O Teceiro Recomeço
5 O Mesmo Acontecimento De Outro Ponto de Vista.
Notas iniciais
Clary POV's
— Ainda não entendi por que estamos aqui. Deveríamos estar em Nova York, no Instituto, afinal fomos nós quem descobriu o Demônio Maior acampado nos esgotos. Eles precisam de nós. — Acho que era a quinta vez que reclamava sobre isso. Mas não liguei, pois meu argumento tinha sentido.
— Mas o que é isso?! Duvidando da capacidade dos Lightwood de matar um demônio? — Disse Ian, com um sorriso zombateiro. Pelo menos ele estava me respondendo. Os outros já estavam tão cansados de ficar escutando ela reclamar que estavam me ignorando.
— Não estou duvidando da capacidade dos Lightwood; Estou preucupada com eles. Não é fácil matar um Demônio Maior.
— Mais quem falando! Não foi você que matou um demônio maior só com um vampiro e uma flecha?!
— Na verdade, fui eu quem matou Abbadon, não Clary. E foi com um arco e flecha. — Intrometeu-se Simon.
— Você tem razão. Desculpe se não lhe dei o devido crédito. — Ian mantinha os olhos nas tábuas de madeira que estava tirando do caminho, ainda com o sorriso no rosto, mas não era mais zombateiro.
— Sem problemas. — Simon murmurou em resposta.
Ian, pensei, apesar de ser um bom soldado, ótimo na verdade, tinha um lado otimista, que em muitas ocasiões contagiava as pessoas ao seu redor. Também tinha um lado histórico, que raramente era mostrado aos outros, mas era percebível apenas pelos livros que lia. Sempre tinha um livro na mão, quando não estava lutando. Ele se voluntariou para ir para o Instituto de Nova York depois de uma grande tribo de Demônios Blatzel ser detectada ao norte de Long Island. A crise dos demônios foi resolvida, mas ele continuou no Instituto. Agora, dois anos depois, já era de confiança de todos no Instituto. E era bonito. Não mais bonito que Jace, meu namorado, mais com certeza tinha charme com aqueles olhos castanho e o rosto anguloso. Hoje Ian acordara com um bom humor pra lá de exagerado, considerando que ele havia sido mandado junto comigo, Jace, Phoebe e Simon para a Carolina do Norte para tornar um antigo monumento dos Caçadores de Sombra apresentável para a Clave. O monumento era uma espécie de Igreja, criada especialmente para servir de um ponto de abastecimento de armas de Caçadores de Sombras, além de ter uma sala secreta com o objetivo de servir como um lugar para adorar o Anjo Raziel, o criador dos Caçadores de Sombras. Pelo visto era tarefa dos Caçadores do Instituto cuidar daquele lugar depois das duas Revoluções da Humanidade Natural.
Tropeçei em um entulho da obra. Caí e xinguei baixinho.
— Odiei essa missão.
— Ora, vamos, Clary. — Jace me ajudou a levantar. — Já enfrentamos coisas piores. — O olhar dele era sincero. Tinha um sorriso nos lábios. Instantâneamente senti uma onda de gratidão. Não teria chegado tão longe sem ele. Sorri de volta.
BUM!!!!!
Virei a cabeça rapidamente, alarmada, ao escutar o estrondo de alguma coisa quebrando. Ao virar a cabeça, me deparei com a visão de Phoebe com o pé embaixo do nível do piso, onde ele havia cedido.
— Pelo Anjo — Phoebe disse com um suspiro de surpresa.
— Esse lugar realmente precisa de um trato. — Disse Ian, que estava ao lado de Phoebe, a ajudando a tirar o pé dali.
— Isso é meio óbvio — Murmurou Simon, irritado, que estava no outro lado de Phoebe ajudando Ian a colocar o pé dela sobre o piso novamente.
— Alguém se arrependeu de ter se oferecido para vim, Vampiro? — Disse Jace, zombando de Simon. Cutuquei Jace com o cotovelo, discretamente.
— Aaah, me desculpe se eu achei que ruínas de Caçadores de Sombras seriam mais históricas e menos acabadas. — Respondeu com sarcasmo Simon.
— Somos dois, Diurno. — Murmurou Ian.
— Aiiii!!! Cuidado, Diurno! — Phoebe lançou um olhar irado para Ian.
— Me desculpe! Vocês dois aí bem que podiam ajudar, né!
— Vocês ainda não conseguiram tirar o pé dela daí?! Aonde foi parar a sua força, Vampiro? — Perguntou Jace, saindo de perto de mim, indo ajudar Simon e Ian.
— Eu a usei e a Phoebe reclamou — Murmurou irritado Simon.
Um segundo depois, tanto Jace quanto eu estávamos ao redor de Phoebe, contando até três para puxarmos todos juntos. E conseguimos. Segundos depois Phoebe estava massageando o pé, agora livre, e o resto estava respirando antes de voltar a trabalhar na restauração da Igreja. Então, Simon disse:
— Todo mundo quieto. — A autoridade na voz dele me assustou.
— Simon? Tudo bem?
— Clary, quieta. O Vampiro deve estar escutando alguma coisa. — Falou Jace, entendendo a situação antes de mim.
— Escuto passos. E conversa. Parecem estar em quatro.
— Integrantes do Submundo? — Perguntou Ian, em um tom que fazia parecer nobre, ser do submundo. E então olhou para o pastor alemão que trouxera consigo na primeira vez que viera ao Instituto. Em qualquer viagem, Ian sempre levava seu cachorro e, se possível, seu cavalo, Wesley. — Bom, se Wod não está latindo, não deve ser ninguém do submundo. Então... Mundanos?
— Então está tudo bem. Mundanos não podem entrar, não conseguem por causa da Marca de fechadura na porta de entrada.
Quase como uma deixa, a porta se abriu com um barulho. Antes de qualquer pessoa passar pela porta, Ian mandou todo mundo se esconder. E todos fizemos isso, com excessão de Jace, que ficou parado no lugar, encarando a porta. Sussurrei para Jace, para que o mesmo saísse da frente da porta e viesse ao meu encontro. Após um segundo, que mais me pareceu uma eternidade, Jace se moveu. Mais já era tarde demais, pois a porta se abriu, revelando quatro adolescentes, provavelmente na faixa etária dos 17 anos. Dois garotos de olhos castanhos, sendo um com cabelo castanho claro e o outro com cabelos castanho escuro. Junto com eles vieram mais duas meninas, uma com cabelos compridos castanho claros e olhos verdes. Era magra, e tinha um ar de sabe-tudo. Mas quem mais me chamou a atenção foi a segunda garota, que tinha cabelos pretos compridos encaracolados e olhos da cor Azul Tiffany. Ela foi a primeira a entrar na igreja, e parecia ver tudo na Igreja com um olhar curioso, encontrando coisas interessantes onde os demais não encontravam. O que era estranho era que a garota, que o garoto de cabelos castanho claros chamou de Kaya, parecia se interessar nas coisas que faziam menção aos Caçadores de Sombras. Porém, o mais esquisito de tudo foi quando, assim que pisou no piso de madeira da Igreja, que foi o mesmo momento em que Jace cruzou o salão para ir ao meu encontro, eu tive a suspeita de que ela o havia visto. E minha suspeita se confirmou quando Kaya relatou aos amigos de que havia visto alguma coisa se mover. Depois de ouvir o relato dela, os outros foram embora, junto com a tal Kaya.
— Hey Clary, quer vir me ajudar com essa pintura? — Chamou Jace, me despertando de meus pensamentos. Era tudo uma lembrança, mas eu me lembro de tudo com todos os detalhes, como se tivesse acabado se acontecer. Havia o que, duas semanas desde que havia acontecido? Eu continuo a repetir a cena de novo e de novo, na minha cabeça, me perguntando quem seria aquela tal de Kaya, e me perguntando como ela havia visto Jace, afinal tanto jace quanto os outros estavam com a Marca da Invisebilidade, que devia impedir os humanos de verem eles. Se eram simples humanos, como tinham conseguido abrir a porta?
Minha cabeça estava cheia de dúvidas, mas decidi deixar elas de lado por um tempo e ir pintar as paredes da Igreja junto com o Jace
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