O Tempo e a Esperança
30 Capítulo XXVIII – O resgate da soldado Hyuuga
Capítulo XXVIII – O resgate da soldado Hyuuga — Parte I
A fronteira entre o país do Fogo e o país do Trovão estava bem próxima e ele já podia sentir o cheiro doce das montanhas que não estava distante. Sorriu ao pensar nisso. Em pouco tempo teriam a vantagem necessária para tornar real o sonho de seu pai. A Vila Oculta da Nuvem seria a mais importante de todo continente e subjugaria àqueles que antes os humilhara. Seu primeiro desejo era a devastação total de Konoha. Iria vingar toda dor que aqueles shinobi causaram à sua vida. Principalmente, os daquele maldito clã Hyuuga. Durante toda sua vida ouvira sua mãe pronunciar com ódio todas as maldições conhecidas contra aquela família e o quanto seu pai fora vítima de sua arrogância. E sabia também que sua deficiência só não fora superada pela traição do antigo Hokage de Konoha.
Quando uma garoa suave começou a cair em seu rosto, e passos delicados se aproximaram, ele sorriu. Sentia que alguém trazia boas notícias.
— Hibiki-sama – falou a voz melodiosa de sua acompanhante – Ela acordou.
Hibiki levantou e se encaminhou para onde estava a refém. Queria ouvir sua voz, perscrutar seu coração, descobrir seus segredos, vira-la do avesso se possível. Afinal se ela fora boa suficiente para matar facilmente dois de seus subordinados, então as informações que recebera não eram confiáveis. Precisava agora averiguar por si mesmo quem era a líder do clã Hyuuga.
“A fonte deve ser exterminada.” pensou enquanto se dirigia para o fundo da caverna. “Essa informação errada quase destruiu meus planos.”.
**********************************
Deitada no chão frio e úmido, Hinata recuperou os sentidos de forma lenta e dolorosa. Logo que abriu os olhos não pôde ver nada, pois o ambiente estava mergulhado na mais profunda escuridão. Conseguiu ativar seu byakugan a tempo de ver alguém se distanciando rapidamente. Tentou mexer o corpo, mas não conseguiu. Do pescoço para baixo não sentia nada, nem uma dor ou sensação sequer. Se não estivesse vendo os seus membros, poderia pensar que eles poderiam ter sido arrancados. Por mais que se esforçasse, seu corpo parecia morto à seus comandos. Então percebera, desesperada, que eles não tiveram o cuidado de vendar seus olhos ou impedir sua linhagem de agir. Isso significa que deviam estar levando ela rapidamente para fora do país do Fogo e que não tinham intenção de deixá-la viver.
Para Hinata naquele momento, só havia uma explicação para o que estava acontecendo: a Vila da Nuvem ainda queria possuir sua linhagem, como tentaram há quinze anos atrás. Mas, se o que eles queriam realmente era o Byakugan, por que simplesmente não a matavam? Por que ainda vivia e não podia ser ferida? Quais os objetivos reais daqueles ninjas? E quando ouviu pessoas se aproximando, ficou em alerta, desativando seu byakugan. Ouviu nitidamente quando duas pessoas pararam a seu lado. Contudo, como estava com o rosto virado na direção contrária e não conseguia virar o pescoço, Hinata não viu seus algozes. Todavia, sentiu que se debruçaram sobre ela e tatearam sua nuca. Depois disso, ela sentiu novamente a fina dor no pescoço que a fizera desmaiar, mas desta vez, ao invés de perder os sentidos, ela começou a sentir um arrepio percorrer seu corpo, como uma carga elétrica, fazendo com que, novamente, os movimentos retornassem. Tentou mexer os braços, mas eles estavam firmemente amarrados.
— Olhe para mim. – ordenou uma voz.
Ela obedeceu. Não pela ordem, ou o modo que ela fora proferida, mas por que queria ver o rosto do seu seqüestrador. E qual não foi sua surpresa ao se deparar com um homem que não aparentava nem um pouco a ameaça que emanava dele. Talvez essa impressão fosse pelos cabelos longos claros, ou pela sua roupa que lembrava uma túnica sacerdotal, ou ainda pela fragilidade que diversas faixas davam a seu rosto, do qual só podia se ver o nariz e a boca. Seus olhos estavam cobertos e ela compreendeu. Ele não podia enxergar. Mas a agulha na mão dele deixava claro que a palavra “inofensivo” não se aplicavam naquele caso. Havia paralisado-a com aquela arma e se devolvia seus movimentos agora, tinha algum propósito.
— Sinto que já entendeu quase tudo. Então não haverá necessidade de muitas explicações. – disse numa voz grave, mas melodiosa.
— Vocês querem o Byakugan... – murmurou ela fracamente.
— Exatamente. Mas não simplesmente o Byakugan. Queremos todos os segredos do clã Hyuuga que estão presentes no seu corpo...
Hinata olhou incrédula para o homem à sua frente.
— Os segredos... Em meu corpo?
— Sim.
Tentando novamente se mexer, ela sentiu que as cordas que a prendiam, estavam presas à ganchos que saiam do chão. Eles tinham pensado em tudo.
— Não vejo a necessidade de me manter viva...
Ele sorriu. Um sorriso sem vida e macabro.
- È claro que podíamos simplesmente extrair seus olhos antes mesmo de chegarmos à vila... Contudo...
— Hibiki-sama – interrompeu a mulher que o acompanhava – Não há necessidade de explicar nossos planos. Ela é somente um instrumento para alcançar nossos objetivos.
No momento que ela terminou a frase, Hinata sentiu um deslocamento no ar que a fez ficar sem respirar por uns instantes. Era como se tivessem jogado-a a um vácuo, onde tinha a impressão que, se ao menos pensasse, pudesse ser esmagada por aquela pressão. A mulher à sua frente também parecia ter sentido a mesma coisa, pois ficou estática com uma expressão amedrontada no rosto. Uma grande quantidade de chakra se desprendia do corpo de Hibiki. Ele virou a cabeça lentamente na direção de sua aliada.
— Você não tem autorização para dizer-me o que devo fazer ou não, Ikimono. – sibilou ameaçadoramente.
— P-Perdão H-Hibiki-sama... – começou desajeitadamente – E-Eu...
— Cale-se! – ele ordenou e ela calou-se imediatamente – Agora saia.
Relutantemente, Ikimono deixou o local. O medo invadiu o corpo de Hinata como uma febre repentina. Aquele homem a amedrontava mais que qualquer um que já tivesse encontrado. Lentamente ele voltou sua cabeça em direção a ela. Respirava profundamente como se quisesse absorver suas emoções. Por um momento, Hinata achou que ele podia realmente fazer aquilo.
— Medo... – sussurrou ele – Você sente medo. É uma pena. Gostaria de falar com a pessoa que matara meus subordinados tão facilmente e não com uma menininha assustada...
Hinata continuou calada. Não entendia onde ele queria chegar.
— “Hyuuga Hinata é dócil, inexperiente, tem uma personalidade fraca e submissa. Não domina o taijutsu do clã, mas o lidera atualmente sob a supervisão de seu pai. Sua única vantagem está no fato de se relacionar bem com o preferido da atual Hokage, Uzumaki Naruto. Todavia, este fato vem sendo contestado por nossos informantes. Resumo: ela constitui-se uma presa fácil que não demandará graves problemas se capturada fora dos limites da vila.”. Esse foi o relatório que recebi a seu respeito. Todavia, você matou dois dos meus sem muito esforço e resistiu bravamente aos genjutsu que utilizamos em você quando estava inconsciente. Não pudemos retirar uma única informação deste cérebro. – e tocou delicadamente a testa de Hinata, fazendo com que ela estremecesse de nojo.
Hibiki sorriu.
— Não sei o que pensar de você, Hyuuga Hinata. Fico feliz por não ter que matá-la. Vai ser muito mais interessante saber até onde você agüentará...
— Agüentará? – indagou ela com um péssimo pressentimento.
— Mas é lógico. Retirar seus olhos será muito fácil... E muito estúpido também. Não é tão simples. Só podemos entender como funciona uma linhagem sangüínea tão poderosa se a analisarmos bem. Depois disso, eles serão extraídos... Mas sua importância não parará por ai. As células do seu corpo são vitais para que a experiência funcione. Mesmo implantando o byakugan em outro corpo, este acabaria por enfraquecer, já que não está propriamente preparado para os desgastes provocados por ele. Então, seu corpo oferecerá subsídios para que descubramos como manter o byakugan ativo e funcionando perfeitamente.
O corpo de Hinata começou a tremer.
— C-Cobaia... Vocês me transformarão numa cobaia... – balbuciou ela atônita.
— Que bom que compreendeu tão rápido... – disse ele num tom quase aliviado.
************************
O grupo avançava o mais rápido que podia. Para os mais experientes, viajar sem pausas longas era normal. Porém, para o Time três, aquele estava sendo o maior desafio: conseguir acompanhar o ritmo dos outros ninjas, sem ser deixados para trás ou retardar a missão. Depois de um dia ininterrupto de viagem, constataram o quanto custava cada minuto perdido. Eles não tinham tempo, precisavam avançar. Somente quando a noite caiu e se tornou impossível viajar, Kakashi fez um sinal para todos, pedindo que parassem:
- Acho que seria melhor pararmos para descansar. – disse olhando para o céu.
Os adolescentes se esparramaram na grama lado a lado, ofegantes.
- Não devíamos parar Kakashi-sensei. – reclamou Naruto – Não podemos perder tempo.
- Se você quer realmente salvar Hinata, deve descansar. Com certeza enfrentaremos batalhas, e a melhor forma de vencê-las é deixando o corpo pronto para elas. — e apontando para o Time três deitado na grama, acrescentou – Pense em seus alunos também. Eles não estão acostumados a uma jornada tão difícil.
Naruto olhou também para os meninos e suspirou. Kakashi tinha razão. Precisavam descansar. Enquanto Sasuke e Sakura erguiam uma barraca, Kakashi e Naruto se aproximaram dos garotos.
- Algum problema? – perguntou o líder da missão como se esperasse uma série de palavrões e reclamações.
Porém, nenhuma palavra foi dita. Eles apenas menearam negativamente as cabeças e continuaram deitados. Naruto se aproximou do seu time com uma garrafa de água.
- Perto daqui há um riacho. Seria bom que vocês reabastecessem seus cantis. – disse para eles.
- Iremos já, Naruto-sensei... – falou Yumi.
- Quando meu pulmão chegar... Acho que ele ainda está em Konoha... – completou Suzumi.
Makoto permaneceu calado, mas sorriu diante do comentário de Suzumi. Ele sentia o mesmo.
- Vamos dormir por aqui hoje e voltaremos à jornada antes do nascer do sol, entenderam? – perguntou Kakashi.
- Sim... – murmuraram eles.
A noite transcorreu calma. Nenhum inimigo deveria estar mais ali. Todavia, Makoto tomou o cuidado de vasculhar a área com sua audição e constatou que todos podiam dormir tranquilamente. Eles se dividiram em duas barracas, o Time três ficou em uma e os outros em outra barraca. Quando a madrugada começou a chegar ao fim, Yumi foi a primeira a acordar. Saiu da barraca e viu que o céu começava a clarear. Ela tinha consciência que aquela pausa na viagem fora por causa deles e se sentiu mal por isso. Então, decidiu que iria fazer algo para compensar. Com o que sobrara do fogo da fogueira acesa na noite passada, preparou o café da manhã rapidamente e decidiu encher os cantis de todos. Pegou os objetos e se dirigiu ao rio que não ficava muito distante dali.
Não demorou muito para achá-lo, mesmo com a pouca luz. Pensava em sua antiga sensei enquanto lavava o rosto das águas frias. Será que ainda vivia? Estaria sentindo medo? Saberia que iam procurar salvá-la? Com todos esses pensamentos na cabeça, começou a encher os cantis um por um. O céu já estava bastante claro quando ela terminou. Fechou a ultima garrafa e começava a voltar para o acampamento, quando sua atenção foi chamada por alguma coisa que estava na outra margem do rio.
Yumi deixou os cantis no chão e cuidadosamente, começou a se aproximar, andando sobre as águas. Com a kunai em punho, estava alerta para cada movimento. Mas mesmo sua cautela, ou os anos que passara treinando penosamente com sua mãe e todas as missões que enfrentara, não a prepararam para a cena grotesca que ela viu.
Metade de um corpo jazia espetado na beira do rio. O rosto estava mutilado e os olhos haviam sido arrancados, provavelmente quando a vitima ainda vivia. Só foi capaz de reconhecer que se tratava de um ninja de Konoha por causa da bandana que fora amarrada grotescamente em torno do pescoço. O cadáver exalava um cheiro de podridão, o que a levava a crer que já deveria estar ali a pelo menos dois dias. Com a mão na boca, Yumi procurava conter a ânsia de vômito que ameaçava chegar. Deu as costas para o corpo e se dirigiu à margem. Todo seu corpo tremia. Debruçou-se apoiando as mãos em uma pedra e começou a vomitar tentando, inutilmente, conter as lágrimas. Turbilhões de sensações desconexas ameaçavam preencher seu corpo, enquanto ela tentava acalmar seus nervos.
“Vamos Yumi!” ordenou a si mesma. “O que está acontecendo com você? Não pode ficar assim! Deve voltar o mais rápido possível e avisar a todos! Mexa-se!”.
E, levantando-se com dificuldade, começou a voltar rapidamente para o acampamento.
Naruto estava se levantando quando ouviu a voz desesperada de Yumi, chamando-o:
- NARUTO-SENSEI! NARUTO-SENSEI!
Ele não foi o único a atender rapidamente o chamado. Tão logo ouviram a voz da garota, todos se levantaram e saíram das barracas. Yumi vinha correndo em direção a eles e parecia extremamente amedrontada e tinha o rosto muito pálido.
- Qual o problema, Yumi? – perguntou Naruto antes mesmo de a garota parar.
- S-sensei... – falou ela ofegante – Eu achei um corpo... Na beira do rio... Tenho certeza que é de um ninja de Konoha...
Naruto e Sasuke se entreolharam e começaram a correr em direção ao rio, sendo seguido de perto por todos.
- Como você achou isso, Yumi? – perguntou Sasuke.
- Eu estava enchendo os cantis quando vi alguma coisa na outra margem... – falou estremecendo.
Ela não precisou mais de explicar nada. Logo que chegaram ao rio, puderam constatar o estado do corpo. E Kakashi reconheceu logo de quem se tratava.
- É alguém do clã Hyuuga, sem dúvida.
O coração de Naruto se apertou ao ouvir isso. Então, já haviam chegado tarde.
- Calma Naruto. – falou Sasuke ao ver a expressão do amigo – Era um dos acompanhantes de Hinata sim, mas isso não significa que ela esteja morta. Vamos nos dividir e procurar mais pistas.
Todos assentiram com a cabeça e começaram a procurar outros indícios de luta. Não demoraram a achar o corpo alvejado do primeiro Hyuuga morto, o resto do corpo do que fora empalado no rio e a cabeça do que fora degolado. O corpo deste nunca seria visto. Por ultimo, acharam o cadáver de Nobuhiro, o único que estava inteiro e sem sinais de perversidade. Ele ainda estava coberto com a manta nobre do clã Hyuuga.
- Isso pertencia a Hinata... – murmurou Naruto tocando naquelas vestes. – Eu já a vi usando uma dessas.
-Pela forma com que foi colocada em cima do corpo, a própria Hinata deve ter feito isso... Uma homenagem. – disse Kakashi pesaroso.
- Então ela os viu sendo mortos um a um? – perguntou Sakura horrorizada.
- Eles devem ter impedido-a de lutar. Não arriscariam a vida dela. Depois de todos mortos, creio eu que ela deva ter lutado. – cogitou Sasuke.
- Tem um pedaço de espada perfurando o coração dele... – apontou Sakura – Deve ter sido o ferimento que causou sua morte.
- Quantos dias faz que ele esta aqui? – perguntou Naruto ansioso.
- Em torno de dois. – respondeu ela.
- Encontramos mais uma coisa! – disse Suzumi chegando perto de onde estavam reunidos os jounins.
Acompanharam Suzumi até um lugar mais afastado da estrada. Em frente a uma grande pedra, dois túmulos foram feitos. Naruto caminhou decidido até eles.
- Sakura, você trouxe seus instrumentos de médica? – perguntou.
Sakura estranhou a pergunta.
- Claro que sim, Naruto! Por que essa pergunta besta? – indagou irritada.
- Porque acho que você fará uma autópsia agora. – e se encaminhou para os túmulos.
Ninguém fez nenhum esforço para impedir ele de começar a cavar. Em pouco tempo, dois cadáver surgiram aos olhos de todos. O Time três assistia a tudo, perplexos, mas nem ousavam olhar para outra coisa. Depois que seu sensei puxou os corpos para fora dos buracos com a ajuda de Sasuke, a médica começou a examiná-los de perto.
- Nenhum dele é Hinata... – suspirou Sakura aliviada – E pertencem à Vila Oculta da Nuvem, como suspeitávamos. Vou iniciar a autopsia para saber como eles morreram... Isso pode nos ajudar na busca. Yumi. – chamou.
- Sim? – disse Yumi se aproximando cautelosamente.
- Poderia me ajudar? – pediu oferecendo seus instrumentos para a garota segurar.
Yumi encarou os cadáveres em decomposição. Eles exalavam um mau cheiro horrendo. Começou a se sentir mal de novo, mas ela não podia recusar. Tinha que mostrar seu valor.
- T-Tudo bem, Sakura-san... – murmurou se abaixando ao lado dela e pegando os objetos.
Tão logo Sakura fez o primeiro corte no primeiro corpo, toda a cor fugiu do rosto de Yumi. As suas mãos, que seguravam as ferramentas da médica, começaram a tremer incontrolavelmente.
- Yumi... – falou Naruto preocupado – Se não puder fazer...
- E-Eu p-posso... – balbuciou ela – Não s-se p-p-preocupe comigo...
Porém, a afirmativa era mentira. O novo corte feito por Sakura no corpo, deixou todo seu corpo tremendo, enquanto ela olhava pra aquela cena horrorizada. Suzumi bateu de leve no ombro de Makoto e apontou para Yumi.
- Vamos tirar ela dali. – murmurou.
Makoto assentiu. Aproximaram-se de onde ela estava e, sem dificuldade, tiraram Yumi de perto. Ela parecia amedontrada demais para reagir. Suzumi tomou o lugar dela e passou a auxiliar Sakura pela meia hora seguinte. Terminado a autopsia, a médica voltou-se para os demais e disse.
- Morte por dano aos órgãos internos. O coração foi o alvo, mas também os pulmões acabaram atingidos. Com certeza foram mortos pelo golpe dos Hyuuga. A questão é: qual deles?
- Nenhuma suspeita? – perguntou Naruto.
- Bem, — começou Sakura – a mulher foi morta por apenas um golpe. Aparentemente foi uma luta rápida, ou ela foi pega de surpresa. Já o homem parece ter ferimentos de luta, porém em dois padrões diferentes. Acho que ele lutou possivelmente com dois deles.
- Hinata-sensei pode tê-los derrotado e enterrado! – disse Makoto esperançoso – E pode estar a salvo e voltando para a vila!
- Você acha que Hinata enterraria os inimigos e deixaria pessoas do seu clã apodrecer ao ar livre? – perguntou Kakashi.
- Ah... – murmurou o garoto envergonhado.
- Mas se dois foram mortos por um Hyuuga, e mesmo assim Hinata sumiu, podemos supor que havia mais deles. – concluiu Sasuke.
- Bem mais. – falou Kakashi olhando para os corpos – Devemos nos preparar. Não será fácil.
Naruto olhou mais uma vez para os corpos e suspirou. Tinha certeza que eles haviam sido mortos pela líder dos Hyuuga. Podia não ser um médico como Sakura, mas havia treinado o suficiente com Hinata para reconhecer o padrão de seus golpes. Mas não iria falar nada por hora. Se não havia corpo, ainda havia esperança.
“Espere por mim, Hinata!” pensou fervorosamente.
E voltando sua atenção para mais adiante, viu Yumi sentada embaixo de uma árvore parecendo muito chateada. Aproximou-se da aluna e falou:
- Qual foi o problema Yumi? – perguntou preocupado.
Yumi o encarou com os olhos vermelhos.
- E-Eu não s-sei N-Naruto-sensei... – murmurou com a voz embargada – E-Eu não c-consegui a-ajudar...
- Não se preocupe Yumi. – falou em tom compreensível — Todos nós temos nossos medos.
Ela balançou a cabeça negativamente.
- Um ninja não pode sentir coisas como medo, Naruto-sensei. Nem pode fracassar. – disse amargurada.
Naruto a olhou e ficou sério. Sentando ao lado dela, continuou calmamente:
- Não sei que disse essas coisas a você, Yumi, mas deixe eu lhe falar algo. Ninjas são seres humanos também e tem sentimentos. Não se envergonhe de sentir medo. Só não deixem que eles te dominem. – e passou a mão carinhosamente na cabeça dela.
Mesmo sem muita vontade, Yumi sorriu. A confiança voltou aos poucos aos seus olhos. Não podia ficar parada. Tinha que ser útil naquela missão. Ou nunca se perdoaria por aquilo.
- Olhe – disse Suzumi chegando – Peguei os cantis que a Yumi deixou lá no rio. Vamos desarmar as barracas?
- Vamos Suzumi – falou Naruto ajudando Yumi a se levantar – e partiremos imediatamente. Hinata nos espera!
E começaram rapidamente a se preparar. O combate estava próximo.
***************
- E então, como a “princesinha” está? – perguntou sarcasticamente Ikimono.
Um rapaz magro, de cabelos ralos e sem vida riu da forma que sua companheira falou.
- Com ciúmes, Ikimono? De uma refém?
A garota fez um barulho irritado com a boca.
- Por que eu teria ciúmes de um shinobi de Konoha? — perguntou se fazendo de ofendida.
- Talvez por que ela seja mais bonita que você... Ou por que o chefe esteja sempre perto dela agora... – e recomeçou a rir desagradavelmente.
- Eu não estou com ciúmes! Só não entendo toda essa preocupação do Hibiki-sama com ela! Afinal de contas, ela vai morrer mesmo. Por que você teve que examina-la Kobayashi?
- Ora, ela precisa estar bem para quando começarmos os testes na Vila... – explicou Kobayashi calmamente.
- Espero que “aquelazinha” seja útil... Atrasamos-nos um dia inteiro por causa dela. – Ikimono balançou os cabelos castanhos irritadamente.
- Será mais útil do que você pensa... – murmurou ele.
- Se está tão preocupada com o tempo, Ikimono – falou uma voz grave – Se apresse para seguirmos viagem.
Hibiki se aproximou tão sorrateiramente que os dois ninjas se surpreenderam. Imediatamente ficaram em alerta, em posição de sentido.
- Está tudo em ordem com a refém? – perguntou Hibiki se dirigindo ao ninja médico.
- Tudo em ordem. Já lhe apliquei um sedativo para não tentar fugir durante a viagem. – respondeu Kobayashi mostrando uma injeção – Ela não acorda antes de chegarmos à vila.
- Ótimo. Vamos seguir viagem. Eitaro e os demais nos esperam na casa da fronteira. – e como se só lembrasse-se disso naquele momento, acrescentou – E se preparem para o combate.
- Seremos atacados Hibiki-sama? – perguntou a mulher receosa.
- É apenas um palpite. – falou displicentemente — Contudo, fiquem alerta.
Os dois subordinados se entreolharam. Os “palpites” de Hibiki eram conhecidos na vila da Nuvem por sempre se mostrarem reais. Kobayashi sorriu e apalpou suas armas. Fazia tempo que não dissecava ninguém. Esperava ansiosamente que, quem quer que se aproximasse, fosse uma cobaia interessante. Ikimono apenas deu de ombros. Tudo que queria era terminar logo aquela missão e voltar para casa. Não suportava a idéia de seu amado perto de outra mulher. Mesmo que essa estivesse com seus dias contados.
************************
- A fronteira está bem perto. – alertou Kakashi.
Os sete ninjas pararam em cima das árvores. Era perceptível a diferença de terreno àquela altura. Enquanto o País do Fogo era conhecido por suas vastas planícies e bosques, o País do Trovão tinha o relevo predominantemente montanhoso. Logo à frente deles uma ravina se erguia imponente. Era um lugar de difícil locomoção.
“Se iniciarmos uma luta aqui” pensou Yumi observando “Temos poucas chances de ganhar”.
Kakashi olhou a expressão pensativa no rosto da garota e comentou:
- Já percebeu Yumi?
Ela afirmou com a cabeça. Mas não foi a única a perceber a situação. Sasuke olhava a vista, preocupado.
- Percebeu o que? – perguntou Suzumi interessada.
- O meio geográfico daqui é totalmente diferente do que vemos no nosso país. Tem muito acidente geográfico. Como estamos acostumados às planícies, podemos ser prejudicados. – esclareceu a garota olhando para sua colega de time.
- Devemos transpor logo essa ravina. – avisou Sasuke – Não podemos ser atacados aqui de forma alguma.
- Ravina? – estranhou Makoto.
Sakura apontou para frente e falou:
- Essa formação geográfica. Pedra de um lado e de outro. No meio, uma depressão cheia de vegetação fechada. Temos que ir por cima. Ir pelo meio é suicídio.
Atravessaram rapidamente a ravina por cima das pedras e chegaram ao pé de uma montanha. Ela se erguia imponente e ameaçadora.
- Aqui começa o país do Trovão. – disse Naruto olhando para a montanha. Depois, encarou seus companheiros um a um e suspirou – Chegou a hora. Podemos ser atacados a qualquer momento.
Todos concordaram. E se dirigindo ao seu time, acrescentou:
- Tomem muito cuidado os três. Nada de precipitação. Se por acaso nos separarmos...
- Yumi liderará o time... – completou Makoto – Já sabemos.
Naruto riu.
- Conto com vocês. – falou sorrindo para eles.
Cautelosamente iniciaram o avanço. Tinham que ir devagar e com cuidado, para evitar possíveis armadilhas. Por pouco Suzumi não caia em uma. No ultimo minuto, Kakashi a puxou antes que pisasse na corda que prendia os sinos.
- Estamos perto. – sussurrou Sakura enquanto desarmava a armadilha.
Uma apreensão começou a tomar de conta de Naruto. Passaram os últimos dois dias viajando sem pausa, se baseando apenas por pistas que encontravam pelo caminho. Não viram nenhum sinal concreto da presença de Hinata, além dos corpos dos Hyuugas. Temia estar na trilha errada. Com dificuldade subiram a montanha até seu topo começando logo em seguida a descida. Aquele medo logo foi substituído por ansiedade quando desciam do alto da montanha e avistaram o telhado de uma casa mais abaixo, ainda bastante distante do lugar onde estavam. Ela parecia ocupada. Kakashi pensava rápido. Podia ser apenas uma moradia normal ou estar ligada ao seqüestro de Hinata.
- Se nós ao menos pudéssemos saber se Hinata se encontra naquela casa... Evitaríamos confrontos inúteis...
- Vamos nos aproximar um pouco mais. – sugeriu Naruto com expressão pensativa.
Quando estavam a uns oito quilômetros da casa, pelos cálculos de Sakura, Naruto disse:
- Makoto, aqui deve dar. – chamou ele – Pode tentar ouvir alguma coisa?
Makoto olhou surpreso para seu sensei. Era a primeira vez que Naruto lhe pedia abertamente para ativar sua linhagem. O garoto ficou temeroso. Podia realmente ter melhorado naquele tempo, mas não sabia se conseguia ouvir daquela distância. Percebendo o receio do aluno, Naruto tocou em seu ombro.
- Eu confio em suas habilidades, Makoto. Se alguém aqui pode nos dizer alguma coisa é você.
Todos o encararam, ansiosos. Makoto fechou os olhos. Primeiro, procurou anular os sons que partiam de seus companheiros. Depois, anulou o som da floresta ao seu redor. E começou a buscar barulhos além. Buscava uma voz humana, um passo ou mesmo uma respiração. Procurou dirigir sua atenção à casa mais a frente deles. Havia muitas pessoas nela, constatou. Tentou prestar atenção nos ruídos produzidos por eles na tentativa de descobrir a quantidade e o que faziam. Passara alguns minutos quando, ainda de olhos fechados, Makoto se abaixou e, pegando um galho no chão, começou a desenhar na terra. Todos se abaixaram também.
- É uma casa grande – começou o garoto desenhando no chão, mas sem olhar para o desenho – Tem nove cômodos. Quatro quartos, uma cozinha, um banheiro e três salas. Existem sete pessoas na casa... Espere... Oito. Uma está deitada, só consigo ouvir seus batimentos... É a Hinata-sensei!
O coração de Naruto acelerou. Kakashi apertou os olhos enquanto observava Makoto.
“Então essa é a habilidade do clã Otori...” pensou admirado “Não é a toa que eles a escondem até dentro da vila... Surpreendente... Nunca tinha visto a real capacidade deles”.
- Como você sabe que é a Hinata? – perguntou Sasuke incrédulo.
- Pelas batidas do coração... Cada pessoa tem seu compasso próprio. E eu conheço o dela. Mas... – ele fez uma cara preocupada – Ela não está muito bem... Seus batimentos estão estranhos... Tem uma pessoa no quarto com ela. É um homem. Ele está falando com ela!
- O que ele está dizendo? – indagou Naruto ansioso.
- “Em breve seus olhos serão meus...”.
O rosto de Naruto se contraiu de fúria. Sua vontade era sair correndo e arrancar Hinata de lá o mais rápido possível. Mas precisava de mais informações.
- Tem duas pessoas do lado de fora da casa – continuou Makoto marcando no pequeno mapa que fazia na terra – Estão entediados, querem que amanheça logo para partir. Uma mulher está do lado de fora do quarto da Hinata-sensei, e parece chateada. Dois estão na cozinha e um deles está fervendo água... E o outro está em uma das salas, sozinho rabiscando algo em um papel... E tem o cara da voz e a Hinata-sensei em um quarto.
Makoto abriu finalmente os olhos. Ele mesmo se surpreendeu com o mapa da casa que tinha criado no chão. Naruto observava atentamente o desenho. E apontou o lugar onde Makoto escrevera o nome de Hinata.
- Vamos. – disse resoluto – A luta começa agora.
******************
Hibiki passou as mãos sobre os olhos de Hinata. Ela continuava adormecida. E sorriu. Levantando-se, se dirigiu para fora do quarto, empurrando a porta ao sair. Ikimono esperava-a do lado de fora, impaciente.
- Hibiki-sama, perdoe-me a petulância... Mas por que paramos aqui?
- Não quero levar o lixo ate nossa vila, Ikimono. – respondeu calmamente.
A mulher o olhou sem entender. Mas Hibiki não deu mostras que iria explicar nada. Caminhou até a saída da casa e, chegando perto dos dois vigias, falou calmamente:
- Nossos convidados chegaram. – e apontando na direção leste, acrescentou – Recepcione-os como se deve.
Os dois homens sorriram. E começaram a se encaminhar para onde seu líder ordenara.
*****************
O grupo avançava muito devagar, pois as pedras no chão dificultavam a caminhada. Por várias vezes, os garotos tropeçaram. Devido a isso, ainda se encontravam distantes da casa e isso preocupava Kakashi. Em pouco tempo iria anoitecer, ele reparou. Se fosse haver um combate, era fundamental que se desenrolasse durante o dia. Mesmo assim, nuvens pesadas começaram a tomar de conta do céu. Quando transpuseram uma grande pedra que havia no caminho, diversas shurikens foram lançadas nos pés deles. Um homem alto, careca e vestido com a roupa tradicional da Nuvem surgiu frente a eles.
- Nem mais um passo. – falou ele — Vocês não passarão daqui.
Todos ficaram em posição de ataque. Estavam em vantagem, afinal era apenas um. Mas sabiam que não se devia subestimar um inimigo. Se ele estava ali sozinho, devia ter alguma coisa preparada. Yumi fez um sinal para Makoto e Suzumi. Eles assentiram com a cabeça.
- Maldito! – exclamou Naruto – Você é um dos covardes que seqüestraram a Hinata!
O homem riu.
- E você deve ser Uzumaki Naruto não é? Não parece tão impressionante como pintam... Será que conseguirá reaver sua namoradinha?
Naruto fez menção de atacar ele. Porém, teve a manga de sua jaqueta puxada por alguém. Era Yumi. Ela, juntamente com seus dois companheiros, tomou a frente de seu sensei.
- Pode deixar isso conosco sensei. – disse Yumi.
- Não podemos perder tempo. – justificou Suzumi.
- Vocês podem seguir em frente. – completou Makoto.
Naruto olhou surpreso para seus alunos. Se eles estavam pensando que iriam lutar sozinhos, estavam muito enganados. Ele não iria permitir. Mas antes que pudesse falar isso, Kakashi tocou em seu braço.
- Sei o que está pensando. – falou ele — Mas deixe-os lutar. Eles precisam provar para si mesmo e para nós que podem ajudar nessa missão.
- Eles estão em vantagem numérica. – disse Sakura.
- E têm um motivo forte para lutar. – concluiu Sasuke.
Os garotos estavam em posição de luta. Naruto deu um sorriso satisfeito. Eles podiam vencer e sabiam disso.
- Deixarei isso com vocês. – falou ele confiante – Quando terminarem venham ao nosso encontro.
- Certo! – exclamaram eles.
E os quatro jounins continuaram seu caminho. Quando passaram pelo ninja da Nuvem, este pareceu contrariado.
- Não fujam! Lutem comigo!
E tentou perseguir-los. Contudo, os três se interpuseram em seu caminho e o homem foi obrigado a se voltar para os três adolescentes.
- Você não irá perseguir o Naruto-sensei! – disse Suzumi.
— Lutará conosco! – acrescentou Yumi.
Uma risada maléfica saiu da garganta do ninja.
— Lutar contra crianças? Pode até ser divertido... Qual dos três morrerá primeiro? – e começou a se aproximar deles.
— Lutem com todas suas forças! – ordenou Yumi para seus colegas – e não tenham medo de morrer!
— Pode deixar “chefinha” – brincou Suzumi – Mas tenho dois irmãos em casa... Não tenho pretensão de morrer... Ainda nem me vinguei daquela vadia da Hanabi...
— Não posso decepcionar Takeshi-sama... – murmurou Makoto.
“E eu preciso garantir a vida de vocês...” pensou Yumi.
— Um simples grupo de genins nunca me deterá! – gargalhou ele confiante.
Com um rápido movimento das mãos, o ninja fez o ar em torno dele começar a girar e criou diversas lanças de vento que atacaram os garotos. Porém, uma barreira de fogo se ergueu no meio do caminho.
- KAJI NO KEKKAI! – gritou Makoto.
Aproveitando-se da cobertura dada por seu colega, Suzumi invocou:
- KAGE BUSHIN NO JUTSU!
Quando o fogo baixou, ela avançou com suas cópias sobre o inimigo. Ele se defendeu com as mãos de um chute bem aplicado, mas eram muitos pés e mãos. Suzumi o atacou de todos os lados, provando por que seu taijutsu era o melhor do time. Com as mãos, deu um soco no estomago do homem, e saltando, girou para pegar impulso e lhe aplicou um chute, dessa vez no queixo. Ele deu dois passos para trás, mas se equilibrou. Quando a menina voltou a investir, já se preparara. Segurou na perna de um dos clones e girando, passou a acertar todas as cópias com ela. Por ultimo, soltara o clone sobre a verdadeira, que voou para longe.
- Uma técnica tão simples não vai me deter! – disse ele.
Suzumi riu ainda no chão.
- Pode não deter... Mas distrai... – disse num sorriso malicioso.
Ele então percebeu que Yumi sumira. Quando localizou a garota, ela estava em cima da pedra, fazendo uma junção de jutsu.
- SUITON SUISHOHA!
Um redemoinho de água começou a se formar abaixo dos pés de Yumi. Com as mãos, ela direcionou o ataque para o inimigo, obrigando-o a recuar. Por pouco tempo. O vento ao redor dele dava a vantagem, criando uma barreira que fazia com que a água não se aproximasse. Com um sorriso, ele disse:
- Impressionante. Consegue invocar um jutsu de água sem nenhuma fonte por perto. Muito bom mesmo. Mas vai precisar de muito mais menina.
Ele fez um movimento rápido que espalhou todo o golpe de Yumi. Rapidamente, fez um selo e invocou novamente as lanças de vento. Dessa vez, Makoto não foi rápido suficiente. A garota foi atingida pelo golpe. Por sorte, conseguiu escapar das mais perigosas dando giros no ar e pulando para trás. Porém, uma delas atingiu sua perna, e a fez tropeçar. Vendo sua amiga em perigo, rapidamente Makoto correu até onde o homem continua disparando seus ataques a Yumi.
- KATON KARIEI ENDAN! – gritou ele antes de um sopro de fogo sair de sua boca.
Surpreso, o ninja pulou para trás, e conseguiu se livrar dos jatos de chamas. Já de pé, Suzumi correu até onde Yumi estava. A garota parecia bem, mas uma de suas pernas sangrava muito.
- Yumi, pode se levantar? – perguntou Suzumi preocupada.
- Acho que sim. – disse ela se levantando. A perna sangrou mais um pouco, mas ela conseguiu se sustentar.
- Fique aqui que eu e Makoto cuidaremos de tudo. – pediu.
- De forma alguma! – protestou ela. E rasgando um pedaço de sua roupa, amarrou firmemente à perna – Pronto. Ao combate!
Elas voltaram sua atenção na luta que Makoto travava com o ninja da Nuvem. O garoto estava com ótimos movimentos, mas taijutsu definitivamente não era seu forte. Ele levou dois socos seguidos no rosto e caiu. Suzumi usou mais uma vez o Kage bushin e retomou a luta de antes. Mesmo sendo essa sua especialidade, a garota percebeu que estava lutando com um mestre. Quando ele pegou o braço de Suzumi, torcendo-o para trás, Yumi avançou por cima da cabeça dos dois. Num movimento preciso, puxou a manga de sua camisa para cima, revelando a arma que se atava ao seu braço. Quando puxou o fino fio que prendia as kunais, estas voaram em direção ao homem que foi obrigado a soltar o braço de Suzumi para se proteger. Encurralado, começou a girar os braços em sentido horário, criando dois redemoinhos em torno de seu corpo. Quando os garotos tentaram um ataque em grupo, foram arremessados para longe um do outro. Makoto caíra bem perto da ribanceira, enquanto Yumi e Suzumi pararam perto da grande pedra que marcava a divisa entre eles e um precipício.
- Esse local será o túmulo de vocês, pequenos genins! – gargalhou ele.
“Preciso de um plano, rápido!” pensou Yumi desesperada. Olhou para Makoto caído no chão e longe delas e teve uma idéia.
- Ouçam – sussurrou para Suzumi e certa que Makoto a ouvia – Ta na hora de usar aquela estratégia que vínhamos pensando. Ainda não a testamos, mas é nossa única chance.
Suzumi concordou com a cabeça e Makoto começou a se levantar. Os três começam a fazer selos diferentes, ao mesmo tempo, enquanto o ninja avançava sobre eles.
- DOTON WAYADO KUZUSHI! – gritou Suzumi dando um soco no chão e fazendo com que todo o local começasse a estremecer quando um braço de pedra golpeou fortemente o homem jogando-o para o alto.
- SUITON SURYUUDAN NO JUTSU! – exclamou Yumi, fazendo com que seu redemoinho de água se tornasse maior e assumisse o formato de dragão, que atacou o homem assim que o golpe de Suzumi o arremessou no ar.
- KATON KARYEI ENDAN! – repetiu Makoto prendendo o homem em suas chamas após o ataque de Yumi.
Eram ataques poderosos que nenhum dos três ainda dominava perfeitamente. Isso fez com que uma grande quantidade de chakra de cada um fosse consumido. Para total alegria deles, parecia que o esforço tinha valido a pena. O corpo do ninja caíra a poucos metros dali.
- Conseguimos! – exclamou Suzumi.
Satisfeitos, correram em direção a ele, para se certificarem de sua vitória. Mas Yumi parecia receosa e se aproximou com cautela. Qual não foi a decepção deles quando contataram que era apenas um tronco enegrecido que estava no chão.
- Kawarimi no jutsu! – exclamou Yumi estarrecida.
Neste mesmo instante, ele surgiu sobre as cabeças deles, aplicando uma voadora certeira no rosto de Suzumi, que foi arremessada contra a grande pedra e caiu no chão após bater nela. Makoto conseguiu acertar um soco nele, mas logo se tornou o alvo. Conseguiu se livra dos primeiros golpes, até que o inimigo usou de um sórdido método. Quando tinha suas mãos próximas ao rosto do garoto, despejou em seus olhos uma grande quantidade de veneno.
Gritando de dor, Makoto foi forçado a recuar, sendo atingido no momento que levou as mãos aos olhos. Aplicando golpes sucedidos, ele conseguiu arremessar o genin em direção ao precipício. Sem enxergar e sofrendo ataques simultâneos, Makoto não percebeu o perigo que corria.
- Makoto, cuidado! – exclamou Yumi.
Mas era tarde. Um passo em falso e ele desequilibrou-se, caindo barranco abaixo.
- MAKOTO!!!! – gritou Suzumi desesperada, se levantando rapidamente. Mesmo sentindo uma grande dor do lado direito, com a certeza de que uma costela sua se partira, a garota se atirou do precipício atrás do amigo. Usou o kage bushin para se prender a uma pedra e, enquanto suas cópias a seguravam, mergulhou atrás de Makoto. Conseguiu pega-lo antes que atingisse o chão. Ficaram suspensos por um momento até que, usando o que restava de seu chakra, concentrou-o em suas mãos para dar o empurrão que faltava para se atirarem de volta ao topo.
Enquanto Suzumi lutava para salvar Makoto, Yumi encarava o inimigo e lutava pensando em uma maneira de tirá-los vivos dali. Fugir era impensável. Fora criada por sua mãe que repetia todos os dias que um ninja não deve abandonar um campo de batalha. Mas também não encontrava nenhuma solução para derrotar o homem que a golpeava. Ele era muito mais experientes que eles em combate. Com uma dor aguda na perna, ela deu um salto para trás e olhou para o ninja. Precisava agir rápido.
- Em vez de olhar para mim dessa forma, tente me enfrentar. – zombou ele.
Com um olhar de ódio, Yumi tornou a usar:
- SUITON SURYUUDAN NO JUTSU!
Ele se desviou das primeiras investidas. Todavia, na terceira, o dragão de Yumi conseguiu ferir-lo na barriga e atravessar o braço direito. Fazendo uma cara de desgosto, ele conseguiu neutralizar o golpe com seu ataque de vento.
- Isso não vai me pegar duas vezes! – exclamou aborrecido. Depois, acrescentou com um sorriso maligno — Mas olhe para baixo!
Instintivamente ela olhou. E o medo tomou conta dela. Seus pés estavam presos por duas correntes de vento que começaram a subir pelo seu corpo. Momentos depois, ela era aprisionada em uma jaula suspensa que se movimentava rápido demais para permitir que o ar fosse absorvido pelo pulmão. Levando as mãos à garganta, Yumi tentava inutilmente respirar. Estava começando a perder os sentidos.
Quando Suzumi e Makoto voltaram ao campo de batalha, ela indagou preocupada:
- Como você está?
Makoto mantinha os olhos fechados e os esfregava com desespero.
- Meus olhos ardem! Não consigo abri-los! – falou angustiado.
Foi nesse momento que Suzumi viu a situação de sua colega.
- Yumi! – gritou correndo em direção a ela.
Uma barreira de vento arremessou a garota para longe.
- Suzumi, o que está havendo? – perguntou Makoto angustiado sem enxergar.
Só então reparou no barulho feito por um grande redemoinho de ar. Pelo som abafado, ele sabia que se tratava de um jutsu de aprisionamento. Então entendeu. Yumi deveria esta presa lá. Concentrou-se buscando a direção dela e fez a primeira coisa que passou pela cabeça.
- KATON KARYEI ENDAN!
- Isso não vai me pegar de novo! – exclamou o ninja sorrindo.
Makoto sorriu. Não era ele o alvo. As chamas atingirão a prisão de Yumi, para total surpresa do inimigo e de Suzumi. O fogo desfez rapidamente a prisão de vento, libertando a garota, que caiu de joelhos no chão, respirando sofregamente.
- Entendo... – disse o ninja sem aquele riso sarcástico – O ar aquecido se espalha mais rápido... Bem pensado. Mas já é hora do jogo acabar. Irei enterrar os três com meus ventos.
Não havia mais salvação. Era isso que pensava Yumi. Ela tinha falhado. E seus amigos iriam pagar com suas vidas pelo erro. Olhou para ambos. Suzumi tentava se levantar, mas levou a mão à barriga numa atitude de dor, onde um ferimento sangrava. Ela passou a olhar para Makoto. O garoto estava com os olhos muito inchados e não conseguia abri-los. Mas algo a surpreendeu. Ele sorria.
Dentro da cabeça de Makoto, tudo fazia sentido. Sabia agora o motivo de tudo o que Takeshi-sama dissera. Sem sua visão, sua audição aguçou-se ainda mais. Concentrando-se, ele conseguiu ouvir até mesmo o sangue correndo pelo corpo de seu oponente. Soube que jutsu ele iria usar antes mesmo de suas mãos se unirem. O ataque de Yumi o tornara mais lento, e isso o ajudou, pois ouviu quando os ossos entraram em atrito e quando as mãos buscavam se unir para formar o selo que atirava as lanças de vento. Tivera tanta convicção que, quando ele fez o primeiro movimento, ele gritou:
- SUZUMI, YUMI, PULEM PARA A ESQUERDA!
Sem opção, elas obedeceram. Segundos depois, no lugar onde antes elas estavam, milhares de buracos foram feitos.
O esforço de pular tão rapidamente terminara de afetar a perna de Yumi. Ela caiu de mau jeito no chão e sentiu o músculo de sua perna se romper. Suzumi também não estava bem. Sua costela fraturada começava a perfurar seu fígado e ela sentiu um gosto amargo na boca. Curvou-se de dor apertando sua barriga. Todas essas manifestações do corpo delas foram ouvidas por Makoto, que decidiu que lutaria sozinho. Somente ele podia vencê-lo naquele momento.
- Meninas, não se aproximem! – pediu – Eu lutarei com ele!
- Como você pode fazer isso sem sua visão? – perguntou o ninja enraivecido – Pelo visto terei que mata-lo antes.
E começou a invocar a prisão de vento novamente. Mas Makoto já previra seus movimentos. E antes dos redemoinhos se formarem em seus pés, ele usou o katon e neutralizou o golpe. Depois, se aproximou rapidamente do inimigo e passou a lutar se desviando de todos seus ataques. Suzumi observava imóvel a cena. Olhou incrédula para Yumi.
- Você está vendo isso? – perguntou.
- Incrível... Ele está utilizando a audição para prever os golpes... – falou Yumi.
Quando viu que seus golpes não estavam surtindo efeito, o ninja se enfureceu. E, saltando para trás, começou a fazer um selamento. Makoto não reconheceu o padrão desses, logo era algo que ele não tinha utilizando ainda. Não podia deixar ele faze-lo. Aguardando o momento que o homem baixasse a guarda ao fazer os selos, Makoto concentrou o resto de seu chakra em seus braços. Lembrava da forma exata que o líder dos Otori ensinara. Podia fazer aquilo. E iria usar o jutsu que ele lhe ensinara há pouco tempo para demonstrar isso.
“Não é fácil, mas você pode faze-lo agora” lembrava ele das palavras de Takeshi enquanto estavam no pátio da casa do líder “Concentre o chakra na mão, de forma a deixa-lo muito concentrado. Transforme isso em fogo. E ataque rapidamente. Mas tome cuidado. Só o use em último caso. Se você perder o controle do fogo, sofrerá danos graves” alertara.
“Takeshi-sama” pensou Makoto “Vencerei isso com sua ajuda”.
Quando milhares de minúsculas agulhas de vento se preparavam para atacá-lo, Makoto soube que tinha vencido. Aproveitando a abertura de dois segundos que tivera antes do jutsu inimigo se completar, utilizou a mão esquerda coberta por chamas para atingir o pescoço do ninja. Sua mão perfurou a traquéia dele, entrando dentro dela com uma facilidade espantosa derretendo a pele e a carne enquanto avançava. A cabeça do homem acabou se desprendendo facilmente do resto do corpo. Foi tudo tão de repente que somente os olhos treinados de Yumi enxergaram bem o momento da degola. Para Suzumi, o ninja simplesmente caiu sem sua cabeça.
- Nunca subestime um time de genins... – disse Makoto com as mãos ainda em chamas.
Diante da cena, Suzumi ajudou Yumi a se levantar e se dirigiram para ele.
- Makoto... Você venceu... – falou Yumi com um sorriso no rosto.
- Não. Nós vencemos. – corrigiu Makoto – Você o deixou lento e eu me aproveitei disso. E você me salvou Suzumi... Obrigada.
Suzumi, ao invés de dizer qualquer coisa, deu um grande cascudo na cabeça dele.
- AI! – reclamou – POR QUE EU TO APANHANDO? ACABEI DE SALVAR VOCÊ, SUA MAL AGRADECIDA!!!!
- TA APANHANDO POR QUE VOCÊ É UM GRANDE IDIOTA QUE ME DEIXOU PREOCUPADA! E DESLIGUE ISSO! – mandou apontando para a mão dele.
Porém, Makoto teve muita dificuldade para conter o fogo. E quando ele se foi, entendeu o porquê Takeshi o prevenira para usá-lo apenas em ultimo caso. Como ainda não sabia controlar bem o fogo, ele escapara de seu domínio e a pele em torno de sua mão exibia feias queimaduras. Não poderia mais lutar por aquele dia.
Olhando para o estado que ficou a mão do amigo, Yumi se afastou um pouco e virou as costas.
- Perdoem-me por ser uma péssima líder... – pediu ela.
Makoto e Suzumi se entreolharam.
- Você não é uma péssima líder. – contestou Suzumi
– Veja, — apontou Makoto — derrotamos um jounin sozinhos!
Ela não estava convencida. E enquanto Suzumi abraçava Makoto tentando sufoca-lo com uma chave de braço em comemoração, ela suspirou. Por enquanto estavam vivos.
Entretidos na alegria da vitória, nem Suzumi nem Makoto perceberam a aproximação de mais alguém. E quando Yumi viu, foi tarde demais para avisar os amigos. Outro ninja da Nuvem se atirou sobre eles com uma shuriken gigantesca. Quando a arma estava para atingir os garotos, Yumi não pensou duas vezes. Jogou-se sobre o ataque, protegendo-os com seu corpo. A arma perfurou o corpo da garota que, com o impacto da pancada, foi arremessada para longe.
Os dois colegas mal acreditaram no que vira ou ouvira. O corpo de Yumi caiu derramando uma grande quantidade de sangue no chão.
- Uma foi fácil... – disse o ninja recém chegado – Os outros também serão.
Yumi estava sufocando. Seu pulmão fora perfurado. Tentou retirar a arma de seu corpo mais não podia. Não tinha forças. Espantou-se com a quantidade de sangue no chão. Não conseguia acreditar que tudo aquilo saia dela.
- Fujam... – murmurou ela, mas apenas Makoto pode ouvi-la.
Sem forças, deixou a cabeça pender sobre o corpo e presenciou o mar de sangue ao seu redor aumentar. Queria saber se seus amigos fugiram, mas sua visão começara a escurecer. Também não ouvia mais nada e começou a sentir um frio tomar de conta de seu corpo. A hemorragia estava fazendo com que perdesse seus sentidos e ela não sabia o que acontecia ao seu redor.
“Então essa é a sensação de morrer...” pensou ela sentindo a mente perder a consciência “Suzumi... Makoto... Acho que eu deveria ter me divertido mais como vocês...”.
Eles não tinham mais condições de lutar. Iam acabar mortos também.
“Morrerei antes deles...” aquele pensamento lhe deu conforto “Naruto-sensei... Perdoe-me...”.
A ultima coisa que a garota vira antes de mergulhar no vazio fora uma sombra sobre ela. Provavelmente um enviado dos céus. Ou do inferno.
Makoto soube exatamente o momento que acontecera. Estava bem consciente quando deixou de ouvir os batimentos do coração de Yumi.
Fale com o autor