Notas iniciais
Olá pessoal! Esse cap. ficou meio grande, mas de qualquer forma, espero que curtam. Boa leitura!

A trilha se tornava cada vez mais fechada. Erza, Natsu, Happy, Lucy, Gray e Alexis andavam em fila indiana, vez ou outra desviando de raízes podres e teias de aranhas. A floresta na qual se embrenharam era um tanto estranha, pois qualquer um que olhasse de fora veria apenas árvores secas e esparsas, porém conforme foram seguindo por aquele caminho tudo foi ganhando vida até que se viram em uma enorme floresta tropical. Agora o caminho parecia se inclinar, levando-os para uma depressão.

— Isso aqui tá ficando cada vez mais esquisito, nunca imaginei que houvesse um lugar como esse em Fiore _ disse Gray.

— Estamos aqui há horas e sinceramente esse não parece um lugar que possa abrigar um templo, é totalmente irregular _ queixou-se Lucy.

— Eu não esperava que seria fácil mas também não duvidaria que toda essa história seja apenas uma lenda local _ Erza liderava a fila, apoiando-se nos troncos das árvores para não deslizar _ Ainda bem que Alexis tinha algumas informações sobre e por isso conseguimos um ponto de partida por onde procurar.

— Sim, mas como você disse tudo pode não passar de lenda _ observou Alexis _ toda aquela história que o senhor no vilarejo nos contou parece fantástica demais.

A alguns quilômetros da floresta ficava o pequeno vilarejo de Dandelion. Os membros da Fairy Tail resolveram começar a investigação por lá e o dono de uma loja de objetos mágicos lhes contou que ninguém se arriscava mais a entrar na floresta, pois o local estava amaldiçoado. Ele disse também, que foram anjos que construíram o templo de fogo e luz, assim, qualquer humano que ousasse profanar o solo sagrado seria punido com uma maldição sem fim.

— Sinceramente eu não ligo! Se houverem anjos por lá vou depená-los e assá-los HAHAHA!

— Não parece saboroso, Natsu. Acho que preferiria um peixinho _ Happy disse, no exato momento em que sua barriga roncou alto.

— De qualquer forma vamos continuar procurando. _ Erza parou de súbito, Natsu colidiu com sua armadura e soltou um “ai! ” atrás dela. _ O ar nessa parte parece mais denso e a terra está mais fofa. _ Chutou um pouco o chão e notou que a terra ali estava úmida e se soltava facilmente. _ Tomem cuidado.

Achou estranho quando ninguém respondeu ao seu aviso. Ao se virar, estava completamente sozinha.

***

Lucy via luzes coloridas cintilarem sob suas pálpebras. O corpo doía e o chão anormalmente gelado fez com que sentisse um calafrio, então abriu os olhos aos poucos percebendo uma fraca luz no local em que estava.

— Lucy, você tá bem? _ Natsu ajudou Lucy a se sentar enquanto mantinha uma pequena chama com a outra mão.

— Natsu, o que houve? Que lugar é esse?

— Não tenho certeza, mas acho que é o lugar que estávamos procurando!

Conforme a visão de Lucy foi se adaptando, ela pode notar que estava em um salão amplo, com teto muito alto, inteiramente de pedra. Perto do teto havia algumas aberturas que possibilitavam a entrada de uma pequena quantidade de luz.

— Como viemos parar aqui?

— Não faço a menor ideia _ disse Erza _ assim que percebi que vocês haviam desaparecido, apaguei de repente e quando acordei já estava aqui dentro. Parece que o mesmo aconteceu com todo mundo.

— Entendo. _ Lucy se levantou e sentiu a cabeça rodar _ Em qual direção devemos seguir agora? _ Ela olhou de um lado para o outro do salão que parecia não ter fim.

— Vamos nessa direção _ Erza apontou para a escuridão_ Sinto uma onda de poder vinda daqui. Por ora, vamos seguir juntos mas se houver mais de um caminho, nos separamos.

Dito isso, o grupo começou a avançar. Conforme foram deixando o grande salão para trás corredores foram se estreitando e tomando um aspecto mais sujo e abandonado. Já se passava mais de uma hora que haviam iniciado a procura dentro daquele lugar e não viam sinal da joia que procuravam nem de qualquer outro tipo de ser vivo. Quando estavam prestes a fazer uma pausa nas buscas, se depararam com um caminho fechado. No final do caminho, havia uma porta minúscula de madeira, a qual foi facilmente aberta dando em um corredor totalmente limpo e iluminado por archotes.

— É como se alguém tivesse passado por aqui _ Lucy disse olhando ao redor. Natsu fungou um pouco do ar que se tornara quente depois de passarem pela porta de madeira.

— Estamos sozinhos, não há nenhum cheiro estranho.

— Muito bem! Vamos fazer uma pausa _ disse Erza, descansando a espada que trazia consigo _ parece que as coisas vão começar a complicar a partir de agora.

Assim o grupo se dedicou a repor as energias perdidas. Gray, Lucy e Alexis discutiam onde aquele enorme labirinto iria dar. Erza, permaneceu sozinha, parecia perdida em pensamentos. Happy estava prestes a comer seu peixe que trouxera como suprimento quando percebeu que Natsu não fizera nenhum movimento para pegar a comida.

— Não vai comer, Natsu?

— Ah! Pois é! Bem lembrado, Happy!

— O que aconteceu? Você tá meio distraído.

— Não é nada _ Natsu disse, fazendo cara feia.

— Você tá esquisito assim por causa da Lucy, não é? _ Happy abafou uma risadinha debochada _ Eu notei aquele dia na casa dela, você saiu voando de lá para que ela não percebesse que na verdade você tá gostando dela.

— É CLARO QUE NÃO! QUE HISTÓRIA É ESSA? _ Percebendo os olhares assustados de todos com sua explosão repentina, Natsu abaixou um pouco o tom de voz, corando ligeiramente _ A Lucy é minha amiga, Happy. Eu não gosto dela desse jeito.

— É claro que não, e eu pretendo ser o próximo mestre da Fairy Tail. Você só tá arrumando desculpas Natsu, eu já percebi que vocês se goxxtam hahahahaha.

— VÊ SE PARA COM ISSO!!

Após meia hora todos seguiram pelo corredor. Conforme passavam os archotes iam se acendendo para iluminar o caminho, que finalmente foi se alargando e terminou em um enorme portal.

— É estranho! Isso foi fácil demais. Sem inimigos, sem armadilhas... _ Gray disse mirando o portal.

— Vejam, tem alguma coisa escrita _ Alexis apontou para o arco de pedra _ alguém conhece aquela língua?

— Acho que diz: “O coração preso pela dúvida, será libertado por ela”. _ Lucy franziu a testa _ O que isso quer dizer?

— Quem se importa? Vamos logo pegar essa joia e dar o fora. Essa missão tá muito chata.

Natsu avançou, seguido de seus companheiros, mas todos pararam de repente espantados com o que viam. A sala circular continha vários outros portais que provinham de caminhos diferentes, mas o mais impressionante eram duas estátuas gigantescas que se encontravam uma de frente para a outra. Uma delas era um homem musculoso, que trajava uma túnica de guerreiro, seu cabelo era demasiadamente comprido e havia imponência em seu olhar. De frente para ele, havia a estátua de uma mulher de armadura. Ela tinha os cabelos presos em uma trança e mantinha uma das mãos sob a espada embainhada em sua cintura. Embora sua aparência fosse rústica, ela continha uma expressão suave e gentil.

Todos estavam tão impressionados com a beleza do lugar que nem perceberam que Natsu e Lucy não conseguiam se mover. Natsu tentava em vão invocar seu poder, mas não conseguia usar sequer uma gota de magia. Queria gritar, mas a voz estava presa na garganta e um pânico que nunca sentira antes começou a tomar conta de seu ser.

“Lucy!”

Lucy sentiu lágrimas se acumularem em seus olhos, pois parecia que havia acabado de ser aprisionada em um sonho ruim.

“Natsu!”

Aos poucos os dois foram desistindo de lutar, abandonando-se a escuridão fria que se mostrava à eles.

***

O local em que estavam agora parecia o mesmo de antes. As estátuas gigantescas continuavam lá, podiam discernir os outros portais mas seus companheiros não estavam mais ali. Tudo parecia desfocado e emitia um brilho azul, era como se tivessem sido transportados para uma outra dimensão.

— Que lugar é esse? _ Lucy disse olhando ao redor.

— Quem tá aí? APARECE IDIOTA! EU VOU ARREBENTAR VOCÊ! _ uma risada grave chegou até os dois membros da Fairy Tail e então, um homem apareceu. Era alto e possuía cabelos e cílios muito brancos, sua túnica era ornamentada com o que parecia serem fios de prata. Tinha a pele tão clara quanto seus cabelos.

— KARYUU NO... _ Natsu avançara para o estranho, mas parou quando percebeu que sua magia não havia voltado. _ SEU...

— Esse é o meu mundo, humano. Aqui sou eu quem governo. Tudo o que vocês podem fazer é rastejar em sua insignificância. _ Nisso o homem, que tinha suas mãos escondidas sob a veste, retirou-as deixando à mostra a enorme gema âmbar que estavam procurando _ Acredito que entraram nesse templo sem saber sua história. _ O homem começara a caminhar lentamente em direção à eles, não puderam deixar de notar seus pés descalços e o farfalhar assustador que sua roupa produzia.

— MALDITO!_ Natsu rangia os dentes.

“O coração preso pela dúvida, será libertado por ela”. Eu agradeço pela dúvida em seus corações, pois ela os trouxe para mim.

— Quem é você? O que você quer? _ Lucy disse, tentando ganhar tempo.

— Meu nome é Cashel. Eu sou um anjo e os trouxe até aqui para puni-los. Mas antes, acho que devo explicar o porquê _ O homem recomeçou a andar tranquilamente, olhando as estátuas que os cercavam _ Não precisam se preocupar, vocês podem ficar aqui por um ano que nem um segundo terá se passado no mundo real. Acredito que não saibam quem são esses dois. _ Diante do silencio dos dois magos ele prosseguiu _ Seus nomes eram Aidan e Lana. Aidan se apaixonou perdidamente por Lana e desistiu de tudo para poder ficar com ela. Ele era poderoso, Lana era parte do exército do reino. Depois de muitas guerras, eles conseguiram ficar juntos... e os humanos até construíram esse lugar amaldiçoado em homenagem à eles.

— Mas não foram os anjos que construíram esse templo? _ Lucy estava cada vez mais confusa.

— Os anjos não se rebaixariam a algo tão ridículo! Aidan era muito amado pelos humanos, Lana também passou a ser aclamada como se fosse uma deusa para eles _ O tom de desprezo na voz de Cashel crescia cada vez mais _ Então, construíram um templo para poder unir aqueles que se amavam sob a benção de Aidan e Lana, fogo e luz. Logo o templo passou a ser conhecido como o Templo do Amor e todos que o visitavam relatavam a presença de um poder que ultrapassa a magia. Quando fiquei sabendo, não pude deixar de rir desse nome irônico, uma vez que o amor desses dois foi construído sob uma traição.

— Traição? Como assim? _ Natsu tentava aos poucos invocar sua magia, mas ainda continuava sem poder.

— Aidan era um anjo. Seu coração foi roubado por aquela maldita humana e ele arrancou suas asas para viver com ela. Ele traiu os seus, ele me traiu e se juntou aos humanos para lutar contra nós. _ Cashel acariciou a gema em sua mão _ Eu tive a chance de matá-lo, mas não consegui pois Aidan foi e ainda é meu único e verdadeiro amor. Eu fui selado nessa dimensão, já não existo no mundo real. Por isso, quando soube da existência desse templo, eu não pude deixar de sentir o desprezo e o ódio de tanto tempo caindo sobre mim. Foi assim que resolvi que iria habitar esse lugar e faria sofrer os aqui viessem em busca do amor, como forma de me vingar de Aidan e daquela humana. Com o tempo aprendi a refinar o desespero do coração e percebi que aqueles que me proporcionam maior diversão são aqueles que vem aqui com o coração cheio de dúvidas. _ Cashel sorriu, um brilho de insanidade agora marcava seu rosto _ Por isso agora, vamos ver como irão lidar membros da Fairy Tail, com o horror que ultrapassa qualquer magia.

Dizendo isso Cashel ergueu uma das mãos e como se seus corações fossem arrancados do peito, Natsu e Lucy acordaram.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.