O Tempo e a Esperança

23 Capítulo XXIII – A dor do silêncio


Notas iniciais
Sempre existe alguém para nos convencer que ainda vale a pena lutar.

Capítulo XXIII – A dor do silêncio

— Sensei... — uma voz hesitante tirou Naruto de seus pensamentos.

Eles estavam treinando desde cedo. Era apenas a primeira semana que estavam juntos, mas ele já conseguia distinguir o padrão de todos eles. Desviando seus olhos de Makoto, que tentava fazer flexões com Yumi sentada nas costas dele, olhou para sua aluna de vastos cabelos ruivos.

— Diga Suzumi.

— Será que eu poderia sair um pouco mais cedo hoje do treino? Tenho umas coisas para fazer...

Naruto pensou um momento. Já passava do meio dia e a menina já tinha feito todos os exercícios que ele passara.

— Não vejo problema. Pode ir.

— Obrigada...

Observando a garota caminhar lentamente com a cabeça baixa, Naruto percebeu que havia algo errado. Suzumi era a mais expressiva e animada do Time, mas naquele dia sua empolgação parecia ter sido esquecida em algum lugar.

— Não estranhe Naruto-sensei. – falou Yumi notando a preocupação dele e se aproximando – Uma vez por mês Suzumi fica assim...

— Por quê? – quis saber um pouco preocupado.

— Deve ser TPM... – gracejou Makoto antes de ver o olhar reprovador de Yumi e acrescentar rapidamente — Hoje é dia de ela visitar a mãe...

Naruto então se lembrou da história de Suzumi. Seu pai, um jounin, havia morrido em uma missão de rank S e a mãe da garota enlouquecera. Cuidava dos irmãos, sozinha. Era muita responsabilidade para uma garotinha de apenas doze anos.

— Isso significa que tem acampamento hoje! – falou Yumi animada.

— Acampamento? – perguntou Naruto confuso.

— Sabe sensei, eu sou amiga de Suzumi desde a academia. Sempre que ela vai visitar a mãe, fica na maior deprê. Então eu sempre ia dormir lá na casa dela nesses dias. Depois que a gente se tornou ninja, Makoto foi incorporado no ritual!

— Deixo bem claro que isso é contra minha vontade... – resmungou o menino.

— Deixa de ser chato, você é o único que gosta daqueles horríveis biscoitos que ela faz. – reclamou Yumi colocando as mãos na cintura.

— Claro! É a única coisa que eu como quando vamos para lá!

— E o que é? – quis saber Naruto.

— Biscoito de chocolate e pimenta! – disse o garoto animado.

— Pensei que você não gostasse de doce... – observou o sensei.

— Chocolate e pimenta não são doces!

Naruto riu da reação do menino. Apesar de todos os atritos, ele e Suzumi se gostavam bastante.

— Quem leva o refrigerante hoje é você. – disse Yumi ao menino.

— Certo. E você leva a comida. Vê se coloca algo que eu coma!

— Vou levar lasanha. – avisou Yumi — Afinal você sempre acaba se entupindo de biscoito mesmo...

Parecia ser algo divertido, pelo que seus dois alunos falavam. E aquilo lhe deu uma imensa saudade dos tempos em que formava um time com Sakura e Sasuke.

— Ei ei, que horas vocês fazem isso? – perguntou Naruto interessado.

— De noite. – respondeu Yumi — Nós vamos à casa dela, levamos comida e barracas...

— Barracas?

— Sim. – quem falou foi Makoto — Armamos as barracas na sala e dormimos todos lá! E acendemos fogueira também!

— DENTRO DA CASA?! – Naruto estava horrorizado.

— Calma sensei. – acalmou a menina levantando as mãos — Não é fogueira de verdade... A gente só bota umas brasas em uma vasilha de cerâmica para poder fazer uns espetinhos...

— Ahhhhh... Eu acho que vou com vocês! – falou animado – Teria algum problema?

— Ah, você não ia gostar sensei, os irmãos da Suzumi são umas pestes... – o garoto franzia a testa como se lembrasse de algo muito desagradável.

Yumi fez uma careta.

— Deixa disso Makoto! Claro que o sensei pode ir!

— Beleza! O que eu levo? – o professor parecia mais animado que os alunos.

— Leve algo com muita pimenta! – pediu Makoto.

Naruto pensou um pouco antes de responder:

— Vou pensar no seu caso...

****************

Quando o relógio batia sete da noite, Suzumi já esperava os amigos. Precisava urgentemente que eles chegassem. Sabia que não iam conversar a respeito.

Ela nunca falava sobre aquilo.

Nunca.

Nem mesmo quando criança, nunca deixou que ninguém soubesse o que se passava dentro de seu coração.

Todavia, somente a presença de seus amigos era suficiente para se sentir mais tranqüila.

Naquele dia, tudo tinha sido pior que as outras vezes. Suichi e Shunsui haviam visto a mãe apenas de longe, pois tinham medo. Ela não. Pedira a Hokage para se aproximar e tentar falar com ela.

— Tudo bem. – dissera Tsunade – Mas tenha cuidado.

O aviso tinha fundamento. Logo que Suzumi entrou no quarto, percebeu que a mãe falava com a cadeira como se falasse com o marido morto. Quando viu a garota se aproximar vagarosamente e por as mãos no encosto da cadeira, voara em seu pescoço e começara a esganá-la.

— VOCÊ QUER ROUBAR MEU KAHEI, NÃO É SUA VADIA?!

Foram necessários dois ninjas médicos para fazer a pobre mulher largar o pescoço da filha.

— Eu não deveria ter entrado lá... – falou baixinho olhando para o forno, onde duas formas de biscoito assavam. – Não devia... – e passou a mão pelos vergões no pescoço.

— O que você disse nee-san?

Suichi, o mais novo dos irmãos, entrara na cozinha com as mãos cheias de chocolate.

— Não estava falando nada! E eu já mandei você parar de comer os biscoitos antes da hora! – disse fingindo raiva.

— Eu disse isso a ele, mas ele não me ouviu! – disse Shunsui, cujas mãos estavam em um estado pior que o do irmão menor.

— Pro banheiro, os dois! – ordenou Suzumi quando ouviu a campanhia tocar.

Alegremente correu para abrir a porta e quase caiu para trás de susto. Junto com Yumi e Makoto, vinha Naruto, com as mãos cheias de sacolas.

— Naruto-sensei... – murmurou a menina.

— Oi, Su-chan! Espero que você não se importe de eu ter vindo. – disse alegremente.

— Claro que não sensei! Entrem!

Logo todos estavam se divertindo muito. As meninas começaram a cozinhar coisas esdrúxulas para o jantar, fazendo o pobre Makoto de cobaia. Pela cara que ele fazia, isso parecia uma rotina naqueles passeios.

— Nós temos um padrão de qualidade. – explicou Yumi para o incerto Naruto que observava Makoto amarrado em uma cadeira, enquanto Suzumi lhe empurrava tudo goela a abaixo – Se ele não gostar, a gente come. E se ele gostar... A gente come de todo jeito!

Os irmãos de Suzumi eram realmente pestes. Corriam pela casa, empurravam Makoto, corriam mais, fingiam briga, Suichi abraçou Yumi e saiu correndo de novo e quebraram três pratos na tentativa de comer bolo. Mas para o alívio do Time três, eles pareciam tão empolgados com a presença do jounin que decidiram só importunar ele.

— Conta de novo a história da raposa, conta! – pediu Suichi.

— Não! Conta a parte da luta contra a Akatsuki! – pedia Shunsui.

— Mas meninos, eu já repeti essas duas histórias quatorze vezes cada! – falou Naruto com um sorriso amarelo.

— AHHHHHHHHHHH!!!! Conta!!!!! – pediram eles.

E lá foi ele contar de novo.

— O sensei é tão bonzinho... – falou Suzumi suspirando.

— Realmente... – concordou Yumi – Não sei por que a Hinata-sensei não o quis...

- Ele é tão bonito, gentil...

— Não sei o que você viu nele... – comentou Makoto comendo uma tigela grande dos seus biscoitos favoritos e parecendo irritado com o comentário de Suzumi.

— Eu adoraria ser a namorada dele... – disse ela provocando o garoto.

Makoto se engasgou com um biscoito e começou a tossir descontroladamente. Yumi bateu nas costas dele para evitar que ele sufocasse.

— Ele jamais ia querer uma pirralha com você! – disse ele irritado.

— Quem você ta chamando de pirralha, seu projeto de feto? – devolveu ela.

— Ta bom, ta bom. Parem vocês dois. – pediu Yumi se levantando e indo em direção à geladeira — Ta na hora da “fogueira”, dos espetinhos e depois, cama!

Acenderam as brasas na tigela de cerâmica e armaram as barracas na sala. Enquanto assavam os espetinhos, Suzumi e Naruto revezavam nas piadas e nas histórias de terror. Foi a noite mais divertida que os três irmãos Kimura jamais tiveram. Só foram se deitar depois das três da manhã, quando ninguém mais se agüentava em pé.

Entre Yumi e Suichi, Suzumi foi a única que continuou acordada. Sentia o coração bater mais forte ao lado de seu sensei. Não sabia se era admiração ou se realmente estava se apaixonando. Por isso, quando viu que não conseguia dormir, se levantou e ficou encarando sua face tranqüila.

Naruto dormia ao lado de Makoto e parecia estar tendo um sonho feliz, já que seus lábios estavam levemente repuxados. Sentindo-se tentada, a garota se debruçou sobre seu sensei. Aproximou os lábios dos dele e fechou os olhos. Porém, antes que pudesse roubar-lhe um beijo, Naruto murmurou durante seu sono:

— Hinata...

Suzumi parou a poucos centímetros dele com o coração acelerado. Afastou-se rapidamente. Não era justo. Ele não pensava nela.

“Hinata-sensei... Como eu a invejo... E a odeio... Queria fazer você pagar tudo que ta fazendo o Naruto-sensei passar... Você não merece o que ele sente por você... E é muita deslealdade comigo... Não posso nem competir contra você...” pensou com lágrimas nos olhos.

E se virando para o lado, deitou-se ali mesmo agarrando Makoto, que dormia serenamente.

— Acho que vou ter que me contentar com você... – murmurou sorrindo e dando um suave beijo na bochecha do garoto, e adormecendo ao seu lado pouco tempo depois.

****************

Apesar de tentar repetidas vezes ouvir qualquer coisa dentro daquela casa, somente a calmaria chegava aos ouvidos de Makoto. Isso o deixava frustrado. Diferente das outras pessoas, queria muito poder escutar vários ruídos que o deixassem acordado, ao invés de apenas o silêncio para adormecê-lo. Levantou-se tomando cuidado para não produzir nenhum som e foi até a parede de seu quarto. Como sempre fazia antes de sair, mediu a sua altura mais uma vez. E sorriu. Apesar de pouco, as várias marcas na parede comprovavam que ele estava crescendo. Tomou um banho, pegou seus equipamentos ninjas e foi tomar café da manhã.

Igual a todos os dias, sua mãe servia a comida ao seu pai. Sentou-se a mesa como se fosse invisível. Acostumara-se a ser sempre ignorado. Nunca recebia um cumprimento de nenhum dos dois, nem mesmo um “bom dia”. E naquela manhã, não fora diferente. Comeu rapidamente e saiu sem se despedir.

As ruas do clã Otori eram sempre calmas. Não era um clã de muitas palavras. Principalmente por que qualquer coisa falada, logo se tornava conhecimento de todos. Como ele não pertencia ao ramo principal da linhagem, morava bem perto da saída do bairro. Poucas pessoas falaram com ele durante o curto percurso. E muito rapidamente. Pareciam ter medo de cumprimentá-lo, de ser gentil com ele. Makoto odiava aquilo, pois o fazia lembrar-se de sua inaptidão, de sua deficiência. Do fato de estar abaixo da média para qualquer Otori. E principalmente, o fato de ser ele um “experimento”.

Todavia, naquele dia em especial, o garoto decidira que estava na hora de pôr um fim naquela situação. Já se cansara de ser o motivo de compaixão e pena de todos. Iria mudar. E começaria tudo a partir daquela manhã.

Esse pensamento fez com que apressasse o passo. Era importante chegar ao local de treinamento antes de suas colegas. Tinha um pedido para fazer ao seu sensei, e isso não podia ser falado na frente delas. Seria constrangedor demais. Suzumi com certeza iria fazer uma de suas piadas infames. Era especialista naquilo.

“Ela bem que podia agir mais como uma menina de vez enquanto” pensou “E se vestir um pouco melhor... Usa aquela blusa minúscula que quase da pra ver os... os... ‘aquilo’ lá...”.

Naruto já os esperava na área de treinamento. Rodava uma kunai no dedo indicador e ficou extremamente surpreso ao ver Makoto chegar cedo e sozinho.

— Bom dia, Makoto! – exclamou sorrindo – Caiu da cama?

— Bom dia sensei. – e sem responder a pergunta foi logo dizendo – Eu tenho uma coisa muito importante para te pedir.

O sorriso do jounin se apagou instantaneamente e ele parou o movimento da kunai. Seu aluno estava sério como nunca estivera antes. E seu olhar firme somente reforçava a expressão decidida.

— Peça Makoto. – disse sustentando o mesmo olhar que o garoto – Se eu puder fazer, farei.

— Eu quero dominar minha linhagem, mas para isso preciso de um treinamento especial...

— Oh, se você quiser ajuda me conta como é que...

— Não, não! – falou o menino apressadamente – Não preciso de ajuda. Só quero que você fale com as meninas, principalmente a Suzumi para não me perturbar mais... É que meu treino exige que eu fique sem poder falar por um tempo, sabe... E isso é meio impossível com aquela cabeça de fósforo ambulante...

— Você não vai poder falar? – perguntou ele surpreso – Que tipo de treinamento é esse?

— Não quero falar sobre isso!

Pela forma como Makoto falou, Naruto percebeu que ele parecia mais assustado que irritado diante de sua pergunta. Estava mais para “não posso” do que “não quero”. E, agora, olhando para seu aluno, algo veio à sua mente. Antes de conhecer Makoto, nunca havia visto um Otori, e até demorara muito para saber de sua existência. Também não conhecia nada a respeito deles, nem mesmo uma informação qualquer. Era como se eles simplesmente não existissem, ou vivessem à parte da vila. Por isso achou melhor não pressioná-lo. Quando tivesse um tempo, falaria com a Hokage sobre aquele assunto. Abriu um largo sorriso para Makoto e falou:

— Tudo bem. Não precisa me contar se não quiser. Pode fazer seu treinamento em paz. Vou conversar com Yumi e Suzumi a respeito disso. Só te aviso uma coisa: essa história de ficar sem falar vai exigir muito de sua paciência. A primeira coisa que você tem que aprender é a ficar calmo e controlar suas emoções.

— O sensei vai me ensinar a ter paciência e calma? – perguntou esperançoso.

— Bem... Acho que isso nós vamos ter que aprendermos juntos!

Não foi difícil convencer as meninas da necessidade de parar de provocar Makoto. O único comentário feito por Suzumi foi:

— Ótimo! Detesto aquela vozinha de maricas dele!

A parte mais complicada ficou a cargo do próprio Makoto. Naruto pôde observar de perto todo o processo de adaptação do garoto à total ausência de conversação. Por muitas vezes, o viu brigar com os lábios que pareciam forçá-lo a algo. Nem ao menos recorria à linguagem de sinais. Isolara-se totalmente. Qualquer que fosse o objetivo daquele estranho treinamento, já estava fazendo Naruto perder a paciência. Em muitos momentos, assistia Makoto se contorcer no chão como se estivesse sendo levado à loucura. Apertava os ouvidos, como se soltá-los custasse sua vida. Por diversas vezes quase o forçou a parar com aquilo. Em uma das muitas crises que presenciou, perdeu a compostura como professor e procurou a Hokage para saber sobre aquelas práticas.

— Vovó Tsunade, eu gostaria de perguntar sobre o clã Otor...

— Se você continuar essa pergunta, tiro você da liderança do Time três.

A forma ríspida usada para dizer aquela frase o surpreendera.

— Mas Vovó, o Makoto...

— Naruto... — disse ela pausadamente – Não posso te dar nenhuma informação sobre esse clã. Agora, desista de saber sobre eles o mais rápido possível. Para seu bem e, principalmente, o de Makoto. Se insistir, entregarei o Time à qualquer outra pessoa. – e vendo o olhar abismado dele, acrescentou com a voz branda — Quando você for Hokage, entenderá minha posição.

Nunca mais procurara nada a respeito. Preferiu ajudar seu aluno de outra forma. Deixou-o totalmente à vontade. Enquanto Makoto lutava em sua batalha interna, ele dava atenção às meninas. Ambas precisavam de toda ajuda que pudesse também. Na primeira semana de treinamento já havia reparado que Yumi dependia demais de seus jutsus e tinha um péssimo domínio de taijutsu. Apesar de ter seu chakra sob seu total controle, em uma luta acabava liberando muito poder inicialmente na tentativa de derrotar logo o oponente, e ficava sem chakra numa velocidade muito rápida.

— Yumi – dissera – Você é boa, menina! Mas não pode ir soltando tudo em cima de um inimigo de uma vez só. E se seus ataques falharem? E se seu chakra acabar antes do fim da luta? Precisamos trabalhar isso. Treinaremos apenas taijutsu e métodos de combate, ok?

Com Suzumi, isso foi exatamente o oposto. Com um domínio perfeito de lutas corporais, a menina não controlava muito bem o chakra que tinha. E ela tinha muito chakra. Para incentivá-la a subir em árvores e assim aprender a soltar seu poder aos poucos, ele fez um acordo:

— Você gosta de usar o bushin no jutsu não é? Se você aprender a controlar seu chakra, irei te ensinar o Kage bushin e o Taijuu Kage bushin. Assim você pode distrair seus oponentes com clones de verdade, e não apenas sombras, enquanto usa seu dono jutsu para imobilizá-los!

O resultado fora surpreendente. No final da semana, já ensinava o novo jutsu à menina.

Os dias passavam, as semanas iam embora, e logo o verão dera lugar ao outono. No começo de Março, já podiam se considerar o time com mais missões realizadas em pouco tempo. Na ânsia de manter sua mente ocupada, Naruto pedia constantemente obrigações à Hokage e era imediatamente atendido. Nunca estavam na vila durante muito tempo. Mas nada lhe dava mais prazer do que ver seus alunos progredirem. Seu desenvolvimento era palpável. E, para total alegria silenciosa de Makoto, ele já estava do mesmo tamanho que Suzumi. Mas não era apenas o sensei que se surpreendia com o Time três. Todos comentavam como eles pareciam mais maduros, não só os alunos, mas também o professor. Mesmo nas noites que sonhava com uma garota de quimono branco que lhe dava as costas, não se deixava mais abater pela tristeza. Cobrava cada gota de suor e sangue de seus alunos, tendo entrado várias madrugadas adentro com treinos. No ritmo que estavam não seria demais esperar que no próximo Exame Chunin, todos os três se dessem bem.

Em uma manhã de sol, eles tinham acabado de realizar uma missão importante. Era a quarta missão Rank C que era feita em menos de um mês. Daquela vez em especial, pode ver todo desenvolvimento deles em um combate real. Enfrentaram e venceram dois inimigos chunins sem a necessidade da interferência de Naruto, que transbordava de alegria.

— Aiaiai, que fome! – reclamou Suzumi tão logo adentraram na vila.

— Você está sempre com fome... – observou Yumi.

— É claro! Gastei todo meu chakra naquela luta! Maldito chunin! Perdi meu piercing da sobrancelha quando ele me jogou no chão!

— Você devia estar preocupada com esse buraco que ele abriu em sua testa! – disse Naruto rindo e apontando para as têmporas da garota que ainda sangravam mesmo ela pressionando o local com um lenço.

— Ah, Naruto-sensei! Sabe quanto custou aquele piercing? Eu economizei muito dinheiro para comprá-lo!

— Tudo bem, eu te compro um novo então!

— Sensei! – a garota o abraçou de alegria. Era um gesto muito comum ultimamente. Suzumi se tornara uma garota muito carinhosa com Naruto.

— Naruto-sensei, – falou Yumi – antes de falar com a Hokage não é melhor passar no hospital e ver a testa de Suzumi e o braço do Makoto?

Makoto trazia o braço bem junto ao corpo numa atitude de dor.

— Tem razão... Vamos ao hospital!

— E meu lanche? – reclamou Suzumi.

Mesmo sem falar, Makoto deixara bem claro sua irritação. Revirou os olhos, impaciente, tomado o rumo do hospital, mesmo antes de Naruto mandar.

******************

As horas passavam lentamente, e cada dia demorava a findar-se mais que o anterior. Para Hinata, os minutos pareciam presos às teias tecidas pelo tempo, que se mostrava seu maior algoz, arrastando-a para as entranhas da insanidade. Há muito tempo deixara de dormir tranquilamente sendo assombrada por pesadelos durante noites sem fim, e acordando sentindo uma pegajosa solidão. Também não encontrava mais prazer na companhia de seus familiares, nem no sabor de uma comida, nem no som de uma música, nem via mais a beleza do pôr-do-sol. Seus sentidos pareciam se deteriorar junto com sua alma. Trabalhava rotineiramente da mesma forma, resolvia mecanicamente todas as questões tal qual uma máquina programada, sem sentimentos ou emoções. Desmaiava constantemente e não se alimentava bem há muito tempo. Deixou seu semblante ficar cada dia mais abatido, sem se importar que a aparência doente lhe tirasse aos poucos sua delicada beleza.

Neji observava o desenrolar de tudo como se assistisse ao mais horrendo dos filmes de terror. E simplesmente não podia fazer nada para alterar o roteiro. Logo nos primeiros dias, angustiado com a situação da prima, procurara o pai da garota e expusera sua preocupação. Friamente, Hiashi respondera:

— Isso não te diz respeito. Coloque-se em seu lugar, seja subserviente e apenas cumpra suas obrigações.

Assim, fora obrigado a se calar e apenas esperar o momento que Hinata viria até ele e abrisse seus sentimentos. Porém, o tempo passou, os ventos de março trouxeram o outono e o silêncio ainda reinava absoluto no clã Hyuuga. A raiva sentida por Neji em relação à indiferença do clã para com sua líder, só era superada por aquela sentida contra toda vila, que adotara Hinata como novo bode expiatório, enquanto a Naruto cabia o papel de mártir. Sempre que precisa ir à Konoha, reparava na forma com que o olhavam, e nos comentários sussurrados à sua passagem. Por isso, quando Hanabi insistira para que a irmã fosse até sua cerimônia de nomeação como chunin, ele fora terminantemente contra.

— Mas é meu grande dia! – exclamou a garota – Nós fomos o único time onde todos os integrantes tornaram-se chunins!

— Eu sei que é um momento importante Hanabi-sama, contudo, não aconselho Hinata-sama a abandonar suas obrigações para fazer algo que eu ou Hiashi-sama possamos fazer.

— Eu quero que ela vá! – insistiu – Como líder do clã, tem a obrigação de me prestigiar!

Hinata ouviu toda a discussão calada. Adoraria ver Hanabi receber das mãos da Hokage o colete chunin. A menina havia se esforçado tanto! Porém, concordava com Neji. Seu pai ou o primo podiam fazer aquilo, não por que ela tinha obrigações, mas porque não queria se arriscar a encontrar ninguém da vila. Principalmente Naruto. Já chegara aos seus ouvidos os comentários que circulavam na vila a seu respeito. Apesar da dor causada por eles, se sentia de certo modo um pouco tranqüila, pois Naruto tinha quem o apoiasse. Ele não estava sozinho. E se ele não sofria, ficava mais fácil para Hinata suportar sua própria dor.

Naruto estava bem, e era isso que importava.

— Pai! – pediu Hanabi exasperada – Eu quero que a Hinata-nee-san vá para minha nomeação!

Hiashi encarou sua caçula com a expressão séria, desviando depois seu olhar para a primogênita que continuava de cabeça baixa.

— Seria apropriado que a nova líder do clã Hyuuga aparecesse na Vila. Afinal, já se passaram dois meses de sua posse, Hinata. Precisamos mostrar para todos que não há nenhum problema interno entre nós.

O desespero tomou conta de Hinata. Ainda não se sentia segura o suficiente para deixar os domínios do clã.

— P-Pai, e-eu...

— Está decidido. – falou Hiashi – Hinata irá à nomeação de Hanabi.

E levantando-se, deixou a sala enquanto Hanabi comemorava.

Hinata olhou para Neji, e ele pode ver todo o pânico que a dominava.

— Não se preocupe Hinata-sama. – disse Neji num tom tranqüilizador – Irei organizar uma escolta entre as pessoas mais habilidosas do clã. Você não ficará sozinha. Eu estarei sempre ao seu lado.

E pela primeira vez em semanas, Neji pôde ver um trêmulo, mas sincero sorriso na face de Hinata.

— Obrigada, Neji-nii-san.

************

Os primeiros socorros foram rápidos e não havia motivo para preocupação. A testa de Suzumi fora rapidamente restaurada por Sakura, e o braço de Makoto, que sofrera uma leve luxação, resolvido pelo experiente chakra da médica.

— Pronto! – disse Sakura ao examinar o braço de Makoto pela terceira vez – Está perfeito! Já poderiam realizar uma missão rank A neste exato momento!

Todos riram menos Makoto.

— Obrigada, Sakura-chan!

— Não precisa agradecer Naruto. Fico feliz em poder ajudar seu time, que a propósito, está indo muito bem, parabéns!

— Mérito deles. – disse Naruto coçando a cabeça, envergonhado.

— Naruto-sensei! – chamou Suzumi – Podemos ir comer algo antes de reportamos a missão à Hokage-sama?

— Melhor não, Suzumi. Já estamos atrasados.

— Ahhhhhhhhhhhh!!!! Tô com fome!!!

— Naruto-sensei, hein? Esse título ficou bem em você! – comentou Sakura rindo.

— Obrigado.

Naruto estava bem melhor, observou Sakura aliviada. Nem parecia mais se lembrar da antiga namorada. Depois do fatídico dia, quando ela e Sasuke fizeram as pazes, a garota o procurara, oferecendo ajuda.

— Se você quiser – tinha dito – posso procurar Hinata e falar a respeito de tudo com ela.

Ele se recusara categoricamente, explicando:

— Se ela quisesse falar, teria dito a mim.

Então, ela e Sasuke haviam combinado de não tocar no assunto “Hinata” novamente, e ajudar o amigo de outras formas. O problema era que, com Naruto envolvido em mais e mais missões, se tornou muito raro vê-lo ou ao seu time pela Vila. Por isso, era necessário aproveitar que ele estava na sua presença para fazer um convite.

— Naruto, o que você vai fazer hoje à noite?

Naruto pensou um pouco.

— Dormir, ué.

Sakura deu um sonoro cascudo na cabeça dele.

— To falando antes disso retardado!

— Aiaiaia, não precisava ser tão grossa... – reclamou passando a mão na cabeça – Nada em especial. Por quê?

— É que eu tenho uma amiga aqui no hospital, ela é enfermeira sabe, e te acha uma gracinha! – disse Sakura piscando o olho – O que você acha de sairmos hoje, eu, Sasuke, você e ela?

— Não obrigado. Estou muito cansado.

— Isso é uma desculpa muito esfarrapada! – irritou-se ela – Vamos! Você precisa conhecer outras pessoas Naruto!

— Não tenho interesse em conhecer ninguém. Desculpe Sakura. – e falando com seus alunos disse – Vamos garotos!

“Talvez eu tenha me enganado” pensou Sakura observando o amigo se afastar acompanhado por seu time “Achei que ele tivesse superado aquilo. Mas parece que o fantasma de Hinata ainda o assombra”.

******************

Hinata sentia olhos sobre si desde o momento que cruzara o portão do clã Hyuuga. Eram olhares frios, que pareciam agulhas quentes perfurando seu corpo. Andou todo o caminho de cabeça baixa, evitando encontrar sua vista com qualquer um. Neji caminhava ao seu lado, como um guardião, juntamente com outros dez Hyuuga. Quando chegaram ao pátio do prédio da Hokage, muitas pessoas conhecidas estavam presentes. Se ela tivesse coragem de levantar a vista, veria ali muito mais que frieza. Veria desprezo. Todavia, o que Hinata se recusava a olhar, era bem observado por seu primo, que fez questão de deixar bem claro à todos os presentes sua insatisfação.

Hanabi estava de pé ao lado de seus companheiros de time. Não aparentava nervosismo, nem impaciência. Estava muito animada. E quando viu Hinata chegar, vestida com o quimono de líder do clã, acenou alegremente. Hinata procurou forçar um sorriso e acenou de volta para a irmã.

Apenas cinco genins haviam conseguido passar no Exame Chunin. Dois da Vila da Areia e os outros três de Konoha. Lee estufava o peito de orgulho. Era a primeira vez que um time completo conseguia passar tendo competido pela primeira vez. O seu time.

— Eu sabia que você conseguiria Lee! – exclamou Gai fazendo a pose de nice guy.

— Obrigado, Gai-sensei! – agradeceu Lee retribuindo a pose.

— Lee!!!!

— Gai-sensei!!!

E se abraçaram chorando.

— Aiaiai, eu ainda me pergunto por que a Tsunade-sama fez isso com a gente... – murmurou Hanabi.

— Mas o Lee-sensei é ótimo! – defendeu Kasuma.

— Ótimo ele é. – disse Tasuki – Mas faz a gente passar cada vergonha...

Hinata assistiu a nomeação satisfeita. Lee era uma grande pessoa e merecia toda a admiração que agora todos lhe davam.

— Vocês conseguiram uma proeza – falou Tsunade para o Time cinco – Meus parabéns! À medida que eu for chamando seus nomes, se aproximem e recebam seu colete. Amano Tasuki.

Tasuki se aproximou de Tsunade e recebeu seu colete.

— Niwa Kasuma.

O mais jovem chunin da Vila parecia radiante. Ao receber o colete, virou-se para onde estava seu sensei e fez a pose de nice guy.

— Oh, que emoção! — exclamou Lee chorando, ainda abraçado com Gai.

— Hyuuga Hanabi.

O silêncio perdurou após a pronúncia do nome “Hyuuga”. Sem se deixar atingir pela situação, Hanabi se aproximou altiva da Hokage. Diferente dos colegas, não sorriu ao receber a nomeação. Limitou-se a vestir o colete e se dirigir até onde estava a irmã.

— Estou orgulhosa de você, Hanabi. – disse Hinata acariciando a cabeça da irmã.

— Obrigada, nee-san. E você, Neji? – perguntou esperançosa – O que acha?

— Acho que devemos voltar para casa.

A menina ficou extremamente decepcionada.

— Hanabi-chan! – gritou Lee acenando – Vamos comemorar! Por minha conta!

— Vá Hanabi – incentivou Hinata – Comemore com seu time.

Hanabi pensou por um momento. Queria poder ficar um pouco com seus amigos, mas também queria estar com sua família. E logo que Hinata chegara ao local, a garota sentira tantos olhares frios para ela que se surpreendeu. Hanabi ainda não sabia dos boatos da Vila. Seu time e sensei haviam feito de tudo para ela não ouvir nada. Não foi muito difícil, já que todos estavam empenhados demais no Exame Chunin para pensar em qualquer outra coisa. Conheciam a natureza temperamental da menina e tinha até medo de imaginar o que ela seria capaz de fazer se pegasse alguém falando algo contra sua irmã. Mas ela não era idiota. Sentia que havia algo errado. Por isso, preocupada, respondeu:

— Obrigada, Lee-sensei, mas prefiro voltar para casa.

— Que pena! Até amanhã então!

-Bem, vamos. – chamou Neji.

**********************

— Ué, cadê a Vovó Tsunade?

O Time três juntamente, com seu sensei, tinha acabado de entrar no escritório da Hokage, esperando encontrá-la em seu habitual trabalho. Todavia, quando adentraram no local, tudo que viram foi a sala vazia. Naruto ficou observando como se esperasse que ela fosse pular de algum lugar e receber o envelope que ele trazia na mão.

— Ela deve ter ido comer... – opinou Suzumi – Já ta quase na hora da janta... Devíamos fazer o mesmo...

— Ou deve ter ido resolver algum problema urgente – argumentou Yumi.

Makoto se aproximou da janela. Lá fora o sol já começava a se pôr. Olhando para baixo, viu uma grande aglomeração de pessoas. Pareciam estar em volta de um único ponto, onde estava a Hokage. Viu também um grupo distinto começar a se afastar. Um dos integrantes que caminhava na frente chamou sua atenção. E seu coração se acelerou quando a reconheceu.

— Makoto, que cara é essa? – disse Suzumi se aproximando da janela – Ta vendo uma assombração?

Suzumi riu e olhou para baixo também. Seu rosto empalideceu subitamente.

— Hinata-sensei! – exclamou.

Naruto levou um choque ao ouvir essas palavras. Rapidamente se aproximou da janela e pôde vê-la rodeada de Hyuugas, indo embora da vila. Sem dizer uma única palavra, jogou o envelope em cima da mesa e saiu correndo porta afora. Seus alunos imediatamente o seguiram.

— Naruto-sensei! – chamou Yumi.

Porém, a única coisa que ele ouvia era o latejar do sangue em sua cabeça. Um frio pegajoso se instalou em seu estomago. Dois meses. Dois meses faziam que ela lhe dera o adeus repentino. Não sabia bem o porquê, mas queria rever uma pessoa que ele mesmo jurou que ia esquecer.

No momento em que ele chegou à rua, a comitiva Hyuuga se aproximava de onde ele tinha parado. Suzumi, Makoto e Yumi o rodearam esperançosos. Hinata vinha na frente, comandando o percurso. Usava um quimono azul, com o símbolo do clã e trazia à sua direita, Neji, e às sua esquerda, Hanabi. Ficando bem em frente a ela, propositadamente em seu caminho. Naruto se perguntava o que realmente queria com aquilo. Todas as sensações enterradas voltaram à superfície, borbulhando como o magma saindo de um vulcão. Lembrou-se daquele sorriso meigo, da voz carinhosa, do beijo doce, do cheiro sedutor e da noite em que se sentira completo pela primeira e única vez em toda sua vida. Angustiado, procurou encontrar seus olhos no momento em que ela passava ao seu lado. Buscava neles o reflexo das memórias vividas por ambos. Foram poucos os segundos em que se cruzaram, mas para ambos pareceu toda uma eternidade. Naruto tentava desesperadamente enxerga-la, enquanto Hinata desejava desaparecer. Evitou olhá-lo a todo custo. Sabia que se o fizesse, não conseguiria dar mais nenhum passo. Nem mesmo levantou a cabeça. Continuou a andar numa fingida tranqüilidade, passando por ele sem dar mostras que notava sua existência. Ignorou-o como quem ignora um cachorro leproso, ou uma cadeira vazia. Continuou seu trajeto, dando-lhe as costas mais uma vez.

O sentimento nostálgico que invadira Naruto deu lugar a uma profunda frustração. Fechou os pulsos tentando controlar a raiva e trincou os dentes. Não aceitava o desprezo. Não aceitava aquele silêncio. Decidido a arrancar qualquer que fosse o murmúrio daqueles lábios que já havia beijado, virou-se bruscamente em direção a ela, e correu para alcançá-la.

— HINATA! – gritou.

Rapidamente Neji entrou em seu caminho. Levantando a mão, olhou dentro dos olhos dele e falou na voz mais impessoal que Naruto jamais ouvira:

— Você não tem permissão para dirigir a palavra à líder do clã Hyuuga, Uzumaki Naruto.

Ele enfatizara bem a palavra “líder”.

— Neji – pediu impacientemente – Deixe-me passar.

— Não.

Naruto sentiu a kyuubi remexesse impaciente dentro dele. Ela queria batalha. Queria sangue. Mas isso ele não daria. Mesmo tendo uma vontade irresistível de abrir caminho com seu rasengan até onde estava Hinata, não iria fazer aquilo. Não por ela, ou seu maldito clã, mas em respeito a seus alunos. Desviou sua vista de Neji para Hinata, que não havia parado sua caminhada ao seu chamado e parecia ignorar todo o acontecido. Sentiu-se um grande idiota.

— Naruto-sensei... – falou Yumi puxando-o pela manga da camisa – Vamos embora, por favor.

Sem dizer uma palavra, Naruto virou as costas para Neji e se distanciou.

— Droga, perdi a fome... – reclamou Suzumi.

Eles seguiram Naruto durante algum tempo, até que ele parou e, sem olhar para eles, disse:

— Vão para casa. Amanhã teremos treino no mesmo local e mesma hora.

— Mas sensei... – tentou Yumi.

— É uma ordem! – rosnou Naruto.

Por um breve momento, puderam visualizar dentro da alma dele, a raposa que o habitava. E sem nem pensar duas vezes, se retiraram dali. Naruto então começou a vagar pela vila. Tinha se enganado durante aquele tempo. Em nenhum momento esquecera Hinata. Todavia, ela nem sequer parecia disposta a se lembrar dele.

“Acho que minha sina é viver sempre sozinho” pensou amargamente.

**************

Ao chegar perto da entrada do clã Hyuuga, Hinata não pode deixar de admirar sua força. Apesar de suas pernas ainda estarem tremendo, tinha conseguido passar por Naruto sem fraquejar. Sentiu uma alegria imensa ao ouvir sua voz pronunciando seu nome, e tivera vontade de mudar seu percurso direto para seus braços. Mas não podia. E continuara andando sem saber direito como conseguia manter-se de pé. Mas logo seu corpo cobrou o preço por aquela intensa emoção. A dois metros do portão, sentiu sua vista escurecer e seu corpo desfalecer, caindo no abismo de sua alma. Neji conseguiu segura-la antes que caísse no chão.

— Nee-san! – exclamou Hanabi – O que você esta sentindo?

— Acho que ela não pode te ouvir, Hanabi-sama. – E pegando na testa dela, falou para um rapaz ao seu lado – Chame um médico do clã o mais rápido possível. Ela está com febre.

O rapaz saiu rapidamente, enquanto Neji a transportava em segurança para dentro. Deitando-a em sua cama, alojou-a da forma mais confortável possível.

— Ele está vindo Neji-sama. – avisara o rapaz que fora buscar o médico.

— Certo. Vou precisar que você reforce a segurança do clã.

— Qual o motivo dessa decisão? – perguntou ele surpreso.

— Apenas precaução. Não deixe que nada chegue à mansão. Nem mesmo um sapo.

— Sim, Neji-sama.

Mesmo aturdido, o rapaz foi cumprir a ordem.

Neji olhou para Hinata mais uma vez. Seu semblante era de dor.

“Afinal, o que está acontecendo, Hinata-sama? Por que não me deixa ajuda-la?” pensou. “Há algo muito estranho acontecendo por aqui... E eu descobrirei o que é.”.

Notas finais
AEWW!! Mais um! Divirtam-se pessoal e deixem seus reviews!