O Tigre Negro
9 Incertezas
Notas iniciais
Vou pedir "tempo" como presente de aniversário para minha mãe D: É sério, estou ficando sem tempo para escrever, vou postar menos mas NÃO irei deixar de postar, okay?
Esse cap é mais compridinho pra compensar o tempo que fiquei sem postar.
Bom, sem mais delongas, aqui está um capítulo novinho, espero que gostem
Depois de contar minha visão com Yesubai detalhadamente para Kishan, ele me fizera inúmeras perguntas, sobre os olhos da garota que me guiara, a cachoeira, Lokesh e até sobre o fato de eu não saber nadar, a qual eu me esquecera de omitir.
– Você não sabe nadar? – perguntara ele, intrigado. Desviei o olhar, desconfortável com a situação.– Humm, não – respondi. Kishan abrira um sorriso demasiadamente charmoso que indicava, provavelmente que naquele momento ele estava tendo alguma ideia. E as ideias de Kishan nunca são, digamos... previsíveis.– Kishan – me adiantei – no que está pensando? – Relaxa Lizzie, é uma boa ideia – garantiu, como se houvesse lido meus pensamentos.– Espero que seja. Kishan se levantou do chão e se dirigiu até o interruptor, quando o portão de pedra se abriu ele indicou o lado de fora da caverna com a cabeça.– Vamos? Ainda são onze e meia da manhã, quero aproveitar o dia.– Vamos onde? – Perguntei, quando pisei na beira da estrada. Kishan pressionou o botão de um pequeno controle e o portão se fechou atrás de nós. Se camuflando em pedra novamente.– Espere aqui, eu volto logo pra te buscar – disse ele.– Espera, o quê? Onde você vai? – Volto logo – gritou ele por sobre o ombro enquanto começara a correr pelo caminho que havíamos percorrido. Alguns segundos depois, Kishan se transformara no ar e continuou sua corrida em forma de tigre. Cruzei os braços e fiquei a espera de Kishan. Depois de alguns minutos, um carro, mais especificamente um Jeep começara a se aproximar. Estreitei os olhos tentando apurar minha visão, mas não consegui ver se era Kishan quem dirigia o carro. Quando o Jeep parou na minha frente, Kishan abriu a porta do carona.– Achou que eu não voltaria, Lizzie? – provocou ele.– Não – respondi, entrando no carro -, sei que não aguentaria não voltar. Kishan riu.– Como tem tanta certeza? Não pense que vai arrancar isso de mim.– Mas eu já arranquei isso de você, tigre. Kishan olhou para mim e riu levemente.– Talvez tenha – sussurrou, dando a partida no carro. Quando senti algo quente subir para as minhas bochechas, logo virei o meu rosto, fingindo encarar a estrada. Corar na frente de Kishan não fazia parte do meu plano. – E então, para onde vamos? – perguntei, mudando de assunto.– Para nossa próxima parada, é claro. Eu ainda escolho os passeios de hoje, lembra?– Humm. E onde seria a nossa próxima parada? Kishan pisou no acelerador.– É surpresa, é claro. Rolei os olhos, impaciente. Eu detestava ficar curiosa e Kishan parecia saber disso. O pior, ele parecia saber exatamente como me deixar curiosa. Passamos pela estrada rapidamente já que não passava quase nenhum automóvel por ali mas depois de uns quinze minutos, o transito começara a se intensificar. No entanto, na Índia, quando o transito se intensifica os carros não ficam parados como em engarrafamentos normais de cidades grandes, o transito se torna louco, com cada pessoa tentando correr mais que a outra, desviando por lugares impossíveis de se passar e buzinando o tempo inteiro, é claro.– Kishan – eu disse, me agarrando ao assento do carro – você precisa correr desse jeito? Kishan riu enquanto girava o volante habilmente, desviando de um caminhão abarrotado de galinhas brancas.– Seja bem-vinda ao centro de Nova Deli, Lizzie.– Que bela recepção de boas vindas. Se você bater esse carro, eu juro que te mato – declarei com uma voz trêmula nada ameaçante.– Tudo bem, é justo – disse ele, olhando para mim.– Olha pra frente, pelo amor de Deus!! – gritei. Kishan riu novamente. Quando finalmente chegamos, soltei minha respiração, aliviada por termos chegado e também por estar viva. – Tudo bem, isso me assustou muito.– Relaxa Lizzie, não vou deixar nada de mal lhe acontecer. Dei um meio sorriso.– Vem – convidou ele – vamos indo para o nosso próximo passeio. Kishan agarrou minha mão e seguiu em frente. Estávamos em uma espécie de centro movimentado, na rua onde estávamos era possível ver que mais à frente havia um movimento maior. Pessoas com roupas esvoaçantes e coloridas passavam por ali. Alguns vendedores gritavam, anunciando promoções de seus produtos às pessoas que andavam por ali. Mas muitas delas pareciam estarem lá por diversão. A grande praça circular formava um espaço para uma feira de comidas, artesanatos e brincadeiras. Crianças corriam felizes com seus sorvetes recém comprados e adultos conversavam animadamente sentados nos bancos da praça.– Kishan, como sabia que eu queria visitar algum lugar assim?– Você queria? Balancei a cabeça positivamente. – Ei, você pode me esperar um pouco aqui? – perguntou Kishan – tenho que tirar dinheiro de um cartão mágico que Sr. Kadam me deu. Eu ri.– Cartão de crédito, você quer dizer. Claro, eu espero.– Olha só como você é inteligente, bilauta. Volto já. Kishan andou em direção ao aglomerado de pessoas, entrando num pequeno shopping ali perto.
Olhei à minha volta, preocupada. Agora que Kishan não estava aqui, eles poderiam me encontrar, era o que eu mais temia. Analisei o ambiente em volta e notei que uma pessoa de coberta por uma capa marrom passava entre as outras quase que despercebidamente, começara a se aproximar rapidamente, eu sabia quem era e sabia que não teria como fugir.– O que está fazendo? – perguntou a pessoa da capa rudemente.– Estou... colhendo dados, Manik – inventei. Manik suspirou.– Ele não vai gostar nada disso – informou, agarrando meu antebraço.– Manik, por favor – pedi, puxando meu braço de volta – você nunca pensou na possibilidade de ele ter mentido? Pra mim, pra nós? Eu tenho visto coisas novas, coisas que podem provar que ele mentiu. Manik abaixou o capuz, revelando seu rosto. Fazia vários meses que eu não o via. Desde então, ele mudara. Seus cabelos castanhos escuros estavam mais compridos, ficando na medida do queixo, ainda despontados como sempre. Seu rosto expressava dor e raiva mas Manik ainda era bonito. Sua pele continuava bronzeada e seus olhos verdes cor de mar pareciam cansados, porém alertas. – Não tenho o benefício da dúvida, Lōmaṛī – disse ele, me encarando com seus olhos gélidos – você sabe o meu objetivo, sabe que não vou parar.– Não me chame de Lōmaṛī, Manik. E só pra constar, você tem escolha, tem o benefício da dúvida. Manik riu amargamente, em silêncio.– Você não sabe como é ter essa certeza, essa certeza que te faz perseguir tudo e fazer qualquer coisa por ela. As coisas não são tão simples.– Eu estou aqui, não estou? – perguntei retoricamente – é sinal de que estou perseguindo minha certeza e o que me prometeram também. Manik segurou minha mão.– Você já se perdeu no meio do caminho, Lōmaṛī – afirmou.– E porque acha isso? Como pode ter tanta certeza? Manik ficou em silêncio, analisando meu rosto.– Porque posso ver em seus olhos – disse ele por fim – e seu príncipe está aí.– Ele não... – comecei, mas Manik já tinha puxado o capuz e desaparecera no meio da multidão. Em poucos segundos Kishan aparecera.– Ei, bilauta – chamou – está tudo bem?– Sim – forcei um sorriso – está tudo bem. Ele levantou uma sacola de papel pardo no ar, segurando suas bordas dobradas.– Tomei a liberdade de comprar nosso almoço. Meu estômago roncou ao Kishan falar a palavra almoço.– Acho que esse é foi sinal de que é uma boa hora para um almoço – disse ele.– Com certeza. Sempre é uma boa hora para comida. Kishan levantou uma das sobrancelhas.– Acho que encontrei uma garota párea para mim e Ren, quando podemos marcar a competição de quem come mais panquecas em menos tempo?– Não compito contra tigres. Normalmente são trapaceiros. Kishan riu.– E não sabe como são trapaceiros. Principalmente os de pelagem negra – disse ele.– Esses são os mais perigosos de se lidar.– Mas são os mais interessantes de se conviver também – rebateu ele.– Vou me lembrar disso quando encontrar um tigre negro por aí, depois te conto a experiência.– Irei esperar ansiosamente – murmurou Kishan. ~*~ Kishan dirigiu o Jeep na volta e felizmente o transito estava mais ameno. Nada de caminhões em alta velocidade, carga de galinhas ou centenas de buzinas tocando em uníssono. Quando chegamos à uma bifurcação na estrada, Kishan seguiu o pequeno trecho de terra à esquerda, ao invés da rodovia principal. Seguimos até o fim do trecho de terra, quando ele terminou, continuamos a pé, adentrando a mata. Andamos por cerca de dez minutos e na metade do caminho, eu começara a ouvir um chiado. Um som familiar. O som começara a se intensificar conforme avançávamos. Até que eu pude ter um vislumbre do que provocava o som, corri em frente, ansiosa para vê-la de perto. Caindo em grande quantidade, água cristalina descia de grandes pedras até tocarem a face do lago, que se assemelhava a um grande espelho. A cachoeira era linda.– Kishan, essa cachoeira – eu disse, perplexa – é a mesma da minha visão. Como me trouxe até ela? Como sabia?– Porque é a mesma cachoeira que apareceu na minha visão. – O quê? Tá de brincadeira?– Porque estaria, Lizzie? – Kishan tirou os sapatos e a camisa, correu em direção ao lago e pulou na água. Quando submergiu, perguntou:– O que é que está esperando?– Não estou esperando nada, sabe que não sei nadar. Ele sorriu.– Não tenha medo, eu te ajudo. Hesitante, tirei meus sapatos e me sentei numa grande pedra na borda do lago. Molhei meus pés e senti a água gelada e refrescante na minha pele em contraste com o clima quente do ar. Me impulsionei para frente, caindo na água. De início, eu não percebera quão fundo era o lago mas depois de alguns segundos eu começara a afundar aos poucos enquanto meus pés batiam desesperadamente. A água batia no meu rosto na altura do meu nariz, dificultando minha respiração. Tudo parecia borrar conforme a água atingia meus olhos. De repente, senti algo envolver minha cintura, içando meu corpo um pouco para cima. Era Kishan. Puxei ar para meus pulmões e abracei o seu pescoço para evitar de escorregar de volta para a água.– Obrigada – balbuciei -, eu disse que não podia nadar. Meu nariz quase tocava o nariz dele, tomei cuidado para não respirar tão desesperadamente, mas meu pulmão pedia mais ar. Como se eu estivesse sem fôlego.– Não há de quê – murmurou ele – só não me obrigue a salvá-la de novo. Kishan me fitava intensamente, seus olhos intercalavam entre o bronze e dourado conforme a luz do sol. Eram lindos. Meus braços relaxaram um pouco quando sorri, o que fez meu corpo deslizar alguns centímetros para baixo. Quando apertei meus braços um pouco mais forte e olhei para frente, ele me beijou. Inicialmente, meus lábios estavam duros e inflexíveis, quase como se eu não quisesse beijá-lo, fechei os olhos e o puxei mais para perto. Nossos lábios suavizaram e logo a pressão se tornou mais intensa. Kishan apertou minha cintura, me puxando para mais perto de si, senti a pele quente de seu peito mesmo que a água entre nós estivesse gelada. O coração dele batia forte, como se pudesse criar ondas na água e meu coração se juntou ao dele. Senti meus lábios formarem um sorriso entre o beijo. Nunca havia sentido tanta certeza na minha vida.
Notas finais
Deixem reviews se gostarem
PS: Kishan é um sonho!
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