enfrentar, no final ele seria vencido por uma simples garota.
— Desculpe. Eu vou embora agora e prometo nunca mais te incomodar.
Akane pode sentir a tristeza na voz do garoto, mas mesmo assim continuou em silêncio.
Antes de saltar em direção a janela, ele olhou mais uma vez para a garota que ainda estava deitada no chão e disse:
— Eu queria que as coisas tivessem sido diferentes. Se eu pudesse, voltaria atrás para começar tudo de novo. Adeus.
Do chão, os olhos de Akane se abriram de repente. Ela sentiu o grupo tremer e um aperto no peito que não soube explicar.
"Adeus ? o que ele quer dizer com adeus ? ele não está indo embora para sempre, está ? nós ainda vamos nos ver no colégio e ele ainda vai continuar morando na casa da mãe, certo ? não é como se ele fosse simplesmente sumir para sempre."
Akane tentou afastar a ideia de não ter mais o garoto de rabo de cavalo na sua vida. Mesmo que ela não estivesse falando com ele no momento, não era como se isso fosse durar a vida toda.
"Mas por que eu devo me importar se ele não se importa comigo. Nós vamos nos ver no colégio e ele vai continuar sendo o mesmo idiota que não consegue dizer não para suas noivas. Só que dessa vez ele só irá falar com a Shampoo e a Ukyo.
E não é isso que eu quero ? que ele faça a sua decisão e saia da minha vida? isso é realmente o que eu quero ?
Só de imaginar ele com as outras garotas fico furiosa... e também deprimida ? é realmente o que eu quero ?
Ele com certeza não está levando isso a sério, mas... sua voz soara tão triste.
Por que ?
Talvez eu deva perguntar, mas eu não quero falar com ele. E por que eu estou com essa sensação de que se não perguntar agora, eu nunca mais irei ter outra oportunidade.
Droga! tudo por causa desse idiota !"
— Por que ? — Ela perguntou em uma voz tão baixa que parecia um sussurro. "É hora de acabar com isso tudo de uma vez por todas."
Ranma parou quando teve a impressão de ter ouvido a voz de Akane. Ele esperou por mais alguns segundos e ouviu a mesma pergunta novamente.
"Por que o que ? qual o motivo de eu estar me desculpando ? será que ela é surda ?"
— Você conseguiu o que queria, se livrou da noiva feia, chata, que não sabe cozinhar e nem lutar.
"Isso é tudo o que ela pensa de mim ? será que eu devo responder ? depois de tudo o que eu disse ela ainda pergunta o motivo por eu estar fazendo tudo isso ?"
Ranma estava pronto pra ir embora até que ele se lembrou das palavras de sua mãe e de Kasumi: seja sincero.
"Bem que mal vai fazer ? não vai mudar nada mesmo ?"
O garoto deu um longo suspiro e começou a falar:
— Você se lembra da primeira coisa que você me disse quando eu cheguei aqui na sua casa ? eu estava em minha forma feminina, você se apresentou e perguntou se eu queria ser sua amiga. Você sabe que eu cresci na estrada e que o velho se esforçou ao máximo para que eu não visse nada além de artes marciais. A única outra pessoa que me ofereceu amizade, foi a Ukyo e isso foi quando ainda éramos bem pequenos.
Akane conseguiu dizer apenas um 'Oh.'
— Nós não começamos bem, você sabe. Você descobriu minha maldiçãoda pior maneira possível e depois me acusou de ser um pervertido. Eu lembro de ter dito alguma coisa estúpida para logo em seguida você bater com a mesa na minha cabeça.
— No dia seguinte, quando caminhávamos em direção ao colégio, eu fui molhado e minha maldição foi ativada. Você me levou até a clinica do doutor Tofu para conseguir água quente para mim. No mesmo dia, quando eu e o Kuno caímos na piscina, você lutou contra ele para que eu tivesse tempo para me transformar de volta.
— Eu lembro de você tentando me ajudar na minha primeira luta contra o Ryoga, naquela em que seu cabelo foi cortado. Mesmo correndo risco se machucar, você se intrometeu na luta. Na hora eu fiquei furioso, no entanto, vendo as coisas agora eu percebi que você só estava tentando ajudar.
Akane não fez menção de se virar e continuou ouvindo tudo atentamente.
— Teve a vez que você se jogou dentro do tornado criado pelo Hiryu Shoten Ra, para tentar recuperar o esquema que iria me curar da moxibustão tira força. Você arriscou a própria vida para me ajudar. Eu acho que eu nunca te agradeci da maneira devida por isso.
Ranma se virou para Akane e se curvou em agradecimento.
— Em diversas outras oportunidades em que você, de teimosa, fez o mesmo. Eu sempre me acostumei a fazer tudo sozinho, ter alguém se intrometendo, por melhor que fosse a sua intenção, era como uma ofensa para mim. Apenas agora que eu consegui entender tudo isso, que mesmo não estando de forma clara, mesmo depois de tantas brigas, você continuou sendo minha amiga.
Akane teve dificuldades para engolir o caroço que se formou em sua garganta e agradeceu por ter continuado no chão; pois se estivesse de pé, com certeza cairia com o baque que foram as palavras de Ranma.
— Eu não sabia que você pensava desse jeito, pensava isso de mim.
A garota se levantou calmamente, permanecendo de costas para evitar contato visual.
— Nem eu. — Ranma admitiu. — Eu só consegui perceber porque eu tive ajuda. Se esse não fosse o caso, eu nunca teria enxergado essas coisas. Acho que isso responde a sua pergunta. Eu vou embora agora..
"O que ? ele não pode ir embora assim, não depois de ter dito isso tudo. Não é justo. Mas... fui quem disse para ele ir embora..."
— Espere, Ranma. —Ele fez uma pausa, mas ficou de costas.
— Você disse que não estava sendo honesto, bem, acho que eu posso dizer o mesmo de mim. Antes de você aparecer, com a exceção de meu pai e o doutor Tofu, eu achava que todos os membros do sexo masculino eram pervertidos. Quando o papai veio com essa historia de noivado arranjado, eu fiquei furiosa. E quando você mostrou que poderia me derrotar facilmente, eu temi que você fosse tentar me forçar a fazer coisas que eu não queria. Eu realmente fiquei com muito medo. Apesar de alguns incidentes que nós tivemos, você nunca tentou nada de pervertido.
— Foi por causa de você que os garotos pararam de me atacar durante as manhãs. Eu admito que eu fiquei furiosa quando eles pararam só por causa de você. Eu passei meses tentando fazer com que eles parassem, e você não levou nem uma semana para parar com toda essa loucura. Eu me senti ofendida como artista marcial.
— Com o passar do tempo eu percebi que podia confiar em você. Eu acho que a primeira vez foi contra o Mikado Sanzenin, no desafio de patinação. Você gritou que era meu noivo e que que se ele morreria se encostasse em mim.
Como Ranma estava de costas, Akane não percebeu o rosto do garoto ficando da cor de um tomate.
— Depois disso você ainda me protegeu quando eles nos arremessaram contra o muro. Você recebeu todo o dano enquanto eu saí ilesa; Eu me lembro da vez em que você desistiu da cura da sua maldição por mim, e também da vez que você foi até a China para me resgatar do príncipe Kirim. Essas foram apenas algumas das muitas vezes em que você me protegeu ou foi ao me resgate. Sabe, eu odiava o jeito que você tentava me proteger, isso me fazia parecer nada além de uma garota indefesa e que não sabia lutar. Eu ainda sinto muita raivaquando você não me leva a sério, eu quero lutar minhas próprias lutas, e não passar a vida toda na sombra de alguém.
— Eu não sei, mas acho que eu também deva te pedir desculpas. Eu sempre fiz acusações pensando o pior de você. Acho que eu nunca te agradeci por todas as vezes que você me salvou. Muito obrigado, Ranma.
Akane imitou perfeitamente o movimento que Ranma fez anteriormente.
— Bem, de nada. Eu só fiz o que devia fazer. — Ele respondeu enquanto coçava a nuca.
— Eu só não sabia que você se importava tanto assim comigo.
— Se eu não me importasse, você acha que eu teria feito tudo isso ?
— Por muitas vezes você agiu como se não se importasse. Como por exemplo sobre a maldição do Ryoga. Por que você não me contou sobre ela ?
— Eu te disse, foi uma promessa. Eu não podia quebrá–la. Você sabe como eu sempre cumpro coma minha palavra.
— Mas isso era algo não se podia manter em segredo, especialmente de mim !
— Eu sinto muito por isso. Quebrar um promessa é uma desonra muito grande para mim. Depois do Happosai, meu pai é o artista marcial mais desonrado que eu conheço, se você tivesse crescido ao lado dele você ia saber do que eu estou falando. Ela já quebrou inúmeras promessas e isso só lhe trouxe problemas. Em determinado momento de nossa viagem, eu tomei conhecimento de algumas coisas que ele fez e decidi me esforçar ao máximo para não ser alguém como ele. É por isso que a honra é algo importante para mim, e eu sempre procuro manter a minha palavra.
— Mas manter essa promessa também não te trouxe problemas ?
— Bem, acho que sim. — Ele admitiu timidamente.
— Você precisa aprender a fazer julgamentos melhores, caso contrário, vão sempre querer usar sua honra para te manipular.
— Talvez.
— Talvez não, isso é a mais pura verdade, Ranma.
— O que você quer que eu faça ? saia quebrando todas as promessas que eu já fiz ?
— Não. Eu quero apenas que você pense duas vezes antes de sair guardando segredos sem um bom motivo. Eu sei que você se importa com a sua honra, mas não havia motivo algum para você ter escondido isso de mim, entende ?
— Acho que sim.
— Agora responda a minha pergunta, você se importa comigo ou não ?
— Eu já respondi.
— Diga novamente.
— Bem veja, eu... Droga! — Ranma resmungou quando as palavras não vieram. Ele respirou fundo por alguns segundos e recomeçou:
— Veja, Akane, existe essa voz na minha cabeça(na verdade eu nem sei se é uma voz) que diz que eu tenho que te proteger não importa como. Que eu não devo permitir que nada de mau aconteça porque você é especial, você é alguém que eu...— "Droga!! eu falei mais do que deveria. Maldita boca que gosta de correr na frente do cérebro."
Antes que Ranma pudesse dizer ou fazer algo mais, ele foi derrubado e imobilizado no chão.
Akane afastou do tronco os dois braços de Ranma e os segurou pelos pulsos. Seus dois joelhos foram postos em cima da barriga do rapaz fazendo pressão para mantê-lo no chão.
— Da última vez você esteve a ponto de me dizer algo importante, masvocê conseguiu fugir. Dessa vez vai ser diferente. Diga agora!
Por mais forte que fosse, Ranma não conseguiu se libertar. Quando olhou para cima, viu o mais belo par de olhos do face da terra. Eles miravam exatamente em sua direção, olhando para ele e somente para ele como se não existe mais nada ao redor deles.
— Diga Ranma !
— Eu, Eu... —"Como é que as coisa chegaram a esse ponto ? e por que ela está perguntando isso agora ? e mais importante, por que é tão difícil dizer o que ela quer ?"
— Eu posso estar falando com você agora, entretanto, isso não significa que eu te perdoei. Se você pretende fazer algo sobre isso, eu sugiro que você fale.
Ranma sentiu a o ar lhe faltar, tanto pela pressão em sua barriga quanto dos olhos que o capturaram.
Tudo o que saia da boca do garoto eram palavras gaguejadas e sons incoerentes.
"As palavras simplesmente não saem. Eu quero dizer tudo a ela, gritar, mas eu não consigo. Por quê ? e se ela não sentir por mim o que eu sinto por ela ? ela provavelmente vai rir na minha cara e dizer algo como 'eu não quero nada como uma aberração como você. Além de se transformar em uma garota, você atrai o caos aonde quer você que vá!' Ouvir isso vai ser horrível, especialmente se for a Akane. Se eu não disser nada, ela fará o mesmo. Pelo menos assim eu conseguirei ficar perto dela ou algo assim."
— Akane, eu... não sei do que você está falando.
Ranma conseguiu desviar o olhar e não viu quando os olhos de sua ex-noiva ficaram úmidos e encobertos pela sua franja.
Akane por sua vez, sentiu seu coração sendo despedaçado pela segunda vez em menos de uma semana.
Por alguns segundos ela pensou que ele finalmente havia criado coragem o suficiente para dar um passo a frente. Ela não estava pronta para perdoá–lo, porém, se ele se mostrasse realmente sincero e parasse de esconder as coisas, ela poderia lhe dar uma segunda chance. Assim, todas as aventuras e loucuras vividas pelos dois, teria valido a pena
"Talvez sejahora de seguir em frente."
— Já que você fez sua despedida, eu também irie fazer a minha: adeus, Ranma.
Akane soltou os punhos do Ranma, tirou os joelhos de sua barriga, se levantou e praticamente se arrastando, foi em direção a porta.
"COVARDE! COVARDE!" gritava a voz dentro da cabeça de Ranma. "Você não é nada além de um covarde! ela praticamenteimplorou, e o que você fez ? nada !"
"Ela não implorou por nada. Ela não tem motivo algum para fazer isso. Você sabe muito bem que ela não gosta de mim."
"Como você pode ter certeza se nunca perguntou ? se você não perguntar agora, nunca mais terá outra oportunidade. Ou será que você prefere vê-la junto com o Shinnosuke ?"
"É claro que não."
"Pois é exatamente isso que você está fazendo. Você conseguiria viver vendo-a no braços de outra pessoa, sabendo que poderia ser você ?"
Por um breve instante, Ranma imaginou como seria se Akane tivesse outro homem em sua companhia.
Ela parecia mais velha, talvez 25 ou 26 anos. Não havia mais sinal da aparência de menina, em seu lugar, se encontrava uma mulher madura, com os cabelos um pouco mais longos que os atuais, o rosto mais fino, definido e com as curvas de seu corpo bem mais evidentes agora. Em resumo, era tudo o que um ele poderia desejar.
Ranma olhou em volta e percebeu que estava dentro de um dojo cheio de estudantes, e ninguém do que a própria Akane era a responsável pela aula. Os alunos não passavam de crianças, provavelmente não passava de uma aula básica.
Quando a aula foi encerrada e os alunos dispensados, duas crianças, um menino e uma menina, permaneceram no dojo. As duas correram em direção a professora e gritaram juntas 'Mamãe!' e abraçaram
"Mamãe ?" pensou Ranma, surpreso.
— Podemos ficar para assistir a próxima aula ?
— Claro que podem. Avisem o seu pai que a aula básica já terminou, ele deve estar na sala. Os alunos intermediários devem chegar a qualquer momento.
A dupla disparou como se estivesse em uma corrida de cem metros rasos e desapareceram pela porta.
— Elas são lindas, não são ? — Akane perguntou.
Ranma levantou uma sobrancelha e olhou de uma lado para o outro, procurando a pessoa com quem Akane falara.
— As crianças, Ranma, eu estou falando delas.
Vendo a expressão confusa do rapaz, ela começou a gargalhar.
— Mesmo depois de todos esses anos você continua o mesmo idiota de sempre. — Não havia nenhum traço de ofensa em sua voz.
As crianças entraram no dojo instantes depois, ambas sendo carregadas por um homem que Ranma não conseguiu identificar.
— Papai, a mamãe deixou a gente acompanhar a próxima aula. Podemos ficar ?
— Só se vocês prometerem se comportarem.
— Nós prometemos.
— Então sentem em canto quando os alunos chegarem.
O homem colocou gentilmente as duas crianças no chão, foi até Akane e a beijou calorosamente nos lábios.
Ranma ficou com face torcida em ódio puro ao ver o beijo. Ele fechou as mãos com tanta força, que foi um milagre as unhas não encravarem em suas palmas.
— Você pode me ajudar no aquecimento, querida ? — O homem perguntou assim que eles se separaram.
— Com muito prazer.
— Eu estou muito feliz de ter me casado com você. Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Eu te amo Akane.
— Eu também te amo, querido. Você me fez a mulher mais feliz do mundo ao me dar essas duas crianças. Eu não poderia pedir por mais nada.
O desconhecido passou por Ranma como se ele nem existisse, enquanto queAkane, parou bem a sua frente. Ela ainda carregava um sorriso no rosto. Na verdade, Ranma nunca a vira tão feliz antes.
— Poderia ter sido diferente. Poderia ter sido você.
Uma única lágrima cais do olhos de Ranma e todo o mundo se partiu. Ele poderia nadar do Japão até a China, lutar contra ogros, fantasmas e artistas marciais super poderosos. Ele até mesmo se jogaria em poço cheio de gatos. Mas agora, ver Akane nos braços de outro homem que não fosse ele, era um pesadelo além de sua imaginação. Ele não sabia o motivo, mas com certeza sabia que ele se tornaria realidade se não fizesse nada a respeito.
Ranma se levantou em um único salto, totalmente disposto a mudar o curso da história.
Akane ainda caminhava em direção a saída e ele correu como se sua vida dependesse disso. De fato, sua vida e sua felicidade dependiam.
De maneira alguma ele deixaria acontecer o que ele imaginou, quanto mais deixar alguém beija–la e ter filhos com ela. Isso não iria aconter. Não enquanto ele ainda tinha chance, mesmo que mínimas,de impedir esse desastre.
"Eu não sei se eu conseguirei viver vendo isso que eu imaginei acontecendo de verdade. Eu prefiro morrer ao assistir essa cena novamente. O que foi que eu fiz ? eu preciso dizer ela. Por favor, que ela me aceite. Eu preciso que ela me aceite, eu preciso dela! do contrário, eu não saberei mais o que fazer."
Akane ficou surpresa ao sentir um par de braços a envolvendo pelas costas.
— Ranma ? o que você pensa que está fazendo ? me solta.
— Não. Eu não posso deixar você ir embora. Não desse jeito.
— Do que você está falando ? me larga, Ranma !
Akane acertou cotoveladas nas costelas do garoto, mas ele agiu como se não tivesse sentido nenhum golpe.
Em vez de soltar, Ranma apartou o abraço como se Akane fosse desaparecer a qualquer minuto.
— Eu não posso. Eu tenho que te contar a verdade, como eu me sinto, mesmo que as coisas não aconteçam como eu quero. Somente agora eu percebi algo importante, por isso eu preciso te dizer.
Akane parou no instante que ouviu o tom de suplica da voz do seu ex-noivo.
— Me desculpe, Akane. Eu deveriater dito isso mais cedo, mas eu fui um covarde. Eu nunca consegui te dizer nada disso porque eu estava com medo. Medo de, entre outras coisas, rejeição. Na verdade eu ainda tenho, só que se eu não disser isso agora, eu sinto que vou me arrepender pelo resto da minha vida.
— Esses dias em que eu fui ignorado foram horríveis. Isso não tem nada a ver com ego o qualquer outra coisa, isso é porque você é muito importante para mim. Mas do que você pode imaginar e mais do que eu sempre estive disposto a admitir.
— Eu tenho que confessar que, incialmente, eu não tentei acabar com o noivado por causa da honra de nossas famílias, e você já me ouviu falando sobre honra hoje. No começo eu procurei te proteger apenas por obrigação, e não porque eu me importava.
— Eu não sei dizer exatamente quando isso começou, acontece que em determinado momento não era só mais por obrigação que decidi ficar. Eu sei que muitas vezes eu agi como se isso não fosse verdade, mas acredite em mim, eu quero ficar ao seu lado.
— A razão de eu nunca ter dito nada assim, é porque fazendo isso, eu tive medo de ficar mais fraco. Eu tenho que agradecer o meu velho por essa. Só que agora o medo de te perder para sempre é maior do que o de ficar mais fraco ou qualquer outro.
— Antes de eu vir para cá, minha vida girava em torno das artes marciais. Não conseguir derrotar um oponente era um pesadelo; Ficar preso em minha forma feminina era um pesadelo. Isso mudou. Minha vida gira em torno de você agora, você é parte dela. E eu não consigo imaginar como ela seria sem você, além de um pesadelo. Te perder de qualquer forma que seja é um pesadelo.
— Eu gosto de você, Akane. Muito. Principalmente seu sorriso. Eu não sei explicar, mas toda vez que vejo você sorrir, vejo você feliz, eu também sinto o mesmo. Isso sempre me faz lembrar que eu sempre estarei disposto a fazer qualquer coisa por você, até mesmo arriscar minha vida. Você se lembra do que fiz Ryugenzawa.
— Eu não sei se é isso mesmo, mas se o sentimento de querer de proteger, de querer viver ao seu lado e fazer tudo para te ver feliz, então é isso. Akane Tendo, eu, eu, eu te a...
"DROGA!!" Ranma respirou fundo e dessa vez sem gaguejar afirmou:
— Akane Tendo, EU TE AMO! agora e para sempre. É por isso que eu não posso deixar você ir embora. Fique comigo, por favor.
Akane tentou em vão segurar as lágrimas que agora corriam soltas pelos olhos. Seus lábios tremiam bem como quase todo o seu corpo. Seu coração entrou em ritmo acelerado e sua respiração ficou irregular. Ranma pareceu ter sentido a tremedeira, já que Akane sentiu o abraço sendo apertado.
"Ele disse... ele disse que me ama. QUE ME AMA ! como ? isso deve ser um sonho ou ele deve estar mentindo. Eu preciso saber."
Akane se livrou dos braços que a seguravam e virou-se para o dono deles. Ele olhava diretamente nos olhos dela, com traços de lágrimas em seus próprios.
"Ele estava chorando ?"
A garota levantou uma das mãos e a pousou no rosto do rapaz.
— Ranma, é verdade tudo isso que você me disse ? "Diga que é, por favor."
Ranma fechou os olhos e pôs suas próprias mãos por cima das mãos que tocavam seu rosto, sentindo o seu calor. Concentrando-se no toque em sua face, ele se focou para achar as palavras certas.
"Eu não vou fazer besteira dessa vez. Sem atitudes covardes."
Ele abriu os olhos respondeu com toda a certeza do mundo:
— Cada palavra. Eu te amo, Akane. Eu vou repetir quantas vezes forem necessárias para você acreditar em mim.
Akane sentiu outra onda de lágrimas atravessando os olhos. Ela ainda não conseguia acreditar que era verdade. Ela esticou o pescoço e inclinou a cabeça levemente para o lado. Se isso fosse realmente um sonho, ela iria acordar agora.
Por mais tapado que fosse, Ranma entendeu o gesto e imitou o movimento.
Quando estavam bem próximos, fecharam os olhos e tentaram esconder o nervosismo e todas as incertezas que sempre os afastaram, e sempre fizeram dizer coisas de qual sempre se arrependeram pouco tempo depois.
E então seus lábios se tocaram. Um beijo suave, doce e inocente. Alguém poderia dizer que não era nada demais, mas pra dois adolescentes que viviam sob pressão constante, com sentimentos reprimidos e inexperientes no assunto, foi uma sensação completamente nova e maravilhosa, que ficaria para sempre gravada na mente dos dois.
Akane e Ranma se separaram e abriram os olhos para terem certeza de que tudo era real. Depois de longos minutos de silêncio, Akane começou a rir e foi seguida por Ranma.
— Ei, Akane. — Ele a chamou. — Isso significa que eu estou perdoado ?
— Bem. — Ela fingiu pensar por alguns segundo e respondeu sem esconder o sorriso. — Acho que sim.
— E isso significa que você gosta de mim, certo ? nem que seja só um pouquinho, não é ?
— Ranma ! como você perguntar uma coisas dessas ? é claro que eu gosto de você, que eutambém te amo. Mesmo sendo um idiota, arrogante e egocêntrico, você tem um lado doce que poucas pessoas conseguem ver. Você sempre tenta ajudar as pessoas mesmo quando elas não querem ou não merecem.
— A verdade é que eu também não tive coragem de dizer nada com medo de que você não gostasse de mim. Eu não gostei nem um pouco de você no começo. Muitas coisas aconteceram para que eu não tivesse uma boa opinião sobre você, sem contar, é claro, com as outras garotas que ficam se atirando em você toda hora. Eu não queria fazer esse tipo de papel, por isso eu preferi não me comportar como elas. Eu sempre achei que era a que tinha a menor chance, quero dizer, você praticamente faz tudo o que a Ukyo e a Shampoo pedem e não perde uma oportunidade para me insultar. Eu fico possessa quando eu vejo isso. Você deixa que elas fazerem o que quiserem com você.
— Veja quem está falando ? você beijou o Ryoga.
— Eu não o beijei, ele me beijou. Eu fui pega de surpresa. E você que fica se agarrando com suas outra noivas ?
— Eu não faço nada, são elas que ficam me agarrando.
— Idiota !
— Feia !
— Babaca Insensível !
— Mula teimosa !
Os dois rangeram os dentes e trocaram olhares ferozes por alguns segundos, até que abaixaram as cabeças, e envergonhados, pediram desculpas um ao outro.
— Como é que nós podemos pensar em ter uma relação se não conseguimos ficar um minuto sem brigar ? — Akane perguntou.
Depois de minutos sem troca alguma de palavras entre os dois jovens, Ranma olhou para sua noiva e lhe deu o seu sorriso arrogante/confiante característico.
— Eu tenho uma ideia. — Ranma estendeu a mão, oferecendo-a para Akane. — Ranma Saotome, muito prazer.
Akane não entendeu de primeira o gesto. Somente quando Ranma sacudiu a mão, ela entendeu o que eleestava tentando fazer. No entanto, uma outra ideia veio a sua cabeça. Ela se posicionou em frente o garoto e o agarrou pela jaqueta. Em seguida girou o corpo, ficando de costas, e usou uma das pernas como alavanca pra jogá–lo por cima de seu ombro, direto no chão. Finalizando o movimento, Akane deitou no chão, esticou um dos braços de Ranma em sua direção e cruzou as pernas na base do braço. Uma chave de braço digna de profissional faixa preta.
— Você ficou maluca ? Você vai quebra o meu braço ! — Ranma reclamou enquanto tentava se libertar.
— Ótimo. Essa é a intenção. Que história foi doida foi essa de entrar aqui no dojo para lutar comigo.
— Eu vi o Happosai e tive essa ideia dos discípulos. Foi a única coisa que me veio a cabeça para tentar fazer você falar comigo. Admita que foi uma boa i... ARGH ! meu braço !
— Essa ideia foi horrível e esse é troco dela. Bata três vezes no chão e diga que eu sou melhor que você.
— Nun... — Ele engasgou quando Akane esticou mais ainda seu braço. — Pare com isso, Akane!
— Bata.
— Nã... ARGH!! tudo bem, eu bato.
Ranma deu três pancadas sonoras no chão do dojo e tentou se livrar mais uma vez, porém sem sucesso.
— Agora diga que eu sou melhor.
— Eu tenho mesmo que... — Ele engasgou novamente. — Tudo bem, tudo bem, você venceu. Eu admito que você está no mesmo nível... ARHG! eu admito que você é melhor que eu. Pronto, satisfeita ?
Akane o soltou. Quando se levantou, começou a saltar pelo dojo
— HAHA! eu venci ! — ela gritava de alegria.
"Isso vai ter volta." Prometeu o garoto.
Assim que cessou sua comemoração, ela foi até o perplexo garoto e lhe estendeu a mão.
— Ei, você deitado no chão do meu dojo, eu sou Akane Tendo, herdeira da escola Tendo de Artes Marciais. Quer ser meu amigo ?
Ainda surpreendido, Ranma aceitou a mão oferecida e respondeu :
— Sim, eu gostaria de ser seu amigo. Eu sou Ranma Saotome, herdeiro da escola Saotome de Artes Marciais e melhor artista marcial da minha geração.
— Sério ? segundo quem ?
— Ninguém nunca provou o contrário.
— Hum, eu gostaria de ver do que você é capaz.
— Eu posso te mostrar alguns golpes. Sabe, eu não moro muito longe daqui, eu poderia vir te visitar e te mostrar o caminho do chão se você quiser.
— Vai sonhando. Você pode vir aqui a hora que quiser, só que eu quero alguma coisa em troca.
— E o que você quer em troca ?
— Bem... seria legal se você melevasseemumencontro. — Akane teve a impressão que seu rosto estava em chamas tamanho era seu embaraço.
— HÃ ?!
— Um encontro, idiota ! eu quero que você me leve em um encontro.
— O QUÊ?! como ? encontro ? assim ? tão de repente ?
— É-é uma troca justa não a-acha ?
— B-bem, eu não sei. Acho que sim. É que eu fui pego de surpresa, só isso. Quando você quer ir, amanhã ?
— Sério mesmo que você vai me levar ?! eu não acredito!
— O que você quer dizer com isso ? foi você quem pediu, ora.
— Sim, mas eu pensei que você fosse amarelar.
— Ranma Saotome jamais amarela. Nós vamos em encontro amanhã e ponto final.
— Amanhã não vai dar, é o dia do torneio. Que tal marcamos para semana que vem ?
— Por mim tudo bem. Agora, só uma pergunta, você quer um encontro completo ? eu quero dizer, com tudo ? no final nós vamos...
Ranma não teve que completar a frase para que Akane entendesse o que ele implicará. E mais uma vez uma vez seu rosto ficou ruborizado.
— Eu não sou o tipo de garota que beija no primeiro encontro. Portanto, pode tirar o cavalinho da chuva.
— Por que eu ia querer beijar uma garota com você ?
— Raaanmaaa...
— É brincadeira, Akane. É brincadeira. Céus! você precisa aprender a entender uma piada. Me desculpe.
— Controle sua boca da próxima vez ou eu não controlarei meu punho.
— Violenta e feia como sempre.
— Idiota e transexual como nunca.
E mais uma vez os dois explodiram em gargalhadas.
— Então acho que tudo está resolvido. Posso ir agora ?
— Um momento.
Akane foi até o garoto e o abraçou como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo.
— Obrigado por tudo, Ranma.
— De-de nada. — Dessa vez foi Ranma quem ficou com a face corada por causa da demonstração de afeto.
— Você pode ir embora agora. Eu espero vê-lo amanhã torcendo por mim.
— Conte comigo. Eu não perderei esse torneio de alto nível por nada no mundo.
— Bobo.
Ranma saltou em direção a janela, e em uma ultima olhada para dentro do dojo, Akane sorriu mais uma vez para ele, o mesmo sorriso o fazia derreter por dentro. Ele não perdeu tempo e retornou o gesto para sua amiga.
Talvez esse fosse o sinal de que finalmente as coisas melhorariam dali para frente.
—
Akane se encontrava em estado de êxtase dentro do salão de treino, e nem percebeu sua irmã espionando toa a cena. Como era de se esperar, Nabiki Tendo carregava uma câmera fotográfica nas mãos.
— Eu não acredito, Akane ? depois tudo isso você se contentou apenas com um único beijo ? você tem muito que aprender ainda. Bem, o que eu devo fazer com essas fotos agora? — Ela ponderou.
— Eu acho que a decisão mais correta sábia seria me entregar a câmera.
Nabiki deu um salto de suto e deixou a maquina cair no chão, danificando a lente.
— Ka-Kasumi ?
— Nós já conversamos sobre isso, Nabiki.
— Eu não estava fazendo nada de errado. Eu juro.
— É claro que você não estava fazendo nada. Por isso mesmo eu vou deixar quevocê lave sua própria roupa essa semana.
— Ah!Por favor, Kasumi.
— Boa noite, maninha.
E assim Kasumi entrou dentro de casa carregando a câmera quebrada, e um largo e caloroso sorriso no rosto. Ela assim como Nabiki, acompanhou toda o desfecho, porém de um lugar diferente.
"Dependendo de como as coisas caminharem na semana que vem, talvez seja hora de o papai conhecer seu genro mais velho."
—
Em outra parte de Nerima, dentro de um restaurante especializado em okomiyaki...
— Ryoga, será que você poderia repetir aquilo que você fez ontem a noite. Foi tão bom.
— Sem problemas.
— Eu vou tomar um banho e trocar de roupa. Assim que você terminar, venha se juntar a mim. Há dias que eu não me sentia tão bem.
— Será um prazer. Pelos gemidos que saiam da sua boca, acho que estava fazendo a coisa cer...
A voz de Ryoga foi cortada pelo som da porta do estabelecimento sendo fechada com força. Aparentemente algum cliente ouviu a conversa entre os dois funcionário e saiu correndo.
— O que foi isso, Konatsu.
— Com todo o respeito, Ryoga e senhorita Ukyo, vocês deveriam tomar mais cuidado com o que falam. As pessoas podem ter a ideia errada de vocês dois.
— Errada ? eu estava falando da massagem que o Ryoga me deu ontem a noite.
— Eu sei, porém, os sons que se ouviam do corredor poderiam facilmente ser confundidos com outra coisa. Eracomo se vocês estivessem em, podemos dizer, contato mais íntimo.
— KONATSU !
— Perdão, senhorita Ukyo. Em momento algum eu quis te ofender.
— Tudo bem. Eu estou subindo agora, eu preciso relaxar um pouco
Já no andar de cima, ela sussurrou :
— Eu e o Ryoga juntos, fazendo aquilo ? que loucura !
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