O Tempo e a Esperança

35 História Extra V


História Extra V

Mesmo sendo acostumado a estar na companhia de Takeshi, para Makoto vê-lo ali daquela forma, fora dos muros do clã Otori era sem dúvida uma incógnita. Ele poderia ter mandado qualquer um ir buscá-lo, mas preferira faze-lo pessoalmente. Imaginava com que cara o conselho ficara quando Takeshi saiu dos domínios dos Otori somente para estar ali com ele, andando pelas ruas de Konoha. E sorriu diante da idéia.

— Compartilhe a alegria comigo, Makoto-kun. – pediu Takeshi ao ver o sorriso do garoto.

— Estava pensando no conselho ao verem o senhor sair assim do clã... – falou entusiasmado.

Takeshi acompanhou o riso do garoto.

— Eles não ficaram muito satisfeitos, é verdade. Mas, e daí? Quem decide minhas ações sou eu e não eles. – disse abanando as mãos displicentemente e com um sorriso alegre nos lábios.

— Mas... Takeshi-sama... Não quero criar problemas para o senhor... – murmurou tristemente.

— Você não me trás problemas Makoto-kun, pelo contrário, só satisfações. – disse tranqüilizador — Até hoje, não tive motivos para me arrepender de ter lhe enviado à academia. Você tem se saído muito bem.

Uma cor rubra tingiu a face de Makoto. Ali estava a pessoa que ele mais admirava no mundo, lhe dizendo que ele não lhe trazia nem ressentimentos nem vergonha. As lágrimas foram inevitáveis. Nem seu pai nunca acreditara tanto nele.

— Makoto-kun, não chore... – pediu Takeshi comovido – Suas lágrimas são preciosas demais para serem desperdiçadas por tão pouco.

— D-Desculpe, T-Takeshi-sama... – pediu sinceramente ele enxugando o rosto com a manga da camisa.

Quando chegaram à porta do clã Otori, Makoto já havia controlado suas emoções. Os guardas abriram os portões imediatamente e fizeram uma profunda reverência ao líder do clã. Takeshi sorriu amigavelmente e acenou para todos. Makoto seguiu em seu encalço, encantado com a forma que o rapaz tratava igualmente todas as pessoas do clã. Várias crianças pararam de brincar para virem cumprimentá-los e algumas ele levantava nos braços para dar um beijo nas bochechas. As senhoras deixavam suas vassouras de lado só para lhe dirigir uma palavra. E pacientemente e com o mesmo sorriso, Takeshi falava com todos, sem distinção. Seu sorriso continha uma tal alegria e era repleto tanto de sinceridade quanto de meiguice, que era impossível um membro do clã Otori não retribuir seu sorriso. Continuaram a andar até Makoto perceber que o líder não tomava o caminho de sua casa.

— Takeshi-sama... – chamou Makoto timidamente.

— Fale Makoto-kun.

— Hã... Já passamos de minha casa...

— Ah, é mesmo... – comentou displicente – Mas você não vai pra casa, vai jantar lá na minha casa hoje!

— Vou? – perguntou o menino surpreso.

— Ah, não te falei ainda né? Minha noiva esta aqui hoje. – ele parecia delirante de felicidade — Acabou de voltar da capital. Finalmente poderemos marcar a data do casamento. E o jantar de noivado é hoje.

Os olhos de Takeshi adquiriram um brilho de êxtase quase febril ao falar da noiva. Sua expressão ficou mais serena e em seus lábios afloraram o mais belo sorriso que Makoto jamais vira em sua face. Sem saber o que exatamente dizer naquela hora, o menino limitou-se a comentar:

— A senhora Naomi é realmente bela...

— Muito mais que isso, Makoto-kun. Naomi não é somente bela, ela é muito mais... – pronunciou com ênfase e um ar sonhador como se seus pensamentos estivessem totalmente voltados para ela naquele momento.

E desviando um pouco do caminho, Takeshi levou Makoto para um belo jardim que àquele momento não era ocupado por mais ninguém a não ser pelas borboletas que dançavam em torno das flores. Por um momento eles ficaram em silêncio, como se ouvissem o barulho do vento ao sacudir as folhas das árvores. Era uma singularidade do clã Otori. Eles gostavam de ouvir o som do mundo. E naquele momento os pássaros pareciam ter reparado nisso e cantavam alegremente como se homenageassem seus apreciadores.

— Makoto-kun – chamou Takeshi depois de um tempo.

— Sim, Takeshi-sama.

— Você sabe qual a maior característica do clã Otori?

Makoto olhou para face de Takeshi pensando que espécie de pergunta era aquela. Claro que ele sabia.

— Ué, nossa audição. – falou simplesmente.

— Não, Makoto-kun. Eu me referi às características, não às habilidades. – ele falou em um tom alegre, sem repreensão.

— Bem... Então não sei... Nossos jutsus de fogo? – arriscou.

Takeshi gargalhou enquanto passava a mão no cabelo do menino.

— Nossa maior característica, aquilo que mais nos diferencia dos outros clãs de Konoha, não está ligado às nossas habilidades ninjas, Makoto-kun... É algo maior... Muito maior... – a forma com a qual ele falou foi extremamente filosófico, como se não houvesse algo mais simples e ao mesmo tempo indispensável.

— E o que seria isso, Takeshi-sama? – perguntou interessado.

— O amor. – falou Takeshi singelamente.

Um passarinho voou mais baixo e pousou em um galho bem em frente a eles. Depois, outro passarinho o imitou. E os dois animais começaram uma canção alegre e melodiosa. Quando o vento soprou mais forte, ambos se assustaram com o balançar da arvore e voaram. Makoto encarou o líder do clã, buscando uma explicação para o que ele acabara de dizer.

— Makoto-kun... – começou ele – Os Otori estão profundamente ligados uns aos outros por um sentimento que transcende a simples lealdade. Estamos ligados por laços de amor profundo. – olhando para as casas próximas, ele sorriu e esse sorriso era repleto de amor — Amor pelo clã, amor pela nossa família, amor pela vida. Não exercemos nossos cargos ou responsabilidades por obrigação ou subserviência. Fazemos por que amamos o que fazemos.

— E por que amamos dessa forma? – perguntou o garoto como se procurasse entender o sentimento que havia dentro dele e somente naquele momento ele percebera sua existência.

— É algo que esta em nosso sangue. Muitos dizem ser conseqüência da nossa linhagem, por estarmos sempre envolvidos com o sentir, com o perceber... Mas eu acho essa explicação impessoal demais. – e sorrindo acrescentou – Prefiro acreditar que somos assim por que sabemos que uma vida sem amor é algo vazio e repulsivo...

— Então... Amamos mais que outros? – indagou Makoto ainda um confuso com sua descoberta.

— Eu não diria “mais”, eu diria “melhor”. – disse com o tom de quem sabia exatamente do que falava, e sabia muito bem — A intensidade dos sentimentos de um Otori sempre é mais aguçada e mais complexa do que de outras pessoas. Daríamos a vida por quem amamos sem pestanejar. E esse sentimento se estende à todas as pessoas do clã, e não apenas aquelas de nossa família. – estendendo a mão para uma rosa, Takeshi a apanhou delicadamente – É claro que quando falamos de amor nos vem a cabeça paixão não é? Então me deixe dizer algo. Um Otori não se apaixona. Ele ama. – falou de forma enfática — Desde o primeiro momento que ele vê até o momento que fecha os olhos para sempre.

— Não entendi muito bem Takeshi-sama... – se desculpou o menino.

— Quero dizer Makoto-kun, que nossos sentimentos estão sempre tão à flor da pele, que nem ao menos passamos pelo estágio da paixão. Quando encontramos a pessoa que parece a nós a criatura mais perfeita e bela, nós não nos apaixonamos. Já a amamos com toda força de nossos sentimentos. – dando uma pequena pausa enquanto tirava os espinhos da rosa colhida, Takeshi prosseguiu – É interessante que a maioria dos Otori se apaixona muito cedo, na infância ainda. Nós casamos normalmente com essa pessoa e vivemos com ela unicamente por toda vida. – ele sorriu carinhosamente antes de acrescentar – Eu me apaixonei por Naomi e ela por mim quando tínhamos apenas seis anos.

Makoto arregalou os olhos diante da revelação, mas Takeshi apenas sorriu para ele. Era impressionante saber dessas coisas. Então essa era a principal característica do clã?

— Você já ama alguém Makoto-kun? – perguntou Takeshi interessado.

Sem saber explicar por que, Makoto sentiu o coração bater mais rápido diante da pergunta e uma cor avermelhada surgiu na sua face.

— Não Takeshi-sama! – negou veementemente – Não amo ninguém... – e fazendo uma pausa perguntou temeroso – Isso é ruim?

Takeshi caiu na risada ao ouvir o tom preocupado dele.

— Claro que não! Não são todos amam tão cedo! Tenho um primo meu que veio amar alguém aos trinta anos!

— Que alívio! – disse o menino com a mão no peito. Mas algo ainda o incomodava. Por que negara tão veementemente que amava alguém?

— Oh! – exclamou Takeshi – A irmãzinha da minha noiva vem jantar conosco hoje e ela tem sua idade! Seria muito lindo se vocês se amassem, não? – perguntou alcoviteiro.

Mais uma vez as bochechas de Makoto assumiram um vermelho profundo.

— M-Mas Takeshi-sama! – falou o menino apressado e gaguejando — Sua noiva e a família dela pertencem ao principal ramo dos Otori e eu não! Mesmo que eu gostasse dela não poderíamos ficar juntos!

— Não se importe com isso Makoto-kun! – disse ele displicentemente — Apaixone-se por quem você quiser dentro do clã Otori. Eu me encarregarei de cuidar de tudo. E para mim nada seria melhor do que ter você perto de mim, se esse fosse o caso. Afinal, você é como um filho para mim. – disse ele com tamanho amor pelo seu “filho” que parecia transbordar pelo brilho de seus olhos e pelo tom de sua voz.

Makoto sempre se perguntara por que Takeshi gostava tanto dele assim. Agora podia entender tudo que sempre o que ele fizera por sua vida. Via em seus olhos tudo que jamais enxergara em seu pai. Amor total e completamente verdadeiro ,por ele que nem seu parente era. O orgulho que sentia por ouvir Takeshi se referir a ele como filho era algo que nunca sentira em sua vida. E temia que nunca pudesse corresponder a toda essa expectativa e amor que o líder depositava sobre ele. E foi diante desse pensamento que algo veio a sua mente. E antes que pudesse conter, perguntou preocupado:

— E se o Otori amar alguém que não o ama?

— Bem... – o sorriso de Takeshi morreu diante da pergunta – Não existe algo mais triste no mundo que um Otori que não tenha seu amor correspondido... Isso é muito difícil de acontecer dentro do clã, mas ainda há casos assim... – ele suspirou – Um Otori não correspondido só tem dois caminhos para ele: a solidão ou a morte... Veja bem, não ter seu amor correspondido pode levar à uma grave depressão que o mate aos poucos, ou um isolamento total...

— Que triste... – murmurou o menino.

— Por isso há alguns entre nós que simplesmente escolhem não amar...

— Isso é possível? – perguntou surpreso.

— Sim, é. Normalmente esses são aqueles mais calados, mais taciturnos, que evitam se envolver com outras pessoas, temendo ama-las e perde-las...

Um tremor se apossou do corpo de Makoto.

— Parece... Que o senhor está descrevendo meu pai...

— De certa forma estou. Mas veja bem, seu pai ama sua mãe – falou apressadamente – Mas ele tentou não amar você...

— Eu?!

— Sim... Quando percebeu que você era abaixo da média... Ele sabia o seu destino... Por isso tentou não ama-lo, com medo do sofrimento que teria que enfrentar quando te perdesse... – diante do olhar triste do menino, ele falou carinhosamente – Não culpe seu pai. Ele só estava com medo... Isso é normal.

— Então, ele não me ama... – murmurou tristemente.

Takeshi negou com a cabeça.

— Preste atenção no que eu disse: ele tentou não ama-lo... Por isso as atitudes dele. Mas ele te ama... Se não amasse, não teria oferecido você para o teste. Seria adiar o sofrimento. Ele te ama sim, apenas tenta fugir disso.

A expressão de sofrimento de Makoto fez aflorar uma pequena ponta de arrependimento em Takeshi. Talvez não devesse ter falado aquilo. Mas, em sua opinião, era bem pior viver sem saber, do que saber e sofrer. E sabia que estava diante de um menino forte, que não iria se intimidar por coisas como aquelas.

Mesmo com uma dor forte no peito, e sentindo um gosto amargo na boca, Makoto achou melhor pensar outra coisa. Por hora, deixaria esse assunto de lado. Mas prometeu a sim mesmo que faria de tudo pra seu pai ver que deveria amá-lo sim, e não fugir disso.

— Posso perguntar mais uma coisa, Takeshi-sama? – pediu quando começaram a andar novamente.

— Claro.

— O que acontece a um Otori se quem ele ama e, que o ama também, morre?

— Bem isso varia muito. Alguns transferem esse amor aos filhos, outros sofrem pelo resto da vida, e há aqueles que buscam outro amor.

— E eles conseguem?

Takeshi parou em frente à sua casa. Entrou elegantemente na varanda e se voltou para Makoto com um sorriso no rosto.

— Um Otori só ama uma vez na vida, Makoto-kun.

E fez um gesto para que o garoto entrasse também.

Uma criada foi apressadamente na direção dos dois assim que eles entraram. Era uma senhora já idosa, e ela cuidou de tirar a capa de Takeshi cuidadosamente.

— Shizuka. – chamou o rapaz.

— Sim, Otori-sama. – respondeu ela.

— Leve esta rosa até minha noiva, por favor, e fale a ela que estou com saudades.

A mulher deu um pequeno sorriso enquanto recebia a rosa.

— Voltarei em um minuto. – falou ela.

— Quando você voltar, providencie aquele doce de cereja que Makoto-kun gosta tanto!

— Claro senhor! – disse ela sorrindo para o menino e saindo apressadamente.

Ninguém mais na casa se surpreendia com sua presença ali. Desde que ele fora escolhido como “experiência” dentro do clã, estava sempre visitando Takeshi para informá-lo de seus progressos na academia. No início, quando o líder começou a demonstrar afeição por ele, muitos o criticaram dizendo que ele não podia se apegar a ele, que caso o menino falhasse teria que executa-lo e sofreria por isso. Ainda hoje se lembrava das palavras do líder e que foram fundamentais para ele naquela época:

— Eu sei que Makoto-kun não vai falhar.

Depois disso se tornaram próximos como dois irmãos. Takeshi sempre ouvia seus desabafos e seus medos, sempre o incentivando a continuar. E era também a única pessoa que o fazia comer doce. Mesmo tendo decidido a não provar aquele tipo de comida novamente, na presença de Takeshi não os recusava, desde que fossem oferecidos pelo mesmo. Por isso ficou pensando o que se passara na cabeça de Yumi e Suzumi quando Takeshi comentara que iria lhe dar doces. Elas deviam ter ficado perplexas.

— Makoto-kun. – falou Takeshi logo que chegaram à sala – Vou mandar chamar meu médico para te examinar. Enquanto isso tome um banho e coma algo.

— Não precisa se preocupar Takeshi-sama! – pediu ele envergonhado.

— Claro que precisa! – e olhando diretamente para o garoto falou – Você sabe não é? Ouviu minha conversa com Haruno Sakura?

Ele afirmou tristemente com a cabeça.

— Como aconteceu? – quis saber ele.

Então Makoto detalhou tudo que acontecera na missão para o líder, que ouvia com uma expressão incógnita. Quando falou do golpe que usara, Takeshi olhou sua mão enfaixada, mas não comentou nada. Depois do relato, Makoto baixou a cabeça, pronto para ouvir uma grave repreensão.

— Estou orgulhoso de você, Makoto-kun. – disse Takeshi depois de um breve silêncio.

Levantando a cabeça rapidamente, o menino o encarou surpreso. Parecia não acreditar no que ouvia.

— Você lutou como um verdadeiro Otori. E daí se queimou a mão? Ninguém é perfeito. Você salvou a vida de suas amigas e completou a missão com sucesso. Precisa apenas de um pouco mais de treino. Só isso. E tenho certeza que Uzumaki Naruto vai ajudá-lo nessa empreitada!

— Então... O senhor não está chateado comigo? – perguntou ansioso.

— Claro que não! Só quero saber uma coisa: O que você sentiu ao lutar apenas com sua audição? – Takeshi parecia muito interessado nessa resposta.

Quando o menino descreveu o que sentiu ao lutar apenas com sua linhagem, Takeshi sorriu satisfeito.

— Bom muito bom. Você acaba de saber o maior dos trunfos de um Otori. Quando fechamos os olhos, somos mais fortes.

— Então... Se eu ficar cego não fará muita diferença, não é?

Takeshi meneou a cabeça.

— Não é bem assim, Makoto-kun. Se depender de mim, não deixarei você ficar cego. Meu médico vai examiná-lo e fazer o que achar necessário. Agora vá tomar um banho e se apronte!

O médico particular do líder do clã, Otori Hatsuharu, era tão jovem quanto ele. Enquanto examinava Makoto, contou que era amigo de infância de Takeshi e haviam crescido juntos. O garoto soube que ele também se apaixonara na infância e já era casado com seu amor, uma bela moça chamada Rin, que ele fez questão de mostrar através de uma foto para Makoto.

— Ela é linda, não é? – perguntou ao menino.

— Sim é. – falou Makoto sinceramente.

— As mulheres Otori são as mais belas de Konoha. – falou Takeshi sorrindo.

— Mas... Haru-nii-chan, e os meus olhos? – perguntou o menino.

Hatsuharu ficou imediatamente sério.

— O diagnóstico de Haruno-san estava certo. Mas eu seria mais preciso. Treze por cento da visão perdida e com tendência a aumentar no decorrer dos anos.

— Tem como remediar? – perguntou Takeshi preocupado.

— Uma cirurgia pode funcionar, mas é muito arriscado. Podemos estacionar o grau de perda, como também podemos tirar sua visão por completo, caso aconteça um erro. Mas somente quem pode decidir o que fazer é você, Takeshi-sama.

Takeshi olhou diretamente para Makoto antes de falar:

— Não, quem decide é ele.

Makoto olhou para Takeshi e depois para Hatsuharu. Era a primeira vez que deixavam uma decisão em suas mãos e aquilo o amedrontava. Como poderia saber o que era melhor para ele? Tinha medo de ficar cego, mas também lembrava das sensações quando confiara apenas na sua audição. Não tivera medo em nenhum momento, pelo contrário. Sentiu-se mais confiante que nunca. Os dois homens o olhavam esperando uma resposta. E lembrando o que Takeshi falara no hospital naquela manhã, ele disse:

— Um Otori não necessita de sua visão para ser um bom ninja. Não farei a cirurgia. Se for para ficar cego, ficarei.

Takeshi abriu um largo sorriso para Makoto, no que foi acompanhado pro Hatsuharu.

— Bem, qualquer coisa me procure. – disse Hatsuharu satisfeito – Agora vou para casa me aprontar para o jantar.

— E nada de chegar atrasado, viu Haru-chan! – avisou Takeshi sorrindo.

Mais tarde naquela noite, enquanto estava deitado no quarto que Takeshi mandara preparar para ele, Makoto lembrava o quanto àquela noite fora especial para ele. A noiva de Takeshi, Otori Naomi, estava realmente muito linda, mas todos a elogiaram por seu sincero sorriso e não por suas belas vestes vermelhas. A irmã dela era também muito bonita, mas Makoto a achara sem graça e calada demais. A comida estava ótima e todos se divertiram muito. Durante a refeição, Takeshi fizera questão de contar a todos os presentes os feitos de Makoto na missão de resgate. Aquilo atraiu muito a atenção para o pobre garoto, que parecia querer se enfiar em um buraco a cada elogio.

— Ele decepou a cabeça do ninja só com uma mão! – repetia Takeshi sem parar orgulhosamente, parecendo um pai contando os primeiros passos do filho.

— Takeshi-sama... Por favor... – pediu ele.

— Ah, não se envergonhe, Makoto-kun! Você derrotou um jounin! Devia estar orgulhoso! – repreendeu Takeshi.

— Mas eu não fiz só... As meninas ajudaram e...

— Mas quem deu o golpe final foi você não foi? – perguntou Hatsuharu.

— Foi... – admitiu ele.

— Então, Makoto-kun é muito forte! – dissera Naomi sorrindo para ele, e o deixando mais vermelho ainda.

— Claro que é! – falou Takeshi sorrindo e apertando a bochecha dele – E ele será como um irmão mais velho para nossos filhos, não é Makoto-kun?

— Takeshi-sama, solte a bochecha dele para que ele possa responder... – pediu Hatsuharu rindo da cara encabulada de Makoto.

— Ah é! – e ele soltou a bochecha do menino.

Alisando o lugar dolorido, Makoto respondeu polidamente:

— Farei tudo que estiver ao meu alcance por Takeshi-sama e seus filhos.

Takeshi olhou para cara séria e decidida de Makoto, antes de abraçá-lo fortemente dizendo:

— Que fofo!!

Todos caíram na risada diante do gesto, inclusive alguns membros do conselho que estavam lá.

— Makoto-kun vai ser dama-de-honra de nosso casamento, Naomi! – exclamou ele empolgado.

— Como?! – falou Makoto se engasgando.

— Claro, claro! – concordou Naomi entrando na brincadeira.

“Jamais esquecerei dessa noite!” prometeu Makoto para si mesmo enquanto lembrava que havia entrado em desespero diante da brincadeira dos noivos, se engasgando com a comida, o que levou Hatsuharu a entrar em ação. Fora a noite mais animada de sua vida. E queria de coração ter várias outras.

“Esforçarei-me para que sempre Takeshi-sama fale de mim com orgulho como fez hoje! E mais ainda para que ele possa sempre continuar a me considerar como um filho!” foi seu ultimo pensamento antes de cair em um sono agradável, povoado de bons sonhos.