Notas iniciais
Desculpem a demora pessoal! Aí está?

Capítulo XXIX – O resgate da soldado Hyuuga parte II

Neji sempre detestou fazer missões para senhores feudais como aquele. Somente por ter um pouco de terra e alguns servos, achava que podia mandar em todos aqueles sobre ao quais colocava a vista. E isso não excluía ninjas. Mesmo que dependesse deles para alcançar algo almejado. Logo que chegou àquele feudo e viu até onde chegava a arrogância do seu senhor, soubera por que a Hokage o escolhera. Era o único que tinha sangue frio o suficiente para agüentar tudo sem por em risco a missão. Uma missão rank A, para capturar um assassino conhecido na região e que ameaçara a família do contratante.

— Eu acho que todo feudo deveria seguir meu exemplo. – repetiu pela milésima vez o homem gordo e feio à sua frente, soltando uma baforada de fumaça em cima dele – Roubou, perde as mãos! Matou, é morto! Esse país não vai para frente por que aqueles que estão no governo dão muita liberdade à vila oculta e acabam negligenciando uma política de segurança mais eficaz e local!

“Além de tudo, obrigado a ouvir falar mal de minha vila” pensou aborrecido “Espero que a Hokage me pague o suficiente por isso.”.

Enquanto o homem continuava a se queixar e exaltar a época de seu avô, quando as vilas ninjas eram supervisionadas mais de perto pelos governos, o pensamento do rapaz estava bem distante dali. Mais exatamente, do outro lado do país. Queria estar ao lado de Hinata-sama e não agüentando as lamúrias daquele velho. Sabia que Nobuhiro era um ótimo ninja, mas sua preocupação era a saúde de sua prima. Desde que assumira o clã, ela vivia constantemente adoentada. E como se não bastasse isso, se recusava a ser examinada. Quando voltasse, decidiu ele, iria examiná-la ele mesmo.

— Por isso eu quero que o traga com vida! – concluindo seu simplório monólogo, o homem o encarou – Espero que você contenha seus instintos assassinos rapaz!

“Se não os contivesse, você já estaria morto” pensou sombriamente Neji. Adoraria dar aquela reposta, mas sabia que era isso que ele queria. Uma confusão. Assim ele poderia esperar que completasse a missão para depois acusa-lo de maus tratos, e não pagar nem um centavo pela captura. Já ouvira falar de casos assim. E não estava disposto a ser mais um deles.

— Não se preocupe Honda-sama, eu irei trazê-lo bem vivo para o senhor. – disse Neji calmamente – Só preciso saber das informações exatas sobre o assassino.

— Meu filho lhe porá a par de tudo. – resmungou aborrecido por Neji ter se controlado – Preciso ver um médico, minhas pernas estão me matando! – acrescentou se levantando.

“Mentiroso” pensou Neji se forçando para não rir. Desde que chegara ao feudo, se preocupara em ficar a par de tudo que podia estar relacionado ao caso e à vida local e qual não foi sua surpresa ao descobrir que as supostas visitas ao médico do senhor do feudo eram apenas desculpas dadas à sua esposa para visitar a amante, vinte anos mais jovem.

Foi deixado a sós com o filho do senhor, um rapazola mais ou menos de sua idade que, apesar de tentar parecer imponente, não possuía nenhum dom para intimidar. Uma criada passou a servir chá para eles e, reparou Neji, ela o observava com um nítido interesse. Procurando deixar bem claro que o sentimento não era recíproco, ignorou-a e passou a conversar com o rapaz. Soube que os motivos do pai do rapaz querer tanto o procurado vivo, eram para aplicar “justiça com as próprias mãos”. Soube também de todas as informações essenciais como nome, aparência e forma de agir do procurado.

— Hyuuga-san pode pernoitar conosco e começar amanhã mesmo sua missão. – convidou o rapaz.

— Não pretendo demorar. – avisou Neji se levantando – Irei começar ainda hoje as buscas. Não se preocupe – acrescentou ao ver o rapaz tentar se levantar também – Eu sei onde fica a saída.

A relva do jardim da bela casa de arquitetura tradicional estava úmida. Sinal que viria tempestade. Olhando as flores adormecidas, Neji lembrou de uma época que não existia há quinze anos. Quando os primeiros pingos atingiram o chão, sentiu o cheiro da terra molhada e percebeu que gostava de chuva. Dava-lhe uma sensação de nostalgia. Queria que tudo pudesse ser diferente. Nunca almejara tomar o posto de Hinata dentro da família, mas aquilo já estava debilitando-a tanto que por um momento, apenas um breve momento, desejou pertencer à Souke para poder arrancá-la das garras daquele sofrimento.

Sabia por que gostava de chuva. Ela lhe lembrava das tardes passadas ao lado de Hinata sob a supervisão de seu pai. Momentos agradáveis que nunca voltariam. Dando as costas para o jardim, começou a se dirigir para a cidade vizinha, sob a água derramada pelo céu, com uma urgência que não sabia explicar, mas que tomava conta de seu ser.

***************

Hyuuga Umi pertencia à Souke. Era uma ninja com especialidade em genjutsu e raramente ficava sem missões. Considerava-se uma felizarda por estar naquele dia em especial descansando em casa. Fora designada para substituir Neji enquanto ele ia em busca de Hinata, e isso era uma honra. Sentia um pouco de inveja de sua líder. Adoraria ter Neji se preocupando com ela.

“Ai ai ai, Hinata-sama... Em vez de sofrer pela raposa, devia tentar gostar de alguém como o Neji-sama...” pensou ela.

Em pouco tempo ela alcançou a cidade para onde Neji fora. Já estava a par da missão e vinha pronta para assumi-la. E qual não foi sua surpresa ao chegar ao local indicado e ver Neji saindo tranquilamente da casa do senhor feudal.

- Neji-sama. – chamou ela.

Neji sentiu um arrepio letárgico passar por sua espinha quando viu Umi vindo na sua direção. A presença de qualquer shinobi de Konoha já seria um mau presságio, mas um do clã Hyuuga àquela altura era o anuncio de péssimas noticias.

- Umi – falou ele se dirigindo rapidamente a ela – O que você faz aqui? Essa missão era secreta...

- A Hokage me mandou para tomar o seu lugar. Há assuntos mais importantes para serem resolvidos por você, Neji-sama.

O estômago de Neji seu uma volta completa dentro de seu corpo. Mas sua voz saiu calma, quando falou:

— Minha missão aqui já está terminada. – anunciou – Falta apenas o pagamento que o cliente está providenciando... Mas me fale logo, o que a Hokage quer comigo?

Umi hesitou um pouco antes de falar:

— Neji-sama... É sobre a Hinata-sama...

Em breves palavras, ela explicou tudo que acontecera.

— Ontem, Hiashi-sama recebeu uma carta do primeiro-ministro, onde ele convidava-o juntamente com Hinata-sama para visitá-lo na capital.

— Mas, como isso é possível? E a carta que Hinata-sama recebeu? – perguntou perplexamente irritado – A menos que...

— Exatamente. A carta era falsa. Hinata-sama foi atraída para fora da vila. E segundo Tsunade-sama, isso teria sido obra da Vila Oculta da Nuvem.

Com o ódio brilhando em seus olhos ao ouvir esse nome, Neji pegou o pergaminho oferecido por Umi onde se lia as instruções de Hiashi juntamente com a ordem da Hokage e mandou:

— Pegue o mandato de substituição emitido pela Hokage e receba o pagamento. Cuidado que esse velho é enganador, e pode se recusar a paga-la. Se isso acontecer, use suas habilidades em genjutsu e consiga convencê-los.

Ela sorriu maldosamente:

— Não se preocupe Neji-sama. Salve nossa líder que de questões menores como essa, eu me encarrego.

Olhando para a carta em suas mãos que continha as instruções para missão, Neji comentou friamente:

— O Time sete sem Naruto. Que inusitado.

Após isso, Neji começou a se dirigir rapidamente na direção ao País do Trovão. Levaria em torno de três ou quatro dias até chegar lá. Mas não pretendia demorar mais do que três dias.

**************

Suzumi assistiu horrorizada à cena de sua melhor amiga tendo seu corpo arremessado de forma tão grotesca pela arma. Makoto parecia tão estático quanto ela. Estavam em apuros, tinha que admitir. Sua costela quebrada doía a cada respiração e Makoto, com as mãos bastante queimadas, não tinha condições de executar nenhum jutsu. Mas seu orgulho a impulsionava. Ela teria que lutar. Mesmo que não existisse chance de vitória.

- Uma foi fácil... Os outros também serão. – disse o ninja inimigo.

- Makoto, para trás... – pediu ela com a voz fraca.

- Suzumi... – começou ele.

- FAÇA O QUE EU TO MANDANDO, PORRA! – gritou.

Ela tentava parecer decidida, mas não podia enganar sua audição. Pela primeira vez desde que conhecera a garota, sua voz tremia. Ela estava amedrontada. Ele sentia o mesmo. Tentou mexer as mãos e uma forte dor o atingiu. Não podia fazer nenhum selo.

Rapidamente a garota começou a executar um selamento. Mas não o concluiu. O homem se aproximou dela tão de repente que ela só o viu quando ele a encarou bem perto. Ele lhe deu um soco em seu estomago e, girando o corpo, aplicou um chute em seu rosto, atirando-a bem próximo de onde estava Yumi. Makoto escutou o momento que outra costela de Suzumi se partiu ao atingir o chão.

- Um Otori pelo que reparei... – murmurou o homem parecendo deliciado – Parece que teremos mais uma linhagem avançada para estudar na Vila...

Ele veio rapidamente em sua direção e, num gesto automático, Makoto se protegeu com os braços sobre o rosto, esperando a pancada. Ao invés de sentir a dor, ele ouviu um baque surdo e depois uma pessoa recuando. Alguém tomara sua frente. Não era Suzumi. Nem Yumi. Nem Naruto. Era um padrão cardíaco diferente. Ele não reconhecia.

- Makoto – uma voz grave reboou – Afaste-se.

Com o coração disparado, ele reconheceu a voz de Hyuuga Neji. Afastou-se rapidamente até onde estava Suzumi.

- Oh, outro Hyuuga! – exclamou o ninja satisfeito – Você pertence à Souke ou à Bouke?

- Essa informação é desnecessária a um homem morto... – sibiliou Neji.

O ninja tentou ataca-lo. Apenas tentou. Seus golpes nem ao menos ameaçaram Neji e ele se viu golpeado implacavelmente por uma mão que o atingiu apenas uma vez. Suzumi observou espantada como Neji rapidamente eliminou o ninja da Nuvem. Mas não era hora pra ficar de boca aberta observando aquilo.

- Makoto... – chamou ela tentando se levantar com dificuldade sem conseguir – Pegue o kit de primeiros socorros que está na minha mochila. Vamos salvar Yumi...

Neji chegou perto deles agora. Presenciou o estado dos garotos com peso no coração.

- Como vocês estão? – perguntou ele.

- Que pergunta idiota! – disse Suzumi irritada – Não ta vendo?! E você Makoto, pega logo o...

Suas palavras morreram no meio do caminho. Mesmo com os olhos inchados, dava pra perceber que Makoto chorava. Parecia estar sentindo uma dor muito forte.

- Makoto... O que aconteceu?

- Yumi... – balbuciou o garoto – O coração dela... Parou...

Suzumi tentou se levantar novamente e tudo que conseguiu foi uma dor forte do lado, que a fez cuspir sangue.

Rapidamente Neji se encaminhou até onde estava Yumi. Seus olhos ainda estavam entreabertos. Num gesto preciso, tirou a shuriken que atravessava a garota.

- Byakugan! – exclamou ele.

Logo compreendeu o estado de Yumi. O coração tinha parado há pouco mais de alguns segundos. As células de seu cérebro ainda não tinham sofrido degeneração. Podia salvá-la. Localizou os pontos certos para agir e, com apenas dois dedos, começou a pressionar o peito dela. No primeiro toque, estimulou o coração, massageando-o e empurrando chakra em direção a ele. O coração recomeçou a bater lentamente e para Makoto, ouvir o coração da amiga bater de novo soou como uma doce melodia.

- Voltou... – suspirou ele aliviado ajudando Suzumi a se levantar.

As lágrimas dos olhos da garota começaram a descer mais fortes. Lágrimas de alívio.

Com as duas mãos sobre o peito de Yumi, Neji empurrou chakra para os pulmões, forçando-os a expelir o sangue que se acumulava nele. A garota começou a cuspir todo o sangue que acumulara por reflexo muscular, mas era perceptível que era um movimento inconsciente. Num terceiro movimento, pressionando determinados pontos do corpo, onde o fluxo de sangue era mais forte, estancou a hemorragia dos ferimentos. Depois, suas mãos adquiriram uma forte coloração verde enquanto ele cauterizava os mesmos.

— Você é um ninja médico? – perguntou Suzumi impressionada.

— Não. – respondeu Neji sem tirar os olhos da garota no chão – Mas sei algumas medidas de urgência que são bem úteis numa situação de emergência. Vocês deviam aprender um ou dois.

— Ela vai ficar bem? – perguntou Makoto preocupado.

— Morrer eu garanto que ela não vai. Mas eu não posso dizer mais nada. É essencial que ela seja levada de volta à vila. Como isso é impossível no momento, dada às condições de vocês, quero que me esperem aqui. – e encarou os dois garotos – A presença de vocês denuncia a presença de Naruto. – disse com um ar sarcástico — Alguém mais?

— Você não sabe quem veio na missão? – perguntou Makoto surpreso.

— Não passei na vila. Recebi ordens diretamente de Tsunade-sama, e nome de Naruto não foi mencionado no grupo de resgate. – e olhando seriamente para os três — Nem o de vocês. Apesar de que vocês lutaram bem. Imagino que tenham aprendido esse trabalho em grupo com a Hinata-sama certo? – perguntou ironicamente sem nem cogitar a possibilidade de Naruto ser capaz de ensinar aquilo.

— Ei! – exclamou Suzumi irritada – Se você viu a gente lutando, por que não ajudou logo? A Yumi quase morreu por isso!

— Como eu disse vocês lutaram bem. Não tive como intervir naquele momento, pois ainda me aproximava deste local e só pude observá-los usando isto. – disse apontando para o byakugan — Contudo, quando me aproximei foi que pude fazer alguma coisa com relação ao ninja que estava escondido. – sorrindo friamente, ele acrescentou — Afinal, uma coisa é uma luta justa, outra é uma emboscada. Não concordo com isso. Infelizmente, não pude parar a shuriken. E então, quem veio? – insistiu.

— Nós três, Naruto-sensei, Sakura-san, Kakashi-san e Sasuke-san. – respondeu Makoto.

Uma chuva fina começou a cair. Pegando Yumi nos braços cuidadosamente, Neji os deixou em uma caverna perto da estrada. Com o kit de primeiros socorros de Suzumi, ele se preparou para fazer os curativos em Yumi. Quando abriu a blusa da garota para poder fazer-los, reparou que ela possuía diversas cicatrizes de corte ao longo daquela região do corpo. Imaginando o que teria sido o causador daquilo, começou a enfaixá-la. Depois cauterizou e enfaixou o torço de Suzumi e, por ultimo, lavou o rosto de Makoto com um soro contra venenos enfaixando seus olhos. Também usou a pomada especial dos Hyuuga na mão do garoto, enfaixando-a também.

— Não saiam daqui. – avisou ele – Mandarei Sakura até vocês assim que alcança-los.

E saiu da caverna para o frio da noite.

Suzumi usou uma tarja explosiva para acender uma fogueira e passou a velar Yumi. Ela estava com febre. Makoto permanecia em silêncio, provavelmente vasculhando a área com sua audição. Não sabiam por quanto tempo ficariam ali, mas torciam para ser bem pouco.

**************

Kakashi ia à frente de seu grupo. Sabia que tinham que andar rápido, mas a geografia do local não ajudava. E conhecia o suficiente do País do Trovão para saber que não se podia menosprezar seu terreno.

— Em breve começará a chover... – falou Sasuke observando as pesadas nuvens se formar.

— Isso nos dará uma grande desvantagem. – comentou Kakashi preocupado.

Naruto concordava. Com as pedras escorregadias seria mais difícil de caminhar.

Quando chegaram a um trecho do caminho que tinha sua passagem totalmente fechada por arbustos, onde eles enveredavam em meios a galhos e árvores retorcidos, Kakashi estancou. Depois, ordenou:

— Pulem pra trás!

Todos obedeceram. Meia dúzia de kunais com tarjas explosivas foi arremessada no caminho. Antes de a fumaça baixar, eles já podiam ver que era somente um inimigo. Apenas um.

— Sigam em frente. – ordenou Kakashi – Eu cuidarei dele.

Não havia o que discutir. Para Naruto tudo que importava era chegar logo até onde estava Hinata. Sabia que não tinha o que temer. Pensar em seu sensei perdendo era o mesmo que pensar que o sol não nasceria no fim da noite. Por isso nenhum deles se opôs. Continuaram seu caminho.

— Então... – começou Kakashi percebendo que o ninja não fez nenhum movimento para impedir o grupo de seguir – Vocês planejam nos enfraquecer durante o caminho...

— Ninja Copiador Kakashi. – disse ele – Será divertido.

— Veremos...

Lentamente Kakashi tirou a bandana que cobria seu olho. Não pretendia demorar muito ali.

— Esse é o famoso sharingan de Konoha? Preocupante. – comentou tomando posição de luta.

— Você parece saber muito sobre mim, enquanto eu nem ao menos sei seu nome. O que eu farei quando for fazer sua lápide? – zombou friamente Kakashi.

— Hashibara – respondeu ele dando um sorriso sádico – É um prazer!

Tão logo terminou a frase, pulou para o alto, jogando mais kunais com tarjas explosivas. Kakashi não teve problemas de desviar de nenhuma delas, até perceber o verdadeiro intento de seu inimigo. Ele o estava empurrando em direção de uma armadilha e por pouco quase conseguiu. Na última hora, Kakashi desviou do dispositivo que acionava as diversas armas apontadas para ele. Com uma kunai, desarmou-a. Depois pulou pra o alto.

— Então vocês já nos esperavam... – disse ele sentado em cima de uma árvore.

— Nunca subestime Hibiki-sama. – alertou Hashibara.

— Então o inimigo tem nome... Creio eu que deve ser muito importante para ele conseguir o byakugan, a ponto de atrair Hinata para fora da vila. Ele arriscou-se muito.

— Valeu a pena. Agora temos bem mais que apenas o byakugan, não é mesmo... – disse sorrindo sinicamente.

E ele foi derretendo, se transformando em fumaça. Um bushin.

Ele era precavido, pensava Kakashi. Mas não o suficiente.

Com apenas uma das mãos, ele conseguiu deter o ataque de Hashibara que veio por cima. Com uma das mãos presas, tudo que o inimigo pode fazer foi tentar se soltar, usando o taijutsu. Porém, Kakashi não parecia disposto a deixá-lo ir tão fácil. Com o joelho, golpeou seu estômago, empurrando-o para longe. Com a força do ataque, o rapaz teve que recuar para longe.

Kakashi teve um tempo para analisá-lo. Hashibara estava escondendo o jogo. Tinha que obriga-lo a se mostrar.

- Uma luta justa não parece ser o forte da Vila da Nuvem... – comentou Kakashi se aproximando – Mostre o seu real potencial, garoto.

Hashibara começou a sorrir. Limpou o sangue que escorria do canto de sua boca e tirou um pergaminho do bolso. Abriu-o rapidamente enquanto passava o sangue por toda sua extensão.

“Kuchiyose no jutsu?” pensou Kakashi fazendo um selamento “Não... É outra coisa!”.

Quando o primeiro ataque veio, ele foi impedido pela barreira de água levantada por Kakashi. Todavia, quando se desviou da explosão causada por esse atrito, ele percebeu que estava cercado. Do pergaminho, saíram várias esferas luminosas que lembravam olhos e o rodeavam por todas as direções.

- Isso você não poderá copiar, Sharingan Kakashi... – disse Hashibara – É uma técnica especial do meu clã e exige o mantra escrito nesse pergaminho para poder invocá-lo. Basta somente uma ordem minha para que meus “bichinhos” o despedacem por completo.

Com o sharingan, Kakashi vasculhou a área em busca de uma brecha. Não havia nenhuma.

- Não irei matá-lo rápido – comentou o ninja da Nuvem com um olhar sádico – Se eu derrotá-lo, Hibiki-sama com certeza me permitirá ficar com esse sharingan. Então terei cuidado em deixar sua cabeça intacta...

Diversas esferas se aproximaram de Kakashi. Quando ele fez um rápido movimento com as mãos, Hashibara percebeu que precisava neutralizá-las. O atrito das esferas gerou uma explosão quando atingiu Kakashi. A fumaça que subiu, impediu o inimigo de ver até que ponto o machucará. Quando a poeira baixou, Hashibara viu o corpo de Kakashi estendido no chão.

- Que patético! – disse ele se aproximando – Nem ao menos v...

Mas a frase não foi concluída. Kakashi surgiu do chão rapidamente, atingindo o rapaz com uma kunai em seu pescoço. O corpo no chão era um bushin. Apesar de ser um ataque rápido e surpreso, ele conseguiu se esquivar da arma, evitando que ela atingisse um ponto vital. Contudo, Kakashi o empurrou em direção a uma arvore, prendendo com seu corpo contra o tronco.

- Idiota! – exclamou o ninja da Nuvem – Ordenarei que minhas esferas lhe atinjam pelas costa!

Kakashi sorriu.

- Tente. – provocou.

As esferas rodearam mais uma vez seu corpo, mas dessa vez não atingiram seu intento, pois quando elas entraram em contato com o corpo do jounin de Konoha, ele rapidamente desapareceu.

- Outro bushin! – exclamou o outro surpreso.

O verdadeiro Kakashi surgiu em sua frente e abriu um pergaminho, passando rapidamente uma gota de sangue em sua superfície.

- Kuchyose: Doton Tsuiga no Jutsu! – gritou.

Diversos cachorros surgiram do chão e se prenderam a Hashibara.

- Agora... Colocaremos um fim nisso. – murmurou Kakashi fazendo sua mão brilhar de chakra — Raikiri!

Hashibara, mesmo preso, ordenou as esferas que atacassem Kakashi. Quando elas se aproximaram, ele apenas começou a girar sua mão rapidamente, explodindo todas as que se aproximaram. Por último, correu até onde estava o rival e, com um rápido movimento, o atingiu direto na barriga. Os cachorros desapareceram quando Hashibara foi lançado contra a mata.

“Ferido e sem seu pergaminho ele não poderá lutar” pensou Kakashi satisfeito.

Uma fina chuva começou a cair quando Kakashi se aproximou. O rapaz jazia no chão sem se mover. Não era um bushin, constatou com o sharingan. Mas não detectava nenhuma atividade de chakra em seu corpo. Ele estava morto.

- Bem – disse com um suspiro – Vou seguir em frente.

Contudo, ao dar as costas ao corpo, se surpreendeu ao ver Hashibara em frente a ele bem vivo.

- Você! – falou Kakashi surpreso – Mas...

Kakashi olhou rapidamente para trás e só confirmou que o outro corpo continuava lá.

- Técnica de divisão de corpos. – falou Hashibara com dificuldade – Mas exige muito de quem a usa, pois tira um pedaço de nossos corpos e seu golpe já havia me deixado bem ferido. Então, vou usar o que resta de mim para impedi-lo de atrapalhar Hibiki-sama.

Uma ultima esfera surgiu do chão aos pés de Kakashi. Rapidamente ele desviou pulando para trás, mas aquela era a intenção de Hashibara. Quando os pés de Kakashi tocaram o corpo imóvel no chão, ele ficou preso por uma espécie de lama que saiu do corpo estendido no chão. No momento seguinte, ele se viu imobilizado pelo ninja da Nuvem, que o agarrou enquanto diversos pergaminhos se entrelaçavam entre eles.

- Posso morrer, mas levarei você junto. – disse Hashibara.

Kakashi tentou mover as mãos, mas não conseguiu ser rápido o suficiente. Hashibara, com um comando somente, fez com que seu corpo todo se transformasse em bomba e explodiu junto com Kakashi.

*****************

Neji parou de avançar quando ouviu a explosão.

“Isso foi bem próximo” pensou ele vendo o clarão mais a frente. “Preciso me apressar”.

Quando se aproximou do local, viu que parte da vegetação estava queimada. A explosão resultara em uma grande clareira formada por arvores cinzentas e retorcidas. Caminhando com cuidado, Neji ativou seu byakugan e pode ver, a uns cem metros dali, o corpo de Kakashi caído e correu em direção a ele.

- Kakashi-san! – chamou.

Kakashi abriu os olhos e sorriu. Parte de sua máscara estava queimada e Neji pode ver metade de seu rosto descoberto.

- Yo, Neji-kun! – falou alegremente, mas com sinais de dor – Você demorou...

Abaixando perto dele, Neji examinou rapidamente as queimaduras. Estavam bem piores que as que vira na mão de Makoto.

- Ele era forte. – comentou Neji.

- Esperto eu diria. Pegou-me de surpresa. Se eu não tivesse usado o kawarami teria virado churrasquinho.

- Então...

- Esses ferimentos foram causados por estar muito perto da explosão! – falou Kakashi como se estivesse se divertindo com aquilo.

- Não poderei fazer muito por você, Kakashi-san, mas posso...

- Siga em frente.

Não foi um pedido, foi uma ordem.

Neji o encarou.

- Eu ficarei bem Neji. – disse Kakashi sorrindo – Mas você precisa ir resgatar sua líder... Ou o Naruto ficará com todo crédito da missão...

O rapaz se levantou.

— Assim que encontrar Sakura-san, pedirei para ela voltar. – prometeu ele.

Antes que Neji pudesse se afastar, Kakashi perguntou:

— E o Time três? Se você vem de lá, pode me dizer sobre como eles estão...

— Todos vivos. – respondeu Neji sem olhar para trás.

— Que bom... – exclamou aliviado.

Quando o rapaz se distanciou, Kakashi se moveu dolorosamente. Com um lento movimento, tirou um livro de dentro de sua bolsa ninja e sorriu satisfeito.

— Ainda bem que não aconteceu nada com ele...

E começou a ler seu “Icha Icha Paradise – vol 17” enquanto esperava que sua antiga aluna pudesse voltar e aplacar um pouco daquela dor.

*****************

— Precisamos de um plano. – falou Sakura enquanto continuavam a correr.

— Tenho um. – disse Naruto – Chegamos lá, matamos todo mundo e eu levo Hinata de volta para Konoha.

— Isso não é plano, é burrice. – zombou Sasuke. E virando para Sakura perguntou – O que você tem em mente, Sakura?

— Eles já estão nos esperando, é obvio. Sabiam de nossa vinda. Então devemos ter o cuidado com armadilhas. Eles podem usar o henge para fazer alguém se passar por Hinata, ou mesmo usá-la como escudo. Por isso Naruto, tente ficar calmo.

— Acho que você ta pedindo demais de mim... – reclamou Naruto.

Eles acabaram saindo da vegetação fechada e chegaram a um caminho íngreme e estreito.

- Devemos primeiro constatar que Hinata se encontra realmente lá... – continuou a garota.

- Makoto disse que estava e eu confio no meu aluno. – falou Naruto irritado.

- Ela não está falando que Makoto errou Naruto – defendeu Sasuke – Mas se eles sabem que estamos indo, podem já ter tirado-a de lá.

- E criado uma emboscada bem grande. – completou Sakura.

Entraram novamente em uma mata fechada.

- Pelo menos saímos daquela estrada perigosa... – comentou Naruto aliviado.

Quando avançaram mais, Naruto percebeu que havia alguma coisa pendurada nos galhos à sua frente. Apertando os olhos para visualizar melhor, ele sentiu que perdia todos os movimentos de suas pernas.

Hinata estava pendurada pelos braços na arvore. Seu corpo jazia totalmente mutilado. No lugar de seus olhos, havia dois buracos ocos. Da boca pequena que ele sempre admirara tanto, escorria sangue fresco. As lágrimas brotaram de seus olhos imediatamente. Um tremor perpassou por seu corpo. Não conseguia se mover.

- KAI! – ouviu alguém gritar.

Imediatamente, toda cena se desfez. No lugar do corpo de Hinata, e da mata havia um homem bem vivo sorrindo para eles em meio ao caminho íngreme. Tinha o cabelo ralo e sem vida e sorria satisfeito ao ver a expressão de Naruto.

- Naruto... – falou Sasuke tocando seu ombro – Você esta bem?

- Era só um genjutsu. – explicou Sakura – Não importa o que você viu, era uma ilusão.

A raiva começou a se revirar dentro de Naruto. Sentiu a Kyuubi se remexer ansiosa dentro dele. Talvez estivesse na hora de saciá-la de sua sede de sangue. Contudo, ao dar o primeiro passo em direção ao inimigo, Sakura o deteve.

- Naruto, não! É isso o que ele quer! Você deve seguir em frente.

- Eu ficarei. – decidiu Sasuke.

- Não. – falou Sakura tomando a frente dos dois – Eu lutarei.

Sasuke a olhou, surpreso.

- De forma alguma eu permitirei isso! – exclamou ele segurando no braço dela.

E para seu total espanto, Sakura se virou e lhe aplicou uma tapa no rosto.

- Você não é meu dono para decidir o que devo ou não fazer! – explodiu ela – Nessa missão não somos homem ou mulher, e sim ninjas. Caso você não tenha percebido, ele é médico como eu. A única que tem uma chance de sair viva desse combate sou eu!

Sasuke segurava o lugar em que ela bateu com temor nos olhos.

- Mas... Sakura... O nosso...

- Vai ficar tudo bem. Eu prometo. – disse ela sorrindo – Confie em mim, Sasuke-kun.

Naruto não entendeu nada daquela conversa, mas entendia o que Sakura queria. Parecia que sua inquilina teria que esperar um pouco mais por ação. Puxando o braço de Sasuke, ele falou decidido:

- Ela ficará bem Sasuke. Vamos.

Relutantemente, Sasuke se deixou ir. Ainda olhou para trás. Sakura sorria para ele.

O ninja da Nuvem observou toda a cena. Depois que os rapazes saíram, ele comentou:

- Comovente. Mas eu tenho uma dúvida... Eu sempre achei que os ninjas de Konoha se preocupassem mais com as pessoas da vila. Mandar uma mulher grávida para uma missão é realmente arriscar muito. Principalmente se ela espera um filho que tem uma possibilidade de possuir uma linhagem avançada como o sharingan.

- Você é esperto. – elogiou Sakura sarcasticamente.

- Devemos ser na nossa profissão, não é colega? – falou se aproximando.

Uma chuva fina começou a cair sobre os dois.

- Deixá-la-ei viva. Você me interessa pelo que carrega em seu ventre. Mas não me segurarei na luta.

Sakura nem esperou que ele desse o primeiro passo. Pulou para frente dele rapidamente e procurou atingi-lo com os punhos. Ele desviou pulando pra trás e ela atingiu o chão. O golpe fez com que se abrisse uma enorme cratera entre os dois e tudo estremecesse. Ele ficou surpreso.

- Essa força... Você... É Haruno Sakura, discípula da Hokage de Konoha! – exclamou incrédulo.

- E você, quem seria? – perguntou ela saindo do buraco que abrira.

Ele se recompôs e sorriu.

- Kobayashi. Tenho mais um motivo para salvar sua vida. Agradeça-me. – e tirou diversas injeções da bolsa ninja.

- Agradecerei quando você estiver bem morto. – disse ela avançando de novo.

Dessa vez ele estava pronto. Enquanto desviava de todos os golpes dela, procurava atingi-la com as injeções.

“Tranqüilizantes.” pensou ela quando uma delas passou bem perto de seu rosto. “Devem estar mantendo Hinata dopada.”

Era difícil lutar naquele lugar íngreme, concluiu Sakura enquanto eles dois se confrontavam. Quando a chuva aumentou, o local se tornou escorregadio.

Uma grande explosão se fez ouvir ao longe. Por um momento, Sakura olhou para trás. Kobayashi aproximou-se nessa hora e aplicou uma das injeções em seu ombro. Quando sentiu a picada, Sakura se virou rapidamente e atingiu-lhe um dos braços com seu punho. Os ossos da clavícula do ninja se partiram imediatamente e ele foi arremessado longe dela.

Sakura tirou a injeção do ombro. Ele havia lhe aplicado metade do conteúdo e ela já sentia o corpo ficando mais mole.

“Não serei derrotada tão fácil!” pensou.

Usando seu chakra, ela começou a esquentar a injeção. Depois de alguns segundo, o líquido começou a ficar com uma coloração diferente. Quando Kobayashi se levantou, ficou surpreso ao ver Sakura aplicando em si mesma o resto do conteúdo da injeção. Mas logo compreendeu.

- Um antídoto feito do próprio veneno. Muito bom, menina.

- Vamos acabar logo com isso. – falou Sakura jogando a injeção e se levantando – Devem estar precisando de mim.

- Se esta se referindo à explosão esqueça. Aquela era a última técnica de Hashibara. Caso não derrotasse o inimigo, se mataria junto com ele. Quem quer que fosse não precisará mais de seus dotes.

Furiosamente, Sakura avançou para cima dele e ficou surpresa em ver que ele podia mexer os braços sem empecilho.

- Você não é a única com cartas na manga. – disse ele mostrando que seu braço estava perfeito, ao socá-la no rosto.

Sakura pulou para trás.

- Regeneração... – murmurou ela limpando o sangue da boca. ando Kobayashi se levantou, ficou surpreso ao ver Sakura aplicando em si mesma o resto do contecomo o sharingan.

Kobayashi fez um selo e deixou seus braços com uma cor esverdeada de chakra.

- Já que não posso para-la com remédios, vou cortar seus tendões e impedi-la de andar.

Sakura passou a se esquivar velozmente das investidas dele. Quando uma de suas mãos passou bem perto de seu rosto, cortando um fio de cabelo, ela percebeu que ele havia transformado as mãos em verdadeiros bisturis. Mas viu na proximidade dele uma chance sua. Inspirando profundamente, ela começou a cuspir uma névoa ácida em cima dele.

Kobayashi pulou para trás, se desviando do ataque. E no momento que levantou a cabeça, viu que vinha alguém por trás de Sakura. Sorriu por um instante pensando em se tratar de um dos que foram combater mais à frente. E qual foi sua surpresa ao ver mais um Hyuuga entrar em cena.

Sakura se surpreendeu quando Neji parou de seu lado.

- Neji-san... – murmurou.

- Vejo que a luta esta equilibrada e você não precisará de minha ajuda, Sakura-san. – disse ele – Só parei pra pedir que, quando você terminar aqui, volte e cuide dos ferimentos de Kakashi-san e do Time três. Não demore. Eles precisam de você. Vou seguir em frente.

E, sem esperar resposta, passou correndo rapidamente por Kobayashi, que parecia em choque. Seus companheiros havia sido todos derrotados.

- Parece que meus dotes serão necessários afinal... – falou Sakura sarcástica.

A expressão dele mudou completamente. Levantando-se, ele disse friamente.

- Mudei de idéia. Irei matá-la. E farei questão de mostrar ao seu marido seu corpo mutilado.

Mesmo diante da ameaça, Sakura sorriu. Era a primeira vez que se referiam a ela e Sasuke como marido e mulher.

Decidida que iria dar ao seu amado o filho que seria o começo da reconstrução do clã Uchiha, Sakura começou a concentrar mais chakra em suas mãos. Quando Kobayashi se atirou sobre ela, Sakura se desviou escorregando por baixo das pernas dele e, com um rápido movimento, se levantou atingindo a nuca dele em seguida.

Kobayashi sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo. Caiu no chão, mas não estava muito ferido. Ela havia errado, pensava. Rindo, tentou se levantar. Então percebeu o que Sakura realmente tinha feito em seu corpo. Ao tentar mover o braço direito, sua perna esquerda se moveu. Tentou mexer a perna esquerda e moveu o ombro direito. Ela atingira seu sistema nervoso central, confundindo os comandos de seu cérebro. Levaria horas até o efeito passar.

- Não é da minha índole matar pessoas indefesas. – disse Sakura se aproximando. – Por isso...

Ela pegou os seus próprios tranqüilizantes e aplicou nele. Kobayashi pendeu a cabeça, desacordado. Pelos cálculos de Sakura, ficaria assim pelos próximos dois dias. O suficiente para levá-lo a Konoha e entregar para interrogatório. Sorriu pensando na satisfação de Morino Ibiki ao ver a nova presa.

Por precaução, cortou os tendões dos tornozelos dele e os músculos das mãos, sem cortar a pele. Mesmo que acordasse, não poderia fazer mal a ninguém. E deixando-o amarrado dentro de um buraco, reuniu todas suas coisas médicas descobrindo muitas que poderia usar para ajudar seus amigos. E começou a fazer o caminho contrario dos outros. Voltava para ajudar os que já haviam combatido. E sorriu satisfeita.

“Nada melhor do que se sentir útil” pensou Sakura.

**********************

Finalmente eles chegaram em frente à casa. Seria um local bem agradável se não fosse uma prisão, pensou Naruto. Seu coração batia acelerado. Queria entrar logo dentro daquele lugar e poder voltar para Konoha com Hinata a salvo. Então, poderiam finalmente conversar. Iria fazer com que ela o ouvisse. Não desistiria mais tão facilmente.

- Naruto, muita cautela a partir de agora. – avisou Sasuke – Vamos nos aproximar silenciosamente e...

Mas Naruto já avançava de peito aberto em direção à casa como se não tivesse ouvido o amigo.

- Naruto! – exclamou Sasuke tentando detê-lo.

Naruto o olhou irritado.

- Sasuke, o que você faria se fosse a Sakura que estivesse lá?

Com um suspiro, Sasuke o soltou.

- O mesmo que você. – respondeu.

- Ótimo. Agora vamos.

Ao invadirem a casa passaram por diversos cômodos sem, contudo achar qualquer pista de Hinata, nem de raptores. Porém, ao chegar num enorme salão, avistaram três indivíduos próximos a uma escadaria. A primeira coisa que veio à cabeça de Naruto ao encarar aquele que estava parado no meio da escadaria, foi que ele era um sacerdote de um templo qualquer. Suas vestes eram longas e brancas e seus cabelos claros caiam soltos sobre suas costas. Trazia os olhos vendados, mas andava confiante, como se pudesse ver cada degrau que descia em direção até eles. Mesmo com a aparência tão tranqüila, Naruto não se deixou enganar. Lembrou imediatamente de um jovem que havia derrotado seis anos atrás. Haku também parecia inofensivo, mas quase matara Sasuke.

O homem parou em frente aos dois. E sorriu.

- Então... Como eu imaginei, Konoha agiu bem rápido. – falou suavemente numa voz melodiosa.

- Onde está Hinata? – perguntou Naruto irritado.

- Por que não vem você mesmo aqui e descobre? – convidou ele – Se você conseguir subir é obvio... – completou com um sorriso meigo.

Quando Naruto ia avançar em direção a ele, Sasuke segurou novamente seu braço.

- É exatamente isso que ele quer. – avisou – Deve haver mais gente lá dentro.

O homem riu.

- Esperto seu amigo. Tenho sim mais pessoas lá dentro protegendo minha Hinata...

A raiva explodiu dentro de Naruto ao vê-lo falar daquele jeito. Soltou-se de Sasuke e apontou o dedo para aquele homem, mesmo sabendo que não tinha como ele ver o gesto.

- Hinata não é sua! E eu a levarei de volta para vila! – gritou exaltado.

A Kyuubi se agitou dentro dele, mas Naruto não fez nenhum esforço para detê-la. O chakra vermelho da raposa começou a sair por todo seu corpo. A força era tanta que até Sasuke, já acostumado com aquele poder, deu dois passos para trás. O homem à sua frente, contudo, nem ao menos se surpreendeu. Continuou com a expressão serena e comentou:

- Um Jinchuuriki. Que raro. Achei que a Akatsuki tivesse destruído quase todos. — e fazendo uma pausa, acrescentou – Creio que estou diante de Uzumaki Naruto, certo?

- Exato... – murmurou Naruto irritado.

- Então, aquele que está ao seu lado é Uchiha Sasuke.

“Ele é mais perigoso que aparenta...” pensou Sasuke.

- Chega de conversa! – Naruto fez um selo com as mãos e exclamou – KAGE BUSHIN NO JUSTU!

Quando as diversas cópias surgiram, mais duas pessoas entraram em cena.

- Hibiki-sama. – falou Ikimono – Para trás. Eu e Eitaro nos encarregaremos desses.

- Volte para cima, Hibiki-sama. – pediu um rapaz de cabelos curtos assanhados e olhos caídos – Nos encarregaremos dos dois.

- Não. – falou Hibiki – Eu pretendo lutar.

E se aproximou dos seus dois subordinados.

- Parece que termos uma luta de três contra dois... – comentou Ikimono satisfeita – Temos a vantagem, afinal. Konoha será esmagada...

- Três contra três. – corrigiu uma voz cheia de determinação.

Todos se voltaram surpresos para a chegada de um novo combatente em cena.

- Neji! – exclamou Sasuke surpreso.

Neji se aproximou de onde estavam os dois companheiros de vila e encarou os ninjas da Nuvem.

- Então foram eles quem seqüestram Hinata-sama?

- O que você faz aqui, Neji? – rosnou Naruto.

- O mesmo que você. Só que mais eficientemente. Vim para levar Hinata-sama de volta a vila. – afirmou zombeteiro e se virou para os inimigos a frente.

- Souke ou Bouke? – perguntou Eitaro para Neji sorrindo cruelmente.

- Já me perguntaram isso e responderei da mesma forma: Essa informação é desnecessária a um homem morto. — e assumiu uma postura de luta.

- O reconhece, Ikimono? – perguntou Hibiki à mulher.

- Não senhor. – respondeu ela.

- Hyuuga Neji. – respondeu Neji olhando para o homem à sua frente – Eu serei seu oponente.

- Hyuuga Neji? – indagou Hibiki parecendo interessado.

- Não! – exclamou Naruto tomando a frente – Ele é meu.

- Sinto desavenças aqui... – comentou o inimigo sorrindo.

Neji olhou para Naruto por um momento. Depois seus olhos se desviaram para Sasuke.

- Por enquanto acho prudente esquecermos nossas divergências, Sasuke. Até tudo estar resolvido. – ignorando abertamente Naruto.

Naruto odiou ser ignorado. Contudo, ele e Sasuke se entreolharam e depois concordaram com a cabeça. Suas chances haviam melhorado com a presença de Neji.

Ikimono foi a primeira a agir. Saltou em direção a Naruto, com uma kunai em punho. Sasuke a parou segurando o braço dela com uma das mãos, jogando-a para longe em direção à parede. A força com que ele a jogou, fez a parede fosse derrubada, dando a entrever a vegetação de fora da casa. Depois, ele olhou para Naruto e disse:

- Eu me encarrego dessa.

E calmamente foi até onde a mulher estava.

Eitaro deu um passo à frente.

- Qual do dois será meu oponente? – perguntou.

- Eu quero Uzumaki Naruto. – falou Hibiki – Fique com o Hyuuga, Eitaro. Você vai ter uma bela satisfação em lutar com esse aí...

- Sim senhor!

O rapaz avançou sobre Neji, que desviou rapidamente e seguiu em direção à Hibiki.

- Ninguém escolhe nada em meu lugar! – disse ele.

Porém, para sua surpresa, Naruto defendeu o golpe destinado a Hibiki. Neji saltou para trás, inconformado.

- Ele é meu Neji. – avisou Naruto sibilante – Lute com esse outro ai. Depois disso tudo, acertaremos nossas contas.

Antes que Neji pudesse se manifestar, Eitaro o atacou pelas costas.

- Byakugan! – ativou Neji.

E começou a lutar com o rapaz, mas decidido a terminar logo.

- Somos nós dois agora. – falou Naruto se aproximando com suas cópias.

Hibiki sorriu.

- Lutaremos pela posse de Hinata? – provocou ele.

- Hinata não é nenhum objeto! – vociferou Naruto – Não ouse a pronunciar o nome dela novamente!

O ar começou a ficar pesado. De um lado, o chakra de Naruto se misturava ao da Kyuubi, dando um aspecto terrível a seu corpo. Hibiki não podia ver forma que o chakra assumia, mas podia sentir sua intensidade e começou a deixar seu chakra desprender do corpo também.

**************

- Você tem um rosto bonito, Kakashi-sensei.

Sakura brincou com seu sensei enquanto enfaixava-o. A dor de Kakashi diminuiu consideravelmente depois que ela lhe dera um remédio feito de ervas colhidas ali mesmo e lhe aplicara uma pomada nas queimaduras.

- Bom saber disso. – comentou Kakashi sorrindo, enquanto fechava o seu “Icha Icha Paradise vol 17” e procurava na bolsa ninja uma máscara sobressalente.

- Pronto. – disse a médica – Pode se mover?

Kakashi se levantou sem dificuldades.

- Agora posso.

E aproveitou para colocar uma máscara novamente.

- Vamos em busca do Time três agora. – disse a médica.

Eles dois começaram a se dirigir rapidamente até onde haviam deixado os garotos. Quando Makoto ouviu os passos de alguém se aproximando, ficou em alerta.

- Qual o problema, Makoto? – perguntou Suzumi preocupada.

Por um momento, o garoto temeu. Mas depois reconheceu os batimentos de Sakura e Kakashi.

- Que bom! – murmurou ele antes mesmo que os dois entrassem na caverna.

Quando Sakura viu o estado em que se encontravam os três, odiou mais ainda aqueles ninjas da Nuvem.

- Sakura-san! – exclamou feliz Suzumi.

Sakura se aproximou de onde estava Yumi. Suzumi rapidamente relatou o que havia acontecido. Com a precisão que lhe era característica, a médica tratou de todos. Mas estava angustiada. Precisavam levar-los para a vila imediatamente. Yumi precisava passar por uma cirurgia urgente, mas se preocupava também com Makoto. Temia que o veneno tirasse a visão do garoto. Suzumi era a que estava menos ferida. Dois dias no hospital e poderia voltar a bancar a durona. Mas nenhum tinha condições de ir para a vila antes que acabasse tudo.

- Não se preocupe Sakura. Eles já estão lutando. – falou Kakashi olhando para fora da caverna – Pare um pouco e sinta. O chakra de Naruto, Sasuke e Neji estão mais forte que nunca. Assim que essa chuva passar, iremos todos ao encontro deles. Suas habilidades também serão necessárias lá.

Sakura concordou com a cabeça. Dentro do coração, rezava para tudo terminar bem. Queria voltar para casa e começar a preparar seu casamento. Com alguma sorte, Naruto e Hinata também preparariam o deles. Sorriu ao pensar nisso.

**********

Ikimono observou bem Sasuke. Apesar da cara séria e de poucos amigos, ele era muito bonito. Claro que não se comparava a Hibiki, mas mesmo assim era desejável. Sorrindo desse pensamento, ela tirou uma espada da bainha às suas costas.

- Ikimono, líder do esquadrão de captura da vila da Nuvem. – disse ela sorrindo.

- Uchiha Sasuke, líder do esquadrão ANBU. Parece que temos cargos parecidos. – comentou ele casualmente, sacando também sua espada.

- Onde está sua máscara? – perguntou curiosa.

- Minha mulher não gosta muito dela. – falou sarcasticamente.

Sasuke avançou contra ela. Ikimono bloqueou a espada dele com a sua. O ar logo ficou repleto de sons de metal se tocando, cada vez com mais força. A habilidade com que se acertavam era do mesmo nível. Mas a garota tinha um plano. No momento em que ele defendeu um golpe dela e seus rostos estavam bem próximos, ela soltou uma das mãos que segurava a arma e, tirando agulhas de dentro do quimono, o atingiu rapidamente no peito. Sasuke seu dois passos para trás, em busca de evitar que elas atingissem pontos vitais. Aproveitando da abertura dada por ele, Ikimono saltou furiosamente com a espada em punho e direcionada diretamente a seu coração.

- CHIDORI NAGASHI! – exclamou Sasuke.

Ikimono foi lançada para longe com a onda de eletricidade que percorreu seu corpo. Caiu sobre as flores que enfeitavam o jardim da casa.

“Ele liberou o golpe por todo o corpo, sem necessitar de selamento!” surpreendeu-se ela.

Sasuke se aproximou dela.

- Já percebeu que é inferior a mim? Leve-me até onde está Hinata e pouparei sua vida.

- Está oferecendo a coisa errada para mim, Uchiha. Não temo a morte, apenas a falha. – e empunhou novamente a espada.

Sasuke riu.

- Pretende me derrotar com isso? – zombou apontando para a espada.

No momento que Ikimono olhou para sua arma, falou um palavrão. O golpe dele havia despedaçado sua espada. Jogou para o lado. Tinha outras técnicas para usar. Dando impulso, saltou girando. Milhares de agulhas começaram a ir em direção a Sasuke. Com um movimento de sua espada, ele começou a rebater todas. A ninja viu, incrédula, a espada dele brilhar de chakra. Com apenas um toque, transformava suas agulhas em pó.

- Essa espada que eu tenho aqui é um pouco especial. – falou Sasuke notando sua curiosidade acerca de sua espada, olhando diretamente para ela – Deixe-me te mostrar mais de perto.

Ele mergulhou em direção a Ikimono, passando por todas as agulhas. Numa rápida investida, cravou sua espada em seu ombro. A mulher sentiu uma onde de eletricidade percorrer todo seu corpo. Sasuke conseguia passar seu chakra pela espada, constatou ela abismada.

- Essa é uma...

- Sim. A espada que eu seguro é Kusanagi especial. Sinta-se honrada por morrer por ela.

Mas ela não tinha nenhuma intenção de morrer tão rápido. Com as mãos, afastou Sasuke de forma a retirar a espada e, segurando o braço dele deu um impulso, saltando por cima de seu ombro fazendo com que o braço dele fosse forçado para trás. Pego de surpresa pelo movimento, ele deixou a mão afrouxar e a espada cair. Ikimono então puxou uma agulha excepcionalmente grande e cravou nas costas de Sasuke, chutando-o em seguida.

A agulha furara seu pulmão, constatou Sasuke. Sentiu pouco a pouco o sangue deixar-lo sem fôlego. Ikimono pulou em cima de sua espada e empunhou-a.

- Que interessante, ela é bem leve... – comentou mexendo a lâmina perigosamente de um lado para o outro – Como você se sentirá sabendo que morreu pela própria arma?

“Terei que usar aquilo” pensou Sasuke inconformado quando viu ela se aproximando.

Ikimono pensou que a postura conformada dele era devido a consciência de sua derrota. Todavia, quando se aproximou com a espada em punho, ele a olhou com as pupilas adquirindo uma sombria coloração vermelha.

- Tsukiyomi Mangekyou Sharingan! – murmurou sombriamente.

Ela não sentiu nada no primeiro momento. Na verdade, viu o corpo dele ser atingido em cheio pela espada e desabar morto sobre a grama. Fora vitoriosa.

- Muito bem, Ikimono. – ouviu Hibiki dizer.

- Hibiki-sama – exclamou contente se virando para ele — já terminou sua...

Mas a frase não foi terminada. Hibiki a atravessou com o punho. Com os olhos abertos de incredulidade, ela indagou em meio às lágrimas:

- Por que....?

- Eu não te amo. – foi a resposta

Sasuke fez com que ela vivenciasse aquela cena por setenta e duas horas. No mundo real, não levou mais que três segundos. Ikimono caiu com os olhos arregalados cheios de lágrimas desesperada e o espírito totalmente destruído.

Sasuke, com dificuldade, retirou a agulha de suas costas.

- Tomara que a Sakura, chegue logo... – murmurou para si mesmo enquanto cuspia sangue – Acho que não serei muito útil agora Naruto...

E se sentou na grama, pegando novamente sua espada. Se ficasse parado, podia atrasar um pouco a asfixia por sangue.

*************

- Você é da Souke ou da Bouke? – insistiu Eitaro.

Neji assumiu a postura de luta do clã Hyuuga.

- Por que não descobre se aproximando e olhando a minha testa? – convidou Neji.

Eitaro riu.

- Seria interessante... – murmurou.

“Ouvi falar que o estilo corpo-a-corpo dos Hyuuga é invencível” pensou Eitaro. “Então...”

- Ninpou Hiden Mist no jutsu.

Uma névoa obscurecente começou a se formar em torno dos dois. Aos poucos a imagem do inimigo pareceu se apagar da vista de Neji. Mas foi somente impressão, ao Byakugan nada escapava.

Localizou facilmente o rapaz às suas costas. Conseguiu se desviar sem dificuldade de seus ataques corporais. E, avançando contra ele, quase atingiu seus tenketsus. No ultimo momento, percebendo o movimento de Neji, ele recuara em meio às sombras.

- Não adianta se esconder por trás dessa névoa. – esclareceu Neji – Eu posso ver cada movimento seu.

- Veremos até quando você poderá atacar...

Neji o localizou novamente. Estava à sua esquerda e tinha um pergaminho aberto no chão. Com um pincel, rabiscava velozmente sobre o papel. Sem perder tempo, Neji investiu até onde ele estava.

Eitaro parecia estar esperando por isso. Levantou o pergaminho e começou a girá-lo rapidamente em torno de seu corpo. O deslocamento do vento dava a impressão da tinta estar se desprendendo do pergaminho.

“Não é impressão” constatou Neji ao ver diversos pontos pretos virem em sua direção. Conseguiu escapar de todos eles, pulado para os lados. Mas eles começaram a aumentar consideravelmente. Quanto maior era a velocidade com que o ninja da Nuvem girava seus braços, mais ataques apareciam.

- HAKKE-SHO KAITEN!

Seu corpo adquiriu uma bela e mortal coloração prateada em meio a névoa, enquanto rapidamente girava neutralizando os golpes que lhe eram direcionados. Em pouco tempo, não houve mais nenhum ataque. Tudo que sobrara no chão era um buraco coberto por tinta negra.

- Isso é tudo que você tem para me oferecer? – perguntou Neji.

- Quase tudo. – riu Eitaro fazendo um selo com as mãos.

Uma dor forte atingiu um dos braços de Neji. Surpreso, ele olhou para sua mão esquerda. Uma mancha de tinta começava a se espalhar sobre ela, como um parasita, deixando-a dormente e pesada.

- Essa tinta é feita de forma especial pelo meu clã. – explicou Eitaro se aproximando com as mãos ainda fazendo o selo – Sangue e chakra. Ela se prende ao inimigo em busca de impedir seus movimentos, deixando seu corpo pesado. Esta se sentindo bem, Hyuuga? Que tal mais uma dose?

E recomeçou o ataque, desta vez usando dois pergaminhos.

A tinta subia pelo braço de Neji como se estivesse alimentando-se dele. Mesmo com aquele braço quase inutilizado devido ao peso, ele utilizou novamente o kaiten. Mas o braço esquerdo girava mais devagar e doía significantemente a cada giro. E qual não foi sua surpresa quando a tinta conseguiu furar seu bloqueio, atingindo a perna esquerda.

Parando quase instantaneamente quando sentiu aquilo subir por sua perna, Neji sentiu outros locais de seu corpo sendo atingidos. Aos poucos seus dois braços e duas pernas não podiam se mexer com o peso.

Com um pincel, Eitaro se aproximou triunfante. Riscou o ar repetidas vezes, marcando o tronco de Neji e suas costas. Agora ele mal podia ficar em pé.

- Agora veremos... – disse o rapaz tirando a bandana de Neji, enquanto seu corpo pendia como se pesasse uma tonelada – Ai ai ai... Um membro da Bouke... Você não tem utilidade para nós...

- Como vocês sabem tanto sobre a Bouke e a Souke? – perguntou Neji tentando ganhar tempo enquanto pensava em um plano.

- Quinze anos de pesquisas. – esclareceu ele – Desde que recebemos um corpo com um byakugan inútil de Konoha, procuramos descobrir mais sobre sua família.

Um choque perpassou o corpo de Neji.

- Um... byakugan inútil... — murmurou.

— Já que você vai morrer mesmo deixe-me deixa-lo partir sabendo de tudo. – Eitaro parecia se divertir com aquilo – Há quinze anos atrás, o País do Trovão tinha o interesse de possuir o Byakugan. O interesse partiu do pai de Hibiki-sama. Ele queria que o filho possuísse uma vantagem, já que havia nascido cego. Hibiki-sama tinha então cinco anos. Então forjou uma aliança com Konoha na intenção de ir ate lá e conseguir essa tão famosa pupila.

As imagens começaram a se invadir a mente de Neji de forma dolorosa. Conhecia parte daquela macabra história, e sentia que iria descobrir muito mais.

- Não sei se você sabe, mas essa garota que está lá dentro era o alvo. O pai de Hibiki-sama invadiu a casa dos Hyuuga e a pegou. Mas não conseguiu completar seu intento. Foi morto pelo líder do clã, Hyuuga Hiashi.

O sangue de Neji começou a ferver em suas veias. Um corte na sua perna direita feita pela tinta, começou a sangrar. E Neji notou algo que poderia lhe dar uma vantagem. A tinta se desprendia do corpo ao contato com o sangue

- É claro que nossa Vila jamais aceitaria a morte de seu líder! Então nos fizemos de vítimas e exigimos o corpo de Hyuuga Hiashi. A mãe de Hibiki-sama ainda queria dar ao filho os olhos desejados.

- Mas o que foi entregue a vocês foi um byakugan selado de um membro da Bouke... – sibilou Neji entre os dentes.

- Exatamente. Um corpo idêntico ao do líder da vila. Só soubemos disso quando os olhos já haviam sido implantados em Hibiki-sama. É claro que tiveram que ser novamente removidos. Vocês nos enganaram entregando um corpo totalmente inútil e desprezível.

O chakra de Neji começou a se desprender de seu corpo violentamente. A explosão de fúria surpreendeu Eitaro que deu dois passos para trás. Recuperando sua compostura, ele continuou:

- Isso é inútil! Você não pode se mover. Vou fatiar seu corpo e joga-lo aos lobos da mesma forma que meu pai fez com aquele corpo inútil da Bouke de quinze anos atrás!

Já era o bastante para Neji. Com dificuldade, tirou uma kunai da bolsa e rapidamente cortou um dos pulsos. O sangue aflorou em jorros. Eitaro pareceu surpreso demais para agir. Lavando as mãos em seu próprio sangue e espalhando por toda a extensão das pernas, Neji deu um pulo para trás se aproveitando da própria névoa criada pelo seu inimigo.

- Droga! – exclamou Eitaro desfazendo seu jutsu.

Mas já era tarde. Neji não tinha recuperado todo o movimento de seu corpo, todavia, o que tinha já era suficiente. Aproximou-se do rapaz no momento que ele desfazia o justu. Com apenas uma mão, lacrou seu chakra, impedindo-o de fazer qualquer coisa. Sem o chakra do invocador, a tinta começou a desprender totalmente de seu corpo. Era hora de por fim aquilo.

- Vou ter um prazer muito grande em matar você... – sibilou Neji em seu ouvido – O corpo inútil que você mencionou pertencia a meu pai...

Abrindo ambos os braços numa postura bastante conhecida para os Hyuuga falou:

- Agora você está em meu território. Ju-Kenpo Hakke Rokujyuu Yon Sho. – disse ele enquanto um ying yang surgiu sob seus pés, marcando o inicio de sua técnica.

— HAKKE-YON-SHO! – Neji começou atingindo-o com um vagar prazeroso como se saboreasse cada golpe que suas mãos deferiam na região dos ombros e pescoço.

— HAS-SHO! – dando uma pausa pra pegar impulso, Neji pressionou oito dos tenketsus situados nos braços.

— JUROKU-SHO! – girando com o corpo abaixado pressionou dezesseis vezes as pernas dele aplicando força suficiente para levantá-lo.

— SANJU-NI-SHO! – concentrando os trinta e dois pontos no peito Neji sentia uma extrema satisfação ao atingir o peito daquele infeliz que ousou zombar dele e de sua família.

— ROKUJO-YON-SHO! — os últimos golpes foram no intuito de atingir a região central do coração que bombeia tanto sangue quanto chakra e Neji, numa fúria gelada, no ultimo golpe trespassou o coração de Eitaro.

— Nunca menospreze um Hyuuga apenas por meras insignificâncias como Souke e Bouke. – disse friamente e sem remorsos.

A névoa terminou de se dissipar. Neji estava mais esgotado psicológico que fisicamente. Então aquele tinha sido o destino dado ao corpo de seu pai. Um ódio sem precedentes o invadiu. E começou a caminhar para onde a luta de Naruto ainda se desenrolava.

***********

Naruto observou o inimigo a sua frente. Ele parecia pensativo. O que podia esperar dele? Com um movimento rápido, jogou uma kunai em sua direção. Hibiki se desviou dela sem nenhuma dificuldade.

- Então essas faixas são apenas enfeites? – esnobou Naruto.

- Não. – falou ele sem nenhuma emoção – Eu sou cego, como você deve ter notado. Contudo... Não significa que eu não possa prever ataques. Principalmente ataques tão insignificante quanto os seus.

- Veremos até onde são insignificantes meus golpes...

Suas cópias atacaram Hibiki ao seu comando, mas ele conseguia facilmente se esquivar delas. Parecia saber de onde vinha cada tentativa. Nem ao menos utilizou armas. Defendia-se com as mãos vazias. Quando não sobrou nenhuma cópia, ele falou:

- Quero lutar com você e não com esses clones. Mostre-me o poder da Kyuubi!

- Não preciso dela para vencer você! TAIJUU KAGE BUSHIN NO JUTSU!

Cercado, Hibiki não pareceu se importar nenhum momento por ter mais de cem oponentes. Defendeu de todas as investidas. Até que detectou o que queria. Abrindo caminhou entre os clones, localizou o verdadeiro Naruto. E o atacou precisamente. Por pouco Naruto não sofreu com aquelas mãos envoltas de chakra. Pulou para trás, surpreso.

- Você quer saber como eu sei quem é o verdadeiro? – como se lesse seus pensamentos Hibiki perguntou se aproximando de Naruto, enquanto atingia aleatoriamente as cópias fazendo-as sumir – Elas podem parecer reais, lutar como reais, mas são somente sombras. Mesmo tendo chakra dentro da cada uma, não tem calor humano, nem batimentos cardíacos. Só precisei de um tempo para localizá-lo.

Naruto sorriu. Seria mais difícil do que ele imaginava.

- Então vamos só nós dois mesmo, não é? – propôs Naruto se aproximando.

- Aceito. – falou Hibiki displicentemente, se aproximando também.

Naruto investiu para cima dele. Primeiro tentou atingir seu estomago, mas ele desviou. Depois, girou o corpo, no objetivo de acertar o rosto dele. Hibiki segurou seu punho com uma mão e com a outra, acertou seu braço com a palma da mão. Naruto puxou seu braço para junto do corpo. Sua mão tremia.

“O que ele fez?” se perguntava.

- Nada demais. – disse Hibiki – Apenas converti o chakra que circulava em seu braço em eletricidade.

“Ele sabe o que estou pensando?!” alarmou-se Naruto.

- Se você está se perguntando se eu leio sua mente, devo dizer que, infelizmente não possuo esse dom. – disse como se risse do espanto de Naruto — Apenas posso prever o que você possa estar sentindo pela sua respiração. Agora a pouco você parecia surpreso com meu golpe. Depois, aterrorizado quando eu falei. Apenas me baseei em suas emoções.

“Ele é muito perigoso... Preciso acabar logo com isso”.

Naruto tirou as shurikens de sua bolsa e lançou nele, que se desviou rapidamente. Mas atingi-lo não era a intenção de Naruto. Enquanto ele se desviava das armas, tomou impulso e se aproximou dele perigosamente. Golpeou violentamente seu corpo. A cada golpe atingido, Naruto colocava toda sua frustração para fora. Quando deu um chute no rosto de Hibiki e presenciou-o voar contra a escada, viu que devia terminar quando ainda estava com vantagem. Começou a formar o rasengan em uma das mãos. Mas qual não foi sua surpresa ao investir e descobrir que ele não estava mais lá. O ataque veio rápido demais. Com a mão ocupada com o rasengan, ele não pode defender quando Hibiki o acertou repetidas vezes nas costas. Todo o chakra acumulado dissipou-se enquanto ele era arremessado sobre os degraus. Seu peito esbarrou na madeira maciça dos degraus, quebrando-os com seu peso. Deslizando para o lado, procurando se levantar, cuspiu uma grande quantidade de sangue.

- Isso tudo é inútil. Prevejo todos seus movimentos. – a voz de Hibiki sequer tremeu diante do que acabava de fazer.

Tentando se levantar novamente, o jounin constatou que todo seu corpo tremia, principalmente as pernas. Sentiu uma estranha familiaridade na sensação.

- Esse... Golpe... Lembra... Hinata... – balbuciou se levantando.

- Sim, deve lembrar o golpe dos Hyuuga. Quando meu pai foi morto por esse maldito clã, eu pesquisei tudo que pude com a ajuda de minha mãe. Analisamos cada poro do corpo que nos mandaram. – com um sorriso maligno estampado no rosto ele falava com orgulho.

“Ele esta falando do corpo do pai do Neji...” lembrou Naruto, se perguntando se o rapaz já sabia disso.

- Mesmo com o byakugan selado, ele foi uma grande fonte de informações. –continuou Hibiki — Aprendi a empurrar meu chakra para dentro do corpo do inimigo de forma bem eficiente, como você deve estar sentindo. Claro que isso não chega aos pés da habilidade original do clã, mas é um bom começo. Quando os olhos daquela menina estiverem em mim, poderei ver os tenketsus e aprimorar essa técnica.

Naruto se contorceu de ódio da forma como ele se referira a Hinata.

- Eu ouvi muita coisa sobre você, Uzumaki Naruto, mas estou decepcionado – o rosto de Hibiki voltou a ficar sereno – Onde esta a Kyuubi? Quero vê-la.

“Deixe-me sair... Deixe-me provar esse sangue...” pedia ela com um rosnado.

Os olhos de Naruto começaram a adquiri uma coloração avermelhada. Suas unhas cresceram junto com suas presas. O ninja da Nuvem não viu nada disso, mas sentiu a diferença de poderes do Naruto de antes e do que se levantava agora.

- Você quer ver o poder dela? – a voz de Naruto estava quase inaudível – Então vou mostrar...

Hibiki mal sentiu quando ele se lançou sobre seu corpo. Sua velocidade se tornara impressionante. Começava a ficar interessante. Atingiu o corpo de Naruto várias vezes, mas ele nem parecia sentir. Lutava com desespero, com fúria como se não pensasse no que fazia. Ficou cada vez mais difícil para Hibiki fugir de seus ataques. Levou vários golpes, mas a dor o incentivava a lutar mais e mais. Em certo momento, atingiu o pescoço de Naruto, afetando sua traquéia. Ele vacilou e foi arremessado de volta a escada.

“Que divertido, que divertido...” exclamava a Kyuubi.

A traquéia de Naruto se curou instantaneamente, mas ele já estava farto daquilo.

- Cale a boca sua raposa desmiolada e deixe-me pensar... – ordenou.

“Você nos levará para derrota se eu permitir que tente pensar...” provocou ela.

- Fique quieta e assista. – murmurou ele se levantando.

Hibiki se aproximou rindo. Era hora de por um fim a tudo.

- Seus amigos parecem que estão derrotando meus subordinados... – falou despreocupadamente.

- Você está em desvantagem... – falou Naruto.

- Não exatamente. Depois que mata-lo tenho um esconderijo secreto preparado para eventualidades como essa. Será perfeito para Hinata e eu.

Ele usou um tom de malicia que irritou profundamente Naruto.

- JÁ MANDEI VOCÊ PARAR DE FALAR ASSIM DA HINATA! NÃO PERMITIREI QUE VOCÊ FAÇA NENHUM MAL A ELA!

- Mal? – se surpreendeu Hibiki – Não pretendo fazer nenhum mal com ela... Irei apenas retirar seus olhos... – disse simplesmente com um sorriso singelo, como se ter os olhos arrancados não fosse nada demais — Ela nem sentirá a dor... Depois que descobrimos como funciona o byakugan, eu a pegarei para mim. – falou como se fosse uma atitude magnânima de sua parte — Com os genjutsus certos, se tornará uma doce e passiva esposa e me dará muitos filhos... Com byakugans é claro. – acrescentou sorrindo meigamente.

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Ao ouvir aquilo, toda fúria de Naruto explodiu. Pulou em cima de Hibiki como um demônio sedento por sangue. O ninja conseguiu se esquivar dos primeiros golpes sem dificuldade. Porém, o padrão de ataque dele começou a mudar. Foi se tornando cada vez mais animalesco e selvagem. Hibiki não percebeu o real perigo que corria, pois não pode ver que o corpo de Naruto estava envolto totalmente em chakra vermelho e uma cauda saia de seu corpo. De repente, Naruto desapareceu de seu campo de audição. Os golpes vinham de todos os lados, ele não podia mais prever. Só sentia a intensidade aumentar cada vez mais.

- OODAMA RASENGAN!

Com apenas uma mão, Naruto atravessou seu corpo. Duas caudas apareciam quando ele começou a rasgá-lo.

Hibiki sentiu todo sangue se esvair de seu corpo. Estava morrendo.

“Então este é o poder da Kyuubi!” pensou sentindo quando ele arrancou seus braços “Eu devia ter pego outra Hyuuga...”

Foi seu ultimo pensamento. Naruto despedaçou o corpo dele com as mãos. Só voltou a si, quando pareceu à Kyuubi que a diversão tinha acabado. Naruto não havia perdido a consciência por completo. Quando o chakra da Kyuubi se recolheu ele analisou o que tinha feito. Olhou o corpo em pedaços.

“Ele mereceu...” dizia a si mesmo tentando aplacar sua consciência “Ele mereceu pelo que fez com àqueles Hyuugas e a Hinata...”.

Hinata.

A imagem dela clareou de vez a sua mente. Começou a correr pelo que restara da escada, chamando seu nome.

- HINATA! HINATA!

Naruto a achou deitada em uma cama. Ela parecia dormir profundamente. Com receio ele se aproximou. Era a primeira vez que a via tão perto desde o adeus, dois meses antes. Por algum motivo ela parecia mais bonita. Com medo de sujá-la com o sangue que escorria por suas mãos, Naruto buscou um meio. Envolveu-a no lençol e a levou para fora delicadamente.

***************

Neji observava atônito o corpo de Hibiki. Parecia ter sido esquartejado por uma legião de demônios.

“Mas foi somente um demônio...” pensou ele.

Quando Naruto saía para o salão passando por cima dos destroços de sua luta, viu Neji olhar para o corpo de Hibiki. Por um momento, achou ter visto um brilho de satisfação nos seus olhos.

Mas quaisquer vestígios de sentimentos desapareceram quando ele viu Hinata em seus braços. Encaminhou-se resoluto até os dois. Antes que Naruto pudesse impedir, Neji arrancou Hinata de seus braços.

- Você não tem mais direito de tocá-la Naruto!

E lhe virou as costas, deixando Naruto atônito demais para responder.