O Tigre Negro

17 Tentativa de Fuga


Notas iniciais
Obrigada à todos que estão comentando, vocês são demais ♥ Queria saber se alguém tem alguma sugestão sobre a história, sobre os personagens, o que vocês querem ver mais? Comentem aí e eu vejo o que posso fazer :D

O tigre estava definitivamente furioso.

Os caninos afiados estavam a mostra, suas garras, também; sem contar o grunhido arrepiante.

Dei um passo para trás, cautelosa. Enquanto o tigre deu dois passos para frente, dominante.

Pedi mentalmente que minha calda se pusesse em chamas novamente, mas não funcionava.

Tentara mais duas vezes e só me sentia mais cansada cada vez que forçava de novo.

Eu não poderia lutar com um tigre daquele tamanho, aliás, não conseguiria machucá-lo sabendo que era Kishan por detrás da pelugem negra.

Fugir? Pensei.

Nem pensar, ele me seguiria fácil e me impediria antes que minhas pequenas patas laranjas tocassem o limite da floresta.

Só restara uma coisa: Me transformar de novo e tentar a arte da persuasão.

Fechei os olhos e pedi para me transformar em humana novamente, dessa vez vacilei um pouco já que minha mente não me obedecera quando pedi que ateasse fogo na minha cauda, porém tudo ocorreu bem e já era uma menina “normal” no outro instante.

Kishan continuou como tigre, no entanto, se afastou um pouco quando me viu em forma humana.

–Kishan, por favor me deixe passar preciso salvar Ren, vocês não entendem, nosso plano de me fazer pedir perdão à Lokesh não funcionaria nem em sonho. Lokesh não é do tipo que perdoa, sendo filha ou inimiga ele é irredutível. Eu tenho minha maneira de conseguir que Ren seja salvo, só me deixa passar...

Minha voz intercalava entre medo, nervosismo e ansiedade. Oscilando como a personalidade de um bipolar descontrolado.

O tigre rugiu em resposta e presumi que fosse uma negação.

Meus músculos estavam doloridos à medida que eu os forçava com o impulso de correr e logo depois desistir quando o tigre-Kishan mostrava os dentes de forma ameaçadora.

– O que você quer que eu faça? Que volte para a jaula de tigre? – Perguntei retoricamente, olhando para a jaula e para o buraco de fuga derretido.

Retornei o olhar quando a inesperada voz soou no lugar do rugido:

– Seria uma boa ideia, traidores nunca deveriam deixar suas respectivas jaulas.

Ali estava o homem ao invés de um tigre, algo que seria capaz de fazer um ser humano normal ser internado em um hospício, mas que agora se tornara algo tão estupidamente corriqueiro.

Rolei os olhos antes mesmo de encará-lo.

– Pela milésima vez: FOI UM BLEFE, CARAMBA!!

Kishan pareceu rir diante da perda do meu auto controle, mas não tive certeza já que pareceu durar menos de um milésimo.

Eu dera mais dois passos para trás e agora estava tão perto da jaula que poderia entrar pelo buraco derretido com mais um passo para trás. Quando encostei meu calcanhar direito no chão, algo duro se deu de encontro. Quando olhei para baixo, vi a faca que Manik havia usado para ajudar com o envergamento das barras de ferro. Me abaixei rapidamente para alcança-la e no instante seguinte, seu cabo estava em minhas mãos e eu brandia sua lâmina com resquícios de ferro endurecidos em direção à Kishan.

– Saia da frente – Ordenei.

Kishan continuou parado como se não estivesse escutado nada do que eu acabara de dizer.

Dei três passos largos e firmes para frente, ficando perto o suficiente de Kishan.

– Sai da frente, Kishan. – repeti.

Ele mal piscara e continuava ali imóvel como uma múmia de braços cruzados.

Hesitantemente aproximei a lâmina do rosto de Kishan, a ponta quase tocando seu nariz. Minhas mãos tremiam enquanto segurava o cabo da faca.

Kishan continuava imóvel e me encarava como se não houvesse lâmina alguma entre nós. E então se tornou óbvio o que ele estava fazendo: estava me testando.

– Kishan, por favor, eu não quero fazer isso...

– Então não faça, volte para a jaula. – Ordenou ele de maneira ríspida.

Em um piscar de olhos Kishan segurou a lâmina da faca e a puxou de minha mão. Com esse movimento, alguns cortes se abriram na palma da mão dele; os quais começaram a cicatrizar em menos de cinco segundos.

Sua mão direita segurou meu pulso com força, me levando em direção à jaula de ferro.

Me desesperei quando percebi que já estávamos perto da entrada da jaula e não tinha como me desvencilhar de Kishan.

– Para, por favor, Kishan. – Implorei em vão, tentando me soltar.

O pedido não ajudou em nada, pelo contrário, fez Kishan apertar mais meu pulso.

A dor não ajudava, parecia que os ossos do meu pulso se partiriam a qualquer instante.

Kishan já estava abrindo a porta da jaula com a mão esquerda, quando notei que sua mão direita se afrouxara um pouco por conta da atenção que dera à atividade da mão esquerda.

Puxei meu braço com força, me soltando.

Kishan imediatamente largou as chaves quando percebeu que me soltara e me perseguia enquanto eu corria em direção à floresta. No entanto, no meio do trajeto algo se enrolara em minha cintura me puxando para baixo, o que me fez cair num baque no chão de terra.

Me levantei, mal sentindo meu braço esquerdo, dizem que adrenalina anestesie a dor por alguns instantes. Em um deslumbre rápido do meu braço, vi um pouco de sangue, porém logo vi também que Kishan se levantara e se aproximava de mim como se fosse me atacar.

Em defesa, ergui os braços e quando seu rosto se aproximou, involuntariamente, o soquei.

Kishan virou o rosto em direção ao chão e guinchou de dor, mas logo se voltou a mim com raiva.

E não havia mais nenhum resquício de dourado naqueles olhos tomados por ódio.

Kishan ergueu o punho e eu sabia que dali a alguns milésimos receberia um belo soco bem no meio da minha cara e a adrenalina tomou conta de mim quando notei que ele havia errado o alvo, porque eu havia desviado no último milésimo.

Kishan estava de costas para mim e estava prestes a virar quando subi em suas costas e enrolei um dos meus braços em seu pescoço, apertei forte até que soltei quando senti uma forte pontada no estômago, me fazendo cair de costas para o chão.

Eu me dobrava de dor e esfregava o local atingido como se o gesto fosse curativo, Kishan me dera uma forte cotovelada naquele ponto.

Kishan também esfregava seu pescoço. Me levantei antes que ele chegasse mais perto.

– Me deixa passar, não precisamos fazer isso.

– Deixar o inimigo ir embora ou socar sua cara a noite inteira? – Kishan fingiu pensar – Acho que essa questão é retórica, não acha?

Kishan sorriu quando não respondi.

– Como aquele Manik gosta de você? – Ele perguntou de maneira dissimulada.

– Você deve saber a sensação quando me beijou na cachoeira. – Respondi, fingindo um sorriso.

Kishan riu limpando o sangue que escorria de seus lábios.

– Beijar não envolve sentimentos. Eu fui tigre por trezentos anos e só queria uma garota para, você sabe, como dizem hoje em dia...ficar. Mas acontece que não foi uma experiência muito boa, tenho certeza que devo tentar com outras garotas.

– Também tenho certeza, só não se esqueça de avisá-las que depois de serem beijadas por você, o belo Kishan vira um grude e não larga mais do seu pé.

Kishan deu um passo pra frente e colocou uma das mãos no meu ombro como se fosse me dar um conselho:

– Eu tenho dó de Manik, sinceramente.

– E eu tenho dó de você que é um tigre burro que não percebe que estou tentando salvar a vida de seu irmão!

Kishan bufou e me encarou por um tempo.

– Vai – Ele disse por fim.

– O que? – Perguntei confusa.

– Vai embora e nunca mais volte, fique naquele ninho sujo com seu paizinho e não nos atrapalhe mais. Não venha se desculpar ou se justificar, dizer que foi coincidência ou blefe. Nos deixe em paz.

O corpo de Kishan se estremeceu um pouco e ele pareceu surpreso quando seu corpo deu lugar ao tigre negro.

– Mas Kishan... – Dei um passo em direção ao tigre.

O tigre rugiu alto e quase me arranhou com suas afiadas garras, errando por alguns milímetros.

Ele se afastou de mim e observou suas patas como se estivessem sem controle. As luzes

das barracas começaram a se acender. Um pouco confusa, corri para a floresta. Perdi a noção de quanto tempo corri em linha reta, mas quando parei, estava totalmente sem fôlego.

Sentei- me na base de uma árvore e parei para encarar pela primeira vez a total escuridão ao meu redor.

Notas finais
Reviews?