O Talismã
4 Capítulo 4
Por um momento fiquei hipnotizada. Era muito bonito, alto, corpo de atleta, mesmo não tendo cara de um, era branco, mas bronzeado, cabelos pretos, olhos negros, que me seguravam olhando para eles. Era realmente lindo, e pelo jeito também não fui a única a olhar. Britney já atacaria.
Prof. Muniz levantou e bateu com o apagador no quadro, para chamar atenção para ele, o que ele não precisaria fazer para mim e Britney, já que estávamos olhando para a direção dele mesmo.
– Turma! Atenção! Temos um novo aluno com a gente. Esse é Drake, Drake Hans. Drake tem dois lugares, pode escolher. Tem lugar com a senhorita Ertther, aqui na primeira fileira, e com a senhorita Carpentier, na segunda fileira.
Pode ser impressão, mas ele olhou pra mim por alguns segundos, não estava olhando, mas pude ter certeza disso. Ele veio andando e sentou do meu lado.
– Oi – ele disse
– Oi.
– Seu nome é? – ele perguntou.
– Paty, Paty Carpentier.
– Seu nome não deve ser Paty, deve ser apelido... Paty né?
– É, mas eu não gosto do meu nome, por isso me chamam de Paty. – eu disse confirmando com a cabeça
– E qual é? – ele perguntou realmente curioso.
Eu o ignorei, não ia dizer, mas tinha uma pessoa que com certeza iria dizer.
– É Patrícia. Patrícia Carpentier. Feio não acha? – Britney falou se virando para trás. – Prazer, Britney Ertther! – ela disse esticando a mão.
Ele a cumprimentou.
Eba, que legal, menos um amigo na minha lista!
– Britney, nome bonito, mas eu prefiro Patrícia. – ele disse se virando para mim com um sorriso de lado.
Não acredito que ele dispensou a Britney. Ele deve ser um ET.
Britney se virou para frente, com a raiva bem expressada no seu rosto.
Eu ri e disse:
– Mentir é feio sabia? – disse ainda rindo
Ele riu e disse – Não estou mentindo. – ele sorriu.
Eu ri, e depois de um tempo, o sinal tocou e todos levantaram. Estava ajeitando minha pasta e fechando minha mochila quando Britney se virou e jogou minha pasta e minha mochila no chão. Papeis voaram para tudo quanto é lugar, e eu me abaixei para catá-los e arrumá-los para sair de sala. Até que vi Drake se abaixando e me ajudando a catá-los.
– Não precisa, é sério! – eu disse
– Não perguntei se você queria ajuda... – ele disse segurando um dos meus poemas. – É lindo, você que fez? – ele perguntou.
Eu peguei o poema da mão dele e botei na pasta, ele segurou o poema de novo, e nossas mãos de encostaram, e uma onda de calor e formigamento tomaram conta de mim, e parecia que ele sentia o mesmo. Até que escutei um pigarro, olhei para a porta e o Bruno estava lá. Levantei e abracei-o.
– Atrapalho alguma coisa amor? – ele perguntou
– Não, esse é Drake Hans, meu parceiro de Física. – eu disse tentando amenizar o que Bruno tinha acabado de ver.
Bruno me segurou pela cintura e esticou a mão para Drake, que não colaborou. Eu me virei para Bruno e disse:
– Vamos, Vick e Jude devem estar nos esperando na lanchonete.
– Ok, quer se juntar a nós Drake? – ele perguntou
Diz que não, diz que não!
– Claro, porque não. Aproveito e vejo com a Paty o que o Prof. Muniz passou nas aulas passadas. – disse Drake olhando para Bruno de um jeito desafiador.
Ótimo, agora meu namorado e meu parceiro de Física vão se matar ou se desafiar até Deus sabe quando.
Conhecia Bruno, ele gostava de desafiar, e tinha medo que ele poderia fazer com Drake, além dele ser super ciumento, o que não é legal.
Seguimos para o refeitório, aonde Vick e Jude discutiam alguma coisa.
– Nada haver Jude, eu não acho! – disse Vick balançando os cabelos numa forma de protesto.
– Claro que é Vick, é só prestar atenção! – disse Jude.
– É isso ai Vick, só prestar atenção – eu disse rindo chegando até eles.
– Não começa Paty, estamos discutindo uma coisa muito séria. – disse Vick.
– É claro... Mas do que estão falando? – perguntou Bruno me abraçando pela cintura.
– Vick não quer admitir que o grande ídolo dela seja uma fraude! – disse Jude rindo, com certeza pela cara da Vick.
– Aquele vampiro? Qual é Vick, vampiros não existem! – disse Bruno batendo a mão na de Jude.
– Vão continuar? Eu acredito e pronto! – disse ela virando a cara.
– Eu acho que vampiros existam sim. – disse Drake do nada.
Vick riu e levantou as mãos numa forma de “não falei?” Um silêncio tomou conta do momento e todos olhavam para Drake. Pus a mão na testa.
– Ham... OK. Podemos ir comer? Estou com fome. – disse segurando a mão de Bruno e puxando ele para fora da escola, aonde almoçávamos, num café chamado – CoffeeBrian’s. Esse era o café da Katy, namorada do meu pai. Mas ela não vinha para cá nunca. Então sempre lanchávamos aqui.
– O que vão querer? – perguntou um garçom.
– Três capuchinos, um café expresso e... Drake, o que vai querer? – perguntei
Ele olhava nos meus olhos, e por um momento parecia que só havia eu e ele ali. Até que voltei para realidade.
– Um café, obrigada! – ele disse rindo.
O garçom entrou café adentro e um pouco depois, voltou com os pedidos.
– Vou querer um donut e alguns nachos também. – disse Vick tirando da carteira algumas notas de dinheiro.
– Não precisa, pode deixar que eu pago. – disse Drake tirando do bolso um cartão de crédito. Ficamos abismados, o único com cartão ali era Bruno, e porque tinha muito dinheiro, não era comum um adolescente com cartão de crédito, só os que os pais davam.
– Ok, obrigada! Prazer, Vick! – disse Vick colocando o dinheiro dentro da carteira de novo.
– Drake, Drake Hans. – disse ele esticando a mão para ela. Eles se cumprimentaram e Vick ficou me olhando de uma forma que dizia – “Viu? Esse sim é o namorado ideal pra você!”. Eu e Vick nos conhecíamos desde bebês, assim como Jude também. Só de olharmos para os outros, já sabíamos o que estavam dizendo.
Vick não era muito fã do Bruno, dizia que era uma questão de tempo até a gente terminar, o que não parecia ser muita verdade, nos estávamos juntos há seis meses e não brigávamos tanto assim como diziam que namorados brigavam. Meu pai também não gostava de Bruno, e assim como Vick dizia ser uma questão de tempo até terminarmos. Acabamos de comer e voltamos para a escola, e para minha alegria, Drake não tinha mais aulas comigo, só de Ed. Física, no ultimo tempo. Aonde todos tinham aulas juntos, pelo menos Eu, Vick, Bruno, Jude e agora, Drake.
Depois das outras aulas, era hora de trocar de roupa para a Ed. Física. Vick e eu fomos para o vestiário, pegamos nossas roupas e trocamos, a roupa de Ed. Física era um short um palmo de mão aberta, de malha, uma camisa de manga curta, escrito ED. FÍSICA. Era meio patético, mas era o uniforme.
– Paty, vou te esperar lá na quadra ok? – disse Vick.
– Ok, mas não começa sem mim. – eu disse dentro do Box do banheiro, aonde trocava de roupa. Não tinha vergonha da Vick, mas qualquer uma menina poderia entrar no vestiário, e isso eu tinha vergonha.
Escutei a porta abrir e fechar, estou sozinha no vestiário. Até que escuto a porta abrindo de novo.
– Vick? Esqueceu alguma coisa? – perguntei.
Ninguém respondeu, e quando resolvi olhar pela frestinha na porta, vi Britney na porta com a minha mochila nas costas. E detalhe, meu short que estava pendurado, estava na mão dela.
– Quero ver sair daí agora! – ela disse rindo e saindo correndo pra quadra.
– BRITNEY, VOLTA AQUI COM A MINHA ROUPA! – eu gritei, mas ela já tinha saído.
E agora? Como eu vou sair daqui?
EU ODEIO ESSA GAROTA!
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