O Torneio

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Esse capítulo ficou mais longo do que deveria. Da próxima vez que isso acontecer, eu acho que vou ter obrigado a dividi-lo dois, mesmo que eu tenho que aumentar o numero de capítulos previstos. Agradecimentos a Higurashi Shizuma pela nova foto da capa.

Ryoga estava perdido. Isso era normal. Afinal, o que você espera de uma pessoa que não consegue achar o caminho correto mesmo que ele seja apenas uma linha reta.

Como era de se esperar, seu objetivo era visitar a casa da família tendo e, em um ato que ele consideraria hercúleo, declarar todo o seu amor para Akane Tendo. Embora ele já não tenha mais certeza se essa é a coisa certa a se fazer agora.

Há algum tempo atrás, Akane era a única garota de sua vida. Isso mudou com a aparição de Akari Unryu. Seu coração estava em um encruzilhada. Enquanto Akari já tenha dado claros sinais de que tem sentimentos por ele (e ele por ela), Akane ainda era um mistério. Isso é claro, levando em consideração seu lado humano, porque o porquinho conhecido como P-chan, era seu objeto de afeto. Um fator que pesava a favor de Akane, foi que ela lhe deu amor e afeto quando ele só conhecia o ódio e a vingança. É claro que ele estava em sua forma amaldiçoada quando esse fato aconteceu.

— O que eu devo fazer ? e mais importante, onde eu estou ? aquele rapaz que eu encontrei a duas semanas atrás, disse que esse era o caminho para Tokyo. — Ryoga suspirou, frustrado.

— Isso tudo é culpa do canalha do Ranma. Eu vou transforma sua vida em um inferno assim que eu te encontrar! Eu vou fazer vo...

Ryoga foi interrompido de seu discurso de vingança por um coro de vozes femininas.

— Até que enfim um pouco de sorte. Talvez elas possam me ajudar.

O garoto de bandana seguiu a direção (milagrosamente sem se perder) de onde ele achou que vinham das vozes e encontrou a fonte dos ruídos. O ele encontrou não era bem o que ele esperava. Ele viu duas garotas armadas saltando no ar e uma terceira parada no chão, que aparentemente estava desarmada.

Ryoga não iria interromper o combate. Anos vivendo na estrada lhe ensinaram a não se meter nos problemas alheios. Mas havia alguma coisa estranha. Todas as garotas lhe pareciam familiares, inclusive a que estava desarmada. Seu cabelo era curto em um tom de azul escuro e ela estava vestida com um gi de karate. Como ela estava de costas, Ryoga não conseguiu ver o seu rosto, mas sabia que havia algo de diferente naquela garota. Ele sentiu um vontade imensa de interferir na luta, sem contar com a voz que apareceu dentro da sua cabeça dizendo para não deixar essa garota se machucar.

Ryoga era uma pessoa que confiava em seus instintos. Como um animal que selvagem que na floresta, ele aprendeu que sua sobrevivência dependia de seus instintos.

Ele próprio se impressionou com a velocidade em que ele se moveu e alcançou a garota. Ryoga pôs as mãos em sua cintura e a puxou para trás.

"Essa foi por pouco."

— Se importam em me dizer o que está acontecendo aqui garotas ?

Ukyo e Shampoo ficaram atônitas sem entender o estava acontecendo e Akane parecia tão surpresa quanto elas. A chefe e a chinesa tiveram que esfregar os olhos para acreditar no que acabara de acontecer.

— Não acham que é um pouco de covardia demais o que vocês estão fazendo ?

— Ryoga ? O que você está fazendo aqui ? — Ukyo indagou, ainda surpresa.

— você me conhe... Ukyo ? Shampoo ? o que vocês estão fazendo aqui em Okinawa ?

— Okinawa ? nós estamos em Nerima.

— Como assim nós estamos em Nerima ?

— Eu não estou com tempo para conversar. Se afaste da Akane agora.

— Akane ? — "Onde ?" Ryoga olhou de um lado para o outro, procurando por sua amada.

— Ryoga, eu estou aqui. — O garoto de bandana procurou a origem da voz a encontrou em seus braços.

— A-a-akane ? — Ryoga corou imediatamente e seu coração disparou. Por um momento ele se esqueceu de tudo, era um sonho virando realidade. As estrelas pareciam estar com um brilho mais intenso, a lua parecia maior e mais bonita e Akane envolvida em sues braços.

O garoto foi tirado do mundo da fantasia quando uma espátula gigante colidiu com sua cabeça.

— Corta essa, Idiota !

— Isso não foi legal da sua parte, Ukyo. Vocês duas pareciam estar se juntando para atacá-la. Se esse for o casso, eu vou ter que juntar a luta também.

— Ei, Ryoga, eu sei me defender. — Akane reclamou, se soltando do garoto

"Isso não é nada bom." Ukyo pensou. "Ryoga é um caras mais fortes de Nerima junto com o Ranma. Ele parece não ter sentido o golpe que eu acertei bem na sua cabeça e agora ele diz que vai proteger a Akane. Droga, eu não tenho chance alguma contra ele mesmo com a ajuda da Shampoo."

A chefe olhou para o lado. Shampoo não havia dito uma palavra e parecia estar em busca de uma brecha.

"Será que ela vai tentar lutar contra o Ryoga ?" Ela olhou mais uma vez a chinesa e uma ideia passou pela sua.

"Sim, é claro. Isso vai significar rival a menos."

— Shampoo, docinho, eu lembrei que tenho algo muito importante para fazer. Se divirta com a Ryoga e a Akane.

Ukyo foi embora correndo e logo recebeu a companhia de sua 'garçonete' Konatsu. Ele esteve de longe observando o conflito e não interferiu a mando de sua chefe.

— E então Shampoo, vai me dizer ou não o que estava acontecendo aqui ?

— Garota pervertida fazendo airen fazer coisas que ele não querer fazer. Shampoo lutar com ela e proteger airen.

— Eu não estou fazendo nada disso, mas se você quiser lutar a gente faz isso agora mesmo.

Shampoo avançou contra Akane e tentou golpeá-la com seu chuí. Antes disso, Ryoga agarrou Akane e saltou para trás. A chinesa tentou correr atrás dos dois, porém viu que seu corpo sendo envolvido por diversos segmentos de metal e caiu no chão.

— MOUSSE! — Ela gritou. — O que pensar estar fazendo com Shampoo ?

— Você não pode lutar contra ele, Shampoo. — Mousee estava escondido junto com Konatsu e usou as correntes que ficam escondidas nas mangas de sua robe para parar garota chinesa.

— Shampoo não fugir de luta.

— Não se trata de fugir da luta. O que você vai acontecer se o Ryoga entrar na sua luta contra a Akane e te derrotar ?

— Aiya! — Foi tudo o que Shampoo conseguiu dizer após seu cérebro processar toda a informação. — Shampoo não querer casar com garoto-porco. Mousee tirar as correntes de Shampoo para ir atrás de bisavó. — O garoto míope retirou as correntes para que ele e sua companheira fossem atrás da ancião

Tanto Ryoga quanto Akane respiraram aliviados quando os dois chineses foram embora, entretanto, um terceira figura apareceu imediatamente.

— Será que eu estou interrompendo alguma coisa ? — Pelo tom de voz podia-se notar que pessoa não estava alegre.

— Ranma ? — a dupla perguntou junta.

Ranma começou a rosnar quando viu a posição em que os dois se encontravam. Ryoga ainda segurava Akane pela cintura, pressionando-a contra seu corpo.

— O que você está fazendo com a minha noiva ?!

— Vai com calma, Ranma. Se não fosse por mim ela poderia estar bem machucada agora.

— Você espera que eu acredite vendo isso? — Ranma apontou, dano ênfase a posição em que os dois se encontravam. Ryoga e Akane trocaram olhares e se separaram, visivelmente encabulados.

— Me desculpe, Akane.

— Não precisa se desculpar, você me ajudou. Muito obrigado.

O garoto de banda foi ao paraíso com o elogio e suas bochechas ficaram vermelhas. subitamente, sues pés pareciam um lugar bem interessante para se olhar.

— EI! Eu ainda estou aqui. — Ranma quase gritou.

— O que ele disse é verdade, Ranma. Ele meio que me ajudou quando a Ukyo e a Shampoo me atacaram.

— Sério ? — Ele retrucou, sarcástico. — Eu não estou vendo nenhuma das duas aqui. Além do mais, você parecia estar se sentindo bem confortável antes da minha chegada.

— O que é que você está insinuando, Ranma ? — Akane fez uma careta para o seu noivo.

— Eu não vou permitir que você faça esse tipo de comentário sobre a ela.

— Fique fora disso, porquinho. — Ranma se virou para a Akane. — Não por isso que você está treinando ?

Akane ficou um pouco envergonhada e olhou para o chão.

— Parece que eu tenho que treinar mais. — "Treinar ?"

De repente, uma ideia se formou em sua cabeça.

— Você vai se arrepender por ter me xingado, Ranma. Prepare-se para morrer !

A garota entrou no meio dos dois lutadores antes que eles começassem mais uma de suas muitas brigas.

— Parem agora mesmo! — Ela se virou para o garoto de rabo de cavalo. — Ranma, você é um gênio.

— E-eu sou ? é claro que eu sou.

— Ryouga, você poderia me ajudar a treinar para uma torneio de artes marciais ?

— O QUÊ ?! — Ranma gritou sem acreditar no que acabara de ouvir. — VOCÊ NÂO ESTÁ FALANDO SÉRIO, AKANE ?

Akane ignorou seu noivo histérico e explicou toda a sua situação para o garoto sem senso de direção.

— Será uma honra poder te ajudar, Akane.

— Ótimo. Tudo decido então.

Ranma ainda estava em estado de choque. Ele era o responsável pelo treinamento de sua noiva. Somente ele.

— M-mas Akane. — ele gaguejou. — Não é isso que eu estou fazendo ?

— Sim, é verdade. Contudo, não há ninguém para me fazer companhia no seu horário de trabalho.

Ranma começou a pensar no que ele poderia dizer. De maneira alguma ele iria deixar sua noiva com seu rival. Para ele muita coisa poderia acontecer enquanto os dois estivessem juntos. Coisas que ele preferiria nem imaginar.

— Você não pode treinar com ele, Akane.

— Me dê um motivo ?

— Por que... Por que ...

— Não há motivos, Ranma. Ryoga eu vou falar com o papai e avisá-lo que você vai passar uns dias lá em casa. Eu tenho certeza que ele não vai se importar. Vamos andando.

Akane e Ryoga começaram a andar em direção ao dojo conversando sobre os lugares que o garoto de bandana visitou. Vendo que Ranma ainda não havia se movido, Ryoga olhou para o seu rival e sorriu maliciosamente. isso fez o sangue do garoto de rabo de cavalo ferver e em instantes, ele estava pronto para atacar seu rival, mas foi impedido pela sua noiva.

— Vocês dois não vão brigar. — Ela disse em um tom final.

— Você não vai me dar ordens.

— Se você não se comportar, eu vou falar com a sua mãe.

Ranma recuou.

— Isso não é justo, Akane. Minha mãe não precisa ser envolvida nessa história.

"Minha mãe! droga!"

Tanto Akane como Ryoga ficaram confusos quando Ranma girou os calcanhares e saiu correndo.

Shampoo saltava de telhado em telhado procurando por sua bisavó. Não demorou muito e ela a viu passando por um telhado próximo.

— Bisavó!— Ela chamou em sua língua nativa. — O que aconteceu com senhora ? — Cologne estava com diversos cortes espalhados pelo corpo. O pior de todos era o corte acima do olho esquerdo, no supercilio.

— Eu estava apenas me divertindo um pouco, criança. Nodoka Saotome é uma mulher incrível. É uma pena que ela não faça parte de nossa tribo.

— Foi ela quem fez isso com a senhora ?

— Sim. Isso só me deixou mais interessada ainda no genro. Quanto mais cedo o levarmos de volta para a China, mais rápido conseguiremos colocar nosso plano em prática. Eu tenho algumas ideia, mas não posso colocá-las em prática agora. Eu preciso ficar de olho na mãe genro para ter certeza que ela não irá desconfiar de nada.

— Mãe! — Ranma gritava procurando por ela.

Depois de alguns minutos de busca, ele a encontrou bem próxima a clareira em que ela e Cologne usaram para lutar.

— Você está bem ? onde está a Cologne ?

Nodoka bateu o tecido de seu kimono para tirar a poeira e respondeu:

— Ela foi embora. Nós decidimos declarar um empate em nossa disputa. Eu estou bem, um pouco dolorida, mas bem. Há tempos que eu não lutava desse jeito. A ultima vez que isso aconteceu, foi antes de eu descobrir que estava grávida de você.

— Isso foi incrível, mãe. Eu não sabia que a senhora sabia lutar. O velho nunca me falou nada sobre isso. Para falar a verdade, ele nunca falou nada sobre a senhora. — Ranma abaixou a cabeça, envergonhado por não saber nada sobre a sua própria mãe.

— Não fique assim, querido. Agora que nó estamos juntos novamente, vamos ter bastante tempo para conversar e nos reaproximarmos. Mudando de assunto, onde está a Akane ?

— Ela está bem e já está a caminho do dojo. "Junto com o maldito garoto-porco."

— Vamos embora que estou um pouco casada.

Em vez de pular pelas árvores e telhados, os dois caminhavam lentamente. Ranma percebeu que um vez ou outra sua mãe fazia um careta de dor e diminuía a velocidade dos passos. Vendo a expressão de preocupação de seu filho, Nodoka falou:

— São mais de 16 anos sem uma luta tão intensa como essa e Cologne não era um oponente qualquer. Isso sem contar com a quantidade de ki que eu tive que usar. Uma boa noite de sono vai ser o suficiente para eu me recuperar.

— Hum... mãe ?

— Sim ?

— Você gostaria que eu te carregasse ? — Ele ofereceu.

Nodoka pensou em recusar. Ela não queria causar incomodo alguma ao seu filho, entretanto, se eles continuassem a caminhar nesse ritmo, iriam demorar um dobro de tempo necessário para chegar em casa.

— Você faria mesmo isso , filho ?

Ranma respondeu erguendo sua mãe em seus braços. Nodoka ficou surpresa inicialmente, mas logo se encontrou desfrutando da carona.

— Eu estou tão feliz que você voltou, Ranma. Eu senti tanto a sua falta.

— Eu também mãe, eu também.

Nodoka fechou os olhos e dormiu em seguida, com um largo sorriso de satisfação no rosto.

No dia seguinte.

— Existe alguma coisa te incomodando, Ranma ? — Tofu indagou. Ele viu Ranma fazer uma careta e sua aura de batalha ficar visível.

— Não há nenhum problema, doutor. Nenhum.

O médico levantou um sobrancelha e continuou:

— Tudo bem, eu acredito em você. Será que você poderia ao menos esconder sua aura ? ela pode acabar assustando algum paciente.

Ranma fechou os olhos e respirou fundo, se acalmando instantes depois.

— Me desculpe.

— Não tem problema. O que aconteceu para você ficar assim ?

— Não é nada.

— Vamos lá, Ranma. Talvez eu possa te ajudar. Você sabe que pode confiar em mim.

— Eu não sabia que o senhor era psicólogo.

— E eu não sou. Eu apenas tenho um bom ouvido para ouvir os problemas dos outros.

— Não é bem um problema, é apenas algo que está me incomodando um pouco. Ontem a noite, durante o treino com a Akane, aconteceu um grande confusão que foi seguida por algumas lutas. O Ryoga apareceu no meio de tudo e Akane pediu para ele ajuda-la no seus treinos.

— E ?

— Como assim, E ? eu já não estou fazendo isso ? ela não precisava ter pedido ajuda para ele.

O médico pensou por uns instantes com a informação que lhe foi passada. Ele queria rir, mas preferiu não faze-lo temendo que Ranma tomasse isso como um ofensa. O quiropraxista sabia exatamente o que o garoto estava sentindo, por isso, ele procurou responder da maneira mais casual possível.

— Eu sei o que você está sentindo, Ranma. Isso se chama ciúme.

— Ciúme ? — Ranma ficou surpreso e nervoso. Ele tentou manter a compostura e firmeza na voz, porém, não estava sendo uma tarefa fácil. — Por-por que eu estaria de uma garota como a Akane ?

— É simples: você gosta dela.

— Eu não gosto dela ! — Ranma bateu com as palmas das mãos na mesa com as anotações, fichas dos pacientes e outros itens do consultório. — E-eu nun–nunca vou gostar de alguém violenta como ela.

Tofu não ficou nem um pouco um pouco surpreso com a reação do artista marcial e continuou.

— Vamos colocar isso de outra maneira. Akane é alguém importante para você e você se importa bastante com ela. E não me diga que é mentira, porque se isso fosse verdade, você não teria feito metade das coisas que eu sei que você já fez por ela.

Ranma ficou em silêncio ouvindo o médico.

— Não diga também que é porquê é sua obrigação como noivo dela. Você poderia muito bem ter conversado com seus pais e o sr. Tendo para anular o casamento ou simplesmente trocar de noiva.

Ranma deixou seus ombros caírem. O doutor Tofu estava certo. Ele já fez bastantes coisas pela sua pela Akane e Trocar de noiva seria algo fácil já que o Soul queria apenas a junção das duas escolas.

— E se realmente eu me importar com ela ?

— Pelo que eu sei, o sr. Tendo e seu pai querem vocês dois casados o mais rápido possível. Qualquer demonstração de afeto entre vocês dois é motivo para os dois pais começarem os preparativos para o casamento. Isso com certeza deve deixar vocês bem nervosos. Mas agora que vocês dois estão tendo um oportunidade de passar um tempo sozinhos, sem nenhuma interferência. Você gosta de treinar com, Akane ?

— Bem, parece que ela está levando bem a sério o treino, então, eu estou satisfeito em ajudar. Além do mais, apesar de ainda ofendermos um ao outro, eu posso dizer que eu estou me divertindo. Mas só um pouco.

— Claro. Só que agora o Ryoga entrou na história e vocês dois não estão mais sozinhos.

— É, Ryoga ...

— Agora o ponto mais importante. O que você faria se o Ryoga desse em cima da Akane ?

Por um momento, Ranma deixou-se imaginar Ryoga abraçando sua noiva, lhe dizendo palavras doces e... beijando-a. Nos lábios. Ranma ficou com a visão vermelha e sua aura de batalha reapareceu maior ainda.

— EU VOU MATAR O RYOGA SE ELE FIZER ALGO ASSIM COM A MINHA NOIVA !!

— Se acalme, Ranma. Pelo pouco que eu sei desse rapaz, ele não parece ser do tipo que tentaria algo assim. E mais, querendo ou não, Akane ainda está comprometida com você e eu tenho certeza que ela não é o tipo de garota que faria qualquer coisa que vá ferir a honra dela ou a sua.

— Mas o que eu devo fazer ? Os dois estão sozinhos no dojo. Eu não quero... — Tofu percebeu um pouco de desespero na voz do rapaz.

— Então você admite que está com ciúmes ?

— Bem... — Ranma se sentiu perdido. O médico conseguiu mudar o curso da conversa e colocá-lo em um beco sem saída. — ... mais ou menos.

— Responda sim ou não. Só assim eu poderei ajudá-lo.

Ranma poderia mentir e fingir que nada disso aconteceu ou poderia dizer a verdade e ver o que o médico tinha para oferecer. Talvez a resposta ajude a aliviar o frio na barriga que ele sente toda vez ele pensa nos dois juntos no dojo.

— E então, Ranma ?

— Eu estou com um pouco, mas só um pouco de ciúme. — Ele admitiu. Ranma viu que o médico deu um pequeno sorriso assim que ele ouviu a resposta. — O quê ? — ele indagou, confuso.

— Sabe o que você precisa fazer ? confiar.

— Só isso ?

— Exatamente. Confie na Akane e tente mostrar isso para ela.

Akane observava atenta as diferenças entre treinar com seu noivo na forma feminina e o Ryoga. Ranma era bem mais rápido, principalmente na sua forma amaldiçoda. Já Ryoga era mais forte e seus golpes tinham um impacto bem maior. O grande problema é que mesmo o Ryoga não sendo tão rápido quanto o Ranma, ela ainda não conseguia acertar um golpe nele.

— Por que eu não consigo acertar um único golpe em você, Ryoga ? — Ele perguntou durante uma pausa. —Você não é tão rápido quanto o Ranma na forma feminina.

Antes que Ryoga pudesse responder, alguém fez isso em seu lugar.

— Isso é porquê você não está usando seu ki, Akane. — Ranma respondeu entrando no dojo.

— Ranma, você está muito atrasado. Onde é que você estava ?

— Na clínica. Apareceu um paciente de última hora que precisava de alguns cuidados especias. O doutor Tofu pediu que eu ficasse para auxiliá-lo.

— Você perdeu o jantar.

— Não se preocupe, eu jantei na clínica. Agora vamos a parte importante: existem um motivo para você não conseguir nos acompanhar. Eu e o Ryoga usamos nosso ki tanto para nos movermos quanto para golpearmos. É claro que ainda somo rápidos e fortes mesmo sem usá-lo, mas o ki faz toda diferença em uma luta.

— E como eu faço para poder usá-lo.

— O exercício de meditação que eu lhe ensinei, você tem continuou praticando ele, correto ?

— Sim.

— Ótimo. Me mostre como você tem feito.

Akane fechou os olhos e começou a se concentrar. Ela imaginou a jarro de água acima da cabeça e todo o fluxo correndo pelo seu corpo.

— Agora concentre-se no fluxo de um de seus braços. Ponha toda a sua concentração nesse ponto. A água faz parte de você. Você está vendo ela fora de seu corpo quando na verdade ela está dentro de você. O nosso ki vem de dentro para fora e não o contrário. Imagine isso.

Por vários minutos Akane fez o que lhe foi pedido. Ela imaginou a água saindo de dentro de seu corpo e correndo para o seu braço. Ela começou a sentir seu braço ficar dormente e ponto de começar a causar incômodo.

— Não perca a concentração, Akane. Mantenha a sua respiração sob controle.

Akane respirou fundo e tentou ignorar o fato de não estar sentindo seu braço direito. Pouco a pouco ela começou a senti-lo novamente. Começou com pequenos beliscos que logo foram aumentando de intensidade. Em determinando momento era como se pequenas agulhas saíssem lentamente de dentro de seu braço. Mais uma vez ela tentou ignorar a dor.

— Respire fundo.

Akane obedeceu, mas a dor não cessou. Seu braço começou a ficar tenso e ela começou a tremer. Não eram mais agulhas, eram facas que passavam pela sua pele agora. Um gemido escapou de sua boca e ela pensou em desistir daquilo tudo.

— Você está quase lá.

Ela precisava mexer o braço. Gritar, correr, bater, fazer qualquer coisa para aliviar a dor.

— AKANE!

Akane abriu seus olhos e seu instinto tomou conta completamente. Ela levantou seu braço e disparou um soco com toda a sua força na primeira que coisa que ela viu a sua frente, nesse caso, a pequena ruiva que fazia as vezes de seu noivo. Ranma já estava esperando pelo ataque e o bloqueou com a palma da mão. Os dois ficaram na mesma posição por poucos segundos até Akane cair de joelhos no chão, ofegante. A dor em seu braço estava diminuindo e ela respirou aliviada com o fato.

— O que foi isso ? — Ele perguntou ainda respirando com dificuldade.

— Isso foi seu primeiro ataque usando o seu ki conscientemente. — Ranma mostrou a palma de sua mão. Uma pequena e quase invisível trilha de fumaça sai de sua dela.

— Eu fiz isso ? Como ? O que você quer dizer conscientemente ?

— Sim, você fez isso. Você finalmente conseguiu liberar o seu ki de forma consciente. Não me diga que você acha que consegue me fazer voar pelo céus porque você é bruta como, er, quero dizer, porque você é forte ? A maioria das vezes você agiu por impulso por causa da raiva, e isso permitiu que você usasse o seu ki com mais facilidade. Entretanto essa não é maneira correta de usá-lo

— Mas isso foi doloroso demais. Meu braço parecia estar sendo rasgado de dentro para fora. Eu nunca senti isso antes.

— Isso aconteceu porque essa foi sua primeira vez e também porque você usou mais energia do que precisava ou que seu corpo pode suportar. Existe um quantidade limite que nosso corpo suporta quando estamos liberando nosso ki. Você pode aumentar essa quantidade treinando. Entretanto, antes de aumentar a quantidade, você precisa aprender controlar o fluxo do ki ou seu corpo é quem vai pagar o preço.

— Como vocês conseguem fazer isso ? Eu não posso perder esse tempo todo me concentrando em uma luta real.

Ryoga foi mais rápido e respondeu na frente de Ranma

— É algo que você vai aprendendo com o tempo. No começo é difícil, mas com o passar do tempo, você vai conseguir fazer isso automaticamente como qualquer outra coisa na vida. É como um gatilho que fica dentro da sua cabeça. Tudo é questão de treino.

— Obrigado pela explicação, professor sabe-tudo. — Ranma rosnou.

— Disponha. Eu estou aqui para ajudar, meu caro aluno. — Ele retrucou.

— Eu quero que você faça isso mais uma vez, Akane.

— Mas meu braço ainda está doendo. Será que não podemos fazer isso outra hora ?

— Não. Vamos fazer isso agora e dessa vez você vaiusar seus pés. Concentre-se no fluxo e quando você achar que é momento certo, tente usar essa força para saltar o mais alto possível.

— Você acha que isso é uma boa ideia, Ranma ? essa foi a primeira vez dela. Eu acho que você não deveria forçar a barra.

— Cala a boca, Ryoga. Eu sei o que estou fazendo. Pronta, Akane ?

Akane acenou com a cabeça e mesmo incerta, fez os mesmo passos que ela fez anteriormente, só que dessa vez concentrando–se em seus pés dessa vez. Pouco depois que começaram os beliscos, Ela decidiu soltar.

Akane não conseguiu descrever o que estava sentido. Ela se sentiu um frio na barriga e uma rápida sensação de estar livre da força que tende a puxar os objetos para o centro da Terra. Ela nunca havia se sentindo tão leve. Talvez seja assim que os pássaros se sintam quando estão voando. Akane abriu os olhos e viu que o teto do dojo se aproximava rapidamente. Ela respirou aliviada quando seu corpo começou a cair antes de atingir o teto.

— Se concentre, Akane ! Você tem que se preparar para a queda ! — Ranma avisou do chão.

"Queda ? Oh, céus!"

Akane entrou em pânico e não conseguiu se concentrar quando viu que ela estava em queda livre. Ela começou a mover os braços e as pernas em um movimento cômico, tentando imitar o bater de asas das aves.

Ryoga tentou ir ao seu resgate, mas Ranma foi mais rápido. Ele escorregou seu corpo pelo chão e o usou como amortecedor de queda. Akaneaterrisou bem em cima de sua barriga.

— Você está bem, Ranma ? — Akane indagou, visivelmente preocupada.

— Apenas saia de cima de mim para que eu possa respirar !

— Me desculpe. — Ela rolou para o lado e se ajoelho do lado do corpo da ruiva.

— No que é que... você estava pensando...Akane ? eu disse... para você se... concentrar.

— Eu me distrai um pouco. Eu sinto muito. Acho que eu não estava preparada para isso.

— Droga, Akane. — Ranma iria fazer algum comentário sobre o peso da garota, porém, a falta de ar lhe deu uns instantes a mais para pensar e ele decidiu ficar de boca calada.

— Você é um belo professor, Ranma ? eu estou com inveja de tanto talento que você tem. — Ryoga provocou.

— Cala a bo... — "Oh, minha barriga !" — a boca, Ryoga. Cala ... "Droga! Essa doeu."

Notas finais
Críticas construtivas serão sempre bem-vindas. Percebeu algum erro de português, concordância, formatação ou qualquer outro tipo? me avise para corrigi-lo. Até a próxima.