Notas iniciais
Oi oi oi pessoal! Eu tô de volta! (Nem sai por tanto tempo, nem deu pra sentir falta, admitam) Eu quero dizer que estou super animada com essa história e espero que vocês também fiquem! Ela vai ter um estilo bem diferente de DI (para os meus antigos leitores) e vai ser um tanto quanto mais séria. Espero que gostem tanto quanto eu! P.S.: Leiam as notas finais, ela contém avisos sobre a história. [ATUALIZADO 15/12/2016]

Caminhei até o píer do acampamento e sentei na borda equilibrando meu corpo naquelas madeiras frágeis. Suspirei olhando para a imensidão a minha frente. Não pude deixar de pensar em como Poseidon é poderoso, ele poderia cobrir o acampamento todo se quisesse, mas por sorte ele era um bom deus, na medida do possível, e me pergunto porque Atena se nega em admitir isso.

Uma corrente marinha com água quente enrolou-se em meus pés fazendo cócegas e se foi tão rápida quanto chegou. Sabia que Poseidon havia me escutado.

Suspirei, tentando não me sentir incomodada com a nossa falta de privacidade. Os deuses sempre sabem de tudo e nunca fazem nada.

O pôr do sol manchou o belo mar de Long Island e a cor na qual a água foi se transformando me deixou triste, eram idênticas aos olhos de Percy.

Percy.

Eu não sei o que acontece comigo, mas ele faz com que eu perca a razão, se é que isso é possível. Isso é extremamente frustrante. E agora eu estou aqui, como uma adolescente boba observando o pôr do sol dentro dos domínios do deus do mar enquanto penso no filho dele. Ridiculamente clichê.

Quando tudo parecia finalmente estar indo bem e eu achando que o Cabeça de Algas poderia dar o primeiro passo ele vai lá e estraga tudo. Sim. Tudinho.

Depois de tantas missões lado a lado achei que finalmente poderíamos ter algo, eu sentia algo muito forte por ele, algo que não consigo explicar. Supera em grande escala tudo o que já senti até hoje por Luke, se é que isso é realmente real ou se eu sentia algo pelo loiro ou qualquer outro.

Neguei com a cabeça, repreendendo meus próprios pensamentos e esfregando meu rosto, sentindo-me cada vez mais frustrada, apesar de toda a raiva que eu estava sentindo, rebaixando-me à uma posição de boba e ingênua.

Hoje o dia tinha tudo para ter sido perfeito, mas ela teve de estragar. Ela outra vez.

Já havia ligado para Sally avisando que buscaria Percy naquela manhã para voltarmos juntos ao acampamento. Depois que a Guerra acabou, voltamos para nossas casas por alguns dias, tentando reestabelecer as forças e chorar nossas perdas, e agora era hora de voltar, mas acho que ele simplesmente esqueceu.

A cena toda foi realmente deprimente, se você quer saber.

Encarei o sol que sumia ao longe enquanto lembrava do episódio e meu coração apertava de um jeito incomodo.

Eu havia decido que faria uma surpresa para ele. Subi as escadas de emergência do lado de fora do prédio com o boné de invisibilidade, logicamente ele não me veria e se assustaria, mas no fim, quem se assustou fui eu.

Percy e a ruiva estavam sentados no chão, rindo de algo enquanto ela riscava algo em uma folha. Fiquei lá, os observando, surpresa demais para mover um só músculo. Ele conferiu as horas e então olhou em direção à sacada que me encontrava e franziu o cenho. Eu adorava aquela expressão de confusão dele, mas não pude admirá-la muito mais, porque a garota colocou a mão sob o braço dele fazendo com que a olhasse. Ela acariciou o rosto de Percy e então o beijou.

Aquilo foi demais para mim, pulei escada abaixo e corri para o acampamento o mais rápido que pude, se ele quisesse ficar com a humana sem graça que ficasse sem espectadores.

Entenda, eu não acho que seja realmente a última bolacha do pacote, mas eu não conseguia entender o que ele viu na mortal.

Encarei meu reflexo na água quase escura. Meu cabelo era rebelde e encaracolado, com molinhas para todos os lados, e meus olhos, cansados. Suspirei. Aquele garoto me fazia um estrago danado comigo.

Eu poderia enlouquecer de amor? Amaldiçoei mentalmente Afrodite, Eros e qualquer outro deus do amor que existisse, questionando o motivo de terem feito com que eu me apaixonasse.

Ouvi o toque do jantar soar ao longe, mas eu não tinha a menor vontade de comer ou fazer qualquer coisa. Por mais que permanecer ali fosse tortura eu não conseguia ir embora. O mar me acalmava quando o assunto era Percy. Acho que Poseidon conhece bem o filho e faz o que pode para me tranquilizar.

Fechei os olhos e fiquei esperando a brisa suave que eu sabia que viria assim que Apolo escondesse o sol para dar lugar no palco à Ártemis. Não sei quando tempo fiquei daquele jeito, acho que não me importava também, mas logo senti a madeira do píer começar a se mover levemente, como se alguém não quisesse ser notado. Bem, não funcionou.

Não abri os olhos para saber quem era, logo eu descobriria, não precisava acabar com o meu momento de paz. O alguém se sentou ao meu lado e ficou parado por um tempo, e eu estava ficando curiosa sobre quem seria, mas quando estava prestes abrir os olhos senti uma coisa. A água começou a se agitar sob meus pés. Alguns fios de água subiam até meus joelhos e voltavam para o lago. Com um aperto no estômago percebi quem estava ali. E então não quis mais abrir os olhos.

Ele suspirou.

— Eu sei que você sabe que sou eu. – A voz era baixa, calma, mas soou como um grito aos meus ouvidos depois de tanto tempo em silêncio e absorta em pensamentos. Não respondi. – Annabeth, não se faça de desentendida.

Abri os olhos e o encarei. Ele era lindo. Os olhos verdes me encaravam firmes, mesmo comigo encarando de volta. A maioria dos campistas simplesmente desvia os olhos quando me vê, mas não Percy. Ele aprendera a sustentar meu olhar – e todo o resto – ao longo dos anos. O cabelo negro estava bagunçado como sempre, como se ele tivesse acabado de acordar, a boca vermelha e pecaminosamente convidativa. Mordi o lábio de leve voltando a encarar o mar.

— Porque não apareceu no jantar?

— Estava sem fome. – Respondi breve.

— Aconteceu alguma coisa? – Ele me fitava preocupado, e então colocou uma mão sob a minha e a segurou. – Está tudo bem?

Lentamente, puxei minha mão de volta e suspirei.

— Sim. Está tudo bem.

Percy ficou em silêncio por alguns segundos antes de bufar.

— Eu não acredito em você, não minta para mim.

Ele já estava começando a me dar nos nervos. Para alguém lerdo, ele estava fazendo perguntas demais.

— O que te interessa saber como eu estou ou não? – Perguntei ríspida.

— Me interessa totalmente, você sabe disso!

— Sei mesmo Percy? Acho que não.

— Que papo é esse?

— Nada.

Ele negou com a cabeça e cruzou os braços.

— Porque não foi até minha casa? Achei que iriamos voltar para o acampamento juntos. – Olhei para as contas em seu pescoço. Ele já contava com cinco anos. Vivo por cinco anos. Quase morto na Guerra.

— Eu fui até sua casa. – Ele franziu as sobrancelhas fazendo a habitual cara de confusão.

— Mas... Então... Por que...

— Eu vi você com sua amiguinha bem entretidos com o que quer que quisessem fazer e achei melhor não atrapalhar.

— Como... – Então o rosto dele se iluminou, como se as peças de um quebra-cabeças finalmente se encaixassem. – Você estava no meu quarto me espionando?

Senti minhas bochechas queimarem.

— Eu não diria espionando. Eu só queria te fazer uma surpresa. Pode ficar tranquilo, não vi nada de mais, não vi vocês rindo, nem ela riscando algo no papel ou colocando a mão em seu braço e te beijando em seguida. Não vi nada disso.

E então, ele sorriu. Deuses, como eu odiava aquele sorriso convencido dele.

— Espere aí. Aquela... Sombra que eu vi era você então? E, isso ciúme Chase?

— É claro que não Jackson. Para sentir ciúmes eu teria que gostar de você, e é obvio que eu não faria uma estupidez desse tipo.

O sorriso continuava estampado em seu rosto.

— Ah é verdade? Tem certeza? Então porque me beijou verão passado? E no meu aniversário?

Mordi a língua. Ponto para ele. Certo, foi meio exagerado. Estávamos apenas indo em direção à morte certa dentro de um vulcão no Monte Santa Helena. E depois... Foi no calor do momento. E, em minha defesa, no aniversário dele, foi Percy quem começou, não eu. Mas todos erram, não é?

Não. Atena não erra.

— Eu não faço ideia do que você está falando.

Então ele riu, uma risada gostosa que me deixou ainda mais tensa. Eu sabia que com Percy a calmaria sempre vinha antes da tempestade.

— Vamos lá Sabidinha, você sabe que não me engana com essa. – Senti a água se mover abaixo de meus pés com mais intensidade. – Admita. – Ele chegou perigosamente perto e então o lago fez pressão contra o meu tornozelo. – Admita ao menos uma vez.

Eu estava ficando nervosa e isso era visível. Engoli em seco.

— E o que acontece caso eu não admita? Você não manda em mim Jackson.

— Tudo bem, você que pediu por isso. – Disse ele dando de ombros. Franzi as sobrancelhas sem entender. A pressão em meu tornozelo aumentou e percebi tarde demais o que estava acontecendo. Oh, oh.

Logo eu estava submersa na água morna do mar de Long Island. Emergi em seguida, na certeza de que estava vermelha de raiva.

— Jackson – Rangi entredentes. O animal estava se torcendo de rir no chão de madeira e perigosamente perto da beira. Com um puxão, ele estava dentro da água comigo. Achei que não funcionaria, mas estava errada.

— Annab... – ele começou a gritar, mas não teve tempo de concluir. Pulei em cima de seus ombros fazendo com que ele afundasse abaixo de mim. Sorri internamente.

Foi então que percebi um pequeno detalhe: eu não tinha a menor vantagem naquele território. Era terreno de Poseidon. Terreno de Percy. Tão rápido quanto ele havia submergido uma onda surgiu ao meu lado me fazendo afundar juntamente com ele. Maldito seja.

Abri os olhos ainda debaixo d’água. Deparei-me com um par de orbes verdes me encarando, divertidos. Senti meu coração bater errado. Eu odiava aquilo. O fato de algumas vezes Percy conseguir me fazer perder completamente o senso de batalha.

Emergi quase ao mesmo tempo que ele, em sua frente. Então, foi algo sem precedentes, sem preparação. Quando me dei conta, as mãos de Percy estavam em minha cintura, me puxando para mais perto e as minhas estavam em sua nuca. Era um beijo urgente, como se precisássemos disso sem nem mesmo nos dar conta. Eu precisava dele, e pelo jeito, ele de mim.

Sorri com aquilo, nos separando quando ele desceu os beijos para meu pescoço.

— Percy. O que nós estamos fazendo?

Ele parou, e então me olhou sorrindo.

— É meio obvio, não?

Revirei os olhos.

— Não isso. Mas, “isso”. – Falei – Sabe, de manhã você estava se agarrando com a Rachel, então isso significa que você gosta dela. E nós não podemos fazer isso.

— Por que não?

— Porque... Oras, acabei de falar. Rachel.

— Ah, bem – Ele coçou a nuca – eu posso gostar um pouco dela, admito. Mas gosto mais de você. Se você não tivesse saído igual uma doida de manhã, teria visto que eu a afastei, e disse que não podia fazer isso com você.

Sorri, envergonhada. Era bom demais para ser verdade.

— Então, você e a Rachel...

— Não temos absolutamente nada.

— Ótimo, assim não me sinto culpada por fazer isso.

E então o beijei outra vez, e outra, e outra. Ficamos ali até o toque de recolher. Quando finalmente saímos da água, Percy fez a gentileza de me deixar seca (Algo que me deixou imensamente grata. Eu seria linchada se molhasse o chalé). Ele entrelaçou seus dedos com os meus e deu um passo. O observei, sorrindo e dei um passo também, no mesmo instante uma brisa quente com aroma de rosas sacudiu meus cabelos. Uma voz inconfundível soou em minha mente.

“O amor nunca será fácil para você. Aliás, você é a minha favorita”

Percy me olhou de cenho franzido. Sorri e preferi não lhe dizer nada. Só podia ser coisa da minha cabeça, não era possível. Além de que, eu não podia ser uma das favoritas, isso só traria tragédia.

Afrodite só escolhia aqueles com quem podia brincar.

Notas finais
E ai? Ficou legal? Digam o que acharam! Alguns avisos que eu acho legal ter: A história se passa depois do Sangue do Olimpo, tem dedo dos romanos (ou seja, eles já tiveram contato), Rachel não virou o oraculo e Luke não foi bandido junto com deus e o mundo. P.S.: Se alguém perguntar, não fui eu que contei, mas tem uma certa escritora com nome estranho que vai postar uma história com parceria com uma das leitoras dela já já. Nem sei quem é a doida. Haha P.S.S.: Quero agradecer à Sorvete de Limão que saiu fazendo propaganda minha por ai, e que ouviu minhas neuras desde o dia que eu resolvi escrever essa história até o dia que postei e vai continuar ouvindo. Ela me ajudou demais. Mas como ela foi bocuda (mentira, foi nada) eu vou postar sexta só porque ela falou que ai ser no finds ♥ Beijos ^^