O Tempo
6 Ciúme??
Filho, cadê seu pai?
Estava fazendo o café quando a vizinha do lado chamou e pediu ajuda no carro.
Vizinha?
A casa está fechada.
Então chegou alguém.
Já tomou café, filho.
Não, estava esperando o papai, mas ele está demorando.
Hummmm, já volto.
Ok, vou preparando aqui.
Que vizinha será essa? Pensei... Sai pela frente da casa e fui olhar a casa ao lado, a única junto a curva.
Ed?
Ed?
Ahhhh oi?
Ed estava trocando um pneu do carro
Estamos te esperando pro café.
Já vou Liv, já vou!
Olá, essa deve ser sua esposa.
Oi. Sim. Sra. Tucker! E você? Ed, Don nos espera!
Sou Maggie O' Brian, muito prazer. Don deve ser seu caçula!
Maggie? Ahh prazer Sra. O' Brian. Vamos Ed!
Vamos.
Obrigada, Ed.
Sr. Tucker, por favor.
Ohhh desculpe.... Obrigada, sr. Tucker.
Seguimos pra casa, eu não dei uma palavra até chegarmos em casa. Ed percebeu que eu não gostei.
Liv, o que houve?
Você ainda me pergunta?
Ué!
Deixa de ser cínico, Ed! Uma vizinha te chama pra trocar pneu, até aí tudo bem. Mas você demora, fala de mim pra ela, do nosso filho caçula e ela ainda te chama de Ed?
Não foi por mal, Liv. Conversamos rapidamente enquanto troquei dois pneus.
Olhei pra ele com raiva e um sentimento que há muito não sentia...ciúme!
Don preparou nosso café.
Oi, papai. Você demorou!
Estava trocando os pneus do carro da Mag....Ahhhh da Sra. O' Brian
Estava todo derretido, filho. Ela deve ter uns 30 anos! E ainda ia chamá-la pelo primeiro nome? Que intimidade é essa?
Não tenho culpa de não aparentar 70 anos!
PAPAI!!
Você quer dizer que eu aparento?
Subi para o quarto e tranquei a porta.
Olívia, Olívia, eu não quis dizer isso!
Papai! Pisou na bola! E feio! Mamãe não tomou café ainda. Quero ver você arrumar isso.
Vou levar a bandeja pra ela e me desculpar.
Liv! Abre a porta, trouxe seu café.
Não quero!
Liv, por favor. Eu não quis te magoar. Abre a porta. Você precisa comer.
Silêncio total.
Liv, por favor?
Não respondi, estava sem chão. Muito chateada. Ed desceu e foi pedir ajuda a Don.
Filho, ela não abriu a porta. Me ajuda?
Claro, né papai. Pensa bem no que você disse!
Eu sei filho, falei sem pensar. Não quis magoar sua mãe. Eu não vivo sem ela, filho!
Me dá a bandeja, vou tentar. Mas você fica aqui. Ou ela não vai abrir a porta.
Ok, eu espero aqui.
Mamãe, sou eu. Abre a porta por favor!
Me deixa, filho. Eu sei que seu pai está aí!
Não mamãe, você precisa tomar café. Estou sozinho aqui, abre aporta por favor!
Eu confiei em Don, abri a porta pra ele entrar e a fechei novamente.
Mamãe, papai pisou na bola, ele sabe. Mas quer pedir desculpa!
Não, Don. Não quero saber!
Mamãe, tome seu café, você não pode ficar sem comer.
Don examinou meus olhos e me deu a medicação, tomei todo o café que ele preparou, ele desceu e eu tranquei a porta de novo. Vi pela sacada do quarto que Ed foi pescar acompanhado dos cães. Aproveitei e desci.
Mamãe, deixei o almoço pre pronto. Vou nadar um pouco, pegar onda.
Vai filho, deixa que eu termino o almoço.
Mamãe, meus irmãos chegam amanhã!
Eu sei, filho.
Você e papai?
O que tem?
Vão continuar assim? Nós nunca vimos vocês brigarem, mãe!
Pra tudo se tem um primeira vez, filho. Vai nadar, depois conversamos.
Dei um abraço apertado em Don, meus olhos encheram de lágrimas...
Adiantei o almoço e comi sozinha, deixei tudo pronto pra Ed e Don. Peguei o carro e sai, fui ao centro da cidade. Don estava subindo as escadas quando me viu sair de carro.
Ed voltou da pescaria e viu que o carro não estava na garagem.
Don, sua mãe saiu?
Saiu pai, eu estava subindo o deck quando a vi sair. Deixou o almoço pronto e saiu.
Já era fim de tarde e eu continuava na rua. Fui ao shopping, comprei um celular novo e outros itens que eu estava precisando, fui no salão e fiz as unhas. Ed me ligou umas 3 vezes, passou umas trezentas mensagens, não respondi nenhuma. Don me ligou, mas também não atendi, passei uma mensagem de que eu estava voltando e que não se preocupasse. Estacionei o carro, Ed veio preocupado me receber.
Olívia, não faça mais isso!
O que?
Sair assim sem dar notícias. Nos deixou preocupados.
Peguei minhas sacolas, fechei o carro, fiz um carinho nos cães e entrei em casa.
Mamãe, vamos jantar?
Vamos, estou com fome! Vou tomar um banho e já desço.
Liv?
Não respondi... Subi para o quarto, esqueci de fechar a porta e entrei no banho.
Ed esperou um tempo e subiu atrás de mim. Eu estava saindo do banho quando percebi sua presença no quarto. Estava enrolada na toalha.
Você pode me dar licença?
Liv, quero conversar com você!
Mas eu não quero! Saia por favor!
Ed percebeu que eu não ia ceder e saiu. Me arrumei e desci pra jantar.
Você está linda!
Está mesmo mamãe!
Adoro você de vestido!
Vamos jantar? Estou com fome! O que você fez, filho?
Foi papai que fez, mãe. Peixe assado.
Hum...
Jantamos, estava uma delicia e o vinho que acompanhou também. Eu não me dirigia a Ed, só falava com Don.
Olívia, por favor? Vai continuar me ignorando?
Continuei sem responder.
Mamãe, vocês precisam conversar! Olha só, eu vou sair, dar uma volta na cidade vocês aproveitam e conversam.
Não precisa sair, eu não quero conversa. Não gostei do que vi nem do que ouvi.
OLÍVIA! EU JÁ PEDI DESCULPA, NÃO TIVE A INTENÇÃO DE TE MAGOAR!
E você não GRITA!!
Fiquei nervosa, meu coração palpitou. Levantei da mesa e me dirigi pro quarto mas ao chegar nos primeiros degraus da escada, me senti mal e tudo rodou a minha frente. Me segurei no corrimão pra não cair.
Mamãe? Papai, ela vai cair.
Liv?
Don e Ed saíram correndo pra me segurar. Eu não desmaiei, só fiquei muito tonta e a pressão caiu. Me levaram para o sofá. Don pegou o aparelho de pressão e mediu, estava 9/5mmHg.
Papai, traz algo doce, por favor. Tem chocolate ou banana?
Tem filho...
Toma mamãe, come essa barrinha de chocolate.
Ed estava muito nervoso , comi o chocolate e fui melhorando. Ele sentou ao meu lado segurou minhas mãos e com os olhos marejados olhou fundo nos meus olhos.
Liv, por favor. Me perdoa!
Eu comecei a chorar e o abracei. Don nos deixou sozinhos e desceu pelo deck.
Você me magoou! Entre soluços...
Eu sei, me perdoa. Não fiz por mal. Foi uma brincadeira besta. Eu amo você. Só quis ser gentil com a vizinha. Me desculpe.
Ed, eu te amo. Estava me corroendo por dentro. Não suporto ficar brigada com você, nunca fizemos isso!
Ed me afastou de seu corpo e me deu um beijo suave nos lábios.
Me perdoe, meu amor! Eu também não aguento essa situação. Eu te amo muito!
Ele me abraçou de novo e deitei a cabeça em seu ombro, ainda chorando.
Você nos deixou preocupados, não atendeu as ligações nem respondeu minhas mensagens. Não faz mais isso, por favor!
Eu estava muito chateada e magoada.
Eu sei. Como está se sentindo agora? Passou a tontura?
Um pouco.
Vem aqui, encosta aqui.
Ed sentou atrás de mim e me aconchegou em seu peito. Ficamos com uma das mãos entrelaçadas e ele fazia carinho na minha cabeça, alisava meus cabelos e beijava meu ombro, dizendo eu te amo. Don voltou para verificar minha pressão novamente.
Hummmm, finalmente se entenderam! Como está mamãe? Melhorou? Preciso medir sua pressão novamente.
Estou melhor, filho. A tontura está passando.
Ok. Pressão 11/6mmHg, normalizou. Vamos subir, você precisa repousar. Papai, cuide dela e me chame se precisar.
Pode deixar filhote. Vou cuidar com muito carinho de sua mãe.
Subimos para os quartos depois de Don ter trancado a casa. Ed me ajudou a por o pijama e nos deitamos. Don veio nos dar boa noite.
Papai, mamãe, boa noite.
Vem cá, filho. Quero seu abraço.
Ele se enfiou no nosso meio e nos abraçou ficando calado.
O que foi filho?
Nada, mãe.
Don!!
Eu nunca vi vocês brigados, mamãe! me assustei.
Don, não somos um casal perfeito, apenas cuidamos e nunca discutimos na frente de vocês.
Isso os tornou especial pra nós, papai. São perfeitos sim. São nossos exemplos pra vida.
Ed abraçou Don emocionado.
Mãe, sua pressão descompensa sempre que você se emociona forte.
Pois é, filho. Já fui mais forte às emoções. Mas depois que parei de trabalhar meu coração enfraqueceu. Acho que eu vestia uma capa e agora não a tenho mais.
Boa noite pra vocês.
Boa noite, filho.
Nos despedimos com um beijo emocionado e Don foi deitar. Ed me deu vários beijinhos e me aconchegou.
Dorme meu amor, amanhã teremos um dia bem emotivo com a chegada de nossos filhos. Descansa.
Boa noite, Ed. Eu te amo!
Boa noite, minha Pimenta. Eu te amo muito.
Acordei com Ed me olhando. Ele estava apoiado de lado no cotovelo e outra mão segurando a minha. De seus olhos escorria uma lágrima.
Bom dia meu amor, o que foi?
Ele enxugou a lágrima e tentou disfarçar.
Bom dia, estava te admirando e me senti culpado. Me perdoa?
O beijei com carinho.
Culpado de que?
Por ter te magoado e ter te deixado nervosa. Me perdoa? Eu te amo!
Eu te amo, Ed. Já perdoei.
O abracei e o beijei.
Quero te amar!
Quero ser amada!
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