Mesmo depois de um ano e meio, às vezes acordava com pesadelos do acidente, mas isso eu guardava pra mim, ou pelo menos tentava.

As 06h15min da manhã eu acordava ao som de Elvis (musica preferida da Lou), para seguir mais um dia de aula. O dia estava nublado e estava chovendo, o que não era muito comum aqui na Califórnia, é, eu e meu pai continuamos na mesma casa, só algumas reformas, como o quarto da Louise que havia sido fundido ao meu, que agora era bem maior, eu tinha um banheiro só pra mim. Legal né?

Mas voltando, desci para a cozinha, meu pai já havia saído e tinha um bilhete que dizia:

Paty,

Seu pai recebeu uma ligação e saiu mais cedo, eu tenho uma reunião hoje e também chegarei mais tarde.

O jantar esta na geladeira soube que você almoça na escola, então...

Um beijo,

Não sei se já mencionei, mas Katy é a “namorada” do meu pai. É “namorada”... Eles se pegam de vez em quando. É eu também acho desconfortável, mas ele sofreu tanto, que merece um novo amor temporário.

Tomei café e liguei para Jude, meu melhor amigo de infância.

– Alô? – disse Jude

– E ai, vem me buscar pra escola hoje? – perguntei

– Claro Cherry, não sei por que ainda pergunta. Sempre! Em 20 minutos chego ai.

– 20? Mas você chega sempre mais rápido... – disse

– Eu sei... Mas tenho que levar uma... Pessoa em casa.

– Uma pessoa? – perguntei indignada.

– Uma pessoa... – e de repente eu ouvi uma voz de menina no fundo que dizia – — Pipoco... (com uma voz melosa e conhecida)

– Jude... A Alice esta ai? – ouvi um risinho no fundo, sabia que era ela e que estava no viva-voz. (Eles eram meio que namorados, mas se surpreendi com ela na casa dele a essa hora).

– Ela... Ela ta sim, nos passamos à noite juntos e...

– O.K. Já saquei, sem detalhes, por favor. 20 minutos e nenhum minuto a mais. – disse o cortando e evitando a volta do meu café da manhã.

– Ahn... Ok-Ok! – ele disse.

Uns 15 minutos se passaram e Jude estava lá com seu UNO, na frente a minha casa. Peguei minha mochila e corri para o banco de carona para não pegar tanta chuva.

– Olá. – disse ele já corando de vergonha – Me desculpe por aquilo, não vai aconteceu de novo.

Eu ri achando muita graça do desespero dele.

– É sério, eu juro. – ele disse.

– Jude, eu não sou sua mãe, fica tranqüilo.

Ele riu sem graça e seguimos para a escola.

Chegando lá e encontramos a Vick, nossa amiga de muitos e muitos anos.

– Fala ai, vocês demoraram a chegar. O que houve? – disse Vick prendendo os cabelos ruivos e lisos num rabo de cavalo para o lado.

Olhei para Jude, sabia que se eu contasse, ele morreria de vergonha.

– Trânsito. – disse antes que Jude abrisse a boca para contar.

Entramos na escola e fomos de cara com a Britney Ertther, ela era nojenta e a mais popular da escola, todos os meninos queriam sair com ela... Também não era pra menos, tinha que admitir que ela é muito bonita, seus cabelos eram loiros, com mechas naturais castanho claro, lisos e cacheados nas pontas, balançavam que nem comercial de Shampoo.

– Como vai o trio dos patetas? – perguntou Britney enrolando uma mecha de cabelos muito bem tratados no dedo.

– É sério, se continuar assim, vou quebrar esses dentes branquinhos dela. – disse Vick sem a menor vontade de falar baixo para que ela não escutasse.

– Nem vale à pena, qualquer 100 reais e os dentes dela voltam pro lugar! – eu disse

– O QUE? EU NÃO USO DENTADURA E VOCÊ SABE DISSO CARPENTIER! – ela disse vermelha de raiva

Era fácil deixar ela com raiva, e a gente aproveitava.

– É claro querida, nos sabemos. – Vick disse num tom totalmente sínico.

Passamos por ela e nos despedimos. Nos dois primeiros tempos, nos três tínhamos aulas separadas. Eu de Física, Jude de Química e Vick de Biologia.

Segui para a sala sete, para a aula de Física, para minha alegria eterna, Britney sentava na minha frente... Era mesa de dupla, e eu sempre sentava com o meu namorado, Bruno Bedran, mas ele estava de licença porque quebrou a perna. Então fiquei sentada sozinha esses dias. Começamos a aula e o Prof. Muniz não era o melhor professor de todos, não ligava se fizéssemos o dever ou não, e eu claro, não fazia.

Estava escrevendo poesias, que até então era meu único passatempo. Até que alguma coisa me chamou a atenção, um cheiro, um perfume muito bom, até que levantei a cabeça para ver, e vi um menino na mesa do Prof. Muniz. Era aluno novo.

E que aluno novo.