O Tempo e a Esperança

18 Capítulo XVIII – Lugar Distante


Notas iniciais
Show do Asian... Muitas emoções e descobertas os esperam naquela noite...

Capítulo XVIII – Lugar Distante

Hinata deixou-se ser beijada a vontade por Naruto. Por um momento esqueceu de tudo, de que estavam em plena arena e nem mesmo viu quando esta se esvaziou. Naruto também não parecia se importar com nada, a única coisa que queria era beijá-la, beijá-la, cada vez mais. Quando o beijo foi diminuindo de intensidade até restar somente os lábios encostados um no outro, Naruto abriu os olhos, se afastou e sorriu.

— Eu jamais teria conseguindo sem você. – falou carinhosamente alisando seus cabelos.

— N-Naruto-kun... Não é crédito m-meu... Você se esforçou muito...

— Com a sua ajuda... – e a abraçou fortemente.

Foi só então que perceberam que haviam sido deixados para trás. No lugar onde os amigos tinham estado, no chão, havia um bilhete.

— O que será isso? – perguntou Hinata apanhando o papel no chão.

— Oh, é a letra do Sasuke! O que diz?

— “Quando você terminarem, estaremos no restaurante de Konoha esperando para comemorar sua promoção. Tudo por conta de Jiraya-san. Sasuke”. Nossa que legal da parte do Jiraya-sama, pagar sua comemoração, Naruto-kun!

— Tem alguma coisa errada ai... – falou Naruto desconfiado – Mas vamos, né? É comida de graça!

Hinata começou a rir com ele, mas depois assumiu uma expressão preocupada.

— Naruto-kun, e esses ferimentos?

Naruto olhou para o próprio corpo.

— Ah, não é nada. Ele não queria me acertar em nenhum ponto vital. Só esta doendo um pouco, mas lá no restaurante eu peço para a vovó Tsunade dar um jeito nisso. Você pode ir na frente, Hinata. Eu quero passar em casa para tomar banho e trocar de roupa... – e fazendo uma careta acrescentou – Estou fedendo a pântano!

— Naruto-kun... E-Eu n-não queria ir s-sem você...

Hinata pensava na possibilidade de que, sem Naruto, provavelmente seria bombardeada de perguntas sobre o relacionamento dos dois e decididamente não estava disposta a isso. Naruto percebeu que ela não queria estar lá sozinha e ficou vermelho ao propor:

— Bem... Se você quiser pode ir esperar lá em casa...

Foi a vez de Hinata ruborizar.

— C-Certo... – respondeu.

Eles então se dirigiram para o apartamento de Naruto. No caminho, muitas pessoas da vila, até mesmo aquelas que ele nem conhecia, começaram a parabenizá-lo pela luta.

— Parabéns, Naruto! – falou um dos espectadores.

— Arrasou, hein? – disse outro dando um tapinha nas costas dele.

— Quem diria, um jounin... – murmurou um anbu ao passar por eles.

— Naruto! Chegou mais hentai, viu? Dê uma passadinha aqui mais tarde! – gritou o dono da livraria para todos que pudessem ouvir. Hinata começou a rir quando Naruto corou.

— Tanaka, maldito!

Logo chegaram ao apartamento. Ao colocar a chave na fechadura, porém, Naruto hesitou por um momento. Sorrindo sem jeito, ele falou:

— Não repare na bagunça, não. Quase não tenho tido tempo de arrumar o apartamento.

— N-Não tem problema...

Realmente o que ele dizia era verdade. Quando a porta se abriu, Hinata pôde ver que o apartamento não devia ver uma vassoura há muitos dias. Naruto parecia extremamente constrangido com a situação que se encontrava o ambiente.

— Hã... Eu vou tomar um banho rápido... Fique a vontade.

No momento em que ele se trancou no banheiro, Hinata passou a vasculhar a casa como se buscasse algo. E achou. Uma vassoura e uma flanela para tirar a poeira dos móveis. Começou rapidamente a arrumar todo quarto de Naruto, o que não demorou muito, pois não era um apartamento grande. Quando estava limpando rapidamente o criado-mudo, viu diversas fotos de Naruto com Sakura e Sasuke. Uma em especial lhe chamou a atenção, mas continuou arrumando, pois logo Naruto sairia do banheiro. Depois de deixar tudo limpinho, aproveitou para dobrar as roupas lavadas que ele nem tinha tirado da sacola da lavanderia. E achou uma peça muito interessante.

— Que bonitinho! — exclamou Hinata.

— O que é bonitinho? – perguntou Naruto saindo do banheiro.

— Isso. – disse ela colocando o gorro de dormir dele na cabeça.

— Ah, isso. Eu nem lembrava que tinha mandado para a lavanderia – e reparou na limpeza do quarto – Ué, ta tudo limpo...

— Você disse que eu ficasse a vontade, então dei uma arrumada rápida... N-Não gostou? – perguntou insegura.

— Claro que gostei! Muito obrigado, mas não precisava se incomodar.

— N-Não foi incômodo.

— Err... Você não quer esperar na cozinha enquanto eu me troco?

Foi então que notou que ele estava só de toalha na sua frente. Os dois coraram drasticamente e ela se retirou rapidamente para a cozinha. Pouco tempo depois, Naruto aparecia totalmente vestido.

— Não tenho aquela roupa legal azul de jounin, mas acho que esta serve.

Por baixo do colete de jounin ele vestira uma calça e jaqueta preta. Nos ombros, um redemoinho laranja se destacava. Mas havia ficado uma combinação perfeita.

— Está ótimo, Naruto-kun.

— Então vamos! Mas antes, não é melhor você tirar isso? – e apontou para o gorro que ainda estava na cabeça dela.

— Ah, mas é tão bonitinho! – disse rindo, mas tirando o gorro. — Naruto-kun... – murmurou ela logo depois enquanto passavam pelo criado-mudo – Essa foto aqui... Foi há uns dois anos atrás não é? – perguntou ela apontando para uma das fotos no criado-mudo que exibia os três amigos juntos.

— Foi. – murmurou ele ficando momentaneamente triste – Foi a foto que nós três tiramos logo que o Sasuke saiu da prisão...

— Ah! – exclamou ela – Eu não queria relembrar isso e...

— Calma... – pediu Naruto sorrindo – Não precisa ficar constrangida. Tudo já foi superado. — Agora, vamos comer por conta do Ero-senin! Nem vou levar Gama-chan!

E foram rapidamente em direção ao restaurante onde todos os esperavam.

O cheiro da comida foi a primeira coisa que sentiram. Reunidos em volta de uma grande mesa, todos já tinham começado a comer e beber quando eles entraram. Sakura começou a bater palmas para Naruto assim que o viu, sendo acompanhada pelos outros. O rapaz ficou um pouco vermelho, mas sorriu e se dirigiu para os lugares que tinham sido reservados para ele e Hinata, ao lado de Sasuke e Sakura.

— Finalmente, chegaram – disse a garota.

— Eu fui tomar um banho, não podia continuar fedendo àquele pântano.

— Ei, olhe como fala do meu pântano rapazinho! – reclamou Jiraya com um copo de sakê na mão – Se você falar desse jeito, não te ensinarei ele!

— E você ia me ensinar? – perguntou ele incrédulo.

— Ia, mas com a condição que você me apresentasse a sua namorada... — e olhou maliciosamente para Hinata, que teve vontade de se esconder embaixo da mesa.

Naruto parecia não ter gostado nem um pouco da brincadeira. Colocou o braço em volta dos ombros da garota e a puxou um pouco mais para perto.

— Então já sei que não vou aprender nunca, pois não vou deixar um ero-baka como o senhor perto dela! – disse irritado.

— Oh, ele é ciumento, Tsunade! Viu como o amor é lindo? – falou Jiraya começando a rir e sendo acompanhando por todos.

— Jiraya, você já está bêbado? – reclamou a Hokage — Se começar a dizer besteiras, eu não arrastarei você para casa, não.

— Deixa de ser uma velha rabugenta! Me dá um beijinho! – e fez biquinho para ela.

Tsunade deu um soco na boca de Jiraya, onde todos puderam ouvir o barulho do queixo rachando.

— Isso deve ter doido... – comentou Kiba.

— Ele vai sobreviver. – disse Tsunade indiferente colocando mais sakê no copo.

— A propósito, Vovó Tsunade, poderia olhar meus ferimentos? – pediu Naruto — Não é muito grave, mas ta doendo.

— Claro. – e passando a mão por cima da roupa de Naruto, ajudou as dores aliviarem.

— Bem melhor agora. Obrigado Vovó Tsunade.

— Você lutou muito bem, Naruto-san. – disse Temari enchendo o copo de sakê sob o olhar de desaprovação de Shikamaru – Gaara me disse que achou sua luta excepcional.

— Por falar nele, onde está o Gaara? – perguntou Naruto vasculhando o ambiente.

— Ele foi embora logo que acabou sua luta. Não podia se atrasar mais. Tinha compromissos.

Compromissos. A visita à Vila Oculta da Pedra. Naruto já quase esquecera o que Gaara lhe confidenciara. Existia uma crise entre as vilas e estavam às portas de uma guerra. Tsunade ainda não tinha falado nada para ele, mas esperava que isso fosse só questão de tempo. Como jounin, ficaria a par de diversas coisas. E se a situação estava tão grave quanto o amigo deixara entrever naquela noite, não demoraria muito para a Hokage tomar providências.

— Naruto-kun, ficou sério de repente... – murmurou Hinata.

— Nada não Hinata. – disfarçou ele, pois não queria que ela ficasse preocupada — Só chateado por que não falei com o Gaara.

— A propósito Temari-san, por que não voltou junto com seu irmão? – perguntou Ino interessada – Por causa do Shika-kun?

— Ino! – exclamou Shikamaru enrubescendo.

— Ah, Ino, mas é claro! Se bem que eu to mesmo é querendo ver o show do Asian Kung Fu Generation que vai haver na capital, e o Shikamaru vai me levar para vermos eles de perto!

— Vou? – perguntou ele preguiçosamente.

-Vai sim! – falou ela irritada.

— Cara que saco...

— Nossa e o Gaara te deixou ficar? – se surpreendeu Sakura. Sabia que Temari tinha muitas obrigações na Vila da Areia.

— Sim, deixou. Mas “essa” aí teve que ficar também... – e apontou para a moça sentada ao lado de Kiba.

— Por favor, Temari-sama, não me deprecie dessa forma. Eu estou apenas cumprindo ordens! – protestou Soichiro.

— Então cumpra minhas ordens e volte para a vila da Areia. – disse ela secamente.

— Estou cumprindo ordens do seu irmão e uma delas é não te obedecer!

— O Gaara tem cada uma... Mas não pense que você vai comigo ao show não! Eu quero namorar em paz!

— Temari-sama... – a garota estava quase em prantos.

— Você pode ir comigo Soichiro! Assim não descumpre suas ordens e se diverte um pouco!

Kiba fez o convite sem nenhum receio de ser recusado. A garota o olhou, vermelha, e então sorriu.

— Seria ótimo, Kiba-kun...

— Graças a Deus, ela arranjou uma distração. – murmurou Temari para apenas Shikamaru ouvir.

— Vai ser um ótimo show! – disse Sakura animada. – Vai ser ao ar livre em comemoração ao novo estádio que o daymiou construiu!!! Eu e Sasuke vamos sem dúvida!

Naruto olhou para Hinata, que não falou nada, apenas continuava bebendo seu chá.

— Você quer ir, Hinata? – perguntou sorrindo.

Ela quase engasgou com o chá.

— S-Se eu quero ir n-no show? E-Eu a-adoraria...

— Então eu e Hinata iremos também! – exclamou ele animado.

— Ótimo! – falou Sakura – Então iremos todos juntos. Encontraremos-nos no portão da vila na hora do almoço para que a gente consiga um bom lugar para assistirmos o Show!

— A propósito, quando será o show? – perguntou Naruto depois de perceber que não fazia a mínima idéia de quando seria.

Sasuke olhou incrédulo para o amigo.

— Você disse que ia e nem ao menos sabe a data? Tem certeza que ele passou Tsunade-sama?

— Ora seu!

— Dia 25. Depois de amanhã. – respondeu Sai achando divertido ver a cara de Naruto irritado – Na capital.

Hinata observou todos na mesa. Estavam ali para comemorar a promoção de Naruto e se divertiam. Ela também estava feliz, mas ao mesmo tempo ficava triste. Faltavam quatro dias para seu aniversário, mas tentava não lembrar disso. Porém não ia poder fugir daquela lembrança por muito tempo. Seu prazo estava se esgotando.

— Algum problema Hinata-sama?

Neji a olhava fixamente. Como Hinata, recusara o sakê e bebia chá. Não estava acompanhado de Hanabi, então se podia supor que também passara em casa antes de vir ali.

-N-Nenhum problema, Neji-nii-san. E-Estava a-apenas me p-perguntando onde esta Hanabi. Ela, com certeza, d-deve ter pedido para vir...

— Sim, pediu. E Hiashi-sama não autorizou.

— Entendo. Mas espero que ele permita que ela nos acompanhe ao show. Você irá, não é mesmo, Neji-nii-san?

Ele considerou por um instante o pedido.

-Sim, é claro.

— Opa, esse show promete! – exclamou Sakura.

Ninguém ali duvidava disso.

********************

Na manhã do dia 25, Hinata dispensou seu time mais cedo.

— Bem, como vocês sabem hoje vai haver o show do Asian Kung Fu Generation. Normalmente eu não me ausentaria de minhas obrigações para me divertir, mas como vocês conseguiram cumprir a meta de quebrar minha defesa de 300º nos últimos dois dias, vou dar essa folga para todo time.

— Beleza! – exclamou Makoto.

— Mas amanhã voltaremos com tudo. – avisou ela sorrindo.

— Droga...

— Gostaria de saber qual de vocês quer ir conosco? – perguntou pensando que eles precisavam de alguma diversão afinal. Antes de serem ninjas, eram adolescentes e precisavam gastar a energia reserva que tinham.

Suzumi desviou o olhar triste para o chão.

— Eu adoraria sensei, mas não tem quem possa ficar com meus irmãozinhos, então não posso ir...

— Nem eu. – disse Makoto emburrado – Estou de castigo. Papai acha que não estou me esforçando o suficiente.

— Que pena... – falou sinceramente triste — E você, Yumi?

Yumi olhou para os dois companheiros. Ela não tinha irmãos para cuidar, nem estava de castigo. Sabia que sua mãe não veria nada contra ela sair com sua sensei. Mas por algum motivo, não queria ser a única a ir. Sabia que, mesmo que se divertisse muito no show, não seria a mesma coisa sem eles.

— Não posso sensei. Tenho algumas coisas para resolver.

— Tudo bem então. Vejo vocês amanhã. Dispensados!

Quando eles saíram, Hinata ainda pode ouvir Yumi propor animada aos companheiros:

- Já que ninguém vai, vamos todos jantar lá em casa? Tem panquecas hoje!

Sorriu satisfeita, percebendo o ato de Yumi. O verdadeiro espírito de companheirismo.

Voltando para casa, percebeu que Hanabi a esperava ansiosa em frente da casa. A menina parecia irritada e questionou com as mãos na cintura:

— Você demorou! Está quase na hora de ir!

— Mas eu cheguei na hora que prometi Hanabi! – falou depois de consultar o relógio.

— Não enrola e vai logo se arrumar!

Vinte minutos depois, ela, Hanabi e Neji, se dirigiram para o portão da vila. Naruto ia esperá-la lá. Nos últimos dois dias, sua vida virara um verdadeiro sonho. Ela e Naruto não se separavam em nenhum momento durante o dia e a ajuda dele fora essencial para que seu time progredisse. Ele ia todos os dias assistir seu treino e acabava participando também. Makoto relutou a principio, mas logo estava muito a vontade com a presença de Naruto. Suzumi o idolatrava e Yumi o indagava sem parar sobre as missões já realizadas pelo time dele. Mas o que mais atraiam os garotos era a história da Akatsuki que Naruto sempre era obrigado a repetir nos momentos que paravam para lanchar. Depois dos treinos, eles iam ao Ichiraku ramen e só se separavam à noite.

— Aiaiaia, que ansiedade! – falou Hanabi. – É a primeira vez que saio da vila com você Neji! Prometa que vai ficar ao meu lado o tempo todo! – e se segurou no braço do rapaz.

— Hanabi, pare de perturbar Neji-nii-san. – pediu Hinata — Ele não pode ficar ao seu lado o tempo todo.

— E por que não?

— Vamos logo, estão todos nos esperando. – falou Neji sem se meter na conversa das garotas.

Hinata se espantou com o número de pessoas que iam sair da vila para o show. E se surpreendeu mais ainda de ver Shino, já que fazia meses que eles não se encontravam.

— Shino-kun... Há quanto tempo.

— Hinata-san. É um imenso prazer revê-la depois de tanto tempo. – falou formalmente — Infelizmente nós temos estado muito ocupados e isso fez com que não nos víssemos. Porém, fico feliz em saber que você está bem e dou os parabéns por seu relacionamento com Naruto-san.

— Err.. Obrigada. – disse timidamente.

-Hanabi-chan! – chamou uma voz animada.

Lee veio correndo para onde eles estavam. Junto com ele, estavam dois meninos, um mais ou menos da mesma idade que Hanabi e o outro era visivelmente mais jovem. O rapaz se dirigiu diretamente para Hanabi. Ele parecia muito animado.

— Minha pupila! Aposto que você está ansiosa para ficar ao meu lado durante o show! Prometo te colocar nos ombros para você ver o Asian de perto! – e fez a pose de nice guy.

— Eu vou fingir que nem te conheço lá. – disse a garota taxativa.

Os meninos ao lado de Lee tiveram reações totalmente diferentes. O mais velho riu, concordando com Hanabi e o mais novo apertou os olhos, parecendo chateado.

— Neji!!! Meus discípulos não me amam!!! – disse Lee chorando copiosamente.

— Problema seu. – resmungou o outro.

— Lee, você sabe que Hanabi-chan não gosta dessas suas demonstrações de afeto. – Tenten surgiu ao lado dele – Então não pressione a menina.

— Mas nenhum dos meus pupilos me admira! – e olhou para os meninos. Nenhum deles vestia uma roupa igual a sua e pareceram constrangidos diante do olhar de Lee.

— Se eu tivesse um sensei que se veste como você, eu também não o respeitaria. – falou Sasuke chegando. E se dirigindo à garota ao lado dele, falou – Hinata, Naruto disse que ia se atrasar um pouco, mas chega logo.

— Obrigada, Sasuke-san. – agradeceu ela aliviada, pois já estava ficando preocupada.

— Mas eu me visto bem! – reclamou Lee, vestido igual ao Gai-sensei.

— Se isso é bem, não imagino sua noção de mal. – disse Neji.

— A propósito, Neji, está desacompanhado? – perguntou Tenten sorrindo e se aproximando do rapaz.

— Está comigo! – disse Hanabi pegando no braço dele.

— Eu não falei esse tipo de companhia...

Enquanto Tenten e Hanabi iniciavam uma discussão, Hinata se aproximou de Sakura e perguntou:

— Por que o Naruto-kun vai demorar?

— Ele falou que ia buscar alguém. – respondeu a médica.

— Quem? – Hinata imaginou que fosse, já que todo pareciam estar ali.

— Não sei. Mas espero que ele não demore, ou poderá ficar para trás. – e acrescentou animadamente – Estou tão empolgada com esse show!

Os minutos começaram a passar rapidamente e Naruto não chegava. Somente quando todos já pensavam em deixá-lo para trás para o desespero de Hinata, ela ouviu a voz dele ao longe.

-Ei, esperem por nós!

Ele vinha acompanhado de Konohamaru.

— Então ele tinha ido buscar o Konohamaru-kun... – disse Hinata aliviada.

— Desculpe o atraso. – falou Naruto rindo – Eu tive que ir buscar o Konohamaru, por que ele não tinha aparecido ainda.

— É e me tirou de casa antes que eu pudesse terminar meu almoço... – disse Konohamaru chateado.

— Você come lá. – resmungou ele — E não seja mal agradecido, se eu não tivesse ido buscar você, teria ficado para trás.

Com todos reunidos, começaram o caminho em direção à capital. Durante o percurso, Sakura assumiu a liderança e dava ordens a todos para quando chegasse lá.

— Vamos nos dividir em dois grupos: um vai guardar os lugares em frente ao palco, enquanto o outro vai conhecer a cidade. Depois trocamos. Assim podemos nos distrair antes do inicio do show. Concordam?

Todos concordaram.

E a idéia de Sakura foi muito útil. Como eles chegaram bem cedo à cidade, puderam passear sem se preocupar com os lugares. Hinata e Naruto estavam no segundo grupo que foi somente conhecer a cidade depois dos outros. Durante a andança, Hinata viu algo que a conquistou totalmente.

— Veja Naruto-kun! Uma kyuubi!

Era uma raposa de nove caudas de pelúcia que repousava numa vitrine de uma loja infantil. Junto com ela, outras criaturas lendárias, muitas delas composta pelos bijus.

— Olha que interessante! Tem o gato de duas caudas... Tem até o Shukaku de Gaara-sama!

— Esses vendedores fazem tudo para ganhar dinheiro... – comentou Naruto sorrindo – Opa, olha a hora! É melhor voltarmos!

A apresentação estava marcada para começar às oito horas. Ás sete, outras bandas menores iniciaram a prévia do show. A maioria delas eram bandas da própria região e pareciam tão ansiosos quanto os expectadores para o show principal. Eram oito e quinze quando as luzes apagaram e os acordes de “Haruka Kanata” começaram a tocar. A multidão presente foi ao delírio, e começou a pedir a entrada da banda.

— Ainda bem que chegamos a tempo. – gritou Naruto por cima do barulho para que Hinata pudesse ouvi-lo.

As luzes se acenderam novamente. No palco, Masafumi Gotou , Kensuke Kita, Takahiro Yamada e Kiyoshi Ijichi cumprimentavam a multidão. As meninas eram as que mais gritavam.

Vou começar, se apresse Não é só porque você faz Que também vou fazer, verdade A noite passa

Sakura começou a pular no meio da multidão sendo seguida por Sasuke que parecia estar se empolgando também com ritmo. Em pouco tempo, os ninjas se esqueceram que eram ninjas e passaram a cantar as músicas com o mesmo fervor dos presentes. Flashes de câmeras partiam de todos os lados e se tornou difícil se manter todos juntos.

No início me esforço, Mas no fim Dá na mesma, verdade Os dias passam Aos poucos Abro os meus sentimentos Se me aproximar Entenderá melhor!

- Ah, eu queria ver melhor para tirar uma foto! – gritou Sakura.

- Eu to vendo muito bem! – respondeu Sasuke.

- É, mas minha câmera não tem Sharingan então ta difícil!

- Venha! – e se abaixou para Sakura subir em seus ombros. A garota ficou extremamente feliz.

- Vou tirar uma foto do Masafumi Gotou. – gritou excitada.

- Que mau gosto, ele é tão feio. – disse Naruto para Hinata que começou a rir.

- Neji me põe no ombro para que eu possa ver melhor! – pediu Hanabi.

- Basta que você ative seu byakugan, Hanabi-sama, para ver melhor.

Hanabi ficou extremamente decepcionada ao ouvir isso.

- Se você quiser, pode subir no meu ombro, Hanabi. – disse Konohamaru sorrindo insinuante para a garota.

- Você eu não usaria nem como carpete!

- Ah, deixa de ser chata... Tipo... Alguém já te disse que esses olhos ficam muito bem me você?

Irritada, Hanabi deu um soco forte no olho de Konohamaru, que o deixou imediatamente roxo.

- Esse olho também fica bem em você...

A música chegou ao fim, sendo imediatamente substituída por um solo de guitarra diferente, precedendo a sua sucessora.

- Não acredito! – alegrou-se Hinata – Rewrite é minha música favorita! – e começou a cantar junto com o vocalista a letra que, em sua opinião, identificava muito dela própria.

Quero gritar todos estes pensamentos Pois não existe outra prova de minha existência Este futuro que eu deveria agarrar Entra em conflito entre "dignidade" e "liberdade" Quero apagar essa imagem distorcida a minha frente Pois vejo meu limite bem ali Nesta janela de excessiva consciência própria

Naruto começou a cantar junto com a garota, em uma voz desafinada mais muito animada. Em pouco tempo já estavam roucos de tanto gritar. “Rewrite” foi precedida por “Ao no uta” e depois “Butterfly”. Uma hora depois, Hinata já quase não agüentava ficar em pé. A multidão ao seu redor tinha aumentado consideravelmente.

— Naruto-kun... – falou ela bem perto de seu ouvido – Eu estou com sede, vamos beber algo?

— Acho que vi um ambulante por ai, lá perto de Sasuke e Sakura. Vamos.

E saíram empurrando todos tentando achar o ambulante. Quando se aproximara do individuo que realmente estava próximo dos seus amigos, ele gritou por cima da musica “Yuugure no aka”:

— Ei, me vê duas águas.

— Não tem água tem só refrigerante. – respondeu o vendedor.

— Então dois refrigerantes!

— Só tem essa latinha aqui.

— Então dá logo essa latinha!

O vendedor deu a latinha a Naruto que pagou irritado. Depois, ele entregou-a para Hinata.

-Não vai querer, Naruto-kun?

— Vou tomar outra coisa. – e se dirigindo ao vendedor perguntou — O que tem mais ai?

— Tem rum, vodca, cerveja, Nabunda...

— Nabunda? – perguntou achando que tinha ouvido mal.

— É, a cachaça Nabunda! Quem toma Nabunda não esquece jamais! É a bebida mais forte que tem! – e dando um sorriso malicioso, perguntou — Vai querer tomar Nabunda?

— Não obrigado... Dá uma cerveja mesmo... Mas... Ei Sasuke! – gritou para o amigo.

— Oi? – responde Sasuke ainda com Sakura nos ombros.

— A bebida perfeita pra você! Cachaça Nabunda! Quer tomar Nabunda?

— Por quê? Você tomou tanto que gostou é? – rebateu o outro com um sorriso debochado.

— Maldito! Sempre tem uma resposta pra tudo!

O ambiente foi ficando cada vez mais quente, e imprensado. Quando os acordes de Re Re começaram a tocar, Naruto já tinha bebido várias latinhas de cerveja devido ao calor do local. Hinata começou a passar mal. Sentia-se sufocada e várias pessoas já tinham pisado em seus pés e eles começaram a doer muito.

— Hinata, você está se sentindo bem? – perguntou ele reparando em seu semblante.

— T-Tô... – murmurou.

— Não, não está. Vamos sair daqui.

— M-Mas se sairmos não conseguiremos mais voltar...

— Daremos um jeito.

*****************

Neji não entendia por que as pessoas gostavam tanto de shows. Muita gente junta, empurra-empurra, um forte e desagradável cheiro de suor e um barulho ensurdecedor. O simples motivo de ele estar ali fora Hinata. Sabia que ela ficaria triste se Hanabi não pudesse ir, e a menina só teria permissão do pai caso Neji também fosse. Então ali estava ele, totalmente desajustado ao ambiente agitado, contando os minutos para que aquilo tivesse um fim.

Naquele momento, Hanabi parecia tê-lo esquecido um pouco. O Asian Kung Fu Generation cantava Re Re, a sua música favorita. Ela acompanhava a música aos gritos, empolgada com a performance da banda. Foi quando Neji sentiu uma mão em seu ombro. Era Tenten.

— Neji – falou ela bem próximo ao seu ouvido – Eu gostaria de falar com você um instante. É possível?

Neji olhou para Hanabi pulando junto com Tasuki, seu colega de time ao ritmo da música.

— Não poderei. – respondeu secamente.

— É importante. – insistiu a garota.

Ele considerou por um momento. Se Hanabi os visse juntos faria um escândalo. Mas como ela estava distraída, talvez pudesse sair um pouco.

— Sim. Mas aqui não. Vamos sair do tumulto.

Com dificuldade, eles saíram da aglomeração. Tenten parecia agitada e nervosa. Olhava para os lados a todo instante, como se esperasse alguém.

— Algo errado? – perguntou Neji.

— Não, não. Nada errado. Só estou vendo se Hanabi-chan seguiu a gente.

— E qual seria o problema disso?

— O que eu quero te falar é confidencial...

Neji a olhou seriamente, mas nada comentou. E quando chegaram a um local mais afastado, ele disse:

— Estou ouvindo.

Tenten tomou fôlego.

— Neji, durante sete anos fomos do mesmo time. Passamos por muita coisa juntos, você, eu, Lee e Gai-sensei. Eu tenho um carinho muito grande por todos vocês.

— Não entendo o que tem de importante nisso, Tenten.

Ela corou, mas continuou o que estava falando.

— O que eu quero te dizer é que apesar de todo carinho que eu sinto por Lee e Gai-sensei, você é especial para mim. Muito especial. Eu gosto de você, Neji. Na verdade eu te amo. Passei anos tentando dizer isso, e só tive coragem porque Sakura-chan e Hinata-chan tomaram coragem. Não quis ficar para trás...

No meio do show, ao final da música, Hanabi notou a ausência de Neji. Olhou para todos os lados, mas não viu nenhum sinal dele.

— Tasuki, você viu o Neji? – perguntou Hanabi ao seu colega de time.

Tasuki parou de pular por um momento. Tinha o cabelo castanho molhado de suor e seus olhos verdes se apertaram enquanto ele pensava. Apesar de ser apenas um ano mais velho que garota, ele era bem mais alto que ela. Usava uma camisa preta com uma foto do Asian e um bermudão jeans.

— Não vi não. Por que você não pergunta para o Konohamaru-kun?

Hanabi olhou rapidamente para o rapaz perto deles, que cantava uma garota bem mais velha. E ela parecia estar caindo na conversa dele.

— Eu não! Do jeito que ele é burro e pervertido, vai confundir minha pergunta com um pedido de namoro. Vou procurar o Neji com meu byakugan.

— Não pode, é proibido o uso de qualquer habilidade ninja aqui. Eu li em um cartaz. – avisou Tasuki.

— Então me dê cobertura! – e ativou o byakugan.

Em poucos segundos, detectou o local onde Neji estava com Tenten.

— Ai, aquela vadia! O que ela está fazendo com o meu Neji?

— SEU Neji? – indagou Tasuki caindo na risada.

— Eu vou buscar ele!

— Boa sorte.

Ela correu rapidamente no meio da multidão, utilizando das suas habilidades para abrir caminho. Não queria nem saber se era proibido ou não. O que não ia permitir era que ninguém se aproximasse de Neji, além dela.

Neji encarou longamente Tenten após a confissão da garota. A garota estava ansiosa, esperando uma resposta. Ele suspirou.

— Um nobre sentimento, Tenten. Espero que você possa encontrar algum dia alguém que possa retribuí-los. Mas não serei eu.

Os olhos de Tenten se encheram de lágrimas. Mesmo que já esperasse aquilo, ouvir doía.

— Eu não quero “alguém”. Eu quero você, Neji. – disse intensamente.

— Infelizmente não posso retribuir seus sentimentos.

— V-Você g-gosta de outra pessoa? – perguntou entre as lágrimas.

— Não. Eu não amo ninguém.

— Então – ela deu um sorriso esperançoso – Por que você não me dá uma chance de fazer com que você aprenda a me amar? Fique comigo, Neji.

— Você sabe que isso não passa de uma ilusão. – respondeu secamente — Ninguém aprende a gostar de ninguém. Apenas se gosta. Só isso. Ficar com você sem amá-la, seria apenas uma forma de desrespeitá-la, de machucá-la. – com a expressão suavizando um pouco ele continuou — E você disse bem no início. Passamos sete anos juntos, ainda somos um time, mesmo sem cumprirmos missões juntos. Eu a considero demais para fazer algo assim com você.

— Essa é sua última palavra? – perguntou ela olhando para o chão.

— Sim. Eu sinto muito.

Tenten nem ao menos olhou para o amigo. Simplesmente deu meia volta e saiu sem dizer uma palavra, seguindo a direção oposta ao show. Nesse mesmo instante, Neji sentiu alguém pular em seu braço.

— Neji! O que aquela garota queria com você? – perguntou Hanabi parecendo chateada.

— Nada de importante, Hanabi-sama. Vamos voltar ao show.

******************

Tentar sair do meio da multidão era pior que tentar entrar, fora a conclusão que Naruto chegara. A todo o momento alguém esbarrava neles, quase os separando. Quando já estavam bem próximos de sair do formigueiro que se tornara a rua principal, onde estava sendo realizado o show, uma pequena manada de adolescentes atravessou seu caminho, empurrando Hinata para um lado e Naruto para o outro. Depois disso, eles se perderam. A garota continuou andando em frente tentando encontrá-lo, mas simplesmente não o achava.

“Vou ter que recorrer para o byakugan!” pensou ela.

Assim que ativou sua linhagem, sentiu uma pontada grande nas costas, que desativou imediatamente seu byakugan. Virando-se para ver quem a atingira, viu um grupo de homens fardados que a olhavam em desaprovação.

— É proibido o uso de linhagens sanguíneas ou qualquer poder ninja nesse show. Não leu o regulamento?

— D-Desculpe, eu n-não sabia... Só q-quero e-encontrar u-uma p-pessoa...

— Que bonitinha, ela nem sabe falar direito, rapazes! Diga-me gracinha, de que vila você é? – perguntou se aproximando dela.

Hinata deu dois passos para trás. Se aqueles homens conheciam uma linhagem e eram fortes o suficiente para desativar seu byakugan, com certeza sabiam que ela vinha de Konoha.

— E-Eu vou i-indo... M-Mais uma vez d-desculpe...

Quando se virou para ir, contudo sentiu um puxão em seus cabelos. O homem a segurava por trás, rindo com um bafo forte de bebida em seu rosto.

-Calma gracinha! Eu e meus amigos só queremos conversar com você.

— P-Por f-avor n-não m-me o-obrigue a te m-machucar...

— Oh, rapazes! Ela vai nos machucar! Qual seu posto? Pela cara deve ser genin ou chunin, não é?

Segurando o braço dele, ela tentou uma manobra para se soltar. Teria conseguido se outros três não tivessem a segurado.

— Nossa, vamos nos divertir muito, rapazes! Ela é selvagem...

— Mais selvagem sou EU! – gritou Naruto chegando ao local e nocauteando o homem com um único soco. Ao ver o amigo inconsciente no chão, os outros soltaram Hinata e começaram a correr.

— Naruto-kun... Desculpe... Eles me pegaram e...

— Você não tem que se desculpar. – e abraçando ela carinhosamente acrescentou – Vamos sentar longe daqui, esse show já deu tudo que tinha que dar...

E se afastaram do local do show. Ainda dava pra ouvir “Tight Rope” do lugar onde se sentaram. Era um banquinho em uma rua lateral pouco iluminada, mas tranqüila. Quase não tinha movimento, pois a rua não tinha saída. Então eles puderam ficar bem à vontade.

— Como você está se sentindo? – perguntou ele preocupado.

— B-Bem... Fiquei assustada quando me perdi de você...

— Eu também. Imaginava uma coisa como aquela. Alguém tentando te maltratar. Eu sabia que você tentaria evitar um conflito no meio de muita gente... Você é tão meiga... Tão delicada...

Naruto começou a passar a mão pelo rosto dela. Não sabia se era a privacidade do local, ou as cervejas que bebera, mas ela parecia excepcionalmente desejável, sob a meia luz da rua. Puxando-a para bem perto dele, começou a beijá-la com uma voracidade que Hinata ainda não conhecia. Explorava sua boca com a língua, enquanto a apertava contra seu corpo. Uma tontura começou a tomar conta da cabeça da garota. Naruto parecia querer assimilá-la para dentro de si próprio, apertando-a, sentindo a pulsação mais rápida do seu coração. Em pouco tempo, sua respiração tinha se acelerado e sentiu um arrepio agradável quando os lábios dele começaram a roçar em torno se seu pescoço.

— N-Naruto-kun... P-Pode a-parecer al-guém...

Ele considerou por um momento suas palavras.

— Então, venha.

E se levantando, ofereceu a mão para ela, que aceitou. Hinata não entendeu por que Naruto a levava para o fim da rua se esta nem ao menos tinha saída. Porém, logo compreendeu. Ele a levara para longe da luz do poste e encostou-a suavemente no muro. Depois, tornou a beijá-la, dessa vez mais suavemente, e a envolveu com seus braços. Ela permitiu que ele explorasse seu corpo com suas mãos, envolvida por uma sensação que nunca sentira antes. Era inebriante, enlouquecedora. Quando ele desceu os lábios em direção ao seu decote, precisou sufocar o gemido que quase escapara. Começou então a percorrer os braços deles com suas mãos, chegando às costas. Queria acariciá-lo também, mas a grossa jaqueta que ele vestia, dificultava o caminho de seus dedos.

— N-Naruto-kun... N-Não e-está com c-calor? E-Essa jaqueta é-é tão p-esa-da...

— Sim, está muito quente aqui – sussurrou ele tirando a jaqueta.

*************

Sakura e Sasuke se entreolharam. Imaginavam que algo daquele tipo acabaria acontecendo mais cedo ou mais tarde. Mas nunca em frente a tantas pessoas, e no meio do show.

Sai estava acompanhando por uma bela morena de curvas bem generosas e que parecia estava achando aquilo muito divertido. Ino estava acompanhada por um rapaz que parecia querer sumir diante da cena. E os namorados se encaravam, enfurecidos.

— Como você pode me trair Sai? – gritou ela furiosa.

— Eu? Você quem estava antes com ele. – disse sem nenhuma inflexão na voz.

— Gente... – falou Sakura se aproximando – eu acho que...

— Você devia ficar calada. – disse Sasuke puxando ela – Não se meta nisso.

E era realmente a coisa mais sensata a fazer. Ino parecia que estava prestes a explodir enquanto Sai mantinha uma frieza invejável. E muitas pessoas olhavam esperando o desenrolar dos fatos.

— Você é um falso! – gritou Ino.

— E você não tem vergonha na cara. – devolveu ele.

— Vergonha? Quem é você pra falar em vergonha? – revidou ela.

— Talvez eu seja seu namorado que não gostou de te ver com outro. – replicou ele.

Na verdade a cena foi inusitada. Logo que começara o show, cada um foi pra um lado, sem se importar muito com o outro. Segundo Sakura soubera, eles tinham brigado antes do show. E então arrumaram respectivos “ficantes”. E por um acaso, acabaram se encontrando estando acompanhados. E agora brigavam por causa da “traição”.

— Você sempre faz isso não é? – sibilou Ino para Sai – Fica se esfregando com vadias nas minhas costas!

— Olha o respeito garota! – disse a mulher ao lado de Sai.

— Cale a boca! – gritou a loira.

— Não faço muito diferente de você, com esse outro ai... – disse Sai friamente.

— Eu nem sabia que ela tinha namorado... – se defendeu o pobre rapaz.

— Então... Você quer insinuar que estamos empatados? – quis saber ela.

— Não estou insinuado. Estou afirmando. – confirmou Sai sem hesitação.

E eles se olharam longamente por cima da música, enquanto todos esperavam o final daquela trama, que parecia agora chamar a atenção de muito mais pessoas que antes.

— Ai meu Deus... – murmurou Sakura.

— Acho que vai acabar agora... – avisou Sasuke.

E era verdade. Depois de se olharem longamente, Sai e Ino pareciam ter ambos chegada a mesma conclusão. Ele soltou o braço da mulher e disse:

— Não preciso mais de você.

Ino empurrou o rapaz e falou:

— Foi bom enquanto durou, querido.

E para a surpresa de todos, os dois se abraçaram e se beijaram intensa e apaixonadamente.

— Nunca vou entender eles... – comentou Sakura vendo todos se afastarem rindo e comentando o acontecido, enquanto os dois acompanhantes tratavam de sumir dali rapidinho.

— Existem as mais inusitadas formas de amar. – falou Sasuke sorrindo e abraçando Sakura possessivamente – Essa é a deles.

— Vamos deixá-los ai! Quero aproveitar o resto do show! – gritou a médica empolgada começando a pular novamente e fazendo Sasuke sorrir.

********************

Lee encarava a garrafa de Coca-cola à sua frente. Sua animação pela festa tinha ido toda por água abaixo. Apesar de saber a algum tempo que Sakura e Sasuke haviam se entendido, sentiu uma contração desagradável no estômago ao ver eles dois se beijando durante o show. Aproveitara que Kasuma, seu aluno, pedira para ir ao banheiro, para acompanhá-lo até fora da aglomeração e agora o esperava sentado em uma barraca.

— Pronto sensei. Podemos voltar.

Kasuma era a estrela do Time Cinco. Com apenas nove anos de idade se graduara na academia. Ele era um menino muito bonito, tinha olhos azuis profundos e cabelos negros que caiam sobre o rosto delicadamente. Ainda era pequeno, afinal, era muito novo, mas tinha uma aguçada inteligência por trás do semblante infantil. Quando Lee questionou se era apropriado ele cuidar de um time com dois gênios como Kasuma e Hanabi, Tsunade lhe respondera:

— Você é o gênio do esforço, Lee. Sei que vai conseguir.

E realmente, até então, não tivera problemas com nenhum de seus discípulos. Exceto pelo fato de nenhum deles idolatrá-lo, nem fazer a pose de nice guy. E com certeza, tinha mais afinidade com Kasuma que com Tasuki, que não levava nada a sério, e com Hanabi, que levava tudo a sério demais.

— Hã... Vamos voltar sensei? – chamou o garoto novamente.

— Pode ir à frente, Kasuma-kun... – murmurou Lee desanimado — Vou ficar mais um pouco aqui...

— Tem certeza? Ta bem animado lá! – o menino logo percebeu que havia algo de diferente com seu professor.

— Tenho. Pode ir. Só não fale com estranhos, nem aceite doces. – mesmo sendo ninja Kasuma ainda era uma criança.

— Ta, ta. – respondeu sorrindo e voltou para o show.

Lee terminou de tomar sua Coca-cola e chamou o garçom.

— Vê mais uma aí!

— Bebendo o quê Lee?

Tenten sentou-se inesperadamente ao seu lado. Mantinha a cabeça baixa ao falar com ele e parecia estar se sentindo muito mal. Mesmo tentando esconder o rosto nas sombras Lee reparou que ele estava inchado e seus olhos muito vermelhos.

— Nossa Tenten! O que aconteceu? – perguntou preocupado.

— Nada. Ou melhor, tudo... Lembra do que eu te falei hoje a tarde?

— É claro. Você me falou que finalmente decidiu se declarar para o Neji. Então, falou com ele?

Ela afirmou tristemente com a cabeça.

— E? – quis saber o rapaz.

— Ele disse que não me amava... Com todas as letras.

Lee encarou a amiga, pesaroso.

— É parece que nem eu, nem você tivemos sorte ao nos apaixonar.

— Você ainda insiste com aquela história com a Sakura, Lee? Ela namora o Sasuke há mais de um mês. E eles parecem bem apaixonados.

Cruzando os braços sobre o balcão, Lee inclinou a cabeça e suspirou.

— É eu sei. Mas mesmo assim é difícil lidar com essas coisas.

— Eu que o diga... – concordou Tenten.

— Mas há uma diferença entre nossos casos. O Neji disse que não te amava, mas ele gosta de alguém?

“Eu não amo ninguém”.

Lembrando das palavras de Neji, ela respondeu:

— Não.

— Mas a Sakura sim. É mais doloroso ver alguém que você ama com outra pessoa.

O garçom chegou com a Coca-cola de Lee. Trazia também um cardápio que entregou a Tenten. Diversas bebidas, de vários lugares eram oferecidas. Uma vontade tentadora tomou conta da garota. E decidiu não resistir a ela.

— Quer saber Lee? – falou com a expressão desafiadora – Cansei de bancar a boa moça! Esse negócio de ficar remoendo dor de cotovelo não é meu estilo. Não faço o gênero “coitadinha”! Eu não vou ficar choramingando pelo Neji! Pelo menos não estando sóbria!

— Tenten... O que você pretende? – perguntou o rapaz receoso.

— Garçom, qual a bebida mais forte que você tem aí?

— Bem, a mais forte é a cachaça Nabunda, mas eu não a aconselho à senhorita, ela é muito forte.

— Não quero saber! Pode mandar!

— Tenten, por favor! – pediu Lee — Você nunca bebeu antes!

— Há uma primeira vez para tudo. E hoje eu quero beber muito e descontar todos esses anos de abstinência!

Mas a vontade de Tenten não pode ser concretizada, pois depois da terceira dose, a garota já tinha as bochechas muito vermelhas e dava nítidos sinais de estar totalmente embriagada.

— Leeeeeeeeee – falou com a voz arrastada – Eu não to me sentindo muito bem... Acho que eu não devia ter bebido isso...

— Eu avisei! – reclamou exasperado.

— Esse negócio de tomar Nabunda não é brincadeira não... Já subiu tudo pra minha cabeça...

— E o que você está sentindo? – perguntou Lee preocupado.

— Eu to sentindo um calor tãããããããããããão grandeeeee...

E para total desespero do ninja, sua colega começou a desabotoar a blusa, fazendo com que todos os homens presentes parassem o que estavam fazendo para observá-la.

— TENTEN! Você não pode tirar a roupa aqui! – disse angustiado, segurando as mãos da amiga.

— Ah, deixa ela à vontade cabeça de bolha! – gritou um dos homens na barraca fazendo com que todos os outros caíssem na risada concordando.

— Leeeeeeeee... Não posso tirar a blusa aqui? – a voz de Tenten estava arrastada e ela não parecia deter o controle de seu corpo.

— NÃO, NÃO PODE!

— Então me leve para um lugar onde eu possa... Tomar Nabunda me deixou queimando por dentro...

Lee ajudou a amiga a se levantar oferecendo apoio, o que não adiantou muita coisa, pois Tenten não se sustentava nas pernas. Tirando uma nota alta do bolso, ele pagou a conta ao garçom.

— Fique com o troco! – disse ao sair.

Não dava para andar daquela forma. Ele não conseguia fazer Tenten se locomover e a todo momento ela caia, sem forças para se sustentar sobre as próprias pernas. Muitas pessoas já paravam e apontavam à cena rindo.

— Acho que vou ter que te levar no braço... – e colocando ela no braço, passou a se distanciar do show.

— Leeeeee, para onde você está me levando?

— Para casa. Não vou te deixar ficar assim.

— Mas eu não quero ir...

— Você não tem querer! – disse chateado — Tenten, você não podia ter feito isso!

— Ei, Lee, Tenten!

Chouji estava em uma barraca de churrasco ao lado de uma garota cheinha, mas muito bonita. Ela olhou interessada a cena.

— Seus amigos, Chouji-kun? – perguntou.

— Sim. – e voltando-se para Lee perguntou – O que está havendo?

O rapaz hesitou por um instante. Não podia dizer o que realmente estava acontecendo com Tenten. Naquele momento ela podia não estar com plenos domínios de seus atos, mas no dia seguinte depois de recuperar a consciência, com certeza ficaria constrangida com ocorrido, principalmente se várias pessoas tomassem conhecimento dele.

— A Tenten não ta passando bem, Chouji-san. Estou levando ela de volta para Konoha. Avise aos outros, por favor.

— Pode deixar. Eu aviso.

Lee tomou o rumo de volta à vila. Durante o percurso, quando passavam por entre as árvores, Tenten segurou forte o braço de Lee.

— Leeeeee... Acho que vou vomitar...

Rapidamente ele a pôs no chão. Mas ela não vomitou. Apenas começou a arquejar como se tivesse com falta de ar e reclamava em voz baixa enquanto arranhava o próprio pescoço:

— Queima, queima, queima...

— Acho que vi um lago por aqui. Vou te levar lá. Dizem que molhar a cabeça faz bem nessas horas. Vamos!

O lago brilhava à luz do luar. Suas águas eram calmas, sendo perturbadas apenas pela brisa da noite que ondulava lentamente sua superfície. Tenten se inclinou as margens do lago e, pegando um pouco de água entre as mãos, molhou o rosto. Lee sentou em uma pedra e aguardou.

— Eu queria que ele me amasse, Lee... – sussurrou Tenten, como se temesse quebrar o silêncio do local.

— Eu também. Você merece ser feliz.

— E você, Lee? Não merece ser feliz?

— Sinceramente não sei... – respondeu ele baixando a cabeça.

A verdade era que ele jamais considerou a possibilidade de ficar com outra pessoa que não Sakura. E isso o fazia se sentir vazio, solitário e infeliz. Porém, tudo que podia fazer era desejar de todo coração que ela fosse muito feliz. Quanto a ele, não pensava no futuro. Iria sobreviver um dia de cada vez, até esquecer seu amor completamente.

Envolto nesses pensamentos, Lee sentiu algo delicado roçando em seu rosto. Quão grande foi sua surpresa ao constatar que o que tocara seu rosto fora a blusa de Tenten e mais ainda quando olhou para ela e a viu tirando completamente a roupa.

— TENTEN! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?!

— Estou com calor... – e dizendo isso se atirou de cabeça no lago.

Lee se desesperou totalmente, principalmente quando viu que a garota não voltava à tona.

— SUA LOUCA, VOCÊ VAI SE AFOGAR!

E atirou-se no lago também. Conseguiu pegar a amiga antes que essa afundasse e subiu com ela em busca de ar.

— Tenten – chamou ele preocupado – O que deu em você?

A garota olhou para ele com um ar vazio, distante.

— Leeeeeeee... Você me acha bonita?

A pergunta o pegou de surpresa. Que tipo de coisa se passava na cabeça dela naquele momento? Não dava para saber. Dentro do lago, com aquela brisa noturna passando por seus rostos, ele a admirou por alguns instantes. O cabelo, cotidianamente preso, havia se soltado no mergulho e agora, molhado, emoldurava o rosto vermelho pela bebida. Os pequenos lábios tremiam com o frio da água e a expressão desamparada com que ela esperava sua resposta, podiam fazer qualquer coração esmorecer.

— Você é linda, Tenten. – falou Lee com sinceridade.

— Então me beije.

— QUE TIPO DE PEDIDO É ESSE? VOCÊ CONTINUA BÊBADA!

— Por favor, Lee... Eu preciso me sentir desejada. Nem que seja por um momento. Nem que seja uma mentira.

Agora eram as bochechas de Lee que se avermelharam intensamente.

— Isso não é algo que se peça a um amigo Tenten...

— E a quem vou pedir se não posso contar com meu melhor amigo?

Aquelas palavras mexeram com seu interior. “Melhor amigo”... Nunca pensara que ela o considerava tanto. Ele também gostava muito dela e vê-la olhando para ele com um pedido nos olhos, era algo que não podia ignorar.

— Está bem. Um beijo não fará mal...

E eles se beijaram. E não foi só um beijo. Nem dois. Foram vários beijos. E a cada novo contato de suas bocas, eles se intensificaram mais. Tenten o abraçou fortemente encostando seu corpo nu no de Lee. Eles tremiam, mas não de frio, e sim de um desejo que nem sabiam que estava ali. Tenten apertou fortemente Lee em seus braços e queria sentir que podia preencher o vazio dentro de sua alma com ele.

O corpo de Tenten era firme, mas também delicado. Ele não sabia por que nunca havia reparado a mulher dentro dela, enquanto olhava pra ninja. Mas agora, sentiu-se invadido por um desejo tão grande que por um momento achou que fosse explodir. Nunca imaginara que tantas sensações poderiam ser sentidas de uma vez só. Todavia sabia que tinha que manter a razão. Sabia que ali em seus braços, pousava alguém que ele não queria machucar jamais. Por isso, quando as mãos de Tenten começaram a querer arrancar a roupa dele, Lee a refreou. Sorrindo, ele segurou delicadamente suas mãos e disse:

— Melhor pararmos por aqui Tenten. – sussurrou com a voz rouca — Você disse que queria ser desejada e eu a estou desejando mais do que acho aceitável em seu estado atual. Se continuarmos, acabaremos fazendo coisas que podemos nos arrepender amanhã. Vamos voltar para Konoha.

Lee ajudou Tenten a sair do lago. E como um cavalheiro, também a ajudou a se vestir. Quando chegaram à porta da casa dela, já mais consciente, ela lhe pediu:

— Lee, me perdoe...

-Não há o que perdoar... E Tenten – chamou ele quando ela lhe virou às costas para entrar na casa – Se você, depois de sóbria, quiser terminar o que começamos no lago, pode me avisar.

E enrubescendo fez a pose de nice guy antes de ir embora, sem ouvir a resposta dela.

******************

— AI TÁ DOENDO! TÁ DOENDO!

— Mas é só uma unha...

-MAS É A MINHA UNHA!

Kiba foi carregado para fora da aglomeração quando o show estava perto de chegar ao fim. Seu pé sangrava muito. Na pressa de sair para evitar a correria quando a banda deixasse o palco, enfrentaram um longo e cheio caminho. Durante o trajeto, algo ou alguém, eles não viram bem, caiu sobre o pé do rapaz arrancando sua unha do dedão e deixando as outras em estado lastimável. Tiveram que carregá-lo para um lugar bem afastado e deixaram seu pé levantando enquanto esperavam Shino que fora buscar Sakura.

— Cara, isso ta feio... – disse Shikamaru olhando o pé de Kiba.

— Pior é o que eu to sentindo! Vocês não têm pena de mim não?

— Sinceramente... Não. – respondeu Neji.

— Por que eu ainda pergunto...

Sakura chegou um pouco depois, aparentando estar muito irritada.

— Espero que seja algo grave para você me tirar na hora que eles tão cantando a última música! – disse para Shino.

— Isso é grave o suficiente para você? – perguntou apontando para o pé de Kiba.

A expressão dela mudou repentinamente.

— O que aconteceu Kiba?

— Eu também queria saber...

— Resolvo isso num minuto. – e começou a tratar do rapaz.

— Acho que isso é o fim da festa... – disse Ino desanimada.

— Mas olhe pelo lado bom, nos divertimos bastante! – falou Sai abraçando a namorada.

Todos os olharam com as sobrancelhas arqueadas.

— Já que estão todos aqui, devíamos ir embora. – propôs Shino – O show está no final mesmo.

— Não estamos todos aqui. – retrucou Neji – Hinata-sama e Naruto não estão presentes.

— Nem o Lee-san e a Tenten-san. – disse Konohamaru.

— Não se preocupem com o Lee e a Tenten. Eles já foram. – esclareceu Chouji.

— Já? Por quê? – perguntou Sakura

— Parece que ela não estava se sentindo muito bem...

— Mas ainda faltam dois. Eu vou procurá-los. – se ofereceu Neji.

— Pode deixar que eu irei Neji. – pediu Sasuke – Você fica ai e não deixe ninguém mais sair, por favor, senão vamos nos desencontrar.

Apesar de ter se oferecido, Sasuke não sabia por onde começar a procurar. Vira que Hinata não estava se sentindo muito bem, então supunha que eles se afastaram para se sentarem algum lugar. Andou durante alguns minutos, até passar em frente à rua sem saída. Como a visibilidade estava horrível, ele ativou o sharingan. E foi assim que os encontrou. No primeiro momento não viu Hinata, apenas Naruto, por isso chamou.

— Ei, Naruto!

O coração de Hinata quase parou quando ouviu a voz de Sasuke. Corando instantaneamente, se escondeu por trás de Naruto, enquanto baixava sua blusa. Naruto ficou extremamente irritado com a interrupção.

— O que você quer Sasuke? – perguntou rudemente.

Sasuke não entendeu a forma com que Naruto falara com ele.

— Algum problema Naruto?

— To ocupado, vai embora!

— Mas nós já estamos indo embora, por isso vim te chamar. Ta tirando água do joelho?

— Cara vá embora, vou já!

— Cadê a Hinata?

— PORRA, EU JÁ DISSE QUE TÔ INDO! VAI EMBORA!

Sasuke ficou chateado com a forma que Naruto falara com ele. Já ia revidar quando percebeu que Naruto não estava sozinho. Encolhida nos braços dele, Hinata parecia querer desaparecer. Então entendeu o nervosismo do amigo, deu uma risadinha e saiu sem dizer nada.

Hinata ficou muito insegura. Quase que Sasuke os flagraram em um momento tão intimo. Ela não tinha mais coragem de permanecer ali.

— N-Naruto-kun... A-Acho q-que temos q-que ir...

— É, acho que sim. Só me dê um segundo... Preciso me acalmar...

Pouco depois que Sasuke chegara onde estavam os outros, Naruto e Hinata se juntaram ao grupo. O rapaz ainda estava muito mal-humorado e nem ao menos falara com o amigo. Somente depois que começaram a sua ida de volta para Konoha, que Sasuke tocou no ombro de Naruto.

— Ei, cara, foi mal. Eu não a vi naquela hora. Achei que você estava sozinho.

— Ok. Deixa pra lá. – respondeu suavizando a expressão.

— Eu não tinha a intenção de atrapalhar vocês.

— Sei, sei...

— Comprei até uma coisa pra você, para me redimir.

— Sério? O quê?

Sasuke lhe entregou um embrulho e esperou Naruto abrir.

— Muito legal de sua parte, Sasuke não precisava... – e abrindo o pacote acrescentou – Não precisava mesmo...

Era uma garrafa de um litro e meio da cachaça Nabunda.

— Pronto. Você toma Nabunda e fica mais calminho. – e saiu andando na frente.

— ORA SEU MALDITO, VOLTA AQUI! – gritou Naruto, começando a correr atrás de Sasuke.

— O que deu neles? – perguntou Hinata assustada.

— Deixe-os para lá. – disse Sakura achando graça – Homens... Quem os entende?

Notas finais
Divirtam-se! =]