Notas iniciais
A humanidade é sombria.

Boa Leitura!'

Questionamentos

–O que está havendo? – Todos passaram a falar ao mesmo tempo, um alvoroço tomou a sala.

O Fiscal Monstro começou a se contorcer como se estivesse se acostumando ao corpo que estava. Eu caí em cima da cadeira pasmado. Baunder se agachou atrás da minha cadeira, e começou a se tremer. Olhei para o meu lado esquerdo onde Milena estava sentada. O olhar dela estava tenso, mas ela transpirava calma e ousadia. Ela olhou para mim de canto de olho, me estremeci. Recompus-me e tentei retirar toda a covardia que queria reinar em mim.

Chuck sentou-se e os seus companheiros ficavam ao seu redor pedindo auxílio, mas ele mandava todos se calarem. Algumas garotas gritavam e se abraçavam. Isso fez eu me lembrar de Paul e Lily. Eles estavam de mãos dadas, mas calmos. Ótimo, meus amigos estão bem.

–Eu sou o novo e talvez o último Professor de vocês – falou o Fiscal estranho com os braços longos e verdes abertos quase tocando a cabeça da garota de cabeça raspada. –Então, sigam as minhas instruções!

Todos se estremeceram. Quem era ele? Que tipo de teste é esse? O mundo não fazia mais sentido – e nunca fez. A única coisa que eu queria fazer era sair por aquela porta, mas ela só abre pelo lado de fora... o que farei para sair vivo daqui...? Não posso morrer. Não agora.

–Ei Lucas – Baunder sussurrava ao meu ouvido. –Trolho, eu não posso morrer! Eu sempre imaginei morrer depois de uma longa transa.

Não sei o por quê, mas a minha tensão se foi. E tudo o que eu pensava, se foi.

–Trolho, vamos sair dessa! Te prometo. E você morrerá do jeito que você quer, nem que eu mesmo tenha que te matar depois... de... você sabe – não consegui me segurar e libertei um pequeno sorriso.

Milena olhou para nós e sussurrou algo para nós dois. Eu olhei para Baunder, e ele deu uma piscadela para mim. Eu sabia o que fazer. Expirei e inspirei fundo: é agora.

Tentei chegar perto sem enrubescer o rosto, não consegui. Uma mecha do cabelo ondulado e castanho de Milena caiu sobre seu rosto, eu umedeci os lábios discretamente.

– Bom, eu não lembro seu nome...

Ela olhou para baixo e retirou a sua mecha do rosto e olhou para mim com seus olhos cor de favos de mel. Eu abaixei meu rosto e tive a certeza que meu rosto ficou vermelho.

–Lucas. –Eu disse, levantando o rosto imediatamente e sussurrando.

Ela me olhou nos olhos, eu olhei para baixo e aproximei a cadeira um pouco mais, Baunder me acompanhou, ele queria ouvir também.

–Lucas. Bom, eu li o que tinha no meu caderno de Teste – ela finge tossir e chega mais perto. –Ele disse que eu devia te matar – dá para perceber que ela está nervosa, ela abre um sorriso meio histérico.

Ao redor da sala há alguns reboliços, mas ninguém começou a se matar ainda. Ela mais quis avisar que devia me matar do quê que realmente iria me matar. Voltei para onde eu estava e respirei fundo... a primeira vez que falo com a garota que “me apaixonei” e ela quer me matar. O mundo é realmente cruel, mas isso não é o verdadeiro foco disso tudo.

Quem fez este teste? Como eu posso sair desta sala com vida. E... o mais importante: qual será o meu teste?

Não tenho resposta para nem uma destas perguntas. O Professor Monstruoso voltou a falar, todos já haviam se sentado e estavam prestando atenção nele. Baunder voltou a se sentar a minha direita... e Milena continuava sentada ao meu lado esquerdo felizmente, ou infelizmente? Não sei mais...

–Já que estão todos mais calmos... –ele mostrou todos os seus dentes afiados. –Vou continuar de onde parei. As instruções são simples: sejam humanos e passarão no Teste. Fácil, não? Esta é a única instrução. No entanto, há outras coisas com que devem se preocupar. Eu não sou um ser comum.

Houve um grande alvoroço e risadas por todos os lados, mas ninguém teve coragem o suficiente para falar algo em relação a isso. Chuck parecia uma criancinha, o badboy não conseguia falar mais nada.

O Professor coçou as costas com os braços longos, era algo grotesco, mas muito engraçado. Os dedos longos se contorciam e o seu rosto mudava de cor, literalmente do azul ao vermelho. Isso. Isso não era engraçado.

–Como eu ia dizendo... Eu destruí três quartos da Lua ontem. Vocês verão quando anoitecer que ela eternamente será minguante – o seu tom era de escárnio.

Uma garota de cabelo colorido levanta o abraço como se pedisse permissão para falar, ela passou a viagem inteira ao lado de outra garota que eu só descobri que realmente era uma garota por causa da cor diferenciada do macacão. As duas se entreolharam nervosas.

–Ontem... foi dito que três quartos da Lua haviam sido destruídos, mas disseram que foi um mero teste militar com armas modernas e que eles reconstruiriam a Lua tão rápido quanto a destruíram.

Todos arregalam os olhos. Eu pessoalmente não tenho contato com notícias nem tenho um tipo de material tecnológico para isso, então não tenho como falar nada. Mas todos se voltam para a garota com expressão de surpresa.

–Vocês são tão... bobos. Acreditam em qualquer coisa que uma pessoa os dita, humanos – ele nos encara um a um, com desdém. –A mídia os controla como se fossem marionetes tão fáceis de serem controladas que nem se importam em aprofundar-se ao ditar os acontecimentos que ocorrem por aí. E isso é um dos maiores pontos fracos da humanidade e o melhor. A facilidade de serem conduzidos a acreditar em algo que qualquer superior os diga. Acreditar em fatos que se dizem concretos e não refutá-los. A facilidade de receber ordens e não se rebelar por medo das consequências... eu vim aqui para extrair tudo isso dos seus seres, pequenas crianças. Quem é mais humano? Um humanista que regula e exerce os Direitos de uma Humanidade como um todo? Ou uma mãe que rouba um pão para alimentar seus filhos que estão a padecer de fome? Um é adorado. O outro é condenado e morto perante o conjunto de leis que regem uma sociedade inteira. Os filhos da mãe morta por conta do infeliz roubo morrem de fome, e tudo o que ela fizera para deter este fim perverso se torna nada. Tudo por conta de uma falta de brechas nas leis. Quem rouba, deve morrer... deve mesmo?

Não sei se deve matar ou não, mas para toda regra há uma exceção, assim dizia o meu pai. Tudo fica calmo e silencioso. Todos refletem sobre o que o alien que destruiu a Lua disse. Eu não sei as respostas para esses questionamentos, nunca me questionei sobre nada, na verdade. Não precisava questionar. E creio eu que todos pensavam da mesma forma. Os nossos caminhos todos já foram traçados, só nos resta seguí-los. A vida é assim, sempre foi assim que a vi.

O silêncio perpetuava então me permitir deixar os pensamentos falarem por si. O Governo Mundial nos garante saúde, não preciso me preocupar com isso. O GM nos garante educação; só preciso estudar o que realmente me importa para o meu crescimento profissional. O GM nos garante tecnologia, esse é o tripé, não preciso me preocupar com tudo o que me cerca. Pessoas se empenharam que criaram o que vemos hoje, a única coisa que preciso fazer é usufruir. Porque se não, isso seria como uma ofensa para quem investiu sua vida toda nisso. Nunca tive responsabilidades, mas sempre me preocupei comigo. Com o meu futuro. Com o meu coração. Enfim, comigo. Sinceramente, a vida não é nada se não se pode usufruir dela.

Todos pensam assim. Talvez eu, realmente, não pense desta forma. Mas devo passar que penso assim, se não serei excluído.

O Professor Monstruoso voltou a falar e a sorrir, infelizmente eu senti que ele estava sendo sincero.

–Vou explicar-lhes sobre o por quê deste Teste, já passou da hora de vocês descobrirem a verdade. O mundo não são apenas flores como vocês acham que assim é. A Limpeza apenas começou.

Abaixei a minha cabeça e fechei meus olhos, Milena poderia me matar, nada mudaria se ela o fizesse. Eu não estava com medo de nada só queria me concentrar no que ele diria e terminar logo este Teste. Seja o que aconteça, não posso perder a minha sanidade e “humanidade”.

Notas finais
Obrigado...
Esperem por mais...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.