O Tempo e a Esperança
29 Capítulo XXVII – Três mais Sete
Capítulo XXVII – Três mais Sete
Hinata sentiu que talvez não fosse agüentar a viagem toda. Cada passo que dava parecia que ia desmontar seu corpo, e ela suportava aquela dor sem dar um único gemido ou qualquer demonstração de desconforto. Fazia um tempo que sentia aquelas dores pelo corpo, mas preferia não dizer nada pra ninguém. Já bastava o fato de todos no clã comentarem seu “desentendimento” com Naruto, forçando-a a permanecer enclausurada dentro dos domínios do clã. Se desconfiassem que ela estivesse doente, certamente apontariam as pressões pelas quais ela vinha passando com toda vila como principal motivo. Não os culpava por pensarem assim, bem como entendia as atitudes extremas que vinham tomando. A situação era realmente muito difícil. Podia simplesmente dizer que a culpa do fim do relacionamento deles fora por iniciativa dela, e principalmente falar que fora por uma promessa feita a seu pai. Todavia, mantivera-se em silêncio até ali e agora era impossível rompê-lo. Mesmo que quisesse.
Talvez, se ela tivesse coragem de mentir para todos, tivesse sido mais fácil dizer que se enganara, que não gostava dele e que tudo era passado. Mas todos logo saberiam que ela estaria mentindo. Não dava pra esconder de duas centenas de byakugans que ela ainda amava Naruto.
“Eu fui a causadora de tudo isso...” pensou triste “Se eu tivesse coragem de lutar... Se eu não aceitasse essa situação... Se eu não tivesse escrúpulos... Por Deus, se ele ao menos me amasse! Se eu tivesse essa certeza, eu poderia ter alguma coragem... Mas como esperar por algo que não existe? Como desejar o mar em pleno deserto? Não... Vou continuar assim... Afinal, ele é feliz sem mim... Ele é feliz... Ele é feliz...”
Esses pensamentos a torturaram por todos os minutos passados no caminho que levava à casa do primeiro ministro. Provavelmente eles eram os motivos pelo quais os quatro rapazes que a acompanhavam olhavam constantemente para ela. Eles pareciam buscar alguma coisa errada. Principalmente Nobuhiro. Ele era bem chegado a Neji e o respeitava muito. Então a vigiava com um exagerado zelo. Estava sempre perguntando como ela estava, se tinha fome, se queria descansar. E ela sempre dizia que estava tudo bem.
- Não se preocupe Nobuhiro-san. Eu não vou quebrar. – brincava ela.
Mas ele parecia não ter tanta certeza disso.
- Hinata-sama. – disse ele – O Neji-sama me confiou sua proteção. Sei que não sou tão forte quanto ele, mas farei tudo para cumpri minha palavra.
- Não haverá nenhum problema Nobuhiro-san. É só uma viagem de diplomacia. Ninguém vai morrer nela. – afirmara convicta.
No segundo dia de viagem, já estavam quase chegando à fazenda. Amanhecera bem frio, com uma névoa opaca encobrindo os campos. Depois de muita insistência de Nobuhiro, Hinata aceitara uma maçã. Não tinha fome, e sentia seu corpo meio febril. Depois de andar durante uma hora, já não agüentava mais, nem conseguia disfarçar.
- Vamos parar um pouco – disse Nobuhiro – A Hinata-sama não está bem...
Todos sentaram então debaixo de uma árvore e o rapaz ofereceu um copo de água à sua líder.
- Obrigada... – agradeceu ela num fio de voz recebendo o copo.
Ele a analisava sem ressalvas. Não se importava que ela estivesse constrangida com a intensidade de seu olhar. Ele sabia que havia algo errado.
- Hinata-sama, se não estiver se sentindo bem, não é melhor voltarmos?
Ela balançou a cabeça com tanta força que ela começou a doer.
- De forma alguma! – falou decidida – Estamos quase chegando! Não podemos simplesmente voltar!
- Mas a sua saúde... – insistia ele.
- O clã importa mais que minha saúde, Nobuhiro-san. – e se levantando com alguma dificuldade, acrescentou – Vamos seguir em frente imediatamente.
Não podia contestar uma ordem direta da líder. Mesmo que quisesse. Então continuaram andando e avançando mais naquele nevoeiro. Por volta da hora do almoço, Hinata notou que havia algo estranho. O dia já estava alto e não deveria haver tanta neblina àquela hora. Mesmo estando no outono, não era pra estar tão frio. Nobuhiro também percebeu. Parou por um momento, chamando a atenção dos outros.
- Byakugan! – exclamou.
Foi tudo tão rápido que mal tiveram tempo de agir. Quando viu as sombras se aproximando, Nobuhiro pegou Hinata e a afastou do ataque. Um dos rapazes que os acompanhavam foi alvejado por dezenas de kunais, e caiu no chão, morto quase que instantaneamente. Os outros dois tiveram sorte e conseguiram de afastar antes de serem atingidos. Hinata parecia que tinha perdido os movimentos do corpo. Olhou a cena chocada, sem entender o que estava acontecendo. Nobuhiro soltou um palavrão e puxou Hinata para perto dele.
- Nobuhiro-san. – gritou um dos rapazes – Tire Hinata-sama daqui. Nós te daremos cobertura.
Sem responder, o rapaz começou a se afastar levando Hinata. Ela, contudo, relutou em fugir.
- Não podemos deixá-los lá! – falou aflita.
- Não podemos arriscar sua vida, Hinata-sama. – disse ele correndo com ela nos braços.
- Volte! É uma ordem! – disse ela irritada.
- Desculpe Hinata-sama, mas essa ordem eu não irei cumprir. – disse resoluto.
Continuou se afastando com ela pela névoa densa, com o byakugan ativado, esperando o menor sinal de ataque. Ele não demorou muito. À sua frente, surgiu um homem alto, de cabelos negros e que trazia em uma das mãos a cabeça de um dos rapazes que haviam deixado para trás. Ele sorria e olhava diabolicamente para eles.
- Esse não durou muito... – falou numa voz gutural que arrepiou todos os pêlos do corpo de Hinata – Espero que esse aí seja mais divertido.
Nobuhiro colocou Hinata cuidadosamente no chão e tirou várias kunais da bolsa.
- Hinata-sama, se afaste. – pediu ele.
O homem à sua frente virou a cabeça em direção à Hinata.
- Hyuuga Hinata hein? – ele atirou aos pés dela a cabeça que trazia – Veja seus súditos! – e passou a rir escandalosamente.
Hinata olhou para a parte daquele corpo a seus pés e teve que fazer um grande esforço para não vomitar. Mesmo assim, as lágrimas vieram instantaneamente a seus olhos. Aquele rapaz era muito jovem, não devia ter mais que vinte e dois anos e tinha um filho pequeno. Por que tivera que morrer por ela? E o homem à frente, o que exatamente queria? Por que estava os atacando?
Nobuhiro não estava preocupado em perguntar nada, nem em pensar. Começou a atacar rapidamente o inimigo, procurando deixa-lo bem longe de Hinata. O ninja passou a apenas se defender dos ataques do Hyuuga, evitando que as mãos dele o atacassem.
“Ele conhece o estilo Hyuuga” pensou Hinata horrorizada.
E não só conhecia como sabia evita-lo. Passou a desenvolver a luta através do ataque à distância, procurando neutralizar o Taijutsu de Nobuhiro. Para isso, usava uma espécie de lança cuja ponta curvava perigosamente como uma foice. Uma arma feita para degolar. Quando a névoa baixou mais, Hinata viu a bandana que ele trazia amarrada à cintura. Ele era da Vila da Nuvem.
Mesmo tendo afirmado que não era do mesmo nível que Neji, Nobuhiro era um ótimo ninja. A luta estava equilibrada. Mas o homem não parecia preocupado com essa aparente vantagem. Pelo contrario, ria e se divertia. Como se tudo não passasse de uma grande brincadeira.
A constatação veio logo depois. Ele não estava sozinho. Esse pensamento a salvou instante depois. Tão logo Hinata ativou seu byakugan pôde se desviar do ataque que vinha silenciosamente às suas costas. Mais uma pessoa surgiu em sua frente, uma mulher loira que trazia as roupas manchadas de sangue. O seu estomago revirou-se mais uma vez. Provavelmente o outro rapaz que ficara para trás também já estivesse morto. Só restavam ela e Nobuhiro.
- Você é tão bonita quanto disseram. – falou a loira olhando-a com um sorriso desdenhoso – Isso me dará mais um motivo para matá-la... – sibilou ameaçadoramente.
- Hinata-sama! – exclamou Nobuhiro desviando sua atenção da luta e procurando chegar perto dela.
- SUA LUTA É COMIGO! – bradou o homem meneando sua lança perigosamente.
No intuito de proteger sua líder, Nobuhiro menosprezou o balanço da lança e sentiu a ponta rasgar suas costas superficialmente. Teve que parar sua corrida e voltar à atenção novamente para seu oponente. Hinata sabia que não podia ficar parada. Tinha que lutar. Mas seu corpo estava imóvel, com todos seus nervos paralisados como um pássaro quando fica em frente a um gavião. A mulher parecia se divertir com sua expressão. Puxou uma espada das costas e exibiu as manchas de sangue fresco que ela trazia. Passou a língua pela lâmina, olhando diretamente para Hinata.
- Minha espada ficará satisfeita em provar novamente do sangue Hyuuga...
No instante que ela atacou, Hinata se mexeu. Pulou para trás, e colou os pés em uma árvore. Mas seu corpo todo estremeceu com a dor. Ela não iria durar muito. Tudo que podia fazer era desviar dos golpes que lhe eram direcionados. O manejo da espada de sua inimiga era perfeito, fazendo movimentos seguros e precisos que abriam vergões nas arvores quando raspava neles. Tinha que quebrar aquela espada para poder ter alguma chance. A loira também deve ter pensado a mesma coisa, já que no próximo ataque, quando Hinata permitiu que ela se aproximasse mais, ela no ultimo momento refreou a espada, atingindo o estomago de Hinata com a bainha. A garota se curvou de dor, regurgitando sangue e ficando de joelhos. Ao ver aquilo, Nobuhiro se desesperou.
- Adeus Hyuuga Hinata – disse a loira tirando a espada novamente da bainha e descendo ela sobre a garota no chão.
Hinata fechou os olhos e esperou a dor da perfuração. Mas ele não veio. Tudo que sentiu foi um grande jorro de sangue em cima dela. Abriu os olhos e levantou a cabeça. Nobuhiro estava em frente a ela, com o byakugan ativado e a espada transpassando seu peito. Ele virou a cabeça com dificuldade, encarando sua líder. E sorriu.
- N-Não pude d-defendê-la Hinata-sama... – falou com dificuldade, com lágrimas escorrendo por seus olhos – Mas facilitarei as coisas para a senhora...
E dizendo isso, concentrou a ultima reserva de chakra que tinha e com as mãos quebrou a espada. Depois, ele caiu sem vida ao seu lado.
- Sua louca! – gritou o homem que lutava antes com Nobuhiro – Nossas ordens não são matá-la! Ele a quer com vida e de preferência sem nenhum arranhão!
- Eu não suporto ver outra mulher bonita além de mim! – respondeu a outra sem dar mostras de arrependimento.
Hinata se aproximou do corpo de Nobuhiro. E chorou. Ele tinha praticamente crescido com ela dentro dos domínios do clã. E se atirara para lhe salvar a vida. Naquele momento, pensando nos quatro rapazes que morreram para salva-la, Hinata sentiu um ódio que começou a consumir seu interior. Esse frio sentimento era tão forte que, naquele instante, toda a dor que sentia pelo corpo sumiu. Seu sangue fervia e sua mente estava clara. Levantou-se sem dificuldade e tirou a capa nobre que cobria suas roupas de ninja. Delicadamente, colocou-a por cima do corpo sem vida de Nobuhiro e pegou suas armas. Iria lutar e vingar a morte de seus companheiros.
Os dois ninjas da Nuvem continuavam discutir como se não a considerarem um problema a ser detido. Hinata percebeu que eles a subestimavam. Era sua vantagem. Ativou seu byakugan e falou:
- Ainda continuarão conversando? Pois eu não irei mais esperar!
Avançou sobre os dois que a olharam surpresos. O homem deu um salto para trás e passou a observar Hinata. A mulher não esperava o ataque e só se ouviu o baque surdo de sua queda. Já estava morta.
Se tivesse um Otori ali presente, ele saberia imediatamente que o que Hinata procurou acertar não foram os tenketsus, pois ouviria um som abafado e rasgado, o barulho de músculo desfiando. E saberia que Hinata acertara propositalmente o coração da sua oponente, forçando o chakra pra dentro do órgão e rompendo seus ligamentos.
Hinata respirou fundo e olhou pro homem que a observava calmamente.
- Esplêndido. – murmurou ele – Você a matou com um único golpe. Suponho que tenha atingido o coração dela não é mesmo?
- O próximo será você! – disse Hinata em postura de luta.
Ele riu.
- Disseram para mim que a atual líder do clã Hyuuga era uma menininha fraca e chorona, que não tinha iniciativa e lutava muito mal. Parece que nos enganamos de pessoa...
- Eu sou a líder do clã Hyuuga! – falou Hinata decidida – E irei te mostrar tudo que sou capaz de fazer, vingando meus amigos!
- Interessante. – disse ele antes de atacar.
Diferente da técnica usada contra Nobuhiro, ele não se afastava muito dela. Lutava corpo a corpo e desviava sem esforço de seus golpes, utilizando a lança como barreira. Numa investida difícil, Hinata ficou cara a cara com ele. Aproveitando essa proximidade, ele cuspiu uma espécie de névoa de sua boca que a sufocou durante alguns segundos. Pulando para trás em busca de ar, Hinata sentiu seus olhos arderem e sua garganta pegar fogo. Tentando manter seu byakugan funcionando, pulou em direção a uma árvore se afastando dos golpes da lança e esfregando os olhos que se recusavam a abrir. Era exatamente o que ele esperava. Neutralizar sua linhagem. Aproveitando que ela baixou aguarda, a atacou por trás, derrubando-a da árvore dentro do rio que entrecortava aquele trecho da floresta. Hinata afundou dentro da água, mas sentiu que ali estava sua vantagem. A correnteza levou os resquícios da substância que o ninja jogara em seus olhos e ela pode subir à tona pronta para continuar a luta. Mas ele não estava à vista quando ela emergiu. Usando o byakugan, ela viu uma centena de agulhas indo em sua direção.
- Shugohakke Rokujyuu Yonshou!!!!! – gritou Hinata girando velozmente por cima da água.
As agulhas bateram em sua defesa se desfazendo em pó quase instantaneamente. Ela então entendera como derrotá-lo. Seu inimigo evitava um combate corpo a corpo não por que tivesse medo de ter os tenketsus pressionados. Afora o gás que expelira em seu rosto, ele não dominava nenhuma forma de ninjutsu. Talvez nem tivesse um taijutsu desenvolvido. Utilizava armas de forma rápida e letal para evitar um confronto direto. Mas não rápido o suficiente.
No momento em que ele percebeu que seu ataque com as agulhas falhara miseravelmente, decidiu aproveitar do longo alcance de sua lança para se lançar a mais uma investida, na certeza que conseguiria evitar que ela chegasse perto da mesma forma que fizera com Nobuhiro. E esse foi seu erro.
Hinata percebendo que tinha uma vantagem com relação a velocidade, se aproveitou de uma brecha em seu ataque e arrebatou-lhe a lança.
- Era disso que você dependia para me derrotar? – e dizendo isso, quebrou a lança em duas com fúria.
Recuperado do susto, riu para a líder do clã Hyuuga.
— Quer lutar à sério, garotinha? Pois lutaremos! Posso não ter minha lança, mas tenho meus jutsus.
Jutsus de terra. Ele começou a atacá-la com fúria, utilizando de terremotos e barreiras de pedras que levantava do chão. Ainda evitava um combate direto, para escapar de ter seus tenketsus pressionados, todavia, era perceptível que tivera sua confiança abalada por ver todos seus ataques fracassados. Mas Hinata estava lutando com furor, como nunca havia lutado antes, e forçava o recuo do homem na maioria das vezes. Por isso, quando ele ergueu uma proteção do chão e sumiu de sua vista, Hinata soube o que viria a seguir. O homem vinha por baixo e menosprezou seu byakugan. E pagaria por isso. No momento em que surgiu do chão, para atacar Hinata surpreendendo-a, a luta foi decidida. Hinata conhecia aquela técnica e teve tempo de sorrir antes de acertá-lo. Golpes parecidos com os de Suzumi, só que muito menos perigosos e mais previsíveis também.
- Seus golpes podem ser superados por uma genin de Konoha. – falou Hinata quando atingiu o coração dele.
Hinata rapidamente atingiu-o diversas vezes no tórax. Cometera um erro ao aproximar dela. Ele então caiu ao chão, sem chances de se defender e se esparramou na relva.
Hinata se aproximou dele devagar. Temia ser outra armadilha. Abaixou-se e percebeu que ele estava morrendo. Os danos causados foram mortais.
- Por que você nos atacou? – perguntou ela levantando a cabeça dele – Por que matou meus companheiros, mas parecia preocupado comigo?
Cuspindo uma grande quantidade de sangue, ele falou:
- Pergunte ao cara que esta atrás de você... – murmurou sorrindo antes de pender a cabeça. Morto.
O coração de Hinata se acelerou. Somente depois que ele disse isso é que percebeu que havia alguém às suas costas. Nem teve tempo de reagir. Sentiu uma pontada fina em seu pescoço e começou a perder os sentidos rapidamente. Em poucos segundos, seu corpo não respondia mais seus comandos. Estava paralisado.
— Missão cumprida Hibiki – ouviu uma voz feminina dizer.
- Ótimo. – respondeu uma voz – Recolha-a e vamos partir o mais rápido possível.
- E os outros Hyuuga? – perguntou uma terceira voz.
- Pertencentes à Bouke. Não nos interessa.
Então eles queriam seu byakugan. Atraíram-na para aquela armadilha e mataram todos para possuir sua linhagem. Antes de perder sua consciência, uma coisa passou por sua mente. Depois dali, provavelmente jamais veria Naruto novamente. E uma lágrima rolou por seus olhos enquanto a figura dele, risonho ia se apagando lentamente.
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Sasuke segurou o Bingo Book como se suas mãos fossem queimar. Encarou a Hokage, que parecia tão aflita quanto ele. Depois baixou os olhos mais uma vez para o caderninho preto.
- Bem – disse suspirando – Não é a primeira vez que eu entro para um Bingo Book, não é mesmo Tsunade-sama?
- Poupe-me de seu sarcasmo, Sasuke. – disse ela irritada – A situação é séria. Você e Hinata se tornaram alvos. Ela está em perigo maior que você. O clã Hyuuga recebeu uma carta supostamente do primeiro ministro, convidando-a para uma visita à sua fazenda. Hoje, porém, Hyuuga Hiashi recebeu um outro pergaminho em que o próprio primeiro ministro diz que está na capital e o esperava lá para uma conversa. Como você vê, a primeira carta era falsa, com o pretexto de atrair Hinata para fora da Vila, possivelmente uma armadilha. Temo que essa hora ela já possa estar nas mãos deles...
- E o que a senhora pretende fazer? – perguntou Sasuke friamente.
- Correr um risco. – disse olhando firme para ele.
- Em outras palavras, vai me enviar para resgatar Hinata?
- Exatamente. Mas não só você.
- Anbu?
- Não. Eu quero que você entre em contato com Kakashi e Sakura também. Vocês irão juntos nessa busca. – falou conclusiva.
Sasuke a olhou, surpreso.
- Nós três? Não trabalhamos juntos há muito tempo! – exclamou satisfeito – Porém... Sem o Naruto é a primeira vez.
- Não quero que Naruto nem ao menos desconfie dessa missão Sasuke. Você está proibido de dizer algo a ele. – ordenou taxativa.
- Nem precisava falar Tsunade-sama. Não acharia prudente a ida de Naruto nessa missão. – disse suspirando — Ele se envolve emocionalmente com uma facilidade espantosa. Além do mais, a proximidade com Hinata não faria bem a ele. – concluiu sombriamente.
- Leve em consideração também – completou ela – que ele acabou de chegar de uma missão que exigiu muito dele. Não quero estressá-lo mais. Contudo, você deve ir agora informá-los da missão e volte aqui para maiores esclarecimentos – acenado com mão ela dispensou-o — E traga Kakashi e Sakura na volta. Quero eu mesma colocá-los a par de tudo e quero que vocês partam hoje ainda, o mais breve possível.
- Sim Tsunade-sama. – disse Sasuke deixando a sala.
Não foi muito difícil achar Kakashi. Ele estava chegando naquele momento ao prédio da Hokage, e o cumprimentou normalmente.
- Yo, Sasuke-kun!
- Kakashi-sensei, a Hokage-sama quer vê-lo. Vá logo se encontrar com ela que logo me juntarei a vocês. – disse apressado.
Kakashi rapidamente mudou sua expressão.
- Problemas? – perguntou preocupado.
- Sim. E Graves. – disse sombrio – Estou indo buscar Sakura. E caso você veja Naruto, não comente nada com ele.
- Então suponho que o problema envolva Hinata. Certo? – concluiu Kakashi.
- Exatamente. Quando estivermos reunidos, falamos com mais calma.
E deixou seu antigo sensei rapidamente. Achar Sakura foi um pouco mais difícil. A garota estava atendendo uma chamada residencial, e ele teve que esperar ela sair da casa para abordá-la.
- Sasuke-kun... – falou ela sorrindo quando o viu.
Mas o sorriso logo morreu quando ela encarou seus olhos.
- Qual problema? – perguntou assustada.
- Precisamos ir o mais rápido possível ao escritório da Hokage. – disse ele puxando ela pela mão.
- Sasuke, o que está acontecendo? – insistiu ela.
Sasuke parou em uma rua deserta, olhando para os dois lados com o sharingan. Quando se certificou que estavam sozinhos, falou em uma voz baixa e bem próxima ao ouvido dela:
- Na missão de Naruto, ele achou um Bingo Book da vila da Nuvem. Nesse Bingo Book, estava Hinata. Ele não sabe disso ainda – acrescentou rapidamente quando ela o olhou, assustada – e nem deve saber. O problema é que Hinata foi atraída para fora da vila por uma carta falsa. Provavelmente já tenha sido capturada. Tsunade-sama quer que nós procuremos por ela e a tragamos de volta a vila em segurança. E Naruto não pode saber disso. – acrescentou incisivamente.
- M-Mas... Por que eles querem Hinata? – ela parecia chocada demais para entender.
- Não é óbvio? Byakugan – revelou friamente – As linhagens avançadas sempre são um trunfo que muitas vilas gostariam de possuir – e olhando para o chão acrescentou receoso – Em uma época tão conturbada como a que estamos vivendo possuir algo tão poderoso ou mesmo saber como neutraliza-lo é uma vantagem que não deve ser subestimada...
Ele deixou a frase morrer como se tivesse algo mais a acrescentar sem, contudo se permitir concluir. Mas essa hesitação não passou despercebida a Sakura.
- E? – indagou Sakura arqueando as sobrancelhas.
- E mais nada. – Disse fugindo do assunto e não a encarando nos olhos. – Vamos – tentando puxa-la pela mão.
- Não! – disse ela se soltando da mão de Sasuke – Existe mais por trás dessa historia do que você está me dizendo.
- Sakura... – começou ele, mas parando ao ver o olhar determinado dela – Tudo bem... Realmente há mais – capitulou ele.
Fechando os olhos e suspirando profundamente, ele parecia se preparar para um confronto. Ao abrir novamente os olhos ele procurou olhar para todos os lugares menos para ela. Sakura percebeu então que devia ser algo muito doloroso para ele e quando finalmente Sasuke levantou a cabeça e a encarou, ela percebeu tanto sofrimento dentro dele como há muitos anos não via.
— Eles também me querem.
Sakura precisou segurar no muro para não cair. Encarou o namorado com os lábios entreabertos e a pele do rosto muito pálida. Suas mãos tremiam e as lágrimas ameaçavam cair.
- V-Você... – balbuciou ela – Isso deve ser um eng...
- Não é. Colocaram-me no Bingo Book. – cortou-a sem nenhuma inflexão na voz.
- E o-o K-Kakashi-sensei? Ele também tem um sharingan... – continuou incrédula.
- Ele pode ter o sharingan, mas não é um Uchiha. Seu corpo não é como um dos nossos, ou melhor, como o meu. – ele olhou para o chão quando pronunciou – E não é de surpreender que meu nome esteja lá, Sakura... Afinal, devo ser bem valioso... O último dos Uchiha.
- Não, não é. Pelo menos não mais. – falou Sakura impulsivamente.
Sasuke levantou a cabeça rapidamente, encarando-a.
- O que você disse Sakura? – perguntou confuso.
Com os olhos voltados para o muro e as mãos apoiadas na parede, Sakura falou numa voz calma e corando ligeiramente.
- Você não é mais o último dos Uchiha.
Uma corrente elétrica percorreu o corpo de Sasuke. Aproximando-se da garota, ele segurou suas mãos e, pegando em seu queixo, a fez olhar para ele.
- Sakura – disse numa voz hesitante – Explique-se.
Ela sorriu timidamente.
- Eu queria te contar em outra oportunidade...
- Me contar o que? – perguntou ele com um frio no estômago, já prevendo a resposta.
- Estou esperando um filho seu. – disse ela finalmente.
Sakura fechou os olhos, sem querer ver qual seria a reação de Sasuke. Com certeza não seria das melhores, afinal eles só tinham dezoito anos. E namoravam a menos de seis meses. Ela devia ter aprendido desde a primeira vez quando quase terminaram por causa das suspeitas dela. Depois disso se tornou mais precavida. Todavia houve aquela vez. Nesta única vez não usaram nenhum tipo de proteção. Agora ela não sabia o que ele faria. Sentiu as mãos dele tocarem seu rosto.
- Quanto tempo? – o ouviu perguntar. Não havia nenhum sinal de emoção na voz dele.
- T-Três semanas... – murmurou ela deixando pesadas lágrimas escorrerem por seu rosto.
Depois de um momento de silêncio, ele pediu:
- Olhe para mim, Sakura.
Sakura olhou. E seu coração se encheu de alivio.
Sasuke sorria para ela. Um sorriso tranqüilizante e feliz. Parecia estar vendo-a de uma forma muito mais profunda do que jamais vira. Depois a abraçou fortemente, tirando os últimos vestígios de dúvida que ela tinha.
- Sakura — disse carinhosamente – a partir de hoje você é minha mulher e eu a considerarei assim mesmo que não tenhamos formalizado nada. E quero que você vá buscar suas coisas em sua casa. Irá morar comigo a partir de hoje.
- Sasuke-kun... – começou ela.
Mas ele não deu tempo dela terminar a frase. A beijou de um jeito meigo e doce, mas profundo, e que deu a certeza à Sakura que ele jamais deixaria de ser dela, não importasse o que acontecesse. Ficaram abraçados um tempo, olhos nos olhos como se fosse uma cerimônia onde estavam selando seu compromisso.
- Sasuke – começou ela relutante — e a reunião com a Hokage-sama? Precisamos ir...
- Você não irá. – disse ele.
— Como assim? – perguntou ela sem entender.
— Sua gravidez muda tudo. Eu não posso permitir que você vá nessa missão.
Sakura se afastou do abraço rapidamente. Sua expressão mudara drasticamente.
— Sasuke! Estamos falando de uma missão de alta importância para Konoha! Se a Tsunade-sama me convocou para ir é por que confia nas minhas habilidades! Não posso deixar de ir!
— Não, você não irá! – falou ele decidido.
A raiva invadiu Sakura. Sentia-se bem por ele ter aceitado tudo, mas não podia deixar que ele começasse a mandar em sua vida tão cedo. Deu as costas para ele e começou a correr na direção do escritório da Hokage.
— Sakura! Volte! – gritou ele correndo atrás dela.
Mas ela não voltou. E sabia que ele não tentaria nada para pará-la e isso era sua vantagem. Conseguiu chegar rapidamente à sala de Tsunade, sendo seguida de perto por ele, que parecia bem irritado. Tsunade e Kakashi olharam para trás no instante que eles entraram.
— Tsunade-sama, me explique a missão! – pediu Sakura.
— Não! Você não vai! – insistia Sasuke.
Sakura virou para ele com as mãos na cintura e parecendo bem ameaçadora.
— Eu não sou uma inútil, Sasuke! Saberei me defender muito bem!
Kakashi e Tsunade se entreolharam sem entender.
— O que está acontecendo? – perguntou a Hokage exasperada.
— Ela não irá para a missão, Tsunade-sama! – disse Sasuke olhando para ela.
— Por que eu não irei? – indagou Sakura ainda mais irritada.
— Ora, que pergunta estúpida Sakura! Você está esperando um filho meu! Não deixarei você se arriscar assim!
Kakashi começou a rir, enquanto Tsunade levantava as sobrancelhas, incrédula. Sakura corou drasticamente e baixou a cabeça. Sasuke pareceu só perceber que tinha dito aquilo em voz alta naquele momento e também enrubesceu.
— Então você está grávida, Sakura. Parabéns! – falou Tsunade quando se recuperou do choque – Mas, sinto muito Sasuke, não a pouparei da missão. Sakura é a melhor ninja médica que tenho. Ela é essencial para o sucesso dessa missão.
Sasuke pareceu desolado.
— Mas, Tsunade-sama...
— Ela será prudente e não entrará em combate, Sasuke – tranqüilizou Kakashi – Estou certo Sakura?
Ela afirmou com a cabeça.
— Então não há o que discutir Sasuke. – disse a Hokage encerrando a conversa – E agora, gostaria que vocês prestassem atenção ao que eu vou dizer. É fundamental que vocês partam o mais rápido possível.
Os três assentiram com a cabeça. E a Hokage começou então a explicar tudo.
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Naruto andava rapidamente na companhia de Makoto. Depois de comerem muito ramen por conta dele, tinham ido comprar alguma coisa para dar de presente à Hokage. Queria agradecê-la por tudo que fizera nos últimos tempos por ele e também remediar o fato que fazia tempo que não lhe dava nenhum agrado. Então, decidira presenteá-la com uma garrafa do sakê preferido dela.
— Tomara que ela goste! – exclamou Naruto.
— Ah, sensei, claro que ela vai gostar! É bebida! – disse Makoto rindo.
— Realmente... Você tem razão!
Os dois passaram pela porta que levava para o escritório, mas foram barrados antes de chegar à sala.
— Tsunade-sama está ocupada, Naruto-kun. – disse Shizune – Volte outra hora...
— Ah, Shizune-nee-san! – reclamou Naruto – Deixe-me entrar!
— É uma reunião confidencial. Você não pode ficar!
— Ah ta... Posso ficar na sala de espera? – insistiu.
Shizune pensou um pouco.
— Acho que não há problema... Podem ficar lá os dois.
— Obrigado, Shizune-nee-san! – agradeceu ele animado.
Os dois sentaram e ficaram esperando. Durante algum tempo, Naruto e Makoto conversaram sobre algumas amenidades pacientemente. Porém, a espera começou a se tornar cansativa. A conversa parou e cada um ficou imerso em seus pensamentos. Vendo seu sensei olhando fixamente para o nada, Makoto fechou os olhos e passou a ouvir as batidas rítmicas do coração dele. Depois, teve sua atenção voltada para uma pia que gotejava ali próxima. Quando os pingos de água se tornaram monótonos, ele começou a se concentrar no barulho de um gato perseguindo um cachorro no outro lado da rua. Aquilo era prazeroso pra ele. Como todas as pessoas do seu clã, o garoto gostava de deixar a sinfonia do mundo lhe encantar. E foi procurando por novos acordes que, sem querer, ouviu uma frase solta:
— Naruto não pode saber disso.
Imediatamente Makoto abriu os olhos, em alerta.
— O que foi Makoto? – perguntou Naruto intrigado com a expressão de seu aluno.
Contudo, Makoto não respondeu. Continuou a ouvir a conversa sem receios, pois já descobrira de onde ela vinha, e empalidecia a cada palavra ouvida. No escritório da Hokage, quatro pessoas discutiam sobre coisas que o deixaram abismados. Hinata e Sasuke no Bingo Book. O seqüestro da líder dos Hyuuga. A ameaça da Vila da Nuvem. A equipe de resgate montada. E principalmente, a decisão de afastar Naruto dessa missão.
— Makoto, você está sentindo alguma coisa? Ta passando mal? – insistia Naruto já bastante preocupado.
— N-Naruto-sensei... – balbuciou ele quase sem fala – A Hinata-sensei...corre perigo...
Por um momento, Naruto achou que fosse algum tipo de piada. Porém, olhando para as feições preocupadas de seu aluno, constatou que ele deveria ter descoberto algo com sua audição apurada.
— Conte-me o que você ouviu Makoto. – pediu Naruto.
Em poucas palavras, Makoto explicou a seu sensei toda a situação. Com o rosto contorcido em fúria, Naruto se levantou e rumou para o escritório da Hokage, sendo seguido de perto pelo garoto. O jounin colocou a mão na maçaneta da porta apenas para perceber que ela estava fechada. Todavia, aquilo não iria impedi-lo. Com um chute forte e certeiro, escancarou a porta e marchou para dentro da sala, sob os olhares atônitos de Kakashi, Sasuke, Sakura e da própria Hokage. Naruto se dirigiu diretamente para esta e, com o punho fechado, bateu com força na mesa.
— NINGUEM ME DEIXARÁ DE FORA DISSO!!! – gritou raivosamente e respirando fundo acrescentou ameaçadoramente — Eu irei atrás de Hinata e ninguém me impedirá!
Confusa inicialmente com a invasão e a afirmativa decidida, Tsunade se perguntou como Naruto ficara sabendo da notícia. Então seus olhos se detiveram em Makoto que, atrás de seu sensei, tentava parecer inocente e inofensivo, como se quisesse deixar claro que não tinha nada a ver com aquilo. Claro que sua tentativa falhara miseravelmente.
— Não deveria ouvir conversas confidenciais Makoto. – repreendeu a Hokage irritada.
— Desculpe Hokage-sama, eu...
— Não peça desculpas Makoto! – ordenou Naruto ainda encarando a Hokage – Quem deve desculpas aqui é a Hokage-sama que tentou me manter afastado disso!
Tsunade franziu as sobrancelhas. Era um mau indício Naruto chamá-la de “Hokage-sama”.
— Tentar? Não é apenas tentar, Naruto. Você não irá e isso é uma ordem. – disse ela inflexível.
— Sim, eu irei! – exclamou ele exasperado – Nem que eu tenha que passar por cima de sua autoridade.
— Não há nenhum interesse seu envolvido nessa missão, Naruto! – argumentou ela.
— Hinata é o meu interesse – disse furioso — Tudo que diz respeito a Hinata, é do meu interesse!
— Você já esqueceu que ela te abandonou? – perguntou Tsunade já perdendo a compostura e apelando para o lado fragilizado de Naruto.
Ele não pareceu abalado quando afirmou:
— MAS EU NUNCA IREI ABANDONÁ-LA! – gritou decidido.
O silêncio que seguiu essa frase foi gélido e tenso. Tsunade e Naruto se encaravam profundamente, enquanto as pessoas ao seu redor prendiam a respiração, esperando o próximo embate. Mas ele não veio. A Hokage suspirou e falou derrotada:
— Tudo bem Naruto. A situação exige que ajamos rápido. Para não perdemos tempo com brigas, você será incorporado à missão.
Um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Naruto. Sasuke e Kakashi se entreolharam e deram de ombros. Já previam aquele desfecho desde o momento que Naruto invadira a sala. Agora que ele descobrira sobre a situação, não havia volta.
— Se o Naruto-sensei vai, eu também irei!
Todos viraram a cabeça para encarar, surpresos, Makoto. O menino tinha o rosto vermelho quando percebeu que era foco de atenção, mas mesmo assim sustentou um olhar tão decidido quanto seu sensei exibia.
— O Naruto-sensei pretende ir em busca da pessoa que ele gosta e resgatá-la. Eu também irei. Primeiro por que quero trazer a Hinata-sensei de volta e também porque quero ajudar o meu atual sensei de todas as formas que eu puder! Mesmo que morra durante o processo!
Naruto olhou comovido para o menino. Não sabia que ele o admirava tanto. Mas nem todos pareciam achar aquela coragem apreciável.
— Isso não podemos permitir, Hokage-sama. – disse Kakashi – Makoto é apenas um genin, e essa missão é muito importante... E perigosa...
— Bem... – disse Tsunade ponderando – Quem deve tomar essa decisão é o Naruto. Afinal, ele é seu aluno.
Makoto olhou ansiosamente para seu sensei.
— Acho que deixa-lo ir é muito injusto Makoto... – começou Naruto. Quando a expressão de Makoto se tornou decepcionada, ele acrescentou – se as meninas também não o acompanharem. Por isso, se você quiser realmente me ajudar na missão, ache Suzumi e Yumi, peguem suas armas ninjas e nos encontrem aqui em meia hora!
O garoto abriu um largo sorriso e sem dizer nada saiu correndo pela porta, como se estivesse com medo que Naruto fosse mudar de idéia. Kakashi olhou para Naruto incrédulo.
— Por que você permitiu isso, Naruto? Eles são muito imaturos ainda para uma missão desse nível! – questionou.
— Kakashi-sensei, você sabe melhor que ninguém que a idade não conta muito nessas horas. Eu, Sasuke e Sakura passamos por coisas muito piores na idade deles e sobrevivemos. Além do mais, meu time é especial. Eles podem dar conta do recado e eu sei disso. – e acrescentou de forma a tentar convence-los — A audição de Makoto será muito útil.
— Eu concordo com o Naruto – falou Sakura. – Eles podem ser úteis.
— Bem, — começou Tsunade – Eu queria uma missão de três pessoas e secreta. E agora, graças a Naruto, temos uma missão de sete pessoas e nenhum pouco discreta.
Todos riram e Naruto coçou a cabeça, envergonhado.
— Eu espero que vocês me mostrem que isso não será em vão. Tragam Hyuuga Hinata de volta a vila.
— Eu farei isso, nem que custe minha vida. – disse Naruto fechando o punho.
Meia hora depois, o Time três chegava preparado. Pareciam nervosos e ansiosos. Rapidamente Naruto passou as instruções:
— Vocês estão em uma missão de rank S, por isso não é hora para brincadeiras e brigas. Devem obedecer todas as ordens de Kakashi-sensei, que é o líder do grupo. Porém, se algo acontecer e nós nos separarmos, Yumi será a líder de vocês. Entenderam?
— Sim! – responderam em uníssono.
— Beleza! – comemorou Naruto.
Quando saiam pelo portão, Sakura olhou para Sasuke, para Naruto e depois para Kakashi. Suspirou e falou em uma voz saudosa:
— Isso me trás boas lembranças... Time sete...
Eles sorriram concordando.
— Vocês eram o Time sete? – perguntou Yumi interessada.
— Sim – respondeu Naruto – Time sete.
— Então isso faz de nós o Time dez! – exclamou Suzumi.
— Time dez? – estranhou Sasuke.
— Tem razão! – concordou Makoto – Vejam bem, se vocês são o Time sete, e nós o Time três... Sete mais três são dez! Time dez!
Os jounins se entreolharam e começaram a rir. Fazia sentido.
— Então vamos nos apressar! Como o melhor e maior time de Konoha, o Time dez deve cumprir sua missão e resgatar a donzela indefesa das mãos dos caras malvados! – empolgou-se Suzumi.
Naruto sorriu. Estava do lado de seu passado e presente. Isso lhe pareceu um excelente presságio. Com certeza iria trazer seu futuro de volta para seus braços.
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